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Sunday, 14 March 2010

Just Poetry (XIII)

Criação

Crê-se que Deus
maior artista de todos os tempos
e céus
criou
entre outros seres
os humanos
[esses que vivem, morrem e são]
numa simples, mas precisa
mística operação
de barros, sopros e ceres
em dias prenhes de mistérios
num ritual labor
de água, sangue e pão.

E assim o terá feito
por uma simples razão:
que suas criações
fossem entendidas
tanto em prosas como em versos
entre outros seres
pelos evolucionistas
[esses que pensam, formulam e teorizam]
de todas as gerações
e universos.

E assim
simples e misteriosamente
o são.

A.S.



Escultura de autor anonimo, obtida a beira de uma estrada poeirenta do Botswana, nas coordenadas 23°26′S 20°0′E / 23.433°S do Tropico de Capricornio: a fronteira mais a sul da zona torrida dos tropicos, e a latitude mais austral em que o sol brilha directamente sobre a cabeça ao meio dia.
Criação

Crê-se que Deus
maior artista de todos os tempos
e céus
criou
entre outros seres
os humanos
[esses que vivem, morrem e são]
numa simples, mas precisa
mística operação
de barros, sopros e ceres
em dias prenhes de mistérios
num ritual labor
de água, sangue e pão.

E assim o terá feito
por uma simples razão:
que suas criações
fossem entendidas
tanto em prosas como em versos
entre outros seres
pelos evolucionistas
[esses que pensam, formulam e teorizam]
de todas as gerações
e universos.

E assim
simples e misteriosamente
o são.

A.S.



Escultura de autor anonimo, obtida a beira de uma estrada poeirenta do Botswana, nas coordenadas 23°26′S 20°0′E / 23.433°S do Tropico de Capricornio: a fronteira mais a sul da zona torrida dos tropicos, e a latitude mais austral em que o sol brilha directamente sobre a cabeça ao meio dia.

Tuesday, 2 September 2008

MUXIMA

As velas mexem-se freneticamente e traçam rabiscos breves de luz na noite escura. As vozes modulam-se em êxtase. De repente, enquanto escrevem a minha morada numa folha encardida, ela chega. Sem aviso prévio, e elevada sobre a multidão, a Mamã Muxima surge a contraluz no lado esquerdo da porta. Em segundos, percorre todo o meu ecrã imaginário e desaparece pelo canto direito. Sem tempo de pedir um desejo, ela continua o seu percurso fora do meu ângulo de visão, do lado de lá da fronteira que divide a prisão da liberdade.

Ao lado, no “banco dos suspeitos”, a polícia passa a pente fino tudo o que o gravador e a máquina fotográfica registaram ao longo do dia. Os “flashes” passam ao lado do agente, que nem repara naquela mais-velha da fotografia. As lágrimas correm-lhe pela cara, seguindo os sulcos das rugas vincadas na pele negra. Chora em silêncio, braços ao alto, joelhos empoeirados pregados no chão. Esgar de prece e de dor, olhos fechados que apontam o altar de onde a Mamã Muxima tudo contempla, tudo acolhe. E as imagens sucedem-se, inocentes: O fumo dos fogareiros e das pequenas fogueiras mistura-se com a névoa de poeira fina. A maior parte dos peregrinos traz os alimentos, prontos a cozinhar. Outros não. Para estes, uma série de barracas pontilha a Muxima com o aval das autoridades terrenas da vila-santuário. Vêm de Luanda à procura de lucro e da bênção. Para que o negócio corra bem, para que os investimentos sejam superados, para que, no regresso a casa, os Hiaces que pagaram a peso de ouro não se despistem. Alguns não têm sorte. As carcaças ao longo da estrada entre Sangano e a Muxima deixam adivinhar finais infelizes. Avança a busca na máquina fotográfica e surge a multidão entre as barracas improvisadas e os panos que cobrem o chão, que servirão de cama quando a noite fresca do fim do cacimbo à beira Kwanza chegar.
Jovens, velhos, menos jovens, homens, mulheres, muitas mulheres caminham, tropeçam, cruzam-se, dançam, vão, regressam, sentamse, deitam-se, levantam-se, curvam-se, ajoelham-se, rezam, existem. “Mamã Muxima Rogai por Nós” estampado nas t-shirts brancas da maior parte dos peregrinos. A rodear a cintura e a cobrir a cabeça, panos tradicionais com a santa estampada de todas as formas e feitios. A massa humana é um caleidoscópio de cores.

