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Tuesday, 26 February 2008

MULHERES… DE DOMINGO (Recidivus)*





"Como Entender As Mulheres" (Primeiro Volume...)


Domingo e’, a todos os titulos, um dia especial. Tentar justificar essa evidencia e’ praticamente um “no brainer”, ou seja, e’ como tentar-se justificar porque que a chuva molha. Mas, digamos que e’ especial porque nao se trabalha, a excepcao daquelas ocupacoes – formais, como policia e bombeiros, ou informais, como ‘blogging’ – que a isso nos obrigam, ou naquelas sociedades, culturas e religioes que respeitam o “Sabath” literalmente ao Sabado. E’ tambem o dia em que, seja para uma ida a missa, ao mercado, a baixa da cidade, ao centro comercial, ou a uma visita a casa de familiares ou amigos, tentamos sempre apresentar-nos no nosso melhor – em termos de indumentaria ou comportamento. E nao ha’ ninguem melhor do que as mulheres para evidenciarem essa realidade domingueira.

Transportando essa evidencia para a vida mais quotidiana, encontro que… e’ muito dificil entender as mulheres (… nao estou sozinha nisto, sei-o bem: praticamente todos os homens, secundando Freud, disseram-no e continuam a dize-lo…). E isto muito simplesmente porque, pelo menos na vida social, elas tendem maioritariamente a comportar-se como e a vestir-se com as suas poses e vestimentas “domingueiras” que, a uma observacao mais proxima e/ou cuidada, nos revelam que nao passam disso mesmo: comportamento e vestes domingueiras… nada mais quotidiano, nada mais substantivo, nada mais profundo. Falar (de) assim, quando eu sou mulher e nunca me conheci outro genero ou inclinacao sexual, “soa mal” e e’ “politicamente incorrecto” – eu sei. Mas tambem sei que dificilmente havera’ inimigo pior de uma mulher do que outra mulher… dificilmente havera’, pelo menos em certas profissoes e niveis hierarquicos, pior colega de trabalho de uma mulher do que outra mulher. Sei tambem que nao estou sozinha nisto: ouvi-o de outras mulheres, desde ministras a empregadas domesticas, passando por escritoras, escriturarias e profissionais universitarias.

E sei-o, tambem, por experiencia propria: nao ha’ muito tempo, vi-me forcada a abandonar intempestivamente a que talvez tenha sido a melhor posicao profissional da minha vida por uma questao de principio: nao consegui encontrar espaco, ou instrumento, no meu vasto “arsenal” de defesas contra o sexismo e a discriminacao, para tolerar um ataque pornografico, completamente nao provocado (se e’ que e’ possivel “provocar-se” tal coisa…) e “out of the blue”, por parte de um colega de trabalho (por sinal, angolano)… e enquanto o perpetrador encontrava apoio entre os poderosos chefoes masculinos, eu vi-me completamente “desertada” por todas as colegas femininas, incluindo as igualmente poderosas, bem falantes, articuladas, feministas e activistas “burocratas do genero”… E estas nao eram daquelas “de trazer por casa” nao: eram precisamente das que andam pelas reunioes de alto nivel em plataformas internacionais a falar em nome das mulheres Africanas! (But then, again, in their “more African than thou” postures, I’m not African anyway and, presumably, I should have felt exhilarated, honoured and over the moon for having attracted that sort of unwanted attention… ‘cause, presumably, I should be “liberated enough” to accept pornography as a “pleasurable and normal thing”, even in the workplace, when it causes me nothing but disgust and distress…).

Anyway, antes que isto me leve ‘a tese que sempre quis escrever sobre “mulheres…”, mas que sei que nunca escreverei, porque e’ um assunto demasiado pesado para o meu arcaboico, deixem-me encurtar caminho: ja’ sabia bastante sobre a “verdadeira realidade” da “condicao feminina”, por a ter experimentado, vivido e escrito sobre (o artigo em anexo, escrito e publicado no Semanario Angolense ha’ cinco anos atras, e’ apenas disso uma amostra), mas nenhuma das minhas experiencias anteriores me tinha dito tanto sobre essa realidade como esta experiencia de ‘blogging’ nos ultimos meses… Talvez porque, sobretudo sob o anonimato ou mascaras e bandeiras de qualquer especie ou cor, e’ mais facil revelarem-se verdadeiras indumentarias, comportamentos e… identidades. Assim, este blog trouxe-me, ate’ agora, pelo menos duas experiencias ineditas: ver-me confrontada com, atacada, insultada, embaracada e coisificada publicamente por “mulheres” capazes de desferirem ataques pornograficos e violacoes, senao fisicas (e talvez apenas porque disso nao teem possibilidade…), certamente psicologicas e morais, contra outras mulheres, ‘apenas porque lhes da’ na real gana’, e “conhecer” mulheres com inexcediveis e vertiginosos niveis de arrogancia ignorante, racismo, xenofobia, elitismo, soberba e um misto de complexos de superioridade e de inferioridade, que nao sabia antes sequer possivel existirem! Certamente, tambem pude verificar, ate’ agora, excepcoes ‘a regra: pelo menos duas mulheres, so’ para mencionar as ‘bloggers’ que consistentemente se teem manifestado acima de comportamentos mesquinhos, invejas e ciumeiras irracionais, o teem demonstrado atraves das suas diversas participacoes neste blog. Mas receio bem que sejam pouco mais do que as excepcoes que confirmam a regra…

Essas experiencias ineditas, quanto mais nao seja, teem-me deixado a perguntar-me: onde e’ que andavam certas mulheres, em finais da decada de 70, principios da de 80, quando, em Luanda, tanto quanto eu tinha que marcar lugar na bicha para a carne, marcava lugar na bicha da livraria ‘Mensagem’, para poder comprar um exemplar da revista portuguesa “Mulheres” – onde tive os primeiros serios contactos com as lutas das “tres Marias”, o conceito de “Matria” da Natalia Correia (de quem, mais tarde, tive o prazer de ouvir cantar o “Summertime”, que aqui podemos ouvir tao eloquentemente na “voz” de Charlie Parker, numa casa de fados de Lisboa), ou as poesias de Sophia de Mello Breyner ou Florbela Espanca - essa geracao de Mulheres que rejeitavam liminarmente, entre outros "diminutivos", designacoes como "poetisa"? Ou quando, mesmo depois de ter conseguido assegurar uma subscricao que me poupava da bicha mensal (pelo menos teoricamente, porque meses havia em que chegava la’ e mesmo para os subscritores a revista estava “esgotada”…), me lancei, por minha conta e risco, em busca do entendimento possivel das almas de Sylvia Plath, Virginia Woolf, Marguerite Yourcenar, Elsa Triolet ou Simone de Beauvoir… Ou ainda, quando, depois de todos os desencantos, descobri Noemia de Sousa, Maya Angelou, Julianne Malveaux, Alice Walker, Toni Morrison, Bessie Head ou Wangari Mathaai?

