O Semanario Portugues Expresso, publicou recentemente o seguinte artigo, sob o titulo "Rapidamente e em força para Angola":
"O Consulado Geral da República de Angola em Lisboa emitiu 342 vistos de trabalho em 2007, mais 271,7% que no ano anterior. As motivações que levam os quadros portugueses a ir trabalhar para Angola são várias, mas alguns especialistas em recrutamento garantem que o desemprego que agora se faz sentir em Portugal acaba por empurrar, de certa forma, muitas pessoas para uma ‘aventura’ em terras angolanas, onde as oportunidades se multiplicam em cada dia que passa.O crescimento económico daquele país, que se mantém acima dos 27% ao ano, é a prova de que há ali muito por fazer. As empresas não hesitam em avançar, e pagam ordenados chorudos (entre 70 mil e 200 mil dólares americanos por ano) para convencerem profissionais qualificados a trocar Portugal por terras angolanas. “É inegável que se ganha muito bem em Angola. Mas também é preciso saber negociar os contratos de trabalho, que normalmente incluem casa e meio de transporte”, explica Mónica Guerreiro, a trabalhar em Angola desde 2002. Sublinha que, no seu caso, rumou para aquele país por falta de trabalho em Portugal e que, apesar de muitas contrariedades entretanto encontradas, não está arrependida da opção que fez.
O nome com que aqui se identifica é fictício, pois receia retaliações. Sublinha que já se sentiu discriminada por ser branca, e que domina um certo clima de angolanização no mercado de trabalho, nem sempre favorável à presença de quadros brancos em lugares que podem ser ocupados por naturais do país.
“Não está estabelecido por decreto, mas é verdade que se dá preferência a quadros angolanos”, nota uma fonte da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Angolana, que também pede para não ser identificada.“O problema é que Angola não dispõe de quadros superiores nem em quantidade nem em qualidade suficientes para suprir as necessidades das empresas que ali querem progredir”, explica Eduarda Luna Pais, directora da empresa de caça-talentos Egon Zender International."
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Por seu turno, na sua ultima edicao, o Semanario Angolense publica, sob o titulo "Jornalistas do Rossio em bicos de pés", a materia que se segue: "Angola tornou-se nos últimos tempos bastante atractiva para expatriados e imigrantes de diversas nacionalidades, mas está mais ou menos verificado, ainda que pela observação empírica, que os portugueses estão entre os estrangeiros que chegam em maior número ao nosso país. Prova clara disso está no sotaque algarvio, trasmontano ou alentejano que marca os voos para Luanda provenientes de Lisboa, e que no aeroporto da capital angolana rapidamente se espalha pelos restaurantes, bares e hotéis superlotados da cidade. São os portugueses a correrem de regresso à antiga jóia da coroa.
Esta revoada migratória não é nociva para o país, e desde que contida em limites aceitáveis e que não periguem a nossa frágil estrutura de emprego, até se mostra positiva para os novos rumos da economia angolana. Em termos gerais, portanto, não há nada a objectar. É enterrar o machado do chauvinismo e da xenofobia. Porém, quando bem espremido, encontramos no fluxo da imigração portuguesa para Angola aspectos inquietantes em relação a um certo modus operandis. Trata-se de uma franja marginal, residual mesmo, no conjunto dos luso-cidadãos que aportam o país, mas que não deixa de fazer confusão. Não nos referimos aos comerciantes nem aos trolhas e pedreiros.
Em fuga do cada vez mais difícil mercado da media em Portugal, Angola também passou a ser apetecível a muitos profissionais da comunicação social portuguesa, sobretudo daqueles que possuem uma costela angolana ou que tenham vivido no nosso país na época colonial. A forma como esses últimos aterram em Angola não entra nos procedimentos comummente aceites pela ortodoxia migratória.
Basta um pouco mais de atenção para vermos como na imprensa portuguesa ou em órgãos de comunicação social do Estado angolano surgiram ultimamente jornalistas portugueses a assinarem artigos estranhos sobre Angola, cujo fito último é o de demonstrarem que tratam com maior profissionalismo os assuntos do país do que os seus colegas angolanos. Eivados de má-fé no plano deontológico, muitos destes artigos chegam a achincalhar a dignidade dos jornalistas angolanos."
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