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Monday, 28 June 2010

LUSOFONIA & ANTROPOLOGIA [R]*

THE STATUS OF RACE IN LUSOPHONE SOCIAL SCIENCE

Ever since Gilberto’s Freyre’s utopic account of racial intimacy in Masters and Slaves, first published in 1933, social science research projects on Portuguese-speaking contexts have largely centered upon positivist queries concerning the existence or absence of racial harmony in Portuguese-speaking settings. The consequence of this approach is that the idea of racial contact – via miscegenation, discrimination and religious syncretisms – has dominated how analysts have shaped questions about the social world in the Lusophone setting.

In fact, the legacy of this trend is so profuse that the researcher concerned with issues of race is often drawn to this setting because of its association with explicit examples of racializing phenomena. More complicating, Lusophone scholarship, for better or for worse, has historically not been in dialogue with conversations occurring in non-Portuguese spaces and is often thus isolated in the social sciences as the field bound to race-centered inquiry.

Today, differently, a curious shift is occurring in the way that social phenomenon is framed in the Lusophone setting. Recent scholarship is de-centering race as the organizational principle for defining the social. This shift, however, is not about a disavowal of race or racism. Instead, questions are shifting to examine their productive capacities, what their presence variably signifies and enables, or how sentiments attached to raciality help interpret emergent social phenomena more broadly.

[Read more here and here]

*****

Das apresentacoes anunciadas para esta Conferencia, a seguinte pareceu-me particularmente interessante por se debrucar sobre um territorio dito lusofono, aparentemente esquecido no mundo da lusotopia:

“Questões de casta: Além do lusotropicalismo de Goa”

Neste trabalho eu invocarei a formulação inicial de Freyre em relação ao lusotropicalismo em Goa, em 1951—durante sua turnê oficial pelas colonias portuguesas. Eu trato a formulação do autor brasileiro como um decodificador dos elementos integrantes de sua teorizações, e como ferramenta analítica do impacto da substância ideológica, consequentemente criada na representação da altamente estratificada sociedade goesa. Mais especificamente, para o nosso debate acerca de lusofonia e antropologia, eu trarei Goa, os goeses e as idéias produzidas sobre Goa, dentro e fora dela, tanto no passado quanto no presente.

É difícil descrever Goa atualmente como uma sociedade lusófona. O português não é mais a língua oficial e muito poucos o falam, apesar de sua importância como o idioma dos arquivos coloniais e, durante séculos, o idioma da administração goesa. Contudo, a história de Goa foi registrada não só por escribas portugueses, ou por catedráticos portugueses e goeses pro-Portugal, mas também por muitos outros, de ativistas indianos a catedráticos do período pos-colonial e catedráticos estrangeiros (Boxer, Pearson, Axelrod, Newman, etc.).
Comércio, poder, comunidades, religião e conversão são temas recorrentes das narrativas destes pensadores, ao passo que ferramentas estruturais como raça, gênero e classe, com poucas exceções, encontram-se relativamente ausentes da literatura.*

Inicialmente, minha longa jornada pelos arquivos coloniais de Goa tinha o propósito de analisar práticas médicas durante o regime colonial. Tal jornada terminou por revelar a centralidade dos tópicos mencionados acima, entre outros: raça, racismo, relacões raciais, miscigenação, lei, segregação, gênero, religião, casta, privilégio, status, bem como a sinergia entre eses elementos. A priori, estes tópicos não se fazem notar nos registros históricos. Sua importância se faz presente em modos distintos, tanto nas narrativas de Goa colonial quanto nas representações contemporâneas da história de Goa — as quais, também em modos distintos, contribuem para a dissenção contemporânea, como os arquivos da internet e a recente literatura testificam.

Meu interesse na experiência colonial de Goa, com suas extensões à experiência colonial luso-africana, bem como um interesse no impacto do lusotropicalismo levaram-me a explorar a relação recíproca entre as doutrinas de Gilberto Freyre e as representações de miscigenação e segregação na sociedade e cultura de Goa.

