Friday, 2 May 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (8)

Chegou-me hoje, pelo correio, de Luanda, o numero de Fevereiro deste ano da revista Figuras & Negocios (F&N). A figura em manchete e’ a nova governadora provincial de Luanda, sobre quem se pode ler o seguinte:

“Aconteca o que acontecer, uma coisa e’ certa, Francisca Espirito Santo e’ a primeira mulher em Angola a ser nomeada pelo Presidente da Republica para dirigir os destinos de uma Provincia. No inicio de Fevereiro, ela foi nomeada governadora interina de Luanda, em substituicao de Job Capapinha.
Ate’ entao vice-governadora de Luanda, Francisca Espirito Santo ascende tambem pela primeira vez ao patamar alto da governacao, apos ter sido ja’ vice-Ministra da Educacao. De trato afavel e comunicativa, Francisca Espirito Santo nao esconde o peso da empreitada colocada agora sobre os seus ombros, sobretudo quando se tem em conta que Luanda e’ das provincias que mais sofre pressao, cuja governacao acusa a influencia de estar aqui instalado o poder central, onde a falta de clarificacao das regras de jogo permite atropelos de competencias. So’ assim se compreende, alias, que ate’ ao momento, em pouco mais de trinta anos de independencia, a Provincia de Luanda ja’ tenha visto passar pela cadeira do poder 15 governadores, numa media de 2 anos para cada um. Francisca Espirito Santo engorda com Luanda o seu curriculum, almofadado do ponto de vista politico com o facto de ser membro do Comite’ Central do MPLA, o Partido no poder.”

Ainda na F&N, este eco do Brasil:


Nos jornais, para nao variar, continua-se a fazer eco da "Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios mais os Mukuaxis"...

Pires Laranjeira, em “Agostinho Neto nao e’ um poeta mediocre”, no Jornal de Angola:

José Eduardo Agualusa (n. em Angola, Huambo, em 1960) considerou, como se sabe, numa entrevista ao Semanário Angolense, que Agostinho Neto (n. em Angola, Icolo-e-Bengo, em 1922; m. em Moscovo, em 1979) é um “poeta medíocre”. Ele ainda associou dois outros poetas angolanos da Geração da Mensagem e Cultura (II )(anos 50), salvando, por exclusão de partes, o poeta Viriato da Cruz, do qual é um admirador confesso: “uma pessoa que acha que Agostinho Neto foi um poeta extraordinário é porque não conhece rigorosamente nada de poesia, (…) foi um poeta medíocre (…) o mesmo se pode dizer de António Cardoso ou António Jacinto”. Para perceber esta afirmação, é necessário ter em conta que apenas são conhecidos 12 poemas de Viriato, incomensuravelmente menos do que os de António Cardoso e António Jacinto, tendo este último escrito também uma meia dúzia tão importante, consagrada e conseguida quanto a meia dúzia daquele (em Portugal, para quem não saiba ou não se recorde, o grupo Trovante e Sérgio Godinho tiveram grande êxito, nos anos 80, cantando um poema de Viriato, “Namoro”, que a maior parte do público pensava ser um texto português). A minha opinião é que, para Agualusa, os dois Antónios são “medíocres”, não por que o sejam, mas por terem continuado no MPLA, até falecerem, sempre ao lado de Agostinho Neto, enquanto Viriato foi um adversário politicamente derrotado no interior do movimento, no início da década de 60. Agualusa, de facto, não consegue desligar a qualidade literária do percurso político das pessoas.

[Aqui]

Continuando com os literatos, mas mudando de assunto e voltando a governacao de Luanda, um artigo de Pepetela, “Horror do Vazio”, cujo local de publicacao ainda nao me foi possivel apurar: “Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. (…) Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.”

