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Tuesday, 9 August 2011

Tottenham Latino - Por Isaac Bigio*





No primeiro fim de semana de agosto, toda a imprensa mundial reproduziu fotos dos edifícios e veículos queimados em Tottenham, no que é apresentado como o pior ato de vandalismo ocorrido no Reino Unido, neste século, e que já está se difundindo para outras partes da capital inglesa, dando vazão a um descontentamento – principalmente com os cortes nos gastos públicos promovidos pelo governo de coalizão, já motivo de vários protestos de estudantes e sindicatos este ano – que parece não ter fim.
Apesar de Haringey, o bairro que inclui Tottenham, ter o quarto índice de pobreza mais alto de Londres e um índice de desemprego de 8.8% – o dobro da média nacional, com uma vaga disputada em média por 54 candidatos –, há outra face do distrito, que é o mais multiétnico de Londres e talvez da Europa: este é um lugar onde muito se promove a harmonia e a multiculturalidade, e onde há fortes raízes latinas – como as deste colunista.

Multiculturalismo

Tottenham é uma das duas partes de Haringey, ao noroeste de Londres, por onde passa o rio Lea, pouco antes de desembocar no Tâmisa, na vila das Olimpíadas de 2012. Quando se chega ali, causa surpresa ver uma loja somali ao lado de uma japonesa, ao lado de uma turca, ao lado do maior mercado latino-americano do Reino Unido (o Pueblito Paísa), etc.
Desde seu surgimento, Tottenham teve uma forte presença de imigrantes provenientes do mundo de fala hispânica e portuguesa. Ali viveram vários notáveis com nomes e sobrenomes ibéricos como Baltazar Sánchez, que introduziu a cana de açúcar e os doces na Grã-Bretanha, e vários membros da corte de Catarina de Bragança, a rainha portuguesa que popularizou o chá e os garfos na Inglaterra e cuja família governou o Brasil durante a maior parte de sua história (incluindo a primeira terça parte de sua vida independente).

Judeus hispânicos

Ainda hoje, quando alguém chega a Tottenham, vindo do centro de Londres, pode passar por Stanford Hill, um dos bairros de judeus ortodoxos mais antigos do Atlântico. Diferentemente dos judeus das Américas (provenientes da Europa oriental), os da Inglaterra chegaram falando espanhol e português, pois foram deportados de sua Ibéria natal no mesmo ano em que Colombo iniciou a conquista dos ameríndios (1492).
Muitos dos judeus de Tottenham têm suas raízes nessa imigração hispânica de quase quatro séculos, e vários deles rezam na Sinagoga Espanhola e Portuguesa, que é o único templo hebreu na Europa que nunca fechou, em três séculos de vida.

Harmonia

Tottenham é um lugar onde se podem encontrar templos de todas as crenças convivendo em harmonia. Cada domingo há uma missa em espanhol na igreja católica de Santo Inácio, a qual está em frente a um dos edifícios da maior igreja não-católica nascida na América latina (a Universal, criada no Brasil) e está rodeada por mesquitas e sinagogas de todas as tendências (desde as que apóiam Israel até as que pedem que este país seja substituído por uma Palestina árabe).
O castelo de Bruce, em cujo parque termina o Carnaval de Tottenham e o Carnaval Latino, o maior do norte de Londres, foi anteriormente uma escola que atraía, no século 19, muitos hispânicos interessados em aprender inglês.
Infelizmente, pobreza, discriminação e falta de oportunidades também marcam esse distrito, povoado em grande maioria por uma população de origem imigrante, cuja relação com a Polícia Metropolitana de Londres está há tempos avariada, devido à revistas constantes para averiguações e mortes sem explicação, como a do jovem Mark Duggan, ainda não esclarecida, em cuja cena do crime só foram encontradas balas provenientes da armas dos policiais.

(*) Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics. É um dos analistas políticos latino-americanos mais publicados do mundo. Tradução de Angélica Campos/BR Press.






No primeiro fim de semana de agosto, toda a imprensa mundial reproduziu fotos dos edifícios e veículos queimados em Tottenham, no que é apresentado como o pior ato de vandalismo ocorrido no Reino Unido, neste século, e que já está se difundindo para outras partes da capital inglesa, dando vazão a um descontentamento – principalmente com os cortes nos gastos públicos promovidos pelo governo de coalizão, já motivo de vários protestos de estudantes e sindicatos este ano – que parece não ter fim.
Apesar de Haringey, o bairro que inclui Tottenham, ter o quarto índice de pobreza mais alto de Londres e um índice de desemprego de 8.8% – o dobro da média nacional, com uma vaga disputada em média por 54 candidatos –, há outra face do distrito, que é o mais multiétnico de Londres e talvez da Europa: este é um lugar onde muito se promove a harmonia e a multiculturalidade, e onde há fortes raízes latinas – como as deste colunista.

Multiculturalismo

Tottenham é uma das duas partes de Haringey, ao noroeste de Londres, por onde passa o rio Lea, pouco antes de desembocar no Tâmisa, na vila das Olimpíadas de 2012. Quando se chega ali, causa surpresa ver uma loja somali ao lado de uma japonesa, ao lado de uma turca, ao lado do maior mercado latino-americano do Reino Unido (o Pueblito Paísa), etc.
Desde seu surgimento, Tottenham teve uma forte presença de imigrantes provenientes do mundo de fala hispânica e portuguesa. Ali viveram vários notáveis com nomes e sobrenomes ibéricos como Baltazar Sánchez, que introduziu a cana de açúcar e os doces na Grã-Bretanha, e vários membros da corte de Catarina de Bragança, a rainha portuguesa que popularizou o chá e os garfos na Inglaterra e cuja família governou o Brasil durante a maior parte de sua história (incluindo a primeira terça parte de sua vida independente).

Judeus hispânicos

Ainda hoje, quando alguém chega a Tottenham, vindo do centro de Londres, pode passar por Stanford Hill, um dos bairros de judeus ortodoxos mais antigos do Atlântico. Diferentemente dos judeus das Américas (provenientes da Europa oriental), os da Inglaterra chegaram falando espanhol e português, pois foram deportados de sua Ibéria natal no mesmo ano em que Colombo iniciou a conquista dos ameríndios (1492).
Muitos dos judeus de Tottenham têm suas raízes nessa imigração hispânica de quase quatro séculos, e vários deles rezam na Sinagoga Espanhola e Portuguesa, que é o único templo hebreu na Europa que nunca fechou, em três séculos de vida.

Harmonia

Tottenham é um lugar onde se podem encontrar templos de todas as crenças convivendo em harmonia. Cada domingo há uma missa em espanhol na igreja católica de Santo Inácio, a qual está em frente a um dos edifícios da maior igreja não-católica nascida na América latina (a Universal, criada no Brasil) e está rodeada por mesquitas e sinagogas de todas as tendências (desde as que apóiam Israel até as que pedem que este país seja substituído por uma Palestina árabe).
O castelo de Bruce, em cujo parque termina o Carnaval de Tottenham e o Carnaval Latino, o maior do norte de Londres, foi anteriormente uma escola que atraía, no século 19, muitos hispânicos interessados em aprender inglês.
Infelizmente, pobreza, discriminação e falta de oportunidades também marcam esse distrito, povoado em grande maioria por uma população de origem imigrante, cuja relação com a Polícia Metropolitana de Londres está há tempos avariada, devido à revistas constantes para averiguações e mortes sem explicação, como a do jovem Mark Duggan, ainda não esclarecida, em cuja cena do crime só foram encontradas balas provenientes da armas dos policiais.

(*) Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics. É um dos analistas políticos latino-americanos mais publicados do mundo. Tradução de Angélica Campos/BR Press.


Saturday, 22 January 2011

JUST POETRY (V) [R]* [Actualizado]



PARA ANGOLA, RAPIDAMENTE E EM FORÇA

Peço ao vento por graçola
notícias do meu país
e o vento diz: «Vai para Angola».
(É o que o vento me diz.)
«Tem juízo, vai para Angola,
isto aqui está por um triz.»

Vamos todos para Angola
desde o Malanje ao Namibe
aproveitar por esmola
o crescimento do PIB.

Vem tu também, anda, anda,
escolhe uma profissão:
agora os preto é quem manda,
os preto é nosso patrão.

Leva a família na frente,
mulher, filhos, pai e mãe,
e se ainda couber mais gente
traz outro amigo também.

Vamos todos sem demora,
uns à solta, outros à trela,
vamos invadir Angola
do Moxico até Benguela.

Vamos de avião, navio,
canoa, bote ou jangada,
isto aqui está por um fio,
vai ser uma debandada.

Vamos todos para Angola,
destino de emigração,
vamos todos para Angola,
atrás do Diogo Cão.


[Poema daqui /// Ecos do original aqui]



*[Postado inicialmente a 06/05/09 - "repostado" hoje devido aos ultimos comentarios a ele feitos]







Em referencia aos comentarios feitos a este post nos ultimos dias, permitam-me, como “ser humano genuino” – tal como o sao (ou foram) os retratados, brancos e negros, nesta materia –, alinhar aqui algumas breves notas para esta que me parece ser, manifestamente, uma discussao de, entre e sobre portugueses, “genuinos” ou nao.

Tres vectores fundamentais confluem de forma problematica e frequentemente conflituosa para esta questao: a Historia, a Cultura e a Economia:


1. Historia – Portugal colonizou partes do actual territorio de Angola durante cerca de 5 seculos. Foi uma colonizacao, como todas, nao pacificamente aceite pela esmagadora maioria dos seus subditos, mesmo quando todas as aparencias pudessem sugerir o contrario. Por isso houve guerras de resistencia ao longo dos seculos, por isso houve uma guerra anti-colonial durante mais de uma decada, por isso houve a independencia – todos, factos historicos incontestaveis e irreversiveis: nao ficcao cientifica.

Poderia o processo de “descolonizacao” ter sido menos traumatico para ambos os lados? Questao ainda nao resolvida e que, pelo menos nos termos em que o debate (nao) tem vindo a ser conduzido, parece jamais vir a se-lo, pelo que sobre ela limitar-me-ei a sugerir que “o que aconteceu, esta’ acontecido” e “o que nao tem remedio, remediado esta’”, ou ainda, "de nada serve chorar sobre o leite derramado"... sendo certo que, qualquer que seja a evolucao, ou resolucao, dessa questao, a chamada “recolonizacao” nao me parece ser a resposta mais adequada para ela, certamente nao nos termos em que tem vindo a ser advogada.


2. Cultura – Uma parte, diga-se que minoritaria, dos angolanos foi assimilada, voluntaria ou involuntariamente, a cultura e lingua portuguesas. Mas, precisamente por ser minoritaria, embora contemporaneamente “poderosa”, “elitizante” e “socio-economicamente dominante”, ela nao detem de facto os “fios condutores” da totalidade da vida cultural, social e humana do pais Angola. Ha’ outros “fios condutores” no tecido que (con)forma o pais real, enfim outras sensibilidades que, embora tentem (e, de algum modo, consigam em alguns casos) negociar entre si e acomodar-se umas as outras em nome do um “um so' povo, uma so' nacao”, continuam (e, diga-se, legitimamente) a ansiar pela sua “validacao”, ou, dito de outro modo, pela legitimacao das suas respectivas “identidades e etnicidades” proprias como parte de um todo diverso, mas que se pretende harmonioso, depois de uma guerra fratricida de cerca de tres decadas, que teve em grande medida na sua base tais anseios e reivindicacoes (veja-se, por exemplo, o caso das Lundas aqui e aqui, ou o de Cabinda, aqui). Trata-se de facto real, indesmentivel, incontornavel e insofismavel, nao de mito, nem de ficcao literaria!