Com o gravador encostado ao ouvido, para abafar o som que vem lá de fora, a polícia ouve o apelo do Frei Lukonda, na celebração penitencial: “A Paz foi um grande sacrifício. Paz não é só o calar das armas, é preciso desarmar as mentes”. A gravação digital avança e dá voz aos anseios do povo: “Peço para que a Mamã Muxima me arranje noivo”; “Quero que a Mamã tire o meu irmão e o meu noivo da droga”; “Só peço à Mamã Muxima que traga paz a Angola”. Por fim, a fé dos peregrinos: “A Mamã Muxima para mim é tudo, é uma irmã, uma amiga, uma companheira”; “A Mamã Muxima é a minha luz, é o meu Deus”; “A Mamã Muxima nunca me abandonou, sempre esteve comigo durante a vida”. “Irmão” e “Irmã” são palavras-refrão, no meu gravador. Os sorrisos são constantes, os abraços multiplicam-se, mesmo entre desconhecidos.
Vive-se uma espécie de estado de graça na Muxima que envolve os peregrinos, o casario velho da vila, a igreja, a capela lá no alto do morro e o Kwanza que, por aqueles lados, corre por entre uma vegetação verde-luxuriante, num cenário idílico. Por entre a azáfama, uma voz quase imperceptível improvisa um cântico religioso. Tudo à volta pára. Uma, duas, dez, vinte vozes num kimbundu compassado e harmonioso tornam-se onda de choque sonora. O compasso é marcado por palmas. Tac, tac, tac em ampliação desmesurada, fé em estado efervescente. O gravador faz stop, acabou a gravação.


Foto daqui

“A primeira grande peregrinação à Muxima de que há registos aconteceu em 1650, quando se repôs a imagem da santa no altar-mor da igreja, vencida a invasão holandesa”, conta Mário Torres, reitor do santuário. No entanto, já antes o culto se fazia sentir naquela área, em torno de “uma antiga capela de pau-a-pique que havia numa zona que o rio entretanto tomou”. As lendas em torno do culto “são muitas”, conta o sacerdote, mas há uma que chama especial atenção: “o povo conta que esta igreja da Muxima apareceu de um dia para o outro, como por milagre.
No meu entender isso é uma forma das pessoas explicarem a forma como o culto se impôs na região que, de facto, aconteceu num espaço de 15 anos”. Mário Torres rejeita também a versão popular de a Mamã Muxima ter aparecido no local onde se ergue a capela, no alto do morro. O sacerdote assume ainda o sincretismo do culto à imagem. “A devoção à Mamã Muxima não é puramente cristã, envolve muita magia e feitiçaria. As pessoas vêem a santa como uma pessoa com muito poder, suficientemente forte para fazer o bem e mesmo o mal”, diz, explicando que o desafio passa por “atribuir um verdadeiro significado cristão ao culto, incorporando o que a tradição tem de bom”.
Este ano a romaria aconteceu mais cedo. “A acontecer no primeiro domingo de Setembro, como é normal, a peregrinação calharia dois dias depois das eleições, o que poderia colocar as pessoas entre duas opções: ou votar ou vir à Muxima. Como temos que assumir a nossa responsabilidade, resolvemos alterar a data”, explica o reitor.

[Aqui]

duo ouro negro - muxima
As velas mexem-se freneticamente e traçam rabiscos breves de luz na noite escura. As vozes modulam-se em êxtase. De repente, enquanto escrevem a minha morada numa folha encardida, ela chega. Sem aviso prévio, e elevada sobre a multidão, a Mamã Muxima surge a contraluz no lado esquerdo da porta. Em segundos, percorre todo o meu ecrã imaginário e desaparece pelo canto direito. Sem tempo de pedir um desejo, ela continua o seu percurso fora do meu ângulo de visão, do lado de lá da fronteira que divide a prisão da liberdade.

