Se ha’ alguem a quem tenho que pedir desculpas pelos meus pontapes na lingua de Camoes, esse alguem e’ a Professora Maria Luisa Dolbeth e Costa. Ela foi minha professora de Portugues, ainda no tempo colonial, no entao Liceu Feminino D. Guiomar de Lencastre, hoje Nzinga Mbandi, em Luanda. Mas nao e’ para falar dela, ou de mim, que aqui trago a entrevista que ela concedeu recentemente ao Jornal de Angola sobre o Acordo Ortografico da Lingua Portuguesa.
Ou melhor, sobre ela nao posso deixar de dizer o seguinte: num liceu de esmagadora maioria de alunas brancas e de professoras todas brancas, ela apareceu-nos naqueles tempos, pelo menos a mim, salvaguardadas as devidas distancias e proporcoes, como uma especie de Barack Obama...
“Eu gosto de grafar maka com k, para distinguir do vocábulo maca com "c", que nos remete para um instrumento hospitalar. Eu diria, então, que esta maka, com "k", neologismo nosso, deveria ser melhor discutida e reflectida no nosso caso, não apenas por razões económicas.”
“Eu gosto de grafar maka com k, para distinguir do vocábulo maca com "c", que nos remete para um instrumento hospitalar. Eu diria, então, que esta maka, com "k", neologismo nosso, deveria ser melhor discutida e reflectida no nosso caso, não apenas por razões económicas.”
"Acordo ortográfico, tudo bem, mas para nos unir na diferença"
A pessoa com quem falámos tem um alto nível de competência técnica para falar, como peixe na água, da Língua Portuguesa, num português fluente. Linguista de formação, a angolana Maria Luísa Dolbeth e Costa dá aulas de português há 36 anos. Antiga aluna de Lindley Cintra, co-autora da Nova Gramática do Português Contemporâneo, Maria Luísa Dolbeth e Costa foi procurada pelo Vida Cultural para uma abordagem à volta do polémico, como ela também considerou, Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A entrevistada, pessoa de trato fácil, oferece, ao longo da entrevista, subsídios interessantes sobre o Acordo Ortográfico, sobre o qual afirma, peremptoriamente: "não concordo é com este Acordo nos termos em que ele está feito, porque me permite abrir espaço para dúvidas sobre o grau de subjectividade que terá dominado muitas das suas decisões".
[Aqui]
*(First posted 07/09/08)