[Aqui]

Finalmente, no SA, tres artigos dignos de nota:


Ismael Mateus escreve em defesa de David Borges, a proposito de uma materia aqui discutida:

Escrevo ao Semanário Angolense com o fim de partilhar com os leitores deste jornal o conhecimento pessoal que tenho de David Borges. Nas últimas duas edições, sobretudo na de há quinze dias, foram feitas considerações sobre a pessoa e sobre as motivações do jornalista angolano David Borges que não me deixaram descansado com a minha consciência. Por gratidão pessoal ao homem e ao profissional mas também por dever para com a verdade, sinto-me na obrigação de dizer publicamente que não concordo, não são justas as insinuações sobre uma colagem de David Borges a um conjunto de luso-descendentes que agora descobriram o nosso país e oferecem a sua pena para serem «mais papistas que o Papa». Se o autor tivesse tido a possibilidade de trabalhar, durante mais de cinco anos, com o David Borges (como eu tive), se tivesse tido contacto com a sua seriedade e o rigor profissional e honestidade, jamais teria incluído este filho do Cunene no rol destes mercenários dos negócios que agora se abatem sobre várias áreas da nossa sociedade, entre as quais a comunicação social. Quero assegurar-te, amigo Graça Campos e aos leitores deste semanário, que o DB não é destes.

[Aqui]

Um relato de (quase) tudo quanto pode acontecer quando musica e literatura se confundem com politica no Parlamento: “O debate no Parlamento já tinha atingido o rubro. Ao agendado debate sobre o desarmamento dos civis, o Mpla acrescentou um ponto relativo ao respeito pelos símbolos nacionais, inspirado numa música de autor desconhecido e atentatória à pessoa do Presidente José Eduardo dos Santos. Deputados da oposição disseram que não se opunham à discussão do tema se antes pudessem ouvir a dita música. «Temos que ouvir a música para analisar a sua gravidade», disse Lindo Bernardo Tito, do Prs. Um corte de luz pôs fim à discussão quando começava a tornar-se um embaraço para a bancada do Mpla. (…) Ultrapassada então o que para alguns deputados do próprio Mpla tinha sido um completo despropósito, veio a questão que deixou uma parte da bancada da «grande família», particularmente a sua liderança, politicamente irada. Benjamin da Silva, deputado da Fnla, propôs a observação de um minuto de silêncio em honra de Aime Cesaire, poeta e político de Martinica, criador do conceito de negritude e inspirador de muitas gerações de políticos africanos. Aime Cesaire faleceu há uma semana, na sua terra natal, aos 94 anos. Tudo parecia bem até que o proponente associou Aime Cesaire a várias personalidades africanas, entre as quais Holden Roberto. Bornito de Sousa, chefe da bancada do Mpla, não gostou da colagem. Disse que o Mpla anuía à proposta, porém os seus deputados manter-se-iam sentados pois que a associação entre Holden Roberto e Aime Cesaire, feita por Benjamin da Silva, era uma provocação que visava dividendos políticos e com a qual não podiam pactuar.”

[Aqui]

E... '50-cent' assaltado em pleno palco!

O «rapper» norte-americano «50-Cent», que se encontrava em Luanda para participar no Festival Internacional da Paz, promovido pela Casablanca, do empresário Henrique Miguel «Riquinho», terá «morrido» do próprio veneno, como sói dizer-se, ao ser vítima de um espectacular assalto em pleno palco, quarta-feira, no pavilhão da cidadela desportiva, durante a actuação que estava fazendo, no quadro do 1.º dia do evento, noticiou a Angop. O assalto aconteceu quando um indivíduo não identificado surgiu da assistência como num passe de mágica, iludindo o sistema de segurança montado pelo organização do espectáculo, conseguiu subir ao palco, acercar-se do «rapper» e, com um esticão, roubar-lhe o valioso colar, que se diz ser de platina e continha vários diamantes incrustados, que portava, avaliado em dois milhões de dólares, muito menos do que valia certamente o seu «cachet». O músico americano, que nas suas músicas tem feito a apologia de comportamentos pouco dignos, sendo por isso vítima do que promove de algum modo, ainda saiu em perseguição do ladrão, mas sem sucesso, por este se ter camuflado entre a numerosa assistência que acorrera ao espectáculo.

