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Saturday, 22 May 2010

Vate Costa (R.I.P.)

[Em homenagem a Vate Costa, vocalista dos Kiezos, de cujo falecimento acabo de ter conhecimento, relembro hoje alguns posts sobre os Kiezos publicados neste blog noutras ocasioes]

[Imagem SA]

"Milhorro’ foi escrito por Abel Murrimba (“Murrimba Show”) em 1961, num botequim do Marçal. Milhorro’ e’ giria para melhorar: Angola tem que melhorar. “Vão se embora” – subentendido, os colonialistas – “isto assim não pode ser.”
A versão de 61 tambem falava dos arrarakuaras, a policia indigena criada para fazer rusgas nos bairros. Quando os Kiezos lançaram esta musica em 1972, foram interpelados no salão do Batalha pela Pide.
Murrimba Show teve que inventar uma explicação: o convite a irem-se embora era dirigido ao Cabinda Ritmos que fazia muito sucesso em Luanda, lhes roubando publico e namoradas. Milhorro', tocado a boa maneira dos Kiezos, foi um grande sucesso."*


Milhorro' - Kiezos (Voz de Vate Costa)


*(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)

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What's Really New

Sobre o 4 de Fevereiro

Sobre o Estado da Cultura Nacional
[Em homenagem a Vate Costa, vocalista dos Kiezos, de cujo falecimento acabo de ter conhecimento, relembro hoje alguns posts sobre os Kiezos publicados neste blog noutras ocasioes]

[Imagem SA]

"Milhorro’ foi escrito por Abel Murrimba (“Murrimba Show”) em 1961, num botequim do Marçal. Milhorro’ e’ giria para melhorar: Angola tem que melhorar. “Vão se embora” – subentendido, os colonialistas – “isto assim não pode ser.”
A versão de 61 tambem falava dos arrarakuaras, a policia indigena criada para fazer rusgas nos bairros. Quando os Kiezos lançaram esta musica em 1972, foram interpelados no salão do Batalha pela Pide.
Murrimba Show teve que inventar uma explicação: o convite a irem-se embora era dirigido ao Cabinda Ritmos que fazia muito sucesso em Luanda, lhes roubando publico e namoradas. Milhorro', tocado a boa maneira dos Kiezos, foi um grande sucesso."*


Milhorro' - Kiezos (Voz de Vate Costa)


*(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)

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Sobre o 4 de Fevereiro

Sobre o Estado da Cultura Nacional

Wednesday, 21 March 2007

ANGOLA: SOBRE O ESTADO DA CULTURA NACIONAL

“Marito no Fundo do Poço”




Uma boa parte dos fundadores ou dos mais antigos integrantes dos «Kiezos», agrupamento musical que marcou a época de ouro do semba angolano, está a viver miseravelmente, em face das grandes privações por que passa, diante do olhar silencioso dos responsáveis do ministério da Cultura, que tinham a obrigação de os ajudar a reaver a dignidade, pelo contributo inestimável dado ao desenvolvimento do sector.

O Tony do órgão, que agora anda de muletas, está feito um «menino de rua», recolhido numa carcaça de automóvel no Marçal, ao lado da casa do falecido Santo António, o «Diminhê», um boémio da banda, falecido recentemente. O Marito, o maior solista angolano de todos os tempos, está a passar por uma grave crise existencial, andando por aí feito um andrajoso, ainda que limpo. Com algum apoio, se calhar para uma desintoxicação e outras recuperações, ainda podemos tê-lo por aí de cabeça erguida. Ao contrário, não deverá resistir muito tempo. E depois é que virão os reconhecimentos oficiais e os choros hipócritas de puros crocodilos de quem não perde ocasiões destas para aparecer na ribalta. E lá se vão os «Kiezos».

