Tuesday, 14 August 2012
Tipico de "Comuna"!...
Tuesday, 12 June 2012
Novo Livro sobre Kimpa Vita
Tuesday, 30 November 2010
The Pope on Condoms: 'a step forward'?
Peter Seewald:
On the occasion of your trip to Africa in March 2009, the Vatican's policy on Aids once again became the target of media criticism.
Twenty-five percent of all Aids victims around the world today are treated in
Catholic facilities. In some countries, such as Lesotho, for example, the
statistic is 40 percent. In Africa you stated that the Church's traditional
teaching has proven to be the only sure way to stop the spread of HIV. Critics,
including critics from the Church's own ranks, object that it is madness to
forbid a high-risk population to use condoms.
Pope Benedict:
The media coverage completely ignored the rest of the trip to
Africa on account of a single statement. Someone had asked me why the Catholic
Church adopts an unrealistic and ineffective position on Aids. At that point, I
really felt that I was being provoked, because the Church does more than anyone
else. And I stand by that claim.
(…)
In my remarks I was not making a general statement about the condom issue, but merely said, and this is what caused such great offense, that we cannot solve the problem by distributing condoms. Much more needs to be done. We must stand close to the people, we must guide and help them; and we must do this both before and after they contract the disease.
As a matter of fact, you know, people can get condoms when they want them anyway. But this just goes to show that condoms alone do not resolve the question itself. More needs to happen. Meanwhile, the secular realm itself has developed the so called ABC Theory: Abstinence-Be Faithful-Condom, where the condom is understood only as a last resort, when the other two points fail to work.
This means that the sheer fixation on the condom implies a banalization of sexuality, which, after all, is precisely the dangerous source of the attitude of no longer seeing sexuality as the expression of love, but only a sort of drug that people administer to themselves. This is why the fight against the banalization of sexuality is also a part of the struggle to ensure that sexuality is treated as a positive value and to enable it to have a positive effect on the whole of man's being.
Peter Seewald:
Are you saying, then, that the Catholic Church is actually not opposed in principle to the use of condoms?
Pope Benedict:
She of course does not regard it as a real or moral solution, but, in this or that case, there can be nonetheless, in the intention of reducing the risk of infection, a first step in a movement toward a different way, a more human way, of living sexuality.
Peter Seewald:
On the occasion of your trip to Africa in March 2009, the Vatican's policy on Aids once again became the target of media criticism.
Twenty-five percent of all Aids victims around the world today are treated in
Catholic facilities. In some countries, such as Lesotho, for example, the
statistic is 40 percent. In Africa you stated that the Church's traditional
teaching has proven to be the only sure way to stop the spread of HIV. Critics,
including critics from the Church's own ranks, object that it is madness to
forbid a high-risk population to use condoms.
Pope Benedict:
The media coverage completely ignored the rest of the trip to
Africa on account of a single statement. Someone had asked me why the Catholic
Church adopts an unrealistic and ineffective position on Aids. At that point, I
really felt that I was being provoked, because the Church does more than anyone
else. And I stand by that claim.
(…)
In my remarks I was not making a general statement about the condom issue, but merely said, and this is what caused such great offense, that we cannot solve the problem by distributing condoms. Much more needs to be done. We must stand close to the people, we must guide and help them; and we must do this both before and after they contract the disease.
As a matter of fact, you know, people can get condoms when they want them anyway. But this just goes to show that condoms alone do not resolve the question itself. More needs to happen. Meanwhile, the secular realm itself has developed the so called ABC Theory: Abstinence-Be Faithful-Condom, where the condom is understood only as a last resort, when the other two points fail to work.
This means that the sheer fixation on the condom implies a banalization of sexuality, which, after all, is precisely the dangerous source of the attitude of no longer seeing sexuality as the expression of love, but only a sort of drug that people administer to themselves. This is why the fight against the banalization of sexuality is also a part of the struggle to ensure that sexuality is treated as a positive value and to enable it to have a positive effect on the whole of man's being.
Peter Seewald:
Are you saying, then, that the Catholic Church is actually not opposed in principle to the use of condoms?
Pope Benedict:
She of course does not regard it as a real or moral solution, but, in this or that case, there can be nonetheless, in the intention of reducing the risk of infection, a first step in a movement toward a different way, a more human way, of living sexuality.
Monday, 25 October 2010
Desculpe Senhora Ministra, mas...
A Ministra da Família e Promoção da Mulher, Genoveva Lino, recomendou, ontem, em Luanda, ás famílias angolanas, a frequentarem a Igreja e ouvirem mais a palavra de Deus, como uma forma de alimentarem a sua espiritualidade.
Genoveva Lino falava depois da celebração eucarística, feita pelo Cardeal Franc Rodé, realizada na Paróquia da Nossa Senhora de Fátima, que contou com a presença dos bispos de Angola, membros do Executivo, sociedade civil e fiéis.
Genoveva Lino disse que quando as pessoas se guiam pela palavra de Deus e com muita fé, "ganham mais força para trabalhar no engrandecimento de Angola. Peço às famílias para que tenham fé para que possamos com Deus superar as nossas dores e ter mais força para trabalhar".
A ministra disse ainda que "estamos conscientes que há muito trabalho para fazer, as dificuldades que enfrentamos são enormes mas com ajuda do Senhor e a fé, vamos conseguir vencer". Numa sociedade em crescimento como Angola, as famílias devem seguir a palavra de Deus para que tenham uma vida mais digna. "Não há palavra melhor do que a do Senhor, cada cidadão deve ter, ler e absorver o grande livro sagrado, a bíblia, porque é o livro da vida. E se todos nós o seguirmos, teremos uma vida mais digna, tal como a própria bíblia diz, que feliz é a nação que o próprio Deus é o Senhor", disse Genoveva Lino.
[aqui]
... Inconstitucional!
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE ANGOLA
Artigo 10.º
(Estado laico)
1. A República de Angola é um Estado laico, havendo separação entre o Estado
e as igrejas, nos termos da lei.
[aqui]
ADENDA
DESCULPEM SENHORES BISPOS, MAS...
A conferência Episcopal de Angola e São Tomé poderá fazer-se representar junto
do parlamento angolano.
Segundo o documento final da II Assembleia Anual da CEAST, o órgão defende a integração na Assembleia nacional de Angola de um representante dos prelados dos dois países, para se fazer ouvir ao mais alto nível da nação.
[aqui]
O bispo Administrador do Saurimo Dom Emanuel Imbamba, secretário da conferência episcopal, defendeu a emenda da Constituição de modo a impedir o alastramento da religião Islâmica em Angola. Este foi um dos temas analisado na II Assembleia Plenária dos Bispos que hoje terminou.
