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Tuesday, 9 November 2010

"Conferencia Internacional sobre Cultura Cokwe" ... [R]*




E, fundamentalmente, tenta compreender que uma coisa é o domínio técnico das formas de expressão cultural de um particular grupo etno-linguístico, que fazes bem em tentar incorporar na tua dança, outra coisa é tentares apropriar-te da identidade do teu objecto de estudo… porque é isso que, consciente ou inconscientemente andas a tentar fazer. Será isso éticamente aceitável? Culturalmente legítimo? Intelectualmente honesto?[K. - aqui]


Ninguém pode tudo na vida. E também ninguém sabe tudo, mas podemos fazer muito quando há solidariedade, interacção e entreajuda e, sobretudo, quando a pessoa em questão se sente entre os seus.
[JES -
aqui]

... Ou "o estado angolano tentando justificar (defender?) o seu 'mais alto galardao'"? ...

AQUI


E, ja' agora, outro take sobre a "Historia, Kultura (e Identidade) Tchokwe'"...

AKI





OU AINDA...


COMO FABRICAR UM MONSTRO 'POS-COLONIAL'...


{Ou, provavelmente, "O Charme (in)Discreto da ex-Burguesia Colonial" - lembram-se do filme do Bunuel?...}


1. Pegue-se numa lourinha da media-alta burguesia colonial. Coloque-se-a, aos oito anos de idade, na academia local de ballet classico, como e' de 'bom gosto e bom tom' fazer-se com as 'meninas bem' das sociedades coloniais, para que elas "nao fiquem atras" das suas congeneres da metropole.

2. Aproveite-se a debandada dos colonos por altura da independencia e coloque-se a lourinha, aos quinze anos de idade, como directora da mesma academia, onde ela, por falta de competicao, challenges, e muito menos criticas, de colegas ou professore/as mais velho/as e mais experientes, nao so' nao aprimora a sua formacao basica, tanto tecnica como conceptual, cultural, espiritual e etica, moral ou humanistica, nem sedimenta quaisquer valores ou principios e menos ainda qualquer sensibilidade ou maturidade socio-politica, como comeca a desenvolver todos os tiques ditatorias de "prima doninha" e "vaquinha sagrada", ate' que... um grupo de "ingratos" emite um abaixo-assinado acusando-a de "praticas social e racialmente discriminatorias".

3. Nao tardara' muito e a loura, guiada pelos "mais elevados espiritas pos-coloniais", decide trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara da Mwana P(h)wo... e o resto... e' 'historia'!

4. Ou seja, a blonde bombshell decide criar uma privada 'companhia de danca contemporanea' a partir das cinzas da publica academia em que fez das suas a seu bel prazer, companhia essa que, va-se la' saber como e/ou porque, viria a ficar "falecida" durante cerca de 10 anos, ate' que... a loura e' confrontada com o primeiro challenge da sua dolce vitta sob a forma de alguns serios questionamentos por parte de uma "pobre e insignificante criatura", contra a qual por isso move uma sordida campanha em alianca com outros tantos sordidos personagens, mas gracas a qual e ao blog dessa mesma criatura consegue "reunir forcas" - nao sem usar, mais uma vez, a muleta dos seus paternus guias - para sair do seu letargico longo dolce fare niente e la' consegue fazer renascer das cinzas, qual Fenix, a tal companhia que apenas 'inclui' black men e para a qual obtem de mao beijada um volume de patrocinios inaudito no pais...

5. Depois e' so' ve-la tornar-se, do dia para a noite, "monstro sagrado da danca patrimonial nacional" (palmas por favor !), portadora do "mais alto galardao do estado pos-colonial" e (calem-se todos porra!!!), "mae da danca contemporanea em Africa", "coreografa-em-chefe do CAN", "unico verdadeiro icone da danca em Angola, unico membro do Conselho Mundial da Danca e unico item que nao merece ser abortado e muito menos suicidado em grande estilo ou esquartejado a catanada" e "mais angolana do que a angolanidade"!!!

6. Mas nao e' tudo: a loura, tendo sido sempre uma estudante mediocre e sem nunca ter completado o ensino medio formal, entra por portas travessas para a universidade local onde desconsegue de fazer o curso atraves do qual pretendia obter creditos de "ser pensante" (e' que isto de ser bailarina classica europeia, apenas porque os pais assim o quizeram e puderam e ainda por cima loura, tem as suas coisas...).

7. Vai dai, abala para uma qualquer universidade na ex-metropole onde se torna "mestre" e "doutoranda" em qualquer coisa ligada a motricidade humana, mas que tambem lhe permite vir a reclamar (desastradamente, diga-se de passagem...) creditos como "coreografa", "antropologa" "historiadora", "economista" e "critica literaria"!

8. E o monstro fica pronto quando, depois de ter dito e feito todas as patetices, ordinarices, ignorancias e mentiras descaradas aqui registadas, comeca arrogantemente a auto-designar-se "Dra." sem o ser, a auto-proclamar-se "grande especialista da cultura cokwe" e a mandar bocas destas: "(...) a dança não é instintiva, não é apenas recreativa, mas é uma área do saber tão académica e tão rigorosa como qualquer outra..."! [O facto e' que, mesmo que tal statement possa ser de algum modo "substanciado" numa qualquer versao talvez do dominio do "fantastico" (... e, ainda assim, quanto muito, apenas no 'circulo restrito' da "danca classica europeia"... e com "muitas aspas" e reticencias...), ela sera' a ultima pessoa a poder demonstra-lo convincentemente, dado o seu background e a sua prestacao nos registos acima mencionados e linkados...]


E MAIS!!! PERMITE-SE PUBLICAR "TESTAMENTOS" COMO ESTE:


TESTAMENTO


… quero dançar, dançar sempre até me evaporar, até os meus pés e a minha alma se rasgarem em fragmentos que se espalharão pela terra de todas as vidas que vivi, de todas as vidas que pisei, de todas as vidas que construí e destruí. De todas as vidas que sonhei e nem conheci.

Que o céu me arranque os olhos castanhos e os faça azuis de mar e cinzentos de tempestade. Que os ogros me levem o coração inscrito de sinuosas cicatrizes. E que tu me guardes a pele transparente e inofensiva e dela faças uma janela para coar o sol. O meu sol.

E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre.

Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti:

a tua alma pura e frágil!..



[AQUI]


E PRONTO, COM SEXO, VENALIDADE E DECADENCIA q.b. A MISTURA - mais o "apoio incondicional" do regime e estruturas governamentais (nomeadamente o Ministerio da Cultura para o qual diz trabalhar ha' 33 anos...) "contra" os quais de vez em quando "manda umas bocas" para ingles ver e ouvir e para "conquistar a oposicao e, em particular, os intelectuais activistas do social" - AI' TEEM O PERFEITO MONSTRO 'POS-COLONIAL'... ABSOLUTAMENTE IRRESISTIVEL... ENJOY!