(Fonte: Semanário Angolense)


(Rumba 70 - Kiezos)

"Ministério da Cultura Desrespeita os Criadores"


Marcela Costa, distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2002, é uma mulher empreendedora que tem surpreendido o mundo cultural angolano com as suas iniciativas arrojadas, apesar das poucas receitas que tem. Proprietária da galeria Celamar, afirmou que a sua casa de cultura não tem merecido o devido reconhecimento das entidades nacionais. "O nosso projecto ainda não é valorizado, pois nunca recebemos algum valor que possibilite levar a cabo um programa anual".

Revelou que recentemente a sua galeria recebeu o equivalente a cinco mil dólares norte americanos para serem geridos em um ano, um montante insuficiente para fazer face aos projectos que tem. Fruto da forma como o seu projecto é tratado e tendo em conta a sua experiência no ramo afirmou que a verba atribuída configura um desrespeito por parte do Ministério da Cultura, sobretudo em relação a sua galeria. A responsável chamou atenção ao Ministério da Cultura, com realce para o sector de Acção Cultural, para que quando o Governo estiver a distribuir as verbas não confundir Marcela Costa com a galeria Celamar.

As bolsas de formação para os criadores não chegam ao seu destino, uma situação que também preocupa a artista, que, entretanto, não dá costas a luta, continuando a manter o intercâmbio com algumas organizações internacionais. A sua postura levou a que conseguisse trazer um grupo de formadores suecos que ministraram um curso aos criadores nacionais. A acção formativa trouxe grande experiência aos meninos que vivem em alguns lares, uma vez que tiveram a singular oportunidade de aprender novas técnicas de trabalho em artes plásticas, assim como com fotografia.

Dentre as suas vitórias consta ainda uma exposição de obras de artes plásticas, de criadoras nacionais e estrangeiras, patente na galeria Celamar, em Luanda, em alusão ao mês de Março, dedicado a mulher e enquadrado no projecto "Arte Mulher". Segundo Marcela Costa o projecto caminha na sua 4ª edição e tem como objectivo unir todas criadoras culturais, num projecto que engloba a pintura e a moda. Das obras realçam-se fotografias tiradas com máquinas feitas a base de latas de leite. As obras falam do quotidiano, de cultura e da problemática ambiental. Dentre os participantes contam-se angolanos, sul-africanos, venezuelanos, noruegueses, britânicos e suecos.

Apesar da ampla participação, Marcela Costa lamenta o facto de não contar com obras de países africanos de expressão portuguesa. "Tratando-se de um evento realizado em África, devia ser dominado por africanos", disse. Ainda assim, a mentora da exposição garante que os seus esforços visam enaltecer o talento feminino, levando em conta trabalhos de artistas consagradas na arte do belo, da poesia e da moda. As jovens e adolescentes da Associação de Apoio à Criança Abandonada (AACA) participam igualmente mostrando a sua criatividade no concernente a dança, batuque e canto, referiu.

(Fonte: Jornal Angolense)

“Marito no Fundo do Poço”




Uma boa parte dos fundadores ou dos mais antigos integrantes dos «Kiezos», agrupamento musical que marcou a época de ouro do semba angolano, está a viver miseravelmente, em face das grandes privações por que passa, diante do olhar silencioso dos responsáveis do ministério da Cultura, que tinham a obrigação de os ajudar a reaver a dignidade, pelo contributo inestimável dado ao desenvolvimento do sector.

O Tony do órgão, que agora anda de muletas, está feito um «menino de rua», recolhido numa carcaça de automóvel no Marçal, ao lado da casa do falecido Santo António, o «Diminhê», um boémio da banda, falecido recentemente. O Marito, o maior solista angolano de todos os tempos, está a passar por uma grave crise existencial, andando por aí feito um andrajoso, ainda que limpo. Com algum apoio, se calhar para uma desintoxicação e outras recuperações, ainda podemos tê-lo por aí de cabeça erguida. Ao contrário, não deverá resistir muito tempo. E depois é que virão os reconhecimentos oficiais e os choros hipócritas de puros crocodilos de quem não perde ocasiões destas para aparecer na ribalta. E lá se vão os «Kiezos».