Quando questionado sobre o que teria eventualmente falhado na igreja católica para que tivesse lugar este crescendo, o bispo Dom Imbamba atribuiu culpas ao marxismo –leninismo e à abrupta abertura à manifestação religiosa como causas próximas do actual ambiente.
[aqui]
... As Vossas pretensoes nao so' sao Inconstitucionais como Anti-Ecumenicas!
Vide:
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE ANGOLA
Artigo 10.º
(Estado laico)
1. A República de Angola é um Estado laico, havendo separação entre o Estado e as igrejas, nos termos da lei.
2. O Estado reconhece e respeita as diferentes confissões religiosas, as quais são livres na sua organização e no exercício das suas actividades, desde que as mesmas se conformem à Constituição e às leis da República de Angola.
3. O Estado protege as igrejas e as confissões religiosas, bem como os seus lugares e objectos de culto, desde que não atentem contra a Constituição e a ordem pública e se conformem com a Constituição e a lei.
Artigo 41.º
(Liberdade de consciência, de religião e de culto)
1. A liberdade de consciência, de crença religiosa e de culto é inviolável.
2. Ninguém pode ser privado dos seus direitos, perseguido ou isento de obrigações por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política.
3. É garantido o direito à objecção de consciência, nos termos da lei.
4. Ninguém pode ser questionado por qualquer autoridade acerca das suas convicções ou práticas religiosas, salvo para recolha de dados estatísticos não individualmente identificáveis.
Artigo 141.º
(Definição)
1. A Assembleia Nacional é o parlamento da República de Angola.
2. A Assembleia Nacional é um órgão unicamaral, representativo de todos os angolanos, que exprime a vontade soberana do povo e exerce o poder legislativo do Estado.
Artigo 142.º
(Composição)
A Assembleia Nacional é composta por Deputados eleitos nos termos da Constituição e da lei.
Artigo 236.º
(Limites materiais)
As alterações da Constituição têm de respeitar o seguinte:
g) A laicidade do Estado e o princípio da separação entre o Estado e as igrejas;
A Ministra da Família e Promoção da Mulher, Genoveva Lino, recomendou, ontem, em Luanda, ás famílias angolanas, a frequentarem a Igreja e ouvirem mais a palavra de Deus, como uma forma de alimentarem a sua espiritualidade.
Genoveva Lino falava depois da celebração eucarística, feita pelo Cardeal Franc Rodé, realizada na Paróquia da Nossa Senhora de Fátima, que contou com a presença dos bispos de Angola, membros do Executivo, sociedade civil e fiéis.
Genoveva Lino disse que quando as pessoas se guiam pela palavra de Deus e com muita fé, "ganham mais força para trabalhar no engrandecimento de Angola. Peço às famílias para que tenham fé para que possamos com Deus superar as nossas dores e ter mais força para trabalhar".
A ministra disse ainda que "estamos conscientes que há muito trabalho para fazer, as dificuldades que enfrentamos são enormes mas com ajuda do Senhor e a fé, vamos conseguir vencer". Numa sociedade em crescimento como Angola, as famílias devem seguir a palavra de Deus para que tenham uma vida mais digna. "Não há palavra melhor do que a do Senhor, cada cidadão deve ter, ler e absorver o grande livro sagrado, a bíblia, porque é o livro da vida. E se todos nós o seguirmos, teremos uma vida mais digna, tal como a própria bíblia diz, que feliz é a nação que o próprio Deus é o Senhor", disse Genoveva Lino.
[aqui]
... Inconstitucional!
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE ANGOLA
Artigo 10.º
(Estado laico)
1. A República de Angola é um Estado laico, havendo separação entre o Estado
e as igrejas, nos termos da lei.
[aqui]
ADENDA
DESCULPEM SENHORES BISPOS, MAS...
A conferência Episcopal de Angola e São Tomé poderá fazer-se representar junto
do parlamento angolano.
Segundo o documento final da II Assembleia Anual da CEAST, o órgão defende a integração na Assembleia nacional de Angola de um representante dos prelados dos dois países, para se fazer ouvir ao mais alto nível da nação.
[aqui]
O bispo Administrador do Saurimo Dom Emanuel Imbamba, secretário da conferência episcopal, defendeu a emenda da Constituição de modo a impedir o alastramento da religião Islâmica em Angola. Este foi um dos temas analisado na II Assembleia Plenária dos Bispos que hoje terminou.
Quando questionado sobre o que teria eventualmente falhado na igreja católica para que tivesse lugar este crescendo, o bispo Dom Imbamba atribuiu culpas ao marxismo –leninismo e à abrupta abertura à manifestação religiosa como causas próximas do actual ambiente.
[aqui]
... As Vossas pretensoes nao so' sao Inconstitucionais como Anti-Ecumenicas!
Vide:
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE ANGOLA
Artigo 10.º
(Estado laico)
1. A República de Angola é um Estado laico, havendo separação entre o Estado e as igrejas, nos termos da lei.
2. O Estado reconhece e respeita as diferentes confissões religiosas, as quais são livres na sua organização e no exercício das suas actividades, desde que as mesmas se conformem à Constituição e às leis da República de Angola.
3. O Estado protege as igrejas e as confissões religiosas, bem como os seus lugares e objectos de culto, desde que não atentem contra a Constituição e a ordem pública e se conformem com a Constituição e a lei.
Artigo 41.º
(Liberdade de consciência, de religião e de culto)
1. A liberdade de consciência, de crença religiosa e de culto é inviolável.
2. Ninguém pode ser privado dos seus direitos, perseguido ou isento de obrigações por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política.
3. É garantido o direito à objecção de consciência, nos termos da lei.
4. Ninguém pode ser questionado por qualquer autoridade acerca das suas convicções ou práticas religiosas, salvo para recolha de dados estatísticos não individualmente identificáveis.
Artigo 141.º
(Definição)
1. A Assembleia Nacional é o parlamento da República de Angola.
2. A Assembleia Nacional é um órgão unicamaral, representativo de todos os angolanos, que exprime a vontade soberana do povo e exerce o poder legislativo do Estado.
Artigo 142.º
(Composição)
A Assembleia Nacional é composta por Deputados eleitos nos termos da Constituição e da lei.
Artigo 236.º
(Limites materiais)
As alterações da Constituição têm de respeitar o seguinte:
g) A laicidade do Estado e o princípio da separação entre o Estado e as igrejas;
Monday, 9 August 2010
Saturday, 1 August 2009
LUANDANDO (XI)
Ia fotografando estes paineis, um por um, quando comecei a sentir aquele aroma irresistivel a pao quente que se foi tornando mais intenso a medida que avancava ao longo daquelas vias de extincao, apressando-me...
Extintas as vias, se dei encontro com a padaria - bem, mais 'deposito de pao', como se chamavam esses nos outros tempos…
Pao quente, uniformes brancos dos pes a cabeca... bicha, kanvwanza? Nada…
Em Luanda?