E sobre isso, ha’ ja’ varios anos, em Portugal, lembro-me de ter escrito e publicado algo em que me detinha sobre a manifesta dificuldade que os portugueses em geral demonstram em compreender cabalmente essa realidade, possivelmente por Portugal ser um pais cerca de 14 vezes menor do que Angola em tamanho e nao se apresentar tao diverso etnica, linguistica e culturalmente como esta. E esse e’ tambem um facto, embora os portugueses na Europa, ou em qualquer outra parte do mundo, se comportem geralmente como extremamente ciosos da sua propria “identidade” ou, se se preferir, da sua “genuinidade”: abrem as suas proprias lojas, bares, cafes e restaurantes com produtos alimentares e musica exclusivamente portugueses e frequentados quase exclusivamente por portugueses, falam exclusivamente portugues entre si, estabelecem as suas proprias igrejas com servicos exclusivamente em portugues, promovem as suas proprias e exclusivas actividades comunitarias e sociais com base na sua cultura nacional, chegam a formar verdadeiros ghetos em algumas zonas das cidades, onde tudo o que se ve, cheira e ouve e' portugues... ou seja, nascem, crescem, vivem, socializam-se, reproduzem-se e morrem como qualquer outro “grupo etnico” nesses paises (algo que, embora de forma “conglomerada” com as comunidades ditas hispanicas ou latinas no Reino Unido, se deixa bem patente aqui ).

Porque entao, tanta dificuldade e resistencia em compreender-se e aceitar-se (como, de resto, resulta evidente quer dos ataques sistematicos de que tenho sido abertamente alvo neste blog - seja directamente aqui por "desconhecidos", seja indirectamente noutros blogs bem identificados na lusosfera -, quer das campanhas que, de forma mais ou menos velada e insidiosa me teem sido dirigidas a partir de Angola, sobretudo, mas nao apenas, atraves de uma “certa imprensa” controlada por grupos financeiros portugueses, ou seus associados...) que os angolanos, ou pelo menos (grandes!) segmentos deles, o facam, ou pretendam fazer, de forma civica e democratica no seu proprio pais?

E, nesse particular, parece-me que eu me encontro neste momento muito mais na posicao dos emigrantes portugueses de ontem e de hoje que se diz serem e terem sido vitimas do chauvinismo, escarnio e oprobrio dos seus compatriotas “que ficaram”, do que na dos ditos “angolanos genuinos” que se diz “entenderem ter recebido Angola como heranca dos seus ancestrais”...


3. Economia – Angola tem vindo, de ha’ uns anos a esta parte, a apresentar niveis “espectaculares” de crescimento economico – facto. Portugal encontra-se neste momento a apresentar niveis, igualmente “espectaculares”, de recessao economica – facto. Sera’ natural que um numero cada vez maior de portugueses busquem oportunidades economicas noutras paragens e, em especial, em Angola, sua antiga “joia da coroa” – facto. O que ja’ nao sera’ tao natural, nem tao factual assim, e’ que se tente transformar tudo isso num caso de “atraccao fatal” entre os dois paises... Desde logo porque nao ha’ nada nos principios fundamentais da economia, seja ela de mercado ou nao - e muito menos nos de uma economia globalizada e competitiva como a que “estamos com ela” quer queiramos e gostemos quer nao -, que o fundamente.

O facto e’ que, qualquer que seja o modelo economico adoptado, “crescimento do PIB” nao significa ipso facto “desenvolvimento economico” e a sistematica marginalizacao, quando nao total exclusao da maioria dos angolanos dos beneficios desse crescimento economico - e ate’ mesmo da sua participacao/contribuicao para ele, em particular por parte de alguns que, como eu, se viram forcados a permanecer no exterior por varias circunstancias adversas originadas no pais (... e provocadas por angolanos!...) e que sao ostensivamente hostilizados por alguns sectores proteccionistas de uma certa auto-designada “prata da casa”... -, devido a um inexistente ou deficiente investimento no stock de capital humano nacional e a sua absorcao e integracao sistematica num processo consistente de desenvolvimento economico-social e cultural endogeno, sustentado e sustentavel, apenas tende a elevar os “muros de resistencia” ao crescente numero de estrangeiros (portugueses ou nao) aportando presentemente as costas angolanas e, em muitos casos, sem qualquer controlo... e isso, no longo prazo, nao e’ bom para ninguem, “genuinos” ou nao – facto.

A realidade e’ que a actual politica de imigracao de Angola e’ explicita e ostensivamente enviezada contra os africanos que tentam entrar pelas suas fronteiras terrestres (como os cartoons, adaptados daqui, com que ilustro este texto o explicitam), nao contra os portugueses: estes, como todas as estatisticas o revelam, nao so’ teem ido para Angola e “em forca” nos ultimos anos sem grandes empecilhos, como e’ em Portugal que os angolanos endinheirados fazem o grosso dos seus gastos de consumo e investimentos publicos e privados.

[E abro aqui um parentesis para sugerir o seguinte: imagine-se que apenas uma infima fraccao dos verdadeiros "balurdios" de dinheiro publico usados pela Sonangol em investimentos em Portugal, fosse aplicada no financiamento de investimentos produtivos trabalho-intensivos que criassem emprego nas regioes fronteiricas, tanto em Angola, como nos paises vizinhos. Nao seriam tais investimentos muito mais recomendaveis, louvaveis e ate' rentaveis sob todos os pontos de vista - desde logo, porque teriam o condao de funcionar como um "travao" aos fluxos migratorios por razoes economicas nessas areas e contribuiriam para o tao propalado "desenvolvimento e independencia economica do continente", para alem de funcionarem como um mecanismo de poupanca dos recursos materiais e financeiros actualmente empregues no patrulhamento das fronteiras e controlo/contencao/repressao dos emigrantes africanos pretendendo entrar em Angola e, em ultima analise, contribuirem de forma substantiva, permanente e duravel para a prosperidade, paz e seguranca regional... - especialmente neste momento em que Angola assume, mais uma vez, a presidencia da SADC?!]

E na base de tudo isso esta’ uma ideia de “desenvolvimento” que tem no periodo colonial o seu “modelo”. Acontece que os niveis de “desenvolvimento” atingidos sob tal “modelo” tinham por base um regime politico-ideologico que nao me parece ser o mais adaptavel, certamente nao o mais adequado, quer 'a Angola, quer ao Portugal, quer ao Mundo de hoje. Modelo esse, alias, que foi de forma magistral e visionaria descrito e denunciado por Viriato da Cruz nos termos em que aqui parcialmente destaquei...

Todas essas questoes, abordei-as, de forma mais ‘academica’, recentemente aqui , e de forma mais ‘prosaica’, ha’ ja’ algum tempo, aqui - onde, note-se, dos posicionamentos de Pepetela, a par dos de outros membros da inteligentzia angolana, ou luso-angolana, que sobre essas questoes se teem pronunciado publicamente nos ultimos tempos, resulta evidente que a corrente onda dominante nao e’ adversa 'a ‘recolonizacao’ de Angola pelos portugueses, como, de resto aqui se pode constatar ad nauseum: bem pelo contrario!

E nao deixa de ser interessante notar a este proposito que essa mesma inteligentzia conta entre as suas fileiras com alguns dos que nao so' dizem ter participado na "luta contra o colonialismo" (e desse estatuto de "antigos combatentes" muita gala fazem e amplos beneficios vitalicios, pessoais e familiares, colhem...), como se destacaram entre os mais radicais no desmantelamento e "transformacao revolucionaria" do tal "patamar tecno-juridico-administrativo que Angola ja' teve", em nome da criacao, desenvolvimento e reproducao do dito "homem novo"... a comecar pelo sistema de ensino! ... E quem naquela altura se lhes opusesse, ainda que passivamente, era apelidado de "contra-revolucionario", "pequeno burgues", "lacaio do colonialismo", "agente do imperialismo", etc. etc. etc. ... Nao deixo, porem, de lhes gabar a "coerencia": foram tao radicais em relacao 'a "descolonizacao" como o sao agora em relacao 'a "recolonizacao" (enfim, em quaisquer circunstancias "iguais a si proprios"!) ... o que talvez nao seja de todo estranho ao facto de certas neofitas formacoes politicas ultra-minoritarias precisarem desesperadamente de alargar a sua base eleitoral de apoio...

E, aqui, convira' distinguir-se claramente "recolonizacao" sem qualquer qualificacao, planificacao ou priorizacao (o que, alias, o poema aqui em questao, revela: "escolhe uma profissao"...), de "cooperacao" (economica, tecnico-cientifica e profissional) - esta existe, e sempre existiu desde a independencia, com Portugal e com outros paises, e se os portugueses podem contribuir para o processo de desenvolvimento de Angola com a "vantagem comparativa" da sua lingua e cultura devido a historia que liga os dois paises, pois eles sao e sempre foram bem vindos (idos) naquelas areas e sectores onde realmente tal "vantagem comparativa" possa ser transformada em "valor acrescentado" para ambas as partes. Mas que nao se perca de vista, por via da chamada "neofita ideologia dos (pretensos) afectos", que Portugal nao e' o unico pais que pode contribuir para o processo de desenvolvimento de Angola.

Veja-se, a esse respeito, o caso de Mocambique que, desde a sua independencia, aderiu 'a Commonwealth, adoptou o Ingles praticamente como sua segunda lingua oficial e tem um leque bastante diversificado de parceiros de cooperacao economica internacional, sem que por isso tenha impedido Portugal, ou os portugueses, de la' viverem, regressarem, ou trabalharem...

Enfim, em geito de conclusao, parece-me ser avisado que tanto angolanos (“genuinos” ou nao), como portugueses (tambem “genuinos” ou nao), bem como todos os nacionais de outros paises, ajam neste momento historico particularmente critico da vida de Angola tao racionalmente quanto possivel face aos factos e realidades, nao aos mitos e ficcoes, em presenca.

Tudo o resto nao passara’ de um pernicioso e patetico “display de emoti(c)ons” com mais do que previsiveis consequencias nefastas para todas as partes – a Historia de Angola revela-o a saciedade!

Tenho dito.





P.S.: Acrescentaria apenas as seguintes notas a margem:

i. A proposito de "fechamentos sociais e economicos" ou, se se preferir, mecanismos de exclusao social, tradicionais em Angola, esta citacao de David Sogge: "Colonial and post-colonial elites showed no interest in creating an ‘open access order’ based on citizenship for all and competitive markets. A path was laid down around a weak but autocratic colonial state dependent on outside powers. Mediocre institutions and underskilled people were additional legacies. Angolan nationalist movements, their leaders imbued with norms of a ‘limited access order’, and habituated to the use of armed force, had no ready alternatives when they assumed power.";


ii. Em relacao a todas essas questoes, mas em particular a suposta "dificuldade de entendimento e aceitacao" por parte da generalidade dos portugueses da diversidade etnico-linguistica de Angola, seria recomendavel uma exploracao da area da Historia Moderna designada Subaltern Studies;


iii. Sobre os movimentos trans-fronteiricos entre Angola e o Congo (Zaire) em epocas mais recuadas, com a devida venia, esta detalhada descricao por Fernando Ribeiro:

Nos troços de fronteira entre Angola e o Zaire em que não houvesse obstáculos naturais, não existia qualquer vedação ou outra barreira que impedisse a comunicação entre ambos os lados. A fronteira estava apenas assinalada por marcos de pedra em forma de grossos obeliscos, com 2 metros de altura ou pouco mais, que mostravam o escudo da monarquia portuguesa, esculpido em baixo relevo, no lado virado para Angola, o da monarquia belga no lado virado para o Zaire e o ano de 1895 gravado por cima de cada um dos escudos. Os marcos fronteiriços estavam colocados a uma distância de cerca de 40 quilómetros uns dos outros, talvez, e estavam milimetricamente alinhados uns pelos outros, numa linha reta espantosamente rigorosa.

