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Tuesday, 18 August 2009

FALANDO DE GERACOES…

Ja’ houve uma altura na minha vida, curiosamente nao assim tao longinqua, em que me via vagamente como parte de uma geracao que alguem designou, em termos estritamente literarios, “a geracao das incertezas” e que eu, em termos mais amplamente vivenciais e filosoficos, sempre preferi designar “a geracao de todos os desenganos”. Em anos mais recentes, no entanto, ou talvez por isso mesmo, vejo-me indubitavel e desenganadamente como parte da “geracao R”, ou a “geracao dos rejeitados”.

Esta minha “geracao R”, porem, nao e’ estritamente Angolana: existe dispersa um pouco por todo o globo e parte dela, entre a qual me incluo, e’, declaradamente ou nao, stateless, porquanto, para a maior parte dos, quando nao para todos os, efeitos legais, nao temos estado – muito menos partido!

Esta condicao faz com que, por exemplo, nos seja negada a renovacao do nosso passaporte nacional pelo “nosso pais” de origem ou, como ainda muito recentemente aconteceu a me, myself and I (e nao pela primeira vez…), nos seja negado um visto de entrada nesse mesmo pais, ao mesmo tempo que aos nossos colegas de trabalho ‘estrangeiros’ tal visto e’ prontamente concedido – situacao que, neste caso concreto, so’ pode ser ultrapassada gracas a benemerita intervencao de um embaixador de um terceiro pais – o que imediatamente nos coloca sob suspeicao perante os nossos empregadores, actuais ou prospectivos (como, alias, ja’ nos aconteceu no passado..), de sermos persona non grata naquele que dizemos, sentimos e sempre soubemos ser “o nosso pais”, impedindo-nos assim, mais frequentemente do que nao, de trabalhar em qualquer funcao ou projecto, mesmo que apenas estritamente academico, que exija algum contacto com Angola…

Esta minha “geracao R”, em consequencia do seu estado de statelessness, nao se pode dar ao luxo de deixar-se adormecer, seja sobre louros ou espinhos, tendo que lutar incessante e incansavelmente para se sustentar a si propria condignamente e para manter em todas as circunstancias a sua mente lucida e a sua cabeca erguida, sob pena de acabar literalmente por "nao ter onde cair morta", sujeitando-se entretanto a ser "debicada" por vultos e abutres famintos de todas as latitudes enquanto ainda viva…

Condicao que, em principio, nos deveria aproximar uns dos outros, mas que a propria situacao de global statelessness nos impede de o fazer: sabemos apenas que existimos por ai algures e tendemos a identificar-nos individualmente como me, myself and I – sendo esta uma exigencia de sobrevivencia fisica e espiritual, porquanto a partir do momento em que perdemos o sentido de nos proprios e da nossa identidade (mesmo se ligeiramente e apenas para nos permitirmos coisas tais como priorizarmos a nossa "elegancia fisica" sobre a nossa "elegancia mental, psicologica e moral", ou darmo-nos a "indulgencias literarias e artisticas"…), podemos correr o risco de perder por completo “todos os sentidos”, senao a propria vida… Enfim, a minha geracao, a “geracao R”, e’, literalmente falando, a geracao dos “excluidos dos excluidos”, a geracao dos condenados da terra – num sentido em que nem Fanon tera’ suspeitado pudesse alguma vez existir em lugar algum!

Tomo agora nota da existencia no “nosso pais” de uma designada “geracao X” que, pela descricao (que pouco ou nada tem a ver com as definicoes convencionais dessa geracao), se parece assemelhar muito as geracoes yuppies que, desde os anos 80 do seculo passado (ou seja, desde os tempos da “geracao das incertezas” em Angola), vem aparecendo um pouco por todos os paises, em determinadas fases bem identificadas da sua historia economica.

