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Thursday, 8 March 2012

ON INTERNATIONAL WOMEN'S DAY [*]



An evening @ Moyo...


... and Healing Sounds From Mother Africa @ Luanda Azul, Luanda Blues




The Healing - Pops Mohammed/Paul Hanmer/Anna Tietie/Khanyo


*[First posted 08/03/09]



... and Healing Sounds From Mother Africa @ Luanda Azul, Luanda Blues




The Healing - Pops Mohammed/Paul Hanmer/Anna Tietie/Khanyo


*[First posted 08/03/09]

Friday, 4 March 2011

CARNAVAL [R]



Despir o nú
e agasalhar o mal vestido,
como quem quer a coisa
e nunca se espanta,
senão à despedida.




Resta um canto suave
e um prazer imedido
na exorcisão das teias
do armário

qualquer ovo que se machuca
entre os dedos
e se espalha lentamente
pelo corpo, auspiciosamente,
entre a calma do ócio
e o desprezo da revolta,
um sorriso e
talvez um aperto de mãos.
De costas. Para dar mais prazer.




E um vento que sopra
rasteiro, sibilino
uma tempestade
que nunca desabará
e o choque. Carnaval.


[A.S. in S.O.S.]




[Postado inicialmente a 19/02/07]



Despir o nú
e agasalhar o mal vestido,
como quem quer a coisa
e nunca se espanta,
senão à despedida.




Resta um canto suave
e um prazer imedido
na exorcisão das teias
do armário

qualquer ovo que se machuca
entre os dedos
e se espalha lentamente
pelo corpo, auspiciosamente,
entre a calma do ócio
e o desprezo da revolta,
um sorriso e
talvez um aperto de mãos.
De costas. Para dar mais prazer.




E um vento que sopra
rasteiro, sibilino
uma tempestade
que nunca desabará
e o choque. Carnaval.


[A.S. in S.O.S.]




[Postado inicialmente a 19/02/07]

Wednesday, 3 November 2010

Africa - 50 years of music

“Africa 50 years of music” has to be the largest collection of music from across the continent with 18 CDs, 185 tracks by 183 artists from 39 countries. The collection is organised chronologically into six regions.

With so many tracks, the collection goes beyond the usual suspects : Miriam Makeba, Fela Kuti, Youssou N Dour, Franco, Cheb Khaled, Cesaria Evora, Mulatu Astatke, Salif Keita, Manu Dibango and Oum Kalsoum – and mostly recorded between 1960 and 2009.

A good review from All About Jazz which includes a complete track list and another from The Observer.


[Cross-posted, with thanks, from Black Looks]
“Africa 50 years of music” has to be the largest collection of music from across the continent with 18 CDs, 185 tracks by 183 artists from 39 countries. The collection is organised chronologically into six regions.

With so many tracks, the collection goes beyond the usual suspects : Miriam Makeba, Fela Kuti, Youssou N Dour, Franco, Cheb Khaled, Cesaria Evora, Mulatu Astatke, Salif Keita, Manu Dibango and Oum Kalsoum – and mostly recorded between 1960 and 2009.

A good review from All About Jazz which includes a complete track list and another from The Observer.


[Cross-posted, with thanks, from Black Looks]

Saturday, 7 August 2010

ARIA by GROVER WASHINGTON, JR [R]*



*[Retomo hoje este post - first published 11/01/07 - por duas razoes: i) me parecer apropriado numa altura em que a musica, nas suas mais diversas vertentes, parece estar na ordem do dia em alguns circulos blogosfericos e jornalisticos (em particular depois da mais recente edicao do Luanda International Jazz Festival); ii) ja' me ser possivel colocar aqui as faixas do album originalmente mencionadas.]



“I started as a classical musician, and this album is something I’ve wanted to make for years. In many ways, I feel I’ve now come full circle in my music.”
- Grover Washington, Jr. -



Este e’ um daqueles albums que, para mim, tem a caracteristica particular de apelar tanto pelo seu conteudo, como pelas circunstancias da sua publicacao em 2000, pouco depois do falecimento subito e precoce de Grover Washington, Jr. em Dezembro de 1999, aos 56 anos de idade. Por isso trago-o aqui ao Spirited Sounds.

Grover, que recebeu a sua primeira licao de saxofone do seu pai, definia a sua musica como “pequenas estorias sem palavras”. Mas, para mim, nunca antes deste Aria tinha tal definicao sido tao bem expressa na sua carreira musical (que contou entre os seus pontos altos com uma celebre ‘jam session’ com o ex-Presidente Bill Clinton e alguns dos maiores nomes do Jazz como Herbie Hancock e Wynton Marsalis).

O album e’ composto totalmente de arias de algumas das mais conhecidas obras do reportorio operatico, mas sem a sua oratoria: precisamente, pequenas estorias sem palavras… Confesso que nunca fui uma particular apreciadora do genero operatico (talvez pelas mesmas razoes porque nunca fui uma particular apreciadora dos consagrados musicais londrinos...) e que foram sempre as arias que funcionaram como o “canto da sereia” para me atrair a qualquer opera – a este proposito, lembro-me de em 1991 ter ido, no que foi a minha primeira e unica ida a opera, ao New York Metropolitan Opera (onde, como se nao bastasse ser praticamente a unica negra, tive o "descaramento" de ir de jeans…) assistir a “La Traviatta”, tendo saido de la' menos entusiasmada do que era suposto …



Pois este album (do qual infelizmente nao posso colocar aqui nenhuma das peças... o que tambem tem o seu lado positivo porque podemos ouvir, em sua substituicao, algumas das arias incluidas no album nas suas versoes cantadas) tem a particularidade de funcionar perfeitamente para mim: abre precisamente com o perfeito canto da sereia, uma das minhas arias preferidas, ‘Je Crois Entendre Encore’, do “Les Pecheurs de Perles” de Bizet. Aprendi a cantar de cor essa aria (uma das duas que sei cantar de cor; a outra e’ a popular ‘Nesum Dorma’ de Puccini) ha varios anos, ouvindo e acompanhando a versao, em Italiano, do Ney Matogrosso no seu album “Pescador de Perolas” (1986) …



[Je Crois Entendre Encore - from Bizet's The Pearlfishers]


Depois, ha' uma em particular que, em qualquer circunstancia, nao posso contornar, just for the sheer pleasure of listening to it, esta:


[E Lucevan Le Stelle - from Puccini's Tosca]


Mas ha outra razao que me faz trazer Aria a este espaco: a relacao, algo polemica, entre o dito “Jazz” e a dita “Musica Classica”. A questao e’ sempre: onde, quando e como se separam as aguas entre os dois, para alem dos evidentes “marcadores” da improvisacao no primeiro e da rigorosa codificacao no segundo? Nao sei se alguem ja conseguiu dar uma resposta convincente a essa questao (vide, por exemplo, o que disse Nina Simone sobre o assunto…), mas, como dizem os Ingleses, “the proof is in the pudding”!


[My Man's Gone Now - from Gershwin's Porgy & Bess]

E o 'pudding' podem ser varias das obras do Miles ou, mais obviamente ainda, muitas das dos manos Wynton e Branford Marsalis… Anyway, oucamos como soam duas das arias da opera 'Porgy and Bess' nas suas versoes "jazzisticas" (a comecar por uma interpretacao do Grover nao incluida em Aria - a que vem incluida e' o My Man's Gone Now. A versao cantada do I Loves You Porgy pela Nina tambem pode ser ouvida atraves do link acima) e depois vejamos o que teem a dizer os experts:


“As Grover Washington, Jr. sees it, the lines between jazz soloist and opera singer are not as clear-cut as one might imagine. Opera is a musical genre that depends on narration, and Grover views his role as soloist -- be it here, or on one of his many celebrated jazz recordings -- as an impassioned narrator. In both cases, Grover says, "You're just trying to tell a story."


[Pourquoi Me Reveiller? - from Massenet's Werther]

Consider the case of Werther, an opera by Massenet, based on a novel by Goethe. Werther is the quintessential Romantic hero, and nowhere in the opera does Massenet come closer to Goethe's Romantic ideal than in "Pourquoi me reveiller?" ("Why do you wake me?"), an aria full of foreboding and sorrow. In Grover's hands, and supported by Robert Freedman's fine and spacious arrangement, the blues within the aria are revealed.


[O Mio Babbino Caro - from Puccini's Gianni Schicchi]

Grover is the ideal narrator for the stories on Aria. Performing here on soprano, alto, tenor and baritone saxophones, Grover draws upon his artistry as a melodist to capture the emotion and spirit of a dozen of opera's most beautiful arias, from Puccini's "O mio babbino caro" (Gianni Schicchi) to Delibes' "Flower Duet" (Lakme), all with a sensibility that is very much of our day.


[Flower Duet - from Delibes' Lakme']

And yet Aria is not simply a crossing over, any more than Miles Davis' and Gil Evans' exploration of Gershwin's Porgy and Bess was simply a cooled-up version of the opera. In Aria, Grover Washington, Jr. takes the rich breadth of feeling inherent in twelve extraordinary tunes, not so much translating them into the jazz idiom as revealing them for what they are -- gorgeous, transcendent melodies that speak as clearly through the bell of a saxophone as through the human voice.” (Jackson Braider)

“Grover's brilliant career had its foundation in the fusion of genres. Along with his inimitable sound and style, his music was most celebrated for its signature synthesis of jazz and rhythm & blues. Aria marked a fusion of another kind for Grover, one both new and natural to him, and one he was eager to share. Sadly, it was the last album he was to make, completed just four months to the day before his untimely death.


[Vissi d'Arte - from Puccini's Tosca]

While the album may strike many listeners as an unexpected departure, it in fact completes a circle which began when Grover first studied music -- classical music -- at Buffalo's Wurlitzer School of Music. Classical music remained his first love. (…) Genres aside, Grover's music was always essentially about one thing -- heart. It was the (un)common denominator that defined his life's work. Puccini's magnificent soprano aria from his opera Tosca begins, "Vissi d'arte, vissi d'amore" ("I lived for art, I lived for love"). Grover Washington, Jr. did just that.” (Laraine Perri)



*[Retomo hoje este post - first published 11/01/07 - por duas razoes: i) me parecer apropriado numa altura em que a musica, nas suas mais diversas vertentes, parece estar na ordem do dia em alguns circulos blogosfericos e jornalisticos (em particular depois da mais recente edicao do Luanda International Jazz Festival); ii) ja' me ser possivel colocar aqui as faixas do album originalmente mencionadas.]



“I started as a classical musician, and this album is something I’ve wanted to make for years. In many ways, I feel I’ve now come full circle in my music.”
- Grover Washington, Jr. -



Este e’ um daqueles albums que, para mim, tem a caracteristica particular de apelar tanto pelo seu conteudo, como pelas circunstancias da sua publicacao em 2000, pouco depois do falecimento subito e precoce de Grover Washington, Jr. em Dezembro de 1999, aos 56 anos de idade. Por isso trago-o aqui ao Spirited Sounds.

Grover, que recebeu a sua primeira licao de saxofone do seu pai, definia a sua musica como “pequenas estorias sem palavras”. Mas, para mim, nunca antes deste Aria tinha tal definicao sido tao bem expressa na sua carreira musical (que contou entre os seus pontos altos com uma celebre ‘jam session’ com o ex-Presidente Bill Clinton e alguns dos maiores nomes do Jazz como Herbie Hancock e Wynton Marsalis).

O album e’ composto totalmente de arias de algumas das mais conhecidas obras do reportorio operatico, mas sem a sua oratoria: precisamente, pequenas estorias sem palavras… Confesso que nunca fui uma particular apreciadora do genero operatico (talvez pelas mesmas razoes porque nunca fui uma particular apreciadora dos consagrados musicais londrinos...) e que foram sempre as arias que funcionaram como o “canto da sereia” para me atrair a qualquer opera – a este proposito, lembro-me de em 1991 ter ido, no que foi a minha primeira e unica ida a opera, ao New York Metropolitan Opera (onde, como se nao bastasse ser praticamente a unica negra, tive o "descaramento" de ir de jeans…) assistir a “La Traviatta”, tendo saido de la' menos entusiasmada do que era suposto …



Pois este album (do qual infelizmente nao posso colocar aqui nenhuma das peças... o que tambem tem o seu lado positivo porque podemos ouvir, em sua substituicao, algumas das arias incluidas no album nas suas versoes cantadas) tem a particularidade de funcionar perfeitamente para mim: abre precisamente com o perfeito canto da sereia, uma das minhas arias preferidas, ‘Je Crois Entendre Encore’, do “Les Pecheurs de Perles” de Bizet. Aprendi a cantar de cor essa aria (uma das duas que sei cantar de cor; a outra e’ a popular ‘Nesum Dorma’ de Puccini) ha varios anos, ouvindo e acompanhando a versao, em Italiano, do Ney Matogrosso no seu album “Pescador de Perolas” (1986) …



[Je Crois Entendre Encore - from Bizet's The Pearlfishers]


Depois, ha' uma em particular que, em qualquer circunstancia, nao posso contornar, just for the sheer pleasure of listening to it, esta:


[E Lucevan Le Stelle - from Puccini's Tosca]


Mas ha outra razao que me faz trazer Aria a este espaco: a relacao, algo polemica, entre o dito “Jazz” e a dita “Musica Classica”. A questao e’ sempre: onde, quando e como se separam as aguas entre os dois, para alem dos evidentes “marcadores” da improvisacao no primeiro e da rigorosa codificacao no segundo? Nao sei se alguem ja conseguiu dar uma resposta convincente a essa questao (vide, por exemplo, o que disse Nina Simone sobre o assunto…), mas, como dizem os Ingleses, “the proof is in the pudding”!