(Fonte: Semanário Angolense)


(Rumba 70 - Kiezos)

"Ministério da Cultura Desrespeita os Criadores"


Marcela Costa, distinguida com o Prémio Nacional de Cultura e Artes em 2002, é uma mulher empreendedora que tem surpreendido o mundo cultural angolano com as suas iniciativas arrojadas, apesar das poucas receitas que tem. Proprietária da galeria Celamar, afirmou que a sua casa de cultura não tem merecido o devido reconhecimento das entidades nacionais. "O nosso projecto ainda não é valorizado, pois nunca recebemos algum valor que possibilite levar a cabo um programa anual".

Revelou que recentemente a sua galeria recebeu o equivalente a cinco mil dólares norte americanos para serem geridos em um ano, um montante insuficiente para fazer face aos projectos que tem. Fruto da forma como o seu projecto é tratado e tendo em conta a sua experiência no ramo afirmou que a verba atribuída configura um desrespeito por parte do Ministério da Cultura, sobretudo em relação a sua galeria. A responsável chamou atenção ao Ministério da Cultura, com realce para o sector de Acção Cultural, para que quando o Governo estiver a distribuir as verbas não confundir Marcela Costa com a galeria Celamar.

As bolsas de formação para os criadores não chegam ao seu destino, uma situação que também preocupa a artista, que, entretanto, não dá costas a luta, continuando a manter o intercâmbio com algumas organizações internacionais. A sua postura levou a que conseguisse trazer um grupo de formadores suecos que ministraram um curso aos criadores nacionais. A acção formativa trouxe grande experiência aos meninos que vivem em alguns lares, uma vez que tiveram a singular oportunidade de aprender novas técnicas de trabalho em artes plásticas, assim como com fotografia.

Dentre as suas vitórias consta ainda uma exposição de obras de artes plásticas, de criadoras nacionais e estrangeiras, patente na galeria Celamar, em Luanda, em alusão ao mês de Março, dedicado a mulher e enquadrado no projecto "Arte Mulher". Segundo Marcela Costa o projecto caminha na sua 4ª edição e tem como objectivo unir todas criadoras culturais, num projecto que engloba a pintura e a moda. Das obras realçam-se fotografias tiradas com máquinas feitas a base de latas de leite. As obras falam do quotidiano, de cultura e da problemática ambiental. Dentre os participantes contam-se angolanos, sul-africanos, venezuelanos, noruegueses, britânicos e suecos.

Apesar da ampla participação, Marcela Costa lamenta o facto de não contar com obras de países africanos de expressão portuguesa. "Tratando-se de um evento realizado em África, devia ser dominado por africanos", disse. Ainda assim, a mentora da exposição garante que os seus esforços visam enaltecer o talento feminino, levando em conta trabalhos de artistas consagradas na arte do belo, da poesia e da moda. As jovens e adolescentes da Associação de Apoio à Criança Abandonada (AACA) participam igualmente mostrando a sua criatividade no concernente a dança, batuque e canto, referiu.

(Fonte: Jornal Angolense)

Sunday, 4 February 2007

4 de FEVEREIRO

Para assinalar o 4 de Fevereiro parece particularmente apropriado acrescentar hoje ‘a ‘playlist’ dos Kiezos o Milhorro’. "Milhorro’ foi escrito por Abel Murrimba (“Murrimba Show”) em 1961, num botequim do Marçal. Milhorro’ e’ giria para melhorar: Angola tem que melhorar. “Vão se embora” – subentendido, os colonialistas – “isto assim não pode ser.” A versão de 61 tambem falava dos arrarakuaras, a policia indigena criada para fazer rusgas nos bairros. Quando os Kiezos lançaram esta musica em 1972, foram interpelados no salão do Batalha pela Pide. Murrimba Show teve que inventar uma explicação: o convite a irem-se embora era dirigido ao Cabinda Ritmos que fazia muito sucesso em Luanda, lhes roubando publico e namoradas. Milhorro', tocado a boa maneira dos Kiezos, foi um grande sucesso."*

Entretanto...

