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Friday, 2 May 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (8)

Chegou-me hoje, pelo correio, de Luanda, o numero de Fevereiro deste ano da revista Figuras & Negocios (F&N). A figura em manchete e’ a nova governadora provincial de Luanda, sobre quem se pode ler o seguinte:

“Aconteca o que acontecer, uma coisa e’ certa, Francisca Espirito Santo e’ a primeira mulher em Angola a ser nomeada pelo Presidente da Republica para dirigir os destinos de uma Provincia. No inicio de Fevereiro, ela foi nomeada governadora interina de Luanda, em substituicao de Job Capapinha.
Ate’ entao vice-governadora de Luanda, Francisca Espirito Santo ascende tambem pela primeira vez ao patamar alto da governacao, apos ter sido ja’ vice-Ministra da Educacao. De trato afavel e comunicativa, Francisca Espirito Santo nao esconde o peso da empreitada colocada agora sobre os seus ombros, sobretudo quando se tem em conta que Luanda e’ das provincias que mais sofre pressao, cuja governacao acusa a influencia de estar aqui instalado o poder central, onde a falta de clarificacao das regras de jogo permite atropelos de competencias. So’ assim se compreende, alias, que ate’ ao momento, em pouco mais de trinta anos de independencia, a Provincia de Luanda ja’ tenha visto passar pela cadeira do poder 15 governadores, numa media de 2 anos para cada um. Francisca Espirito Santo engorda com Luanda o seu curriculum, almofadado do ponto de vista politico com o facto de ser membro do Comite’ Central do MPLA, o Partido no poder.”

Ainda na F&N, este eco do Brasil:


Nos jornais, para nao variar, continua-se a fazer eco da "Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios mais os Mukuaxis"...

Pires Laranjeira, em “Agostinho Neto nao e’ um poeta mediocre”, no Jornal de Angola:

José Eduardo Agualusa (n. em Angola, Huambo, em 1960) considerou, como se sabe, numa entrevista ao Semanário Angolense, que Agostinho Neto (n. em Angola, Icolo-e-Bengo, em 1922; m. em Moscovo, em 1979) é um “poeta medíocre”. Ele ainda associou dois outros poetas angolanos da Geração da Mensagem e Cultura (II )(anos 50), salvando, por exclusão de partes, o poeta Viriato da Cruz, do qual é um admirador confesso: “uma pessoa que acha que Agostinho Neto foi um poeta extraordinário é porque não conhece rigorosamente nada de poesia, (…) foi um poeta medíocre (…) o mesmo se pode dizer de António Cardoso ou António Jacinto”. Para perceber esta afirmação, é necessário ter em conta que apenas são conhecidos 12 poemas de Viriato, incomensuravelmente menos do que os de António Cardoso e António Jacinto, tendo este último escrito também uma meia dúzia tão importante, consagrada e conseguida quanto a meia dúzia daquele (em Portugal, para quem não saiba ou não se recorde, o grupo Trovante e Sérgio Godinho tiveram grande êxito, nos anos 80, cantando um poema de Viriato, “Namoro”, que a maior parte do público pensava ser um texto português). A minha opinião é que, para Agualusa, os dois Antónios são “medíocres”, não por que o sejam, mas por terem continuado no MPLA, até falecerem, sempre ao lado de Agostinho Neto, enquanto Viriato foi um adversário politicamente derrotado no interior do movimento, no início da década de 60. Agualusa, de facto, não consegue desligar a qualidade literária do percurso político das pessoas.

[Aqui]

Continuando com os literatos, mas mudando de assunto e voltando a governacao de Luanda, um artigo de Pepetela, “Horror do Vazio”, cujo local de publicacao ainda nao me foi possivel apurar: “Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. (…) Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.”

