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Friday, 11 February 2011

Estranha forma de fazer Oposicao Politica... [Actualizado]*




... Ou apenas reflexo da ineficacia/disfuncionalidade das "nossas instituicoes democraticas"?



Qualquer que tenha sido caso, foi com um suspiro de alivio que li hoje (aqui) a noticia do fim da greve de fome iniciada no inicio desta semana pelo Secretario Geral da UNITA e deputado a Assembleia Nacional, Abilio Kalamata Numa, em protesto pela detencao de um militante da sua organizacao.

Vinha nos ultimos dias alinhavando umas linhas, incluindo as com que titulo este post e as que se seguem abaixo, sobre este assunto, tendo planeado 'posta-las' hoje, que terminavam com "desejo ao secretario Geral da UNITA sucesso na obtencao do(s) seu(s) objectivo(s) sem que tenha que chegar as ultimas consequencias!"






Este caso lembrou-me de um acontecimento, historico pelas proporcoes que assumiu, que muito me marcou na altura e viria a estar na base dos meus posicionamentos sobre o chamado Poder no Feminino: em finais dos anos 70 e inicio dos 80, no culminar de uma serie de accoes de protesto por prisioneiros afectos ao IRA, Exercito Republicano Irlandes (incluindo uma que ficou conhecida como o "dirty protest", em que os prisioneiros se recusavam a lavar-se e cobriam as paredes das celas com os seus excrementos...), um grupo deles iniciou uma greve de fome que se arrastou por varias semanas.

Mas, Margareth Thatcher, entao Primeira-Ministra do Reino Unido da Gra-Bretanha e Irlanda do Norte, nao cedeu as suas reivindicacoes, mesmo em face de manifestacoes de solidariedade para com os grevistas nao so' de entre os seus eleitores (um dos prisioneiros, Bobby Sands, chegou a ser eleito Membro do Parlamento enquanto fazia greve de fome) e ate' de membros do seu gabinete e partido politico, como um pouco de todo o mundo... Tao pouco se vergou quando 10 dos prisioneiros, incluindo Sands, acabaram por falecer em resultado daquela greve de fome!

E ter-se-ha' ela alguma vez arrependido e penitenciado por aquelas mortes, ou rejeitado de algum modo o apelido "Dama de Ferro" que lhe advinha em particular da forma inflexivel como defendia a implementacao das suas politicas economicas (e tambem da forma 'masculina' como dirigiu a Guerra das Falklands)? Nem um pouco! De facto, uma frase que tambem a celebrizou foi, quando em face dos crescentes niveis de desemprego causados pelas suas medidas anti-inflaccionistas e momentosas manifestacoes populares de protesto nas ruas de todo o pais, membros do seu partido comecaram a manifestar-lhe a sua inquietacao e a sugerir-lhe que fizesse uma reviravolta naquelas medidas (U-Turn), ao que ela lhes respondeu: "You turn if you want to, the Lady is not for turning!"...





* ADENDA

Transcrevo aqui este caso dos "40 Activistas do Protectorado da Lunda Tchokwe'", agora tambem em greve de fome, aos quais dedico igualmente os votos e consideracoes acima:



14 Fev 2011 - Entraram no segundo dia de greve da fome, mais de 40 detidos Activistas do Manifesto do Protectorado da Lunda Tchokwe, que tinham sido transferidos da cadeia do Conduege para o novo estabelecimento prisional da Kakanda na Lunda-Norte. A greve, por tempo indeterminado, destina-se a protestar - e citamos – “por violação continuada dos seus direitos a liberdade”, uma vez que o crime contra a segurança do Estado a que foram acusados, já foi revogado com a publicação do novo diploma no dia 3 de Dezembro de 2010 no Diário da Republica de Angola.
De acordo com os seus representantes, esta greve de fome tem como objectivo, chamar atenção da comunidade nacional e internacional, pelas injustiças continuadas cometidas contra as populações das Lundas, Kuando Kubango e Moxico.
O representante legal dos presos é o advogado David Mendes, que revela que o “habeas corpus” foi apresentado há 20 dias, tornando estas prisões ilegais. O advogado diz não conseguir compreender como é que o Tribunal Supremo se mantém em silêncio perante, sendo a lei clara imponndo que o tribunal se deva pronunciar no prazo de 24 horas.
Por seu lado,Zeca Mutchima, secretário-geral da Comissão do Protectorado das Lundas, manifesta a sua preocupação pelo estado de saúde dos presos e apela para a solução deste caso que considera ser uma injustiça.


[Aqui]




... Ou apenas reflexo da ineficacia/disfuncionalidade das "nossas instituicoes democraticas"?



Qualquer que tenha sido caso, foi com um suspiro de alivio que li hoje (aqui) a noticia do fim da greve de fome iniciada no inicio desta semana pelo Secretario Geral da UNITA e deputado a Assembleia Nacional, Abilio Kalamata Numa, em protesto pela detencao de um militante da sua organizacao.

Vinha nos ultimos dias alinhavando umas linhas, incluindo as com que titulo este post e as que se seguem abaixo, sobre este assunto, tendo planeado 'posta-las' hoje, que terminavam com "desejo ao secretario Geral da UNITA sucesso na obtencao do(s) seu(s) objectivo(s) sem que tenha que chegar as ultimas consequencias!"