Ao lado, no “banco dos suspeitos”, a polícia passa a pente fino tudo o que o gravador e a máquina fotográfica registaram ao longo do dia. Os “flashes” passam ao lado do agente, que nem repara naquela mais-velha da fotografia. As lágrimas correm-lhe pela cara, seguindo os sulcos das rugas vincadas na pele negra. Chora em silêncio, braços ao alto, joelhos empoeirados pregados no chão. Esgar de prece e de dor, olhos fechados que apontam o altar de onde a Mamã Muxima tudo contempla, tudo acolhe. E as imagens sucedem-se, inocentes: O fumo dos fogareiros e das pequenas fogueiras mistura-se com a névoa de poeira fina. A maior parte dos peregrinos traz os alimentos, prontos a cozinhar. Outros não. Para estes, uma série de barracas pontilha a Muxima com o aval das autoridades terrenas da vila-santuário. Vêm de Luanda à procura de lucro e da bênção. Para que o negócio corra bem, para que os investimentos sejam superados, para que, no regresso a casa, os Hiaces que pagaram a peso de ouro não se despistem. Alguns não têm sorte. As carcaças ao longo da estrada entre Sangano e a Muxima deixam adivinhar finais infelizes. Avança a busca na máquina fotográfica e surge a multidão entre as barracas improvisadas e os panos que cobrem o chão, que servirão de cama quando a noite fresca do fim do cacimbo à beira Kwanza chegar.
Jovens, velhos, menos jovens, homens, mulheres, muitas mulheres caminham, tropeçam, cruzam-se, dançam, vão, regressam, sentamse, deitam-se, levantam-se, curvam-se, ajoelham-se, rezam, existem. “Mamã Muxima Rogai por Nós” estampado nas t-shirts brancas da maior parte dos peregrinos. A rodear a cintura e a cobrir a cabeça, panos tradicionais com a santa estampada de todas as formas e feitios. A massa humana é um caleidoscópio de cores.

Com o gravador encostado ao ouvido, para abafar o som que vem lá de fora, a polícia ouve o apelo do Frei Lukonda, na celebração penitencial: “A Paz foi um grande sacrifício. Paz não é só o calar das armas, é preciso desarmar as mentes”. A gravação digital avança e dá voz aos anseios do povo: “Peço para que a Mamã Muxima me arranje noivo”; “Quero que a Mamã tire o meu irmão e o meu noivo da droga”; “Só peço à Mamã Muxima que traga paz a Angola”. Por fim, a fé dos peregrinos: “A Mamã Muxima para mim é tudo, é uma irmã, uma amiga, uma companheira”; “A Mamã Muxima é a minha luz, é o meu Deus”; “A Mamã Muxima nunca me abandonou, sempre esteve comigo durante a vida”. “Irmão” e “Irmã” são palavras-refrão, no meu gravador. Os sorrisos são constantes, os abraços multiplicam-se, mesmo entre desconhecidos.
Vive-se uma espécie de estado de graça na Muxima que envolve os peregrinos, o casario velho da vila, a igreja, a capela lá no alto do morro e o Kwanza que, por aqueles lados, corre por entre uma vegetação verde-luxuriante, num cenário idílico. Por entre a azáfama, uma voz quase imperceptível improvisa um cântico religioso. Tudo à volta pára. Uma, duas, dez, vinte vozes num kimbundu compassado e harmonioso tornam-se onda de choque sonora. O compasso é marcado por palmas. Tac, tac, tac em ampliação desmesurada, fé em estado efervescente. O gravador faz stop, acabou a gravação.


Foto daqui

“A primeira grande peregrinação à Muxima de que há registos aconteceu em 1650, quando se repôs a imagem da santa no altar-mor da igreja, vencida a invasão holandesa”, conta Mário Torres, reitor do santuário. No entanto, já antes o culto se fazia sentir naquela área, em torno de “uma antiga capela de pau-a-pique que havia numa zona que o rio entretanto tomou”. As lendas em torno do culto “são muitas”, conta o sacerdote, mas há uma que chama especial atenção: “o povo conta que esta igreja da Muxima apareceu de um dia para o outro, como por milagre.
No meu entender isso é uma forma das pessoas explicarem a forma como o culto se impôs na região que, de facto, aconteceu num espaço de 15 anos”. Mário Torres rejeita também a versão popular de a Mamã Muxima ter aparecido no local onde se ergue a capela, no alto do morro. O sacerdote assume ainda o sincretismo do culto à imagem. “A devoção à Mamã Muxima não é puramente cristã, envolve muita magia e feitiçaria. As pessoas vêem a santa como uma pessoa com muito poder, suficientemente forte para fazer o bem e mesmo o mal”, diz, explicando que o desafio passa por “atribuir um verdadeiro significado cristão ao culto, incorporando o que a tradição tem de bom”.
Este ano a romaria aconteceu mais cedo. “A acontecer no primeiro domingo de Setembro, como é normal, a peregrinação calharia dois dias depois das eleições, o que poderia colocar as pessoas entre duas opções: ou votar ou vir à Muxima. Como temos que assumir a nossa responsabilidade, resolvemos alterar a data”, explica o reitor.