Cristiana Bastos, Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa

*{Cabe-me notar que este tipo de constatacao nao se aplica exclusivamente a literatura existente sobre Goa. A ela faco mencao, com referencia a outros quadrantes lusosfericos e aos seus efeitos reais e praticos no quotidiano socio-cultural, entre outros posts e comentarios neste blog, aqui, aqui, aqui e aqui}

*[First posted 04/04/09]

THE STATUS OF RACE IN LUSOPHONE SOCIAL SCIENCE

Ever since Gilberto’s Freyre’s utopic account of racial intimacy in Masters and Slaves, first published in 1933, social science research projects on Portuguese-speaking contexts have largely centered upon positivist queries concerning the existence or absence of racial harmony in Portuguese-speaking settings. The consequence of this approach is that the idea of racial contact – via miscegenation, discrimination and religious syncretisms – has dominated how analysts have shaped questions about the social world in the Lusophone setting.

In fact, the legacy of this trend is so profuse that the researcher concerned with issues of race is often drawn to this setting because of its association with explicit examples of racializing phenomena. More complicating, Lusophone scholarship, for better or for worse, has historically not been in dialogue with conversations occurring in non-Portuguese spaces and is often thus isolated in the social sciences as the field bound to race-centered inquiry.

Today, differently, a curious shift is occurring in the way that social phenomenon is framed in the Lusophone setting. Recent scholarship is de-centering race as the organizational principle for defining the social. This shift, however, is not about a disavowal of race or racism. Instead, questions are shifting to examine their productive capacities, what their presence variably signifies and enables, or how sentiments attached to raciality help interpret emergent social phenomena more broadly.

[Read more here and here]

*****

Das apresentacoes anunciadas para esta Conferencia, a seguinte pareceu-me particularmente interessante por se debrucar sobre um territorio dito lusofono, aparentemente esquecido no mundo da lusotopia:

“Questões de casta: Além do lusotropicalismo de Goa”

Neste trabalho eu invocarei a formulação inicial de Freyre em relação ao lusotropicalismo em Goa, em 1951—durante sua turnê oficial pelas colonias portuguesas. Eu trato a formulação do autor brasileiro como um decodificador dos elementos integrantes de sua teorizações, e como ferramenta analítica do impacto da substância ideológica, consequentemente criada na representação da altamente estratificada sociedade goesa. Mais especificamente, para o nosso debate acerca de lusofonia e antropologia, eu trarei Goa, os goeses e as idéias produzidas sobre Goa, dentro e fora dela, tanto no passado quanto no presente.

É difícil descrever Goa atualmente como uma sociedade lusófona. O português não é mais a língua oficial e muito poucos o falam, apesar de sua importância como o idioma dos arquivos coloniais e, durante séculos, o idioma da administração goesa. Contudo, a história de Goa foi registrada não só por escribas portugueses, ou por catedráticos portugueses e goeses pro-Portugal, mas também por muitos outros, de ativistas indianos a catedráticos do período pos-colonial e catedráticos estrangeiros (Boxer, Pearson, Axelrod, Newman, etc.).
Comércio, poder, comunidades, religião e conversão são temas recorrentes das narrativas destes pensadores, ao passo que ferramentas estruturais como raça, gênero e classe, com poucas exceções, encontram-se relativamente ausentes da literatura.*

Inicialmente, minha longa jornada pelos arquivos coloniais de Goa tinha o propósito de analisar práticas médicas durante o regime colonial. Tal jornada terminou por revelar a centralidade dos tópicos mencionados acima, entre outros: raça, racismo, relacões raciais, miscigenação, lei, segregação, gênero, religião, casta, privilégio, status, bem como a sinergia entre eses elementos. A priori, estes tópicos não se fazem notar nos registros históricos. Sua importância se faz presente em modos distintos, tanto nas narrativas de Goa colonial quanto nas representações contemporâneas da história de Goa — as quais, também em modos distintos, contribuem para a dissenção contemporânea, como os arquivos da internet e a recente literatura testificam.

Meu interesse na experiência colonial de Goa, com suas extensões à experiência colonial luso-africana, bem como um interesse no impacto do lusotropicalismo levaram-me a explorar a relação recíproca entre as doutrinas de Gilberto Freyre e as representações de miscigenação e segregação na sociedade e cultura de Goa.