Este caso lembrou-me de um acontecimento, historico pelas proporcoes que assumiu, que muito me marcou na altura e viria a estar na base dos meus posicionamentos sobre o chamado Poder no Feminino: em finais dos anos 70 e inicio dos 80, no culminar de uma serie de accoes de protesto por prisioneiros afectos ao IRA, Exercito Republicano Irlandes (incluindo uma que ficou conhecida como o "dirty protest", em que os prisioneiros se recusavam a lavar-se e cobriam as paredes das celas com os seus excrementos...), um grupo deles iniciou uma greve de fome que se arrastou por varias semanas.

Mas, Margareth Thatcher, entao Primeira-Ministra do Reino Unido da Gra-Bretanha e Irlanda do Norte, nao cedeu as suas reivindicacoes, mesmo em face de manifestacoes de solidariedade para com os grevistas nao so' de entre os seus eleitores (um dos prisioneiros, Bobby Sands, chegou a ser eleito Membro do Parlamento enquanto fazia greve de fome) e ate' de membros do seu gabinete e partido politico, como um pouco de todo o mundo... Tao pouco se vergou quando 10 dos prisioneiros, incluindo Sands, acabaram por falecer em resultado daquela greve de fome!

E ter-se-ha' ela alguma vez arrependido e penitenciado por aquelas mortes, ou rejeitado de algum modo o apelido "Dama de Ferro" que lhe advinha em particular da forma inflexivel como defendia a implementacao das suas politicas economicas (e tambem da forma 'masculina' como dirigiu a Guerra das Falklands)? Nem um pouco! De facto, uma frase que tambem a celebrizou foi, quando em face dos crescentes niveis de desemprego causados pelas suas medidas anti-inflaccionistas e momentosas manifestacoes populares de protesto nas ruas de todo o pais, membros do seu partido comecaram a manifestar-lhe a sua inquietacao e a sugerir-lhe que fizesse uma reviravolta naquelas medidas (U-Turn), ao que ela lhes respondeu: "You turn if you want to, the Lady is not for turning!"...





* ADENDA

Transcrevo aqui este caso dos "40 Activistas do Protectorado da Lunda Tchokwe'", agora tambem em greve de fome, aos quais dedico igualmente os votos e consideracoes acima:



14 Fev 2011 - Entraram no segundo dia de greve da fome, mais de 40 detidos Activistas do Manifesto do Protectorado da Lunda Tchokwe, que tinham sido transferidos da cadeia do Conduege para o novo estabelecimento prisional da Kakanda na Lunda-Norte. A greve, por tempo indeterminado, destina-se a protestar - e citamos – “por violação continuada dos seus direitos a liberdade”, uma vez que o crime contra a segurança do Estado a que foram acusados, já foi revogado com a publicação do novo diploma no dia 3 de Dezembro de 2010 no Diário da Republica de Angola.
De acordo com os seus representantes, esta greve de fome tem como objectivo, chamar atenção da comunidade nacional e internacional, pelas injustiças continuadas cometidas contra as populações das Lundas, Kuando Kubango e Moxico.
O representante legal dos presos é o advogado David Mendes, que revela que o “habeas corpus” foi apresentado há 20 dias, tornando estas prisões ilegais. O advogado diz não conseguir compreender como é que o Tribunal Supremo se mantém em silêncio perante, sendo a lei clara imponndo que o tribunal se deva pronunciar no prazo de 24 horas.
Por seu lado,Zeca Mutchima, secretário-geral da Comissão do Protectorado das Lundas, manifesta a sua preocupação pelo estado de saúde dos presos e apela para a solução deste caso que considera ser uma injustiça.


[Aqui]

Sunday, 9 November 2008

BE MY GUEST! (VI. LUIS)

Luis is a regular contributor to this blog since the early days and has been a good friend of mine for a good decade now, since we met at the LSE where he was preparing his PhD and I my MSc.
Born in Mozambique of Portuguese and Chinese parentage, he lives in Portugal since his early childhood and is very much a citizen of the world.
The piece he presents here draws partly on his fieldwork in South Korea. He promised it here and now (finally!) delivered the goods.
Enjoy.

THE “REVENGE” OF THE STATE

For the best part of the past three decades, policymakers in the developed world followed Ronald Reagan and Margaret Thatcher in pursuing the idea of a “minimal state” as the best solution to economic growth. Privatisation, deregulation and liberalisation progressively became the all-mighty mantra of the market pundits to be exported to the developing world. Yet, as the current financial and subsequent economic crises have shown us all, the state is still a much needed actor.

This is even more relevant when we are talking about which policies should developing countries follow in their path to economic growth and development and as we begin to observe a shifting power from the West to East Asia. Why? Because most of us seem to be unaware of how in the first place did the East get into this position and the economic and financial lessons that maybe other developing countries can derive from it.

Several scholars sought to explain the successful economic performance of East Asia by looking at the interventionist and leading role played by the state. For example, analysing the Japanese case, Chalmers Johnson (1982) introduced the concept of the “developmental capitalist state” as one which seeks economic development through high rates of growth, productivity and competitiveness. Six main policy features are regarded as crucial to explain the performance of the East Asian developmental states: (1) redistributive land reform; (2) state-controlled financial system; (3) macroeconomic stability to nurture long-term investment; (4) industrial policy that favoured simultaneously import substitution and export-led production; (5) protection and investment in the agricultural sector as well as improvement of rural livelihoods; (6) and income policies that produced a more equitable income distribution and higher living standards. As a whole, all these policies are correlated with the East Asian successful economic performance. However, industrial policy and financial control, in particular, stand at the core of the East Asian developmental states’ peculiar way of organising the market.