Como, nos troços onde não havia obstáculos naturais, a fronteira estava desimpedida, ela era atravessada por caminhos de pé posto, que todos os dias eram percorridos por pessoas que passavam "a salto" de Angola para o Zaire e vice-versa. O movimento de pessoas ao longo destes carreiros era bastante intenso. Angolanos (refugiados ou não) e zairenses circulavam de um lado para o outro ao longo do dia, em função, sobretudo, das feiras mensais e mercados rurais que de ambos os lados se iam realizando. Levavam os produtos das suas lavras (campos), a fim de os vender onde fossem mais caros, e traziam as mercadorias de que necessitavam, compradas onde elas fossem mais baratas. É evidente que os contrabandistas (havia bastantes) também faziam um uso intensivo destes caminhos transfronteiriços.

Assim que o sol nascia, nas zonas onde houvesse uma sanzala do lado de Angola que ficasse próxima da fronteira e estivesse dotada de uma escola, os caminhos referidos eram percorridos por crianças, vindas do Zaire para Angola, que vinham frequentar as aulas. Estas crianças percorriam a pé vários quilómetros a caminho da escola e eram as primeiras pessoas que atravessavam a fronteira logo pela manhãzinha.

Estas crianças eram filhas de angolanos refugiados no Zaire. Os seus encarregados de educação faziam questão em que elas frequentassem uma escola angolana, porque queriam que elas não se esquecessem das suas raízes, apesar de já terem nascido no exílio, se sentissem orgulhosas de Angola e soubessem falar, ler e escrever em português.



[aqui, onde, ja' agora, tambem se pode ver esta descricao de Kinshasa e ouvir um pouco da musica do magistral Franco]






PARA ANGOLA, RAPIDAMENTE E EM FORÇA

Peço ao vento por graçola
notícias do meu país
e o vento diz: «Vai para Angola».
(É o que o vento me diz.)
«Tem juízo, vai para Angola,
isto aqui está por um triz.»

Vamos todos para Angola
desde o Malanje ao Namibe
aproveitar por esmola
o crescimento do PIB.

Vem tu também, anda, anda,
escolhe uma profissão:
agora os preto é quem manda,
os preto é nosso patrão.

Leva a família na frente,
mulher, filhos, pai e mãe,
e se ainda couber mais gente
traz outro amigo também.

Vamos todos sem demora,
uns à solta, outros à trela,
vamos invadir Angola
do Moxico até Benguela.

Vamos de avião, navio,
canoa, bote ou jangada,
isto aqui está por um fio,
vai ser uma debandada.

Vamos todos para Angola,
destino de emigração,
vamos todos para Angola,
atrás do Diogo Cão.


[Poema daqui /// Ecos do original aqui]



*[Postado inicialmente a 06/05/09 - "repostado" hoje devido aos ultimos comentarios a ele feitos]







Em referencia aos comentarios feitos a este post nos ultimos dias, permitam-me, como “ser humano genuino” – tal como o sao (ou foram) os retratados, brancos e negros, nesta materia –, alinhar aqui algumas breves notas para esta que me parece ser, manifestamente, uma discussao de, entre e sobre portugueses, “genuinos” ou nao.

Tres vectores fundamentais confluem de forma problematica e frequentemente conflituosa para esta questao: a Historia, a Cultura e a Economia:


1. Historia – Portugal colonizou partes do actual territorio de Angola durante cerca de 5 seculos. Foi uma colonizacao, como todas, nao pacificamente aceite pela esmagadora maioria dos seus subditos, mesmo quando todas as aparencias pudessem sugerir o contrario. Por isso houve guerras de resistencia ao longo dos seculos, por isso houve uma guerra anti-colonial durante mais de uma decada, por isso houve a independencia – todos, factos historicos incontestaveis e irreversiveis: nao ficcao cientifica.

Poderia o processo de “descolonizacao” ter sido menos traumatico para ambos os lados? Questao ainda nao resolvida e que, pelo menos nos termos em que o debate (nao) tem vindo a ser conduzido, parece jamais vir a se-lo, pelo que sobre ela limitar-me-ei a sugerir que “o que aconteceu, esta’ acontecido” e “o que nao tem remedio, remediado esta’”, ou ainda, "de nada serve chorar sobre o leite derramado"... sendo certo que, qualquer que seja a evolucao, ou resolucao, dessa questao, a chamada “recolonizacao” nao me parece ser a resposta mais adequada para ela, certamente nao nos termos em que tem vindo a ser advogada.


2. Cultura – Uma parte, diga-se que minoritaria, dos angolanos foi assimilada, voluntaria ou involuntariamente, a cultura e lingua portuguesas. Mas, precisamente por ser minoritaria, embora contemporaneamente “poderosa”, “elitizante” e “socio-economicamente dominante”, ela nao detem de facto os “fios condutores” da totalidade da vida cultural, social e humana do pais Angola. Ha’ outros “fios condutores” no tecido que (con)forma o pais real, enfim outras sensibilidades que, embora tentem (e, de algum modo, consigam em alguns casos) negociar entre si e acomodar-se umas as outras em nome do um “um so' povo, uma so' nacao”, continuam (e, diga-se, legitimamente) a ansiar pela sua “validacao”, ou, dito de outro modo, pela legitimacao das suas respectivas “identidades e etnicidades” proprias como parte de um todo diverso, mas que se pretende harmonioso, depois de uma guerra fratricida de cerca de tres decadas, que teve em grande medida na sua base tais anseios e reivindicacoes (veja-se, por exemplo, o caso das Lundas aqui e aqui, ou o de Cabinda, aqui). Trata-se de facto real, indesmentivel, incontornavel e insofismavel, nao de mito, nem de ficcao literaria!

E sobre isso, ha’ ja’ varios anos, em Portugal, lembro-me de ter escrito e publicado algo em que me detinha sobre a manifesta dificuldade que os portugueses em geral demonstram em compreender cabalmente essa realidade, possivelmente por Portugal ser um pais cerca de 14 vezes menor do que Angola em tamanho e nao se apresentar tao diverso etnica, linguistica e culturalmente como esta. E esse e’ tambem um facto, embora os portugueses na Europa, ou em qualquer outra parte do mundo, se comportem geralmente como extremamente ciosos da sua propria “identidade” ou, se se preferir, da sua “genuinidade”: abrem as suas proprias lojas, bares, cafes e restaurantes com produtos alimentares e musica exclusivamente portugueses e frequentados quase exclusivamente por portugueses, falam exclusivamente portugues entre si, estabelecem as suas proprias igrejas com servicos exclusivamente em portugues, promovem as suas proprias e exclusivas actividades comunitarias e sociais com base na sua cultura nacional, chegam a formar verdadeiros ghetos em algumas zonas das cidades, onde tudo o que se ve, cheira e ouve e' portugues... ou seja, nascem, crescem, vivem, socializam-se, reproduzem-se e morrem como qualquer outro “grupo etnico” nesses paises (algo que, embora de forma “conglomerada” com as comunidades ditas hispanicas ou latinas no Reino Unido, se deixa bem patente aqui ).

Porque entao, tanta dificuldade e resistencia em compreender-se e aceitar-se (como, de resto, resulta evidente quer dos ataques sistematicos de que tenho sido abertamente alvo neste blog - seja directamente aqui por "desconhecidos", seja indirectamente noutros blogs bem identificados na lusosfera -, quer das campanhas que, de forma mais ou menos velada e insidiosa me teem sido dirigidas a partir de Angola, sobretudo, mas nao apenas, atraves de uma “certa imprensa” controlada por grupos financeiros portugueses, ou seus associados...) que os angolanos, ou pelo menos (grandes!) segmentos deles, o facam, ou pretendam fazer, de forma civica e democratica no seu proprio pais?

E, nesse particular, parece-me que eu me encontro neste momento muito mais na posicao dos emigrantes portugueses de ontem e de hoje que se diz serem e terem sido vitimas do chauvinismo, escarnio e oprobrio dos seus compatriotas “que ficaram”, do que na dos ditos “angolanos genuinos” que se diz “entenderem ter recebido Angola como heranca dos seus ancestrais”...


3. Economia – Angola tem vindo, de ha’ uns anos a esta parte, a apresentar niveis “espectaculares” de crescimento economico – facto. Portugal encontra-se neste momento a apresentar niveis, igualmente “espectaculares”, de recessao economica – facto. Sera’ natural que um numero cada vez maior de portugueses busquem oportunidades economicas noutras paragens e, em especial, em Angola, sua antiga “joia da coroa” – facto. O que ja’ nao sera’ tao natural, nem tao factual assim, e’ que se tente transformar tudo isso num caso de “atraccao fatal” entre os dois paises... Desde logo porque nao ha’ nada nos principios fundamentais da economia, seja ela de mercado ou nao - e muito menos nos de uma economia globalizada e competitiva como a que “estamos com ela” quer queiramos e gostemos quer nao -, que o fundamente.

O facto e’ que, qualquer que seja o modelo economico adoptado, “crescimento do PIB” nao significa ipso facto “desenvolvimento economico” e a sistematica marginalizacao, quando nao total exclusao da maioria dos angolanos dos beneficios desse crescimento economico - e ate’ mesmo da sua participacao/contribuicao para ele, em particular por parte de alguns que, como eu, se viram forcados a permanecer no exterior por varias circunstancias adversas originadas no pais (... e provocadas por angolanos!...) e que sao ostensivamente hostilizados por alguns sectores proteccionistas de uma certa auto-designada “prata da casa”... -, devido a um inexistente ou deficiente investimento no stock de capital humano nacional e a sua absorcao e integracao sistematica num processo consistente de desenvolvimento economico-social e cultural endogeno, sustentado e sustentavel, apenas tende a elevar os “muros de resistencia” ao crescente numero de estrangeiros (portugueses ou nao) aportando presentemente as costas angolanas e, em muitos casos, sem qualquer controlo... e isso, no longo prazo, nao e’ bom para ninguem, “genuinos” ou nao – facto.

A realidade e’ que a actual politica de imigracao de Angola e’ explicita e ostensivamente enviezada contra os africanos que tentam entrar pelas suas fronteiras terrestres (como os cartoons, adaptados daqui, com que ilustro este texto o explicitam), nao contra os portugueses: estes, como todas as estatisticas o revelam, nao so’ teem ido para Angola e “em forca” nos ultimos anos sem grandes empecilhos, como e’ em Portugal que os angolanos endinheirados fazem o grosso dos seus gastos de consumo e investimentos publicos e privados.

[E abro aqui um parentesis para sugerir o seguinte: imagine-se que apenas uma infima fraccao dos verdadeiros "balurdios" de dinheiro publico usados pela Sonangol em investimentos em Portugal, fosse aplicada no financiamento de investimentos produtivos trabalho-intensivos que criassem emprego nas regioes fronteiricas, tanto em Angola, como nos paises vizinhos. Nao seriam tais investimentos muito mais recomendaveis, louvaveis e ate' rentaveis sob todos os pontos de vista - desde logo, porque teriam o condao de funcionar como um "travao" aos fluxos migratorios por razoes economicas nessas areas e contribuiriam para o tao propalado "desenvolvimento e independencia economica do continente", para alem de funcionarem como um mecanismo de poupanca dos recursos materiais e financeiros actualmente empregues no patrulhamento das fronteiras e controlo/contencao/repressao dos emigrantes africanos pretendendo entrar em Angola e, em ultima analise, contribuirem de forma substantiva, permanente e duravel para a prosperidade, paz e seguranca regional... - especialmente neste momento em que Angola assume, mais uma vez, a presidencia da SADC?!]