[Aqui]

Chegou-me hoje, pelo correio, de Luanda, o numero de Fevereiro deste ano da revista Figuras & Negocios (F&N). A figura em manchete e’ a nova governadora provincial de Luanda, sobre quem se pode ler o seguinte:

“Aconteca o que acontecer, uma coisa e’ certa, Francisca Espirito Santo e’ a primeira mulher em Angola a ser nomeada pelo Presidente da Republica para dirigir os destinos de uma Provincia. No inicio de Fevereiro, ela foi nomeada governadora interina de Luanda, em substituicao de Job Capapinha.
Ate’ entao vice-governadora de Luanda, Francisca Espirito Santo ascende tambem pela primeira vez ao patamar alto da governacao, apos ter sido ja’ vice-Ministra da Educacao. De trato afavel e comunicativa, Francisca Espirito Santo nao esconde o peso da empreitada colocada agora sobre os seus ombros, sobretudo quando se tem em conta que Luanda e’ das provincias que mais sofre pressao, cuja governacao acusa a influencia de estar aqui instalado o poder central, onde a falta de clarificacao das regras de jogo permite atropelos de competencias. So’ assim se compreende, alias, que ate’ ao momento, em pouco mais de trinta anos de independencia, a Provincia de Luanda ja’ tenha visto passar pela cadeira do poder 15 governadores, numa media de 2 anos para cada um. Francisca Espirito Santo engorda com Luanda o seu curriculum, almofadado do ponto de vista politico com o facto de ser membro do Comite’ Central do MPLA, o Partido no poder.”

Ainda na F&N, este eco do Brasil:


Nos jornais, para nao variar, continua-se a fazer eco da "Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios mais os Mukuaxis"...

Pires Laranjeira, em “Agostinho Neto nao e’ um poeta mediocre”, no Jornal de Angola:

José Eduardo Agualusa (n. em Angola, Huambo, em 1960) considerou, como se sabe, numa entrevista ao Semanário Angolense, que Agostinho Neto (n. em Angola, Icolo-e-Bengo, em 1922; m. em Moscovo, em 1979) é um “poeta medíocre”. Ele ainda associou dois outros poetas angolanos da Geração da Mensagem e Cultura (II )(anos 50), salvando, por exclusão de partes, o poeta Viriato da Cruz, do qual é um admirador confesso: “uma pessoa que acha que Agostinho Neto foi um poeta extraordinário é porque não conhece rigorosamente nada de poesia, (…) foi um poeta medíocre (…) o mesmo se pode dizer de António Cardoso ou António Jacinto”. Para perceber esta afirmação, é necessário ter em conta que apenas são conhecidos 12 poemas de Viriato, incomensuravelmente menos do que os de António Cardoso e António Jacinto, tendo este último escrito também uma meia dúzia tão importante, consagrada e conseguida quanto a meia dúzia daquele (em Portugal, para quem não saiba ou não se recorde, o grupo Trovante e Sérgio Godinho tiveram grande êxito, nos anos 80, cantando um poema de Viriato, “Namoro”, que a maior parte do público pensava ser um texto português). A minha opinião é que, para Agualusa, os dois Antónios são “medíocres”, não por que o sejam, mas por terem continuado no MPLA, até falecerem, sempre ao lado de Agostinho Neto, enquanto Viriato foi um adversário politicamente derrotado no interior do movimento, no início da década de 60. Agualusa, de facto, não consegue desligar a qualidade literária do percurso político das pessoas.

[Aqui]

Continuando com os literatos, mas mudando de assunto e voltando a governacao de Luanda, um artigo de Pepetela, “Horror do Vazio”, cujo local de publicacao ainda nao me foi possivel apurar: “Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. (…) Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.”

[Aqui]

Finalmente, no SA, tres artigos dignos de nota:


Ismael Mateus escreve em defesa de David Borges, a proposito de uma materia aqui discutida:

Escrevo ao Semanário Angolense com o fim de partilhar com os leitores deste jornal o conhecimento pessoal que tenho de David Borges. Nas últimas duas edições, sobretudo na de há quinze dias, foram feitas considerações sobre a pessoa e sobre as motivações do jornalista angolano David Borges que não me deixaram descansado com a minha consciência. Por gratidão pessoal ao homem e ao profissional mas também por dever para com a verdade, sinto-me na obrigação de dizer publicamente que não concordo, não são justas as insinuações sobre uma colagem de David Borges a um conjunto de luso-descendentes que agora descobriram o nosso país e oferecem a sua pena para serem «mais papistas que o Papa». Se o autor tivesse tido a possibilidade de trabalhar, durante mais de cinco anos, com o David Borges (como eu tive), se tivesse tido contacto com a sua seriedade e o rigor profissional e honestidade, jamais teria incluído este filho do Cunene no rol destes mercenários dos negócios que agora se abatem sobre várias áreas da nossa sociedade, entre as quais a comunicação social. Quero assegurar-te, amigo Graça Campos e aos leitores deste semanário, que o DB não é destes.