Onde andavam essas mulheres que nunca apreenderam o sentido de oprobio imbuido na pratica de se “fazerem ‘a vida” atraves de “lutas de galinheiro”, sem qualquer racionalidade a nao ser demonstrarem a sua “superioridade” em disputas pelo que supoeem ser e pretendem fazer passar por “ideias e conceitos”, mas que na verdade nao passam de “preconceitos reorganizados” para lhes servirem como armas de arremesso em competicoes imbecis e irracionais, em espacos virtuais, pela atencao de homens, por nenhuma outra razao objectiva senao obterem notoriedade e tentarem impor-se como “unicos seres pensantes” (normalmente por nenhuma "obvia razao" senao a cor da sua pele, embora tambem haja excepcoes a essa "regra"...) nos circulos em que se movimentam? Onde?! Em que mundo vivem essas mulheres completamente incapazes de se emanciparem dos mais retrogrados e ignorantes preconceitos e praticas que, com as suas vestes e comportamentos domingueiros, impingem, frequentemente atraves de alguns homens suficientemente “desprevenidos” para tal, sobre outras mulheres – via de regra, as mais desprotegidas economica, social e politicamente – fazendo retroceder a luta das mulheres pela igualdade de generos pelo menos um seculo? Onde?!

Nao sei, nem me interessa particularmente saber. Quanto mais nao seja porque todas essas interrogacoes tambem me deixam a perguntar-me: porque que eu nao torno a minha vida "mais facil" comportando-me da mesma maneira? Ja’ ouvi de pelo menos dois amigos meus, sem qualquer relacao entre si, esta afirmacao: “tu pensas muito…”! Nao me lembro de lhes ter dado qualquer resposta porque tal afirmacao apenas me remete a pensar mais ainda: sera’ que a minha “inocencia” em tecnicas e tacticas “tipicamente femininas” se deve ao facto de ter passado tantos anos (...num mundo em que, curiosamente, a maioria das mulheres, e em particular as que se demonstram mais afoitas e talentosas em desferirem ataques cobardes e inescrupulosos contra mulheres como eu, nao se atrevem a entrar...) a resolver complicadas equacoes econometricas, a tentar encontrar “Nash equilibria” para os mais diversos ‘conumdrums’ da historia, da cultura, da sociedade, do desenvolvimento economico ou da politica internacional, a aprimorar o meu jogo de xadrez, ou a cultivar e a desenvolver a capacidade de pensamento estrategico sobre os mais diversos desafios da condicao humana e da vida quotidiana num mundo, mais frequentemente do que nao, hostil? Nao sei. Fico-me com o Bob Marley: “What you gotta… that I don’t know! I’m trying to wonder, wonder… wonder why… wonder, wonder why you act so”!

Mulheres…

PS: No artigo em anexo, faco mencao particular 'as maes solteiras e nisso remeto-me, e aos leitores, ao que tem estado a ocupar o tempo de milhoes de leitores da J.K. Rowling, essa “fab (former) single mom”, autora de “Harry Potter”, neste domingo: o ultimo volume da serie, espectacularmente lancado aqui em Londres ha’ dois dias. Sinto-me proxima do mundo (antigo) dela por razoes muito particulares: somos contemporaneas da “cruzada do Blair contra as maes solteiras”; ela, enquanto mae solteira a viver de “benefits” quando tal “cruzada” se comecou a manifestar, comecou a escrever a serie num café na area onde eu vivo e onde me sentei pela primeira vez num café de Londres… apenas a imensa fortuna que ela acumulou na ultima decada (e a cor da pele?) nos separa.



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Woman To Woman


*(First published 22/07/07)




"Como Entender As Mulheres" (Primeiro Volume...)


Domingo e’, a todos os titulos, um dia especial. Tentar justificar essa evidencia e’ praticamente um “no brainer”, ou seja, e’ como tentar-se justificar porque que a chuva molha. Mas, digamos que e’ especial porque nao se trabalha, a excepcao daquelas ocupacoes – formais, como policia e bombeiros, ou informais, como ‘blogging’ – que a isso nos obrigam, ou naquelas sociedades, culturas e religioes que respeitam o “Sabath” literalmente ao Sabado. E’ tambem o dia em que, seja para uma ida a missa, ao mercado, a baixa da cidade, ao centro comercial, ou a uma visita a casa de familiares ou amigos, tentamos sempre apresentar-nos no nosso melhor – em termos de indumentaria ou comportamento. E nao ha’ ninguem melhor do que as mulheres para evidenciarem essa realidade domingueira.

Transportando essa evidencia para a vida mais quotidiana, encontro que… e’ muito dificil entender as mulheres (… nao estou sozinha nisto, sei-o bem: praticamente todos os homens, secundando Freud, disseram-no e continuam a dize-lo…). E isto muito simplesmente porque, pelo menos na vida social, elas tendem maioritariamente a comportar-se como e a vestir-se com as suas poses e vestimentas “domingueiras” que, a uma observacao mais proxima e/ou cuidada, nos revelam que nao passam disso mesmo: comportamento e vestes domingueiras… nada mais quotidiano, nada mais substantivo, nada mais profundo. Falar (de) assim, quando eu sou mulher e nunca me conheci outro genero ou inclinacao sexual, “soa mal” e e’ “politicamente incorrecto” – eu sei. Mas tambem sei que dificilmente havera’ inimigo pior de uma mulher do que outra mulher… dificilmente havera’, pelo menos em certas profissoes e niveis hierarquicos, pior colega de trabalho de uma mulher do que outra mulher. Sei tambem que nao estou sozinha nisto: ouvi-o de outras mulheres, desde ministras a empregadas domesticas, passando por escritoras, escriturarias e profissionais universitarias.