P.S.: Apenas algumas breves 'observacoes empiricas' (atrevidas) a esta materia:
i) A "interessante conversa sobre cultura e etnologia" com Mesquitela Lima a que me referia nesta memoria de morabezza, comecou num momento em que ele me atirou (morabezzamente) com este statement: "nos conhecemos melhor as vossas culturas do que voces proprios"!...

ii) Num pais como Angola, composto por um mosaico cultural que conta com pelo menos 10 grupos etnicos e respectivos sistemas e sub-sistemas etno-linguisticos e culturais, como explicar (compreender) o "lugar central" e ate' "matricial" que, aparentemente, nele e' atribuido a cultura Cokwe (Tchokwe)? Para o leigo, porem atento observador de cultural trends, como eu, ele tem pelo menos duas vertentes (hipoteses) explicativas fundamentais:

1. [Infrastrutura] - Os recursos financeiros e materiais que a toda poderosa Diamang (um verdadeiro "estado dentro do estado" no periodo colonial/ pre-economia petrolifera) pode dispender na investigacao, inventariacao, recolha, documentacao e arquivo daquela cultura nas suas varias vertentes - foi o que tornou possivel o estabelecimento, sob a direccao de Mesquitela Lima, do dedicado Museu do Dundo, que nao encontra replica na atencao (nao) dispensada as culturas de outros grupos etnicos do pais e a obra de Marie Louise Bastin ;

2. [Superstrutura] - A "gesta da Nacao Crioula", como fulcro cultural e intelectual do (ideologico) "projecto de engenharia social" para a criacao do "homem novo" que o MPLA vem (utopicamente) implementando, com maior ou menor sucesso, desde a independencia (replicando, em grande medida, a gesta cultural do "Portugal Imperial do Minho a Timor", com sede no eixo Sagres-Lisboa/Porto, na "Angola Pos-Colonial de Cabinda ao Cunene", com sede no eixo Dundo (Kabebe?) -Loanda/Benguela...). Projecto esse em que, ademais, no plano politico, os conceitos de Angolanidade, Cidadania e Patriotismo continuam a ser ideologicamente confundidos com a filiacao, adesao, ou comunhao de ideais, principios, programas e praticas ao/com o ate' recentemente unico e ate' agora partido maioritario - processo esse facilitado pela "acoplacao" e "acantonamento" dos outros dois maiores partidos tradicionais a forcas estrangeiras, nomeadamente aos "carcamanos sul-africanos" a Sul e aos "neo-authenticites apostolos de Mobutu" a Norte (... como se cubanos e sovieticos, entre outros, incluindo portugueses e chineses, nao fossem estrangeiros...):

- Essa gesta (utopica) tem a sua genese em Mwanapwo, os seus caboucos em Yaka , o seu apogeu em Lueji, o Nascimento de um Imperio e o seu extase na Gloriosa Familia, de Pepetela - 'o mais elevado dos espiritas', passando, embora um tanto ao largo e com outros referentes socio-culturais e geograficos (e.g. Luanda 'Ilha' Crioula de Mario Antonio), pela Nacao Crioula de Agualusa. Trata-se aqui de ficcao literaria, bem entendido, mas uma ficcao literaria que, neste contexto, "faz (pretende fazer?) as vezes" (ideologicamente) da Historia, da Sociologia, da Demografia, da Etnologia e da Antropologia - em suma, das Ciencias Sociais e Humanas...

- E esses vultos literarios, sao seguidos por um circulo restrito de poetas como Ana Paula Tavares [que, interessantemente, no seu A Cabeca de Salome', dedica uma cronica a Marie Louise Bastin, com um curioso "sincero pedido de perdao" (assumidamente por ter chegado tarde a taca do vinho lunda), que, pelo menos a mim, teve o condao de evocar a um certo nivel o statement de Mesquitela Lima acima referido... sendo que no mesmo livro, a autora (re?) cria uma fantastica carta de Dona Ana Joaquina - a escravocrata mestica - ao Muatianvua Noeji - senhor de todas as Lundas - em que estabelece uma ponte povoada de sonhos e pesadelos de escravos e pombeiros entre o palacio da primeira em Loanda - a cidade branca - e a mussumba do segundo em Kabebe - a cidade ideia...], bailarinas classicas europeias como Ana Clara Guerra Marques (a.k.a. P(h)wo, de Mwanapwo... "mera coincidencia"?!) e, entre outros, alguns artistas plasticos e musicos (embora estes apenas pontualmente e a titulo de curiosidade, ou apenas na intencao declarada) como Paulo Flores ou Tirso Amaral (e, certamente nao por acaso, excepto no caso deste, ja' falecido, os ultimos todos galardoados nos ultimos anos com o Premio Nacional de Cultura e Artes)...

E' a "Nacao Crioula" (Krioula? - ou, nas suas versoes mais hodiernas, a "(neofita) ideologia dos (pretensos) afectos" ou a "cultura africana contemporanea", ou pelo menos parte dela - onde o termo bantu passou a ser o insulto preferido de alguns e em que todos os caminhos parecem inevitavelmente ir dar a recolonizacao...) urdindo, fundindo, forjando, brandindo e esgrimindo, sob o olhar silencioso de Neto, em bom Portugues de Camoes (Kamoes?), ao sabor de bom vinho do Porto e ao som de Wagner, assepticamente, as suas "raizes mais profundas"! SARAVA'!!!

Is there more to it than just that, really?!
I wonder...


[Se Mesquitela Lima estivesse vivo, talvez me pudesse esclarecer melhor essas questoes e, muito especialmente, porque que o meu Kongo Blues e' considerado "tara tribal" e esse tipo de conferencias e respectivos produtos e sub-produtos culturais nao o e'... ]



*[First posted 02/10/10]




Ninguém pode tudo na vida. E também ninguém sabe tudo, mas podemos fazer muito quando há solidariedade, interacção e entreajuda e, sobretudo, quando a pessoa em questão se sente entre os seus.
[JES -
aqui]

... Ou "o estado angolano tentando justificar (defender?) o seu 'mais alto galardao'"? ...

AQUI


E, ja' agora, outro take sobre a "Historia, Kultura (e Identidade) Tchokwe'"...

AKI





OU AINDA...


COMO FABRICAR UM MONSTRO 'POS-COLONIAL'...


{Ou, provavelmente, "O Charme (in)Discreto da ex-Burguesia Colonial" - lembram-se do filme do Bunuel?...}


1. Pegue-se numa lourinha da media-alta burguesia colonial. Coloque-se-a, aos oito anos de idade, na academia local de ballet classico, como e' de 'bom gosto e bom tom' fazer-se com as 'meninas bem' das sociedades coloniais, para que elas "nao fiquem atras" das suas congeneres da metropole.

2. Aproveite-se a debandada dos colonos por altura da independencia e coloque-se a lourinha, aos quinze anos de idade, como directora da mesma academia, onde ela, por falta de competicao, challenges, e muito menos criticas, de colegas ou professore/as mais velho/as e mais experientes, nao so' nao aprimora a sua formacao basica, tanto tecnica como conceptual, cultural, espiritual e etica, moral ou humanistica, nem sedimenta quaisquer valores ou principios e menos ainda qualquer sensibilidade ou maturidade socio-politica, como comeca a desenvolver todos os tiques ditatorias de "prima doninha" e "vaquinha sagrada", ate' que... um grupo de "ingratos" emite um abaixo-assinado acusando-a de "praticas social e racialmente discriminatorias".

3. Nao tardara' muito e a loura, guiada pelos "mais elevados espiritas pos-coloniais", decide trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara da Mwana P(h)wo... e o resto... e' 'historia'!

4. Ou seja, a blonde bombshell decide criar uma privada 'companhia de danca contemporanea' a partir das cinzas da publica academia em que fez das suas a seu bel prazer, companhia essa que, va-se la' saber como e/ou porque, viria a ficar "falecida" durante cerca de 10 anos, ate' que... a loura e' confrontada com o primeiro challenge da sua dolce vitta sob a forma de alguns serios questionamentos por parte de uma "pobre e insignificante criatura", contra a qual por isso move uma sordida campanha em alianca com outros tantos sordidos personagens, mas gracas a qual e ao blog dessa mesma criatura consegue "reunir forcas" - nao sem usar, mais uma vez, a muleta dos seus paternus guias - para sair do seu letargico longo dolce fare niente e la' consegue fazer renascer das cinzas, qual Fenix, a tal companhia que apenas 'inclui' black men e para a qual obtem de mao beijada um volume de patrocinios inaudito no pais...