[My Man's Gone Now - from Gershwin's Porgy & Bess]

E o 'pudding' podem ser varias das obras do Miles ou, mais obviamente ainda, muitas das dos manos Wynton e Branford Marsalis… Anyway, oucamos como soam duas das arias da opera 'Porgy and Bess' nas suas versoes "jazzisticas" (a comecar por uma interpretacao do Grover nao incluida em Aria - a que vem incluida e' o My Man's Gone Now. A versao cantada do I Loves You Porgy pela Nina tambem pode ser ouvida atraves do link acima) e depois vejamos o que teem a dizer os experts:


“As Grover Washington, Jr. sees it, the lines between jazz soloist and opera singer are not as clear-cut as one might imagine. Opera is a musical genre that depends on narration, and Grover views his role as soloist -- be it here, or on one of his many celebrated jazz recordings -- as an impassioned narrator. In both cases, Grover says, "You're just trying to tell a story."


[Pourquoi Me Reveiller? - from Massenet's Werther]

Consider the case of Werther, an opera by Massenet, based on a novel by Goethe. Werther is the quintessential Romantic hero, and nowhere in the opera does Massenet come closer to Goethe's Romantic ideal than in "Pourquoi me reveiller?" ("Why do you wake me?"), an aria full of foreboding and sorrow. In Grover's hands, and supported by Robert Freedman's fine and spacious arrangement, the blues within the aria are revealed.


[O Mio Babbino Caro - from Puccini's Gianni Schicchi]

Grover is the ideal narrator for the stories on Aria. Performing here on soprano, alto, tenor and baritone saxophones, Grover draws upon his artistry as a melodist to capture the emotion and spirit of a dozen of opera's most beautiful arias, from Puccini's "O mio babbino caro" (Gianni Schicchi) to Delibes' "Flower Duet" (Lakme), all with a sensibility that is very much of our day.


[Flower Duet - from Delibes' Lakme']

And yet Aria is not simply a crossing over, any more than Miles Davis' and Gil Evans' exploration of Gershwin's Porgy and Bess was simply a cooled-up version of the opera. In Aria, Grover Washington, Jr. takes the rich breadth of feeling inherent in twelve extraordinary tunes, not so much translating them into the jazz idiom as revealing them for what they are -- gorgeous, transcendent melodies that speak as clearly through the bell of a saxophone as through the human voice.” (Jackson Braider)

“Grover's brilliant career had its foundation in the fusion of genres. Along with his inimitable sound and style, his music was most celebrated for its signature synthesis of jazz and rhythm & blues. Aria marked a fusion of another kind for Grover, one both new and natural to him, and one he was eager to share. Sadly, it was the last album he was to make, completed just four months to the day before his untimely death.


[Vissi d'Arte - from Puccini's Tosca]

While the album may strike many listeners as an unexpected departure, it in fact completes a circle which began when Grover first studied music -- classical music -- at Buffalo's Wurlitzer School of Music. Classical music remained his first love. (…) Genres aside, Grover's music was always essentially about one thing -- heart. It was the (un)common denominator that defined his life's work. Puccini's magnificent soprano aria from his opera Tosca begins, "Vissi d'arte, vissi d'amore" ("I lived for art, I lived for love"). Grover Washington, Jr. did just that.” (Laraine Perri)

Tuesday, 4 May 2010

BONGA: Cancoes da Diaspora Angolana [R]*






{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}


[Venda poro]

Pois aqui vos ofereco mais uma “power point presentation” (mas, sem as – brilhantes – fotografias, para me poupar de muitos trabalhos e outras tantas invejas doentias…):

Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?


[Makongo]


No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:

[Falar de assim]


(***)


[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]

[Kamusekele]

[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!


[Recordando pio']

[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]

[Incaldido]

[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]

[Escapada]

[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]


[Nucos da bwala]

[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]


[Kianje]

[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]

[Olhos molhados]

[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!

Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!

[Kanjonja]

[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!

Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]

[Samania]

[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...

Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]

[Ngui tename]

[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]

[Turmas do bairro]




Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).


*[First posted 17/06/07]





{N.B.: ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO ON THIS PAGE}


[Venda poro]

Pois aqui vos ofereco mais uma “power point presentation” (mas, sem as – brilhantes – fotografias, para me poupar de muitos trabalhos e outras tantas invejas doentias…):

Bonga: Ja’ foi chamado publicamente “o lixo de Angola” – por quem agora canta e, diga-se de passagem, muito bem, felizmente, “minha Angola minha terra… a guerra ficou pra tras… que haja gente pro tempo novo, cantar cancoes de paz” … sera’ que ha’ gente dessa, com a necessaria elevacao e grandeza, entre os que se continuam a arrogar o “direito” de acambarcarem a Angolanidade so’ para si?


[Makongo]


No entanto, ele continua a ser, tal como o foi em 72-74 e apesar de nunca ter vivido permanentemente em Angola depois da Dipanda, uma das vozes, senao a voz mais profunda da Angolanidade… a voz com que milhares, senao milhoes, de Angolanos de pleno direito, na diaspora e nao so’ (embora a sua musica so' ha' relativamente pouco tempo tenha sido "desembarrada" publicamente em Angola), se identificam, dentre as varias que se proclamam, mais frequentemente do que nao, sem qualquer propriedade, “vozes da Angolanidade”… Oucam-no, voces que estragaram a kubata ao ponto de nao dar pra morar e agora nao teem vergonha de se fazerem de “vitimas” (… de quem, senao de voces mesmos?!). Oucamo-lo:

[Falar de assim]


(***)


[Anos 60 … Joana Maluca, de todos, sempre ali oferecendo seus dementes servicos na esquina do ‘Majestic’ do B.O. … Yes, tinha as fruta de vontade, mas nao tinha liberdade! ... E o povo que fugiu…]

[Kamusekele]

[Anos 70… E veio a “liberdade”! Ja’ nao era “pio”, por isso "enquadrei-me" noutras "militancias", incluindo as cicatrizes nos pes, para o resto da vida, do “trabalho voluntario revolucionario” nos laranjais do Mazozo e nos canaviais do Bom Jesus… Enquanto as ballerinas prima donnas de hoje estavam na praia, ‘nos cavalos', ou na dolce vita do ballet classico europeu - sem duvida, "coisa muito popular e genuinamente angolana" (cokwe')! - … Pra hoje terem o descaramento, desplante, abuso e atrevimento de se armarem em "porta-vozes do povo" - como se o unico povo que "cheiram e ouvem" nao fossem os seus criados e criadas... como se tivessem coragem de por os pes no Roque, no Sambila, no Rocha Pinto ou no Panguila, mesmo se acompanhadas pelos seus guarda-costas do povo... como se andassem a pe' ou de kandongueiro pelas ruas onde fotografam o lixo de dentro dos seus carros de luxo com A/C... - que granda lata!!! Mas tu pio’: quem traiu os teus valores e principios... quem te fez estrondar com raiva de so’ querer bazar???!!!


[Recordando pio']

[… Sim pio’ (tu que ganhaste o "pio-pio" ali no Kinaxixi cantando como um passarinho e a quem os "poetas revolucionarios e lucidos da situacao" cortaram as asas e o pio e fizeram "inventar silencios" ao seu servico..), quem te incaldiu, ali pros lados da Xicala, ali por todos os lados?! Quem te esqueceu… nos ditos e feitos da tubia que agora “aprendemos” (…“refastelados no imoral ocidente”…) se chama, e condena como, “pedophilia”? ]

[Incaldido]

[E escapaste… do recrutamento pr’uma guerra de alguns (dela/es!) de que ela/es e seus filhos sempre estiveram "isentos" ou eram adornados com altas patentes desde o primeiro dia, para poderem ficar a "comandar" a partir dos gabinetes, a longa distancia, ou do ar, enquanto a tua unica serventia era para carne de canhao sem qualquer promocao... da desgraca total em beneficio de alguns (dela/es!)… pras pedreiras, pr’outras ngundas, pr’outras lutas, pr’outras sortes… pr’o que agora ela/es, do alto da sua “branquicite aguda” lavada com lixivia depois de pintada de negro para efeitos de "arte contemporanea", chamam “nosso refastelamento” em terras que, dizem, “apesar da intolerancia, preferimos a nossa terra natal”… que eles tornaram e continuam a querer so’ dela/es!]

[Escapada]

[Outros nao escaparam, desconseguiram de entrar no porao… viraram meninos de rua… enquanto “outras” punham, dispunham, dancavam e iam “estudar” pro “hediondo ocidente” e para a pretensamente "renegada terra do colono" (isto e', dos seus mais proximos familiares e amigos e de todos os seus ancestrais, incluindo suas avos "poetisas"...) com bolsas chorudas que ate’ lhes dava pra comprar casas e carros (enquanto tu, se tivesses sorte, ias pra Cuba ou pro leste europeu e, mesmo que por milagre fosses para Portugal, ‘bolsa’ so’ a vias de vez em quando por um canudo…). A pergunta repete-se: porque estas em debanda, fisica ou espiritual, como todo esse povo… por culpa dos kotas (e da/os “pios” e da/os “jotas” situacionistas de todos os regimes e sistemas, que entretanto viraram “kotas” igualmente sem juizo - particularmente no que toca a se armarem em intocaveis e se enfeitarem de louros e titulos imerecidos, arrogancias ignorantes, mesquinhez e tacanhice, mentalidades bofiento-stalinistas e verborreia patrioteira e pseudo-intelectual-revolucionaria, "esperando o que alcanca sem nada fazer e depois do falhanco pra tuga viver"... - e que pateticamente teem o descaramento de falar hoje em “seus valores traidos”... e' mesmo preciso ter muita lata!!!) que nao dao, nem nunca deram, nada?! … Longe do calor da banda, estou a vos entender kanucos… quem sabe faz a hora, nao espera acontecer!]


[Nucos da bwala]

[Sera’ que ela/es entendem alguma coisa disso?...]


[Kianje]

[Anos 80: ... enquanto nossos velhos sabios e mestres de nossas linguas nacionais choram da alegria passageira do pos “dipanda dela/es” e morrem cedo sozinhos, a/os mestres da "lingua do colono", com suas “familias e suas amizades” manobradas pelo contexto, nas suas corridas para o poder tornam-se directora/es do “instituto de linguas nacionais” sem delas perceberem nenhuma… E hoje continuam vivinhas da silva e a fazerem campanha, com as suas “outras amizades” d'aquem e d'alem mar, para a "recolonizacao do pais" e a “reinstituicao” do portugues como “nossa unica lingua nacional”, em detrimento das outras que, dizem ela/es, sao “dialectos regionais”… Mas... e portanto...donas unicas e absolutas da "dipanda"... e sempre… “mais angolanas do que a Angolanidade”!]

[Olhos molhados]

[Anos 90… E por la’ se ficaram, embora sempre com um pe' na sua Tugalia de origem ou nos seus "exilios dourados" nas "nossas" embaixadas no ocidente, pagas com o suor do povo… com suas bwe’ de kudia e kunhas so’ pra ela/es, a kanjonjar tudo e mais alguma coisa… ate’ a Angolanidade… ate’ agora!!! Ate' agora... querem kanjonjar ate' mesmo a blogosfera... imagine-se se conseguissem controlar a internet! So’ porque ficaram la’ a embebedar-se e a drogar-se ate’ a exaustao (ate’ a morte!) e a cometerem impunemente toda a sorte de crimes de todas as ordens e graus, sem nunca terem feito qualquer trabalho produtivo nas suas "vidas poeticas e artisticas", num pais em "reconstrucao", kambada de imbumbaveis irresponsaveis!!! Nos seus circulos restritos, viciados e viciosos… com as benesses de um poder que nos lhes pusemos nas maos, no pelvis e nos pes… e que eles jamais teriam em alguma outra parte do mundo! Certamente nao, se fossem africanas negras na Europa, em particular em Portugal, Espanha ou Franca, onde nunca passariam de "meras imigrantes de segunda ou terceira geracao", quanto mais permitirem-se a "coragem e atrevimento" de falarem 'oficialmente' e como suas "unicas e maximas autoridades" em nome do "patrimonio cultural" desses paises... por muitos cursos especializados que para o efeito tivessem feito nas melhores universidades do mundo!