Mas, alegadamente, esta “geracao X” de Angola tem uma particularidade exclusiva: “faz parte, ou tenta colar-se, ao partido da situacao”. Por sinal, um partido por onde me, myself and I entramos e saimos muito antes do florescimento da dita “geracao das incertezas”, ou seja, num tempo em que nao havia nada a ganhar por dele se fazer parte: em muitos casos, como no de me, myself and I, muito antes pelo contrario! E dele, me, myself and I saimos de livre e espontanea vontade e for good: para nao mais voltar! Para esse, ou para qualquer outro partido politico. Quanto muito, tentamos lutar agora, tanto quanto nos e’ possivel, pelo fim do nosso involuntario estado de statelessness, o qual apenas podemos supor nos esteja a ser forcado por umas quaisquer “forcas ocultas nao identificadas”, devido aos nossos varios “atrevimentos”, desconfortaveis para a “situacao” (e, tudo indica, tambem para alguma “oposicao”) do “nosso pais”, ao longo dos anos …

Mas sei que ha’ no “nosso pais”, para alem da dita “geracao X”, outras geracoes: nomeadamente a “geracao A” e a “geracao Y”. A “geracao A” e’ a que vem antes de tudo e de todos: e’ a “geracao dos possidentes” de tudo quanto e’ supostamente devido a 'parte' daqueles que podem reclamar-se de terem “estado em todas” e terem conseguido manter-se “ilesos” ate’ agora – alguns desde a(s) luta(s) de libertacao, dum ou doutro(s) lado(s), outros ha’ menos tempo, mas, em qualquer dos casos, todos politica, social e economicamente “intocaveis”, embora uns mais do que outros. Constituem, portanto, o establishment ou, se se preferir, a “situacao”.

Ja’ a “geracao Y” (que tambem pouco ou nada tem a ver com as definicoes convencionais dessa geracao) e’ um pouco mais “complexa(da?)”: apesar de, geralmente, social, profissional e economicamente “bem de vida”, no “nosso pais” ou fora dele, nao sera’ exactamente politicamente “intocavel”, mas o seu nucleo central cada vez mais comeca a dar mostras de pretender se-lo.

E, nao fazendo necessariamente parte funcional da “situacao” politica, faz certamente parte estrutural do establishment social e/ou cultural e parte dela fez durante muito tempo, ou ainda faz parte, ainda que marginalmente em alguns casos, do partido da “situacao” e sobrevive manifestamente gracas a “pactos de regime”, ou “de elites”, que lhes sao propiciados, tanto pela “situacao” do “nosso pais” (quanto mais nao seja porque fazem muita questao de se dizerem, ou fazerem, todos “primos” uns dos outros, ou membros dos mesmos “circulos restritos”, assim constituindo a famosa "grande familia"…), como, em alguns casos, pelos seus “parceiros estrangeiros”, o que lhes permite escapar ao estado de statelessness em que vive a minha “geracao R”, dentro ou fora do “nosso pais”.

Decididamente, esta “geracao Y” nao e’, nem nunca foi, “rejeitada” ou “excluida”, mesmo no caso de alguns dos seus membros que, tendo episodicamente sofrido a “mao pesada” do estado, a ela conseguiram sobreviver: e’ apenas aquela geracao que sempre teve e continua a ter tudo, excepto o poder politico (e parece nao olhar a meios para o obter...), ou seja, so’ lhe falta um escalao para atingir o status de “geracao Z”: o zenite a partir do qual destronara' triunfalmente a “geracao A” e co-optara', ou eclipsara', a actual “geracao X”, muito provavelmente substituindo-a pelos seus proprios filhos, nos casos em que estes ainda nao fazem parte dela…

Mas, enquanto la’ nao chegam, vao falando em nome dos “excluidos” e, enquanto de “barriga cheia” e "nariz empinado", muito self-righteously, vivem de punho erguido e dedo em riste contra tudo e todos que lhes parecam constituir uma ameaca aquele seu desiderato, ou que, simplesmente, nao lhes demonstrem “o devido respeito”... Atitude, alias, pela qual alguns deles sao sobejamente conhecidos desde os longinquos, famigerados e malfadados tempos de todos os “PRECs”, apenas evidenciando que indeed, old habits die hard and old dogs can’t learn new tricks! Mas, ainda assim, desejo-lhes a todos boa sorte nessa sua gloriosa escalada em direccao a “sua (exclusiva) situacao”...

No entanto, o que essas geracoes teem de comum entre si, e que as diferencia marcadamente da minha “geracao R”, e’ que todas elas vivem, ou viveram a maior parte das suas vidas, sob a sombra do estado (ou de um dos pelo menos dois "partidos-estado") do “nosso pais”, isto e’, nunca foram obrigados a ser stateless, nem fazem a minima ideia do que isso significa em termos vivenciais e filosoficos, salvo talvez alguns dos que, porventura, tenham vivido involuntariamente exilados no periodo colonial-fascista (ou, como num caso concreto que tenho em mente, o de MPA, infelizmente ja' nao entre nos, o viveu tanto naquele periodo como no pos-independencia).

