ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (10)
Bom, parece que finalmente foram declaradas treguas na “Maka de 1 Jose’ contra 3 Antonios mais os Mukuaxis”…Assim sendo, eh-me dada a oportunidade de trazer aqui alguns artigos publicados nas ultimas semanas, que ficaram na gaveta a espera do fim do ‘kibeto’, como por exemplo este, de Bonavena, no Agora:
(...)
Agora, que há em vista as eleições 2008 e é preciso dar atenção as formas mais eficazes para caçar votos, a pobreza está na moda do discurso eleitoralista, a pobreza aparece à cabeça da tematização dos discursos políticos. Até mesmo o homem mais rico do país (e chefe de fila da burguesia predadora) não fala mais das muitas "oportunidades de negócios" mas da pobreza, apresentando-a como uma prioridade de governo. Os "negócios" serão feitos na calada da noite enquanto de dia se irá falando da necessidade de "combater e vencer a fome, o subdesenvolvimento" e de "criar condições para o bem-estar dos cidadãos".
[Aqui]
Esta semana, varios artigos de interesse no SA:
'Justino P. Andrade «oficializa» ruptura'
[Aqui]
JPA tambem assina um artigo sobre as recentes polemicas declaracoes de Bob Geldof:
'Bob Geldof – o iconoclasta'
O músico e activista dos direitos humanos, Bob Geldof, quase que incendiou a pradaria, ao declarar que Angola está a ser «gerida por criminosos». Ele fez esta afirmação no contexto de uma Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável decorrida no dia 6 deste mês, num hotel de Lisboa, quando dissertava sobre um tema já por si provocador, denominado «Fazer a Diferença». Os seus anfitriões eram os dirigentes do Banco Espírito Santo (Bes) e também do semanário português Expresso. Estava entre um naipe de figuras do grande capital e, julgo eu, também diplomatas.
(…)
Admito que a frase pronunciada pelo músico e activista cívico irlandês peca por ser excessiva, uma vez que ainda alimento a esperança de haver entre nós também alguns governantes honestos e que respeitam as boas regras de convivência e de uso dos bens e do património públicos. Acredito que ainda haja quem não se tenha locupletado com o dinheiro alheio ou do povo. Guardo dentro de mim a esperança de que haja quem não confunda o seu partido com o Estado, e que não goste de misturar os «dois sacos». É por isso que eu penso que o Bob Geldof pode ter sido excessivo – só pela generalização – em respeito, pelo menos, por aqueles por quem ainda nutro respeito.
[Aqui]
Como muitos, incluindo o proprio, esperavam, Ernesto Bartolomeu foi punido pelas suas declaracoes sobre a TPA, aqui mencionadas na semana passada:
Não se sabe já que consequências haverão para Ernesto Bartolomeu, um dos pivots do telejornal da Tpa, na sequência do processo disciplinar que a direcção da estação lhe moveu por, na sua óptica, ter «quebrado» o sigilo profissional a que estaria obrigado pelas funções que desempenha. Ernesto Bartolomeu disse publicamente mais ou menos que, entre outras coisas, em relação aos partidos políticos, os noticiários daTpa não são feitos com base no que é recolhido pelos jornalistas, mas sim em função do que decidem os editores a partir de «orientações superiores», dirigidas em regra para favorecer o partido «maioritário». Numa palavra: há censura. E isto, para começar, valeu-lhe o inquérito. Não se sabe também o que terá motivado o «Bartolas» a lavar a «roupa suja» da empresa fora de portas, mas que é preciso tê-los no lugar para o que fez, lá isto é. Agora, é só aguentar o resto.
A questao e' tambem analisada no Angolense.
[Aqui]
Finalmente, Sousa Jamba fala (muito mal) do “melhor escritor vivo na lingua inglesa”:
'Naipaul é um sacana'
Como escritor VS Naipaul é uma unanimidade. É inigualável. Já como homem, porém, é visto como um ser desprezível. O escritor, que ganhou o Prémio Nobel de Literatura, já foi descrito como um racista (contra os negros), snobe, cruel e um egoísta da primeira classe. O homem é também tido como um grande mulherengo que, além de ter tido uma amante latino-americana (enquanto a sua esposa inglesa sustentava a casa), nunca parou de visitar prostitutas de todo o género. Os ingleses gostam de biografias – sobretudo de escritores. Em muitos casos, as pessoas preferem ler as biografias dos escritores do que as suas próprias obras. Como alguém já notou, há vezes em que uma abordagem da vida de um escritor é o melhor retrato dos tempos. Neste momento, o mundo das letras anglófono anda obcecado com o primeiro volume da biografia de Naipaul escrita pelo escritor Phillip French, que se tornou famoso por ter recusado uma condecoração da Rainha. Curiosamente, figuro numa das páginas dessa biografia: certa vez Naipaul pôs-me a correr da sua casa quando, a meio de uma entrevista, eu fiz perguntas que o irritaram.