[Aqui]

duo ouro negro - muxima

Monday, 14 April 2008

OBAMA VS. CLINTON: THE MOTHER OF ALL BATTLES! (11)

'THE ELITIST'!

I started mentally writing this post as I watched Hillary Clinton and Barack Obama expound on their views about faith and religion on CNN’s “Compassion Forum” last night. Apart from the points relating to inter-faith dialogue in the global arena brought in by Obama, it was mainly a domestic affair and, to be honest, faith and religion discussions, particularly in the American context, is not something I’d normally engage in. However, there was an angle to it that surely caught everybody’s interest, including mine, namely the new line of fire launched by Hillary (and McCain, but he was not present at yesterday’s forum) on Obama for saying, a few days ago, that “decades of lost jobs and unfulfilled promises from Washington have left some Pennsylvanians ‘bitter’ and clinging to guns or religion or antipathy to people who aren't like them or anti-immigrant sentiment or anti-trade sentiment as a way to explain their frustrations."


For these, by his own admission, ‘clumsy’ words, Obama is now being painted by his opponents as “out of touch with ordinary, particularly blue collar, Americans”, “patronising”, “contemptuous”, “condescending”, in short, an “elitist”! He did his best to dismiss the deliberate misconstruction of what he really meant but, of course, because it is all politically motivated, it will be milked till the last drop. Well, let me say this: though it is bound to cost him some votes in the upcoming election in Pennsylvania, I don’t think that this will cost him the possible nomination by the Democratic Party and will eventually fade away much easier than the Reverend Wright debacle (hopefully helped by the upcoming Pope’s visit to the US).

However, there is a dimension to this issue that touches me on a personal level. I explain: in my life experience, particularly in most recent years, I’ve been observing this interesting, but disturbing, phenomenon, whereby – be it in contests for power at any level, or simply in the trivial course of people trying to assert themselves in any sort of social relationships – some will make a point of going out of their way to invert the terms of a particular equation, e.g. the true elitist will do all s/he can to accuse the other of elitism, the true racist will try anything to portray the other as racist, the gender-insensitive will willy-nilly paint the other as a misogynist, the unsure about their African roots and/or identity, or totally lacking any, will relentlessly play the “more African than thou” game against the true African (yes, there is such a thing!)... The examples could go on and on.

So, here we have a Barack Obama, who was the son of an absent father, raised, at times on food stamps, by a single mother and not exactly rich grandparents, who financed his studies with student loans, whose professional career was mostly developed within working class communities, who is a practicing religious man and, not totally irrelevant to this entire discussion, who is an African-American with all the adversities the ‘condition’ entails in the US and virtually anywhere in the world, being pitched to the public exclusively as a ‘Harvard graduate’, therefore an ‘elitist’, by those who were born in privilege and raised by the rules of the true American elite for generations… And, not only that, have been widely known for notorious elitist statements and behaviour.

I mean, how much must someone lack in elitism (… racism? I wouldn’t even go there…) to despise the American Civil Rights Movement to the point of opposing the institution of a holiday in memory of Martin Luther King Jr., as McCain did? Of course, he expressly went to Memphis to apologise for it on the recently marked 40th anniversary of Dr. King’s assassination, but… Or, how closely ‘in touch’ with the feelings of ordinary people can someone be to say on TV that “I’m not seating here like some little woman 'stand by your man' like Tammy Wynette” – when that’s effectively what she was doing – as Hillary did to save her husband from impeachment over a certain sexual scandal in the White House?

Played, as it is in this case, at the highest level of the political arena, this game can be either inconsequential, or utterly destructive, depending on the correlation of forces at presence in one particular moment. And as these stand right now, it will most probably be of relatively minor consequence for Obama’s chances in the current American primaries. He can regret the effect of his words, as he did, but eventually laugh it all off with just something like “shame on you Hillary, you should know better!”, as he also did.

However, when the same game is played, as it often is in my experience, against more vulnerable people, who – exclusively by virtue of their strenuous effort at making the most of the opportunities they fought for and their determination to succeed against all odds, when they could have chosen much easier paths in life – come to be perceived as part of an elite born with a silver spoon in their mouth and, as a result of that, ostracised and antagonised by all sorts of opportunist, jealous, envious, manipulative and populist ‘warriors’ and 'young turks' so prevalent in certain ‘influential’ African or African-minded quarters, in the blogosphere and elsewhere, it can only be destructive. And sad, very sad indeed. And, as always, it’s good old Mamma Africa that ends up paying the price of all such utter nonsense…
'THE ELITIST'!