Por isso ficaram la’… oportunistica e cobardemente salvaguardados sob as sombrinhas protectoras dos nossos ancestrais… enquanto nos temos que “nos dar” aqui das “intolerancias” dos paises que nos permitiram o que eles, com o seu descarado racismo e extremo exclusivismo social, sempre nos negaram e continuam a negar: o direito a viver, sobreviver, expressarmo-nos livremente (nao e' por acaso que este blog a/os incomoda e irrita tanto...) e ser gente com dignidade - nao "o lixo de Angola"... nao "petit riens" - E ISSO E' O QUE MAIS VOS DOI!!! - E acham que, depois de tudo isso, teem o direito de nos cobrar os “seus sacrificios”… pela patria !!! Ah... ah... ah!!! – A nos que lhes deixamos a terra para os seus sonhos sem limites (… ou seja, de companhia e responsabilidade limitadas)... para a sua apropriacao material e espiritual… para o seu vulturismo cultural sem pudor nem vergonha de qualquer especie, kassumbulando na berrida a mascara da Pwo e as suas mais do que invejadas e cobicadas escarificacoes (assim denegrindo-a e reduzindo-a - como se de apenas mais uma boneca de infancia retardada de menina mimada se tratasse - a mero objecto de fantochada pretensamente "cultural"), mais o kumao que o povo tem e proclamando-os sua "legitima propriedade"... Wa saluka!!!

[Kanjonja]

[Anos 00… E la’ continuam ela/es… sem qualquer sintonia com as malambas, sempre cheios de palpites nas conversas e vidas alheias e sermoes sem ponta por onde se lhes pegue... calando quando deviam falar e falando quando deviam calar... armada/os que tudo sabem e tudo “phodem”! Com samania de dizere esta’ mbora bwe’… Mas so’ na hora de se gabar que sao conselheiros do “Bairro Alto” e “premios nacionais de cultura”, com suas mestrias de visao nenhuma e visoes sem qualquer mestria... porque de resto so’ aparentam estar m’bora ngone vendo a coisa (o lixo dela/es!) piorare pro seu estatuto social e a vontade raivosa, pestilenta, ciumenta e invejosa, mal escondida por baixo de todas as mascaras nacionais possiveis e imaginarias, de travarem “nossa hora de subir”… com a situacao/lixo que ela/es memo criaram e que lhes permitiu “merecer” tais premios, mordomias, todas as manhas e tanta mania!!!
Samania… armada/os agora, oportunistas como sempre souberam ser, em “rebels without a cause”… porque se lhes acabou todo o sermao (?), porque nao ha' bem que sempre dure... ou apenas porque "esta' na moda", multiplica comentarios, preenche o vazio de vidas inteiras de ociosidade, venalidade, pedantismo, parasitismo e diletantismo, da' "celebrity status", ressuscita blogs depressivos e moribundos com musica funebre, enfim: e' facil, e' barato e da' milhoes! Se nao metessem tanta pena e asco, por tanta pobreza de espirito, ate’ davam vontade de rir!

Agora ate' viram ja' "martires da dipanda", so' falta reclamarem estatuto de "heroinas nacionais" ou de Madres Teresas de Calcuta'... quando sempre estiveram cumplicemente caladas nos momentos mais criticos da vida dos Angolanos de verdade... mesmo agora, quando em pleno trigesimo aniversario do 27 de Maio, conseguem ter despudor, desumanidade e insensibilidade suficientes para fazerem proclamacoes de "...nada de novo" (... houve naquele dia em Luanda pelo menos um acontecimento inedito: o lancamento do livro de um sobrevivente do 27...), complementadas por "auto-comentarios" provocatorios do mais abjecto, obsceno, ordinario, insultuoso, grosseiro e rasteiro que ha'! Quando o minimo de decencia que se esperaria de alguem que tenha tomado as doses certas de xa' de kaxinde e com apenas alguns rudimentos de educacao, cultura, valores e principios eticos e morais e sem "nada a dizer" sobre o assunto, seria o habitual silencio, quanto mais nao seja por respeito as vitimas e seus familiares de ambos os lados!...Quem nao vos conhece que vos compre!]

[Samania]

[… Quem desconsegue fazer blogs com forca e qualidade suficientes para se imporem na sanzala global nao entoa… deixa quem sabe cantar… boa keta nao destoa, nem precisa corromper… Nao vale a pena inventar, nem invejar, nem tentar (mal) imitar: aprende - uma vez que ate' aprendem rapidinho tudo quanto for preciso so' para poderem continuar com sucesso a perseguir a vossa vocacao de vampiras de todos os tempos e sem nenhuma vergonha - ou cala so’… reduza-se a sua insignificancia! Porque da janela do meu musseke sempre vos vi bwe’ contente na vossa kandonga de ‘premios de ocasiao’ e 'directorias' que deixaram que facilmente vos subissem a cabeca (... mas talvez isso seja apenas o sinal mais visivel de que algum navio, algures, se esta' a afundar... onde e' que eu ja' ouvi estorias de ratazanas?)! E, de resto, ja’ nao tinham dito que “de ti jamais falarei” e “ja’ visitei esse blog vezes suficientes”? Porque que continuam so’ a vir aqui espreitar de kaxexe, cobardemente, pra irem arranjar toda a hora makas de sanzala so’ a toa??? So' pra chamarem atencao e receberem massagens ao ego... E' mesmo falta desesperada de assunto e de imaginacao, ne'?! Mesmo depois de semanas inteiras de "time-off" nao vos ocorre nada mais "sensivel e criativo"?!...

Querem reacender a guerra? Teem que fazer juz ao vosso nome de familia ate' ao holocausto total?! 30 anos nao vos bastaram??!! Ainda nao destruiram o suficiente???!!! Continuem la’ com os vossos posts com “nada de novo”, recortados da imprensa portuguesa (... pra inda terem a distinta e cretina lata de falarem de quem "se actualiza sobre a realidade Angolana atraves dos midia"!), em vez de virem so’ aqui deitar mau olhado na belissima e humanissima "A Angola dos meus Sonhos", ou na ilustre e brilhante cronica do kamba do kamba Kinito! Querem kibeto ou que?! Pois vao ter… Quem tanto procura, acaba por achar! Deixem de se por em bicos de pes que isto aqui nao e’ salao de danca! Vao la’ continuar a carracar, a vulturar e a viborar onde vos deixam, que aqui nao ha’ pao pra malukas! Ja’ vos disse: a inveja mata! Pois vao morrer longe!!!]

[Ngui tename]

[ E agora?... Gente do musseke falemos de nos, entre nos… As coisas da nossa terra, quando bem contadas teem um outro sabor! Adeus, vou-me embora… Fiquem bem (voces que se armam em seus donos e “inventores”…) na NOSSA terra!]

[Turmas do bairro]




Tracks from "Angola 74 (Venda Poro; Makongo)", "Mulemba Xangola" (2000, Lusafrica) and "Kaxexe" (2003, Lusafrica).


*[First posted 17/06/07]

Monday, 9 November 2009

Coisas do Arco da Velha... (R)*



Repostado a proposito de "(...) precisamos de ir para além do semba, do kizomba e do kú-duro, pois só assim progrediremos...", "bundas obsceno-populares vs. klassico-kulturais", "vulgares contraccoes pelvicas" e outras intelectualisses deste genero... ou, mais ainda, deste:

"A onda em si mesma não me parece grave; grave afigura-se-me o apoio de sectores que deveriam ter algum cuidado e o paternalismo com que a onda tem sido acarinhada e promovida a patamares preocupantes. As pessoas sem memória são como navegadores sem bússola. Trata-se das piores maldições que existem. Em 1974, 1975 e 1976, para silenciar um grupo de intelectuais descontentes, um esforçado mas modesto professor primário foi promovido a Teórico do Marxismo, mas deixar-nos-ia em 1977."

[Jeronimo Belo ao NJ, sobre a "actual onda de Kuduro" - 2011]


DE RIR... DE CHORAR... OU SIMPLESMENTE DE BRADAR AOS CEUS?! (Ignorar e' dificil...)

Encontrei hoje no interessante blog "
Jazz no Pais do Improviso" este "achado pre-historico", para cuja reproducao aqui agradeco desde ja a compreensao do JNPDI, porque acho que estas coisas devem ser divulgadas o mais possivel para que, efectivamente, "a Historia nao se repita":


"PARA QUE A HISTÓRIA NÃO SE REPITA... ...aqui ficam algumas das condições que o Ministério da Educação Popular definiu, durante o Governo de Hitler, para a atribuição de licenças para espectáculos de música de dança.


DEPARTMENT OF POPULAR EDUCATION AND ART
Conditions Governing the Grant of Licenses for Dance Music

NEGROID: Belonging to a Negro race. This includes the African Negroes (and also those living outside of Africa), also Pygmies, Bushmen and Hottentots. NEGRITO: In the wider sense of the term, the short-statured, curly or frizzy-haired, dark-skinned inhabitants of Southeastern Asia, Melanesia and Central Africa.


1. Music: The Embargo on Negroid and Negrito Factors in dance Music and Music for Entertainments.

2. Introduction: The following regulations are intended to indicate the revival of the European spirit in the music played in this country for dances and amusements, by freeing the latter from the elements of that primitive Negroid and/or Negrito music, which may be justly regarded as being in flagrant conflict with the Europeon conception of music. These regulations constitute a transitory measure born of practical considerations and which must of necessity precede a general revival.

3. Prohibition: It is forbidden to play in public music which possesses to a marked degree characteristic features of the method of improvisation, execution, composition and arrangement adopted by Negroes and colored people. It is forbidden in publications, reports, programs, printed or verbal announcements, etc.: (a) to describe music played or to be played with the words "jazz" or "jazz music." (b) to use the technical jargon described below, except in reference to or as a description of the instrumental and vocal dance music of the North American Negroes. Exceptions may Be permitted where such music is intended for a strictly scientific or strictly educational purpose and where such music is interpreted by persons having two or more Negroid or Negritic grandparents.

4. Descripton of The Main Characteristic Features of the Above-Mentioned Music which Differ from the European Conception of Music: The use of tonally undefined mordents, Ostentatious trills, double-stopping or ascendant glissandi, obtained in the Negro style by excessive vibrato, lip technique and/or shaking of the musical instrument. In jazz terminology, the effects known as "dinge," "smear" and "whip." Also the use of intentional vocalization of an instrumental tone by imitating a throaty sound. In jazz terminology, the adoption of the "growl" on brass wind instruments, and also the "scratchy" clarinet tone. Also the use of any intentional instrumentalization of the singing voice by substituting senseless syllables for the words in the text by "metalizing" the voice. In jazz terminology, so-called "scat" singing and the vocal imitation of brass wind instruments. Also the use in Negro fashion of harshly timbered and harshly dynamic intonations unless already described. In jazz terminology, the use of "hot" intonations. Also the use in Negro fashion of dampers on brass and woodwind instruments in which the formation of the tone is achieved in solo items with more than the normal pressure. This does not apply to saxophones or trombones. Likewise forbidden, in the melody, is any melody formed in the manner characteristic of Negro players, and which can be unmistakably recognized.

5. Expressly Forbidden: The adoption in Negro fashion of short motifs of exaggerated pitch and rhythm, repeated more than three times without interruption by a solo instrument (or soloist), or more than sixteen times in succession without interruption by a group of instruments played by a band. In jazz terminology, any adoption of "licks" and "riffs" repeated more than three times in succession by a soloist or more than sixteen times for one section or for two or more sections. Also the exaggeration of Negroid bass forms, based on the broken tritone. In jazz terminology, the "boogie-woogie," "honky tonk" or "barrelhouse" style.

6. Instruments Banned: Use of very primitive instruments such as the Cuban Negro "quijada" (jaw of a donkey) and the North American Negro "washboard." Also the use of rubber mutes (plungers) for wind brass instruments, the imitation of a throaty tone in the use of mutes which, whether accompanied by any special movement of the hand or not, effect an imitation of a nasal sound. In jazz terminology, use of "plungers" and "Wah Wah" dampers. The so-called "tone color" mutes may, however, be used. Also the playing in Negro fashion of long, drawn-out percussion solos or an imitation thereof for more than two or four three-time beats, more frequently than three times or twice in the course of 32 successive beats in a complete interpretation. In jazz terminology, "stop choruses" by percussion instruments, except brass cymbals. There is no objection to providing a chorus with percussion solos in places where a break could also come, but at not more than three such places. Also the use of a constant, long drawn-out exaggerated tonal emphasis on the second and fourth beats in 4/4 time. In jazz terminology, the use of the long drawn-out "off beat" effect."

Ilustracao: Dancing in a Shebeen (Zantsi, AVA Collection - SA)

*[First posted 11/01/07]



Repostado a proposito de "(...) precisamos de ir para além do semba, do kizomba e do kú-duro, pois só assim progrediremos...", "bundas obsceno-populares vs. klassico-kulturais", "vulgares contraccoes pelvicas" e outras intelectualisses
deste genero... ou, mais ainda, deste:

"A onda em si mesma não me parece grave; grave afigura-se-me o apoio de sectores que deveriam ter algum cuidado e o paternalismo com que a onda tem sido acarinhada e promovida a patamares preocupantes. As pessoas sem memória são como navegadores sem bússola. Trata-se das piores maldições que existem. Em 1974, 1975 e 1976, para silenciar um grupo de intelectuais descontentes, um esforçado mas modesto professor primário foi promovido a Teórico do Marxismo, mas deixar-nos-ia em 1977."