Governo de Luanda anula acto alusivo ao 4 de Fevereiro

O governo da província de Luanda decidiu anular a realização do acto político alusivo ao 46º aniversário do início da luta armada, que deveria ser realizado hoje no Marco Histórico do 4 de Fevereiro, no município do Cazenga.
De acordo com uma nota de imprensa emitida pelo governo de Luanda, a anulação da realização do acto político se deve ao momento actual de consternação dos luandenses, provocada pelas consequências das últimas enxurradas que se abateram sobre a capital, e ao estado degradante das vias de acesso ao Marco Histórico.
O acto anulado constava do programa das comemorações do 46º aniversário do início da luta armada, o qual , entretanto, mantém a homenagem aos heróis desta proeza nacionalista. A homenagem consistirá na deposição, às nove horas, de coroas de flores nos túmulos dos comandantes Paiva Domingos da Silva e Imperial Santana e do cónego Manuel das Neves, no Cemitério do Alto das Cruzes.
Do referido programa mantém-se igualmente a cerimónia de lançamento do livro “Angola-ontem e hoje-cronologia de passos rumo à libertação nacional”, do escritor António Cortez, na Liga Africana.

Fonte: Jornal de Angola

Foto: Monumento ao 4 de Fevereiro, Luanda (Angola Press)

*(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)
Para assinalar o 4 de Fevereiro parece particularmente apropriado acrescentar hoje ‘a ‘playlist’ dos Kiezos o Milhorro’. "Milhorro’ foi escrito por Abel Murrimba (“Murrimba Show”) em 1961, num botequim do Marçal. Milhorro’ e’ giria para melhorar: Angola tem que melhorar. “Vão se embora” – subentendido, os colonialistas – “isto assim não pode ser.” A versão de 61 tambem falava dos arrarakuaras, a policia indigena criada para fazer rusgas nos bairros. Quando os Kiezos lançaram esta musica em 1972, foram interpelados no salão do Batalha pela Pide. Murrimba Show teve que inventar uma explicação: o convite a irem-se embora era dirigido ao Cabinda Ritmos que fazia muito sucesso em Luanda, lhes roubando publico e namoradas. Milhorro', tocado a boa maneira dos Kiezos, foi um grande sucesso."*

Entretanto...

Governo de Luanda anula acto alusivo ao 4 de Fevereiro

O governo da província de Luanda decidiu anular a realização do acto político alusivo ao 46º aniversário do início da luta armada, que deveria ser realizado hoje no Marco Histórico do 4 de Fevereiro, no município do Cazenga.
De acordo com uma nota de imprensa emitida pelo governo de Luanda, a anulação da realização do acto político se deve ao momento actual de consternação dos luandenses, provocada pelas consequências das últimas enxurradas que se abateram sobre a capital, e ao estado degradante das vias de acesso ao Marco Histórico.
O acto anulado constava do programa das comemorações do 46º aniversário do início da luta armada, o qual , entretanto, mantém a homenagem aos heróis desta proeza nacionalista. A homenagem consistirá na deposição, às nove horas, de coroas de flores nos túmulos dos comandantes Paiva Domingos da Silva e Imperial Santana e do cónego Manuel das Neves, no Cemitério do Alto das Cruzes.
Do referido programa mantém-se igualmente a cerimónia de lançamento do livro “Angola-ontem e hoje-cronologia de passos rumo à libertação nacional”, do escritor António Cortez, na Liga Africana.

Fonte: Jornal de Angola

Foto: Monumento ao 4 de Fevereiro, Luanda (Angola Press)

*(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)

Friday, 2 February 2007

WHAT'S (REALLY) NEW

Hoje (ou antes, ontem), este blog assinalou um “marco historico”! Exactamente… Pela primeira vez desde que me meti nesta aventura, me foi possivel tecnicamente colocar aqui a minha propria musica. (But, don’t get me wrong: my Miles’s, Coltrane’s, Marsalis’s, Hancock’s and many others that have passed, or are still around here, continue very much to be my cherished pearls! In fact, from now on, I’ll be able to play the tracks that I most love from them out of my own CDs…).