E sei-o, tambem, por experiencia propria: nao ha’ muito tempo, vi-me forcada a abandonar intempestivamente a que talvez tenha sido a melhor posicao profissional da minha vida por uma questao de principio: nao consegui encontrar espaco, ou instrumento, no meu vasto “arsenal” de defesas contra o sexismo e a discriminacao, para tolerar um ataque pornografico, completamente nao provocado (se e’ que e’ possivel “provocar-se” tal coisa…) e “out of the blue”, por parte de um colega de trabalho (por sinal, angolano)… e enquanto o perpetrador encontrava apoio entre os poderosos chefoes masculinos, eu vi-me completamente “desertada” por todas as colegas femininas, incluindo as igualmente poderosas, bem falantes, articuladas, feministas e activistas “burocratas do genero”… E estas nao eram daquelas “de trazer por casa” nao: eram precisamente das que andam pelas reunioes de alto nivel em plataformas internacionais a falar em nome das mulheres Africanas! (But then, again, in their “more African than thou” postures, I’m not African anyway and, presumably, I should have felt exhilarated, honoured and over the moon for having attracted that sort of unwanted attention… ‘cause, presumably, I should be “liberated enough” to accept pornography as a “pleasurable and normal thing”, even in the workplace, when it causes me nothing but disgust and distress…).

Anyway, antes que isto me leve ‘a tese que sempre quis escrever sobre “mulheres…”, mas que sei que nunca escreverei, porque e’ um assunto demasiado pesado para o meu arcaboico, deixem-me encurtar caminho: ja’ sabia bastante sobre a “verdadeira realidade” da “condicao feminina”, por a ter experimentado, vivido e escrito sobre (o artigo em anexo, escrito e publicado no Semanario Angolense ha’ cinco anos atras, e’ apenas disso uma amostra), mas nenhuma das minhas experiencias anteriores me tinha dito tanto sobre essa realidade como esta experiencia de ‘blogging’ nos ultimos meses… Talvez porque, sobretudo sob o anonimato ou mascaras e bandeiras de qualquer especie ou cor, e’ mais facil revelarem-se verdadeiras indumentarias, comportamentos e… identidades. Assim, este blog trouxe-me, ate’ agora, pelo menos duas experiencias ineditas: ver-me confrontada com, atacada, insultada, embaracada e coisificada publicamente por “mulheres” capazes de desferirem ataques pornograficos e violacoes, senao fisicas (e talvez apenas porque disso nao teem possibilidade…), certamente psicologicas e morais, contra outras mulheres, ‘apenas porque lhes da’ na real gana’, e “conhecer” mulheres com inexcediveis e vertiginosos niveis de arrogancia ignorante, racismo, xenofobia, elitismo, soberba e um misto de complexos de superioridade e de inferioridade, que nao sabia antes sequer possivel existirem! Certamente, tambem pude verificar, ate’ agora, excepcoes ‘a regra: pelo menos duas mulheres, so’ para mencionar as ‘bloggers’ que consistentemente se teem manifestado acima de comportamentos mesquinhos, invejas e ciumeiras irracionais, o teem demonstrado atraves das suas diversas participacoes neste blog. Mas receio bem que sejam pouco mais do que as excepcoes que confirmam a regra…

Essas experiencias ineditas, quanto mais nao seja, teem-me deixado a perguntar-me: onde e’ que andavam certas mulheres, em finais da decada de 70, principios da de 80, quando, em Luanda, tanto quanto eu tinha que marcar lugar na bicha para a carne, marcava lugar na bicha da livraria ‘Mensagem’, para poder comprar um exemplar da revista portuguesa “Mulheres” – onde tive os primeiros serios contactos com as lutas das “tres Marias”, o conceito de “Matria” da Natalia Correia (de quem, mais tarde, tive o prazer de ouvir cantar o “Summertime”, que aqui podemos ouvir tao eloquentemente na “voz” de Charlie Parker, numa casa de fados de Lisboa), ou as poesias de Sophia de Mello Breyner ou Florbela Espanca - essa geracao de Mulheres que rejeitavam liminarmente, entre outros "diminutivos", designacoes como "poetisa"? Ou quando, mesmo depois de ter conseguido assegurar uma subscricao que me poupava da bicha mensal (pelo menos teoricamente, porque meses havia em que chegava la’ e mesmo para os subscritores a revista estava “esgotada”…), me lancei, por minha conta e risco, em busca do entendimento possivel das almas de Sylvia Plath, Virginia Woolf, Marguerite Yourcenar, Elsa Triolet ou Simone de Beauvoir… Ou ainda, quando, depois de todos os desencantos, descobri Noemia de Sousa, Maya Angelou, Julianne Malveaux, Alice Walker, Toni Morrison, Bessie Head ou Wangari Mathaai?

Onde andavam essas mulheres que nunca apreenderam o sentido de oprobio imbuido na pratica de se “fazerem ‘a vida” atraves de “lutas de galinheiro”, sem qualquer racionalidade a nao ser demonstrarem a sua “superioridade” em disputas pelo que supoeem ser e pretendem fazer passar por “ideias e conceitos”, mas que na verdade nao passam de “preconceitos reorganizados” para lhes servirem como armas de arremesso em competicoes imbecis e irracionais, em espacos virtuais, pela atencao de homens, por nenhuma outra razao objectiva senao obterem notoriedade e tentarem impor-se como “unicos seres pensantes” (normalmente por nenhuma "obvia razao" senao a cor da sua pele, embora tambem haja excepcoes a essa "regra"...) nos circulos em que se movimentam? Onde?! Em que mundo vivem essas mulheres completamente incapazes de se emanciparem dos mais retrogrados e ignorantes preconceitos e praticas que, com as suas vestes e comportamentos domingueiros, impingem, frequentemente atraves de alguns homens suficientemente “desprevenidos” para tal, sobre outras mulheres – via de regra, as mais desprotegidas economica, social e politicamente – fazendo retroceder a luta das mulheres pela igualdade de generos pelo menos um seculo? Onde?!