[Jeronimo Belo ao NJ, sobre a "actual onda de Kuduro" - 2011]


DE RIR... DE CHORAR... OU SIMPLESMENTE DE BRADAR AOS CEUS?! (Ignorar e' dificil...)

Encontrei hoje no interessante blog "
Jazz no Pais do Improviso" este "achado pre-historico", para cuja reproducao aqui agradeco desde ja a compreensao do JNPDI, porque acho que estas coisas devem ser divulgadas o mais possivel para que, efectivamente, "a Historia nao se repita":


"PARA QUE A HISTÓRIA NÃO SE REPITA... ...aqui ficam algumas das condições que o Ministério da Educação Popular definiu, durante o Governo de Hitler, para a atribuição de licenças para espectáculos de música de dança.


DEPARTMENT OF POPULAR EDUCATION AND ART
Conditions Governing the Grant of Licenses for Dance Music

NEGROID: Belonging to a Negro race. This includes the African Negroes (and also those living outside of Africa), also Pygmies, Bushmen and Hottentots. NEGRITO: In the wider sense of the term, the short-statured, curly or frizzy-haired, dark-skinned inhabitants of Southeastern Asia, Melanesia and Central Africa.


1. Music: The Embargo on Negroid and Negrito Factors in dance Music and Music for Entertainments.

2. Introduction: The following regulations are intended to indicate the revival of the European spirit in the music played in this country for dances and amusements, by freeing the latter from the elements of that primitive Negroid and/or Negrito music, which may be justly regarded as being in flagrant conflict with the Europeon conception of music. These regulations constitute a transitory measure born of practical considerations and which must of necessity precede a general revival.

3. Prohibition: It is forbidden to play in public music which possesses to a marked degree characteristic features of the method of improvisation, execution, composition and arrangement adopted by Negroes and colored people. It is forbidden in publications, reports, programs, printed or verbal announcements, etc.: (a) to describe music played or to be played with the words "jazz" or "jazz music." (b) to use the technical jargon described below, except in reference to or as a description of the instrumental and vocal dance music of the North American Negroes. Exceptions may Be permitted where such music is intended for a strictly scientific or strictly educational purpose and where such music is interpreted by persons having two or more Negroid or Negritic grandparents.

4. Descripton of The Main Characteristic Features of the Above-Mentioned Music which Differ from the European Conception of Music: The use of tonally undefined mordents, Ostentatious trills, double-stopping or ascendant glissandi, obtained in the Negro style by excessive vibrato, lip technique and/or shaking of the musical instrument. In jazz terminology, the effects known as "dinge," "smear" and "whip." Also the use of intentional vocalization of an instrumental tone by imitating a throaty sound. In jazz terminology, the adoption of the "growl" on brass wind instruments, and also the "scratchy" clarinet tone. Also the use of any intentional instrumentalization of the singing voice by substituting senseless syllables for the words in the text by "metalizing" the voice. In jazz terminology, so-called "scat" singing and the vocal imitation of brass wind instruments. Also the use in Negro fashion of harshly timbered and harshly dynamic intonations unless already described. In jazz terminology, the use of "hot" intonations. Also the use in Negro fashion of dampers on brass and woodwind instruments in which the formation of the tone is achieved in solo items with more than the normal pressure. This does not apply to saxophones or trombones. Likewise forbidden, in the melody, is any melody formed in the manner characteristic of Negro players, and which can be unmistakably recognized.

5. Expressly Forbidden: The adoption in Negro fashion of short motifs of exaggerated pitch and rhythm, repeated more than three times without interruption by a solo instrument (or soloist), or more than sixteen times in succession without interruption by a group of instruments played by a band. In jazz terminology, any adoption of "licks" and "riffs" repeated more than three times in succession by a soloist or more than sixteen times for one section or for two or more sections. Also the exaggeration of Negroid bass forms, based on the broken tritone. In jazz terminology, the "boogie-woogie," "honky tonk" or "barrelhouse" style.

6. Instruments Banned: Use of very primitive instruments such as the Cuban Negro "quijada" (jaw of a donkey) and the North American Negro "washboard." Also the use of rubber mutes (plungers) for wind brass instruments, the imitation of a throaty tone in the use of mutes which, whether accompanied by any special movement of the hand or not, effect an imitation of a nasal sound. In jazz terminology, use of "plungers" and "Wah Wah" dampers. The so-called "tone color" mutes may, however, be used. Also the playing in Negro fashion of long, drawn-out percussion solos or an imitation thereof for more than two or four three-time beats, more frequently than three times or twice in the course of 32 successive beats in a complete interpretation. In jazz terminology, "stop choruses" by percussion instruments, except brass cymbals. There is no objection to providing a chorus with percussion solos in places where a break could also come, but at not more than three such places. Also the use of a constant, long drawn-out exaggerated tonal emphasis on the second and fourth beats in 4/4 time. In jazz terminology, the use of the long drawn-out "off beat" effect."

Ilustracao: Dancing in a Shebeen (Zantsi, AVA Collection - SA)

*[First posted 11/01/07]

Tuesday, 2 September 2008

MUXIMA

As velas mexem-se freneticamente e traçam rabiscos breves de luz na noite escura. As vozes modulam-se em êxtase. De repente, enquanto escrevem a minha morada numa folha encardida, ela chega. Sem aviso prévio, e elevada sobre a multidão, a Mamã Muxima surge a contraluz no lado esquerdo da porta. Em segundos, percorre todo o meu ecrã imaginário e desaparece pelo canto direito. Sem tempo de pedir um desejo, ela continua o seu percurso fora do meu ângulo de visão, do lado de lá da fronteira que divide a prisão da liberdade.

Ao lado, no “banco dos suspeitos”, a polícia passa a pente fino tudo o que o gravador e a máquina fotográfica registaram ao longo do dia. Os “flashes” passam ao lado do agente, que nem repara naquela mais-velha da fotografia. As lágrimas correm-lhe pela cara, seguindo os sulcos das rugas vincadas na pele negra. Chora em silêncio, braços ao alto, joelhos empoeirados pregados no chão. Esgar de prece e de dor, olhos fechados que apontam o altar de onde a Mamã Muxima tudo contempla, tudo acolhe. E as imagens sucedem-se, inocentes: O fumo dos fogareiros e das pequenas fogueiras mistura-se com a névoa de poeira fina. A maior parte dos peregrinos traz os alimentos, prontos a cozinhar. Outros não. Para estes, uma série de barracas pontilha a Muxima com o aval das autoridades terrenas da vila-santuário. Vêm de Luanda à procura de lucro e da bênção. Para que o negócio corra bem, para que os investimentos sejam superados, para que, no regresso a casa, os Hiaces que pagaram a peso de ouro não se despistem. Alguns não têm sorte. As carcaças ao longo da estrada entre Sangano e a Muxima deixam adivinhar finais infelizes. Avança a busca na máquina fotográfica e surge a multidão entre as barracas improvisadas e os panos que cobrem o chão, que servirão de cama quando a noite fresca do fim do cacimbo à beira Kwanza chegar.
Jovens, velhos, menos jovens, homens, mulheres, muitas mulheres caminham, tropeçam, cruzam-se, dançam, vão, regressam, sentamse, deitam-se, levantam-se, curvam-se, ajoelham-se, rezam, existem. “Mamã Muxima Rogai por Nós” estampado nas t-shirts brancas da maior parte dos peregrinos. A rodear a cintura e a cobrir a cabeça, panos tradicionais com a santa estampada de todas as formas e feitios. A massa humana é um caleidoscópio de cores.

Com o gravador encostado ao ouvido, para abafar o som que vem lá de fora, a polícia ouve o apelo do Frei Lukonda, na celebração penitencial: “A Paz foi um grande sacrifício. Paz não é só o calar das armas, é preciso desarmar as mentes”. A gravação digital avança e dá voz aos anseios do povo: “Peço para que a Mamã Muxima me arranje noivo”; “Quero que a Mamã tire o meu irmão e o meu noivo da droga”; “Só peço à Mamã Muxima que traga paz a Angola”. Por fim, a fé dos peregrinos: “A Mamã Muxima para mim é tudo, é uma irmã, uma amiga, uma companheira”; “A Mamã Muxima é a minha luz, é o meu Deus”; “A Mamã Muxima nunca me abandonou, sempre esteve comigo durante a vida”. “Irmão” e “Irmã” são palavras-refrão, no meu gravador. Os sorrisos são constantes, os abraços multiplicam-se, mesmo entre desconhecidos.
Vive-se uma espécie de estado de graça na Muxima que envolve os peregrinos, o casario velho da vila, a igreja, a capela lá no alto do morro e o Kwanza que, por aqueles lados, corre por entre uma vegetação verde-luxuriante, num cenário idílico. Por entre a azáfama, uma voz quase imperceptível improvisa um cântico religioso. Tudo à volta pára. Uma, duas, dez, vinte vozes num kimbundu compassado e harmonioso tornam-se onda de choque sonora. O compasso é marcado por palmas. Tac, tac, tac em ampliação desmesurada, fé em estado efervescente. O gravador faz stop, acabou a gravação.


Foto daqui

“A primeira grande peregrinação à Muxima de que há registos aconteceu em 1650, quando se repôs a imagem da santa no altar-mor da igreja, vencida a invasão holandesa”, conta Mário Torres, reitor do santuário. No entanto, já antes o culto se fazia sentir naquela área, em torno de “uma antiga capela de pau-a-pique que havia numa zona que o rio entretanto tomou”. As lendas em torno do culto “são muitas”, conta o sacerdote, mas há uma que chama especial atenção: “o povo conta que esta igreja da Muxima apareceu de um dia para o outro, como por milagre.
No meu entender isso é uma forma das pessoas explicarem a forma como o culto se impôs na região que, de facto, aconteceu num espaço de 15 anos”. Mário Torres rejeita também a versão popular de a Mamã Muxima ter aparecido no local onde se ergue a capela, no alto do morro. O sacerdote assume ainda o sincretismo do culto à imagem. “A devoção à Mamã Muxima não é puramente cristã, envolve muita magia e feitiçaria. As pessoas vêem a santa como uma pessoa com muito poder, suficientemente forte para fazer o bem e mesmo o mal”, diz, explicando que o desafio passa por “atribuir um verdadeiro significado cristão ao culto, incorporando o que a tradição tem de bom”.
Este ano a romaria aconteceu mais cedo. “A acontecer no primeiro domingo de Setembro, como é normal, a peregrinação calharia dois dias depois das eleições, o que poderia colocar as pessoas entre duas opções: ou votar ou vir à Muxima. Como temos que assumir a nossa responsabilidade, resolvemos alterar a data”, explica o reitor.

[Aqui]

duo ouro negro - muxima
As velas mexem-se freneticamente e traçam rabiscos breves de luz na noite escura. As vozes modulam-se em êxtase. De repente, enquanto escrevem a minha morada numa folha encardida, ela chega. Sem aviso prévio, e elevada sobre a multidão, a Mamã Muxima surge a contraluz no lado esquerdo da porta. Em segundos, percorre todo o meu ecrã imaginário e desaparece pelo canto direito. Sem tempo de pedir um desejo, ela continua o seu percurso fora do meu ângulo de visão, do lado de lá da fronteira que divide a prisão da liberdade.

Ao lado, no “banco dos suspeitos”, a polícia passa a pente fino tudo o que o gravador e a máquina fotográfica registaram ao longo do dia. Os “flashes” passam ao lado do agente, que nem repara naquela mais-velha da fotografia. As lágrimas correm-lhe pela cara, seguindo os sulcos das rugas vincadas na pele negra. Chora em silêncio, braços ao alto, joelhos empoeirados pregados no chão. Esgar de prece e de dor, olhos fechados que apontam o altar de onde a Mamã Muxima tudo contempla, tudo acolhe. E as imagens sucedem-se, inocentes: O fumo dos fogareiros e das pequenas fogueiras mistura-se com a névoa de poeira fina. A maior parte dos peregrinos traz os alimentos, prontos a cozinhar. Outros não. Para estes, uma série de barracas pontilha a Muxima com o aval das autoridades terrenas da vila-santuário. Vêm de Luanda à procura de lucro e da bênção. Para que o negócio corra bem, para que os investimentos sejam superados, para que, no regresso a casa, os Hiaces que pagaram a peso de ouro não se despistem. Alguns não têm sorte. As carcaças ao longo da estrada entre Sangano e a Muxima deixam adivinhar finais infelizes. Avança a busca na máquina fotográfica e surge a multidão entre as barracas improvisadas e os panos que cobrem o chão, que servirão de cama quando a noite fresca do fim do cacimbo à beira Kwanza chegar.
Jovens, velhos, menos jovens, homens, mulheres, muitas mulheres caminham, tropeçam, cruzam-se, dançam, vão, regressam, sentamse, deitam-se, levantam-se, curvam-se, ajoelham-se, rezam, existem. “Mamã Muxima Rogai por Nós” estampado nas t-shirts brancas da maior parte dos peregrinos. A rodear a cintura e a cobrir a cabeça, panos tradicionais com a santa estampada de todas as formas e feitios. A massa humana é um caleidoscópio de cores.

