ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (9)
Em entrevista ao Novo Jornal, Pepetela fala do seu novo livro, de Luanda, de Angola e do (quase fim do) Mundo: "(…) Diria que alguns escritores africanos mais sortudos têm sido divulgados (em Portugal). Mas são ainda muito poucos se pensarmos no muito que se produz. Quanto a ressentimentos pós-coloniais, eles continuam a existir dos dois lados.
(…)
Contrariamente a muitos, não penso que o escritor, como tal, seja obrigado a ter um papel relevante na sociedade. Cada um sabe de si, mas é claro que em países onde tudo está por fazer, os escritores, se por acaso tiverem meios de serem ouvidos, podem participar, sobretudo fazendo perguntas, apresentando problemas e questões. As respostas já não serão para eles, mas para os administradores, políticos, etc. Em suma: "Dar a César o que é de César..."
(…)
Cada vez há mais Luandas, com inovações recentes, como a "Luanda dos condomínios de classe média". A Luanda dos musseques, por outro lado, tem cada vez mais dificuldades em sobreviver. Aliás, a parte central de Luanda está a mussequizar-se com as torres novas que se constroem, porque musseque deve ser compreendido na sua acepção social, de exclusão. E esta é uma cidade de exclusões como talvez não haja outra.
(…) As pessoas continuam a vir cá para fazer negócios e já não só os que se relacionam com o petróleo. Aliás, não é o petróleo que atrai mais pessoas a Angola. São os negócios sujos com os diamantes, as lavagens de dinheiro, as empresas fantasmas, etc. Vêm aqui vender tudo, raramente comprar. Os aviões estão sempre cheios e basta olhar para os olhos de quem vem: brilham a sonhar com a árvore das patacas. É a nossa triste sina que fazer?Angola tem apresentado números importantes a nível da macroeconomia e há esse corre-corre. Mas o que é que ganhou o povo até agora com isso? Cava-se o fosso entre os muito ricos e os muito pobres. Se não começar a ser melhor repartido isso que se diz ser o 'fabuloso' crescimento de Angola, preparemo-nos para ver o circo pegar fogo."
[Aqui]
No SA, Manuel Rui escreve uma 'cronica desinvencionada' sobre Luanda:
«Luanda debruçada sobre o mar» assim começa uma lindérrima canção desenhada e pintada por Eleutério Sanches, que os mais novos deviam ouvir com atenção, mais a interpretação do «Duo Ouro Negro», que chegaram a ser trio e acho que o que abandonou ainda está vivo e por cá. Aos assuntos. Tem muita canção a falar de Luanda como cidade maravilhosa. O que agora não condiz e também não condizia antes porque a maravilha deve ser mais no chão do que de helicóptero. Ora, Luanda, nem no tempo do colono tinha jardins, verde e árvores como se encontra, por exemplo, em Maputo ou Harare. Luanda sempre foi a descoberta colonial do cimento armado e enquanto nos quintais da então Nova Lisboa (Huambo), Benguela ou Sá da Bandeira (Lubango), os colonos enfeitavam os quintais de verde, aqui, cimentavam os quintais. Essa mal herdança de muito cimento, muita gente, muito escriturário, burocracia e tratamento (hoje chamam engenharias financeiras!) das riquezas que vinham das outras províncias (mato!), foi andando e, com a independência, guerra e paz, acabou neste desastre que já não pode ser chamado de ecológico mas patológico, assim: «Olha, desta vez parece que vai porque a Governadora é uma gaja com…» «Salada?» «Sim. Mas não é de alface, vocês os homens é que pensam que a salada é só…»
boomp3.com
[Aqui]
Pensavam que a "Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios mais os Mukuaxis" ja' acabou? Pois desenganem-se: Joao Pinto diz, no JA, que
'Comparar Neto com Senghor e' perfeita ignorancia':
“Senghor era um poeta profissional, pretendendo uma luta intelectual, literária sem o uso de armas, procurando manifestar a eterna doçura que o colonizado devia apresentar como assimilado dócil, cristão ou servil, buscando um parentesco remoto e humilhante com uma pretensa paternidade biológica ou cultural, segundo Senghor (1975) aquando da apresentação da sua dissertação "Lusitanidade e Negritude" na Academia de Ciências de Lisboa, no dia 20 de Maio de 1975;
(...)