E na base de tudo isso esta’ uma ideia de “desenvolvimento” que tem no periodo colonial o seu “modelo”. Acontece que os niveis de “desenvolvimento” atingidos sob tal “modelo” tinham por base um regime politico-ideologico que nao me parece ser o mais adaptavel, certamente nao o mais adequado, quer 'a Angola, quer ao Portugal, quer ao Mundo de hoje. Modelo esse, alias, que foi de forma magistral e visionaria descrito e denunciado por Viriato da Cruz nos termos em que aqui parcialmente destaquei...

Todas essas questoes, abordei-as, de forma mais ‘academica’, recentemente aqui , e de forma mais ‘prosaica’, ha’ ja’ algum tempo, aqui - onde, note-se, dos posicionamentos de Pepetela, a par dos de outros membros da inteligentzia angolana, ou luso-angolana, que sobre essas questoes se teem pronunciado publicamente nos ultimos tempos, resulta evidente que a corrente onda dominante nao e’ adversa 'a ‘recolonizacao’ de Angola pelos portugueses, como, de resto aqui se pode constatar ad nauseum: bem pelo contrario!

E nao deixa de ser interessante notar a este proposito que essa mesma inteligentzia conta entre as suas fileiras com alguns dos que nao so' dizem ter participado na "luta contra o colonialismo" (e desse estatuto de "antigos combatentes" muita gala fazem e amplos beneficios vitalicios, pessoais e familiares, colhem...), como se destacaram entre os mais radicais no desmantelamento e "transformacao revolucionaria" do tal "patamar tecno-juridico-administrativo que Angola ja' teve", em nome da criacao, desenvolvimento e reproducao do dito "homem novo"... a comecar pelo sistema de ensino! ... E quem naquela altura se lhes opusesse, ainda que passivamente, era apelidado de "contra-revolucionario", "pequeno burgues", "lacaio do colonialismo", "agente do imperialismo", etc. etc. etc. ... Nao deixo, porem, de lhes gabar a "coerencia": foram tao radicais em relacao 'a "descolonizacao" como o sao agora em relacao 'a "recolonizacao" (enfim, em quaisquer circunstancias "iguais a si proprios"!) ... o que talvez nao seja de todo estranho ao facto de certas neofitas formacoes politicas ultra-minoritarias precisarem desesperadamente de alargar a sua base eleitoral de apoio...

E, aqui, convira' distinguir-se claramente "recolonizacao" sem qualquer qualificacao, planificacao ou priorizacao (o que, alias, o poema aqui em questao, revela: "escolhe uma profissao"...), de "cooperacao" (economica, tecnico-cientifica e profissional) - esta existe, e sempre existiu desde a independencia, com Portugal e com outros paises, e se os portugueses podem contribuir para o processo de desenvolvimento de Angola com a "vantagem comparativa" da sua lingua e cultura devido a historia que liga os dois paises, pois eles sao e sempre foram bem vindos (idos) naquelas areas e sectores onde realmente tal "vantagem comparativa" possa ser transformada em "valor acrescentado" para ambas as partes. Mas que nao se perca de vista, por via da chamada "neofita ideologia dos (pretensos) afectos", que Portugal nao e' o unico pais que pode contribuir para o processo de desenvolvimento de Angola.

Veja-se, a esse respeito, o caso de Mocambique que, desde a sua independencia, aderiu 'a Commonwealth, adoptou o Ingles praticamente como sua segunda lingua oficial e tem um leque bastante diversificado de parceiros de cooperacao economica internacional, sem que por isso tenha impedido Portugal, ou os portugueses, de la' viverem, regressarem, ou trabalharem...

Enfim, em geito de conclusao, parece-me ser avisado que tanto angolanos (“genuinos” ou nao), como portugueses (tambem “genuinos” ou nao), bem como todos os nacionais de outros paises, ajam neste momento historico particularmente critico da vida de Angola tao racionalmente quanto possivel face aos factos e realidades, nao aos mitos e ficcoes, em presenca.

Tudo o resto nao passara’ de um pernicioso e patetico “display de emoti(c)ons” com mais do que previsiveis consequencias nefastas para todas as partes – a Historia de Angola revela-o a saciedade!

Tenho dito.





P.S.: Acrescentaria apenas as seguintes notas a margem:

i. A proposito de "fechamentos sociais e economicos" ou, se se preferir, mecanismos de exclusao social, tradicionais em Angola, esta citacao de David Sogge: "Colonial and post-colonial elites showed no interest in creating an ‘open access order’ based on citizenship for all and competitive markets. A path was laid down around a weak but autocratic colonial state dependent on outside powers. Mediocre institutions and underskilled people were additional legacies. Angolan nationalist movements, their leaders imbued with norms of a ‘limited access order’, and habituated to the use of armed force, had no ready alternatives when they assumed power.";


ii. Em relacao a todas essas questoes, mas em particular a suposta "dificuldade de entendimento e aceitacao" por parte da generalidade dos portugueses da diversidade etnico-linguistica de Angola, seria recomendavel uma exploracao da area da Historia Moderna designada Subaltern Studies;


iii. Sobre os movimentos trans-fronteiricos entre Angola e o Congo (Zaire) em epocas mais recuadas, com a devida venia, esta detalhada descricao por Fernando Ribeiro:

Nos troços de fronteira entre Angola e o Zaire em que não houvesse obstáculos naturais, não existia qualquer vedação ou outra barreira que impedisse a comunicação entre ambos os lados. A fronteira estava apenas assinalada por marcos de pedra em forma de grossos obeliscos, com 2 metros de altura ou pouco mais, que mostravam o escudo da monarquia portuguesa, esculpido em baixo relevo, no lado virado para Angola, o da monarquia belga no lado virado para o Zaire e o ano de 1895 gravado por cima de cada um dos escudos. Os marcos fronteiriços estavam colocados a uma distância de cerca de 40 quilómetros uns dos outros, talvez, e estavam milimetricamente alinhados uns pelos outros, numa linha reta espantosamente rigorosa.

Como, nos troços onde não havia obstáculos naturais, a fronteira estava desimpedida, ela era atravessada por caminhos de pé posto, que todos os dias eram percorridos por pessoas que passavam "a salto" de Angola para o Zaire e vice-versa. O movimento de pessoas ao longo destes carreiros era bastante intenso. Angolanos (refugiados ou não) e zairenses circulavam de um lado para o outro ao longo do dia, em função, sobretudo, das feiras mensais e mercados rurais que de ambos os lados se iam realizando. Levavam os produtos das suas lavras (campos), a fim de os vender onde fossem mais caros, e traziam as mercadorias de que necessitavam, compradas onde elas fossem mais baratas. É evidente que os contrabandistas (havia bastantes) também faziam um uso intensivo destes caminhos transfronteiriços.

Assim que o sol nascia, nas zonas onde houvesse uma sanzala do lado de Angola que ficasse próxima da fronteira e estivesse dotada de uma escola, os caminhos referidos eram percorridos por crianças, vindas do Zaire para Angola, que vinham frequentar as aulas. Estas crianças percorriam a pé vários quilómetros a caminho da escola e eram as primeiras pessoas que atravessavam a fronteira logo pela manhãzinha.

Estas crianças eram filhas de angolanos refugiados no Zaire. Os seus encarregados de educação faziam questão em que elas frequentassem uma escola angolana, porque queriam que elas não se esquecessem das suas raízes, apesar de já terem nascido no exílio, se sentissem orgulhosas de Angola e soubessem falar, ler e escrever em português.



[aqui, onde, ja' agora, tambem se pode ver esta descricao de Kinshasa e ouvir um pouco da musica do magistral Franco]




Thursday, 11 November 2010

Angola: 35 años*



El 11 de Noviembre de 1975 Angola fue el último país del África continental en dejar de ser una colonia europea. Angola y los otros 4 Países Africanos de Lengua Oficial Portuguesa (PALOP) fueron las primeras y las últimas dependencias europeas en el mundo negro.
Angola se encuentra a alrededor de 5,000 kilómetros de distancia al sur de la península ibérica y al oeste del sur de América. Sin embargo, esta nación del África austral ha jugado un papel clave en la historia iberoamericana.

Una década antes de que Colón llegase al Caribe, el portugués Diogo Cao arribó al río Congo, el segundo más grande del África luego del Nilo, donde lograría ir creando una asociación entre Portugal y el poderoso reino de los Kongos que se extendía alrededor de los actuales territorios del norte de Angola, los mismos que inicialmente no fueron conquistados por los portugueses. Por el contrario, estos fueron cristianizados y se convirtieron en aliados de Lisboa en la zona.
Sin embargo, a fines del siglo XVI los portugueses fueron tratando de conquistarlos a ellos y a la de los "ngolas" para prevenir que ellos volviesen a coquetear con los holandeses y para centrarse en la trata de esclavos hacia Brasil y el Nuevo Mundo.
Angola se convirtió en un punto estratégico para los portugueses, quienes fueron los primeros europeos en establecer su comercio y sus dominios en el África negra y en el Océano Índico (el cual en los siglos XVI y XVII tenía al portugués como su lengua franca).
Angola fue uno de los principales proveedores de esclavos para re-popular al Nuevo Mundo.
Durante los tres siglos que duraron las colonias sur y centro americanas varios países latinoamericanos llegaron a tener más angolanos que gente nacida en España o Portugal. La herencia angolana en nuestras tierras es riquísima, aunque poco estudiada.

La historia del Brasil se haya muy entrelazada con la de Angola. Entre estas dos colonias portuguesas que se encontraban en lados opuestos del mar hubo un gran flujo. Hoy la mitad de los casi 200 millones de brasileros desciende de esclavos, gran parte de ellos provenientes de Angola y de los PALOP.
Las mismas tropas holandeses que guerreaban contra Portugal por el control del noreste brasilero igualmente lo hacían por las posesiones angolanas. Cuando en 1641-48 los neerlandeses capturaron Luanda, fue la aristocracia carioca, la cual fue tan afectada cuando de esta manera se paraba la llegada de esclavos que usaba para sus plantaciones y para intercambiarlos por plata hispano-americana, quien se encargó enteramente de organizar, financiar y liderar la "reconquista" portuguesa de Angola. Varios de los gobernadores de Angola partieron desde el Brasil.
Durante el periodo colonial Brasil y Angola se hayaron en mutua dependencia.En el siglo XVII unos 10,000 esclavos eran despachados desde Angola anualmente hacia Brasil y el Nuevo Mundo. En el siglo XVIII esta cifra subió a 18,500. Alencastro sostiene que la construcción del Brasil se dio en base a la destrucción de Angola, pues de 1701 a 1810 unos 2 millones de esclavos llegaron al Brasil, de los cuales la mayor parte zarpaban desde Angola. A mediados del siglo XVIII la mayor parte del comercio de esclavos desde Angola era pagada con exportaciones brasileras (como la chachaza y otros licores) y conducida por barcos negreros brasileros (los portugueses llegaron a ser apenas el 15% de ellos). Muchos de los esclavos que salieron desde Angola luego eran comerciados hacia el Caribe, la cuenca del Plata o los Andes.
En la fase final del imperio luso en Brasil (1808-1822) los cariocas fueron quienes administraron Angola y el resto de colonias portuguesas.