Definitivamente, novos tempos.Mas nao havia tempo, nem atencao, para os clientes: so’ olhos e ouvidos para a TV onde se anunciava que o Papa viria falar de “novos tempos”… Mas enquanto ele nao vinha, o assunto quente era a primeira pagina do semanario que trazia a imagem do dito e citacoes da sua primeira mensagem ao pais. Porque? Pergunta o cliente, mais acusando o Papa de vir agora mandar nos jornais: assim entao ele ja’ e’ que e’ o dono, ne’?! O Mais Novo: Mas voce nao entendes que nao foi ele que mandou o jornal por isso ai? Isso sao mesmo os jornalistas que fazem!
E abandonou a cena. Bazou.
Entretanto, alguem me mandou essa foto de um qualquer outro pais por onde o Papa havia passado nessa sua digressao. Feitico contra o feiticeiro, diria o nosso 'blasfemo' cliente luandense…
Ia fotografando estes paineis, um por um, quando comecei a sentir aquele aroma irresistivel a pao quente que se foi tornando mais intenso a medida que avancava ao longo daquelas vias de extincao, apressando-me...
Extintas as vias, se dei encontro com a padaria - bem, mais 'deposito de pao', como se chamavam esses nos outros tempos…
Pao quente, uniformes brancos dos pes a cabeca... bicha, kanvwanza? Nada…
Em Luanda?
Definitivamente, novos tempos.Mas nao havia tempo, nem atencao, para os clientes: so’ olhos e ouvidos para a TV onde se anunciava que o Papa viria falar de “novos tempos”… Mas enquanto ele nao vinha, o assunto quente era a primeira pagina do semanario que trazia a imagem do dito e citacoes da sua primeira mensagem ao pais. Porque? Pergunta o cliente, mais acusando o Papa de vir agora mandar nos jornais: assim entao ele ja’ e’ que e’ o dono, ne’?! O Mais Novo: Mas voce nao entendes que nao foi ele que mandou o jornal por isso ai? Isso sao mesmo os jornalistas que fazem!
E abandonou a cena. Bazou.
Entretanto, alguem me mandou essa foto de um qualquer outro pais por onde o Papa havia passado nessa sua digressao. Feitico contra o feiticeiro, diria o nosso 'blasfemo' cliente luandense…
Saturday, 21 March 2009
O PAPA EM ANGOLA
Tirei estas fotos pouco mais de uma hora depois de o Papa ter chegado a Luanda, quando decidi ir ate a igreja adjacente ao Palacio Presidencial, onde estava anunciado ele se deslocaria ao fim da tarde. Cheguei cedo demais e como a espera se afigurava longa, acabei por desistir. Nao sem registar as imagens do local ao principio da tarde. As multidoes e o objecto do seu fervor (ou apenas atencao) bem como as palavras que dedicou a esta terra e aos seus nacionais, esses ja os tinha visto pela televisao. Ficou, portanto, apenas o registo de um local normalmente "longe da cidade"...
Frase do dia (mais coisa menos coisa):
"Nos estamos seguros de que os cristaos, e os catolicos praticantes em particular, estao munidos de todos os instrumentos necessarios para dispensarem o uso de preservativos, mas temos que ter tambem em conta os outros."
(Ministro da Saude de Angola, no dia da chegada do Papa, a uma radio local)
Tirei estas fotos pouco mais de uma hora depois de o Papa ter chegado a Luanda, quando decidi ir ate a igreja adjacente ao Palacio Presidencial, onde estava anunciado ele se deslocaria ao fim da tarde. Cheguei cedo demais e como a espera se afigurava longa, acabei por desistir. Nao sem registar as imagens do local ao principio da tarde. As multidoes e o objecto do seu fervor (ou apenas atencao) bem como as palavras que dedicou a esta terra e aos seus nacionais, esses ja os tinha visto pela televisao. Ficou, portanto, apenas o registo de um local normalmente "longe da cidade"...
Frase do dia (mais coisa menos coisa):
"Nos estamos seguros de que os cristaos, e os catolicos praticantes em particular, estao munidos de todos os instrumentos necessarios para dispensarem o uso de preservativos, mas temos que ter tambem em conta os outros."
(Ministro da Saude de Angola, no dia da chegada do Papa, a uma radio local)
Sunday, 30 November 2008
Tuesday, 2 September 2008
MUXIMA
Ao lado, no “banco dos suspeitos”, a polícia passa a pente fino tudo o que o gravador e a máquina fotográfica registaram ao longo do dia. Os “flashes” passam ao lado do agente, que nem repara naquela mais-velha da fotografia. As lágrimas correm-lhe pela cara, seguindo os sulcos das rugas vincadas na pele negra. Chora em silêncio, braços ao alto, joelhos empoeirados pregados no chão. Esgar de prece e de dor, olhos fechados que apontam o altar de onde a Mamã Muxima tudo contempla, tudo acolhe. E as imagens sucedem-se, inocentes: O fumo dos fogareiros e das pequenas fogueiras mistura-se com a névoa de poeira fina. A maior parte dos peregrinos traz os alimentos, prontos a cozinhar. Outros não. Para estes, uma série de barracas pontilha a Muxima com o aval das autoridades terrenas da vila-santuário. Vêm de Luanda à procura de lucro e da bênção. Para que o negócio corra bem, para que os investimentos sejam superados, para que, no regresso a casa, os Hiaces que pagaram a peso de ouro não se despistem. Alguns não têm sorte. As carcaças ao longo da estrada entre Sangano e a Muxima deixam adivinhar finais infelizes. Avança a busca na máquina fotográfica e surge a multidão entre as barracas improvisadas e os panos que cobrem o chão, que servirão de cama quando a noite fresca do fim do cacimbo à beira Kwanza chegar.Jovens, velhos, menos jovens, homens, mulheres, muitas mulheres caminham, tropeçam, cruzam-se, dançam, vão, regressam, sentamse, deitam-se, levantam-se, curvam-se, ajoelham-se, rezam, existem. “Mamã Muxima Rogai por Nós” estampado nas t-shirts brancas da maior parte dos peregrinos. A rodear a cintura e a cobrir a cabeça, panos tradicionais com a santa estampada de todas as formas e feitios. A massa humana é um caleidoscópio de cores.