Neto escreveu num período curto (1947/60), foi um poeta sofrido, angustiado, sem tréguas, sofreu a luta ideológica interna com as convicções políticas socialistas inerentes às suas alianças conjunturais, lutou para unificar a nação, teve resistência e dissidência dentro do seu Governo, depois de proclamar a Independência, aliou-se aos russos e cubanos para combater o racismo, tribalismo e o regionalismo, Apartheid tendo sido por isso, um poeta que nunca teve sossego, escreveu atendendo as suas circunstâncias, pois, os homens são seres influenciados pelo tempo, espaço e espirito, escreveu atendendo os seus valores, as suas aspirações. A "negritude sengoriana é uma máquina de guerra onde o destinatário é o servilismo definitivo intelectual do negro" segundo Mongo Beti & Odile Tobner, ob. Cit. Respondemos à título pessoal.”
[Aqui]
Na sua Kuluna semanal, Wilson Dada, da-nos conta:
i. de como a (des)informacao e' feita na TPA
"Na TPA são os editores de serviço (e não os factos) quem, afinal de contas, faz a informação acontecer, de acordo com as suas preferências, orientações e outros critérios que, definitivamente, não constam de nenhum manual da especialidade nem são discutidos em nenhum seminário sobre desempenho profissional. A isto, com todas as letras, chama-se CENSURA!"
"Na TPA são os editores de serviço (e não os factos) quem, afinal de contas, faz a informação acontecer, de acordo com as suas preferências, orientações e outros critérios que, definitivamente, não constam de nenhum manual da especialidade nem são discutidos em nenhum seminário sobre desempenho profissional. A isto, com todas as letras, chama-se CENSURA!"
ii) de como o inusitado assalto a '50-cent' em pleno palco se inscreve no quadro de alta criminalidade que se vive em Luanda
"No meio do debate político que a criminalidade, inevitavelmente, alimenta, destaca-se a policia como sendo a única instituição que nesta altura está efectivamente a fazer alguma coisa de concreto para evitar o pior, com todas as falhas que se lhe possam apontar e que são mais do que muitas."
iii) da quarta edicao do almoco evocativo do 27 de Maio de 1977
"Está já em marcha este projecto de confraternização entre os sobreviventes, familiares e amigos e de homenagem à memória de todos quantos foram forçados a partir antes do tempo, se mantenha de pé. O almoço vai acontecer na segunda-feira dia 26 de Maio algures na baixa luandense. O apelo de sempre dirigido a todos quantos entendem que este encontro faz sentido, mas que por razões diversas, incluindo as politico-partidárias, não poderão estar presentes."
[Aqui]
"Está já em marcha este projecto de confraternização entre os sobreviventes, familiares e amigos e de homenagem à memória de todos quantos foram forçados a partir antes do tempo, se mantenha de pé. O almoço vai acontecer na segunda-feira dia 26 de Maio algures na baixa luandense. O apelo de sempre dirigido a todos quantos entendem que este encontro faz sentido, mas que por razões diversas, incluindo as politico-partidárias, não poderão estar presentes."
[Aqui]
Finalmente, em varios orgaos de imprensa podem-se encontrar ecos do Festival Internacional de Teatro e Artes a decorrer de 8 a 30 deste mes, em Luanda, para assinalar o vigesimo aniversario do grupo Elinga-Teatro:
"O grupo Elinga Teatro (do umbundo elinga significa acção, iniciativa, exercício) foi criado a 21 de Maio de 1988, sob a direccao de José Mena Abrantes. A sua existência inscreve-se, no entanto, numa linha de continuidade iniciada em 1975/76, com o grupo Tcinganje e continuidade em 1977/80 com o grupo Xilenga Teatro e em 1984/87, com o grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda."
"O grupo Elinga Teatro (do umbundo elinga significa acção, iniciativa, exercício) foi criado a 21 de Maio de 1988, sob a direccao de José Mena Abrantes. A sua existência inscreve-se, no entanto, numa linha de continuidade iniciada em 1975/76, com o grupo Tcinganje e continuidade em 1977/80 com o grupo Xilenga Teatro e em 1984/87, com o grupo de Teatro da Faculdade de Medicina de Luanda."