Nao sao, portanto, capazes de perceber que haja gente por esse mundo fora, incluindo de origem Angolana que, no periodo pos-independencia, nunca contou, ou nao contou durante grande parte das suas vidas, com o estado (e, portanto, com o partido da "situacao") a que eles, salvo rarissimas excepcoes, devem praticamente tudo o que sao e teem em Angola e no mundo. E muito menos que gente da minha “geracao R”, como me, myself and I (que, apesar de “menor”, “insignificante” e “rejeitada”, se orgulha de nunca ter "lambido botas" de ninguem e muito menos de alguma vez ter “debicado” em pratos de quem quer que seja e de, quanto muito, ter visto “muito boa gente” debicar no seu prato e depois ingrata, descarada, arrogante e despudoradamete cuspir nele “de cima”…), possa “pensar pela sua propria cabeca” e ter a dignidade de expressar imparcialmente opinioes, ou posicionar-se politica e culturalmente, segundo logicas absolutamente nao partidarias ou estatais e que, quando fala em "democracia", “sociedade civil”, “direitos humanos” ou “cidadania”, e’ exactamente disso, e apenas disso, que esta’ a falar!

Pois enquanto tentam todos e, sobretudo, todas, se o quiserem e/ou puderem fazer, perceber isso, a minha “geracao R”, dentro ou fora do “nosso pais”, continuara’ a existir… excluida e rejeitada. Mas, pelo menos no que depender de me, myself and I, sem que nos constituamos necessariamente em “oposicao” politica formal, continuaremos a lutar pelo nosso direito a cidadania plena na terra que nos viu nascer, a nos e a todos os nossos ancestrais (!), e para a qual demos, dentro e fora dela, os nossos contributos, mais ou menos modestos, e nunca deixaremos de nos expressar livre e descomprometidamente sobre as praticas sociais e politicas de todas as “geracoes” e “elites” ou “nao elites”, “novas” ou “velhas”, por mais vetustas, fajutas, enfatuadas ou despidas e agressivas ou armadas que se nos apresentem, em particular quando se atrevam a por em causa, directa ou indirectamente, aberta ou veladamente, esse nosso direito inalienavel.

Portanto, de geracoes… creio estarmos falados!

[Echoed here]
Ja’ houve uma altura na minha vida, curiosamente nao assim tao longinqua, em que me via vagamente como parte de uma geracao que alguem designou, em termos estritamente literarios, “a geracao das incertezas” e que eu, em termos mais amplamente vivenciais e filosoficos, sempre preferi designar “a geracao de todos os desenganos”. Em anos mais recentes, no entanto, ou talvez por isso mesmo, vejo-me indubitavel e desenganadamente como parte da “geracao R”, ou a “geracao dos rejeitados”.

Esta minha “geracao R”, porem, nao e’ estritamente Angolana: existe dispersa um pouco por todo o globo e parte dela, entre a qual me incluo, e’, declaradamente ou nao,
stateless, porquanto, para a maior parte dos, quando nao para todos os, efeitos legais, nao temos estado – muito menos partido!

Esta condicao faz com que, por exemplo, nos seja negada a renovacao do nosso passaporte nacional pelo “nosso pais” de origem ou, como ainda muito recentemente aconteceu a me, myself and I (e nao pela primeira vez…), nos seja negado um visto de entrada nesse mesmo pais, ao mesmo tempo que aos nossos colegas de trabalho ‘estrangeiros’ tal visto e’ prontamente concedido – situacao que, neste caso concreto, so’ pode ser ultrapassada gracas a benemerita intervencao de um embaixador de um terceiro pais – o que imediatamente nos coloca sob suspeicao perante os nossos empregadores, actuais ou prospectivos (como, alias, ja’ nos aconteceu no passado..), de sermos persona non grata naquele que dizemos, sentimos e sempre soubemos ser “o nosso pais”, impedindo-nos assim, mais frequentemente do que nao, de trabalhar em qualquer funcao ou projecto, mesmo que apenas estritamente academico, que exija algum contacto com Angola…