5. Depois e' so' ve-la tornar-se, do dia para a noite, "monstro sagrado da danca patrimonial nacional" (palmas por favor !), portadora do "mais alto galardao do estado pos-colonial" e (calem-se todos porra!!!), "mae da danca contemporanea em Africa", "coreografa-em-chefe do CAN", "unico verdadeiro icone da danca em Angola, unico membro do Conselho Mundial da Danca e unico item que nao merece ser abortado e muito menos suicidado em grande estilo ou esquartejado a catanada" e "mais angolana do que a angolanidade"!!!

6. Mas nao e' tudo: a loura, tendo sido sempre uma estudante mediocre e sem nunca ter completado o ensino medio formal, entra por portas travessas para a universidade local onde desconsegue de fazer o curso atraves do qual pretendia obter creditos de "ser pensante" (e' que isto de ser bailarina classica europeia, apenas porque os pais assim o quizeram e puderam e ainda por cima loura, tem as suas coisas...).

7. Vai dai, abala para uma qualquer universidade na ex-metropole onde se torna "mestre" e "doutoranda" em qualquer coisa ligada a motricidade humana, mas que tambem lhe permite vir a reclamar (desastradamente, diga-se de passagem...) creditos como "coreografa", "antropologa" "historiadora", "economista" e "critica literaria"!

8. E o monstro fica pronto quando, depois de ter dito e feito todas as patetices, ordinarices, ignorancias e mentiras descaradas aqui registadas, comeca arrogantemente a auto-designar-se "Dra." sem o ser, a auto-proclamar-se "grande especialista da cultura cokwe" e a mandar bocas destas: "(...) a dança não é instintiva, não é apenas recreativa, mas é uma área do saber tão académica e tão rigorosa como qualquer outra..."! [O facto e' que, mesmo que tal statement possa ser de algum modo "substanciado" numa qualquer versao talvez do dominio do "fantastico" (... e, ainda assim, quanto muito, apenas no 'circulo restrito' da "danca classica europeia"... e com "muitas aspas" e reticencias...), ela sera' a ultima pessoa a poder demonstra-lo convincentemente, dado o seu background e a sua prestacao nos registos acima mencionados e linkados...]


E MAIS!!! PERMITE-SE PUBLICAR "TESTAMENTOS" COMO ESTE:


TESTAMENTO


… quero dançar, dançar sempre até me evaporar, até os meus pés e a minha alma se rasgarem em fragmentos que se espalharão pela terra de todas as vidas que vivi, de todas as vidas que pisei, de todas as vidas que construí e destruí. De todas as vidas que sonhei e nem conheci.

Que o céu me arranque os olhos castanhos e os faça azuis de mar e cinzentos de tempestade. Que os ogros me levem o coração inscrito de sinuosas cicatrizes. E que tu me guardes a pele transparente e inofensiva e dela faças uma janela para coar o sol. O meu sol.

E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre.

Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti:

a tua alma pura e frágil!..



[AQUI]


E PRONTO, COM SEXO, VENALIDADE E DECADENCIA q.b. A MISTURA - mais o "apoio incondicional" do regime e estruturas governamentais (nomeadamente o Ministerio da Cultura para o qual diz trabalhar ha' 33 anos...) "contra" os quais de vez em quando "manda umas bocas" para ingles ver e ouvir e para "conquistar a oposicao e, em particular, os intelectuais activistas do social" - AI' TEEM O PERFEITO MONSTRO 'POS-COLONIAL'... ABSOLUTAMENTE IRRESISTIVEL... ENJOY!



P.S.: Apenas algumas breves 'observacoes empiricas' (atrevidas) a esta materia:
i) A "interessante conversa sobre cultura e etnologia" com Mesquitela Lima a que me referia nesta memoria de morabezza, comecou num momento em que ele me atirou (morabezzamente) com este statement: "nos conhecemos melhor as vossas culturas do que voces proprios"!...

ii) Num pais como Angola, composto por um mosaico cultural que conta com pelo menos 10 grupos etnicos e respectivos sistemas e sub-sistemas etno-linguisticos e culturais, como explicar (compreender) o "lugar central" e ate' "matricial" que, aparentemente, nele e' atribuido a cultura Cokwe (Tchokwe)? Para o leigo, porem atento observador de cultural trends, como eu, ele tem pelo menos duas vertentes (hipoteses) explicativas fundamentais:

1. [Infrastrutura] - Os recursos financeiros e materiais que a toda poderosa Diamang (um verdadeiro "estado dentro do estado" no periodo colonial/ pre-economia petrolifera) pode dispender na investigacao, inventariacao, recolha, documentacao e arquivo daquela cultura nas suas varias vertentes - foi o que tornou possivel o estabelecimento, sob a direccao de Mesquitela Lima, do dedicado Museu do Dundo, que nao encontra replica na atencao (nao) dispensada as culturas de outros grupos etnicos do pais e a obra de Marie Louise Bastin ;

2. [Superstrutura] - A "gesta da Nacao Crioula", como fulcro cultural e intelectual do (ideologico) "projecto de engenharia social" para a criacao do "homem novo" que o MPLA vem (utopicamente) implementando, com maior ou menor sucesso, desde a independencia (replicando, em grande medida, a gesta cultural do "Portugal Imperial do Minho a Timor", com sede no eixo Sagres-Lisboa/Porto, na "Angola Pos-Colonial de Cabinda ao Cunene", com sede no eixo Dundo (Kabebe?) -Loanda/Benguela...). Projecto esse em que, ademais, no plano politico, os conceitos de Angolanidade, Cidadania e Patriotismo continuam a ser ideologicamente confundidos com a filiacao, adesao, ou comunhao de ideais, principios, programas e praticas ao/com o ate' recentemente unico e ate' agora partido maioritario - processo esse facilitado pela "acoplacao" e "acantonamento" dos outros dois maiores partidos tradicionais a forcas estrangeiras, nomeadamente aos "carcamanos sul-africanos" a Sul e aos "neo-authenticites apostolos de Mobutu" a Norte (... como se cubanos e sovieticos, entre outros, incluindo portugueses e chineses, nao fossem estrangeiros...):

- Essa gesta (utopica) tem a sua genese em Mwanapwo, os seus caboucos em Yaka , o seu apogeu em Lueji, o Nascimento de um Imperio e o seu extase na Gloriosa Familia, de Pepetela - 'o mais elevado dos espiritas', passando, embora um tanto ao largo e com outros referentes socio-culturais e geograficos (e.g. Luanda 'Ilha' Crioula de Mario Antonio), pela Nacao Crioula de Agualusa. Trata-se aqui de ficcao literaria, bem entendido, mas uma ficcao literaria que, neste contexto, "faz (pretende fazer?) as vezes" (ideologicamente) da Historia, da Sociologia, da Demografia, da Etnologia e da Antropologia - em suma, das Ciencias Sociais e Humanas...