According to developmental state literature, the economic performance of East Asia is strongly associated with a series of key mechanisms devised by the interventionist state to organise the financial system and define the blueprint for industrial development. These key features make up what is known as the system of “socialisation of private risk”: (1) in a closely regulated bank-based system as in Korea or Taiwan, enterprises were inclined to make better investment decisions, because they were offered the opportunity to develop long-term strategies. As this relationship strengthened over time, and as long as firms’ investments followed long-term plans, loans were rolled over even if the returns were not as immediate as thought; (2) the bank-based system allowed for a faster allocation of capital to strategic industrial sectors and granted the state the capacity to control the financial flows; (3) close relations between banks and firms improved collection and the processing of information, allowed the monitoring of management performance, and eased restructuring of firms undergoing difficulties and; (4) control over the financial system offered the state the political leverage to build up the coalitions necessary to implement the industrial and development strategies. In this sense, the public-private co-operation usually present in East Asia was far from being an outcome of voluntary compliance by the business groups as they were discouraged from opposing the state under threat of possible loss of access to credit (Wade 1990).

Additionally, this literature claims that this cooperative system between state, banks and firms succeeded because it obeyed certain “imperatives”: (1) the state sustained the risks involved in the investments. This socialised risk took the form of: deposit insurance, lender-of-last-resort, subsidies to banks dangerously exposed to loan losses and firms in financial difficulties, banks’ shareholding in firms, or state-owned banks; (2) the creditor was involved in the firm management, and did not pull out when the company was under distress showing instead commitment with the restructuring of its management; (3) the state and the banks were able to distinguish between ‘responsible’ and ‘irresponsible’ borrowings, and disciplined the latter. This capacity allowed the state to avoid bailing out firms and moral hazard. Simultaneously, the government was also careful to monitor the activities of the financial intermediaries to impede them, for example, from hiding non-performing loans (NPLs); (4) the existence of a ‘central guiding agency’ was crucial to complement market signals with its own signals as to which sectors would be most profitable; ((5) finally, the state regulated international capital flows which granted it the capacity to control money supply and the cost of capital to domestic firms as well as to set and manage the development of strategic industrial sectors.

Importantly, underneath the East Asian system of “socialisation of private risk” are “hard states”, i.e., states that are “able not only to resist private demands but actively shape the economy and society (Wade, 1990). A competent bureaucracy usually led by a pilot agency in charge of formulating and implementing economic policies is the leading actor in the process of economic change and development. It is this bureaucracy that in fact “guided” the market, and implemented the consistent, coherent, and rational system of “socialisation of private risk”. As Robert Wade puts it, “in this kind of political regime, the bureaucracy can more easily demonstrate competence and remain ‘clean’, because it is neither caught between and penetrated by struggling interest groups nor subverted from above by the politics of rulers’ survival”(Wade, 1990). In tandem, ongoing organisational and institutional linkages between the government and the private sector eased the stream of information exchange, facilitated co-operation, policy coordination, implementation and goal consensus (Okimoto, 1989).

Thus, the developmental state is basically one where the autonomy of the bureaucracy is complemented by an unusual degree of private-public co-operation. The difference between East Asia and other late industrialising economies did not rest in the invention of industrial policy and financial control mechanisms as “many other nations have at one time or another tried most of the policy tools used in East Asia” (Wade, 1990). For Alice Amsden (1992), what distinguished East Asia was the willingness of states to behave in relation to the private sector as “disciplinarian agents, imposing performance standards while allocating subsidies for industrial development.”

Of course this is not the whole story but is a big part of it……

[References]
Luis is a regular contributor to this blog since the early days and has been a good friend of mine for a good decade now, since we met at the LSE where he was preparing his PhD and I my MSc.
Born in Mozambique of Portuguese and Chinese parentage, he lives in Portugal since his early childhood and is very much a citizen of the world.
The piece he presents here draws partly on his fieldwork in South Korea. He promised it here and now (finally!) delivered the goods.
Enjoy.

THE “REVENGE” OF THE STATE

For the best part of the past three decades, policymakers in the developed world followed Ronald Reagan and Margaret Thatcher in pursuing the idea of a “minimal state” as the best solution to economic growth. Privatisation, deregulation and liberalisation progressively became the all-mighty mantra of the market pundits to be exported to the developing world. Yet, as the current financial and subsequent economic crises have shown us all, the state is still a much needed actor.

This is even more relevant when we are talking about which policies should developing countries follow in their path to economic growth and development and as we begin to observe a shifting power from the West to East Asia. Why? Because most of us seem to be unaware of how in the first place did the East get into this position and the economic and financial lessons that maybe other developing countries can derive from it.