Hasta en Perú, que es el país americano que más lejos se haya de Angola por la vía marítima, la presencia angolana marcó mucho del carácter de dicho país. La mayor procesión católica que allí se hace (y posiblemente en todo el mundo) es una para rendir pleitesía al Cristo Moreno, el cual fue pintado por el esclavo angolano Pedro Dalcón. El mayor santo peruano (San Martín de Porras, cuyo nombre ha sido dado a una universidad, un distrito de la capital y un departamento del Perú) fue hijo de una panameña liberta descendiente de angolanos.
Cuando Lima era la capital de la mayor parte del subcontinente suramericano un significativo porcentaje de sus habitantes eran angolanos y africanos. A muchos barrios o poblaciones negras se les denominaba en el Perú virreinal como ‘angolas’. El nombre ‘Angola’ no solo se asocia a barriadas sino también a uno de los hoteles y centros de convención más exclusivos de Lima, los cuales han sido bautizados en honor a ‘María Angola’, la gran campana del Cuzco, considerada como una de las más monumentales y sonoras de Suramérica. El popular plato peruano del escabeche o el baile típico de la costa peruana Landó tienen raíces en Luanda, la capital angolana.

En los últimos años América Latina se ha preciado de haber electo presidentes de ascendencia japonesa (Fujimori), turco-árabe (Menem, Mahuad, Saca o Bucaram), búlgara (Dilma Rousseff), croata (Kirchner), francesa (Bachelet), etc. Sin embargo, no conozco de un solo presidente sur o centro americano que haya reivindicado sus ancestros angolanos.
Hoy en la Hispanoamérica que celebra los bicentenarios de sus independencias es bueno recordar que posiblemente su primer territorio que logró la independencia fue un área de Veracruz en México, la cual en 1570, hace más de 4 siglos, fue liderada por el esclavo liberado Gaspar Yanga, quien llegó allí vía Cabo Verde (el archipiélago afro-portugués), muy posiblemente desde una región del entorno kongo-angolano.

En Londres, la más cosmopolita ciudad del Viejo Mundo, uno puede encontrar comunidades de todos los países del planeta. Al ver uno como buscan socializar entre ellos los diferentes inmigrantes uno se puede ayudar a ver cuales los verdaderos nexos culturales e históricos entre los pueblos. En la capital británica, como se ve en la primera foto, es usual encontrar carteles donde se unen las banderas de Brasil, Angola y Portugal, como el que vemos en esta imagen tomada en la calle principal de Brixton al lado de La Mazorca y Chaney, el restaurante y discoteca hispanoamericanos más populares de dicho popular barrio londinense.
Esas 3 repúblicas colocadas en 3 distintos continentes tienen en común 5 siglos de intercambio, historia, cultura y lengua afines. En las 150 iglesias brasileras del Reino Unido se encuentran mucho más portugueses y angolanos que hispanoamericanos. La Asociación Brasilera del Reino Unido (ABRAS), la cual, con 14,000 afiliados es la mayor organización comunitaria brasileña en Europa (y posiblemente en la diáspora brasilera), tiene más asociados angolanos que la suma de todo el resto de sus miembros provenientes de toda Latinoamérica. Esta semana la profesora brasilera Else Vieira organiza el festival de cine por el 35 aniversario de la independencia luso-africana en la universidad Queens Mary.


Angola es hoy uno de los países africanos más ricos en oro negro y en diamantes. Entre el 2004 y 2007 fue creciendo con una tasa anual promedio de un 15%, una de las cifras más altas del mundo.
De todos los 11 territorios africanos que tienen como lengua oficial al español o al portugués Angola es el que tiene a la mayor población que hable o entienda al menos una lengua ibérica.
Angola ha jugado un rol muy importante en la historia iberoamericana. Entre los siglos XVI y XIX proveyó de multitud de esclavos a las Américas, al punto que hoy debe haber más americano con ascendencia angolana que los 13 a 16 millones de angolanos.
En el siglo XX Angola jugó un rol importante en producir la instalación de la república de Portugal y luego en la caída de la dictadura fascista que ésta tuvo entre 1926 y 1974.
La primera monarquía europea que se expandió al sur de la línea ecuatorial fue la de Portugal. Angola fue una de sus primeras colonias y también uno de los factores que desencadenó su caída.
Tras que Lisboa perdió a su mayor dependencia (Brasil) uno de sus ejes consistió en tratar de unir a sus 2 territorios en el África austral: Angola (de cara al Atlántico sur) y Mozambique (de cara al Índico sur). Para tal efecto de delineó el ‘mapa rosado’ que mostraba las pretensiones de crear un corredor horizontal luso que vaya de oeste a este. Sin embargo, los británicos tenían su propia meta de unir a todas sus colonias desde El Cairo hasta El Cabo en un corredor vertical de norte a sur.

La monarquía de Portugal no se atrevió a desafiar a la corona inglesa, quien además de tener más poder había sido siempre su mayor aliada europea. Su capitulación en los 1890's dio paso a que los británicos estableciesen allí sus colonias de Rodesia (la del norte es hoy Zambia y la del sur es hoy Zimbabue).
Esta rendición generó tal resentimiento interno contra la familia real que terminó por producir un alzamiento hace 100 años. Este, el del 5 de Octubre de 1910, culminaría estableciendo la única república de las 4 entidades de la península ibérica (las otras 3, España, Andorra y Gibraltar, no eligen en comicios a su respectivo jefe de Estado).
El régimen más extenso que tuvo la nueva república portuguesa (la de la dictadura de medio siglo del fascista ‘Estado Novo’) también cayó ayudado por los sucesos en el África lusa. Las guerrillas en Angola y en los otros 4 PALOP fueron minando a la dictadura, la cual se desplomó en Abril 1974. Una de las primeras consecuencias de esa revolución de los clavele fue el que todas las 6 colonias portuguesas (fuera de Macao) se declarasen independientes en un lapso que fue hasta 1975.

Desde la independencia de 1975 hasta el acuerdo de paz del 2002 Angola sufrió la guerra civil más larga del África y una de las más sanguinarias de la II postguerra mundial. Esta produjo 100,000 mutilados, 500,000 muertos y 4 millones de desplazados, altas cifras para una población de 12 a 16 millones de habitantes.
Este conflicto llegó a internacionalizarse como parte de la guerra fría. El UNITA del sur de Angola y el FLNA del norte de Angola recibieron el apoyo de Zaire (liderado por el dictador Mobutu) y de Sudáfrica, mientras el gobierno del MPLA fue secundado por el de Cuba.
El Ché Guevara, antes de partir a Bolivia, había combatido en Zaire, cerca a Angola. La tesis de que Cuba debería irradiarse al África también había estado presente en las conferencias tri-continentales que el castrismo patrocinó en los 1960s.
Desde la segunda mitad de los 1970s la presencia de Cuba se haría muy grande en Angola. Castro envió allí a entre 40 y 50 mil soldados, mil tanques y 50 aviones suyos, para socorrer a los 200,000 combatientes del MPLA. Esta fue la mayor guerra que libró Fidel en el mundo y su éxito ayudó a consolidar el régimen ‘marxista-leninista’ de Angola y de otras partes del continente negro, así como ayudar a que su isla vaya minando el bloqueo de EEUU.


Angola nació así siendo parte de la mayor intervención militar hecha por un país latinoamericano fuera de su continente.
Unos 100,000 cubanos como uniformados, educadores, personal de salud o trabajadores llegaron a Angola, cuya lengua portuguesa es tan parecida a su castellano. La embajada cubana en Luanda ha llegado a ser la segunda de mayor importancia tras la de EEUU.
Hoy Brasil tiene una influencia cultural sobre Angola mayor a la que tiene sobre otros países latinoamericanos. Las novelas y series de TV, los filmes, la lengua y las artes marciales de la Capoeira es algo que une a Brasil con Angola, un país cuya lengua es tan diferente a la de su entorno de habla inglesa o francesa.
El Partido de los Trabajadores gobierna en Brasil y en Angola. Ambas formaciones usan la estrella como símbolo, nacieron como marxistas y han evolucionados hacia convertirse en formaciones de tipo socialdemócrata que aceptan el mercado, las grandes inversiones extranjeras y la democracia multipartidista.
Hoy una gran parte de la población de Portugal, así como de la diáspora portuguesa del mundo proviene de Angola, nación que ya sobrepasa en habitantes al de la misma Portugal.

La suerte de Angola e Iberoamérica está entrelazada. La América ibera tuvo desde sus inicios una masiva inmigración angolana, superior a la de cualquier pueblo europeo al este de los Pirineos. Los angolanos, al igual que otros esclavos, influyeron poderosamente en la cocina, la música, los bailes y la cultura americanas.
Las riquezas de Angola ayudaron a consolidar al imperio de los Braganza evitado que estos corriesen la misma suerte de la realeza de Madrid ante las revoluciones republicanas hispanoamericanas. Los sucesos de Angola ayudaron a producir la caída de la monarquía y luego del fascismo en Lisboa. La guerra angolana dio una gran catapulta a Castro, quien se valió de ella para afianzarse en el poder e ir generando una nueva diplomacia que haría que América Latina crease un bloque con Iberia en 1991 (la actual Comunidad Iberoamericana de Naciones) y luego una serie de organismos que tendiesen a mostrar más autonomía regional ante EEUU (como la comunidad de estados latinoamericanos y caribeños y las cumbres entre éstos y la Unión Europea).
Angola es hoy un socio comercial y cultural muy importante para Brasil en el África y para su estrategia de convertirse en una de las 5 grandes potencias para mediados de este siglo.


*Por Isaac Bigio - Artigo integral AQUI



El 11 de Noviembre de 1975 Angola fue el último país del África continental en dejar de ser una colonia europea. Angola y los otros 4 Países Africanos de Lengua Oficial Portuguesa (PALOP) fueron las primeras y las últimas dependencias europeas en el mundo negro.
Angola se encuentra a alrededor de 5,000 kilómetros de distancia al sur de la península ibérica y al oeste del sur de América. Sin embargo, esta nación del África austral ha jugado un papel clave en la historia iberoamericana.

Una década antes de que Colón llegase al Caribe, el portugués Diogo Cao arribó al río Congo, el segundo más grande del África luego del Nilo, donde lograría ir creando una asociación entre Portugal y el poderoso reino de los Kongos que se extendía alrededor de los actuales territorios del norte de Angola, los mismos que inicialmente no fueron conquistados por los portugueses. Por el contrario, estos fueron cristianizados y se convirtieron en aliados de Lisboa en la zona.
Sin embargo, a fines del siglo XVI los portugueses fueron tratando de conquistarlos a ellos y a la de los "ngolas" para prevenir que ellos volviesen a coquetear con los holandeses y para centrarse en la trata de esclavos hacia Brasil y el Nuevo Mundo.
Angola se convirtió en un punto estratégico para los portugueses, quienes fueron los primeros europeos en establecer su comercio y sus dominios en el África negra y en el Océano Índico (el cual en los siglos XVI y XVII tenía al portugués como su lengua franca).
Angola fue uno de los principales proveedores de esclavos para re-popular al Nuevo Mundo.
Durante los tres siglos que duraron las colonias sur y centro americanas varios países latinoamericanos llegaron a tener más angolanos que gente nacida en España o Portugal. La herencia angolana en nuestras tierras es riquísima, aunque poco estudiada.