Com o gravador encostado ao ouvido, para abafar o som que vem lá de fora, a polícia ouve o apelo do Frei Lukonda, na celebração penitencial: “A Paz foi um grande sacrifício. Paz não é só o calar das armas, é preciso desarmar as mentes”. A gravação digital avança e dá voz aos anseios do povo: “Peço para que a Mamã Muxima me arranje noivo”; “Quero que a Mamã tire o meu irmão e o meu noivo da droga”; “Só peço à Mamã Muxima que traga paz a Angola”. Por fim, a fé dos peregrinos: “A Mamã Muxima para mim é tudo, é uma irmã, uma amiga, uma companheira”; “A Mamã Muxima é a minha luz, é o meu Deus”; “A Mamã Muxima nunca me abandonou, sempre esteve comigo durante a vida”. “Irmão” e “Irmã” são palavras-refrão, no meu gravador. Os sorrisos são constantes, os abraços multiplicam-se, mesmo entre desconhecidos.
Vive-se uma espécie de estado de graça na Muxima que envolve os peregrinos, o casario velho da vila, a igreja, a capela lá no alto do morro e o Kwanza que, por aqueles lados, corre por entre uma vegetação verde-luxuriante, num cenário idílico. Por entre a azáfama, uma voz quase imperceptível improvisa um cântico religioso. Tudo à volta pára. Uma, duas, dez, vinte vozes num kimbundu compassado e harmonioso tornam-se onda de choque sonora. O compasso é marcado por palmas. Tac, tac, tac em ampliação desmesurada, fé em estado efervescente. O gravador faz stop, acabou a gravação.


Foto daqui

“A primeira grande peregrinação à Muxima de que há registos aconteceu em 1650, quando se repôs a imagem da santa no altar-mor da igreja, vencida a invasão holandesa”, conta Mário Torres, reitor do santuário. No entanto, já antes o culto se fazia sentir naquela área, em torno de “uma antiga capela de pau-a-pique que havia numa zona que o rio entretanto tomou”. As lendas em torno do culto “são muitas”, conta o sacerdote, mas há uma que chama especial atenção: “o povo conta que esta igreja da Muxima apareceu de um dia para o outro, como por milagre.
No meu entender isso é uma forma das pessoas explicarem a forma como o culto se impôs na região que, de facto, aconteceu num espaço de 15 anos”. Mário Torres rejeita também a versão popular de a Mamã Muxima ter aparecido no local onde se ergue a capela, no alto do morro. O sacerdote assume ainda o sincretismo do culto à imagem. “A devoção à Mamã Muxima não é puramente cristã, envolve muita magia e feitiçaria. As pessoas vêem a santa como uma pessoa com muito poder, suficientemente forte para fazer o bem e mesmo o mal”, diz, explicando que o desafio passa por “atribuir um verdadeiro significado cristão ao culto, incorporando o que a tradição tem de bom”.
Este ano a romaria aconteceu mais cedo. “A acontecer no primeiro domingo de Setembro, como é normal, a peregrinação calharia dois dias depois das eleições, o que poderia colocar as pessoas entre duas opções: ou votar ou vir à Muxima. Como temos que assumir a nossa responsabilidade, resolvemos alterar a data”, explica o reitor.

[Aqui]

duo ouro negro - muxima

Wednesday, 4 July 2007

AMAZING GRACE!


What an amazing evening it was yesterday! At my son’s (much appreciated) diligence, we went to see the Soweto Gospel Choir performing at St. Paul’s Cathedral. It was a memorable event on many accounts, not least because it was my first time in St. Paul’s Cathedral – I’d been around it, had stood and sat at its doorsteps, had meals at its surroundings, but had never been inside it – mainly because for most of the time I’ve been around it (I used to work nearby) it was closed to the public.






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Asimbonanga/Biko

It was also remarkable in that the last time I’d been in a church it was at St. George’s Cathedral in Cape Town, for an operatic performance of Handel’s Messiah about one and a half years ago. I couldn’t stop myself from musing at the irony of having been to a church in South Africa for a performance of a European composer’s music and being for the first time to St. Paul’s in London for the Soweto Gospel Choir! I couldn’t avoid to notice either how, though still in huge minority, there were much more black people at St. Paul’s yesterday than there were at St. George’s…






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Lelilungelo Ngelakho

Well, I can only repeat myself: it was just amazing! The cathedral, which is at least ten times bigger than St. George’s, was filled to the brim, even with tens of extra seating places … the choir, which I hadn’t properly seen or heard before, was at what you are only left to believe it's their best performance – leaving you wondering whether they were rehearsed to the most minute pitch and previously unheard or unthought of variations of the standard soprano, alto, contralto, tenor or baritone, husky and rusty yet clear, powerful and heavenly voices, colourful intonations, polyphonic harmonies, banding and disbanding to banding all over again within the same tune, graceful gesture, thoughtful dance and minimal percussion beat, or if their outstanding performance was just enhanced by the setting: this was a cathedral after all! – something you become unequivocally aware of when back at home you play “Blessed” on your humble CD player…






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Masigiye'bo

Here’s how the performance, integrated in the City of London Festival, was presented: ’Amazing grace! (how sweet the sound)…’ One of the most instantly recognisable hymns ever created is the musical heart of this spectacular evening of solo and choral song and dance by the Soweto Gospel Choir. Following their triumph in the 2005 Festival, the Choir are warmly welcomed back to St. Paul’s Cathedral as recent Grammy Award winners for the ‘best traditional World Music’ category for their album Blessed. Their programme celebrates a double anniversary: 200 years since the parliamentary abolition of the Atlantic slave trade and 200 years since the death of Amazing Grace’s author, John Newton.*






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Thapelo

But, as soon as they start their ‘presentation’, the Choir quickly “rest assures you” that they are not up there just for Amazing Grace, which they only deliver after opening with Asimbonanga/Biko and a few other resounding numbers, including less pious traditional ‘township’ and liberation songs, to close with Oh Happy Day! And just short of two hours later, you leave the Cathedral to a clear sky night with the most profound sense that this was an evening to cherish for the rest of your life.






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Nkosi Sikelel'iAfrika

*Born in London in 1725, Newton first went to sea at the age of 11 with his father, a merchant navy commander. Press-ganged into the Royal Navy, Newton deserted and was captured, flogged, and transferred to service on a slave ship, eventually rising to command one of these himself. On 10 May 1748, at sea during a ferocious storm, he cried out ‘Lord, have mercy upon us’ – recording later in his journal that his ship was saved, and with it his own soul. Leaving the slave trade, he was ordained as a minister in 1760 and became a leading abolitionist, also writing the several hundred hymns that included Amazing Grace. Newton was rector of St. Mary Woolnoth at the heart of the City of London at the time of his death, a few months after the passing of the Abolition of the Slave Trade Act which perfectly rounded off his life’s work: he had been one of William Wilberforce most important mentors.




What an amazing evening it was yesterday! At my son’s (much appreciated) diligence, we went to see the Soweto Gospel Choir performing at St. Paul’s Cathedral. It was a memorable event on many accounts, not least because it was my first time in St. Paul’s Cathedral – I’d been around it, had stood and sat at its doorsteps, had meals at its surroundings, but had never been inside it – mainly because for most of the time I’ve been around it (I used to work nearby) it was closed to the public.






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Asimbonanga/Biko

It was also remarkable in that the last time I’d been in a church it was at St. George’s Cathedral in Cape Town, for an operatic performance of Handel’s Messiah about one and a half years ago. I couldn’t stop myself from musing at the irony of having been to a church in South Africa for a performance of a European composer’s music and being for the first time to St. Paul’s in London for the Soweto Gospel Choir! I couldn’t avoid to notice either how, though still in huge minority, there were much more black people at St. Paul’s yesterday than there were at St. George’s…






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Well, I can only repeat myself: it was just amazing! The cathedral, which is at least ten times bigger than St. George’s, was filled to the brim, even with tens of extra seating places … the choir, which I hadn’t properly seen or heard before, was at what you are only left to believe it's their best performance – leaving you wondering whether they were rehearsed to the most minute pitch and previously unheard or unthought of variations of the standard soprano, alto, contralto, tenor or baritone, husky and rusty yet clear, powerful and heavenly voices, colourful intonations, polyphonic harmonies, banding and disbanding to banding all over again within the same tune, graceful gesture, thoughtful dance and minimal percussion beat, or if their outstanding performance was just enhanced by the setting: this was a cathedral after all! – something you become unequivocally aware of when back at home you play “Blessed” on your humble CD player…






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Masigiye'bo

Here’s how the performance, integrated in the City of London Festival, was presented: ’Amazing grace! (how sweet the sound)…’ One of the most instantly recognisable hymns ever created is the musical heart of this spectacular evening of solo and choral song and dance by the Soweto Gospel Choir. Following their triumph in the 2005 Festival, the Choir are warmly welcomed back to St. Paul’s Cathedral as recent Grammy Award winners for the ‘best traditional World Music’ category for their album Blessed. Their programme celebrates a double anniversary: 200 years since the parliamentary abolition of the Atlantic slave trade and 200 years since the death of Amazing Grace’s author, John Newton.*






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Thapelo

But, as soon as they start their ‘presentation’, the Choir quickly “rest assures you” that they are not up there just for Amazing Grace, which they only deliver after opening with Asimbonanga/Biko and a few other resounding numbers, including less pious traditional ‘township’ and liberation songs, to close with Oh Happy Day! And just short of two hours later, you leave the Cathedral to a clear sky night with the most profound sense that this was an evening to cherish for the rest of your life.






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Nkosi Sikelel'iAfrika

*Born in London in 1725, Newton first went to sea at the age of 11 with his father, a merchant navy commander. Press-ganged into the Royal Navy, Newton deserted and was captured, flogged, and transferred to service on a slave ship, eventually rising to command one of these himself. On 10 May 1748, at sea during a ferocious storm, he cried out ‘Lord, have mercy upon us’ – recording later in his journal that his ship was saved, and with it his own soul. Leaving the slave trade, he was ordained as a minister in 1760 and became a leading abolitionist, also writing the several hundred hymns that included Amazing Grace. Newton was rector of St. Mary Woolnoth at the heart of the City of London at the time of his death, a few months after the passing of the Abolition of the Slave Trade Act which perfectly rounded off his life’s work: he had been one of William Wilberforce most important mentors.



Sunday, 24 June 2007

MUZONGUE' DE DOMINGO




Kiabos kyanvimba... Mesa kyambote'...
(Gastei m'bora na kitanda de Brixton, aqui na Londo'...)






Diakandumba (Bonga)





Kiabos kyanvimba... Mesa kyambote'...
(Gastei m'bora na kitanda de Brixton, aqui na Londo'...)






Diakandumba (Bonga)


Saturday, 14 April 2007

MAFIKIZOLO'S EMLANJENI

The "videotrack" to 'Caminhos do Rio', Emlanjeni, is available at the bottom of the page.

"During an event sponsored by the South African Tour Board in London, I had the honor of hearing live one of the top Pop groups from South Africa, Mafikizolo. The audience, predominantly South African, who were singing and dancing along with the group, tells you that the band is very well known and carries a strong following in South Africa. Listening to them live and watching the energy they possessed, you could understand the attraction. This genre of music is known as Kwaito, African and carries a rhythm and beat that has you tapping your fingers, swinging and dancing to the sound, which we all did on the dance floor as we cruised down the Thames. I was honored when the group presented me a copy of their current recording entitled Kwela, of which many of the songs were performed live during the event. I have had time to sit back and enjoy this recording with my favorite cuts being Kwela Kwela, Udakwa Njalo, Ndizolila, Soka Lami and Emlanjeni. This was a unique evening of sights and sounds, and I was thankful I was a part of it. You can see into a culture from their music, and this group showed a passion, energy and love for their language, people and heritage that you could hear in the music and view in the dance."

(Review taken from here)
The "videotrack" to 'Caminhos do Rio', Emlanjeni, is available at the bottom of the page.

"During an event sponsored by the South African Tour Board in London, I had the honor of hearing live one of the top Pop groups from South Africa, Mafikizolo. The audience, predominantly South African, who were singing and dancing along with the group, tells you that the band is very well known and carries a strong following in South Africa. Listening to them live and watching the energy they possessed, you could understand the attraction. This genre of music is known as Kwaito, African and carries a rhythm and beat that has you tapping your fingers, swinging and dancing to the sound, which we all did on the dance floor as we cruised down the Thames. I was honored when the group presented me a copy of their current recording entitled Kwela, of which many of the songs were performed live during the event. I have had time to sit back and enjoy this recording with my favorite cuts being Kwela Kwela, Udakwa Njalo, Ndizolila, Soka Lami and Emlanjeni. This was a unique evening of sights and sounds, and I was thankful I was a part of it. You can see into a culture from their music, and this group showed a passion, energy and love for their language, people and heritage that you could hear in the music and view in the dance."