(…)
Entre os anos 50 e 60, VS Naipaul escreveu romances que retratavam a vida nas Caraíbas, para onde os seus avôs indianos tinham sido enviados como trabalhadores contratados. Depois virou as suas atenções para o continente africano sobre o qual escreveu vários livros de viagem assim como romances – todos descrevendo as ilusões, fraquezas e os caos da África pós-colonial. Para Naipaul, que nos anos 60 foi conferente na Universidade de Makerere, no Uganda, o continente africano não tinha nenhum futuro. Esta afirmação enfureceu vários escritores africanos da sua geração. Escritores como o nigeriano Chinua Achebe e o queniano Ngugi Wa Thiogo, embora fossem críticos assumidos das elites políticas que predominavam em vários países africanos nos anos após a independência, tinham fé no futuro do continente africano e, por isso, viam Naipaul como um verdadeiro reaccionário.
(…)
Para Naipaul, os negros têm pouco valor. Derek Walcott, poeta e dramaturgo nascido na Ilha de Santa Lúcia, nas Caraíbas, vencedor do Prémio Nobel de Literatura em 1992, diz que uma das falhas principais de Naipaul é o seu ódio contra os negros. Além de abominar os negros, Naipaul também não «passava carta» à Índia e aos indianos. Para o grande escritor o que conta é a Inglaterra – isto é, a aristocracia inglesa. Segundo a biografia que está a fazer ondas, um dos grandes sonhos de Naipaul não era só casar com uma mulher branca – mas alguém oriundo da grande aristocracia. Só que a mulher que «preenchia as medidas» e que ele tentou conquistar não lhe deu bola. Essa foi uma das maiores dores de cotovelo na vida Naipaul. Depois que se tornou milionário instalou-se numa grande casa de campo no sul da Inglaterra, onde se fez rodear de mordomias compatíveis com um verdadeiro lorde. O problema é que os ingleses não gostam muito de estrangeiros extravagantes ou que fazem tudo – incluindo vender a alma - para tornar-se num deles. Os ingleses, mesmo a classe alta, aceitam sempre estrangeiros. Porém, para serem respeitados os estrangeiros devem ter amor-próprio.
[Aqui]
















8 comments:
Isto anda mau para o lado dos escritores.
Mas sempre vou aprendendo algumas coisas - maka, kibeto, etc.
E assinalando presença.
Quem e' vivo sempre da' sinais de vida, nao e' assim?
...O que faz supor que os cerca de uma centena de visitantes diarios deste blog talvez nao estejam tao vivos quanto o 'counter' faz supor... :-))))
Quanto a aprendizagem: aprender ate' morrer e' o que a vida nos oferece.
Um abraco.
Nota de rodape'
Apenas para notar que devo ao Sousa Jamba a minha primeira introducao, ha' mais de dez anos, a 'Londres Africana'...
Numa maratona com varios poisos, entre clubs de danca e musica ao vivo, lembro-me de ele me ter levado a um bar/restaurante Zambiano onde tive a oportunidade de saborear um buffet de pratos Africanos em tudo semelhantes aos do Nordeste de Angola... excepto no acompanhamento com funge de milho, que no nosso caso seria de bombo'.
Foi bom e soube bem!
Após esta provocação gastronómica - fiquei com água na boca - lembrei-me do Sousa Jamba.
Vou lê-lo - Confissão Tropical, Dom Quixote, 1995.
No Reino Unido - A Lonely Devil.
Um abraço a ambos.
O Sousa Jamba que nao me ouca, mas o unico livro dele que li foi o "Patriotas"... nenhuma outra razao que nao falta de oportunidade.
Quanto a agua na boca umBhalane, infelizmente nada posso fazer...
Um abraco.
Ja' agora, fica aqui o extracto em que o SJ e' citado na biografia do Naipaul, que comprei hoje:
A visiting interviewer, the Angolan journalist Sousa Jamba, was surprised to have ‘a congenial tête-à-tête’ with this reputedly ‘aggressive, irascible figure’. Then Jamba made the mistake of quoting C.L.R. James’s observation that Naipaul was liked by white people because he said what they wanted to hear. ‘Abruptly, Naipaul’s West Indian accent stood out as he began shouting at me. Suddenly I became terrified of the great man before me. I would not relish the idea of meeting him again, yet I remain an ardent admirer of his craft, vision and dedication to the writer’s life.’*
(in “The World Is What It Is – The Authorized Biography of V.S. Naipaul”, by Patrick French, Picador, 2008, p. 421)
*New Statement, 18 December 1998
Bom, já que estamos numa de desinibidos, que tal esta:
“Excerto de uma entrevista dada ao semanário Expresso.
Ainda é portuguesa?
Sou, não quis mudar de nacionalidade.
Tem dupla nacionalidade?
Sim, ofereceram-me a nacionalidade (angolana).
Tem passaporte português?
Tenho.
A senhora é militante do MPLA?
Sou mais que militante.
Mas nunca se inscreveu!
Sou uma militante acérrima, mas sem estar inscrita.
(Fonte KOLUKI, um dos melhores Blogs que conheço – Ana Santana)”
In 03-05-2008 in Nacionalidade-Cidadania - Direitos Humanos | Permalink
Nacionalidade da PM: CP da Frelimo dissipa dúvidas
Publicado no Moçambique para Todos, nome apenas de blogue, como bem sabe, porque na realidade…
Se é que lhe serve de algo, é mera questão de justiça.
De verdade.
Um abraço
umBhalane
Quanta gentileza umBhalane!
Muito obrigada.
Tenho que revisitar o 'Mocambique para Todos' que, 'desinibidamente', devo dizer apenas visitei uma ou duas vezes.
De verdade...
Um grande abraco!
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