[Aqui]

Finalmente, no SA, tres artigos dignos de nota:


Ismael Mateus escreve em defesa de David Borges, a proposito de uma materia aqui discutida:

Escrevo ao Semanário Angolense com o fim de partilhar com os leitores deste jornal o conhecimento pessoal que tenho de David Borges. Nas últimas duas edições, sobretudo na de há quinze dias, foram feitas considerações sobre a pessoa e sobre as motivações do jornalista angolano David Borges que não me deixaram descansado com a minha consciência. Por gratidão pessoal ao homem e ao profissional mas também por dever para com a verdade, sinto-me na obrigação de dizer publicamente que não concordo, não são justas as insinuações sobre uma colagem de David Borges a um conjunto de luso-descendentes que agora descobriram o nosso país e oferecem a sua pena para serem «mais papistas que o Papa». Se o autor tivesse tido a possibilidade de trabalhar, durante mais de cinco anos, com o David Borges (como eu tive), se tivesse tido contacto com a sua seriedade e o rigor profissional e honestidade, jamais teria incluído este filho do Cunene no rol destes mercenários dos negócios que agora se abatem sobre várias áreas da nossa sociedade, entre as quais a comunicação social. Quero assegurar-te, amigo Graça Campos e aos leitores deste semanário, que o DB não é destes.

[Aqui]

Um relato de (quase) tudo quanto pode acontecer quando musica e literatura se confundem com politica no Parlamento: “O debate no Parlamento já tinha atingido o rubro. Ao agendado debate sobre o desarmamento dos civis, o Mpla acrescentou um ponto relativo ao respeito pelos símbolos nacionais, inspirado numa música de autor desconhecido e atentatória à pessoa do Presidente José Eduardo dos Santos. Deputados da oposição disseram que não se opunham à discussão do tema se antes pudessem ouvir a dita música. «Temos que ouvir a música para analisar a sua gravidade», disse Lindo Bernardo Tito, do Prs. Um corte de luz pôs fim à discussão quando começava a tornar-se um embaraço para a bancada do Mpla. (…) Ultrapassada então o que para alguns deputados do próprio Mpla tinha sido um completo despropósito, veio a questão que deixou uma parte da bancada da «grande família», particularmente a sua liderança, politicamente irada. Benjamin da Silva, deputado da Fnla, propôs a observação de um minuto de silêncio em honra de Aime Cesaire, poeta e político de Martinica, criador do conceito de negritude e inspirador de muitas gerações de políticos africanos. Aime Cesaire faleceu há uma semana, na sua terra natal, aos 94 anos. Tudo parecia bem até que o proponente associou Aime Cesaire a várias personalidades africanas, entre as quais Holden Roberto. Bornito de Sousa, chefe da bancada do Mpla, não gostou da colagem. Disse que o Mpla anuía à proposta, porém os seus deputados manter-se-iam sentados pois que a associação entre Holden Roberto e Aime Cesaire, feita por Benjamin da Silva, era uma provocação que visava dividendos políticos e com a qual não podiam pactuar.”

[Aqui]

E... '50-cent' assaltado em pleno palco!

O «rapper» norte-americano «50-Cent», que se encontrava em Luanda para participar no Festival Internacional da Paz, promovido pela Casablanca, do empresário Henrique Miguel «Riquinho», terá «morrido» do próprio veneno, como sói dizer-se, ao ser vítima de um espectacular assalto em pleno palco, quarta-feira, no pavilhão da cidadela desportiva, durante a actuação que estava fazendo, no quadro do 1.º dia do evento, noticiou a Angop. O assalto aconteceu quando um indivíduo não identificado surgiu da assistência como num passe de mágica, iludindo o sistema de segurança montado pelo organização do espectáculo, conseguiu subir ao palco, acercar-se do «rapper» e, com um esticão, roubar-lhe o valioso colar, que se diz ser de platina e continha vários diamantes incrustados, que portava, avaliado em dois milhões de dólares, muito menos do que valia certamente o seu «cachet». O músico americano, que nas suas músicas tem feito a apologia de comportamentos pouco dignos, sendo por isso vítima do que promove de algum modo, ainda saiu em perseguição do ladrão, mas sem sucesso, por este se ter camuflado entre a numerosa assistência que acorrera ao espectáculo.