[Aqui]

Um relato de (quase) tudo quanto pode acontecer quando musica e literatura se confundem com politica no Parlamento: “O debate no Parlamento já tinha atingido o rubro. Ao agendado debate sobre o desarmamento dos civis, o Mpla acrescentou um ponto relativo ao respeito pelos símbolos nacionais, inspirado numa música de autor desconhecido e atentatória à pessoa do Presidente José Eduardo dos Santos. Deputados da oposição disseram que não se opunham à discussão do tema se antes pudessem ouvir a dita música. «Temos que ouvir a música para analisar a sua gravidade», disse Lindo Bernardo Tito, do Prs. Um corte de luz pôs fim à discussão quando começava a tornar-se um embaraço para a bancada do Mpla. (…) Ultrapassada então o que para alguns deputados do próprio Mpla tinha sido um completo despropósito, veio a questão que deixou uma parte da bancada da «grande família», particularmente a sua liderança, politicamente irada. Benjamin da Silva, deputado da Fnla, propôs a observação de um minuto de silêncio em honra de Aime Cesaire, poeta e político de Martinica, criador do conceito de negritude e inspirador de muitas gerações de políticos africanos. Aime Cesaire faleceu há uma semana, na sua terra natal, aos 94 anos. Tudo parecia bem até que o proponente associou Aime Cesaire a várias personalidades africanas, entre as quais Holden Roberto. Bornito de Sousa, chefe da bancada do Mpla, não gostou da colagem. Disse que o Mpla anuía à proposta, porém os seus deputados manter-se-iam sentados pois que a associação entre Holden Roberto e Aime Cesaire, feita por Benjamin da Silva, era uma provocação que visava dividendos políticos e com a qual não podiam pactuar.”

[Aqui]

E... '50-cent' assaltado em pleno palco!

O «rapper» norte-americano «50-Cent», que se encontrava em Luanda para participar no Festival Internacional da Paz, promovido pela Casablanca, do empresário Henrique Miguel «Riquinho», terá «morrido» do próprio veneno, como sói dizer-se, ao ser vítima de um espectacular assalto em pleno palco, quarta-feira, no pavilhão da cidadela desportiva, durante a actuação que estava fazendo, no quadro do 1.º dia do evento, noticiou a Angop. O assalto aconteceu quando um indivíduo não identificado surgiu da assistência como num passe de mágica, iludindo o sistema de segurança montado pelo organização do espectáculo, conseguiu subir ao palco, acercar-se do «rapper» e, com um esticão, roubar-lhe o valioso colar, que se diz ser de platina e continha vários diamantes incrustados, que portava, avaliado em dois milhões de dólares, muito menos do que valia certamente o seu «cachet». O músico americano, que nas suas músicas tem feito a apologia de comportamentos pouco dignos, sendo por isso vítima do que promove de algum modo, ainda saiu em perseguição do ladrão, mas sem sucesso, por este se ter camuflado entre a numerosa assistência que acorrera ao espectáculo.

[Aqui]

4 comments:

Koluki said...
This comment has been removed by the author.
JUCA said...

Mestre Nei aí está com toda razão, mas olha que aqui no Brasil tambêm não está tão fácil assim não. Aqui falar do racismo ainda é pecado sim, por isso os racistas estão se organizando…
Força aí e aquele abração!

Koluki said...

Oi Juca,

Quanta ausencia!
Pelo que conheco e tenho lido do Brasil e tambem pelo que vou observando na blogosfera, tambem tenho essa impressao. Mas talvez o problema nao seja tanto o falar de racismo, mas quem fala de racismo, o que diz e porque que diz.
Agora quanto ao racismo organizar-se para negar a sua existencia, isso tambem se passa em Angola, Portugal, Mocambique, etc. etc. etc.

Um abracao tambem!

JUCA said...

Não tenho andado ausente querida!
Venho sempre aqui mas não comento sempre porque venho mesmo é pra me informar e aprender.
Concordo com o que você disse aí.
Abração.