Several scholars sought to explain the successful economic performance of East Asia by looking at the interventionist and leading role played by the state. For example, analysing the Japanese case, Chalmers Johnson (1982) introduced the concept of the “developmental capitalist state” as one which seeks economic development through high rates of growth, productivity and competitiveness. Six main policy features are regarded as crucial to explain the performance of the East Asian developmental states: (1) redistributive land reform; (2) state-controlled financial system; (3) macroeconomic stability to nurture long-term investment; (4) industrial policy that favoured simultaneously import substitution and export-led production; (5) protection and investment in the agricultural sector as well as improvement of rural livelihoods; (6) and income policies that produced a more equitable income distribution and higher living standards. As a whole, all these policies are correlated with the East Asian successful economic performance. However, industrial policy and financial control, in particular, stand at the core of the East Asian developmental states’ peculiar way of organising the market.

According to developmental state literature, the economic performance of East Asia is strongly associated with a series of key mechanisms devised by the interventionist state to organise the financial system and define the blueprint for industrial development. These key features make up what is known as the system of “socialisation of private risk”: (1) in a closely regulated bank-based system as in Korea or Taiwan, enterprises were inclined to make better investment decisions, because they were offered the opportunity to develop long-term strategies. As this relationship strengthened over time, and as long as firms’ investments followed long-term plans, loans were rolled over even if the returns were not as immediate as thought; (2) the bank-based system allowed for a faster allocation of capital to strategic industrial sectors and granted the state the capacity to control the financial flows; (3) close relations between banks and firms improved collection and the processing of information, allowed the monitoring of management performance, and eased restructuring of firms undergoing difficulties and; (4) control over the financial system offered the state the political leverage to build up the coalitions necessary to implement the industrial and development strategies. In this sense, the public-private co-operation usually present in East Asia was far from being an outcome of voluntary compliance by the business groups as they were discouraged from opposing the state under threat of possible loss of access to credit (Wade 1990).

Additionally, this literature claims that this cooperative system between state, banks and firms succeeded because it obeyed certain “imperatives”: (1) the state sustained the risks involved in the investments. This socialised risk took the form of: deposit insurance, lender-of-last-resort, subsidies to banks dangerously exposed to loan losses and firms in financial difficulties, banks’ shareholding in firms, or state-owned banks; (2) the creditor was involved in the firm management, and did not pull out when the company was under distress showing instead commitment with the restructuring of its management; (3) the state and the banks were able to distinguish between ‘responsible’ and ‘irresponsible’ borrowings, and disciplined the latter. This capacity allowed the state to avoid bailing out firms and moral hazard. Simultaneously, the government was also careful to monitor the activities of the financial intermediaries to impede them, for example, from hiding non-performing loans (NPLs); (4) the existence of a ‘central guiding agency’ was crucial to complement market signals with its own signals as to which sectors would be most profitable; ((5) finally, the state regulated international capital flows which granted it the capacity to control money supply and the cost of capital to domestic firms as well as to set and manage the development of strategic industrial sectors.

Importantly, underneath the East Asian system of “socialisation of private risk” are “hard states”, i.e., states that are “able not only to resist private demands but actively shape the economy and society (Wade, 1990). A competent bureaucracy usually led by a pilot agency in charge of formulating and implementing economic policies is the leading actor in the process of economic change and development. It is this bureaucracy that in fact “guided” the market, and implemented the consistent, coherent, and rational system of “socialisation of private risk”. As Robert Wade puts it, “in this kind of political regime, the bureaucracy can more easily demonstrate competence and remain ‘clean’, because it is neither caught between and penetrated by struggling interest groups nor subverted from above by the politics of rulers’ survival”(Wade, 1990). In tandem, ongoing organisational and institutional linkages between the government and the private sector eased the stream of information exchange, facilitated co-operation, policy coordination, implementation and goal consensus (Okimoto, 1989).

Thus, the developmental state is basically one where the autonomy of the bureaucracy is complemented by an unusual degree of private-public co-operation. The difference between East Asia and other late industrialising economies did not rest in the invention of industrial policy and financial control mechanisms as “many other nations have at one time or another tried most of the policy tools used in East Asia” (Wade, 1990). For Alice Amsden (1992), what distinguished East Asia was the willingness of states to behave in relation to the private sector as “disciplinarian agents, imposing performance standards while allocating subsidies for industrial development.”

Of course this is not the whole story but is a big part of it……

[References]

Sunday, 9 March 2008

LOCAL VOICES OFFLINE (9)

Things someone, somewhere in the world, was talking about but you probably weren’t listening…



Both protagonists of the story behind this speech made the news headlines this week in the UK. Francis Pym passed away this Friday, aged 86. On the same day, Mrs. (now Lady) Thatcher, aged 82, spent a night in hospital for ill health.
As we just celebrated International Women’s Day, a question springs to mind: was the Iron Lady ever taken as an icon by any female gender activist around the world?

FRANCIS PYM was pitchforked into the post of Foreign Secretary during the Falklands crisis. During the election he expressed some doubts about the value of large majorities; and when the Tories won with the largest majority they’d ever had, he was sacked by Mrs. Thatcher. His departure was leaked, probably by Number Ten. Speaking as a backbencher for the first time for 21 years, he did not disguise how much it hurt. He warned Mrs. Thatcher to tackle unemployment and unite the people. (29/6/83)
Things someone, somewhere in the world, was talking about but you probably weren’t listening…



Both protagonists of the story behind this speech made the news headlines this week in the UK. Francis Pym passed away this Friday, aged 86. On the same day, Mrs. (now Lady) Thatcher, aged 82, spent a night in hospital for ill health.
As we just celebrated International Women’s Day, a question springs to mind: was the Iron Lady ever taken as an icon by any female gender activist around the world?