[Aqui]

Chegou-me hoje, pelo correio, de Luanda, o numero de Fevereiro deste ano da revista Figuras & Negocios (F&N). A figura em manchete e’ a nova governadora provincial de Luanda, sobre quem se pode ler o seguinte:

“Aconteca o que acontecer, uma coisa e’ certa, Francisca Espirito Santo e’ a primeira mulher em Angola a ser nomeada pelo Presidente da Republica para dirigir os destinos de uma Provincia. No inicio de Fevereiro, ela foi nomeada governadora interina de Luanda, em substituicao de Job Capapinha.
Ate’ entao vice-governadora de Luanda, Francisca Espirito Santo ascende tambem pela primeira vez ao patamar alto da governacao, apos ter sido ja’ vice-Ministra da Educacao. De trato afavel e comunicativa, Francisca Espirito Santo nao esconde o peso da empreitada colocada agora sobre os seus ombros, sobretudo quando se tem em conta que Luanda e’ das provincias que mais sofre pressao, cuja governacao acusa a influencia de estar aqui instalado o poder central, onde a falta de clarificacao das regras de jogo permite atropelos de competencias. So’ assim se compreende, alias, que ate’ ao momento, em pouco mais de trinta anos de independencia, a Provincia de Luanda ja’ tenha visto passar pela cadeira do poder 15 governadores, numa media de 2 anos para cada um. Francisca Espirito Santo engorda com Luanda o seu curriculum, almofadado do ponto de vista politico com o facto de ser membro do Comite’ Central do MPLA, o Partido no poder.”

Ainda na F&N, este eco do Brasil:


Nos jornais, para nao variar, continua-se a fazer eco da "Maka de 1 Jose' contra 3 Antonios mais os Mukuaxis"...

Pires Laranjeira, em “Agostinho Neto nao e’ um poeta mediocre”, no Jornal de Angola:

José Eduardo Agualusa (n. em Angola, Huambo, em 1960) considerou, como se sabe, numa entrevista ao Semanário Angolense, que Agostinho Neto (n. em Angola, Icolo-e-Bengo, em 1922; m. em Moscovo, em 1979) é um “poeta medíocre”. Ele ainda associou dois outros poetas angolanos da Geração da Mensagem e Cultura (II )(anos 50), salvando, por exclusão de partes, o poeta Viriato da Cruz, do qual é um admirador confesso: “uma pessoa que acha que Agostinho Neto foi um poeta extraordinário é porque não conhece rigorosamente nada de poesia, (…) foi um poeta medíocre (…) o mesmo se pode dizer de António Cardoso ou António Jacinto”. Para perceber esta afirmação, é necessário ter em conta que apenas são conhecidos 12 poemas de Viriato, incomensuravelmente menos do que os de António Cardoso e António Jacinto, tendo este último escrito também uma meia dúzia tão importante, consagrada e conseguida quanto a meia dúzia daquele (em Portugal, para quem não saiba ou não se recorde, o grupo Trovante e Sérgio Godinho tiveram grande êxito, nos anos 80, cantando um poema de Viriato, “Namoro”, que a maior parte do público pensava ser um texto português). A minha opinião é que, para Agualusa, os dois Antónios são “medíocres”, não por que o sejam, mas por terem continuado no MPLA, até falecerem, sempre ao lado de Agostinho Neto, enquanto Viriato foi um adversário politicamente derrotado no interior do movimento, no início da década de 60. Agualusa, de facto, não consegue desligar a qualidade literária do percurso político das pessoas.

[Aqui]

Continuando com os literatos, mas mudando de assunto e voltando a governacao de Luanda, um artigo de Pepetela, “Horror do Vazio”, cujo local de publicacao ainda nao me foi possivel apurar: “Sei que pode parecer repetitivo, mas afligem-me as megalomanias se apossando de algumas cabeças que assumem responsabilidades em relação a Luanda. Uns tantos acham que merecemos ter uma capital no estilo Singapura ou Hong Kong, com torres de quarenta andares (no mínimo) ao longo do mar. (…) Problema que estamos com ele é que todas essas novas construções vão ter sérias infiltrações de água salgada, pois ali antes era mar. E o mar gosta de recuperar o que lhe roubaram, ainda mais agora com a previsão da subida dos oceanos, como em todas as conferências se apregoa. Vai ser lindo, com as fundações das torres a serem corroídas pelo salitre e os prédios a desabarem. Felizmente para eles, já não estarão cá os responsáveis nem os seus filhos. E os netos dos outros que se lixem.”