Cristiana Bastos, Instituto de Ciências Sociais – Universidade de Lisboa

*{Cabe-me notar que este tipo de constatacao nao se aplica exclusivamente a literatura existente sobre Goa. A ela faco mencao, com referencia a outros quadrantes lusosfericos e aos seus efeitos reais e praticos no quotidiano socio-cultural, entre outros posts e comentarios neste blog, aqui, aqui, aqui e aqui}

*[First posted 04/04/09]

Friday, 5 February 2010

INTONATIONS: A NEW PUBLICATION ON ANGOLAN SOCIAL HISTORY THROUGH MUSIC (R)*

From the presentation:

Intonations tells the story of how Angola's urban residents in the late colonial period (roughly 1945-74) used music to talk back to their colonial oppressors and, more importantly, to define what it meant to be Angolan and what they hoped to gain from independence. Author Marissa J. Moorman presents a social and cultural history of the relationship between Angolan culture and politics. She argues that it was in and through popular urban music, produced mainly in the capital city of Luanda's musseques (urban shantytowns), that Angolans forged the nation and developed expectations about nationalism. Through careful archival work and extensive interviews with musicians and those who attend performances in bars, community centers, and cinemas, Moorman explores the ways in which the urban poor imagined the nation. The spread of radio technology and the establishment of a recording industry in the early 1970s reterritorialized an urban-produced sound and cultural ethos by transporting music throughout the country. When the formerly exiled independent movements returned to Angola in 1975, they found a population receptive to their nationalist message but with different expectations about the promises of independence. In producing and consuming music, Angolans formed a new image of independence and nationalist politics. A compilation of Angolan music is included in CD format.

[More details here]


* First published on 26/11/08. Republished today to note a review of this book by Angolan Antonio Tomas, based at Columbia University. You can read it here.
From the presentation:

Intonations tells the story of how Angola's urban residents in the late colonial period (roughly 1945-74) used music to talk back to their colonial oppressors and, more importantly, to define what it meant to be Angolan and what they hoped to gain from independence. Author Marissa J. Moorman presents a social and cultural history of the relationship between Angolan culture and politics. She argues that it was in and through popular urban music, produced mainly in the capital city of Luanda's musseques (urban shantytowns), that Angolans forged the nation and developed expectations about nationalism. Through careful archival work and extensive interviews with musicians and those who attend performances in bars, community centers, and cinemas, Moorman explores the ways in which the urban poor imagined the nation. The spread of radio technology and the establishment of a recording industry in the early 1970s reterritorialized an urban-produced sound and cultural ethos by transporting music throughout the country. When the formerly exiled independent movements returned to Angola in 1975, they found a population receptive to their nationalist message but with different expectations about the promises of independence. In producing and consuming music, Angolans formed a new image of independence and nationalist politics. A compilation of Angolan music is included in CD format.

[More details here]


* First published on 26/11/08. Republished today to note a review of this book by Angolan Antonio Tomas, based at Columbia University. You can read it here.

Sunday, 30 November 2008

REVISTA ANGOLANA DE SOCIOLOGIA (No. 1)

A Revista Angolana de Sociologia, publicada semestralmente – em Junho e Dezembro, é um órgão da Sociedade Angolana de Sociologia (SASO) e publica textos da autoria de sociólogos e outros investigadores sociais, angolanos e de outras nacionalidades. A Revista Angolana de Sociologia é editada pela SASO (Luanda, Angola) e publicada pela Edições Pedago (Mangualde, Portugal).
Trata-se de um espaço de debate sobre temas actuais e relevantes não apenas da sociedade angolana, mas também das sociedades africanas e do mundo contemporâneo em geral.
O espírito da Revista Angolana de Sociologia (RAS) é estimular o debate, acolhendo e difundindo textos que contribuam para um diálogo transdisciplinar.
A RAS dirige-se não apenas a sociólogos, mas a todos os interessados em compreender de maneira rigorosa a complexidade e as dinâmicas dos fenómenos sociais contemporâneos.


[Mais detalhes aqui]
A Revista Angolana de Sociologia, publicada semestralmente – em Junho e Dezembro, é um órgão da Sociedade Angolana de Sociologia (SASO) e publica textos da autoria de sociólogos e outros investigadores sociais, angolanos e de outras nacionalidades. A Revista Angolana de Sociologia é editada pela SASO (Luanda, Angola) e publicada pela Edições Pedago (Mangualde, Portugal).
Trata-se de um espaço de debate sobre temas actuais e relevantes não apenas da sociedade angolana, mas também das sociedades africanas e do mundo contemporâneo em geral.
O espírito da Revista Angolana de Sociologia (RAS) é estimular o debate, acolhendo e difundindo textos que contribuam para um diálogo transdisciplinar.
A RAS dirige-se não apenas a sociólogos, mas a todos os interessados em compreender de maneira rigorosa a complexidade e as dinâmicas dos fenómenos sociais contemporâneos.