La historia del Brasil se haya muy entrelazada con la de Angola. Entre estas dos colonias portuguesas que se encontraban en lados opuestos del mar hubo un gran flujo. Hoy la mitad de los casi 200 millones de brasileros desciende de esclavos, gran parte de ellos provenientes de Angola y de los PALOP.
Las mismas tropas holandeses que guerreaban contra Portugal por el control del noreste brasilero igualmente lo hacían por las posesiones angolanas. Cuando en 1641-48 los neerlandeses capturaron Luanda, fue la aristocracia carioca, la cual fue tan afectada cuando de esta manera se paraba la llegada de esclavos que usaba para sus plantaciones y para intercambiarlos por plata hispano-americana, quien se encargó enteramente de organizar, financiar y liderar la "reconquista" portuguesa de Angola. Varios de los gobernadores de Angola partieron desde el Brasil.
Durante el periodo colonial Brasil y Angola se hayaron en mutua dependencia.En el siglo XVII unos 10,000 esclavos eran despachados desde Angola anualmente hacia Brasil y el Nuevo Mundo. En el siglo XVIII esta cifra subió a 18,500. Alencastro sostiene que la construcción del Brasil se dio en base a la destrucción de Angola, pues de 1701 a 1810 unos 2 millones de esclavos llegaron al Brasil, de los cuales la mayor parte zarpaban desde Angola. A mediados del siglo XVIII la mayor parte del comercio de esclavos desde Angola era pagada con exportaciones brasileras (como la chachaza y otros licores) y conducida por barcos negreros brasileros (los portugueses llegaron a ser apenas el 15% de ellos). Muchos de los esclavos que salieron desde Angola luego eran comerciados hacia el Caribe, la cuenca del Plata o los Andes.
En la fase final del imperio luso en Brasil (1808-1822) los cariocas fueron quienes administraron Angola y el resto de colonias portuguesas.


Hasta en Perú, que es el país americano que más lejos se haya de Angola por la vía marítima, la presencia angolana marcó mucho del carácter de dicho país. La mayor procesión católica que allí se hace (y posiblemente en todo el mundo) es una para rendir pleitesía al Cristo Moreno, el cual fue pintado por el esclavo angolano Pedro Dalcón. El mayor santo peruano (San Martín de Porras, cuyo nombre ha sido dado a una universidad, un distrito de la capital y un departamento del Perú) fue hijo de una panameña liberta descendiente de angolanos.
Cuando Lima era la capital de la mayor parte del subcontinente suramericano un significativo porcentaje de sus habitantes eran angolanos y africanos. A muchos barrios o poblaciones negras se les denominaba en el Perú virreinal como ‘angolas’. El nombre ‘Angola’ no solo se asocia a barriadas sino también a uno de los hoteles y centros de convención más exclusivos de Lima, los cuales han sido bautizados en honor a ‘María Angola’, la gran campana del Cuzco, considerada como una de las más monumentales y sonoras de Suramérica. El popular plato peruano del escabeche o el baile típico de la costa peruana Landó tienen raíces en Luanda, la capital angolana.

En los últimos años América Latina se ha preciado de haber electo presidentes de ascendencia japonesa (Fujimori), turco-árabe (Menem, Mahuad, Saca o Bucaram), búlgara (Dilma Rousseff), croata (Kirchner), francesa (Bachelet), etc. Sin embargo, no conozco de un solo presidente sur o centro americano que haya reivindicado sus ancestros angolanos.
Hoy en la Hispanoamérica que celebra los bicentenarios de sus independencias es bueno recordar que posiblemente su primer territorio que logró la independencia fue un área de Veracruz en México, la cual en 1570, hace más de 4 siglos, fue liderada por el esclavo liberado Gaspar Yanga, quien llegó allí vía Cabo Verde (el archipiélago afro-portugués), muy posiblemente desde una región del entorno kongo-angolano.

En Londres, la más cosmopolita ciudad del Viejo Mundo, uno puede encontrar comunidades de todos los países del planeta. Al ver uno como buscan socializar entre ellos los diferentes inmigrantes uno se puede ayudar a ver cuales los verdaderos nexos culturales e históricos entre los pueblos. En la capital británica, como se ve en la primera foto, es usual encontrar carteles donde se unen las banderas de Brasil, Angola y Portugal, como el que vemos en esta imagen tomada en la calle principal de Brixton al lado de La Mazorca y Chaney, el restaurante y discoteca hispanoamericanos más populares de dicho popular barrio londinense.
Esas 3 repúblicas colocadas en 3 distintos continentes tienen en común 5 siglos de intercambio, historia, cultura y lengua afines. En las 150 iglesias brasileras del Reino Unido se encuentran mucho más portugueses y angolanos que hispanoamericanos. La Asociación Brasilera del Reino Unido (ABRAS), la cual, con 14,000 afiliados es la mayor organización comunitaria brasileña en Europa (y posiblemente en la diáspora brasilera), tiene más asociados angolanos que la suma de todo el resto de sus miembros provenientes de toda Latinoamérica. Esta semana la profesora brasilera Else Vieira organiza el festival de cine por el 35 aniversario de la independencia luso-africana en la universidad Queens Mary.


Angola es hoy uno de los países africanos más ricos en oro negro y en diamantes. Entre el 2004 y 2007 fue creciendo con una tasa anual promedio de un 15%, una de las cifras más altas del mundo.
De todos los 11 territorios africanos que tienen como lengua oficial al español o al portugués Angola es el que tiene a la mayor población que hable o entienda al menos una lengua ibérica.
Angola ha jugado un rol muy importante en la historia iberoamericana. Entre los siglos XVI y XIX proveyó de multitud de esclavos a las Américas, al punto que hoy debe haber más americano con ascendencia angolana que los 13 a 16 millones de angolanos.
En el siglo XX Angola jugó un rol importante en producir la instalación de la república de Portugal y luego en la caída de la dictadura fascista que ésta tuvo entre 1926 y 1974.
La primera monarquía europea que se expandió al sur de la línea ecuatorial fue la de Portugal. Angola fue una de sus primeras colonias y también uno de los factores que desencadenó su caída.
Tras que Lisboa perdió a su mayor dependencia (Brasil) uno de sus ejes consistió en tratar de unir a sus 2 territorios en el África austral: Angola (de cara al Atlántico sur) y Mozambique (de cara al Índico sur). Para tal efecto de delineó el ‘mapa rosado’ que mostraba las pretensiones de crear un corredor horizontal luso que vaya de oeste a este. Sin embargo, los británicos tenían su propia meta de unir a todas sus colonias desde El Cairo hasta El Cabo en un corredor vertical de norte a sur.

La monarquía de Portugal no se atrevió a desafiar a la corona inglesa, quien además de tener más poder había sido siempre su mayor aliada europea. Su capitulación en los 1890's dio paso a que los británicos estableciesen allí sus colonias de Rodesia (la del norte es hoy Zambia y la del sur es hoy Zimbabue).
Esta rendición generó tal resentimiento interno contra la familia real que terminó por producir un alzamiento hace 100 años. Este, el del 5 de Octubre de 1910, culminaría estableciendo la única república de las 4 entidades de la península ibérica (las otras 3, España, Andorra y Gibraltar, no eligen en comicios a su respectivo jefe de Estado).
El régimen más extenso que tuvo la nueva república portuguesa (la de la dictadura de medio siglo del fascista ‘Estado Novo’) también cayó ayudado por los sucesos en el África lusa. Las guerrillas en Angola y en los otros 4 PALOP fueron minando a la dictadura, la cual se desplomó en Abril 1974. Una de las primeras consecuencias de esa revolución de los clavele fue el que todas las 6 colonias portuguesas (fuera de Macao) se declarasen independientes en un lapso que fue hasta 1975.

Desde la independencia de 1975 hasta el acuerdo de paz del 2002 Angola sufrió la guerra civil más larga del África y una de las más sanguinarias de la II postguerra mundial. Esta produjo 100,000 mutilados, 500,000 muertos y 4 millones de desplazados, altas cifras para una población de 12 a 16 millones de habitantes.
Este conflicto llegó a internacionalizarse como parte de la guerra fría. El UNITA del sur de Angola y el FLNA del norte de Angola recibieron el apoyo de Zaire (liderado por el dictador Mobutu) y de Sudáfrica, mientras el gobierno del MPLA fue secundado por el de Cuba.
El Ché Guevara, antes de partir a Bolivia, había combatido en Zaire, cerca a Angola. La tesis de que Cuba debería irradiarse al África también había estado presente en las conferencias tri-continentales que el castrismo patrocinó en los 1960s.
Desde la segunda mitad de los 1970s la presencia de Cuba se haría muy grande en Angola. Castro envió allí a entre 40 y 50 mil soldados, mil tanques y 50 aviones suyos, para socorrer a los 200,000 combatientes del MPLA. Esta fue la mayor guerra que libró Fidel en el mundo y su éxito ayudó a consolidar el régimen ‘marxista-leninista’ de Angola y de otras partes del continente negro, así como ayudar a que su isla vaya minando el bloqueo de EEUU.


Angola nació así siendo parte de la mayor intervención militar hecha por un país latinoamericano fuera de su continente.
Unos 100,000 cubanos como uniformados, educadores, personal de salud o trabajadores llegaron a Angola, cuya lengua portuguesa es tan parecida a su castellano. La embajada cubana en Luanda ha llegado a ser la segunda de mayor importancia tras la de EEUU.
Hoy Brasil tiene una influencia cultural sobre Angola mayor a la que tiene sobre otros países latinoamericanos. Las novelas y series de TV, los filmes, la lengua y las artes marciales de la Capoeira es algo que une a Brasil con Angola, un país cuya lengua es tan diferente a la de su entorno de habla inglesa o francesa.
El Partido de los Trabajadores gobierna en Brasil y en Angola. Ambas formaciones usan la estrella como símbolo, nacieron como marxistas y han evolucionados hacia convertirse en formaciones de tipo socialdemócrata que aceptan el mercado, las grandes inversiones extranjeras y la democracia multipartidista.
Hoy una gran parte de la población de Portugal, así como de la diáspora portuguesa del mundo proviene de Angola, nación que ya sobrepasa en habitantes al de la misma Portugal.

La suerte de Angola e Iberoamérica está entrelazada. La América ibera tuvo desde sus inicios una masiva inmigración angolana, superior a la de cualquier pueblo europeo al este de los Pirineos. Los angolanos, al igual que otros esclavos, influyeron poderosamente en la cocina, la música, los bailes y la cultura americanas.
Las riquezas de Angola ayudaron a consolidar al imperio de los Braganza evitado que estos corriesen la misma suerte de la realeza de Madrid ante las revoluciones republicanas hispanoamericanas. Los sucesos de Angola ayudaron a producir la caída de la monarquía y luego del fascismo en Lisboa. La guerra angolana dio una gran catapulta a Castro, quien se valió de ella para afianzarse en el poder e ir generando una nueva diplomacia que haría que América Latina crease un bloque con Iberia en 1991 (la actual Comunidad Iberoamericana de Naciones) y luego una serie de organismos que tendiesen a mostrar más autonomía regional ante EEUU (como la comunidad de estados latinoamericanos y caribeños y las cumbres entre éstos y la Unión Europea).
Angola es hoy un socio comercial y cultural muy importante para Brasil en el África y para su estrategia de convertirse en una de las 5 grandes potencias para mediados de este siglo.


*Por Isaac Bigio - Artigo integral AQUI

Saturday, 9 October 2010

Miliband vs. Miliband


A semana passada no UK foi marcada pelo culminar de uma renhida disputa pela lideranca do Partido Trabalhista, visando dar resposta a uma das questoes que aqui colocava em Maio ultimo, aquando da derrota deste partido nas historicas eleicoes gerais que o viram ser preterido em favor dos Conservativos (em alianca, de ultima hora e em cima do joelho, com os Liberais Democratas) depois de mais de uma decada com o controle das redeas do poder: "que futuro politico reserva(va)m os Trabalhistas a Gordon Brown"?


A resposta foi o eclipse total de Brown e a vitoria de Ed Miliband numa campanha que o opos, ao longo dos ultimos meses, a outros quatro candidatos, um dos quais, e aquele com quem acabaria por disputar a decisao final dos eleitores do seu partido, o seu irmao mais velho David, Secretario de Estado (Ministro) para os Negocios Estrangeiros no ultimo Gabinete Trabalhista, no que ficou registado como um duelo historico reminiscente de Cain e Abel...


Pure sibling rivalry ao mais alto nivel!