[Aqui]

Finalmente, no SA, tres artigos dignos de nota:


Ismael Mateus escreve em defesa de David Borges, a proposito de uma materia aqui discutida:

Escrevo ao Semanário Angolense com o fim de partilhar com os leitores deste jornal o conhecimento pessoal que tenho de David Borges. Nas últimas duas edições, sobretudo na de há quinze dias, foram feitas considerações sobre a pessoa e sobre as motivações do jornalista angolano David Borges que não me deixaram descansado com a minha consciência. Por gratidão pessoal ao homem e ao profissional mas também por dever para com a verdade, sinto-me na obrigação de dizer publicamente que não concordo, não são justas as insinuações sobre uma colagem de David Borges a um conjunto de luso-descendentes que agora descobriram o nosso país e oferecem a sua pena para serem «mais papistas que o Papa». Se o autor tivesse tido a possibilidade de trabalhar, durante mais de cinco anos, com o David Borges (como eu tive), se tivesse tido contacto com a sua seriedade e o rigor profissional e honestidade, jamais teria incluído este filho do Cunene no rol destes mercenários dos negócios que agora se abatem sobre várias áreas da nossa sociedade, entre as quais a comunicação social. Quero assegurar-te, amigo Graça Campos e aos leitores deste semanário, que o DB não é destes.

[Aqui]

Um relato de (quase) tudo quanto pode acontecer quando musica e literatura se confundem com politica no Parlamento: “O debate no Parlamento já tinha atingido o rubro. Ao agendado debate sobre o desarmamento dos civis, o Mpla acrescentou um ponto relativo ao respeito pelos símbolos nacionais, inspirado numa música de autor desconhecido e atentatória à pessoa do Presidente José Eduardo dos Santos. Deputados da oposição disseram que não se opunham à discussão do tema se antes pudessem ouvir a dita música. «Temos que ouvir a música para analisar a sua gravidade», disse Lindo Bernardo Tito, do Prs. Um corte de luz pôs fim à discussão quando começava a tornar-se um embaraço para a bancada do Mpla. (…) Ultrapassada então o que para alguns deputados do próprio Mpla tinha sido um completo despropósito, veio a questão que deixou uma parte da bancada da «grande família», particularmente a sua liderança, politicamente irada. Benjamin da Silva, deputado da Fnla, propôs a observação de um minuto de silêncio em honra de Aime Cesaire, poeta e político de Martinica, criador do conceito de negritude e inspirador de muitas gerações de políticos africanos. Aime Cesaire faleceu há uma semana, na sua terra natal, aos 94 anos. Tudo parecia bem até que o proponente associou Aime Cesaire a várias personalidades africanas, entre as quais Holden Roberto. Bornito de Sousa, chefe da bancada do Mpla, não gostou da colagem. Disse que o Mpla anuía à proposta, porém os seus deputados manter-se-iam sentados pois que a associação entre Holden Roberto e Aime Cesaire, feita por Benjamin da Silva, era uma provocação que visava dividendos políticos e com a qual não podiam pactuar.”

[Aqui]

E... '50-cent' assaltado em pleno palco!

O «rapper» norte-americano «50-Cent», que se encontrava em Luanda para participar no Festival Internacional da Paz, promovido pela Casablanca, do empresário Henrique Miguel «Riquinho», terá «morrido» do próprio veneno, como sói dizer-se, ao ser vítima de um espectacular assalto em pleno palco, quarta-feira, no pavilhão da cidadela desportiva, durante a actuação que estava fazendo, no quadro do 1.º dia do evento, noticiou a Angop. O assalto aconteceu quando um indivíduo não identificado surgiu da assistência como num passe de mágica, iludindo o sistema de segurança montado pelo organização do espectáculo, conseguiu subir ao palco, acercar-se do «rapper» e, com um esticão, roubar-lhe o valioso colar, que se diz ser de platina e continha vários diamantes incrustados, que portava, avaliado em dois milhões de dólares, muito menos do que valia certamente o seu «cachet». O músico americano, que nas suas músicas tem feito a apologia de comportamentos pouco dignos, sendo por isso vítima do que promove de algum modo, ainda saiu em perseguição do ladrão, mas sem sucesso, por este se ter camuflado entre a numerosa assistência que acorrera ao espectáculo.