Com o gravador encostado ao ouvido, para abafar o som que vem lá de fora, a polícia ouve o apelo do Frei Lukonda, na celebração penitencial: “A Paz foi um grande sacrifício. Paz não é só o calar das armas, é preciso desarmar as mentes”. A gravação digital avança e dá voz aos anseios do povo: “Peço para que a Mamã Muxima me arranje noivo”; “Quero que a Mamã tire o meu irmão e o meu noivo da droga”; “Só peço à Mamã Muxima que traga paz a Angola”. Por fim, a fé dos peregrinos: “A Mamã Muxima para mim é tudo, é uma irmã, uma amiga, uma companheira”; “A Mamã Muxima é a minha luz, é o meu Deus”; “A Mamã Muxima nunca me abandonou, sempre esteve comigo durante a vida”. “Irmão” e “Irmã” são palavras-refrão, no meu gravador. Os sorrisos são constantes, os abraços multiplicam-se, mesmo entre desconhecidos.Vive-se uma espécie de estado de graça na Muxima que envolve os peregrinos, o casario velho da vila, a igreja, a capela lá no alto do morro e o Kwanza que, por aqueles lados, corre por entre uma vegetação verde-luxuriante, num cenário idílico. Por entre a azáfama, uma voz quase imperceptível improvisa um cântico religioso. Tudo à volta pára. Uma, duas, dez, vinte vozes num kimbundu compassado e harmonioso tornam-se onda de choque sonora. O compasso é marcado por palmas. Tac, tac, tac em ampliação desmesurada, fé em estado efervescente. O gravador faz stop, acabou a gravação.
Foto daqui“A primeira grande peregrinação à Muxima de que há registos aconteceu em 1650, quando se repôs a imagem da santa no altar-mor da igreja, vencida a invasão holandesa”, conta Mário Torres, reitor do santuário. No entanto, já antes o culto se fazia sentir naquela área, em torno de “uma antiga capela de pau-a-pique que havia numa zona que o rio entretanto tomou”. As lendas em torno do culto “são muitas”, conta o sacerdote, mas há uma que chama especial atenção: “o povo conta que esta igreja da Muxima apareceu de um dia para o outro, como por milagre.
No meu entender isso é uma forma das pessoas explicarem a forma como o culto se impôs na região que, de facto, aconteceu num espaço de 15 anos”. Mário Torres rejeita também a versão popular de a Mamã Muxima ter aparecido no local onde se ergue a capela, no alto do morro. O sacerdote assume ainda o sincretismo do culto à imagem. “A devoção à Mamã Muxima não é puramente cristã, envolve muita magia e feitiçaria. As pessoas vêem a santa como uma pessoa com muito poder, suficientemente forte para fazer o bem e mesmo o mal”, diz, explicando que o desafio passa por “atribuir um verdadeiro significado cristão ao culto, incorporando o que a tradição tem de bom”.
Este ano a romaria aconteceu mais cedo. “A acontecer no primeiro domingo de Setembro, como é normal, a peregrinação calharia dois dias depois das eleições, o que poderia colocar as pessoas entre duas opções: ou votar ou vir à Muxima. Como temos que assumir a nossa responsabilidade, resolvemos alterar a data”, explica o reitor.
[Aqui]
duo ouro negro - muxima
Ao lado, no “banco dos suspeitos”, a polícia passa a pente fino tudo o que o gravador e a máquina fotográfica registaram ao longo do dia. Os “flashes” passam ao lado do agente, que nem repara naquela mais-velha da fotografia. As lágrimas correm-lhe pela cara, seguindo os sulcos das rugas vincadas na pele negra. Chora em silêncio, braços ao alto, joelhos empoeirados pregados no chão. Esgar de prece e de dor, olhos fechados que apontam o altar de onde a Mamã Muxima tudo contempla, tudo acolhe. E as imagens sucedem-se, inocentes: O fumo dos fogareiros e das pequenas fogueiras mistura-se com a névoa de poeira fina. A maior parte dos peregrinos traz os alimentos, prontos a cozinhar. Outros não. Para estes, uma série de barracas pontilha a Muxima com o aval das autoridades terrenas da vila-santuário. Vêm de Luanda à procura de lucro e da bênção. Para que o negócio corra bem, para que os investimentos sejam superados, para que, no regresso a casa, os Hiaces que pagaram a peso de ouro não se despistem. Alguns não têm sorte. As carcaças ao longo da estrada entre Sangano e a Muxima deixam adivinhar finais infelizes. Avança a busca na máquina fotográfica e surge a multidão entre as barracas improvisadas e os panos que cobrem o chão, que servirão de cama quando a noite fresca do fim do cacimbo à beira Kwanza chegar.Jovens, velhos, menos jovens, homens, mulheres, muitas mulheres caminham, tropeçam, cruzam-se, dançam, vão, regressam, sentamse, deitam-se, levantam-se, curvam-se, ajoelham-se, rezam, existem. “Mamã Muxima Rogai por Nós” estampado nas t-shirts brancas da maior parte dos peregrinos. A rodear a cintura e a cobrir a cabeça, panos tradicionais com a santa estampada de todas as formas e feitios. A massa humana é um caleidoscópio de cores.
Com o gravador encostado ao ouvido, para abafar o som que vem lá de fora, a polícia ouve o apelo do Frei Lukonda, na celebração penitencial: “A Paz foi um grande sacrifício. Paz não é só o calar das armas, é preciso desarmar as mentes”. A gravação digital avança e dá voz aos anseios do povo: “Peço para que a Mamã Muxima me arranje noivo”; “Quero que a Mamã tire o meu irmão e o meu noivo da droga”; “Só peço à Mamã Muxima que traga paz a Angola”. Por fim, a fé dos peregrinos: “A Mamã Muxima para mim é tudo, é uma irmã, uma amiga, uma companheira”; “A Mamã Muxima é a minha luz, é o meu Deus”; “A Mamã Muxima nunca me abandonou, sempre esteve comigo durante a vida”. “Irmão” e “Irmã” são palavras-refrão, no meu gravador. Os sorrisos são constantes, os abraços multiplicam-se, mesmo entre desconhecidos.Vive-se uma espécie de estado de graça na Muxima que envolve os peregrinos, o casario velho da vila, a igreja, a capela lá no alto do morro e o Kwanza que, por aqueles lados, corre por entre uma vegetação verde-luxuriante, num cenário idílico. Por entre a azáfama, uma voz quase imperceptível improvisa um cântico religioso. Tudo à volta pára. Uma, duas, dez, vinte vozes num kimbundu compassado e harmonioso tornam-se onda de choque sonora. O compasso é marcado por palmas. Tac, tac, tac em ampliação desmesurada, fé em estado efervescente. O gravador faz stop, acabou a gravação.
Foto daqui“A primeira grande peregrinação à Muxima de que há registos aconteceu em 1650, quando se repôs a imagem da santa no altar-mor da igreja, vencida a invasão holandesa”, conta Mário Torres, reitor do santuário. No entanto, já antes o culto se fazia sentir naquela área, em torno de “uma antiga capela de pau-a-pique que havia numa zona que o rio entretanto tomou”. As lendas em torno do culto “são muitas”, conta o sacerdote, mas há uma que chama especial atenção: “o povo conta que esta igreja da Muxima apareceu de um dia para o outro, como por milagre.