(Review taken from here)

Wednesday, 21 March 2007

ANGOLA: SOBRE O ESTADO DA CULTURA NACIONAL

“Marito no Fundo do Poço”




Uma boa parte dos fundadores ou dos mais antigos integrantes dos «Kiezos», agrupamento musical que marcou a época de ouro do semba angolano, está a viver miseravelmente, em face das grandes privações por que passa, diante do olhar silencioso dos responsáveis do ministério da Cultura, que tinham a obrigação de os ajudar a reaver a dignidade, pelo contributo inestimável dado ao desenvolvimento do sector.

O Tony do órgão, que agora anda de muletas, está feito um «menino de rua», recolhido numa carcaça de automóvel no Marçal, ao lado da casa do falecido Santo António, o «Diminhê», um boémio da banda, falecido recentemente. O Marito, o maior solista angolano de todos os tempos, está a passar por uma grave crise existencial, andando por aí feito um andrajoso, ainda que limpo. Com algum apoio, se calhar para uma desintoxicação e outras recuperações, ainda podemos tê-lo por aí de cabeça erguida. Ao contrário, não deverá resistir muito tempo. E depois é que virão os reconhecimentos oficiais e os choros hipócritas de puros crocodilos de quem não perde ocasiões destas para aparecer na ribalta. E lá se vão os «Kiezos».

(Fonte: Semanário Angolense)


(Rumba 70 - Kiezos)

"Ministério da Cultura Desrespeita os Criadores"


Marcela Costa, distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2002, é uma mulher empreendedora que tem surpreendido o mundo cultural angolano com as suas iniciativas arrojadas, apesar das poucas receitas que tem. Proprietária da galeria Celamar, afirmou que a sua casa de cultura não tem merecido o devido reconhecimento das entidades nacionais. "O nosso projecto ainda não é valorizado, pois nunca recebemos algum valor que possibilite levar a cabo um programa anual".

Revelou que recentemente a sua galeria recebeu o equivalente a cinco mil dólares norte americanos para serem geridos em um ano, um montante insuficiente para fazer face aos projectos que tem. Fruto da forma como o seu projecto é tratado e tendo em conta a sua experiência no ramo afirmou que a verba atribuída configura um desrespeito por parte do Ministério da Cultura, sobretudo em relação a sua galeria. A responsável chamou atenção ao Ministério da Cultura, com realce para o sector de Acção Cultural, para que quando o Governo estiver a distribuir as verbas não confundir Marcela Costa com a galeria Celamar.

As bolsas de formação para os criadores não chegam ao seu destino, uma situação que também preocupa a artista, que, entretanto, não dá costas a luta, continuando a manter o intercâmbio com algumas organizações internacionais. A sua postura levou a que conseguisse trazer um grupo de formadores suecos que ministraram um curso aos criadores nacionais. A acção formativa trouxe grande experiência aos meninos que vivem em alguns lares, uma vez que tiveram a singular oportunidade de aprender novas técnicas de trabalho em artes plásticas, assim como com fotografia.

Dentre as suas vitórias consta ainda uma exposição de obras de artes plásticas, de criadoras nacionais e estrangeiras, patente na galeria Celamar, em Luanda, em alusão ao mês de Março, dedicado a mulher e enquadrado no projecto "Arte Mulher". Segundo Marcela Costa o projecto caminha na sua 4ª edição e tem como objectivo unir todas criadoras culturais, num projecto que engloba a pintura e a moda. Das obras realçam-se fotografias tiradas com máquinas feitas a base de latas de leite. As obras falam do quotidiano, de cultura e da problemática ambiental. Dentre os participantes contam-se angolanos, sul-africanos, venezuelanos, noruegueses, britânicos e suecos.

Apesar da ampla participação, Marcela Costa lamenta o facto de não contar com obras de países africanos de expressão portuguesa. "Tratando-se de um evento realizado em África, devia ser dominado por africanos", disse. Ainda assim, a mentora da exposição garante que os seus esforços visam enaltecer o talento feminino, levando em conta trabalhos de artistas consagradas na arte do belo, da poesia e da moda. As jovens e adolescentes da Associação de Apoio à Criança Abandonada (AACA) participam igualmente mostrando a sua criatividade no concernente a dança, batuque e canto, referiu.

(Fonte: Jornal Angolense)

“Marito no Fundo do Poço”




Uma boa parte dos fundadores ou dos mais antigos integrantes dos «Kiezos», agrupamento musical que marcou a época de ouro do semba angolano, está a viver miseravelmente, em face das grandes privações por que passa, diante do olhar silencioso dos responsáveis do ministério da Cultura, que tinham a obrigação de os ajudar a reaver a dignidade, pelo contributo inestimável dado ao desenvolvimento do sector.

O Tony do órgão, que agora anda de muletas, está feito um «menino de rua», recolhido numa carcaça de automóvel no Marçal, ao lado da casa do falecido Santo António, o «Diminhê», um boémio da banda, falecido recentemente. O Marito, o maior solista angolano de todos os tempos, está a passar por uma grave crise existencial, andando por aí feito um andrajoso, ainda que limpo. Com algum apoio, se calhar para uma desintoxicação e outras recuperações, ainda podemos tê-lo por aí de cabeça erguida. Ao contrário, não deverá resistir muito tempo. E depois é que virão os reconhecimentos oficiais e os choros hipócritas de puros crocodilos de quem não perde ocasiões destas para aparecer na ribalta. E lá se vão os «Kiezos».

(Fonte: Semanário Angolense)


(Rumba 70 - Kiezos)

"Ministério da Cultura Desrespeita os Criadores"


Marcela Costa, distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2002, é uma mulher empreendedora que tem surpreendido o mundo cultural angolano com as suas iniciativas arrojadas, apesar das poucas receitas que tem. Proprietária da galeria Celamar, afirmou que a sua casa de cultura não tem merecido o devido reconhecimento das entidades nacionais. "O nosso projecto ainda não é valorizado, pois nunca recebemos algum valor que possibilite levar a cabo um programa anual".

Revelou que recentemente a sua galeria recebeu o equivalente a cinco mil dólares norte americanos para serem geridos em um ano, um montante insuficiente para fazer face aos projectos que tem. Fruto da forma como o seu projecto é tratado e tendo em conta a sua experiência no ramo afirmou que a verba atribuída configura um desrespeito por parte do Ministério da Cultura, sobretudo em relação a sua galeria. A responsável chamou atenção ao Ministério da Cultura, com realce para o sector de Acção Cultural, para que quando o Governo estiver a distribuir as verbas não confundir Marcela Costa com a galeria Celamar.

As bolsas de formação para os criadores não chegam ao seu destino, uma situação que também preocupa a artista, que, entretanto, não dá costas a luta, continuando a manter o intercâmbio com algumas organizações internacionais. A sua postura levou a que conseguisse trazer um grupo de formadores suecos que ministraram um curso aos criadores nacionais. A acção formativa trouxe grande experiência aos meninos que vivem em alguns lares, uma vez que tiveram a singular oportunidade de aprender novas técnicas de trabalho em artes plásticas, assim como com fotografia.

Dentre as suas vitórias consta ainda uma exposição de obras de artes plásticas, de criadoras nacionais e estrangeiras, patente na galeria Celamar, em Luanda, em alusão ao mês de Março, dedicado a mulher e enquadrado no projecto "Arte Mulher". Segundo Marcela Costa o projecto caminha na sua 4ª edição e tem como objectivo unir todas criadoras culturais, num projecto que engloba a pintura e a moda. Das obras realçam-se fotografias tiradas com máquinas feitas a base de latas de leite. As obras falam do quotidiano, de cultura e da problemática ambiental. Dentre os participantes contam-se angolanos, sul-africanos, venezuelanos, noruegueses, britânicos e suecos.

Apesar da ampla participação, Marcela Costa lamenta o facto de não contar com obras de países africanos de expressão portuguesa. "Tratando-se de um evento realizado em África, devia ser dominado por africanos", disse. Ainda assim, a mentora da exposição garante que os seus esforços visam enaltecer o talento feminino, levando em conta trabalhos de artistas consagradas na arte do belo, da poesia e da moda. As jovens e adolescentes da Associação de Apoio à Criança Abandonada (AACA) participam igualmente mostrando a sua criatividade no concernente a dança, batuque e canto, referiu.

(Fonte: Jornal Angolense)

Friday, 16 March 2007

A PROPÓSITO DO 15 DE MARÇO

Está agendado para hoje, em Luanda, o acto central comemorativo dos 46 anos sobre a data de 15 de Março de 1961, a ser presidido por Holden Roberto, presidente da FNLA. A propósito da efeméride, aqui fica o registo de declarações prestadas à VOA por Ngola Kabangu, um dos dirigentes daquele partido.

««Sob o nome de código "A filha do senhor Nogueira casa-se no dia 15 de Março de 1961", a União das Populações de Angola (UPA) iniciava o ataque armado de maior impacto contra o sistema de dominação colonial português em Angola. Embora a propaganda hostil lhe dê um cunho racial e tribal, na opinião de Ngola Kabangu, segundo vice-presidente da FNLA, sucedânea da UPA, na verdade o ataque tinha um objectivo bem definido e dele participaram milhares de guerrilheiros:

“A luta transbordou o norte geográfico e não o norte etno-linguístico, atingiu os arredores de Luanda ali onde está a nona esquadra junto ao Roque Santeiro, ali no Asa Branca as acções dos nossos guerrilheiros se fizeram sentir. Na parte sul as acções da guerrilha chegaram a Calulo, Quibala, Libolo e iam em direcção ao planalto. A acção do 15 de Março de 1961 atingiu uma boa parte do território que hoje é Angola e foi uma acção de grande envergadura que envolveu milhares de patriotas e, por isso é que o consideramos como o início do fim do império colonial português."

"Foi a partir dos anos 50 que a União dos Povos do Norte de Angola (UPNA, antecessora da UPA), criada em 1954, começou o trabalho de consciencialização política. O inesquecível Barros Nekaka Sidney a pretexto de ir a Luanda renovar o seu bilhete de identidade contactou grandes patriotas como Víctor de Carvalho, João Viegas, Pereira Inglês, António da Costa Kimpiololo e trouxe a semente da luta e inciou um trabalho de consciencialização, cujo impulsionador foi o cónego Manuel da Neves. Todo esse engajamento de Barros Nekaka viria a ter reflexão ainda nas acções de 4 de Janeiro e 4 de Fevereiro de 1961, conformando uma jornada de luta nacional organizada do ponto de vista político e militar."

"Por isso é que nós apelamos a consciência de todos os patriotas angolanos independentemente da sua filiação política para que o 15 de Março seja proclamado feriado nacional pela Assembleia Nacional, que só vai dignificar o povo angolano, só vai respeitar a história, só vai transmitir uma mensagem positiva às gerações vindouras".»»

(Foto: Capa de "Angola Freedom Songs - UPA Fighters", Smithonian Folkway Records, 1962)
Está agendado para hoje, em Luanda, o acto central comemorativo dos 46 anos sobre a data de 15 de Março de 1961, a ser presidido por Holden Roberto, presidente da FNLA. A propósito da efeméride, aqui fica o registo de declarações prestadas à VOA por Ngola Kabangu, um dos dirigentes daquele partido.

««Sob o nome de código "A filha do senhor Nogueira casa-se no dia 15 de Março de 1961", a União das Populações de Angola (UPA) iniciava o ataque armado de maior impacto contra o sistema de dominação colonial português em Angola. Embora a propaganda hostil lhe dê um cunho racial e tribal, na opinião de Ngola Kabangu, segundo vice-presidente da FNLA, sucedânea da UPA, na verdade o ataque tinha um objectivo bem definido e dele participaram milhares de guerrilheiros:

“A luta transbordou o norte geográfico e não o norte etno-linguístico, atingiu os arredores de Luanda ali onde está a nona esquadra junto ao Roque Santeiro, ali no Asa Branca as acções dos nossos guerrilheiros se fizeram sentir. Na parte sul as acções da guerrilha chegaram a Calulo, Quibala, Libolo e iam em direcção ao planalto. A acção do 15 de Março de 1961 atingiu uma boa parte do território que hoje é Angola e foi uma acção de grande envergadura que envolveu milhares de patriotas e, por isso é que o consideramos como o início do fim do império colonial português."

"Foi a partir dos anos 50 que a União dos Povos do Norte de Angola (UPNA, antecessora da UPA), criada em 1954, começou o trabalho de consciencialização política. O inesquecível Barros Nekaka Sidney a pretexto de ir a Luanda renovar o seu bilhete de identidade contactou grandes patriotas como Víctor de Carvalho, João Viegas, Pereira Inglês, António da Costa Kimpiololo e trouxe a semente da luta e inciou um trabalho de consciencialização, cujo impulsionador foi o cónego Manuel da Neves. Todo esse engajamento de Barros Nekaka viria a ter reflexão ainda nas acções de 4 de Janeiro e 4 de Fevereiro de 1961, conformando uma jornada de luta nacional organizada do ponto de vista político e militar."