Nao sei, nem me interessa particularmente saber. Quanto mais nao seja porque todas essas interrogacoes tambem me deixam a perguntar-me: porque que eu nao torno a minha vida "mais facil" comportando-me da mesma maneira? Ja’ ouvi de pelo menos dois amigos meus, sem qualquer relacao entre si, esta afirmacao: “tu pensas muito…”! Nao me lembro de lhes ter dado qualquer resposta porque tal afirmacao apenas me remete a pensar mais ainda: sera’ que a minha “inocencia” em tecnicas e tacticas “tipicamente femininas” se deve ao facto de ter passado tantos anos (...num mundo em que, curiosamente, a maioria das mulheres, e em particular as que se demonstram mais afoitas e talentosas em desferirem ataques cobardes e inescrupulosos contra mulheres como eu, nao se atrevem a entrar...) a resolver complicadas equacoes econometricas, a tentar encontrar “Nash equilibria” para os mais diversos ‘conumdrums’ da historia, da cultura, da sociedade, do desenvolvimento economico ou da politica internacional, a aprimorar o meu jogo de xadrez, ou a cultivar e a desenvolver a capacidade de pensamento estrategico sobre os mais diversos desafios da condicao humana e da vida quotidiana num mundo, mais frequentemente do que nao, hostil? Nao sei. Fico-me com o Bob Marley: “What you gotta… that I don’t know! I’m trying to wonder, wonder… wonder why… wonder, wonder why you act so”!

Mulheres…

PS: No artigo em anexo, faco mencao particular 'as maes solteiras e nisso remeto-me, e aos leitores, ao que tem estado a ocupar o tempo de milhoes de leitores da J.K. Rowling, essa “fab (former) single mom”, autora de “Harry Potter”, neste domingo: o ultimo volume da serie, espectacularmente lancado aqui em Londres ha’ dois dias. Sinto-me proxima do mundo (antigo) dela por razoes muito particulares: somos contemporaneas da “cruzada do Blair contra as maes solteiras”; ela, enquanto mae solteira a viver de “benefits” quando tal “cruzada” se comecou a manifestar, comecou a escrever a serie num café na area onde eu vivo e onde me sentei pela primeira vez num café de Londres… apenas a imensa fortuna que ela acumulou na ultima decada (e a cor da pele?) nos separa.



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Woman To Woman


*(First published 22/07/07)

Sunday, 16 September 2007

SUNDAY FAMILY


Esta foto, incluida no livro "A Day in the Life of Africa", foi tirada no Uganda.
It made me wonder: quantas familias assim existem, ou alguma vez terao existido, em Angola? Silly question?

Esta foto, incluida no livro "A Day in the Life of Africa", foi tirada no Uganda.
It made me wonder: quantas familias assim existem, ou alguma vez terao existido, em Angola? Silly question?

Sunday, 26 August 2007

FUNGE DE DOMINGO (RECIDIVUS)*


FUFU (FUNGE in Angola)

Fufu (Foo-foo, Foufou, Foutou, fu fu) is to Western and Central Africa cooking what mashed potatoes are to traditional European-American cooking. There are Fufu-like staples all over Sub-Saharan Africa: i.e., Eastern Africa's Ugali and Southern Africa's Sadza (which are usually made from ground corn (maize), though West Africans use maize to make Banku and Kenkey, and sometimes use maize to make Fufu. Fufu is a starchy accompaniment for stews or other dishes with sauce. To eat fufu: use your right hand to tear off a bite-sized piece of the fufu, shape it into a ball, make an indentation in it, and use it to scoop up the soup or stew or sauce, or whatever you're eating.

(For more details see the Congo Cookbook)

...

For some food for thought see the attached article, taken from the interesting blog "Cultural Vulturism".

...

Sobre “vulturismo cultural”, ver ainda, no contexto Indio-Americano, sinopse de uma Conferencia (“Meeting of Indian Professors Takes Up Issues of ‘Ethnic Fraud’, Sovereignty and Research Needs”), onde se pode ler o seguinte: “Cultural vulturism has increased in recent years in spite of the efforts of Indian intellectual criticisms. More needs to be done.” NESTA pagina. (... De notar que os tais Professores Indios devem ser uma "kambada de ignorantes, racistas, complexados e constrangidos"... para dizer o minimo!)

...

Ja' agora, ver tambem ESTA DISCUSSAO (... De notar que o autor do argumento aqui reproduzido nao deve passar de um "invejoso, rancoroso, frustrado e muito de mal com a vida e com o mundo, enfim, um petit-rien"... para nao dizer mais!)

...

[Neste "Dia da Terra" tentemos olhar para a nossa bola de funge como uma representacao do planeta em que vivemos e dessa terra sem a qual nao poderemos continuar a plantar e a colher o milho, a mandioca ou o yam com que milhoes de nos nos alimentamos e mantemos vivos ha' milenios... com que milhoes de filhos desta terra reproduziram as suas energias para a construcao de um 'Novo Mundo' dentro e fora de Afrika.

Vamos Reunir... Vamos encontrar a Harmonia...
Vamos falar da Terra... Vamos esquecer a Guerra!]

...





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Reunir (Funge de Domingo) - Teta Lando


*(First published 22/04/07)

FUFU (FUNGE in Angola)

Fufu (Foo-foo, Foufou, Foutou, fu fu) is to Western and Central Africa cooking what mashed potatoes are to traditional European-American cooking. There are Fufu-like staples all over Sub-Saharan Africa: i.e., Eastern Africa's Ugali and Southern Africa's Sadza (which are usually made from ground corn (maize), though West Africans use maize to make Banku and Kenkey, and sometimes use maize to make Fufu. Fufu is a starchy accompaniment for stews or other dishes with sauce. To eat fufu: use your right hand to tear off a bite-sized piece of the fufu, shape it into a ball, make an indentation in it, and use it to scoop up the soup or stew or sauce, or whatever you're eating.

(For more details see the Congo Cookbook)

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For some food for thought see the attached article, taken from the interesting blog "Cultural Vulturism".

...