- E esses vultos literarios, sao seguidos por um circulo restrito de poetas como Ana Paula Tavares [que, interessantemente, no seu A Cabeca de Salome', dedica uma cronica a Marie Louise Bastin, com um curioso "sincero pedido de perdao" (assumidamente por ter chegado tarde a taca do vinho lunda), que, pelo menos a mim, teve o condao de evocar a um certo nivel o statement de Mesquitela Lima acima referido... sendo que no mesmo livro, a autora (re?) cria uma fantastica carta de Dona Ana Joaquina - a escravocrata mestica - ao Muatianvua Noeji - senhor de todas as Lundas - em que estabelece uma ponte povoada de sonhos e pesadelos de escravos e pombeiros entre o palacio da primeira em Loanda - a cidade branca - e a mussumba do segundo em Kabebe - a cidade ideia...], bailarinas classicas europeias como Ana Clara Guerra Marques (a.k.a. P(h)wo, de Mwanapwo... "mera coincidencia"?!) e, entre outros, alguns artistas plasticos e musicos (embora estes apenas pontualmente e a titulo de curiosidade, ou apenas na intencao declarada) como Paulo Flores ou Tirso Amaral (e, certamente nao por acaso, excepto no caso deste, ja' falecido, os ultimos todos galardoados nos ultimos anos com o Premio Nacional de Cultura e Artes)...

E' a "Nacao Crioula" (Krioula? - ou, nas suas versoes mais hodiernas, a "(neofita) ideologia dos (pretensos) afectos" ou a "cultura africana contemporanea", ou pelo menos parte dela - onde o termo bantu passou a ser o insulto preferido de alguns e em que todos os caminhos parecem inevitavelmente ir dar a recolonizacao...) urdindo, fundindo, forjando, brandindo e esgrimindo, sob o olhar silencioso de Neto, em bom Portugues de Camoes (Kamoes?), ao sabor de bom vinho do Porto e ao som de Wagner, assepticamente, as suas "raizes mais profundas"! SARAVA'!!!

Is there more to it than just that, really?!
I wonder...


[Se Mesquitela Lima estivesse vivo, talvez me pudesse esclarecer melhor essas questoes e, muito especialmente, porque que o meu Kongo Blues e' considerado "tara tribal" e esse tipo de conferencias e respectivos produtos e sub-produtos culturais nao o e'... ]



*[First posted 02/10/10]


Friday, 2 April 2010

Cape Town International Jazz Festival




Este 'slideshow' ja' por aqui passou, numa altura em que este blog, na sua versao original, tinha um espaco designado Pebbles, onde publiquei muita coisa que depois pura e simplesmente "desapareceu" e que aos poucos, na medida do possivel, do interesse e/ou da relevancia, vou recuperando.

Trata-se de uma "reportagem fotografica" que fiz da edicao de 2006 do Cape Town International Jazz Festival, ao qual tive o prazer de assistir na sua quase totalidade. Foi uma edicao a todos os titulos memoravel e que ficou especialmente marcada pela participacao de Manu Dibango e pelo ultimo grand show da saudosa Mama Afrika.

Na altura fiz acompanhar o 'slideshow' de musicas dos artistas "reportados". Desta vez, mesmo porque infelizmente nao o posso assistir, faco-o acompanhar de musica de alguns dos artistas no programa do CT Jazz 2010, com destaque para Paulo Flores (cuja participacao nesse festival, curiosamente, eu havia aqui sugerido), aqui num dueto que pela primeira vez me deu a conhecer a voz de Wyza (outro artista Angolano que espero venha tambem a fazer a sua estreia numa das proximas edicoes desse festival!); uma mensagem do Nilo trazida por McCoy Tyner ja' aqui transmitida por ocasiao do primeiro Festival Internacional de Jazz de Luanda e um pouco do sabor local que nos e' servido pelo Capetoniano Jonathan Butler.

Enjoy!




E' Doce Morrer no Mar [Paulo Flores feat. Wyza]



Message From The Nile [McCoy Tyner]



I Found Myself In You [Jonathan Butler]




Este 'slideshow' ja' por aqui passou, numa altura em que este blog, na sua versao original, tinha um espaco designado Pebbles, onde publiquei muita coisa que depois pura e simplesmente "desapareceu" e que aos poucos, na medida do possivel, do interesse e/ou da relevancia, vou recuperando.

Trata-se de uma "reportagem fotografica" que fiz da edicao de 2006 do Cape Town International Jazz Festival, ao qual tive o prazer de assistir na sua quase totalidade. Foi uma edicao a todos os titulos memoravel e que ficou especialmente marcada pela participacao de Manu Dibango e pelo ultimo grand show da saudosa Mama Afrika.

Na altura fiz acompanhar o 'slideshow' de musicas dos artistas "reportados". Desta vez, mesmo porque infelizmente nao o posso assistir, faco-o acompanhar de musica de alguns dos artistas no programa do
CT Jazz 2010, com destaque para Paulo Flores (cuja participacao nesse festival, curiosamente, eu havia aqui sugerido), aqui num dueto que pela primeira vez me deu a conhecer a voz de Wyza (outro artista Angolano que espero venha tambem a fazer a sua estreia numa das proximas edicoes desse festival!); uma mensagem do Nilo trazida por McCoy Tyner ja' aqui transmitida por ocasiao do primeiro Festival Internacional de Jazz de Luanda e um pouco do sabor local que nos e' servido pelo Capetoniano Jonathan Butler.

Enjoy!




E' Doce Morrer no Mar [Paulo Flores feat. Wyza]



Message From The Nile [McCoy Tyner]



I Found Myself In You [Jonathan Butler]

Saturday, 1 August 2009

FIRST Luanda International Jazz Festival!

Many in the African diaspora trace their rhythmic roots to Angola's drumming; from Friday 31 July to Sunday 2 August, this musical heritage returns to its source. Musicians from Brazil, Mozambique, South Africa and United States will descend on Cine Atlantico in Angola's capital city, Luanda, to participate in the launch of the Luanda International Jazz Festival.

Looking at the festival's line-up, there is no doubt in the organisers' desire to showcase Angolan musicians and also to expose local audiences to sounds from faraway places. Leading the US team is none other the great McCoy Tyner. Cutting his teeth as member of the John Coltrane Quartet in the early 1960s, the 70-year-old musician is the doyen of jazz piano. In the last 18 months, Tyner has released two superb CDs that demonstrate why in the region's lingua franca anyone who excels is called a real McCoy. Tyner's recent recording with guitarists John Scofield, Bela Fleck, Marc Ribot, Derek Trucks and Bill Frisell has won the pianist numerous accolades; so also his album with saxophonist Joe Lovano, bassist Christian McBride and drummer Jeff 'Tain' Watts. At his age, Tyner still brims with energy and vitality. This he will certainly bring to Angola.

Sharing the stage with these great US bands is the cream of Angola's music scene. Leading the Angolan squadron is Paulo Flores. Flores is a leading proponent of kizomba - Angola's popular genres of dance and music derived directly from zouk sounds. Joining Flores are other Angolan musicians - Afrikkanitha, Sandra Corderio, Dodo Miranda and Toto. Afrikkanitha and Corderio are the country's emerging female voices. Afrikkanitha who sings in Portuguese, French, English and Angola's vernacular languages fuses soul, jazz, rock, funk with her country's indigenous music; while Corderio is rooted in bossa and Afro-jazz styles. The other young artist who will definitely amaze those not familiar with the music of Angola is Toto. Currently, the 29-year old vocalist is making waves with his fusion of Angolan and Brazilian sounds.

Participants at the festival will not only hear great sounds, the event promises to be a treatment to a wholesome Angolan experience. The event's venue has been redesigned and refurbished into a world-class entertainment facility, with expansive stages and stalls for sumptuous Angolan cuisine.

[More Here ]



Message From The Nile - McCoy Tyner (09/02/70)

Many in the African diaspora trace their rhythmic roots to Angola's drumming; from Friday 31 July to Sunday 2 August, this musical heritage returns to its source. Musicians from Brazil, Mozambique, South Africa and United States will descend on Cine Atlantico in Angola's capital city, Luanda, to participate in the launch of the Luanda International Jazz Festival.