[Mais detalhes aqui]

Tuesday, 18 November 2008

WHO IS BLACK?

Who Is Black?
One Nation’s Definition
By F. James Davis


Honored in 1992 as an "Outstanding Book" by the Gustavus Myers Center for the Study of Human Rights in the United States. Reprinted many times since its first publication in 1991, Who Is Black? has become a staple in college classrooms throughout the United States, helping students understand this nation's history of miscegenation and the role that the "one-drop rule" has played in it. In this special anniversary edition, the author brings the story up to date in an epilogue. There he highlights some revealing responses to Who Is Black? and examines recent challenges to the one-drop rule, including the multiracial identity movement and a significant change in the census classification of racial and ethnic groups.

From reviews of the original edition:

"This is a very well written book that communicates complex ideas with clarity and interest. It is rare, in my experience, for an academic book written by a social scientist to be as interesting and exciting as a piece of fiction. This book is hard to put down because Davis's story of how the United States as a nation came to define who is black reads like a mystery novel in which every historical event provides one more clue to the final murder of a people."—Aida Hurtado, in American Journal of Sociology

"Davis has given us a brilliant and informative history of the fateful policy commonly called the rule of hypodescent (the 'one-drop' rule) and the impact it has had psychologically, socially, economically, and politically on African-American history. Davis's book is the most recent in the series of works written on this topic, but is by far the most thorough and insightful."—
G. Reginald Daniel, in Contemporary Sociology

"This is an eye-opening appraisal of an issue often taken for granted in America."—Publishers Weekly

F. James Davis is Professor Emeritus of Sociology at Illinois State University and the author of Society and the Law (Free Press, 1962), Social Problems (Free Press, 1970), and Minority-Dominant Relations (AHM, 1978).

[More details here]
Who Is Black?
One Nation’s Definition
By F. James Davis


Honored in 1992 as an "Outstanding Book" by the Gustavus Myers Center for the Study of Human Rights in the United States. Reprinted many times since its first publication in 1991, Who Is Black? has become a staple in college classrooms throughout the United States, helping students understand this nation's history of miscegenation and the role that the "one-drop rule" has played in it. In this special anniversary edition, the author brings the story up to date in an epilogue. There he highlights some revealing responses to Who Is Black? and examines recent challenges to the one-drop rule, including the multiracial identity movement and a significant change in the census classification of racial and ethnic groups.

From reviews of the original edition:

"This is a very well written book that communicates complex ideas with clarity and interest. It is rare, in my experience, for an academic book written by a social scientist to be as interesting and exciting as a piece of fiction. This book is hard to put down because Davis's story of how the United States as a nation came to define who is black reads like a mystery novel in which every historical event provides one more clue to the final murder of a people."—Aida Hurtado, in American Journal of Sociology

"Davis has given us a brilliant and informative history of the fateful policy commonly called the rule of hypodescent (the 'one-drop' rule) and the impact it has had psychologically, socially, economically, and politically on African-American history. Davis's book is the most recent in the series of works written on this topic, but is by far the most thorough and insightful."—
G. Reginald Daniel, in Contemporary Sociology

"This is an eye-opening appraisal of an issue often taken for granted in America."—Publishers Weekly

F. James Davis is Professor Emeritus of Sociology at Illinois State University and the author of Society and the Law (Free Press, 1962), Social Problems (Free Press, 1970), and Minority-Dominant Relations (AHM, 1978).

[More details here]

Saturday, 5 January 2008

BLOGOSFERA MOCAMBICANA: UM DEBATE INTERESSANTE





Tem estado a decorrer na blogosfera Mocambicana um debate bastante interessante e pertinente, centrado de forma geral na questao do “papel da/o academica/o na sociedade”.


Como todos os debates sobre questoes sensiveis, este tem tido tambem os seus altos e baixos, mas tem sido inegavelmente rico e esclarecedor - nao estivesse ele a ser protagonizado por alguns dos mais destacados cientistas sociais Mocambicanos…
A blogosfera Mocambicana esta’, portanto, de parabens!

Alguns dos 'posts' a partir dos quais se podem juntar “os fios da meada” podem ser encontrados, entre outros, nestes blogs: Diario de Um Sociologo e Olhar Sociologico.