E, para assinalar condignamente esse “marco historico”, a “estreia” e’ feita pelos Kiezos (Rumba 70), seguidos pelos Gingas (Lamento) in 'Spirited Sounds'.

BREVE INTRODUÇÃO:
Os Kiezos
Os Kiezos foram criados em 1964, por jovens do bairro Marçal. Tornou-se um dos conjuntos mais famosos e mais caracteristicos da capital. O ritmo dos Kiezos e’ inconfundivel: muito acelerado, rijo, enraizado no carnaval do musseque.

O Semba

O semba e’ de Luanda. Faz parte do sentimento e da expressividade dos Luandenses. Reflecte o seu andar cadenciado, a sua linguagem musical e a sua forma de estar no universo. A palavra semba vem da massemba da dança rebita. Foi a partir dessa referencia ritmica e melodica que os conjuntos luandenses forjaram o semba moderno. Cada bairro tinha um estilo, um som e uma batida proprios, so’ um ouvido muito apurado e atento, ou um bom passista os conseguia distinguir. As letras, muitas vezes da autoria dos cantores, cronicavam cenas da vida do bairro – rivalidades amorosas, ciumes e invejas – criticando os comportamentos familiares e sociais. Mas semba e’ antes de tudo dança, um dos grandes prazeres dos Luandenses.

Origens

Esse ritmo sensual, quente e cadenciado, e’ a fusao de ritmos de Angola e de outros do exterior. As varias adaptações e conjugações das danças de carnaval – kazukuta, kabetula, kabuko, maringa, dizanda – definem os diversos estilos de sembas. A criatividade ritmica, melodica e harmonica, assim como a evolução da instrumentação firmaram as bases do semba dos anos 70.

Instrumentos

Os grupos tinham percussões tradicionais e violas. Os tambores, ngomas, feitos num barril de vinho ou num tronco de arvore com peles de animais, foram substituidos por tumbas e, em vez de dois tamboristas, um a fazer grave, outro agudo, tinha um so’, com tres tumbas. Os bongos, pequenos tambores em tripe’ tocados com baguetes, substituiram as caixas tradicionais. Desapareceram progressivamente a puita (cuica) e o bate-bate (cana tocada com uma baguete e batida no chão). A dikanza (reco-reco) tem resistido mas e’ substituida hoje pelos pratos da bateria.

Ligações

Entre varias outras, a ligação com o Brasil vem do Imperio Portugues e do intenso trafico de escravos entre as duas colonias – varios milhões de angolanos foram desterrados para o Brasil nos seculos XVII e XVIII. As danças afro-brasileiras que deram forma ao samba teem muito em comum com as raizes tradicionais do semba.

Evolução

A viola – artesanal com caixa de chapa, violão acustico ou viola electrica – tem sido o instrumento fundamental da evolução do semba. Duia, dos Gingas, foi um dos primeiros grandes solistas. Marito (o de camisa cor-de-rosa no slide show), um dos fundadores dos Kiezos (Vassouras) aprendeu a tocar com Duia, criando depois o seu estilo proprio. Era muito expressivo, fazia caretas e dançava. Nestes primeiros anos de 70, o miolo da estrutura do semba e’ dado pela viola ritmica e pelo baixo. Este, que antes era de seis cordas, e’ substituido por um de quatro. Os teclados e os sopros foram se generalizando a partir do final dos anos 70.

Legado

O semba dos anos 70 tem sido um modelo, uma referencia historica e uma bandeira identitaria. E’ multiplo e diverso e ainda transformado pela criatividade de varias gerações.