Sobre “vulturismo cultural”, ver ainda, no contexto Indio-Americano, sinopse de uma Conferencia (“Meeting of Indian Professors Takes Up Issues of ‘Ethnic Fraud’, Sovereignty and Research Needs”), onde se pode ler o seguinte: “Cultural vulturism has increased in recent years in spite of the efforts of Indian intellectual criticisms. More needs to be done.” NESTA pagina. (... De notar que os tais Professores Indios devem ser uma "kambada de ignorantes, racistas, complexados e constrangidos"... para dizer o minimo!)

...

Ja' agora, ver tambem ESTA DISCUSSAO (... De notar que o autor do argumento aqui reproduzido nao deve passar de um "invejoso, rancoroso, frustrado e muito de mal com a vida e com o mundo, enfim, um petit-rien"... para nao dizer mais!)

...

[Neste "Dia da Terra" tentemos olhar para a nossa bola de funge como uma representacao do planeta em que vivemos e dessa terra sem a qual nao poderemos continuar a plantar e a colher o milho, a mandioca ou o yam com que milhoes de nos nos alimentamos e mantemos vivos ha' milenios... com que milhoes de filhos desta terra reproduziram as suas energias para a construcao de um 'Novo Mundo' dentro e fora de Afrika.

Vamos Reunir... Vamos encontrar a Harmonia...
Vamos falar da Terra... Vamos esquecer a Guerra!]

...





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Reunir (Funge de Domingo) - Teta Lando


*(First published 22/04/07)

Sunday, 12 August 2007

SUNDAY SMILE



{Para o Denudado}
Looks creasy, looks browny… but it’s actually a plain, simple, golden... smile.
{It's a card offered to me, some 10 years ago, by my best work colleague ever, Sue Towns. I always keep and look at it with a smile.}





{Para o Denudado}
Looks creasy, looks browny… but it’s actually a plain, simple, golden... smile.
{It's a card offered to me, some 10 years ago, by my best work colleague ever, Sue Towns. I always keep and look at it with a smile.}



Sunday, 5 August 2007

SUNDAY SUN


Skies less stormy
Rivers calming down
Watery lanes less watery
Floods drying down

Here comes the Sun…

Skies less stormy
Rivers calming down
Watery lanes less watery
Floods drying down

Here comes the Sun…

Sunday, 8 July 2007

SUNDAY DREADS








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Natty Dread (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)








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Rebel Music (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)











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Am-A-Do (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)












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Revolution (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)









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Talking Blues (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)










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Them Belly Full (But We Hungry)-(Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)








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Lively Up Yourself (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)





Extracts from Alice Walker’s introduction to “Dreads” by F. Mastalia and A. Pagano (© Artisan, New York, 1999)

[Except for Redemption Song that is still here, ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO HERE]








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Natty Dread (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)








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Am-A-Do (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)












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Revolution (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)









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Talking Blues (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)










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Them Belly Full (But We Hungry)-(Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)








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Lively Up Yourself (Bob Marley, The Wailers & The I-Threes)





Extracts from Alice Walker’s introduction to “Dreads” by F. Mastalia and A. Pagano (© Artisan, New York, 1999)

[Except for Redemption Song that is still here, ALL SONGS IN THIS POST CAN BE LISTENED TO HERE]

Sunday, 1 July 2007

BEAUX DIMANCHES

Yup (or yak, take your pick...) that's a cigarette there...

*England goes (went?) 'Smoke Free' today*

*Princes William and Harry gave a big party at Wembley Stadium today in honour of their late mother*

*The Spice Girls announced this week they're regrouping. Question: What for, to perform at Wembley today... to be invited to the first Brown's bash at No. 10 for a dash of 'Old Spice & Cool Britannia'... what?! Answer: Who cares?!*

*Britain is under 'high security alert' following a number of 'foiled terrorist attacks' this week in London and Glasgow*

*Beaux Dimanches: it's the title of a nice, simple song by an African duo (sorry I didn't get their names, but apparently they're from Bamako) I heard in the wrap-up of this year's Glastonbury Festival. It was also what it was today in London, after days of continuous rain! Maybe it was Diana smiling at her boys' party from above...*
Yup (or yak, take your pick...) that's a cigarette there...

*England goes (went?) 'Smoke Free' today*

*Princes William and Harry gave a big party at Wembley Stadium today in honour of their late mother*

*The Spice Girls announced this week they're regrouping. Question: What for, to perform at Wembley today... to be invited to the first Brown's bash at No. 10 for a dash of 'Old Spice & Cool Britannia'... what?! Answer: Who cares?!*

*Britain is under 'high security alert' following a number of 'foiled terrorist attacks' this week in London and Glasgow*

*Beaux Dimanches: it's the title of a nice, simple song by an African duo (sorry I didn't get their names, but apparently they're from Bamako) I heard in the wrap-up of this year's Glastonbury Festival. It was also what it was today in London, after days of continuous rain! Maybe it was Diana smiling at her boys' party from above...*

Sunday, 24 June 2007

MUZONGUE' DE DOMINGO




Kiabos kyanvimba... Mesa kyambote'...
(Gastei m'bora na kitanda de Brixton, aqui na Londo'...)






Diakandumba (Bonga)





Kiabos kyanvimba... Mesa kyambote'...
(Gastei m'bora na kitanda de Brixton, aqui na Londo'...)






Diakandumba (Bonga)


Saturday, 16 June 2007

RECEITA PARA ULTRAPASSAR OS DOMINGOS


Como água dormida de véspera, aqui vos deixo esta receita para amanhã:

“Desce manso à cidade, na hora em que a noite indecisa se embrulha do terceiro pano e de joelhos compõe a cabeleira, retira do rosto os restos de luz e se recolhe tensa das horas por resolver. Não te deixes tentar pelas mãos de cacimbo que, de tão frescas, te poderão recolher, de novo, para o sítio dos sonhos onde as rosas de verdade nos podem explodir no peito.

A noite é enorme e hesita sempre na hora de partir. Os nossos fantasmas, lentos como cobras domésticas, gostam de se plantar – exactamente nesse momento – à beira da nossa condição frágil, rindo e à espera. Toda a gente sabe da sua paciência experimentada. Por isso acorda. Sacode a esteira e enrola-a devagarinho.