FRANCIS PYM was pitchforked into the post of Foreign Secretary during the Falklands crisis. During the election he expressed some doubts about the value of large majorities; and when the Tories won with the largest majority they’d ever had, he was sacked by Mrs. Thatcher. His departure was leaked, probably by Number Ten. Speaking as a backbencher for the first time for 21 years, he did not disguise how much it hurt. He warned Mrs. Thatcher to tackle unemployment and unite the people. (29/6/83)

Sunday, 24 February 2008

LOCAL VOICES OFFLINE (8)

Things someone, somewhere in the world, was talking about but you probably weren’t listening…












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THE GREAT SHE-ELEPHANT



The row over GCHQ (Government Communications Headquarters) led to a full-scale, angry debate in the Commons, in which the Shadow Foreign Secretary, DENIS HEALEY, gave one of his best performances, attacking Mrs. Thatcher as the real author of the change, pulling Sir Geoffrey’s strings. He said Sir Geoffrey had made himself the laughing stock of the world, and that he had kicked constructive Trade Union leaders in the teeth. (27/2/84)


Things someone, somewhere in the world, was talking about but you probably weren’t listening…












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THE GREAT SHE-ELEPHANT



The row over GCHQ (Government Communications Headquarters) led to a full-scale, angry debate in the Commons, in which the Shadow Foreign Secretary, DENIS HEALEY, gave one of his best performances, attacking Mrs. Thatcher as the real author of the change, pulling Sir Geoffrey’s strings. He said Sir Geoffrey had made himself the laughing stock of the world, and that he had kicked constructive Trade Union leaders in the teeth. (27/2/84)


Saturday, 8 September 2007

SALA SENTLÊ! - UM TRIBUTO AO BOTSWANA*

É verdade amigos, tenho que me despedir. Escrevo-vos de Gaborone, onde as tarefas que me esperam nos próximos tempos não me permitem continuar estas conversas quinzenais. Não posso deixar de agradecer ao Graça Campos por me ter convidado a participar e ao colectivo do Semanário Angolense por me ter deixado partilhar um pouco desta excitante empresa de construção de um espaço alternativo, forte e independente na imprensa nacional. Tenho também que agradecer profundamente a todos os amigos (conhecidos e desconhecidos) que me enviaram mensagens de felicitações e encorajamento. Estou certa de que este valioso espaço no SA será bem aproveitado e continuará a dar oportunidade a outros para expressarem as suas idéias sobre o que vai pela terra e pelo mundo.




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Mama Boregwe - Skizo (Afroblue/Native Tongues)

Deixei Londres, há cerca de três semanas, entregue à sua onda de greves e ao seu Tony Blair a tentar emular o machismo da Lady Thatcher e, ao mesmo tempo, articular uma boa razão para dispender na projectada guerra ao Iraque os fundos necessários à melhoria dos seus serviços públicos; aos seus muitos, quase diários, “celebrity and royal scandals”; à sua chuva miudinha e tempo cinzento e àquela sensação de estarmos parados no espaço, escrutinando o mundo a girar à nossa volta e o tempo a fugir de nós a toda a hora.


Neste meu regresso a Gabs, alguns meses depois de cá ter estado a trabalhar durante pouco mais de um ano, noto que ela continua a impressionar quem chega pela sua limpeza, cosmopolitismo e espírito empreendedor. Perdi a explosão púrpura dos jacarandás (diz-nos Alice Walker que Deus fica muito irritado – pior, fica “pissed off” – se a humanidade não repara na cor púrpura) que todos os Setembros prenuncia o início da época das chuvas, mas o vermelho das acácias e a profusão de cores das buganvílias continuam o seu perene, despudorado, romance com o dourado do sol. O imenso calor tende a fazer recolher os habitantes a espaços interiores durante a maior parte do tempo, deixando o exterior entregue quase exclusivamente a uma imensa variedade de répteis e insectos (que não perdem uma oportunidade para nos entrar pela casa adentro) e ao som do silêncio ou dos pássaros.




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Sombele - Skizo (Afroblue/Native Tongues)

Os Batswana continuam demasiado ocupados a dar à Àfrica algumas das suas poucas razões de orgulho para se permitirem desenvolver quaisquer complexos (muito menos o de “colonizado”, o que quer que seja que isso signifique). Embora esteja convencida de que ao Motswana médio escapará a relevância, ou mesmo o significado, que este tipo de questões assume em Angola, acredito que qualquer deles subscreverá a idéia de que muito mal está um país quando a mera sugestão da importância de uma clara definição de uma identidade cultural nacional, não necessáriamente tributária da situação política colonial, atrai sobre quem se atreva a fazê-lo a rasteira acusação de ser “complexado(a)”.

Aliás, suspeito que se Freud estivesse vivo, dedicaria o resto da sua vida à reinvenção total da Psicanálise, por forma a nela acomodar a vacuidade que a palavra “complexos” (sem qualquer indicação de em relação a quê, ou sobre se de inferioridade, de superioridade, de Édipo, ou de Electra…) parece ter assumido no léxico de alguns sectores da nossa sociedade.