No meu entender isso é uma forma das pessoas explicarem a forma como o culto se impôs na região que, de facto, aconteceu num espaço de 15 anos”. Mário Torres rejeita também a versão popular de a Mamã Muxima ter aparecido no local onde se ergue a capela, no alto do morro. O sacerdote assume ainda o sincretismo do culto à imagem. “A devoção à Mamã Muxima não é puramente cristã, envolve muita magia e feitiçaria. As pessoas vêem a santa como uma pessoa com muito poder, suficientemente forte para fazer o bem e mesmo o mal”, diz, explicando que o desafio passa por “atribuir um verdadeiro significado cristão ao culto, incorporando o que a tradição tem de bom”.
Este ano a romaria aconteceu mais cedo. “A acontecer no primeiro domingo de Setembro, como é normal, a peregrinação calharia dois dias depois das eleições, o que poderia colocar as pessoas entre duas opções: ou votar ou vir à Muxima. Como temos que assumir a nossa responsabilidade, resolvemos alterar a data”, explica o reitor.
[Aqui]
duo ouro negro - muxima
Monday, 14 April 2008
OBAMA VS. CLINTON: THE MOTHER OF ALL BATTLES! (11)
'THE ELITIST'!I started mentally writing this post as I watched Hillary Clinton and Barack Obama expound on their views about faith and religion on CNN’s “Compassion Forum” last night. Apart from the points relating to inter-faith dialogue in the global arena brought in by Obama, it was mainly a domestic affair and, to be honest, faith and religion discussions, particularly in the American context, is not something I’d normally engage in. However, there was an angle to it that surely caught everybody’s interest, including mine, namely the new line of fire launched by Hillary (and McCain, but he was not present at yesterday’s forum) on Obama for saying, a few days ago, that “decades of lost jobs and unfulfilled promises from Washington have left some Pennsylvanians ‘bitter’ and clinging to guns or religion or antipathy to people who aren't like them or anti-immigrant sentiment or anti-trade sentiment as a way to explain their frustrations."
For these, by his own admission, ‘clumsy’ words, Obama is now being painted by his opponents as “out of touch with ordinary, particularly blue collar, Americans”, “patronising”, “contemptuous”, “condescending”, in short, an “elitist”! He did his best to dismiss the deliberate misconstruction of what he really meant but, of course, because it is all politically motivated, it will be milked till the last drop. Well, let me say this: though it is bound to cost him some votes in the upcoming election in Pennsylvania, I don’t think that this will cost him the possible nomination by the Democratic Party and will eventually fade away much easier than the Reverend Wright debacle (hopefully helped by the upcoming Pope’s visit to the US).
However, there is a dimension to this issue that touches me on a personal level. I explain: in my life experience, particularly in most recent years, I’ve been observing this interesting, but disturbing, phenomenon, whereby – be it in contests for power at any level, or simply in the trivial course of people trying to assert themselves in any sort of social relationships – some will make a point of going out of their way to invert the terms of a particular equation, e.g. the true elitist will do all s/he can to accuse the other of elitism, the true racist will try anything to portray the other as racist, the gender-insensitive will willy-nilly paint the other as a misogynist, the unsure about their African roots and/or identity, or totally lacking any, will relentlessly play the “more African than thou” game against the true African (yes, there is such a thing!)... The examples could go on and on.
So, here we have a Barack Obama, who was the son of an absent father, raised, at times on food stamps, by a single mother and not exactly rich grandparents, who financed his studies with student loans, whose professional career was mostly developed within working class communities, who is a practicing religious man and, not totally irrelevant to this entire discussion, who is an African-American with all the adversities the ‘condition’ entails in the US and virtually anywhere in the world, being pitched to the public exclusively as a ‘Harvard graduate’, therefore an ‘elitist’, by those who were born in privilege and raised by the rules of the true American elite for generations… And, not only that, have been widely known for notorious elitist statements and behaviour.
I mean, how much must someone lack in elitism (… racism? I wouldn’t even go there…) to despise the American Civil Rights Movement to the point of opposing the institution of a holiday in memory of Martin Luther King Jr., as McCain did? Of course, he expressly went to Memphis to apologise for it on the recently marked 40th anniversary of Dr. King’s assassination, but… Or, how closely ‘in touch’ with the feelings of ordinary people can someone be to say on TV that “I’m not seating here like some little woman 'stand by your man' like Tammy Wynette” – when that’s effectively what she was doing – as Hillary did to save her husband from impeachment over a certain sexual scandal in the White House?
Played, as it is in this case, at the highest level of the political arena, this game can be either inconsequential, or utterly destructive, depending on the correlation of forces at presence in one particular moment. And as these stand right now, it will most probably be of relatively minor consequence for Obama’s chances in the current American primaries. He can regret the effect of his words, as he did, but eventually laugh it all off with just something like “shame on you Hillary, you should know better!”, as he also did.
However, when the same game is played, as it often is in my experience, against more vulnerable people, who – exclusively by virtue of their strenuous effort at making the most of the opportunities they fought for and their determination to succeed against all odds, when they could have chosen much easier paths in life – come to be perceived as part of an elite born with a silver spoon in their mouth and, as a result of that, ostracised and antagonised by all sorts of opportunist, jealous, envious, manipulative and populist ‘warriors’ and 'young turks' so prevalent in certain ‘influential’ African or African-minded quarters, in the blogosphere and elsewhere, it can only be destructive. And sad, very sad indeed. And, as always, it’s good old Mamma Africa that ends up paying the price of all such utter nonsense…
'THE ELITIST'!I started mentally writing this post as I watched Hillary Clinton and Barack Obama expound on their views about faith and religion on CNN’s “Compassion Forum” last night. Apart from the points relating to inter-faith dialogue in the global arena brought in by Obama, it was mainly a domestic affair and, to be honest, faith and religion discussions, particularly in the American context, is not something I’d normally engage in. However, there was an angle to it that surely caught everybody’s interest, including mine, namely the new line of fire launched by Hillary (and McCain, but he was not present at yesterday’s forum) on Obama for saying, a few days ago, that “decades of lost jobs and unfulfilled promises from Washington have left some Pennsylvanians ‘bitter’ and clinging to guns or religion or antipathy to people who aren't like them or anti-immigrant sentiment or anti-trade sentiment as a way to explain their frustrations."
For these, by his own admission, ‘clumsy’ words, Obama is now being painted by his opponents as “out of touch with ordinary, particularly blue collar, Americans”, “patronising”, “contemptuous”, “condescending”, in short, an “elitist”! He did his best to dismiss the deliberate misconstruction of what he really meant but, of course, because it is all politically motivated, it will be milked till the last drop. Well, let me say this: though it is bound to cost him some votes in the upcoming election in Pennsylvania, I don’t think that this will cost him the possible nomination by the Democratic Party and will eventually fade away much easier than the Reverend Wright debacle (hopefully helped by the upcoming Pope’s visit to the US).