(…)

Desce, então, à cidade antes de toda a gente, porque esse é o unico momento em que Luanda se entrega à preguiça e te devolve o rosto, sem pintura, calcinado pelo tempo e ainda assim tão belo, na sua pobreza exposta maltratada pelo sol e pela fome, onde o erosinado casario se estende (a essa hora não parece sofrer de séculos de desorientação e amargura), ainda fechado ao dia, mas já desperto pelo choro de medo das canções de mar e de peixe com que as velhas preparam o caldo do pequeno-almoço. Atenção, estas nunca dormem, parecem ter escapado já à sua condição de dormir e acordar. Esperam, debruçadas na noite, envoltas num longo pano de musgo e capim e entregam aos outros (gente descuidada como tu e como eu) os sonhos que já não são capazes de sonhar.

A nossa cidade anda perdida de si mesma e não é só velhice, é antes um esquecimento que se instalou e a trata mal. Deixou de ser o espaço circular e protector de areia vermelha e súbitas lagoas. A propósito, evita, quando desceres, o Kinaxixi. Não se trata de um problema de sereias, esses seres nem machos nem fêmeas que o habitaram outrora. O problema tem a ver com pássaros que fugiram quase todos e foram inventar silêncio para outros cantos do mundo. Os que ficaram estão enredados nos limos do tempo e fabricam ninhos de seiva, na esperança de não morrerem. Não têm tempo para ti.

Por isso desce e procura as palmeiras. (…) Terás assim que visitar a ilha. Procura os antigos caminhos da água onde ainda podes ver barcos a dormir e demoradas redes postas em descanso por cima da areia. Descobre as marcas dos pés da noite e segue pelas rotas de seda para veres aonde te conduzem. Não digo já, para ser surpresa, e porque língua de coração não se escreve: é oral e perfeita.

(…)

Depois, e de alma lavada, podes voltar para casa. Mistura três colheres de sopa de café arábica (se ainda te sobrou algum do Amboim) com uma de robusta (pode ser de São Tomé) e deita na cafeteira da avó, onde deve já estar a ferver uma água dormida de pelo menos um dia. Acende uma vela branca e bebe até ao fim o café perfumado. Usa uma caneca de esmalte.

Talvez consigas então fechar os olhos, e já não digo dormir, mas entregar-te ao descanso. Os anjos, por essa hora, estão longe e deixaram acesas lamparinas de óleo de palma a marcar os caminhos. A sombra da palmeira maior velará por ti, enquanto deixa fermentar os seus pesados frutos.

É a essa hora que a cidade acorda, quando as mulheres inventam a água e um redemoinho de criancas se espalha respirando fundo a seiva da cidade. Todo o domingo passará por ti sem que o pressintas enquanto, na pá de zinco, alecrim, eucalipto, açucar mascavado e as horas se vão consumir suavemente.”

Extractos de “Receita para ultrapassar os domingos”, in A Cabeça de Salomé (2004), de Ana Paula Tavares.

Ler poema seleccionado de 'Manual para Amantes Desesperados' aqui.


Como água dormida de véspera, aqui vos deixo esta receita para amanhã:

“Desce manso à cidade, na hora em que a noite indecisa se embrulha do terceiro pano e de joelhos compõe a cabeleira, retira do rosto os restos de luz e se recolhe tensa das horas por resolver. Não te deixes tentar pelas mãos de cacimbo que, de tão frescas, te poderão recolher, de novo, para o sítio dos sonhos onde as rosas de verdade nos podem explodir no peito.

A noite é enorme e hesita sempre na hora de partir. Os nossos fantasmas, lentos como cobras domésticas, gostam de se plantar – exactamente nesse momento – à beira da nossa condição frágil, rindo e à espera. Toda a gente sabe da sua paciência experimentada. Por isso acorda. Sacode a esteira e enrola-a devagarinho.

(…)

Desce, então, à cidade antes de toda a gente, porque esse é o unico momento em que Luanda se entrega à preguiça e te devolve o rosto, sem pintura, calcinado pelo tempo e ainda assim tão belo, na sua pobreza exposta maltratada pelo sol e pela fome, onde o erosinado casario se estende (a essa hora não parece sofrer de séculos de desorientação e amargura), ainda fechado ao dia, mas já desperto pelo choro de medo das canções de mar e de peixe com que as velhas preparam o caldo do pequeno-almoço. Atenção, estas nunca dormem, parecem ter escapado já à sua condição de dormir e acordar. Esperam, debruçadas na noite, envoltas num longo pano de musgo e capim e entregam aos outros (gente descuidada como tu e como eu) os sonhos que já não são capazes de sonhar.

A nossa cidade anda perdida de si mesma e não é só velhice, é antes um esquecimento que se instalou e a trata mal. Deixou de ser o espaço circular e protector de areia vermelha e súbitas lagoas. A propósito, evita, quando desceres, o Kinaxixi. Não se trata de um problema de sereias, esses seres nem machos nem fêmeas que o habitaram outrora. O problema tem a ver com pássaros que fugiram quase todos e foram inventar silêncio para outros cantos do mundo. Os que ficaram estão enredados nos limos do tempo e fabricam ninhos de seiva, na esperança de não morrerem. Não têm tempo para ti.

Por isso desce e procura as palmeiras. (…) Terás assim que visitar a ilha. Procura os antigos caminhos da água onde ainda podes ver barcos a dormir e demoradas redes postas em descanso por cima da areia. Descobre as marcas dos pés da noite e segue pelas rotas de seda para veres aonde te conduzem. Não digo já, para ser surpresa, e porque língua de coração não se escreve: é oral e perfeita.

(…)

Depois, e de alma lavada, podes voltar para casa. Mistura três colheres de sopa de café arábica (se ainda te sobrou algum do Amboim) com uma de robusta (pode ser de São Tomé) e deita na cafeteira da avó, onde deve já estar a ferver uma água dormida de pelo menos um dia. Acende uma vela branca e bebe até ao fim o café perfumado. Usa uma caneca de esmalte.

Talvez consigas então fechar os olhos, e já não digo dormir, mas entregar-te ao descanso. Os anjos, por essa hora, estão longe e deixaram acesas lamparinas de óleo de palma a marcar os caminhos. A sombra da palmeira maior velará por ti, enquanto deixa fermentar os seus pesados frutos.