Numa conjuntura histórica em que práticamente todos os sectores acadêmicos, técnicos e intelectuais internacionais começam a dar cada vez mais peso a factores culturais endógenos como variáveis explicativas de experiências de desenvolvimento sustentado em todo o mundo, o Botswana emerge como um “caso especial”: estamos perante um povo que construiu a sua cidade capital práticamente a partir do zero (Gaborone, que significa “nossa casa”, só começou a ser construída um ano antes da independência, obtida em 1966, quando o país já se encontrava sob um regime de auto-determinação); um povo que, a par do Inglês e de outras línguas locais, fala e escreve o seu principal idioma nacional, Setswana, em todas as instâncias da sua vida privada, social e profissional - desde os aviões da companhia aérea nacional, aos aeroportos, aos sinais de trânsito, aos painéis de publicidade, aos meios de comunicação social, às escolas e faculdades, ao parlamento, aos tribunais, às empresas, ou aos bancos.




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Fire - Wizards of the Desert (Khoisan Aristocracy)

Estamos perante um país cujo modo de governo é baseado no tradicional sistema de “Kgotla”, em que a autoridade suprema é investida numa legislatura que, compreendendo a Assembléia Nacional e o Presidente, age em mandatória consultação com a “Câmara dos Chefes Tradicionais”, a qual supervisiona e decide sobre todos os aspectos da acção governativa que afectem os valores, costumes e tradições nacionais. O próprio conceito de desenvolvimento inclusivo e harmonia social, “Kagisano”, que norteia a sua estratégia económica é derivado da cultura nacional - dele emanam os princípios de democracia, auto-suficiência e unidade que servem de contexto geral para a definição dos objectivos da nação.


Estamos perante um país que pôs no centro do seu programa de diversificação económica e desenvolvimento industrial o “empowerment” dos seus cidadãos, através de programas concretos, fundos específicos e mecanismos institucionais que promovem a sua efectiva implementação e o desenvolvimento de uma classe empresarial nacional em todos os sectores da economia, tendo-se o governo compromotido a estender as suas preferências a consultores nacionais e a comprar acções em empresas de proprietários locais que estejam a enfrentar dificuldades financeiras; um país cujo código de investimento estrangeiro estipula, por exemplo, que as empresas estrangeiras que envolvam accionistas locais podem beneficiar de uma diminuição do mínimo investimento que lhes é exigido para metade, ou um terço, dependendo do sector em que queiram investir, sendo que em alguns sectores as empresas estrangeiras são obrigadas a sub-contratar empresas locais, enquanto o governo se dispõe a reembolsar 50% dos custos de formação dos empregados locais e a pagar um montante entre 40 e 85%, dependendo da localização da empresa numa área urbana ou rural, dos custos de cada posto de trabalho criado na indústria manufactureira.




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Mama - Wizards of the Desert (Khoisan Aristocracy)


Perante tudo isso, não será certamente de espantar, especialmente aos olhos dos países ocidentais, que basearam as suas estratégias de crescimento económico nos direitos dos seus cidadãos e nas suas culturas e valores tradicionais (e que talvez partilhem com certos segmentos das elites urbanas angolanas um perfeito entendimento da importância fulcral da língua e da cultura como instrumentos de poder e dominação, bem como um indisfarçável nervosismo à simples menção do conceito de “identidade africana”), que o Botswana seja: o país com as taxas de crescimento mais impressivas e consistentes em África (cerca de 9% p.a. ao longo das últimas três décadas) e comparáveis às de “tigres asiáticos” como a Tailândia e a Coreia do Sul; o país com uma das políticas de combate ao SIDA mais coerentes e agressivas na região (a taxa de incidência sobre o seu comparativamente diminuto agregado populacional tem afectado negativamente o seu índice de desenvolvimento humano e constitui a maior ameaça ao futuro do país); o segundo país mais competitivo da SADC, depois das Maurícias; o país com as taxas de corrupção mais baixas em África e com uma melhor reputação nessa área do que países como França, Itália, Grécia ou Portugal; o país com taxas de juro reais comparáveis às dos principais mercados mundiais de capitais e até superiores, durante vários períodos, às do UK, EUA e África do Sul; ou o país com as melhores posições em África em termos de robustez económica e solvabilidade, acima da África do Sul ou de países como a Coreia do Sul e a Malásia.




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Ba Ntatola Ke Tshela - Franco (Ba Ntatola)

Complexo de colonizado? Definitivamente, esse é um conceito que não existe em nenhuma das línguas nacionais deste povo, mestre da estética da alma: pacato e de uma tocante cortezia e humildade, mas confiante, orgulhoso, soberano e internacionalmente respeitado. Despeço-me em Setswana: Sala Sentlê! (Fiquem Bem, na língua de Camões; Stay Well, na língua de Shakespeare).

P.S.: E que viva para sempre a memória da rainha NZinga – um dos expoentes maiores da nacionalidade Angolana!