{Ilustracoes daqui}





Tem estado a decorrer na blogosfera Mocambicana um debate bastante interessante e pertinente, centrado de forma geral na questao do “papel da/o academica/o na sociedade”.


Como todos os debates sobre questoes sensiveis, este tem tido tambem os seus altos e baixos, mas tem sido inegavelmente rico e esclarecedor - nao estivesse ele a ser protagonizado por alguns dos mais destacados cientistas sociais Mocambicanos…
A blogosfera Mocambicana esta’, portanto, de parabens!

Alguns dos 'posts' a partir dos quais se podem juntar “os fios da meada” podem ser encontrados, entre outros, nestes blogs: Diario de Um Sociologo e Olhar Sociologico.




{Ilustracoes daqui}

Tuesday, 11 December 2007

INTERNATIONAL MEETING ON EUROPEAN-AFRICAN RELATIONS

INTERNATIONAL MEETING ON EUROPEAN-AFRICAN RELATIONS
AND
PUBLIC PRESENTATION OF THE CENTRAL LIBRARY OF AFRICAN STUDIES

On occasion of the Europe-Africa Summit, promoted by the Portuguese
presidency of the European Union, the African Studies Centre of
ISCTE-Lisbon and the Central Library of African Studies organize an
International Meeting dedicated to critically discuss European African
relations.

The traumatic and contested memories of the colonial period are today in
an apparent process of pacification that sanitises history, be it through
nostalgia, by new economical assertively, or by the political management
of the growing influx of African immigrants to various European
countries.

A new field of study lies before us that grow beyond classical African
studies (in themselves a heritage of the colonial framework): the study
of African-European relations, based on dialogue and cooperation between
African and European researchers.

The Central Library of African Studies, based at ISCTE, is a general
African studies library for the Social Sciences and the Humanities. It is
the materialization of an old dream of the main Portuguese African
studies centres (CEA-FLUP, CEA-FLUL, CEA-ISCTE, CESA-ISEG and IICT).

The African Studies Centre of ISCTE is a founding member of AEGIS
(African-European Group of Interdisciplinary Studies).


ENCONTRO INTERNACIONAL SOBRE RELAÇÕES EUROPA-ÁFRICA
E
APRESENTAÇÃO PÚBLICA DA BIBLIOTECA CENTRAL DE ESTUDOS AFRICANOS
ISCTE

Por ocasião da Cimeira Europa-África, promovida pela presidência
portuguesa da União Africana, o Centro de Estudos Africanos do ISCTE-
Lisboa e a Biblioteca Central de Estudos Africanos organizam um
Encontro Internacional dedicado a uma reflexão crítica das relações entre
a Europa e a África.

As memórias traumáticas e mutuamente contestadas do período colonial
sofrem hoje um processo de aparente pacificação que redunda na
higienização da história, seja por via da nostalgia, por novas
assertividades económicas, ou pela gestão política do crescente influxo
de imigrantes africanos a vários países europeus.

A constatação desta realidade abre um novo campo de investigação: já não
apenas os estudos africanos (em si, uma herança da mentalidade colonial),
mas o estudo das relações Europa-África, num contexto de diálogo e
cooperação entre os investigadores africanos e europeus.

A Biblioteca Central de Estudos Africanos, sediada no ISCTE, é uma
biblioteca de estudos gerais africanos nas áreas das ciências sociais e
humanidades. É a materialização de um projecto antigo dos principais
centros de investigação em estudos africanos portugueses (CEA-FLUP,
CEA-FLUL, CEA-ISCTE, CESA-ISEG e IICT).

O Centro de Estudos Africanos do ISCTE é membro fundador do AEGIS
(African-European Group of Interdisciplinary Studies).

[PROGRAMA]

INTERNATIONAL MEETING ON EUROPEAN-AFRICAN RELATIONS
AND
PUBLIC PRESENTATION OF THE CENTRAL LIBRARY OF AFRICAN STUDIES

On occasion of the Europe-Africa Summit, promoted by the Portuguese
presidency of the European Union, the African Studies Centre of
ISCTE-Lisbon and the Central Library of African Studies organize an
International Meeting dedicated to critically discuss European African
relations.

The traumatic and contested memories of the colonial period are today in
an apparent process of pacification that sanitises history, be it through
nostalgia, by new economical assertively, or by the political management
of the growing influx of African immigrants to various European
countries.