É a essa hora que a cidade acorda, quando as mulheres inventam a água e um redemoinho de criancas se espalha respirando fundo a seiva da cidade. Todo o domingo passará por ti sem que o pressintas enquanto, na pá de zinco, alecrim, eucalipto, açucar mascavado e as horas se vão consumir suavemente.”

Extractos de “Receita para ultrapassar os domingos”, in A Cabeça de Salomé (2004), de Ana Paula Tavares.

Ler poema seleccionado de 'Manual para Amantes Desesperados' aqui.

Sunday, 10 June 2007

SUNDAY CHILL


GELADO DE MUKUA... ANYONE?

GELADO DE MUKUA... ANYONE?

Sunday, 3 June 2007

SUNDAY AFTERNOON


Still on the subject of African Maths, a few days ago Ndesanjo Macha brought to my attention the history of the “Ishango bone”, which was totally unknown to me.

The Ishango bone is a calculus instrument which scientists suggest indicates a mathematical understanding that goes beyond counting. Found in 1960 by a Belgian explorer in the area of Ishango, which was centered near the headwaters of the Nile River, on the border between modern-day Uganda and Congo, the artifact was first estimated to originate between 9000 BC and 6500 BC. However, the dating of the site where it was discovered was re-evaluated, and is now believed to be more than 20,000 years old.

The lakeside Ishango population of 20000 years ago may have been one of the first counting societies, but it lasted only a few hundred years before being buried by a volcanic eruption.

(Read more detailed information here)



Still on the subject of African Maths, a few days ago Ndesanjo Macha brought to my attention the history of the “Ishango bone”, which was totally unknown to me.

The Ishango bone is a calculus instrument which scientists suggest indicates a mathematical understanding that goes beyond counting. Found in 1960 by a Belgian explorer in the area of Ishango, which was centered near the headwaters of the Nile River, on the border between modern-day Uganda and Congo, the artifact was first estimated to originate between 9000 BC and 6500 BC. However, the dating of the site where it was discovered was re-evaluated, and is now believed to be more than 20,000 years old.

The lakeside Ishango population of 20000 years ago may have been one of the first counting societies, but it lasted only a few hundred years before being buried by a volcanic eruption.

(Read more detailed information here)


Sunday, 20 May 2007

SUNDAY BRUNCH


Recebi o texto em anexo, por e-mail, atraves de um daqueles longos forwards em cadeia que nao deixam saber de quem e' a sua autoria...

Suscitou-me algumas questoes, em geito de "food for thought", como por exemplo: sera' que ser Angolano e' mesmo "so" isso... ou e' "tambem" isso? E porque que assim o e'? E sera' que sempre foi assim?

O QUE E', AFINAL, SER-SE ANGOLANO?


(LER AQUI)

Recebi o texto em anexo, por e-mail, atraves de um daqueles longos forwards em cadeia que nao deixam saber de quem e' a sua autoria...

Suscitou-me algumas questoes, em geito de "food for thought", como por exemplo: sera' que ser Angolano e' mesmo "so" isso... ou e' "tambem" isso? E porque que assim o e'? E sera' que sempre foi assim?

O QUE E', AFINAL, SER-SE ANGOLANO?


(LER AQUI)

Sunday, 6 May 2007

SUNDAY BRAAI


FOR SOME FOOD FOR THOUGHT

READ FERNANDO PACHECO'S

"A AJUDA AO DESENVOLVIMENTO EM ANGOLA"

(
HERE)

EXTRACTS:

Quem ajuda quem?

A cooperação, entendida na vertente da ajuda ao desenvolvimento, é uma actividade que faz correr rios de tinta em matéria de crítica. Qualquer forma de cooperação pressupõe participação das partes envolvidas de forma equilibrada, sobretudo no que diz respeito ao processo de tomada de decisões. No entanto, quando se fala de cooperação para o desenvolvimento, estamos, obviamente, perante uma falácia, porque, na realidade, ela é percebida como funcionando num único sentido: um dá e outro recebe, quer se trate de finanças, de bens materiais ou de ideias.

Finalmente…

Relativamente a Portugal, é reconhecido o papel fundamental que o país teve no período de vigência da troika ligada ao processo de paz. Mas foi perdendo influência, e hoje a cooperação com Portugal é vista como pouco eficaz e consistente, baseada em projectos sem coordenação. Muitas vezes pensamos que as relações pessoais podem trazer vantagens, mas já vimos que também podem trazer desvantagens. É preciso ter cuidado com o aproveitamento desses aspectos e não sobrevalorizar a língua e a história. Muitas vezes as percepções impedem o conhecimento da nova realidade que começa a nascer em Angola. Portugal, mesmo com poucos recursos financeiros, pode ocupar um lugar importante no núcleo duro de doadores, principalmente se souber tirar melhor partido das agências multilaterais, pois em Angola é quase nula a presença de portugueses nas instituições da União Europeia, do Banco Mundial ou das agências das Nações Unidas. Ultrapassados os complexos de colonizador e colonizado, Portugal pode integrar e influenciar o grupo de amigos que Angola necessita para fazerem a ponte com os países mais poderosos.


FOR SOME FOOD FOR THOUGHT

READ FERNANDO PACHECO'S

"A AJUDA AO DESENVOLVIMENTO EM ANGOLA"

(
HERE)

EXTRACTS:

Quem ajuda quem?

A cooperação, entendida na vertente da ajuda ao desenvolvimento, é uma actividade que faz correr rios de tinta em matéria de crítica. Qualquer forma de cooperação pressupõe participação das partes envolvidas de forma equilibrada, sobretudo no que diz respeito ao processo de tomada de decisões. No entanto, quando se fala de cooperação para o desenvolvimento, estamos, obviamente, perante uma falácia, porque, na realidade, ela é percebida como funcionando num único sentido: um dá e outro recebe, quer se trate de finanças, de bens materiais ou de ideias.