[Aqui]

Wednesday, 23 April 2008

"RECOLONIZACAO": DUAS VARIACOES SOBRE O MESMO TEMA

O Semanario Portugues Expresso, publicou recentemente o seguinte artigo, sob o titulo "Rapidamente e em força para Angola":

"O Consulado Geral da República de Angola em Lisboa emitiu 342 vistos de trabalho em 2007, mais 271,7% que no ano anterior. As motivações que levam os quadros portugueses a ir trabalhar para Angola são várias, mas alguns especialistas em recrutamento garantem que o desemprego que agora se faz sentir em Portugal acaba por empurrar, de certa forma, muitas pessoas para uma ‘aventura’ em terras angolanas, onde as oportunidades se multiplicam em cada dia que passa.

O crescimento económico daquele país, que se mantém acima dos 27% ao ano, é a prova de que há ali muito por fazer. As empresas não hesitam em avançar, e pagam ordenados chorudos (entre 70 mil e 200 mil dólares americanos por ano) para convencerem profissionais qualificados a trocar Portugal por terras angolanas. “É inegável que se ganha muito bem em Angola. Mas também é preciso saber negociar os contratos de trabalho, que normalmente incluem casa e meio de transporte”, explica Mónica Guerreiro, a trabalhar em Angola desde 2002. Sublinha que, no seu caso, rumou para aquele país por falta de trabalho em Portugal e que, apesar de muitas contrariedades entretanto encontradas, não está arrependida da opção que fez.

O nome com que aqui se identifica é fictício, pois receia retaliações. Sublinha que já se sentiu discriminada por ser branca, e que domina um certo clima de angolanização no mercado de trabalho, nem sempre favorável à presença de quadros brancos em lugares que podem ser ocupados por naturais do país.
“Não está estabelecido por decreto, mas é verdade que se dá preferência a quadros angolanos”, nota uma fonte da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Angolana, que também pede para não ser identificada.“O problema é que Angola não dispõe de quadros superiores nem em quantidade nem em qualidade suficientes para suprir as necessidades das empresas que ali querem progredir”, explica Eduarda Luna Pais, directora da empresa de caça-talentos Egon Zender International."

[Continue lendo aqui]

Por seu turno, na sua ultima edicao, o Semanario Angolense publica, sob o titulo "
Jornalistas do Rossio em bicos de pés", a materia que se segue:

"Angola tornou-se nos últimos tempos bastante atractiva para expatriados e imigrantes de diversas nacionalidades, mas está mais ou menos verificado, ainda que pela observação empírica, que os portugueses estão entre os estrangeiros que chegam em maior número ao nosso país. Prova clara disso está no sotaque algarvio, trasmontano ou alentejano que marca os voos para Luanda provenientes de Lisboa, e que no aeroporto da capital angolana rapidamente se espalha pelos restaurantes, bares e hotéis superlotados da cidade. São os portugueses a correrem de regresso à antiga jóia da coroa.

Esta revoada migratória não é nociva para o país, e desde que contida em limites aceitáveis e que não periguem a nossa frágil estrutura de emprego, até se mostra positiva para os novos rumos da economia angolana. Em termos gerais, portanto, não há nada a objectar. É enterrar o machado do chauvinismo e da xenofobia. Porém, quando bem espremido, encontramos no fluxo da imigração portuguesa para Angola aspectos inquietantes em relação a um certo modus operandis. Trata-se de uma franja marginal, residual mesmo, no conjunto dos luso-cidadãos que aportam o país, mas que não deixa de fazer confusão. Não nos referimos aos comerciantes nem aos trolhas e pedreiros.

Em fuga do cada vez mais difícil mercado da media em Portugal, Angola também passou a ser apetecível a muitos profissionais da comunicação social portuguesa, sobretudo daqueles que possuem uma costela angolana ou que tenham vivido no nosso país na época colonial. A forma como esses últimos aterram em Angola não entra nos procedimentos comummente aceites pela ortodoxia migratória.

Basta um pouco mais de atenção para vermos como na imprensa portuguesa ou em órgãos de comunicação social do Estado angolano surgiram ultimamente jornalistas portugueses a assinarem artigos estranhos sobre Angola, cujo fito último é o de demonstrarem que tratam com maior profissionalismo os assuntos do país do que os seus colegas angolanos. Eivados de má-fé no plano deontológico, muitos destes artigos chegam a achincalhar a dignidade dos jornalistas angolanos."