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Issa - Franco (Ba Ntatola)


{*Cronica por mim publicada no SA ha' 5 anos (a ultima da serie “Factos e Ficcoes"). Foi parcialmente em resposta a um outro colunista do mesmo semanario que, embora nao citando o meu nome, mas de forma suficientemente directa e inequivoca, me acusava de ter "complexos de colonizado", ao mesmo tempo que invectivava contra a estatua da Rainha Nzinga…}




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Ma Africa - Franco (Ba Ntatola)



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About the songs: these are some of the songs on Botswana airwaves’ top-10 in the last few years, with Franco invariably at number 1, lately closely followed by the Wizards. Except for ‘Mama Boregwe’, which conveys the sounds and voices of the Kalahari, with these choices I wanted to highlight a very interesting phenomenon in the country’s music trends, which can also be observed in almost all Sub-Saharan African countries these days: the adoption of Congolese sounds (soukous, rumba and that wild mix generally known as kwassa-kwassa), be it through remixes/covers – as in ‘Sombele’ or ‘Mama’ (remember Congolese Franco’s ‘Mario’?) or ‘legitimate appropriation’ – as in almost all Motswana Franco’s (Frank Lesokwane) music and his adopted name. The contagion is of such order that when I left the country about 2 years ago there was a public discussion going on whether the genre should be adopted as Botswana’s “national music”.


É verdade amigos, tenho que me despedir. Escrevo-vos de Gaborone, onde as tarefas que me esperam nos próximos tempos não me permitem continuar estas conversas quinzenais. Não posso deixar de agradecer ao Graça Campos por me ter convidado a participar e ao colectivo do Semanário Angolense por me ter deixado partilhar um pouco desta excitante empresa de construção de um espaço alternativo, forte e independente na imprensa nacional. Tenho também que agradecer profundamente a todos os amigos (conhecidos e desconhecidos) que me enviaram mensagens de felicitações e encorajamento. Estou certa de que este valioso espaço no SA será bem aproveitado e continuará a dar oportunidade a outros para expressarem as suas idéias sobre o que vai pela terra e pelo mundo.




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Mama Boregwe - Skizo (Afroblue/Native Tongues)

Deixei Londres, há cerca de três semanas, entregue à sua onda de greves e ao seu Tony Blair a tentar emular o machismo da Lady Thatcher e, ao mesmo tempo, articular uma boa razão para dispender na projectada guerra ao Iraque os fundos necessários à melhoria dos seus serviços públicos; aos seus muitos, quase diários, “celebrity and royal scandals”; à sua chuva miudinha e tempo cinzento e àquela sensação de estarmos parados no espaço, escrutinando o mundo a girar à nossa volta e o tempo a fugir de nós a toda a hora.


Neste meu regresso a Gabs, alguns meses depois de cá ter estado a trabalhar durante pouco mais de um ano, noto que ela continua a impressionar quem chega pela sua limpeza, cosmopolitismo e espírito empreendedor. Perdi a explosão púrpura dos jacarandás (diz-nos Alice Walker que Deus fica muito irritado – pior, fica “pissed off” – se a humanidade não repara na cor púrpura) que todos os Setembros prenuncia o início da época das chuvas, mas o vermelho das acácias e a profusão de cores das buganvílias continuam o seu perene, despudorado, romance com o dourado do sol. O imenso calor tende a fazer recolher os habitantes a espaços interiores durante a maior parte do tempo, deixando o exterior entregue quase exclusivamente a uma imensa variedade de répteis e insectos (que não perdem uma oportunidade para nos entrar pela casa adentro) e ao som do silêncio ou dos pássaros.




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Sombele - Skizo (Afroblue/Native Tongues)

Os Batswana continuam demasiado ocupados a dar à Àfrica algumas das suas poucas razões de orgulho para se permitirem desenvolver quaisquer complexos (muito menos o de “colonizado”, o que quer que seja que isso signifique). Embora esteja convencida de que ao Motswana médio escapará a relevância, ou mesmo o significado, que este tipo de questões assume em Angola, acredito que qualquer deles subscreverá a idéia de que muito mal está um país quando a mera sugestão da importância de uma clara definição de uma identidade cultural nacional, não necessáriamente tributária da situação política colonial, atrai sobre quem se atreva a fazê-lo a rasteira acusação de ser “complexado(a)”.

Aliás, suspeito que se Freud estivesse vivo, dedicaria o resto da sua vida à reinvenção total da Psicanálise, por forma a nela acomodar a vacuidade que a palavra “complexos” (sem qualquer indicação de em relação a quê, ou sobre se de inferioridade, de superioridade, de Édipo, ou de Electra…) parece ter assumido no léxico de alguns sectores da nossa sociedade.

Numa conjuntura histórica em que práticamente todos os sectores acadêmicos, técnicos e intelectuais internacionais começam a dar cada vez mais peso a factores culturais endógenos como variáveis explicativas de experiências de desenvolvimento sustentado em todo o mundo, o Botswana emerge como um “caso especial”: estamos perante um povo que construiu a sua cidade capital práticamente a partir do zero (Gaborone, que significa “nossa casa”, só começou a ser construída um ano antes da independência, obtida em 1966, quando o país já se encontrava sob um regime de auto-determinação); um povo que, a par do Inglês e de outras línguas locais, fala e escreve o seu principal idioma nacional, Setswana, em todas as instâncias da sua vida privada, social e profissional - desde os aviões da companhia aérea nacional, aos aeroportos, aos sinais de trânsito, aos painéis de publicidade, aos meios de comunicação social, às escolas e faculdades, ao parlamento, aos tribunais, às empresas, ou aos bancos.