Finalmente…

Relativamente a Portugal, é reconhecido o papel fundamental que o país teve no período de vigência da troika ligada ao processo de paz. Mas foi perdendo influência, e hoje a cooperação com Portugal é vista como pouco eficaz e consistente, baseada em projectos sem coordenação. Muitas vezes pensamos que as relações pessoais podem trazer vantagens, mas já vimos que também podem trazer desvantagens. É preciso ter cuidado com o aproveitamento desses aspectos e não sobrevalorizar a língua e a história. Muitas vezes as percepções impedem o conhecimento da nova realidade que começa a nascer em Angola. Portugal, mesmo com poucos recursos financeiros, pode ocupar um lugar importante no núcleo duro de doadores, principalmente se souber tirar melhor partido das agências multilaterais, pois em Angola é quase nula a presença de portugueses nas instituições da União Europeia, do Banco Mundial ou das agências das Nações Unidas. Ultrapassados os complexos de colonizador e colonizado, Portugal pode integrar e influenciar o grupo de amigos que Angola necessita para fazerem a ponte com os países mais poderosos.

Sunday, 15 April 2007

SUNDAY PAPER


"GETTING TOUGH WITH THE PETRO-ELITES"



That's the title of the attached article, which my friend Luis, based in Lisbon, kindly sent to me during the week.

Inicially appeared four days ago in the International Herald Tribune, it has since been disseminated and quoted throughout other media.

I should perhaps note that one of its co-authors, Ricardo Soares de Oliveira, has contributed an article to the 2007 Norwegian Council for Africa Anthology, in which I've also participated (see here), making us the only two contributors from the lusophone world to that anthology. Hoping that some more will contribute in years to come.


Click here for some food for thought


"GETTING TOUGH WITH THE PETRO-ELITES"



That's the title of the attached article, which my friend Luis, based in Lisbon, kindly sent to me during the week.

Inicially appeared four days ago in the International Herald Tribune, it has since been disseminated and quoted throughout other media.

I should perhaps note that one of its co-authors, Ricardo Soares de Oliveira, has contributed an article to the 2007 Norwegian Council for Africa Anthology, in which I've also participated (see here), making us the only two contributors from the lusophone world to that anthology. Hoping that some more will contribute in years to come.


Click here for some food for thought

Sunday, 1 April 2007

"LATE SUNDAY SERVICE"



“Colonial Bliss”? Well, I would say 'there’s more to the picture than meets the eye'… But I like it anyway.



Esta e’ uma fotografia de familia. Era certamente um domingo, porque trata-se do baptizado da minha terceira irma (eu sou a mais pequena do grupo de tres meninas de pe' a frente do grupo – as outras duas sao as minhas irmas mais velhas; a mais proxima esta' a agarrar-me como que para "me travar a vontade de fugir do grupo"...). Foi tirada em Luanda, em 1963.

Do lado direito do padre esta' a minha mae e ao lado dela o meu tio mais carismatico, irmao do meu pai (o meu pai esta' ausente da foto por "razoes imponderaveis"). A minha avo materna, do lado esquerdo do Sr. alto de oculos (do seu lado direito esta’ o meu avo e ao lado do meu avo a minha mais querida tia), era neta de um dos Reis do Kongo. Foi ela que me deu o nome Koluki, originalmente de uma das suas ascendentes e que significa aproximadamente "aquela que tem visao".

Tera’ a minha familia directa tido escravos? Nem pouco mais ou menos.
Terao os ascendentes directos da minha avo possuido escravos? E’ possivel.
Tera’ o bisavo da minha avo vendido escravos aos europeus? Nao ha nada que o comprove.
Teria eu algum sentimento de culpa caso a resposta a cada uma dessas perguntas fosse positiva? Certamente.
Teria eu pedido desculpas aos descendentes das vitimas, caso tivesse respostas positivas a qualquer dessas perguntas? Talvez, se a instituicao “Reino do Kongo” nao tivesse sido “arrasada” no terrivel processo historico que se conhece (embora pouco e enviesadamente). Apenas a ela caberia pedir desculpas.

Mas, a julgar pelo teor das cartas em anexo de um dos Reis do Kongo ao entao Rei de Portugal, tambem e' possivel que haja entre os actuais afrodescendentes nas Americas e quica na Europa e noutras partes do mundo descendentes de escravos que eram nossos familiares directos...

[FIND SOME FOOD FOR THOUGHT HERE]




“Colonial Bliss”? Well, I would say 'there’s more to the picture than meets the eye'… But I like it anyway.



Esta e’ uma fotografia de familia. Era certamente um domingo, porque trata-se do baptizado da minha terceira irma (eu sou a mais pequena do grupo de tres meninas de pe' a frente do grupo – as outras duas sao as minhas irmas mais velhas; a mais proxima esta' a agarrar-me como que para "me travar a vontade de fugir do grupo"...). Foi tirada em Luanda, em 1963.

Do lado direito do padre esta' a minha mae e ao lado dela o meu tio mais carismatico, irmao do meu pai (o meu pai esta' ausente da foto por "razoes imponderaveis"). A minha avo materna, do lado esquerdo do Sr. alto de oculos (do seu lado direito esta’ o meu avo e ao lado do meu avo a minha mais querida tia), era neta de um dos Reis do Kongo. Foi ela que me deu o nome Koluki, originalmente de uma das suas ascendentes e que significa aproximadamente "aquela que tem visao".

Tera’ a minha familia directa tido escravos? Nem pouco mais ou menos.
Terao os ascendentes directos da minha avo possuido escravos? E’ possivel.
Tera’ o bisavo da minha avo vendido escravos aos europeus? Nao ha nada que o comprove.
Teria eu algum sentimento de culpa caso a resposta a cada uma dessas perguntas fosse positiva? Certamente.
Teria eu pedido desculpas aos descendentes das vitimas, caso tivesse respostas positivas a qualquer dessas perguntas? Talvez, se a instituicao “Reino do Kongo” nao tivesse sido “arrasada” no terrivel processo historico que se conhece (embora pouco e enviesadamente). Apenas a ela caberia pedir desculpas.

Mas, a julgar pelo teor das cartas em anexo de um dos Reis do Kongo ao entao Rei de Portugal, tambem e' possivel que haja entre os actuais afrodescendentes nas Americas e quica na Europa e noutras partes do mundo descendentes de escravos que eram nossos familiares directos...

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Sunday, 18 March 2007

"SUNDAY ROAST"


Moamba de galinha: a receita pode ser encontrada nos
'Sabores da Diversidade'

For some Food for Thought click Here.

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'Sabores da Diversidade'

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