[Leia mais aqui]
O Semanario Portugues Expresso, publicou recentemente o seguinte artigo, sob o titulo "Rapidamente e em força para Angola":

"O Consulado Geral da República de Angola em Lisboa emitiu 342 vistos de trabalho em 2007, mais 271,7% que no ano anterior. As motivações que levam os quadros portugueses a ir trabalhar para Angola são várias, mas alguns especialistas em recrutamento garantem que o desemprego que agora se faz sentir em Portugal acaba por empurrar, de certa forma, muitas pessoas para uma ‘aventura’ em terras angolanas, onde as oportunidades se multiplicam em cada dia que passa.

O crescimento económico daquele país, que se mantém acima dos 27% ao ano, é a prova de que há ali muito por fazer. As empresas não hesitam em avançar, e pagam ordenados chorudos (entre 70 mil e 200 mil dólares americanos por ano) para convencerem profissionais qualificados a trocar Portugal por terras angolanas. “É inegável que se ganha muito bem em Angola. Mas também é preciso saber negociar os contratos de trabalho, que normalmente incluem casa e meio de transporte”, explica Mónica Guerreiro, a trabalhar em Angola desde 2002. Sublinha que, no seu caso, rumou para aquele país por falta de trabalho em Portugal e que, apesar de muitas contrariedades entretanto encontradas, não está arrependida da opção que fez.

O nome com que aqui se identifica é fictício, pois receia retaliações. Sublinha que já se sentiu discriminada por ser branca, e que domina um certo clima de angolanização no mercado de trabalho, nem sempre favorável à presença de quadros brancos em lugares que podem ser ocupados por naturais do país.
“Não está estabelecido por decreto, mas é verdade que se dá preferência a quadros angolanos”, nota uma fonte da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Angolana, que também pede para não ser identificada.“O problema é que Angola não dispõe de quadros superiores nem em quantidade nem em qualidade suficientes para suprir as necessidades das empresas que ali querem progredir”, explica Eduarda Luna Pais, directora da empresa de caça-talentos Egon Zender International."

[Continue lendo aqui]

Por seu turno, na sua ultima edicao, o Semanario Angolense publica, sob o titulo "
Jornalistas do Rossio em bicos de pés", a materia que se segue:

"Angola tornou-se nos últimos tempos bastante atractiva para expatriados e imigrantes de diversas nacionalidades, mas está mais ou menos verificado, ainda que pela observação empírica, que os portugueses estão entre os estrangeiros que chegam em maior número ao nosso país. Prova clara disso está no sotaque algarvio, trasmontano ou alentejano que marca os voos para Luanda provenientes de Lisboa, e que no aeroporto da capital angolana rapidamente se espalha pelos restaurantes, bares e hotéis superlotados da cidade. São os portugueses a correrem de regresso à antiga jóia da coroa.

Esta revoada migratória não é nociva para o país, e desde que contida em limites aceitáveis e que não periguem a nossa frágil estrutura de emprego, até se mostra positiva para os novos rumos da economia angolana. Em termos gerais, portanto, não há nada a objectar. É enterrar o machado do chauvinismo e da xenofobia. Porém, quando bem espremido, encontramos no fluxo da imigração portuguesa para Angola aspectos inquietantes em relação a um certo modus operandis. Trata-se de uma franja marginal, residual mesmo, no conjunto dos luso-cidadãos que aportam o país, mas que não deixa de fazer confusão. Não nos referimos aos comerciantes nem aos trolhas e pedreiros.

Em fuga do cada vez mais difícil mercado da media em Portugal, Angola também passou a ser apetecível a muitos profissionais da comunicação social portuguesa, sobretudo daqueles que possuem uma costela angolana ou que tenham vivido no nosso país na época colonial. A forma como esses últimos aterram em Angola não entra nos procedimentos comummente aceites pela ortodoxia migratória.

Basta um pouco mais de atenção para vermos como na imprensa portuguesa ou em órgãos de comunicação social do Estado angolano surgiram ultimamente jornalistas portugueses a assinarem artigos estranhos sobre Angola, cujo fito último é o de demonstrarem que tratam com maior profissionalismo os assuntos do país do que os seus colegas angolanos. Eivados de má-fé no plano deontológico, muitos destes artigos chegam a achincalhar a dignidade dos jornalistas angolanos."