A new field of study lies before us that grow beyond classical African
studies (in themselves a heritage of the colonial framework): the study
of African-European relations, based on dialogue and cooperation between
African and European researchers.

The Central Library of African Studies, based at ISCTE, is a general
African studies library for the Social Sciences and the Humanities. It is
the materialization of an old dream of the main Portuguese African
studies centres (CEA-FLUP, CEA-FLUL, CEA-ISCTE, CESA-ISEG and IICT).

The African Studies Centre of ISCTE is a founding member of AEGIS
(African-European Group of Interdisciplinary Studies).


ENCONTRO INTERNACIONAL SOBRE RELAÇÕES EUROPA-ÁFRICA
E
APRESENTAÇÃO PÚBLICA DA BIBLIOTECA CENTRAL DE ESTUDOS AFRICANOS
ISCTE

Por ocasião da Cimeira Europa-África, promovida pela presidência
portuguesa da União Africana, o Centro de Estudos Africanos do ISCTE-
Lisboa e a Biblioteca Central de Estudos Africanos organizam um
Encontro Internacional dedicado a uma reflexão crítica das relações entre
a Europa e a África.

As memórias traumáticas e mutuamente contestadas do período colonial
sofrem hoje um processo de aparente pacificação que redunda na
higienização da história, seja por via da nostalgia, por novas
assertividades económicas, ou pela gestão política do crescente influxo
de imigrantes africanos a vários países europeus.

A constatação desta realidade abre um novo campo de investigação: já não
apenas os estudos africanos (em si, uma herança da mentalidade colonial),
mas o estudo das relações Europa-África, num contexto de diálogo e
cooperação entre os investigadores africanos e europeus.

A Biblioteca Central de Estudos Africanos, sediada no ISCTE, é uma
biblioteca de estudos gerais africanos nas áreas das ciências sociais e
humanidades. É a materialização de um projecto antigo dos principais
centros de investigação em estudos africanos portugueses (CEA-FLUP,
CEA-FLUL, CEA-ISCTE, CESA-ISEG e IICT).

O Centro de Estudos Africanos do ISCTE é membro fundador do AEGIS
(African-European Group of Interdisciplinary Studies).

[PROGRAMA]

Friday, 9 November 2007

ATE' VOCE JA' NAO ES NADA!...

E’ lancado hoje em Luanda o livro entitulado “Até você já não és nada!...”, do Sociologo Angolano Paulo de Carvalho, pela Editorial Kilombelombe (Luanda, 2007). Aqui fica a sua apresentacao pelo autor:

Neste livro, apresento o conteúdo das entrevistas feitas junto de pessoas portadoras de deficiência motora e sensorial na cidade de Luanda, no âmbito da preparação da minha tese de doutoramento em Sociologia.Tal como o leitor poderá constatar, as entrevistas contêm elementos ligados aos problemas sociais que boa parte da população angolana contemporânea enfrenta. Inserem também elementos sobre a forma como a história recente de Angola interferiu na forma de existência de um bom número de cidadãos angolanos.

Apresentam a habitual “face oculta” dos problemas de carácter psicológico e sociológico que o cidadão comum enfrenta no dia-a-dia, para garante da subsistência própria e dos seus dependentes. Apresentam ainda a forma mais ou menos subtil como um grupo seriamente marginalizado engendra estratégias de sobrevivência, normalmente abaixo do mínimo socialmente aceitável. Por outro lado, referem também a forma como, de um dia para o outro, se pode operar uma mudança radical na forma de encarar a vida, por razões alheias à vontade própria.



Ao ler as entrevistas, o leitor penetrará no submundo da marginalidade, numa cidade onde a marginalização social é endémica. O leitor tomará consciência da forma como se opera a discriminação dos marginalizados sociais e da forma como estes interagem com os demais, para garantia da sobrevivência. Verificará ainda de que forma as instituições do Estado são avaliadas, fundamentalmente devido ao esquecimento a que são votados os portadores de deficiência física – muitos deles, com deficiência adquirida devido a terem tomado parte de confrontos armados pela salvaguarda da integridade territorial, em nome desse mesmo Estado.