Looking at the festival's line-up, there is no doubt in the organisers' desire to showcase Angolan musicians and also to expose local audiences to sounds from faraway places. Leading the US team is none other the great McCoy Tyner. Cutting his teeth as member of the John Coltrane Quartet in the early 1960s, the 70-year-old musician is the doyen of jazz piano. In the last 18 months, Tyner has released two superb CDs that demonstrate why in the region's lingua franca anyone who excels is called a real McCoy. Tyner's recent recording with guitarists John Scofield, Bela Fleck, Marc Ribot, Derek Trucks and Bill Frisell has won the pianist numerous accolades; so also his album with saxophonist Joe Lovano, bassist Christian McBride and drummer Jeff 'Tain' Watts. At his age, Tyner still brims with energy and vitality. This he will certainly bring to Angola.

Sharing the stage with these great US bands is the cream of Angola's music scene. Leading the Angolan squadron is Paulo Flores. Flores is a leading proponent of kizomba - Angola's popular genres of dance and music derived directly from zouk sounds. Joining Flores are other Angolan musicians - Afrikkanitha, Sandra Corderio, Dodo Miranda and Toto. Afrikkanitha and Corderio are the country's emerging female voices. Afrikkanitha who sings in Portuguese, French, English and Angola's vernacular languages fuses soul, jazz, rock, funk with her country's indigenous music; while Corderio is rooted in bossa and Afro-jazz styles. The other young artist who will definitely amaze those not familiar with the music of Angola is Toto. Currently, the 29-year old vocalist is making waves with his fusion of Angolan and Brazilian sounds.

Participants at the festival will not only hear great sounds, the event promises to be a treatment to a wholesome Angolan experience. The event's venue has been redesigned and refurbished into a world-class entertainment facility, with expansive stages and stalls for sumptuous Angolan cuisine.

[More Here ]



Message From The Nile - McCoy Tyner (09/02/70)

Tuesday, 31 March 2009

LUANDANDO (III)

O "Edificio Elinga" la' continua de pe' e esteve aberto no ultimo fim de semana para um espectaculo de variedades organizado por um grupo de jovens luandenses empenhados em que ele assim se mantenha...


Estive quase, mas acabei por nao ir, 'atraves' de um dia passado a viajar agradavelmente para sul, por entre picadas e riachos, ate' a Barra do Kwanza e ao Parque da Kissama e de volta a Luanda por baixo de uma chuvada (quase) torrencial e o trafego que, naturalmente, estava mais piormente engarrafado do que ja' e' vagarosamente habitual... Prazer e cansaco, foi o balanco.


Mas, quem la' esteve a cantar especialmente foi o Paulo Flores (tive pena de ter perdido tao boa oportunidade de o ver actuar pela primeira vez) e foi de la' que me trouxeram o ExCombatentes (por sinal, na vespera tinha finalmente ganho coragem - em todas as minhas idas anteriores tinha sempre desconseguido isso - sim, kate' ganhei korage para pedir que me levassem la', aos ExCombatentes, expressamente para ver, de caxexe, de fora, de baixo, o meu kubiko que la' me kassumbularam kum ele, ja' la' vai o que parece uma eternidade...) - sua ultima producao discografica (uma trilogia ja' antes aqui anunciada pelo proprio), integrando tres CDs entitulados, respectivamente, Viagem, Sembas e Ilhas. Do ultimo deixo aqui estes registos:


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Eu Quero E' Paz

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Amba

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Rencontre (Sax by Nanuto)

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Gepe'

Ja' agora, proponho que revisitemos o/as musico/as angolano/as cantado/as ai nesse Gepe' do Paulo Flores, em posts e comentarios anteriores neste e no de um (ex?)combatente deste blog:

Kabokomeu

Mamborro'

Milhorro'

Minguito

Mariana

Uzala Ute' Ute' (Rete' - Kassav)


E, ja' agora tambem, voltemos a este post... So' a proposito do blues do Eu Quero E' Paz (podia ser tambem a proposito de vozes melhores do que a do Paulo Flores... mas nao e'). Nao e' o Muddy Waters (ouviste, tu, meu filho que o tens andado ultimamente a explorar? By the way, ainda nao vi o tal filme com/sobre ele que me sugeriste...), de quem o Paulo Flores diz ter ganho a inspiracao. E' o BB King... o BB... o King!
O "Edificio Elinga" la' continua de pe' e esteve aberto no ultimo fim de semana para um espectaculo de variedades organizado por um grupo de jovens luandenses empenhados em que ele assim se mantenha...


Estive quase, mas acabei por nao ir, 'atraves' de um dia passado a viajar agradavelmente para sul, por entre picadas e riachos, ate' a Barra do Kwanza e ao Parque da Kissama e de volta a Luanda por baixo de uma chuvada (quase) torrencial e o trafego que, naturalmente, estava mais piormente engarrafado do que ja' e' vagarosamente habitual... Prazer e cansaco, foi o balanco.


Mas, quem la' esteve a cantar especialmente foi o Paulo Flores (tive pena de ter perdido tao boa oportunidade de o ver actuar pela primeira vez) e foi de la' que me trouxeram o ExCombatentes (por sinal, na vespera tinha finalmente ganho coragem - em todas as minhas idas anteriores tinha sempre desconseguido isso - sim, kate' ganhei korage para pedir que me levassem la', aos ExCombatentes, expressamente para ver, de caxexe, de fora, de baixo, o meu kubiko que la' me kassumbularam kum ele, ja' la' vai o que parece uma eternidade...) - sua ultima producao discografica (uma trilogia ja' antes aqui anunciada pelo proprio), integrando tres CDs entitulados, respectivamente, Viagem, Sembas e Ilhas. Do ultimo deixo aqui estes registos:


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Eu Quero E' Paz

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Amba

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Rencontre (Sax by Nanuto)

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Gepe'

Ja' agora, proponho que revisitemos o/as musico/as angolano/as cantado/as ai nesse Gepe' do Paulo Flores, em posts e comentarios anteriores neste e no de um (ex?)combatente deste blog:

Kabokomeu

Mamborro'

Milhorro'

Minguito

Mariana

Uzala Ute' Ute' (Rete' - Kassav)


E, ja' agora tambem, voltemos a este post... So' a proposito do blues do Eu Quero E' Paz (podia ser tambem a proposito de vozes melhores do que a do Paulo Flores... mas nao e'). Nao e' o Muddy Waters (ouviste, tu, meu filho que o tens andado ultimamente a explorar? By the way, ainda nao vi o tal filme com/sobre ele que me sugeriste...), de quem o Paulo Flores diz ter ganho a inspiracao. E' o BB King... o BB... o King!