I started mentally writing this post as I watched Hillary Clinton and Barack Obama expound on their views about faith and religion on CNN’s “Compassion Forum” last night. Apart from the points relating to inter-faith dialogue in the global arena brought in by Obama, it was mainly a domestic affair and, to be honest, faith and religion discussions, particularly in the American context, is not something I’d normally engage in. However, there was an angle to it that surely caught everybody’s interest, including mine, namely the new line of fire launched by Hillary (and McCain, but he was not present at yesterday’s forum) on Obama for saying, a few days ago, that “decades of lost jobs and unfulfilled promises from Washington have left some Pennsylvanians ‘bitter’ and clinging to guns or religion or antipathy to people who aren't like them or anti-immigrant sentiment or anti-trade sentiment as a way to explain their frustrations."


For these, by his own admission, ‘clumsy’ words, Obama is now being painted by his opponents as “out of touch with ordinary, particularly blue collar, Americans”, “patronising”, “contemptuous”, “condescending”, in short, an “elitist”! He did his best to dismiss the deliberate misconstruction of what he really meant but, of course, because it is all politically motivated, it will be milked till the last drop. Well, let me say this: though it is bound to cost him some votes in the upcoming election in Pennsylvania, I don’t think that this will cost him the possible nomination by the Democratic Party and will eventually fade away much easier than the Reverend Wright debacle (hopefully helped by the upcoming Pope’s visit to the US).

However, there is a dimension to this issue that touches me on a personal level. I explain: in my life experience, particularly in most recent years, I’ve been observing this interesting, but disturbing, phenomenon, whereby – be it in contests for power at any level, or simply in the trivial course of people trying to assert themselves in any sort of social relationships – some will make a point of going out of their way to invert the terms of a particular equation, e.g. the true elitist will do all s/he can to accuse the other of elitism, the true racist will try anything to portray the other as racist, the gender-insensitive will willy-nilly paint the other as a misogynist, the unsure about their African roots and/or identity, or totally lacking any, will relentlessly play the “more African than thou” game against the true African (yes, there is such a thing!)... The examples could go on and on.

So, here we have a Barack Obama, who was the son of an absent father, raised, at times on food stamps, by a single mother and not exactly rich grandparents, who financed his studies with student loans, whose professional career was mostly developed within working class communities, who is a practicing religious man and, not totally irrelevant to this entire discussion, who is an African-American with all the adversities the ‘condition’ entails in the US and virtually anywhere in the world, being pitched to the public exclusively as a ‘Harvard graduate’, therefore an ‘elitist’, by those who were born in privilege and raised by the rules of the true American elite for generations… And, not only that, have been widely known for notorious elitist statements and behaviour.

I mean, how much must someone lack in elitism (… racism? I wouldn’t even go there…) to despise the American Civil Rights Movement to the point of opposing the institution of a holiday in memory of Martin Luther King Jr., as McCain did? Of course, he expressly went to Memphis to apologise for it on the recently marked 40th anniversary of Dr. King’s assassination, but… Or, how closely ‘in touch’ with the feelings of ordinary people can someone be to say on TV that “I’m not seating here like some little woman 'stand by your man' like Tammy Wynette” – when that’s effectively what she was doing – as Hillary did to save her husband from impeachment over a certain sexual scandal in the White House?

Played, as it is in this case, at the highest level of the political arena, this game can be either inconsequential, or utterly destructive, depending on the correlation of forces at presence in one particular moment. And as these stand right now, it will most probably be of relatively minor consequence for Obama’s chances in the current American primaries. He can regret the effect of his words, as he did, but eventually laugh it all off with just something like “shame on you Hillary, you should know better!”, as he also did.

However, when the same game is played, as it often is in my experience, against more vulnerable people, who – exclusively by virtue of their strenuous effort at making the most of the opportunities they fought for and their determination to succeed against all odds, when they could have chosen much easier paths in life – come to be perceived as part of an elite born with a silver spoon in their mouth and, as a result of that, ostracised and antagonised by all sorts of opportunist, jealous, envious, manipulative and populist ‘warriors’ and 'young turks' so prevalent in certain ‘influential’ African or African-minded quarters, in the blogosphere and elsewhere, it can only be destructive. And sad, very sad indeed. And, as always, it’s good old Mamma Africa that ends up paying the price of all such utter nonsense…