Com este livro, o leitor da cidade de Luanda (e de outras cidades de média dimensão de Angola) passa a ter elementos acerca de um mundo normalmente desconhecido, onde se chega ao extremo de alguns antigos oficiais das Forças Armadas se verem forçados a pôr de lado o “orgulho de oficial”, para se vergarem à mendicidade e aos riscos que daí advêm par a sua integridade psicológica. A decisão de publicação das entrevistas deve-se ao facto de elas conterem elementos que podem ter utilidade para investigadores e estudantes de vários domínios do saber, com particular destaque para a antropologia, linguística, psicologia (não apenas social) e sociologia.

Espero que este livro venha a contribuir para a sensibilização da sociedade angolana para o drama vivido pelos portadores de deficiência física – que, tal como descrevo em Exclusão Social em Angola. O caso dos deficientes físicos de Luanda [Edições Kilombelombe, Luanda, 2007] – são dos grupos mais atingidos pela situação de exclusão social em Luanda (e em Angola).


O autor

E’ lancado hoje em Luanda o livro entitulado “Até você já não és nada!...”, do Sociologo Angolano Paulo de Carvalho, pela Editorial Kilombelombe (Luanda, 2007). Aqui fica a sua apresentacao pelo autor:

Neste livro, apresento o conteúdo das entrevistas feitas junto de pessoas portadoras de deficiência motora e sensorial na cidade de Luanda, no âmbito da preparação da minha tese de doutoramento em Sociologia.Tal como o leitor poderá constatar, as entrevistas contêm elementos ligados aos problemas sociais que boa parte da população angolana contemporânea enfrenta. Inserem também elementos sobre a forma como a história recente de Angola interferiu na forma de existência de um bom número de cidadãos angolanos.

Apresentam a habitual “face oculta” dos problemas de carácter psicológico e sociológico que o cidadão comum enfrenta no dia-a-dia, para garante da subsistência própria e dos seus dependentes. Apresentam ainda a forma mais ou menos subtil como um grupo seriamente marginalizado engendra estratégias de sobrevivência, normalmente abaixo do mínimo socialmente aceitável. Por outro lado, referem também a forma como, de um dia para o outro, se pode operar uma mudança radical na forma de encarar a vida, por razões alheias à vontade própria.



Ao ler as entrevistas, o leitor penetrará no submundo da marginalidade, numa cidade onde a marginalização social é endémica. O leitor tomará consciência da forma como se opera a discriminação dos marginalizados sociais e da forma como estes interagem com os demais, para garantia da sobrevivência. Verificará ainda de que forma as instituições do Estado são avaliadas, fundamentalmente devido ao esquecimento a que são votados os portadores de deficiência física – muitos deles, com deficiência adquirida devido a terem tomado parte de confrontos armados pela salvaguarda da integridade territorial, em nome desse mesmo Estado.


Com este livro, o leitor da cidade de Luanda (e de outras cidades de média dimensão de Angola) passa a ter elementos acerca de um mundo normalmente desconhecido, onde se chega ao extremo de alguns antigos oficiais das Forças Armadas se verem forçados a pôr de lado o “orgulho de oficial”, para se vergarem à mendicidade e aos riscos que daí advêm par a sua integridade psicológica. A decisão de publicação das entrevistas deve-se ao facto de elas conterem elementos que podem ter utilidade para investigadores e estudantes de vários domínios do saber, com particular destaque para a antropologia, linguística, psicologia (não apenas social) e sociologia.

Espero que este livro venha a contribuir para a sensibilização da sociedade angolana para o drama vivido pelos portadores de deficiência física – que, tal como descrevo em Exclusão Social em Angola. O caso dos deficientes físicos de Luanda [Edições Kilombelombe, Luanda, 2007] – são dos grupos mais atingidos pela situação de exclusão social em Luanda (e em Angola).


O autor

Saturday, 28 April 2007

INTERESTING READINGS FOR THE SOCIAL RESEARCHER...

... OR JUST THE INTERESTED LAY READER



Critique of Anthropology is dedicated to the development of anthropology as a discipline that subjects social reality to critical analysis. The journal challenges received wisdoms inside academic anthropology and in society at large, presenting work that is innovative, challenging, sometimes experimental and often uncomfortable.

For more reading suggestions CLICK HERE.
... OR JUST THE INTERESTED LAY READER



Critique of Anthropology is dedicated to the development of anthropology as a discipline that subjects social reality to critical analysis. The journal challenges received wisdoms inside academic anthropology and in society at large, presenting work that is innovative, challenging, sometimes experimental and often uncomfortable.

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