Wednesday, 29 October 2008

ANGOLA: 2008 "NATIONAL PRIZE FOR CULTURE & THE ARTS"

This year's winners:


Literature: Luandino Vieira
Music: Paulo Flores
Filmmaking: Carlos Henriques (a posthumous award)
Dance: Grupo Kamatemba
Human & Social Sciences: Carlos Lopes
Plastic Arts: Van
Theater: Grupo Elinga Teatro

[See prize background here]
This year's winners:


Literature: Luandino Vieira
Music: Paulo Flores
Filmmaking: Carlos Henriques (a posthumous award)
Dance: Grupo Kamatemba
Human & Social Sciences: Carlos Lopes
Plastic Arts: Van
Theater: Grupo Elinga Teatro

[See prize background here]

Tuesday, 28 October 2008

PAULO FLORES, PREMIO NACIONAL DE CULTURA & ARTES




Confesso que nao sou exactamente uma fa incondicional da musica de Paulo Flores.
Nao deixo, no entanto, de lhe reconhecer o talento e a tenacidade que lhe permitiram evoluir artisticamente, diria que de forma dramatica, desde o inicio da sua carreira ate’ a posicao que o colocou este ano como um meritorio galardoado com o Premio Nacional de Cultura na categoria de musica.
Mais meritorio que outros possiveis? Nao sei.
Sei apenas, honestamente, o que a musica de Paulo Flores me sugere: que talvez ainda lhe falte alcancar um maior equilibrio entre o que e’ genuinamente sua criacao, aquilo que ‘toma de emprestimo’ a outros e as muitas influencias a que se mostra particularmente permeavel, nomeadamente a brasileira.
Dito isso, a ocasiao serve-me de pretexto para dedicar um post a alguma da sua musica, com destaque para alguns duetos que acho particularmente bem conseguidos, tendo os tres ultimos ja' por aqui passado noutras ocasioes.


E’ so Ma Bo
(c/ Lura)


N’Zambi N’Zambi
(c/ Sara Tavares)


Poema do Semba
(c/ Carlos Burity)


E’ Doce Morrer no Mar
(c/ Wyza)


Falso Testemunho
(c/ Tito Paris)


Clarice
(c/ Tito Paris)


Xe’ Povo
(c/ Dog Murras)




Confesso que nao sou exactamente uma fa incondicional da musica de Paulo Flores.
Nao deixo, no entanto, de lhe reconhecer o talento e a tenacidade que lhe permitiram evoluir artisticamente, diria que de forma dramatica, desde o inicio da sua carreira ate’ a posicao que o colocou este ano como um meritorio galardoado com o Premio Nacional de Cultura na categoria de musica.
Mais meritorio que outros possiveis? Nao sei.
Sei apenas, honestamente, o que a musica de Paulo Flores me sugere: que talvez ainda lhe falte alcancar um maior equilibrio entre o que e’ genuinamente sua criacao, aquilo que ‘toma de emprestimo’ a outros e as muitas influencias a que se mostra particularmente permeavel, nomeadamente a brasileira.
Dito isso, a ocasiao serve-me de pretexto para dedicar um post a alguma da sua musica, com destaque para alguns duetos que acho particularmente bem conseguidos, tendo os tres ultimos ja' por aqui passado noutras ocasioes.


E’ so Ma Bo
(c/ Lura)


N’Zambi N’Zambi
(c/ Sara Tavares)


Poema do Semba
(c/ Carlos Burity)


E’ Doce Morrer no Mar
(c/ Wyza)


Falso Testemunho
(c/ Tito Paris)


Clarice
(c/ Tito Paris)


Xe’ Povo
(c/ Dog Murras)

Sunday, 1 June 2008

EM MAIO: A MUSICA DOS “3 REIS” REVISITADA

Artur Nunes, David Ze’ e Urbano de Castro. Foram apelidados “Os 3 Reis Magos da Cancao Angolana”. Desapareceram, para sempre, em Maio de 1977.
A musica deles ficou.
Para sempre.

ARTUR NUNES

Nasceu em 1950, de pai Norte-Americano e de mae Angolana, tendo comecado a cantar em finais de 60. O seu gosto pelo canto surge nos kombas, rituais funebres onde as velhas entoam canticos dolentes. Belina, Kizua Ki Nguifua, Tia, foram cancoes de grande sucesso, que expressam a dor e a saudade. A forma impar de interpretar os “Cantares da Alma” valeu-lhe o apelido de “O Espiritual”. Entre 1972 e 1976, gravou 12 singles e tambem dois temas na colectanea Rebita 75.(*)





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Belina




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Kizua Ki Nguifua




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Tia

DAVID ZE'
Nasceu em 1944 numa familia vocacionada para o canto. Os seus pais eram coristas da Igreja Metodista e os cantores Dilangue e Gaby Moy sao seus irmaos. E’ considerado como um dos maiores compositores. O quotidiano inspira as suas cancoes. Temas como Rumba Zakutine expressam a satira social.(*)





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Mama Kudile




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Rumba Zakutine




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Mona Ku Jimbe Manheno

URBANO DE CASTRO
Conhecido nos suburbios de Luanda como “brigao de respeito”, tornou-se rapidamente um dos grandes artistas dos palcos luandenses. Gravou primeiro para a etiqueta Ngoma e em seguida para Fadiang, um total de 27 singles e mais 4 temas inseridos no LP Rebita 75. A sua linha musical comporta uma grande variedade de generos, com influencias latino-americanas, como em Rosa Maria e sobretudo sembas cadenciados como Semba Lekalo.(*)





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Nvula




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Semba Lekalo




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Rosa Maria


Maio. Tempo de revisitacao do 27. Em silencio, primeiro. Durante as duas primeiras decadas que se seguiram aquele dia prenhe de mudez. Clandestinamente. Menos silenciosamente depois.





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Kamba Dia Me - Nanutu (Original de David Ze')

Cada vez menos silenciosamente agora. A musica ficou. A nova geracao de musicos e poetas a revisitam, a releiem, a reeditam, a retocam. Todos a revivemos. Todos os libertamos.
Eles estao vivos.
Algures na nossa memoria colectiva.






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Belina - Paulo Flores (Original de Artur Nunes)

Para sempre.

(*) Dados biograficos por Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s (Buda Musique 1999)
Artur Nunes, David Ze’ e Urbano de Castro. Foram apelidados “Os 3 Reis Magos da Cancao Angolana”. Desapareceram, para sempre, em Maio de 1977.
A musica deles ficou.
Para sempre.

ARTUR NUNES

Nasceu em 1950, de pai Norte-Americano e de mae Angolana, tendo comecado a cantar em finais de 60. O seu gosto pelo canto surge nos kombas, rituais funebres onde as velhas entoam canticos dolentes. Belina, Kizua Ki Nguifua, Tia, foram cancoes de grande sucesso, que expressam a dor e a saudade. A forma impar de interpretar os “Cantares da Alma” valeu-lhe o apelido de “O Espiritual”. Entre 1972 e 1976, gravou 12 singles e tambem dois temas na colectanea Rebita 75.(*)





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Belina




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Kizua Ki Nguifua




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Tia

DAVID ZE'
Nasceu em 1944 numa familia vocacionada para o canto. Os seus pais eram coristas da Igreja Metodista e os cantores Dilangue e Gaby Moy sao seus irmaos. E’ considerado como um dos maiores compositores. O quotidiano inspira as suas cancoes. Temas como Rumba Zakutine expressam a satira social.(*)





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Mama Kudile




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Rumba Zakutine




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Mona Ku Jimbe Manheno

URBANO DE CASTRO
Conhecido nos suburbios de Luanda como “brigao de respeito”, tornou-se rapidamente um dos grandes artistas dos palcos luandenses. Gravou primeiro para a etiqueta Ngoma e em seguida para Fadiang, um total de 27 singles e mais 4 temas inseridos no LP Rebita 75. A sua linha musical comporta uma grande variedade de generos, com influencias latino-americanas, como em Rosa Maria e sobretudo sembas cadenciados como Semba Lekalo.(*)





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Nvula




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Semba Lekalo




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Rosa Maria


Maio. Tempo de revisitacao do 27. Em silencio, primeiro. Durante as duas primeiras decadas que se seguiram aquele dia prenhe de mudez. Clandestinamente. Menos silenciosamente depois.