"Por isso é que nós apelamos a consciência de todos os patriotas angolanos independentemente da sua filiação política para que o 15 de Março seja proclamado feriado nacional pela Assembleia Nacional, que só vai dignificar o povo angolano, só vai respeitar a história, só vai transmitir uma mensagem positiva às gerações vindouras".»»

(Foto: Capa de "Angola Freedom Songs - UPA Fighters", Smithonian Folkway Records, 1962)

Sunday, 4 February 2007

4 de FEVEREIRO

Para assinalar o 4 de Fevereiro parece particularmente apropriado acrescentar hoje ‘a ‘playlist’ dos Kiezos o Milhorro’. "Milhorro’ foi escrito por Abel Murrimba (“Murrimba Show”) em 1961, num botequim do Marçal. Milhorro’ e’ giria para melhorar: Angola tem que melhorar. “Vão se embora” – subentendido, os colonialistas – “isto assim não pode ser.” A versão de 61 tambem falava dos arrarakuaras, a policia indigena criada para fazer rusgas nos bairros. Quando os Kiezos lançaram esta musica em 1972, foram interpelados no salão do Batalha pela Pide. Murrimba Show teve que inventar uma explicação: o convite a irem-se embora era dirigido ao Cabinda Ritmos que fazia muito sucesso em Luanda, lhes roubando publico e namoradas. Milhorro', tocado a boa maneira dos Kiezos, foi um grande sucesso."*

Entretanto...

Governo de Luanda anula acto alusivo ao 4 de Fevereiro

O governo da província de Luanda decidiu anular a realização do acto político alusivo ao 46º aniversário do início da luta armada, que deveria ser realizado hoje no Marco Histórico do 4 de Fevereiro, no município do Cazenga.
De acordo com uma nota de imprensa emitida pelo governo de Luanda, a anulação da realização do acto político se deve ao momento actual de consternação dos luandenses, provocada pelas consequências das últimas enxurradas que se abateram sobre a capital, e ao estado degradante das vias de acesso ao Marco Histórico.
O acto anulado constava do programa das comemorações do 46º aniversário do início da luta armada, o qual , entretanto, mantém a homenagem aos heróis desta proeza nacionalista. A homenagem consistirá na deposição, às nove horas, de coroas de flores nos túmulos dos comandantes Paiva Domingos da Silva e Imperial Santana e do cónego Manuel das Neves, no Cemitério do Alto das Cruzes.
Do referido programa mantém-se igualmente a cerimónia de lançamento do livro “Angola-ontem e hoje-cronologia de passos rumo à libertação nacional”, do escritor António Cortez, na Liga Africana.

Fonte: Jornal de Angola

Foto: Monumento ao 4 de Fevereiro, Luanda (Angola Press)

*(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)
Para assinalar o 4 de Fevereiro parece particularmente apropriado acrescentar hoje ‘a ‘playlist’ dos Kiezos o Milhorro’. "Milhorro’ foi escrito por Abel Murrimba (“Murrimba Show”) em 1961, num botequim do Marçal. Milhorro’ e’ giria para melhorar: Angola tem que melhorar. “Vão se embora” – subentendido, os colonialistas – “isto assim não pode ser.” A versão de 61 tambem falava dos arrarakuaras, a policia indigena criada para fazer rusgas nos bairros. Quando os Kiezos lançaram esta musica em 1972, foram interpelados no salão do Batalha pela Pide. Murrimba Show teve que inventar uma explicação: o convite a irem-se embora era dirigido ao Cabinda Ritmos que fazia muito sucesso em Luanda, lhes roubando publico e namoradas. Milhorro', tocado a boa maneira dos Kiezos, foi um grande sucesso."*

Entretanto...

Governo de Luanda anula acto alusivo ao 4 de Fevereiro

O governo da província de Luanda decidiu anular a realização do acto político alusivo ao 46º aniversário do início da luta armada, que deveria ser realizado hoje no Marco Histórico do 4 de Fevereiro, no município do Cazenga.
De acordo com uma nota de imprensa emitida pelo governo de Luanda, a anulação da realização do acto político se deve ao momento actual de consternação dos luandenses, provocada pelas consequências das últimas enxurradas que se abateram sobre a capital, e ao estado degradante das vias de acesso ao Marco Histórico.
O acto anulado constava do programa das comemorações do 46º aniversário do início da luta armada, o qual , entretanto, mantém a homenagem aos heróis desta proeza nacionalista. A homenagem consistirá na deposição, às nove horas, de coroas de flores nos túmulos dos comandantes Paiva Domingos da Silva e Imperial Santana e do cónego Manuel das Neves, no Cemitério do Alto das Cruzes.
Do referido programa mantém-se igualmente a cerimónia de lançamento do livro “Angola-ontem e hoje-cronologia de passos rumo à libertação nacional”, do escritor António Cortez, na Liga Africana.

Fonte: Jornal de Angola

Foto: Monumento ao 4 de Fevereiro, Luanda (Angola Press)

*(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)

Friday, 2 February 2007

WHAT'S (REALLY) NEW

Hoje (ou antes, ontem), este blog assinalou um “marco historico”! Exactamente… Pela primeira vez desde que me meti nesta aventura, me foi possivel tecnicamente colocar aqui a minha propria musica. (But, don’t get me wrong: my Miles’s, Coltrane’s, Marsalis’s, Hancock’s and many others that have passed, or are still around here, continue very much to be my cherished pearls! In fact, from now on, I’ll be able to play the tracks that I most love from them out of my own CDs…).


E, para assinalar condignamente esse “marco historico”, a “estreia” e’ feita pelos Kiezos (Rumba 70), seguidos pelos Gingas (Lamento) in 'Spirited Sounds'.

BREVE INTRODUÇÃO:
Os Kiezos
Os Kiezos foram criados em 1964, por jovens do bairro Marçal. Tornou-se um dos conjuntos mais famosos e mais caracteristicos da capital. O ritmo dos Kiezos e’ inconfundivel: muito acelerado, rijo, enraizado no carnaval do musseque.

O Semba

O semba e’ de Luanda. Faz parte do sentimento e da expressividade dos Luandenses. Reflecte o seu andar cadenciado, a sua linguagem musical e a sua forma de estar no universo. A palavra semba vem da massemba da dança rebita. Foi a partir dessa referencia ritmica e melodica que os conjuntos luandenses forjaram o semba moderno. Cada bairro tinha um estilo, um som e uma batida proprios, so’ um ouvido muito apurado e atento, ou um bom passista os conseguia distinguir. As letras, muitas vezes da autoria dos cantores, cronicavam cenas da vida do bairro – rivalidades amorosas, ciumes e invejas – criticando os comportamentos familiares e sociais. Mas semba e’ antes de tudo dança, um dos grandes prazeres dos Luandenses.

Origens

Esse ritmo sensual, quente e cadenciado, e’ a fusao de ritmos de Angola e de outros do exterior. As varias adaptações e conjugações das danças de carnaval – kazukuta, kabetula, kabuko, maringa, dizanda – definem os diversos estilos de sembas. A criatividade ritmica, melodica e harmonica, assim como a evolução da instrumentação firmaram as bases do semba dos anos 70.

Instrumentos

Os grupos tinham percussões tradicionais e violas. Os tambores, ngomas, feitos num barril de vinho ou num tronco de arvore com peles de animais, foram substituidos por tumbas e, em vez de dois tamboristas, um a fazer grave, outro agudo, tinha um so’, com tres tumbas. Os bongos, pequenos tambores em tripe’ tocados com baguetes, substituiram as caixas tradicionais. Desapareceram progressivamente a puita (cuica) e o bate-bate (cana tocada com uma baguete e batida no chão). A dikanza (reco-reco) tem resistido mas e’ substituida hoje pelos pratos da bateria.

Ligações

Entre varias outras, a ligação com o Brasil vem do Imperio Portugues e do intenso trafico de escravos entre as duas colonias – varios milhões de angolanos foram desterrados para o Brasil nos seculos XVII e XVIII. As danças afro-brasileiras que deram forma ao samba teem muito em comum com as raizes tradicionais do semba.

Evolução

A viola – artesanal com caixa de chapa, violão acustico ou viola electrica – tem sido o instrumento fundamental da evolução do semba. Duia, dos Gingas, foi um dos primeiros grandes solistas. Marito (o de camisa cor-de-rosa no slide show), um dos fundadores dos Kiezos (Vassouras) aprendeu a tocar com Duia, criando depois o seu estilo proprio. Era muito expressivo, fazia caretas e dançava. Nestes primeiros anos de 70, o miolo da estrutura do semba e’ dado pela viola ritmica e pelo baixo. Este, que antes era de seis cordas, e’ substituido por um de quatro. Os teclados e os sopros foram se generalizando a partir do final dos anos 70.

Legado

O semba dos anos 70 tem sido um modelo, uma referencia historica e uma bandeira identitaria. E’ multiplo e diverso e ainda transformado pela criatividade de varias gerações.


(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)

Hoje (ou antes, ontem), este blog assinalou um “marco historico”! Exactamente… Pela primeira vez desde que me meti nesta aventura, me foi possivel tecnicamente colocar aqui a minha propria musica. (But, don’t get me wrong: my Miles’s, Coltrane’s, Marsalis’s, Hancock’s and many others that have passed, or are still around here, continue very much to be my cherished pearls! In fact, from now on, I’ll be able to play the tracks that I most love from them out of my own CDs…).


E, para assinalar condignamente esse “marco historico”, a “estreia” e’ feita pelos Kiezos (Rumba 70), seguidos pelos Gingas (Lamento) in 'Spirited Sounds'.

BREVE INTRODUÇÃO:
Os Kiezos
Os Kiezos foram criados em 1964, por jovens do bairro Marçal. Tornou-se um dos conjuntos mais famosos e mais caracteristicos da capital. O ritmo dos Kiezos e’ inconfundivel: muito acelerado, rijo, enraizado no carnaval do musseque.

O Semba

O semba e’ de Luanda. Faz parte do sentimento e da expressividade dos Luandenses. Reflecte o seu andar cadenciado, a sua linguagem musical e a sua forma de estar no universo. A palavra semba vem da massemba da dança rebita. Foi a partir dessa referencia ritmica e melodica que os conjuntos luandenses forjaram o semba moderno. Cada bairro tinha um estilo, um som e uma batida proprios, so’ um ouvido muito apurado e atento, ou um bom passista os conseguia distinguir. As letras, muitas vezes da autoria dos cantores, cronicavam cenas da vida do bairro – rivalidades amorosas, ciumes e invejas – criticando os comportamentos familiares e sociais. Mas semba e’ antes de tudo dança, um dos grandes prazeres dos Luandenses.

Origens

Esse ritmo sensual, quente e cadenciado, e’ a fusao de ritmos de Angola e de outros do exterior. As varias adaptações e conjugações das danças de carnaval – kazukuta, kabetula, kabuko, maringa, dizanda – definem os diversos estilos de sembas. A criatividade ritmica, melodica e harmonica, assim como a evolução da instrumentação firmaram as bases do semba dos anos 70.

Instrumentos

Os grupos tinham percussões tradicionais e violas. Os tambores, ngomas, feitos num barril de vinho ou num tronco de arvore com peles de animais, foram substituidos por tumbas e, em vez de dois tamboristas, um a fazer grave, outro agudo, tinha um so’, com tres tumbas. Os bongos, pequenos tambores em tripe’ tocados com baguetes, substituiram as caixas tradicionais. Desapareceram progressivamente a puita (cuica) e o bate-bate (cana tocada com uma baguete e batida no chão). A dikanza (reco-reco) tem resistido mas e’ substituida hoje pelos pratos da bateria.

Ligações

Entre varias outras, a ligação com o Brasil vem do Imperio Portugues e do intenso trafico de escravos entre as duas colonias – varios milhões de angolanos foram desterrados para o Brasil nos seculos XVII e XVIII. As danças afro-brasileiras que deram forma ao samba teem muito em comum com as raizes tradicionais do semba.

Evolução

A viola – artesanal com caixa de chapa, violão acustico ou viola electrica – tem sido o instrumento fundamental da evolução do semba. Duia, dos Gingas, foi um dos primeiros grandes solistas. Marito (o de camisa cor-de-rosa no slide show), um dos fundadores dos Kiezos (Vassouras) aprendeu a tocar com Duia, criando depois o seu estilo proprio. Era muito expressivo, fazia caretas e dançava. Nestes primeiros anos de 70, o miolo da estrutura do semba e’ dado pela viola ritmica e pelo baixo. Este, que antes era de seis cordas, e’ substituido por um de quatro. Os teclados e os sopros foram se generalizando a partir do final dos anos 70.