However, there is a dimension to this issue that touches me on a personal level. I explain: in my life experience, particularly in most recent years, I’ve been observing this interesting, but disturbing, phenomenon, whereby – be it in contests for power at any level, or simply in the trivial course of people trying to assert themselves in any sort of social relationships – some will make a point of going out of their way to invert the terms of a particular equation, e.g. the true elitist will do all s/he can to accuse the other of elitism, the true racist will try anything to portray the other as racist, the gender-insensitive will willy-nilly paint the other as a misogynist, the unsure about their African roots and/or identity, or totally lacking any, will relentlessly play the “more African than thou” game against the true African (yes, there is such a thing!)... The examples could go on and on.
So, here we have a Barack Obama, who was the son of an absent father, raised, at times on food stamps, by a single mother and not exactly rich grandparents, who financed his studies with student loans, whose professional career was mostly developed within working class communities, who is a practicing religious man and, not totally irrelevant to this entire discussion, who is an African-American with all the adversities the ‘condition’ entails in the US and virtually anywhere in the world, being pitched to the public exclusively as a ‘Harvard graduate’, therefore an ‘elitist’, by those who were born in privilege and raised by the rules of the true American elite for generations… And, not only that, have been widely known for notorious elitist statements and behaviour.
I mean, how much must someone lack in elitism (… racism? I wouldn’t even go there…) to despise the American Civil Rights Movement to the point of opposing the institution of a holiday in memory of Martin Luther King Jr., as McCain did? Of course, he expressly went to Memphis to apologise for it on the recently marked 40th anniversary of Dr. King’s assassination, but… Or, how closely ‘in touch’ with the feelings of ordinary people can someone be to say on TV that “I’m not seating here like some little woman 'stand by your man' like Tammy Wynette” – when that’s effectively what she was doing – as Hillary did to save her husband from impeachment over a certain sexual scandal in the White House?
Played, as it is in this case, at the highest level of the political arena, this game can be either inconsequential, or utterly destructive, depending on the correlation of forces at presence in one particular moment. And as these stand right now, it will most probably be of relatively minor consequence for Obama’s chances in the current American primaries. He can regret the effect of his words, as he did, but eventually laugh it all off with just something like “shame on you Hillary, you should know better!”, as he also did.
However, when the same game is played, as it often is in my experience, against more vulnerable people, who – exclusively by virtue of their strenuous effort at making the most of the opportunities they fought for and their determination to succeed against all odds, when they could have chosen much easier paths in life – come to be perceived as part of an elite born with a silver spoon in their mouth and, as a result of that, ostracised and antagonised by all sorts of opportunist, jealous, envious, manipulative and populist ‘warriors’ and 'young turks' so prevalent in certain ‘influential’ African or African-minded quarters, in the blogosphere and elsewhere, it can only be destructive. And sad, very sad indeed. And, as always, it’s good old Mamma Africa that ends up paying the price of all such utter nonsense…
Sunday, 23 December 2007
SUNDAY COVER & POETRY (IX)
{Poem: Jesus Isn't Just For Christmas , by John Hegley. John Hegley's collections include Glad to Wear Glasses (1990), Can I Come Down Now Dad (1991), and Dog (2000). His latest collection is The Sound of Paint Drying (2003). He has also released his own CD of songs and poetry Saint and Blurry. Musician Keith Moore accompanies John Hegley on his track here - in Life Lines 2/Poets for Oxfam/Edited by Todd Swift, 2007}
{Poem: Jesus Isn't Just For Christmas , by John Hegley. John Hegley's collections include Glad to Wear Glasses (1990), Can I Come Down Now Dad (1991), and Dog (2000). His latest collection is The Sound of Paint Drying (2003). He has also released his own CD of songs and poetry Saint and Blurry. Musician Keith Moore accompanies John Hegley on his track here - in Life Lines 2/Poets for Oxfam/Edited by Todd Swift, 2007}
Thursday, 23 August 2007
ABOLITION OF THE SLAVE TRADE: 200 YEARS ON (RECIDIVUS)*
Ja’ aqui afirmei, uma ou duas vezes, que tenho para mim que a sociedade Britanica contemporanea e’, do ponto de vista racial, a mais amadurecida, descomplexada, politicamente sofisticada, harmoniosa e saudavel do mundo ocidental. Tenho perfeita consciencia dos “votos contra” tal afirmacao que se terao levantado e continuarao a levantar… Mas o facto e’ que, 'malgre tout', mais uma vez essa realidade se desenrola, e em abundancia, aos olhos de todos quantos a puderem ver por estes dias.
O Reino Unido esta’ em plena comemoracao dos 200 anos sobre a passagem, no Parlamento de Westminster, do Acto de Abolicao da Escravatura, aqui referido como o “Abolition of the Slave Trade Act Bicentenary”, assinalado oficialmente ontem. ‘A conta disso, temos sido servidos nos ultimos dias e continuaremos a se-lo ao longo do resto do ano, por um verdadeiro “banquete” de programas, actividades e debates a volta das questoes da escravatura, do racismo e das relacoes inter-raciais, passadas, presentes e futuras, tanto neste pais, como globalmente. E todos que nele participam, ou apenas observam, parecem estar determinados a comer de tudo um pouco, sem deixarem nenhuma migalha do “buffet” ser varrida para debaixo do tapete… Perante tanta abundancia e variedade e’-me literalmente impossivel dar aqui conta de tudo quanto se tem passado, mas aqui fica o registo, necessariamente breve, de alguns dos eventos que teem marcado esta efemeride.
"The body of Christ is not just a body that exists at any one time, it exists across history and we therefore share the shame and the sinfulness of our predecessors and part of what we can do, with them and for them in the body of Christ, is prayer for acknowledgement of the failure that is part of us not just of some distant 'them'." Archbishop of Canterbury Rowan Williams, Church of England"We were directly responsible for what happened. In the sense of inheriting our history, we can say we owned slaves, we branded slaves, that is why I believe we must actually recognise our history and offer an apology." Rev Blessant, Church of England
II. Filmes "Amazing Grace" e “The Walk”: sobre a trajectoria de vida de William Wilberforce que, segundo a versao oficial, tera’ levado a passagem, ao final dos debates de que ele foi o principal protagonista, do “Abolition of Slave Trade Act” no Parlamento Britanico.