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Kamba Dia Me - Nanutu (Original de David Ze')

Cada vez menos silenciosamente agora. A musica ficou. A nova geracao de musicos e poetas a revisitam, a releiem, a reeditam, a retocam. Todos a revivemos. Todos os libertamos.
Eles estao vivos.
Algures na nossa memoria colectiva.






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Belina - Paulo Flores (Original de Artur Nunes)

Para sempre.

(*) Dados biograficos por Jorge Macedo, Artur Arriscado, João Chagas, Gilberto Junior e Ariel de Bigault, in Angola 70’s (Buda Musique 1999)

Friday, 30 May 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (12)

Esta semana, no SA, uma interessante entrevista com o Embaixador de Franca em Angola:

"A visita do presidente francês provavelmente seja o reconhecimento de que, depois de há dez anos, o presidente (Jacques) Chirac efectuou uma visita de Estado a Angola, a paz finalmente reina entre os angolanos, que prevalece a reconciliação e que está em curso um processo de abertura do país (não só do lado económico, da abertura dos capitais ou financeira), uma abertura subjacente ao facto de Angola ter projectado o reembolso da divida externa (para com os países do Clube do Paris), com o que tomou uma decisão tão importante, que abriu Angola à obtenção de novo créditos financeiros, mas, sobretudo, a um novo crédito moral, pois trata-se do regresso de Angola à comunidade financeira internacional. Foi uma decisão implementada em Janeiro deste ano que se torna importante na medida em que representa o regresso de Angola à comunidade financeira internacional, o que quer dizer que Angola vai poder obter novos créditos. Pedimos que seja consignado dinheiro à Agência Francesa de Desenvolvimento a decisão de Angola (claro que o Clube de Paris ajudou Angola a tomar essa decisão que, no entanto, foi inteiramente angolana) foi uma decisão de grande elevação, porquanto trata-se de, por fim, retomar os laços com a comunidade internacional. Quer dizer que a «ilha» que se pensava que era Angola, aproximou-se um pouco mais do continente africano."
[
Aqui]

Ainda no SA, um dossier sobre um workshop que a Open Society organizou em Luanda sobre o Orcamento Geral do Estado:

"Conclusões e Recomendações do Workshop"

• A nossa economia tem tido um crescimento global bastante acentuado. Todavia, quando são analisados os principais indicadores que integram o índice de Desenvolvimento Humano, notamos uma evolução positiva apenas no que respeita ao valor do Pib per capita. Muitos dos restantes indicadores continuam a degradar-se. É isso que justifica o mantermo-nos ainda muito perto da cauda do ranking internacional.
• O anteriormente descrito induz-nos a recomendar que, no processo de elaboração do OGE, haja um crescente cuidado com o sector social e com os recursos humanos, como forma de se garantir não só a sustentabilidade do crescimento económico, mas, também, um maior respeito pelos direitos humanos.
[Aqui]

Sobre a questao, dois Economistas expoem os seus pontos de vista:

Alves da Rocha em "A Preparacao do Orcamento e os seus Principios"

"O Governo angolano tem vindo, sistematicamente, a ser questionado sobre a transparência do processo orçamental e as razões duma ausência de participação da sociedade civil na elaboração do Orçamento Geral do Estado. Os questionamentos e as pressões advêm de algumas organizações angolanas e, também, de muitas ONG estrangeiras, as quais, de certa maneira, têm procurado influenciar as suas congeners angolanas sobre a necessidade de a metodologia de elaboração do documento financeiro do Governo ser mais aberta e dialogante. Sobre esta matéria eu tenho uma opinião muito própria e estou, na verdade, bastante curioso em conhecer as experiências que irão ser apresentadas nesta conferência, para tentar perceber o que elas têm de demagógico e de efectivo, em termos de reforço dos sistemas democráticos nacionais."
[Aqui]

Fernando Heitor em "A Fiscalizacao do OGE pela AN"

"O Orçamento é uma previsão anual das despesas a realizar pelo Estado e dos processos de as cobrir, incluindo a autorização concedida ao Governo para realizar despesas públicas e cobrar receitas, limitando os poderes financeiros do Governo em cada ano. Exprime, a forma como o Estado vai obter e gastar os seus rendimentos durante o ano; Condensa a política financeira a executar durante esse ano; Orçamento, é portanto, a instituição jurídica fundamental e o quadro básico que orienta a actividade financeira dos Estados modernos, sejam eles, mais ou menos democráticos!"
[Aqui]

No Cruzeiro do Sul uma detalhada analise do surgimento do primeiro canal de televisao privado em Angola:

"Foi noticiado, em Portugal, o lançamento, ainda este ano, em Angola, da primeira televisão privada. O futuro canal, Segundo o jornal de notícias, vai chamar-se Zimbo TV e é propriedade da Medianova SA. De acordo com a mesma fonte, o projecto da primeira televisão privada conta com o apoio da TVI, o segundo canal privado português. Medianova que é uma Sociedade Anónima, mas, nos termos da lei de imprensa, as suas acções têm de ser nominativas e, para efeitos de respeito pela concorrência, a sua composição deve ser dada a conhecer ao conselho nacional de comunicação social. Tudo indica que a Medianova seja uma emanação dos serviços de apoio à Presidência da República.
No entanto, ao Jornal Público, de Portugal, Artur Queirós havia afirmado que o objective do grupo é o de assegurar "informação rigorosa, independente e profissional", sem interferência do poder político". Ainda em 2006, o Jornal público havia anunciado o lançamento de um projecto multifacetado na midia angolana. Já nessa altura, se dizia que o nome do grupo de comunicação seria Medianova e que o director de publicações seria Artur Queirós, um jornalista português próximo dos serviços de imprensa da presidência da república e também um dos seus mais radicais defensores em comentários no Jornal de Angola."
[Aqui]

O Novo Jornal da-nos conta de uma dissertacao de JMM Tali na Sorbonne:

"O Historiador Jean Michel Mabeko Tali irá dissertar uma palestra subordinada ao tema «0 problema de Cabinda e o processo de paz em Angola», na próxima segunda, 26 de Maio, na Universidade Sorbonne, em Paris. Esta conferência está inserida no âmbito dos seminários sobre «História de África Negra do Século XIX aos nossos dias» e «Fronteiras Dinâmicas de Transterritorialização», numa organização do historiador congolês Elikia Mbokolo, director da Escola de Altos Estudos Sociais daquela universidade."
[Aqui]


Ainda no NJ, uma entrevista com Paulo Flores:

"0 músico angolano Paulo Flores assinala 20 anos de carreira, após o lançamento do seu primeiro disco, Kapuete Kamundanda, em 1988. Neste sentido, para reavivar os seus fãs, Paulo Flores promete realizar no próximo mês de Julho um grande espectáculo ao vivo, na Cidadela Desportiva, em Luanda, que servirá igualmente para gravação de um CD e DVD ao vivo. Esta trilogia é um trabalho que irá sair na primeira semana de Dezembro, mas em Junho vamos fazer um volume com três músicas de cada CD e mais um «bónus track». Então, no fundo, será a primeira apresentação das músicas que no total serão 27.
(...)
Às vezes fica um pouco difícil sintetizar as 27 músicas, mas irei recuperar quatro músicas, às quais irei dar novos arranjos e acabamentos, o resto é tudo inédito. É um pouco difícil resumir, mas falase de esperança, de amor, do dia-adia. E faço uma releitura de alguns temas entre os quais uma música do David Zé, uma dos Ngola Ritmos, um tema antigo do Bana, faço uma versão em português do «Recontré», canto uma música com a Mayra Andrade, com letra do Vinicius de Moraes, gravei, no Rio de Janeiro, uma música com o Daniel Jobin, neto do Tom, no piano do Tom, chama-se «Interlúdio» e acredito que venha a ser um dos momentos altos da trilogia. Portanto, acredito que as pessoas irão gostar."
[Aqui]
Esta semana, no SA, uma interessante entrevista com o Embaixador de Franca em Angola:

"A visita do presidente francês provavelmente seja o reconhecimento de que, depois de há dez anos, o presidente (Jacques) Chirac efectuou uma visita de Estado a Angola, a paz finalmente reina entre os angolanos, que prevalece a reconciliação e que está em curso um processo de abertura do país (não só do lado económico, da abertura dos capitais ou financeira), uma abertura subjacente ao facto de Angola ter projectado o reembolso da divida externa (para com os países do Clube do Paris), com o que tomou uma decisão tão importante, que abriu Angola à obtenção de novo créditos financeiros, mas, sobretudo, a um novo crédito moral, pois trata-se do regresso de Angola à comunidade financeira internacional. Foi uma decisão implementada em Janeiro deste ano que se torna importante na medida em que representa o regresso de Angola à comunidade financeira internacional, o que quer dizer que Angola vai poder obter novos créditos. Pedimos que seja consignado dinheiro à Agência Francesa de Desenvolvimento a decisão de Angola (claro que o Clube de Paris ajudou Angola a tomar essa decisão que, no entanto, foi inteiramente angolana) foi uma decisão de grande elevação, porquanto trata-se de, por fim, retomar os laços com a comunidade internacional. Quer dizer que a «ilha» que se pensava que era Angola, aproximou-se um pouco mais do continente africano."
[
Aqui]

Ainda no SA, um dossier sobre um workshop que a Open Society organizou em Luanda sobre o Orcamento Geral do Estado:

"Conclusões e Recomendações do Workshop"

• A nossa economia tem tido um crescimento global bastante acentuado. Todavia, quando são analisados os principais indicadores que integram o índice de Desenvolvimento Humano, notamos uma evolução positiva apenas no que respeita ao valor do Pib per capita. Muitos dos restantes indicadores continuam a degradar-se. É isso que justifica o mantermo-nos ainda muito perto da cauda do ranking internacional.
• O anteriormente descrito induz-nos a recomendar que, no processo de elaboração do OGE, haja um crescente cuidado com o sector social e com os recursos humanos, como forma de se garantir não só a sustentabilidade do crescimento económico, mas, também, um maior respeito pelos direitos humanos.
[Aqui]

Sobre a questao, dois Economistas expoem os seus pontos de vista:

Alves da Rocha em "A Preparacao do Orcamento e os seus Principios"

"O Governo angolano tem vindo, sistematicamente, a ser questionado sobre a transparência do processo orçamental e as razões duma ausência de participação da sociedade civil na elaboração do Orçamento Geral do Estado. Os questionamentos e as pressões advêm de algumas organizações angolanas e, também, de muitas ONG estrangeiras, as quais, de certa maneira, têm procurado influenciar as suas congeners angolanas sobre a necessidade de a metodologia de elaboração do documento financeiro do Governo ser mais aberta e dialogante. Sobre esta matéria eu tenho uma opinião muito própria e estou, na verdade, bastante curioso em conhecer as experiências que irão ser apresentadas nesta conferência, para tentar perceber o que elas têm de demagógico e de efectivo, em termos de reforço dos sistemas democráticos nacionais."
[Aqui]

Fernando Heitor em "A Fiscalizacao do OGE pela AN"

"O Orçamento é uma previsão anual das despesas a realizar pelo Estado e dos processos de as cobrir, incluindo a autorização concedida ao Governo para realizar despesas públicas e cobrar receitas, limitando os poderes financeiros do Governo em cada ano. Exprime, a forma como o Estado vai obter e gastar os seus rendimentos durante o ano; Condensa a política financeira a executar durante esse ano; Orçamento, é portanto, a instituição jurídica fundamental e o quadro básico que orienta a actividade financeira dos Estados modernos, sejam eles, mais ou menos democráticos!"
[Aqui]

No Cruzeiro do Sul uma detalhada analise do surgimento do primeiro canal de televisao privado em Angola:

"Foi noticiado, em Portugal, o lançamento, ainda este ano, em Angola, da primeira televisão privada. O futuro canal, Segundo o jornal de notícias, vai chamar-se Zimbo TV e é propriedade da Medianova SA. De acordo com a mesma fonte, o projecto da primeira televisão privada conta com o apoio da TVI, o segundo canal privado português. Medianova que é uma Sociedade Anónima, mas, nos termos da lei de imprensa, as suas acções têm de ser nominativas e, para efeitos de respeito pela concorrência, a sua composição deve ser dada a conhecer ao conselho nacional de comunicação social. Tudo indica que a Medianova seja uma emanação dos serviços de apoio à Presidência da República.
No entanto, ao Jornal Público, de Portugal, Artur Queirós havia afirmado que o objective do grupo é o de assegurar "informação rigorosa, independente e profissional", sem interferência do poder político". Ainda em 2006, o Jornal público havia anunciado o lançamento de um projecto multifacetado na midia angolana. Já nessa altura, se dizia que o nome do grupo de comunicação seria Medianova e que o director de publicações seria Artur Queirós, um jornalista português próximo dos serviços de imprensa da presidência da república e também um dos seus mais radicais defensores em comentários no Jornal de Angola."
[Aqui]

O Novo Jornal da-nos conta de uma dissertacao de JMM Tali na Sorbonne:

"O Historiador Jean Michel Mabeko Tali irá dissertar uma palestra subordinada ao tema «0 problema de Cabinda e o processo de paz em Angola», na próxima segunda, 26 de Maio, na Universidade Sorbonne, em Paris. Esta conferência está inserida no âmbito dos seminários sobre «História de África Negra do Século XIX aos nossos dias» e «Fronteiras Dinâmicas de Transterritorialização», numa organização do historiador congolês Elikia Mbokolo, director da Escola de Altos Estudos Sociais daquela universidade."
[Aqui]


Ainda no NJ, uma entrevista com Paulo Flores:

"0 músico angolano Paulo Flores assinala 20 anos de carreira, após o lançamento do seu primeiro disco, Kapuete Kamundanda, em 1988. Neste sentido, para reavivar os seus fãs, Paulo Flores promete realizar no próximo mês de Julho um grande espectáculo ao vivo, na Cidadela Desportiva, em Luanda, que servirá igualmente para gravação de um CD e DVD ao vivo. Esta trilogia é um trabalho que irá sair na primeira semana de Dezembro, mas em Junho vamos fazer um volume com três músicas de cada CD e mais um «bónus track». Então, no fundo, será a primeira apresentação das músicas que no total serão 27.
(...)
Às vezes fica um pouco difícil sintetizar as 27 músicas, mas irei recuperar quatro músicas, às quais irei dar novos arranjos e acabamentos, o resto é tudo inédito. É um pouco difícil resumir, mas falase de esperança, de amor, do dia-adia. E faço uma releitura de alguns temas entre os quais uma música do David Zé, uma dos Ngola Ritmos, um tema antigo do Bana, faço uma versão em português do «Recontré», canto uma música com a Mayra Andrade, com letra do Vinicius de Moraes, gravei, no Rio de Janeiro, uma música com o Daniel Jobin, neto do Tom, no piano do Tom, chama-se «Interlúdio» e acredito que venha a ser um dos momentos altos da trilogia. Portanto, acredito que as pessoas irão gostar."
[Aqui]