[Leia mais aqui]

Thursday, 17 April 2008

ECOS DA IMPRENSA ANGOLANA (5)

“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre

Numa longa entrevista ao jornal A Capital, o director do Semanario Angolense (SA), Graca Campos, disserta sobre a actual panaramica da imprensa privada em Angola:


[Aqui]


No Jornal Angolense, Wilson Dada (Reginaldo Silva), conduz-nos pelos intersticios da pre-campanha eleitoral ja' iniciada:

“Depois do que aconteceu com as passeatas e meetings (comícios/ bebidos/maratonas) organizados pelo MPLA no último fim-desemana um pouco por todo o país, generosamente amplificados e ampliados pela sempre fiel comunicação social estatal, pode-se dizer que oficialmente teve inicio a pré-campanha eleitoral, embora a lei eleitoral não preveja nenhum período com esta designação.”


O kulunista partilha tambem algumas recebidas 'licoes de jornalismo' com os seus leitores:

“O reino da objectividade é a informação, a notícia, a cobertura, a reportagem, a análise, assim como o reino da tomada de posição era a opinião, o comentário, o artigo, o editorial. E fundamental separar e distinguir informação de opinião, indicar as diferenças de conteúdo e forma dos géneros jornalísticos, e apresentar toda a produção jornalística ao leitor/telespectador de forma a que ele perceba imediatamente o que é a exposição da realidade e o que é o juízo de valor". [Aqui]

No SA, o linguista e tradutor Adérito Miranda introduz-nos o “Segmento Mba como música”, na sua serie sobre “Linguística Bantu a partir do Kimbundu”:

"Conhecemos o segmento Mba com dois significados, sendo um no reino animal (pessoas, animais, população), que já foi aqui tratado abundantemente, e outro na música, como se pode ver nos vocábulos acima referenciados. Na música, o Mba representa ou reproduz fonologicamente uma batida no tambor ou em qualquer outro instrumento de percussão. Façamos então uma breve análise sobre aqueles casos." [Aqui]

Ainda no SA, Luis Kandjimbo apresenta uma recensao critica da obra de Arnaldo Santos, detendo-se particularmente no seu romance “A Casa Velha das Margens”:

“O autor do romance em apreço é natural de Luanda, onde nasceu em 1935. Fez os estudos primários e secundários em Luanda. Na década de 50, integrou o chamado «grupo da Cultura». Colaborou em várias publicações periódicas luandenses, entre as quais a revista Cultura, o Jornal de Angola (da década de 60), Abc e Mensagem da Casa dos Estudantes do Império. É membro fundador da União dos Escritores Angolanos (Uea). Passou a infância e a adolescência no bairro do Kinaxixi, topónimo que ocupa um lugar privilegiado na sua produção narrativa. Aos vinte anos de idade, publicou a sua primeira colectânea de contos, intitulada Quinaxixi. Com o livro de crónicas Tempo do Munhungo, arrebatou em 1968 o Prémio Mota Veiga, um dos poucos existentes em Luanda, nas décadas de 60 e 70.

Preciosista na depuração do texto narrativo curto e avaro da economia dos seus elementos, Arnaldo Santos submete a língua portuguesa a um singular tratamento articulando formas de expressão resultantes de modelos de comunicação angolanos a correspondentes formas de conteúdo. No dizer de Jorge Macedo, ele usa «lexias-kimbundo no interior de um português de luzidia correcção». Devido a esse labor oficinal, a sua obra narrativa não conheceu variações até à década de 90, gravitando em torno da forma breve do texto narrativo, entre o conto (Kinaxixi) e a crónica (Tempo do Munhungo). O seu romance que anuncia um outro fôlego, A Boneca de Quilengues, é publicado em 1991. No panorama da ficção narrativa angolana, é uma referência incontornável.” [Aqui]
“Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.”