A disputa ficou tambem marcada pela participacao, pela primeira vez, de uma mulher negra, a Cambridge offspring Diane Abbott, notoria por ter sido igualmente a primeira mulher negra (e, acrescente-se, mae solteira) a ser eleita para o Parlamento de Westminster em 1987.


A victoria de Ed acabou por ditar a saida, por sua decisao propria, do seu irmao David da vida politica activa (ou pelo menos em posicoes de alta visibilidade).



Mas os detalhes tecnicos da campanha sao-nos, mais uma vez, trazidos (en espanol) pelo analista politico Isaac Bigio (aqui).


A semana passada no UK foi marcada pelo culminar de uma renhida disputa pela lideranca do Partido Trabalhista, visando dar resposta a uma das questoes que aqui colocava em Maio ultimo, aquando da derrota deste partido nas historicas eleicoes gerais que o viram ser preterido em favor dos Conservativos (em alianca, de ultima hora e em cima do joelho, com os Liberais Democratas) depois de mais de uma decada com o controle das redeas do poder: "que futuro politico reserva(va)m os Trabalhistas a Gordon Brown"?


A resposta foi o eclipse total de Brown e a vitoria de Ed Miliband numa campanha que o opos, ao longo dos ultimos meses, a outros quatro candidatos, um dos quais, e aquele com quem acabaria por disputar a decisao final dos eleitores do seu partido, o seu irmao mais velho David, Secretario de Estado (Ministro) para os Negocios Estrangeiros no ultimo Gabinete Trabalhista, no que ficou registado como um duelo historico reminiscente de Cain e Abel...


Pure sibling rivalry ao mais alto nivel!



A disputa ficou tambem marcada pela participacao, pela primeira vez, de uma mulher negra, a Cambridge offspring Diane Abbott, notoria por ter sido igualmente a primeira mulher negra (e, acrescente-se, mae solteira) a ser eleita para o Parlamento de Westminster em 1987.


A victoria de Ed acabou por ditar a saida, por sua decisao propria, do seu irmao David da vida politica activa (ou pelo menos em posicoes de alta visibilidade).



Mas os detalhes tecnicos da campanha sao-nos, mais uma vez, trazidos (en espanol) pelo analista politico Isaac Bigio (aqui).

Wednesday, 23 June 2010

Identidade(s) & Etnicidade(s): Outras Lutas, Outras Conquistas (II)

Nao se trata propriamente de algo como o mercado do Roque Santeiro em Luanda - dito "o maior mercado a ceu aberto de Africa" e actualmente em vias de demolicao -, mas assim celebra a comunidade Latina de Londres o overturn da decisao de demolicao do "maior mercado Ibero-Americano do UK":


¡Victoria latina! Corte declara ilegal destrucción del mayor Mercado iberoamericano de UK

En la mañana de hoy la corte de apelaciones de Inglaterra y Gales falló decretando ilegal la decisión de demoler la manzana de Wards Corner donde está el Pueblito Paisa, el mayor centro comercial latino del Reino Unido.
Hace unos 3 años el municipio de Haringey, en el noreste de Londres, fue haciendo una serie de acuerdos con una de las multinacionales de construcción más poderosas del país (Grainger), para otorgarle a ésta dos manzanas estratégicas que se encuentran encima de la muy transitada estación de metro de Seven Sisters (a menos de 10 minutos de la única estación internacional de tren del Reino Unido: Kings Cross).
La mayor manzana es la de Wards Corner, la cual otrora fuera la mayor galería de esta parte de la ciudad, pero que hoy es la sede de más de un centenar de negocios y viviendas. Allí se encuentra localizado el mercado de Seven Sisters llamado ‘Pueblito Paisa’ en honor a una de las principales atracciones turísticas de Medellín (Colombia).
Este centro comercial se encuentra en el corazon del barrio más multiétnico de toda Londres y posiblemente de Europa. La población local decidió movilizarse para evitar tal destrucción pues destruiría la armonía entre las etnias y la cohesión social para transformar a ese barrio tan multicultural en el centro de un complejo de departamentos de lujo para gente que pasase casi todo el tiempo trabajando en la City o en otras partes del resto de la metrópolis.
(...)
La lucha por la defensa del Pueblito Paisa fue uno de los catalizadores que hizo que hace más de 2 años se realizasen las primeras asambleas masivas iberoamericanas con autoridades y que luego dio paso a la creación de la Alianza Iberoamericana y Lusohispana de UK, el intento más serio de unir a la comunidad de habla hispana y portuguesa para ser reconocida, regularizada y respetada.

Lo que se ha conseguido es un ejemplo para todas las comunidades multiétnicas del reino Unido y para todas las comunidades latinas e iberoamericanas del mundo.


[Leia mais aqui]

Nao se trata propriamente de algo como o mercado do Roque Santeiro em Luanda - dito "o maior mercado a ceu aberto de Africa" e actualmente em vias de demolicao -, mas assim celebra a comunidade Latina de Londres o overturn da decisao de demolicao do "maior mercado Ibero-Americano do UK":


¡Victoria latina! Corte declara ilegal destrucción del mayor Mercado iberoamericano de UK

En la mañana de hoy la corte de apelaciones de Inglaterra y Gales falló decretando ilegal la decisión de demoler la manzana de Wards Corner donde está el Pueblito Paisa, el mayor centro comercial latino del Reino Unido.
Hace unos 3 años el municipio de Haringey, en el noreste de Londres, fue haciendo una serie de acuerdos con una de las multinacionales de construcción más poderosas del país (Grainger), para otorgarle a ésta dos manzanas estratégicas que se encuentran encima de la muy transitada estación de metro de Seven Sisters (a menos de 10 minutos de la única estación internacional de tren del Reino Unido: Kings Cross).
La mayor manzana es la de Wards Corner, la cual otrora fuera la mayor galería de esta parte de la ciudad, pero que hoy es la sede de más de un centenar de negocios y viviendas. Allí se encuentra localizado el mercado de Seven Sisters llamado ‘Pueblito Paisa’ en honor a una de las principales atracciones turísticas de Medellín (Colombia).
Este centro comercial se encuentra en el corazon del barrio más multiétnico de toda Londres y posiblemente de Europa. La población local decidió movilizarse para evitar tal destrucción pues destruiría la armonía entre las etnias y la cohesión social para transformar a ese barrio tan multicultural en el centro de un complejo de departamentos de lujo para gente que pasase casi todo el tiempo trabajando en la City o en otras partes del resto de la metrópolis.
(...)
La lucha por la defensa del Pueblito Paisa fue uno de los catalizadores que hizo que hace más de 2 años se realizasen las primeras asambleas masivas iberoamericanas con autoridades y que luego dio paso a la creación de la Alianza Iberoamericana y Lusohispana de UK, el intento más serio de unir a la comunidad de habla hispana y portuguesa para ser reconocida, regularizada y respetada.

Lo que se ha conseguido es un ejemplo para todas las comunidades multiétnicas del reino Unido y para todas las comunidades latinas e iberoamericanas del mundo.


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Wednesday, 12 May 2010

"Brown Con-Dem-nado. Lib-Dems con Cons"


A anunciada imprevisibilidade do resultado das eleicoes gerais da semana passada no Reino Unido "previa tudo" menos o "empate tecnico" entre o poder e a oposicao (o que no jargao politico local e' designado por hung parliament) ... Resultado: nos dias que se seguiram ate' hoje, este pais tem vivido em estado de "alta tensao", nao se sabendo muito bem como e' que o stalemate na corrida para 10 Downing Street acabaria por ser resolvido, numa inusitada jincana negocial por entre varias possiveis aliancas e alinhamentos entre os tres maiores partidos contendores: Trabalhistas, Conservativos e Liberais Democratas. Mas, finalmente, os Ingleses puderam hoje respirar fundo e dizer: habemus governo!



Muito ha' ainda a dizer sobre este resultado eleitoral que ficara' seguramente registado na historia deste pais - e.g., as vozes que ja' se levantam vaticinando que o "casamento de conveniencia" entre os Conservativos e os Liberais Democratas ha-de acabar em "divorcio; o futuro politico que os Trabalhistas reservam a Gordon Brown, ou a forma como, tal como os Franceses a dada altura fizeram com o seu Sarkozy, o novo British Prime Minister, o jovem David Cameron, comeca a ser Obamanizado...




Mas, por agora, o que me parece reflectir melhor o actual momento, a comecar pelo "bem apanhado" titulo, e' o seguinte artigo de Isaac Bigio, articulista de varios periodicos Ibero-Americanos, na sua coluna (distribuida por email) Analisis Global:


Brown Con-Dem-nado. Lib-Dems com Cons

No Reino Unido usa-se a sílaba “Cons” para se referir aos conservadores e “Dems” para se referir aos democratas liberais. Hoje, pela primeira vez na história, estes dois partidos cujos antepassados têm mais de três séculos de existência, firmaram uma coalizão para jogar os “labs” (laboristas ou trabalhistas) do governo nacional.
Tal como o advertia a manchete do principal diário pró-laborista (‘Mirror’), o trabalhista Gordon Brown podia terminar com-dem-nado. Buscando por todos os meios se manter no cargo, Brown anunciou que ele permaneceria como premiê somente por mais três a quatro meses e que seu governo baixaria uma nova lei para reformular o sistema eleitoral.
No entanto, apesar de todas as suas tentativas para se perpetuar no poder, ele acaba de deixar as chaves do número 10 da Downing Street (residência do premiê de sua majestade) ao seu oponente David Cameron.
Durante as eleições os conservadores diziam que quem votasse aos liberal-democratas estaria ajudando para que os trabalhistas mantivessem alguém que lhes permitiria continuar retendo o poder. No entanto, os fatos ocorreram em ordem inversa. São os liberais que têm levado os conservadores a encabeçar seu primeiro governo sem maioria parlamentar, após várias gerações.
A partir do ponto de vista inerente às distâncias que os liberal-democratas mantêm em relação aos conservadores, sabe-se que estas são maiores em relação aos trabalhistas. Enquanto os "lib-dems" são favoráveis à União Europeia (UE), à anistia aos imigrantes irregulares e a eliminar os caros submarinos nucleares, os "cons" querem conceder peso à UE, pedem mais dureza frente aos imigrantes e propõem mais gastos com a defesa.
No entanto, os “lib-dems” só tomaram os coquetéis com os “labs” ara que os “cons” abram mais concessões. Graças aos coquetéis, um outro Nick Clegg se converteu no primeiro vice-premiê liberal-democrata da história. Os “lib-dems” têm conseguido se impor ao partido que mais se opôs à reforma eleitoral, fazendo com que o mesmo aceite se submeter a um referendo, uma leve reforma do sistema eleitoral uninominal.Assim, seria permitido a cada eleitor indicar as suas preferências e o vencedor se sagraria com mais de 50% da votação.
Os “lib-dems” não decidiram formar uma “aliança progressista” com os “labs” por várias razões. Primeiro, porque seria vista como uma coalizão que joga entre os dois derrotados, colocando pela segunda vez consecutiva, um premiê que não liderou uma vitória eleitoral (Brown e seu sucessor). Segundo, porque isso poderia agigantar os conservadores na oposição e agora, decerto, deverão “suavizar”. Terceiro, porque ideologicamente falando, Clegg está na direita de seu partido - e sua esposa Miriam é filha de um senador da direita espanhola.

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A anunciada imprevisibilidade do resultado das eleicoes gerais da semana passada no Reino Unido "previa tudo" menos o "empate tecnico" entre o poder e a oposicao (o que no jargao politico local e' designado por hung parliament) ... Resultado: nos dias que se seguiram ate' hoje, este pais tem vivido em estado de "alta tensao", nao se sabendo muito bem como e' que o stalemate na corrida para 10 Downing Street acabaria por ser resolvido, numa inusitada jincana negocial por entre varias possiveis aliancas e alinhamentos entre os tres maiores partidos contendores: Trabalhistas, Conservativos e Liberais Democratas. Mas, finalmente, os Ingleses puderam hoje respirar fundo e dizer: habemus governo!