[JA; ANGOP; Angolense]

















4 comments:
Notas de Rodape’:
1. Sei que isto so’ pode parecer mentira, mas e’ a mais pura verdade: ontem a noite, ja’ depois de ter alinhado os artigos para este post, pus-me a pensar que musica iria bem com ele e conclui por uma musica sobre Luanda. Percorri de memoria todas as musicas sobre Luanda que conheco e fixei-me nessa 'Luanda' cantada pelo Ouro Negro (que nao tenho).
Comecei entao e tentar recompor os fragmentos que dela me recordo (da letra, porque da melodia nao me esqueci):
# Luanda, debrucada sobre o mar
… …. Uma, uma
… …. Queixuma
……
Luanda…
Com as acacias em flor
Es tu Luanda a Rainha
Senhora do meu Amor #
Agora, enquanto editava ja’ este post, precisei de ir ao site do SA para confirmar uma coisa e… encontro essa cronica do Manuel Rui!
2. Embora tenha la’ bons amigos (Mena, Nani, Quelinha, Orlando Sergio e que me desculpem os de que me esqueco) nunca fiz parte do Elinga. Mas participei por algum tempo no Xilenga… A peca que o grupo ensaiava na altura era “Ana, Ze’ e os Escravos”, que tem como personagens centrais D. Ana Joaquina de Sousa Santos e aquela figura mitica do degredo portugues, o Ze’ do Telhado (sobre ambos fiz, na altura, uma interessante pesquisa na biblioteca do governo provincial de Luanda, onde pude compulsar, entre varios outros documentos historicos, parte da correspondencia de D. Ana Joaquina).
A Ana Filomena representava D. Ana Joaquina e o recentemente falecido Manuel Dionisio, o Ze’ do Telhado. Nao havia no grupo actores profissionais (pelo menos que me lembre), havia profundos conhecedores de teatro (Mena) e das artes representativas (Orlando), amantes do teatro (quase todos) e curiosos (grande parte, entre os quais eu). Uns tinham aquilo a que se chama mais ‘queda’ para a representacao do que outros. Eu estava entre os outros… Lembro-me de uma vez, na ausencia da Filo’, o Mena me ter posto no papel principal – nao sei que figura fiz, mas nao e’ uma lembranca que me deixe muito confortavel…
Tambem, pelo menos enquanto la' estive, nao me lembro de a peca alguma vez tir ido ao palco.
De qualquer modo, no total, foi uma experiencia a todos os titulos pessoalmente enriquecedora!
Os meus parabens, pois, ao Elinga pelos 20 anos de vida!!!
P.S.:
Senhoras e Senhores, ai' teem, pois, a Luanda do Duo Ouro Negro!
{E fartei-me de rir quando finalmente a pude (re)ouvir porque eu bem que desconfiava daquele "queixuma", ate' pq. sei que a palavra certa e' queixume, mas eu sabia que aquela estrofe terminava em 'ma', por isso...
Bom, a frase correcta e':
Onde as ondas uma a uma
Veem desfazer-se em espuma...}
Mas ha' pelo menos uma outra Luanda cantada pelo Duo Ouro Negro, e.g.:
Luanda em Novembro
Vestiram-se as acácias
de garrido vermelho,
como gotas de sangue
que o pôr do Sol derrama.
Desenhando ao longe
o casario velho,
mulembas seculares,
e plantações de canas.
Um pouco mais ao longe
a urbe assustadora,
que cresce às vezes torta
e no fugir do tempo.
Se levanta do chão
qual mão prometedora,
para agarrar o céu
com dedos de cimento.
Muito obrigado por esta maravilhosa cancao.
Nao conheco Luanda mas apesar de tudo de mau que leio espero um dia poder visitar.
Obrigada pela visita/comentario anonimo.
E nao hesite em visitar Luanda!
Como todas as cidades, tem os seus lados maus, mas tb. os bons, portanto vale sempre a pena - ate' porque a alma de Luanda nao e' pequena!
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