(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)

Hoje (ou antes, ontem), este blog assinalou um “marco historico”! Exactamente… Pela primeira vez desde que me meti nesta aventura, me foi possivel tecnicamente colocar aqui a minha propria musica. (But, don’t get me wrong: my Miles’s, Coltrane’s, Marsalis’s, Hancock’s and many others that have passed, or are still around here, continue very much to be my cherished pearls! In fact, from now on, I’ll be able to play the tracks that I most love from them out of my own CDs…).


E, para assinalar condignamente esse “marco historico”, a “estreia” e’ feita pelos Kiezos (Rumba 70), seguidos pelos Gingas (Lamento) in 'Spirited Sounds'.

BREVE INTRODUÇÃO:
Os Kiezos
Os Kiezos foram criados em 1964, por jovens do bairro Marçal. Tornou-se um dos conjuntos mais famosos e mais caracteristicos da capital. O ritmo dos Kiezos e’ inconfundivel: muito acelerado, rijo, enraizado no carnaval do musseque.

O Semba

O semba e’ de Luanda. Faz parte do sentimento e da expressividade dos Luandenses. Reflecte o seu andar cadenciado, a sua linguagem musical e a sua forma de estar no universo. A palavra semba vem da massemba da dança rebita. Foi a partir dessa referencia ritmica e melodica que os conjuntos luandenses forjaram o semba moderno. Cada bairro tinha um estilo, um som e uma batida proprios, so’ um ouvido muito apurado e atento, ou um bom passista os conseguia distinguir. As letras, muitas vezes da autoria dos cantores, cronicavam cenas da vida do bairro – rivalidades amorosas, ciumes e invejas – criticando os comportamentos familiares e sociais. Mas semba e’ antes de tudo dança, um dos grandes prazeres dos Luandenses.

Origens

Esse ritmo sensual, quente e cadenciado, e’ a fusao de ritmos de Angola e de outros do exterior. As varias adaptações e conjugações das danças de carnaval – kazukuta, kabetula, kabuko, maringa, dizanda – definem os diversos estilos de sembas. A criatividade ritmica, melodica e harmonica, assim como a evolução da instrumentação firmaram as bases do semba dos anos 70.

Instrumentos

Os grupos tinham percussões tradicionais e violas. Os tambores, ngomas, feitos num barril de vinho ou num tronco de arvore com peles de animais, foram substituidos por tumbas e, em vez de dois tamboristas, um a fazer grave, outro agudo, tinha um so’, com tres tumbas. Os bongos, pequenos tambores em tripe’ tocados com baguetes, substituiram as caixas tradicionais. Desapareceram progressivamente a puita (cuica) e o bate-bate (cana tocada com uma baguete e batida no chão). A dikanza (reco-reco) tem resistido mas e’ substituida hoje pelos pratos da bateria.

Ligações

Entre varias outras, a ligação com o Brasil vem do Imperio Portugues e do intenso trafico de escravos entre as duas colonias – varios milhões de angolanos foram desterrados para o Brasil nos seculos XVII e XVIII. As danças afro-brasileiras que deram forma ao samba teem muito em comum com as raizes tradicionais do semba.

Evolução

A viola – artesanal com caixa de chapa, violão acustico ou viola electrica – tem sido o instrumento fundamental da evolução do semba. Duia, dos Gingas, foi um dos primeiros grandes solistas. Marito (o de camisa cor-de-rosa no slide show), um dos fundadores dos Kiezos (Vassouras) aprendeu a tocar com Duia, criando depois o seu estilo proprio. Era muito expressivo, fazia caretas e dançava. Nestes primeiros anos de 70, o miolo da estrutura do semba e’ dado pela viola ritmica e pelo baixo. Este, que antes era de seis cordas, e’ substituido por um de quatro. Os teclados e os sopros foram se generalizando a partir do final dos anos 70.

Legado

O semba dos anos 70 tem sido um modelo, uma referencia historica e uma bandeira identitaria. E’ multiplo e diverso e ainda transformado pela criatividade de varias gerações.


(Extracto de compilação de textos de Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s – Buda Musique 1999)