Muito ha' ainda a dizer sobre este resultado eleitoral que ficara' seguramente registado na historia deste pais - e.g., as vozes que ja' se levantam vaticinando que o "casamento de conveniencia" entre os Conservativos e os Liberais Democratas ha-de acabar em "divorcio; o futuro politico que os Trabalhistas reservam a Gordon Brown, ou a forma como, tal como os Franceses a dada altura fizeram com o seu Sarkozy, o novo British Prime Minister, o jovem David Cameron, comeca a ser Obamanizado...




Mas, por agora, o que me parece reflectir melhor o actual momento, a comecar pelo "bem apanhado" titulo, e' o seguinte artigo de Isaac Bigio, articulista de varios periodicos Ibero-Americanos, na sua coluna (distribuida por email) Analisis Global:


Brown Con-Dem-nado. Lib-Dems com Cons

No Reino Unido usa-se a sílaba “Cons” para se referir aos conservadores e “Dems” para se referir aos democratas liberais. Hoje, pela primeira vez na história, estes dois partidos cujos antepassados têm mais de três séculos de existência, firmaram uma coalizão para jogar os “labs” (laboristas ou trabalhistas) do governo nacional.
Tal como o advertia a manchete do principal diário pró-laborista (‘Mirror’), o trabalhista Gordon Brown podia terminar com-dem-nado. Buscando por todos os meios se manter no cargo, Brown anunciou que ele permaneceria como premiê somente por mais três a quatro meses e que seu governo baixaria uma nova lei para reformular o sistema eleitoral.
No entanto, apesar de todas as suas tentativas para se perpetuar no poder, ele acaba de deixar as chaves do número 10 da Downing Street (residência do premiê de sua majestade) ao seu oponente David Cameron.
Durante as eleições os conservadores diziam que quem votasse aos liberal-democratas estaria ajudando para que os trabalhistas mantivessem alguém que lhes permitiria continuar retendo o poder. No entanto, os fatos ocorreram em ordem inversa. São os liberais que têm levado os conservadores a encabeçar seu primeiro governo sem maioria parlamentar, após várias gerações.
A partir do ponto de vista inerente às distâncias que os liberal-democratas mantêm em relação aos conservadores, sabe-se que estas são maiores em relação aos trabalhistas. Enquanto os "lib-dems" são favoráveis à União Europeia (UE), à anistia aos imigrantes irregulares e a eliminar os caros submarinos nucleares, os "cons" querem conceder peso à UE, pedem mais dureza frente aos imigrantes e propõem mais gastos com a defesa.
No entanto, os “lib-dems” só tomaram os coquetéis com os “labs” ara que os “cons” abram mais concessões. Graças aos coquetéis, um outro Nick Clegg se converteu no primeiro vice-premiê liberal-democrata da história. Os “lib-dems” têm conseguido se impor ao partido que mais se opôs à reforma eleitoral, fazendo com que o mesmo aceite se submeter a um referendo, uma leve reforma do sistema eleitoral uninominal.Assim, seria permitido a cada eleitor indicar as suas preferências e o vencedor se sagraria com mais de 50% da votação.
Os “lib-dems” não decidiram formar uma “aliança progressista” com os “labs” por várias razões. Primeiro, porque seria vista como uma coalizão que joga entre os dois derrotados, colocando pela segunda vez consecutiva, um premiê que não liderou uma vitória eleitoral (Brown e seu sucessor). Segundo, porque isso poderia agigantar os conservadores na oposição e agora, decerto, deverão “suavizar”. Terceiro, porque ideologicamente falando, Clegg está na direita de seu partido - e sua esposa Miriam é filha de um senador da direita espanhola.

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Thursday, 4 March 2010

1960-2010: “The Year of Africa” 50 Years On (III)


Depois da viagem no tempo entre "a razao da nossa luta" e "o estado da nossa nacao", regresso a esta serie para uma viagem no espaco que me e’ sugerida por este texto de Ismael Mateus.

Ele transportou-me, ainda que por caminhos um tanto invios, de volta a este apontamento sobre Basquiat – esse que tambem, por seus proprios caminhos invios, nos diz algo sobre o Haiti
Nao que o perfil e trajectoria dos personagens mencionados por Mateus (os “arlindos”, como lhes chama)* tenham alguma coisa a ver com a vida e obra de Basquiat – embora me ocorra um personagem Angolano, por sinal da minha geracao e, felizmente, ainda vivo, que se lhe assemelha bastante, apesar de se dedicar a outras artes… - e, nao obstante um dos "arlindos" mencionados ja' aqui ter sido apelidado "O Execravel Puto Pe' Descalco", os seus nada teem em comum com os artisticamente descalcos pes de Basquiat!

Tal como o que me levou a Basquiat naquele apontamento nao foi exactamente o proprio, tambem neste caso sao outras as linhas que a ele me transportam: nomeadamente, aquela percepcao de "misplaced identities" (identidades deslocadas, ou fora do seu "espaco de pertenca natural") e esses “seis graus de separacao” (que podem bem ser entre um cadeirao de chefe num novo arranha-ceus envidracado e um luando num velho quintal de terra batida, ou entre a cidade do asfalto e o musseke dos becos), mais a ideia, que se impoe como uma perene espada de Damocles sobre a precaridade de certas “conquistas”, de se estar sempre sujeito a ser-se, de subito, retornado ao lugar de onde se proveio ("go back to where you came from"), associada ao imperativo de, como convem a pobres e insignificantes criaturas, “saber-se sempre o que nos espera!”… Ao que alguns “intelectuais”, mui pomposa e vacuamente, chamariam “involucoes”, "declinacoes", ou "reconversoes" pos-coloniais de uma (ja’ longinqua?) “revolucao” anti-colonial…

Ah!... isso e o 'meu celebre' Basquiat “1960” que, tal como alguns postais ilustrativos da sua obra que comprei em New York no que parecem ser ja’ tempos longinquos, continua sumido num qualquer dos 'trunks' das minhas deambulacoes espaciais dos ultimos anos… mas do qual ontem finalmente (!) consegui encontrar uma imagem aqui – por estranha coincidencia (?) ilustrando (ad infinitum) precisamente um texto que na altura obtive de outras fontes e a que me referi naquele apontamento de ha’ 3 anos!

Et voila, c’est ca la vie au village, avec du bon fufu (funge) et du poisson grille' aromatise' que la grand-mere a prepare', como diria o nosso eterno Manu Dibango – esse que, entre muita outra boa musica criou e tocou Abidjan City, cidade que seria tambem a unica em Africa a ser visitada por Basquiat (embora a influencia do nosso continente na sua obra se revele muito mais vasta, chegando a incluir o Kongo e os seus Nkisi, como pode ser constatado aqui , o que nao sera' de todo uma ocorrencia "out of this world" se atendermos ao facto, aqui notado pelo academico Isaac Bigio, de a populacao do Haiti ser predominantemente descendente de escravos Africanos originarios da regiao Kongo-Niger...) – o que me leva a musica e a esse “You Were There”, ja’ antes bastante tocado neste blog e que aqui volta para nos (re)lembrar de "Marco Mulher" e de como “we're brought into this world” (…talvez em 1960, esse ano seminal para mim, para Basquiat e para a Africa pos-colonial…) e de como “we grow up and get taught the difference between right and wrong” e depois “we grow old and choose for ourselves what’s right and what’s wrong in our own lives”…


You Were There
(Nontuthuzelo Pouane with Marcus Wyatt)


*Entretanto, soube que Arlindo Isabel ja’ se encontra a frente de uma nova editora, a Mayamba...
Um "arlindo" sortudo?

Depois da viagem no tempo entre "a razao da nossa luta" e "o estado da nossa nacao", regresso a esta serie para uma viagem no espaco que me e’ sugerida por este texto de Ismael Mateus.

Ele transportou-me, ainda que por caminhos um tanto invios, de volta a este apontamento sobre Basquiat – esse que tambem, por seus proprios caminhos invios, nos diz algo sobre o Haiti
Nao que o perfil e trajectoria dos personagens mencionados por Mateus (os “arlindos”, como lhes chama)* tenham alguma coisa a ver com a vida e obra de Basquiat – embora me ocorra um personagem Angolano, por sinal da minha geracao e, felizmente, ainda vivo, que se lhe assemelha bastante, apesar de se dedicar a outras artes… - e, nao obstante um dos "arlindos" mencionados ja' aqui ter sido apelidado "O Execravel Puto Pe' Descalco", os seus nada teem em comum com os artisticamente descalcos pes de Basquiat!

Tal como o que me levou a Basquiat naquele apontamento nao foi exactamente o proprio, tambem neste caso sao outras as linhas que a ele me transportam: nomeadamente, aquela percepcao de "misplaced identities" (identidades deslocadas, ou fora do seu "espaco de pertenca natural") e esses “seis graus de separacao” (que podem bem ser entre um cadeirao de chefe num novo arranha-ceus envidracado e um luando num velho quintal de terra batida, ou entre a cidade do asfalto e o musseke dos becos), mais a ideia, que se impoe como uma perene espada de Damocles sobre a precaridade de certas “conquistas”, de se estar sempre sujeito a ser-se, de subito, retornado ao lugar de onde se proveio ("go back to where you came from"), associada ao imperativo de, como convem a pobres e insignificantes criaturas, “saber-se sempre o que nos espera!”… Ao que alguns “intelectuais”, mui pomposa e vacuamente, chamariam “involucoes”, "declinacoes", ou "reconversoes" pos-coloniais de uma (ja’ longinqua?) “revolucao” anti-colonial…

Ah!... isso e o 'meu celebre' Basquiat “1960” que, tal como alguns postais ilustrativos da sua obra que comprei em New York no que parecem ser ja’ tempos longinquos, continua sumido num qualquer dos 'trunks' das minhas deambulacoes espaciais dos ultimos anos… mas do qual ontem finalmente (!) consegui encontrar uma imagem aqui – por estranha coincidencia (?) ilustrando (ad infinitum) precisamente um texto que na altura obtive de outras fontes e a que me referi naquele apontamento de ha’ 3 anos!

Et voila, c’est ca la vie au village, avec du bon fufu (funge) et du poisson grille' aromatise' que la grand-mere a prepare', como diria o nosso eterno Manu Dibango – esse que, entre muita outra boa musica criou e tocou Abidjan City, cidade que seria tambem a unica em Africa a ser visitada por Basquiat (embora a influencia do nosso continente na sua obra se revele muito mais vasta, chegando a incluir o Kongo e os seus Nkisi, como pode ser constatado aqui , o que nao sera' de todo uma ocorrencia "out of this world" se atendermos ao facto, aqui notado pelo academico Isaac Bigio, de a populacao do Haiti ser predominantemente descendente de escravos Africanos originarios da regiao Kongo-Niger...) – o que me leva a musica e a esse “You Were There”, ja’ antes bastante tocado neste blog e que aqui volta para nos (re)lembrar de "Marco Mulher" e de como “we're brought into this world” (…talvez em 1960, esse ano seminal para mim, para Basquiat e para a Africa pos-colonial…) e de como “we grow up and get taught the difference between right and wrong” e depois “we grow old and choose for ourselves what’s right and what’s wrong in our own lives”…


You Were There
(Nontuthuzelo Pouane with Marcus Wyatt)


*Entretanto, soube que Arlindo Isabel ja’ se encontra a frente de uma nova editora, a Mayamba...
Um "arlindo" sortudo?