Legado

O semba dos anos 70 tem sido um modelo, uma referencia historica e uma bandeira identitaria. E’ multiplo e diverso e ainda transformado pela criatividade de varias gerações.


(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)

Tuesday, 30 January 2007

KONGO MUSIK IN SPIRITED SOUNDS


IN MEMORIUM
(23/01/1993)


***


The collection Prophet, devoted to traditional music from all over the world is principally constituted of recordings and photographs made by Charles Duvelle* in the course of the past forty years. They are mostly original recordings that have never been released “in extenso”, with the exception of a few issued on records now long unavailable. Despite the age of some recordings of performers no longer alive, the sound quality (an essential aspect, naturally, as far as music is concerned) is still high, thanks to the use of high quality equipment and the versatility of the sound recording techniques, adapted to the particular conditions of orally transmitted music, i.e. performers moving about (singer-dancers), the hazards of the open-air (wind and other extraneous noises), a care for the spontaneity of the performers and the inevitably unique situation of each musical performance (the idea of rehearsing for a definitive performance is ruled out). Prophet claims to be different from other collections of world music by virtue of its exacting standards of authenticity and musical quality.


Musical authenticity: recorded live, in a traditional local environment, generally on a particular occasion and not in a lifeless studio or on a stage;
Acustic authenticity: the acoustic environment (fundamental for the quality of the sound reproduction) is carefully respected. A cathedral organ without its natural reverberation would lose a great deal of its force, and, conversely, open-air music played within a hall would forfeit an important part of its acoustic specificity;
Temporal authenticity: as far as possible, the actual duration of the musical performance is taken into account; the listener is in a genuine temporal dimension (hence some long tracks) and not just presented with a sampling of short extracts. The impression of monotony that often arises from listening to a relatively long piece gives way, after a while, to a richer and more intense level of perception.

*Composer, pianist and musicologist, Charles Duvelle is a pioneer recorder and publisher of traditional music. The founder and director of the Ocora collection, he has effected, over a period of some four decades, many recordings and photographs of music and dance in different regions of the world. His publications have earned him several awards both in France and abroad, notably the Grands Prix of the Academie du Disque Francais, of the Academie Charles Cros, of the Institut de Musicologie and the Premier Prix of the first World Festival of Negro Art. His favourite area is African music, of which he is one of the finest specialists.

***



THE SONGS
(All recorded in 1966 at various locations in the Bakongo Region)




Track 01 Malaki

Nkento wa lembo mwana (when a woman has no child, she can sleep soundly) is played during a malaki, a ceremonial cessation of mourning that usually takes place three or four years after the death. The matanga, on the other hand, is a different celebration, taking place only five or six months after death. The soloist, Albert Moupepe, known as spring (the spiral sort), is answered by a male chorus accompanied by the following instrumental ensemble: several bitsatsa, rattles made from tin cans (shaken by the singers); a mother-drum ngoma-nguidi, the skin fixed by nails, played by Vindu; a child-drum (smaller than the preceding) ngoma-mwana, played by Matoumpama. The bwanga is performed by dancing couples.



Track 02 Complaint

Gabriel Bassoumba sings a lament, in the course of which he says, “I should rather be a beetle than a man. Nobody disturbs the beetle when he is up a palm tree, and his carapace protects him. Everyone has a family, but not I. One day I shall end up devoured by jackals.” He accompanies himself on the nsambi kinzonzolo, a five-stringed raffia bow lute.



Track 03 Wara

Genevieve Mpofo sings on the theme of the childless woman who can sleep soundly. She sings in alternation with a mixed chorus, and is accompanied by an instrumental ensemble comprising: a single skin ngoma-ngudi mother drum; a ngoma-mwana child drum, smaller than the preceding.


Track 04 Massikulu

Longo wa longo is the title of this massikulu, a type of music played solely on the death of a notability. The orchestra consists of: seven horizontal ivory horns, covered with rattan weaving, some of them also having a cylindrical wooden bell (in order of decreasing size: 1 vunda, 1 landi, 1 sasa, 2 tangui, 2 zenze); one bugle; two double-skin kettledrums. Almost spherical in form, each kettledrum comprises a wooden body, the opening of which is covered by an antelope skin, stretched by real rattan weaving enclosing almost the whole body of the instrument and joined at the other extremity to a second, smaller antelope skin covering the lower part of the kettledrum. Of slightly different sizes, the kettledrums are called sikulu (the master, with the higher pitch) and tuta (with the lower pitch).
The first part is played by the instrumental ensemble and is followed by a passage sung by the men accompanied by drums and hand-clapping. A final instrumental section precedes another vocal passage.



Track 05 Song and Nsambi

Thomas Sissia sings with three other men and accompanies himself on the nsambi, a bow lute with four liana strings. The other accompanying instruments are a tsatsa tin-can rattle, and a bottle that is struck with a stick (replacing the old nongi double bell), to which are added hand-clapping and a whistle.
This is the story of a priest who, while preaching virtue, has slept with a woman and made her pregnant: “what is the point of preaching if one does not do as one recommends to others?”



Track 06 Bulombi

Music in the ngoma ntela style (literally, drums played upright), bulombi (blackness) is performed on the occasion of a malaki, a cessation of mourning. A male voice intones the first phrase while a mixed chorus responds, accompanied by a group of drums and kitsatsa tin-can rattles. The main drum, called ngoudi (mother), is roughly cylindrical, its upper part being covered with a skin held in place with wooden nails, and its lower part partly blocked by the cut of the cask (the diameter of the opening is about half that of the upper section). The centre of the membrane is covered with a wax paste that serves to regulate, by its greater or lesser weight, the vibrating frequency of the skin. Thedrummer carries on each wrist a small, spherical rattle called ntsala, made from a gourd containing dried seeds that is transfixed by a wooden handle through which a string passes. During performance, the seeds rattle inside the gourds, producing a continual rustling that complements the sounds of the drum. The two other drums are called ntambou. They are cylindrical, with nailed skins, but have no wax in the centre of the membrane.



Track 07 Bi Witi

Bi-witi is music rarely heard today. It was not possible to determine the precise meaning of this music, or the circumstances in which it is traditionally played. It is apparently linked to ancestor worship and, according to some, to funerary rites. The ensemble consists of six horns, four of which represent a person: mampongui-nguembo (the father), nsoni-boungu (the mother), lembe-nsoni (the daughter), mpandi-nsoni (the son). Each horn is sculpted from the block, the air column being inside the part representing the body; the mouthpiece is situated in the back, between the two arms. The first three horns are held vertically, the fourth (mpandi-nsoni) horizontally. The two other horns are horizontal, made from the roots of the wild flame tree. They are of different sizes, the larger being mpolomono, the other kinku.




(NB: This post is to be 'reconstructed' soon)


IN MEMORIUM
(23/01/1993)


***


The collection Prophet, devoted to traditional music from all over the world is principally constituted of recordings and photographs made by Charles Duvelle* in the course of the past forty years. They are mostly original recordings that have never been released “in extenso”, with the exception of a few issued on records now long unavailable. Despite the age of some recordings of performers no longer alive, the sound quality (an essential aspect, naturally, as far as music is concerned) is still high, thanks to the use of high quality equipment and the versatility of the sound recording techniques, adapted to the particular conditions of orally transmitted music, i.e. performers moving about (singer-dancers), the hazards of the open-air (wind and other extraneous noises), a care for the spontaneity of the performers and the inevitably unique situation of each musical performance (the idea of rehearsing for a definitive performance is ruled out). Prophet claims to be different from other collections of world music by virtue of its exacting standards of authenticity and musical quality.


Musical authenticity: recorded live, in a traditional local environment, generally on a particular occasion and not in a lifeless studio or on a stage;
Acustic authenticity: the acoustic environment (fundamental for the quality of the sound reproduction) is carefully respected. A cathedral organ without its natural reverberation would lose a great deal of its force, and, conversely, open-air music played within a hall would forfeit an important part of its acoustic specificity;
Temporal authenticity: as far as possible, the actual duration of the musical performance is taken into account; the listener is in a genuine temporal dimension (hence some long tracks) and not just presented with a sampling of short extracts. The impression of monotony that often arises from listening to a relatively long piece gives way, after a while, to a richer and more intense level of perception.

*Composer, pianist and musicologist, Charles Duvelle is a pioneer recorder and publisher of traditional music. The founder and director of the Ocora collection, he has effected, over a period of some four decades, many recordings and photographs of music and dance in different regions of the world. His publications have earned him several awards both in France and abroad, notably the Grands Prix of the Academie du Disque Francais, of the Academie Charles Cros, of the Institut de Musicologie and the Premier Prix of the first World Festival of Negro Art. His favourite area is African music, of which he is one of the finest specialists.

***



THE SONGS
(All recorded in 1966 at various locations in the Bakongo Region)




Track 01 Malaki

Nkento wa lembo mwana (when a woman has no child, she can sleep soundly) is played during a malaki, a ceremonial cessation of mourning that usually takes place three or four years after the death. The matanga, on the other hand, is a different celebration, taking place only five or six months after death. The soloist, Albert Moupepe, known as spring (the spiral sort), is answered by a male chorus accompanied by the following instrumental ensemble: several bitsatsa, rattles made from tin cans (shaken by the singers); a mother-drum ngoma-nguidi, the skin fixed by nails, played by Vindu; a child-drum (smaller than the preceding) ngoma-mwana, played by Matoumpama. The bwanga is performed by dancing couples.



Track 02 Complaint

Gabriel Bassoumba sings a lament, in the course of which he says, “I should rather be a beetle than a man. Nobody disturbs the beetle when he is up a palm tree, and his carapace protects him. Everyone has a family, but not I. One day I shall end up devoured by jackals.” He accompanies himself on the nsambi kinzonzolo, a five-stringed raffia bow lute.



Track 03 Wara

Genevieve Mpofo sings on the theme of the childless woman who can sleep soundly. She sings in alternation with a mixed chorus, and is accompanied by an instrumental ensemble comprising: a single skin ngoma-ngudi mother drum; a ngoma-mwana child drum, smaller than the preceding.


Track 04 Massikulu

Longo wa longo is the title of this massikulu, a type of music played solely on the death of a notability. The orchestra consists of: seven horizontal ivory horns, covered with rattan weaving, some of them also having a cylindrical wooden bell (in order of decreasing size: 1 vunda, 1 landi, 1 sasa, 2 tangui, 2 zenze); one bugle; two double-skin kettledrums. Almost spherical in form, each kettledrum comprises a wooden body, the opening of which is covered by an antelope skin, stretched by real rattan weaving enclosing almost the whole body of the instrument and joined at the other extremity to a second, smaller antelope skin covering the lower part of the kettledrum. Of slightly different sizes, the kettledrums are called sikulu (the master, with the higher pitch) and tuta (with the lower pitch).
The first part is played by the instrumental ensemble and is followed by a passage sung by the men accompanied by drums and hand-clapping. A final instrumental section precedes another vocal passage.



Track 05 Song and Nsambi

Thomas Sissia sings with three other men and accompanies himself on the nsambi, a bow lute with four liana strings. The other accompanying instruments are a tsatsa tin-can rattle, and a bottle that is struck with a stick (replacing the old nongi double bell), to which are added hand-clapping and a whistle.
This is the story of a priest who, while preaching virtue, has slept with a woman and made her pregnant: “what is the point of preaching if one does not do as one recommends to others?”



Track 06 Bulombi

Music in the ngoma ntela style (literally, drums played upright), bulombi (blackness) is performed on the occasion of a malaki, a cessation of mourning. A male voice intones the first phrase while a mixed chorus responds, accompanied by a group of drums and kitsatsa tin-can rattles. The main drum, called ngoudi (mother), is roughly cylindrical, its upper part being covered with a skin held in place with wooden nails, and its lower part partly blocked by the cut of the cask (the diameter of the opening is about half that of the upper section). The centre of the membrane is covered with a wax paste that serves to regulate, by its greater or lesser weight, the vibrating frequency of the skin. Thedrummer carries on each wrist a small, spherical rattle called ntsala, made from a gourd containing dried seeds that is transfixed by a wooden handle through which a string passes. During performance, the seeds rattle inside the gourds, producing a continual rustling that complements the sounds of the drum. The two other drums are called ntambou. They are cylindrical, with nailed skins, but have no wax in the centre of the membrane.



Track 07 Bi Witi

Bi-witi is music rarely heard today. It was not possible to determine the precise meaning of this music, or the circumstances in which it is traditionally played. It is apparently linked to ancestor worship and, according to some, to funerary rites. The ensemble consists of six horns, four of which represent a person: mampongui-nguembo (the father), nsoni-boungu (the mother), lembe-nsoni (the daughter), mpandi-nsoni (the son). Each horn is sculpted from the block, the air column being inside the part representing the body; the mouthpiece is situated in the back, between the two arms. The first three horns are held vertically, the fourth (mpandi-nsoni) horizontally. The two other horns are horizontal, made from the roots of the wild flame tree. They are of different sizes, the larger being mpolomono, the other kinku.




(NB: This post is to be 'reconstructed' soon)