Nos debates em varias series televisivas e revistas culturais, estes filmes e o papel de Wilberforce teem sido sistematicamente questionados a luz, nao so’ da veracidade e integridade da sua historia oficial, mas tambem e sobretudo do papel, por muitos considerado mais relevante e crucial, do ex-escravo Olaudah Equiano, de origem Nigeriana, que com o seu livro, tornado best-seller na epoca, “The Interesting Narrative of the Life of Olaudah Equiano, or Gustavus Vassa the African (1789)”, tera’ tido uma influencia mais determinante na abolicao da escravatura. (Leia mais sobre esta questao AQUI)
III. Documentario “Rough Crossings” pelo bastante mediatico, mas nem por isso menos conceituado, embora de rigor cientifico algo questionavel, historiador Simon Schama, baseado no seu livro com o mesmo titulo (BBC 2): retraca a historia da fundacao da Serra Leoa por ex-escravos que fugiram das plantacoes e se juntaram aos Britanicos na Guerra de Independencia Americana.
IV. Serie “Racism: A History” (BBC 4): uma verdadeira “gourmet meal”, congregando a mesa de discussao os mais internacionalmente prestigiados e conceituados estudiosos do racismo, de varias nacionalidades, racas e etnias. Alguns dos temas abordados: o papel dos Reinos Africanos no trafico de escravos; o papel do esclavagismo na evolucao e prosperidade da Gra-Bretanha; a Revolucao Haitiana, com a historica vitoria dos seus escravos das plantacoes sobre o jugo esclavagista; a historia do racismo na Religiao e ao longo da evolucao das varias disciplinas cientificas, desde a Geografia, a Biologia e a Filosofia, passando pela Antropologia, a Etnologia e a Psicologia e culminando na Historia; as varias formas de organizacao social do racismo em diferentes contextos geograficos, historicos e economicos, da Africa a Europa e da America do Norte ao Brasil e de como o racismo se torna mais intenso quanto mais baixo o nivel economico, cultural e educacional das pessoas pertencentes as racas julgadas "superiores", grupos sociais e nacoes; “The Colour of Money” (segundo episodio da serie), examinando a forma como o dinheiro afecta a vida das pessoas e ate’ que ponto o racismo e’ um produto da "globalizacao economica" do sec. XVII e as representacoes estereotipadas dos negros ao longo da Historia.
V. Serie “O Seculo XVIII Negro” (BBC 4): Como sobremesa, uma exploracao da experiencia da populacao negra Britanica no seculo 18, usando arte do periodo, incluindo obras por Gainsborough e Hogarth.
(Pictures: BBC and Anglican Church online)
Ja’ aqui afirmei, uma ou duas vezes, que tenho para mim que a sociedade Britanica contemporanea e’, do ponto de vista racial, a mais amadurecida, descomplexada, politicamente sofisticada, harmoniosa e saudavel do mundo ocidental. Tenho perfeita consciencia dos “votos contra” tal afirmacao que se terao levantado e continuarao a levantar… Mas o facto e’ que, 'malgre tout', mais uma vez essa realidade se desenrola, e em abundancia, aos olhos de todos quantos a puderem ver por estes dias.
O Reino Unido esta’ em plena comemoracao dos 200 anos sobre a passagem, no Parlamento de Westminster, do Acto de Abolicao da Escravatura, aqui referido como o “Abolition of the Slave Trade Act Bicentenary”, assinalado oficialmente ontem. ‘A conta disso, temos sido servidos nos ultimos dias e continuaremos a se-lo ao longo do resto do ano, por um verdadeiro “banquete” de programas, actividades e debates a volta das questoes da escravatura, do racismo e das relacoes inter-raciais, passadas, presentes e futuras, tanto neste pais, como globalmente. E todos que nele participam, ou apenas observam, parecem estar determinados a comer de tudo um pouco, sem deixarem nenhuma migalha do “buffet” ser varrida para debaixo do tapete… Perante tanta abundancia e variedade e’-me literalmente impossivel dar aqui conta de tudo quanto se tem passado, mas aqui fica o registo, necessariamente breve, de alguns dos eventos que teem marcado esta efemeride.
"The body of Christ is not just a body that exists at any one time, it exists across history and we therefore share the shame and the sinfulness of our predecessors and part of what we can do, with them and for them in the body of Christ, is prayer for acknowledgement of the failure that is part of us not just of some distant 'them'." Archbishop of Canterbury Rowan Williams, Church of England"We were directly responsible for what happened. In the sense of inheriting our history, we can say we owned slaves, we branded slaves, that is why I believe we must actually recognise our history and offer an apology." Rev Blessant, Church of England
II. Filmes "Amazing Grace" e “The Walk”: sobre a trajectoria de vida de William Wilberforce que, segundo a versao oficial, tera’ levado a passagem, ao final dos debates de que ele foi o principal protagonista, do “Abolition of Slave Trade Act” no Parlamento Britanico.
Nos debates em varias series televisivas e revistas culturais, estes filmes e o papel de Wilberforce teem sido sistematicamente questionados a luz, nao so’ da veracidade e integridade da sua historia oficial, mas tambem e sobretudo do papel, por muitos considerado mais relevante e crucial, do ex-escravo Olaudah Equiano, de origem Nigeriana, que com o seu livro, tornado best-seller na epoca, “The Interesting Narrative of the Life of Olaudah Equiano, or Gustavus Vassa the African (1789)”, tera’ tido uma influencia mais determinante na abolicao da escravatura. (Leia mais sobre esta questao AQUI)
III. Documentario “Rough Crossings” pelo bastante mediatico, mas nem por isso menos conceituado, embora de rigor cientifico algo questionavel, historiador Simon Schama, baseado no seu livro com o mesmo titulo (BBC 2): retraca a historia da fundacao da Serra Leoa por ex-escravos que fugiram das plantacoes e se juntaram aos Britanicos na Guerra de Independencia Americana.
IV. Serie “Racism: A History” (BBC 4): uma verdadeira “gourmet meal”, congregando a mesa de discussao os mais internacionalmente prestigiados e conceituados estudiosos do racismo, de varias nacionalidades, racas e etnias. Alguns dos temas abordados: o papel dos Reinos Africanos no trafico de escravos; o papel do esclavagismo na evolucao e prosperidade da Gra-Bretanha; a Revolucao Haitiana, com a historica vitoria dos seus escravos das plantacoes sobre o jugo esclavagista; a historia do racismo na Religiao e ao longo da evolucao das varias disciplinas cientificas, desde a Geografia, a Biologia e a Filosofia, passando pela Antropologia, a Etnologia e a Psicologia e culminando na Historia; as varias formas de organizacao social do racismo em diferentes contextos geograficos, historicos e economicos, da Africa a Europa e da America do Norte ao Brasil e de como o racismo se torna mais intenso quanto mais baixo o nivel economico, cultural e educacional das pessoas pertencentes as racas julgadas "superiores", grupos sociais e nacoes; “The Colour of Money” (segundo episodio da serie), examinando a forma como o dinheiro afecta a vida das pessoas e ate’ que ponto o racismo e’ um produto da "globalizacao economica" do sec. XVII e as representacoes estereotipadas dos negros ao longo da Historia.