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Fire - Wizards of the Desert (Khoisan Aristocracy)

Estamos perante um país cujo modo de governo é baseado no tradicional sistema de “Kgotla”, em que a autoridade suprema é investida numa legislatura que, compreendendo a Assembléia Nacional e o Presidente, age em mandatória consultação com a “Câmara dos Chefes Tradicionais”, a qual supervisiona e decide sobre todos os aspectos da acção governativa que afectem os valores, costumes e tradições nacionais. O próprio conceito de desenvolvimento inclusivo e harmonia social, “Kagisano”, que norteia a sua estratégia económica é derivado da cultura nacional - dele emanam os princípios de democracia, auto-suficiência e unidade que servem de contexto geral para a definição dos objectivos da nação.


Estamos perante um país que pôs no centro do seu programa de diversificação económica e desenvolvimento industrial o “empowerment” dos seus cidadãos, através de programas concretos, fundos específicos e mecanismos institucionais que promovem a sua efectiva implementação e o desenvolvimento de uma classe empresarial nacional em todos os sectores da economia, tendo-se o governo compromotido a estender as suas preferências a consultores nacionais e a comprar acções em empresas de proprietários locais que estejam a enfrentar dificuldades financeiras; um país cujo código de investimento estrangeiro estipula, por exemplo, que as empresas estrangeiras que envolvam accionistas locais podem beneficiar de uma diminuição do mínimo investimento que lhes é exigido para metade, ou um terço, dependendo do sector em que queiram investir, sendo que em alguns sectores as empresas estrangeiras são obrigadas a sub-contratar empresas locais, enquanto o governo se dispõe a reembolsar 50% dos custos de formação dos empregados locais e a pagar um montante entre 40 e 85%, dependendo da localização da empresa numa área urbana ou rural, dos custos de cada posto de trabalho criado na indústria manufactureira.




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Mama - Wizards of the Desert (Khoisan Aristocracy)


Perante tudo isso, não será certamente de espantar, especialmente aos olhos dos países ocidentais, que basearam as suas estratégias de crescimento económico nos direitos dos seus cidadãos e nas suas culturas e valores tradicionais (e que talvez partilhem com certos segmentos das elites urbanas angolanas um perfeito entendimento da importância fulcral da língua e da cultura como instrumentos de poder e dominação, bem como um indisfarçável nervosismo à simples menção do conceito de “identidade africana”), que o Botswana seja: o país com as taxas de crescimento mais impressivas e consistentes em África (cerca de 9% p.a. ao longo das últimas três décadas) e comparáveis às de “tigres asiáticos” como a Tailândia e a Coreia do Sul; o país com uma das políticas de combate ao SIDA mais coerentes e agressivas na região (a taxa de incidência sobre o seu comparativamente diminuto agregado populacional tem afectado negativamente o seu índice de desenvolvimento humano e constitui a maior ameaça ao futuro do país); o segundo país mais competitivo da SADC, depois das Maurícias; o país com as taxas de corrupção mais baixas em África e com uma melhor reputação nessa área do que países como França, Itália, Grécia ou Portugal; o país com taxas de juro reais comparáveis às dos principais mercados mundiais de capitais e até superiores, durante vários períodos, às do UK, EUA e África do Sul; ou o país com as melhores posições em África em termos de robustez económica e solvabilidade, acima da África do Sul ou de países como a Coreia do Sul e a Malásia.




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Ba Ntatola Ke Tshela - Franco (Ba Ntatola)

Complexo de colonizado? Definitivamente, esse é um conceito que não existe em nenhuma das línguas nacionais deste povo, mestre da estética da alma: pacato e de uma tocante cortezia e humildade, mas confiante, orgulhoso, soberano e internacionalmente respeitado. Despeço-me em Setswana: Sala Sentlê! (Fiquem Bem, na língua de Camões; Stay Well, na língua de Shakespeare).

P.S.: E que viva para sempre a memória da rainha NZinga – um dos expoentes maiores da nacionalidade Angolana!




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Issa - Franco (Ba Ntatola)


{*Cronica por mim publicada no SA ha' 5 anos (a ultima da serie “Factos e Ficcoes"). Foi parcialmente em resposta a um outro colunista do mesmo semanario que, embora nao citando o meu nome, mas de forma suficientemente directa e inequivoca, me acusava de ter "complexos de colonizado", ao mesmo tempo que invectivava contra a estatua da Rainha Nzinga…}




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Ma Africa - Franco (Ba Ntatola)



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About the songs: these are some of the songs on Botswana airwaves’ top-10 in the last few years, with Franco invariably at number 1, lately closely followed by the Wizards. Except for ‘Mama Boregwe’, which conveys the sounds and voices of the Kalahari, with these choices I wanted to highlight a very interesting phenomenon in the country’s music trends, which can also be observed in almost all Sub-Saharan African countries these days: the adoption of Congolese sounds (soukous, rumba and that wild mix generally known as kwassa-kwassa), be it through remixes/covers – as in ‘Sombele’ or ‘Mama’ (remember Congolese Franco’s ‘Mario’?) or ‘legitimate appropriation’ – as in almost all Motswana Franco’s (Frank Lesokwane) music and his adopted name. The contagion is of such order that when I left the country about 2 years ago there was a public discussion going on whether the genre should be adopted as Botswana’s “national music”.