Manuel Alegre

Numa longa entrevista ao jornal A Capital, o director do Semanario Angolense (SA), Graca Campos, disserta sobre a actual panaramica da imprensa privada em Angola:


[Aqui]


No Jornal Angolense, Wilson Dada (Reginaldo Silva), conduz-nos pelos intersticios da pre-campanha eleitoral ja' iniciada:

“Depois do que aconteceu com as passeatas e meetings (comícios/ bebidos/maratonas) organizados pelo MPLA no último fim-desemana um pouco por todo o país, generosamente amplificados e ampliados pela sempre fiel comunicação social estatal, pode-se dizer que oficialmente teve inicio a pré-campanha eleitoral, embora a lei eleitoral não preveja nenhum período com esta designação.”


O kulunista partilha tambem algumas recebidas 'licoes de jornalismo' com os seus leitores:

“O reino da objectividade é a informação, a notícia, a cobertura, a reportagem, a análise, assim como o reino da tomada de posição era a opinião, o comentário, o artigo, o editorial. E fundamental separar e distinguir informação de opinião, indicar as diferenças de conteúdo e forma dos géneros jornalísticos, e apresentar toda a produção jornalística ao leitor/telespectador de forma a que ele perceba imediatamente o que é a exposição da realidade e o que é o juízo de valor". [Aqui]

No SA, o linguista e tradutor Adérito Miranda introduz-nos o “Segmento Mba como música”, na sua serie sobre “Linguística Bantu a partir do Kimbundu”:

"Conhecemos o segmento Mba com dois significados, sendo um no reino animal (pessoas, animais, população), que já foi aqui tratado abundantemente, e outro na música, como se pode ver nos vocábulos acima referenciados. Na música, o Mba representa ou reproduz fonologicamente uma batida no tambor ou em qualquer outro instrumento de percussão. Façamos então uma breve análise sobre aqueles casos." [Aqui]

Ainda no SA, Luis Kandjimbo apresenta uma recensao critica da obra de Arnaldo Santos, detendo-se particularmente no seu romance “A Casa Velha das Margens”:

“O autor do romance em apreço é natural de Luanda, onde nasceu em 1935. Fez os estudos primários e secundários em Luanda. Na década de 50, integrou o chamado «grupo da Cultura». Colaborou em várias publicações periódicas luandenses, entre as quais a revista Cultura, o Jornal de Angola (da década de 60), Abc e Mensagem da Casa dos Estudantes do Império. É membro fundador da União dos Escritores Angolanos (Uea). Passou a infância e a adolescência no bairro do Kinaxixi, topónimo que ocupa um lugar privilegiado na sua produção narrativa. Aos vinte anos de idade, publicou a sua primeira colectânea de contos, intitulada Quinaxixi. Com o livro de crónicas Tempo do Munhungo, arrebatou em 1968 o Prémio Mota Veiga, um dos poucos existentes em Luanda, nas décadas de 60 e 70.

Preciosista na depuração do texto narrativo curto e avaro da economia dos seus elementos, Arnaldo Santos submete a língua portuguesa a um singular tratamento articulando formas de expressão resultantes de modelos de comunicação angolanos a correspondentes formas de conteúdo. No dizer de Jorge Macedo, ele usa «lexias-kimbundo no interior de um português de luzidia correcção». Devido a esse labor oficinal, a sua obra narrativa não conheceu variações até à década de 90, gravitando em torno da forma breve do texto narrativo, entre o conto (Kinaxixi) e a crónica (Tempo do Munhungo). O seu romance que anuncia um outro fôlego, A Boneca de Quilengues, é publicado em 1991. No panorama da ficção narrativa angolana, é uma referência incontornável.” [Aqui]

Monday, 29 October 2007

OUTBLOGGING @ AFRICANPATH (VII)


ANGOLA: THE RISE OF CIVIL SOCITY

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ANGOLA: THE RISE OF CIVIL SOCITY

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Sunday, 7 October 2007

OUTBLOGGING @ AFRICANPATH (VI)



ANGOLA: “A SENTENCE WITHOUT TRIAL” OR THE PAINFUL REVERSAL OF A NATION-BUILDING PROCESS

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ANGOLA: “A SENTENCE WITHOUT TRIAL” OR THE PAINFUL REVERSAL OF A NATION-BUILDING PROCESS

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SOBRE A PRISAO DO JORNALISTA GRACA CAMPOS (I)




LER COMUNICADO DO SA E BACKGROUND DO CASO AQUI.




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