V. Serie “O Seculo XVIII Negro” (BBC 4): Como sobremesa, uma exploracao da experiencia da populacao negra Britanica no seculo 18, usando arte do periodo, incluindo obras por Gainsborough e Hogarth.
(Pictures: BBC and Anglican Church online)
Wednesday, 4 July 2007
AMAZING GRACE!


Asimbonanga/Biko
It was also remarkable in that the last time I’d been in a church it was at St. George’s Cathedral in Cape Town, for an operatic performance of Handel’s Messiah about one and a half years ago. I couldn’t stop myself from musing at the irony of having been to a church in South Africa for a performance of a European composer’s music and being for the first time to St. Paul’s in London for the Soweto Gospel Choir! I couldn’t avoid to notice either how, though still in huge minority, there were much more black people at St. Paul’s yesterday than there were at St. George’s…

Lelilungelo Ngelakho
Well, I can only repeat myself: it was just amazing! The cathedral, which is at least ten times bigger than St. George’s, was filled to the brim, even with tens of extra seating places … the choir, which I hadn’t properly seen or heard before, was at what you are only left to believe it's their best performance – leaving you wondering whether they were rehearsed to the most minute pitch and previously unheard or unthought of variations of the standard soprano, alto, contralto, tenor or baritone, husky and rusty yet clear, powerful and heavenly voices, colourful intonations, polyphonic harmonies, banding and disbanding to banding all over again within the same tune, graceful gesture, thoughtful dance and minimal percussion beat, or if their outstanding performance was just enhanced by the setting: this was a cathedral after all! – something you become unequivocally aware of when back at home you play “Blessed” on your humble CD player…

Masigiye'bo
Here’s how the performance, integrated in the City of London Festival, was presented: ’Amazing grace! (how sweet the sound)…’ One of the most instantly recognisable hymns ever created is the musical heart of this spectacular evening of solo and choral song and dance by the Soweto Gospel Choir. Following their triumph in the 2005 Festival, the Choir are warmly welcomed back to St. Paul’s Cathedral as recent Grammy Award winners for the ‘best traditional World Music’ category for their album Blessed. Their programme celebrates a double anniversary: 200 years since the parliamentary abolition of the Atlantic slave trade and 200 years since the death of Amazing Grace’s author, John Newton.*

Thapelo
But, as soon as they start their ‘presentation’, the Choir quickly “rest assures you” that they are not up there just for Amazing Grace, which they only deliver after opening with Asimbonanga/Biko and a few other resounding numbers, including less pious traditional ‘township’ and liberation songs, to close with Oh Happy Day! And just short of two hours later, you leave the Cathedral to a clear sky night with the most profound sense that this was an evening to cherish for the rest of your life.

Nkosi Sikelel'iAfrika
*Born in London in 1725, Newton first went to sea at the age of 11 with his father, a merchant navy commander. Press-ganged into the Royal Navy, Newton deserted and was captured, flogged, and transferred to service on a slave ship, eventually rising to command one of these himself. On 10 May 1748, at sea during a ferocious storm, he cried out ‘Lord, have mercy upon us’ – recording later in his journal that his ship was saved, and with it his own soul. Leaving the slave trade, he was ordained as a minister in 1760 and became a leading abolitionist, also writing the several hundred hymns that included Amazing Grace. Newton was rector of St. Mary Woolnoth at the heart of the City of London at the time of his death, a few months after the passing of the Abolition of the Slave Trade Act which perfectly rounded off his life’s work: he had been one of William Wilberforce most important mentors.


Asimbonanga/Biko
It was also remarkable in that the last time I’d been in a church it was at St. George’s Cathedral in Cape Town, for an operatic performance of Handel’s Messiah about one and a half years ago. I couldn’t stop myself from musing at the irony of having been to a church in South Africa for a performance of a European composer’s music and being for the first time to St. Paul’s in London for the Soweto Gospel Choir! I couldn’t avoid to notice either how, though still in huge minority, there were much more black people at St. Paul’s yesterday than there were at St. George’s…

Lelilungelo Ngelakho
Well, I can only repeat myself: it was just amazing! The cathedral, which is at least ten times bigger than St. George’s, was filled to the brim, even with tens of extra seating places … the choir, which I hadn’t properly seen or heard before, was at what you are only left to believe it's their best performance – leaving you wondering whether they were rehearsed to the most minute pitch and previously unheard or unthought of variations of the standard soprano, alto, contralto, tenor or baritone, husky and rusty yet clear, powerful and heavenly voices, colourful intonations, polyphonic harmonies, banding and disbanding to banding all over again within the same tune, graceful gesture, thoughtful dance and minimal percussion beat, or if their outstanding performance was just enhanced by the setting: this was a cathedral after all! – something you become unequivocally aware of when back at home you play “Blessed” on your humble CD player…

Masigiye'bo
Here’s how the performance, integrated in the City of London Festival, was presented: ’Amazing grace! (how sweet the sound)…’ One of the most instantly recognisable hymns ever created is the musical heart of this spectacular evening of solo and choral song and dance by the Soweto Gospel Choir. Following their triumph in the 2005 Festival, the Choir are warmly welcomed back to St. Paul’s Cathedral as recent Grammy Award winners for the ‘best traditional World Music’ category for their album Blessed. Their programme celebrates a double anniversary: 200 years since the parliamentary abolition of the Atlantic slave trade and 200 years since the death of Amazing Grace’s author, John Newton.*

Thapelo
But, as soon as they start their ‘presentation’, the Choir quickly “rest assures you” that they are not up there just for Amazing Grace, which they only deliver after opening with Asimbonanga/Biko and a few other resounding numbers, including less pious traditional ‘township’ and liberation songs, to close with Oh Happy Day! And just short of two hours later, you leave the Cathedral to a clear sky night with the most profound sense that this was an evening to cherish for the rest of your life.

Nkosi Sikelel'iAfrika
*Born in London in 1725, Newton first went to sea at the age of 11 with his father, a merchant navy commander. Press-ganged into the Royal Navy, Newton deserted and was captured, flogged, and transferred to service on a slave ship, eventually rising to command one of these himself. On 10 May 1748, at sea during a ferocious storm, he cried out ‘Lord, have mercy upon us’ – recording later in his journal that his ship was saved, and with it his own soul. Leaving the slave trade, he was ordained as a minister in 1760 and became a leading abolitionist, also writing the several hundred hymns that included Amazing Grace. Newton was rector of St. Mary Woolnoth at the heart of the City of London at the time of his death, a few months after the passing of the Abolition of the Slave Trade Act which perfectly rounded off his life’s work: he had been one of William Wilberforce most important mentors.



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