Esta minha “geracao R”, em consequencia do seu estado de statelessness, nao se pode dar ao luxo de deixar-se adormecer, seja sobre louros ou espinhos, tendo que lutar incessante e incansavelmente para se sustentar a si propria condignamente e para manter em todas as circunstancias a sua mente lucida e a sua cabeca erguida, sob pena de acabar literalmente por "nao ter onde cair morta", sujeitando-se entretanto a ser "debicada" por vultos e abutres famintos de todas as latitudes enquanto ainda viva…

Condicao que, em principio, nos deveria aproximar uns dos outros, mas que a propria situacao de global statelessness nos impede de o fazer: sabemos apenas que existimos por ai algures e tendemos a identificar-nos individualmente como me, myself and I – sendo esta uma exigencia de sobrevivencia fisica e espiritual, porquanto a partir do momento em que perdemos o sentido de nos proprios e da nossa identidade (mesmo se ligeiramente e apenas para nos permitirmos coisas tais como priorizarmos a nossa "elegancia fisica" sobre a nossa "elegancia mental, psicologica e moral", ou darmo-nos a "indulgencias literarias e artisticas"…), podemos correr o risco de perder por completo “todos os sentidos”, senao a propria vida… Enfim, a minha geracao, a “geracao R”, e’, literalmente falando, a geracao dos “excluidos dos excluidos”, a geracao dos condenados da terra – num sentido em que nem Fanon tera’ suspeitado pudesse alguma vez existir em lugar algum!

Tomo agora nota da existencia no “nosso pais” de uma designada “geracao X” que, pela descricao (que pouco ou nada tem a ver com as definicoes convencionais dessa geracao), se parece assemelhar muito as geracoes yuppies que, desde os anos 80 do seculo passado (ou seja, desde os tempos da “geracao das incertezas” em Angola), vem aparecendo um pouco por todos os paises, em determinadas fases bem identificadas da sua historia economica.

Mas, alegadamente, esta “geracao X” de Angola tem uma particularidade exclusiva: “faz parte, ou tenta colar-se, ao partido da situacao”. Por sinal, um partido por onde me, myself and I entramos e saimos muito antes do florescimento da dita “geracao das incertezas”, ou seja, num tempo em que nao havia nada a ganhar por dele se fazer parte: em muitos casos, como no de me, myself and I, muito antes pelo contrario! E dele, me, myself and I saimos de livre e espontanea vontade e for good: para nao mais voltar! Para esse, ou para qualquer outro partido politico. Quanto muito, tentamos lutar agora, tanto quanto nos e’ possivel, pelo fim do nosso involuntario estado de statelessness, o qual apenas podemos supor nos esteja a ser forcado por umas quaisquer “forcas ocultas nao identificadas”, devido aos nossos varios “atrevimentos”, desconfortaveis para a “situacao” (e, tudo indica, tambem para alguma “oposicao”) do “nosso pais”, ao longo dos anos …

Mas sei que ha’ no “nosso pais”, para alem da dita “geracao X”, outras geracoes: nomeadamente a “geracao A” e a “geracao Y”. A “geracao A” e’ a que vem antes de tudo e de todos: e’ a “geracao dos possidentes” de tudo quanto e’ supostamente devido a 'parte' daqueles que podem reclamar-se de terem “estado em todas” e terem conseguido manter-se “ilesos” ate’ agora – alguns desde a(s) luta(s) de libertacao, dum ou doutro(s) lado(s), outros ha’ menos tempo, mas, em qualquer dos casos, todos politica, social e economicamente “intocaveis”, embora uns mais do que outros. Constituem, portanto, o establishment ou, se se preferir, a “situacao”.

Ja’ a “geracao Y” (que tambem pouco ou nada tem a ver com as definicoes convencionais dessa geracao) e’ um pouco mais “complexa(da?)”: apesar de, geralmente, social, profissional e economicamente “bem de vida”, no “nosso pais” ou fora dele, nao sera’ exactamente politicamente “intocavel”, mas o seu nucleo central cada vez mais comeca a dar mostras de pretender se-lo.

E, nao fazendo necessariamente parte funcional da “situacao” politica, faz certamente parte estrutural do establishment social e/ou cultural e parte dela fez durante muito tempo, ou ainda faz parte, ainda que marginalmente em alguns casos, do partido da “situacao” e sobrevive manifestamente gracas a “pactos de regime”, ou “de elites”, que lhes sao propiciados, tanto pela “situacao” do “nosso pais” (quanto mais nao seja porque fazem muita questao de se dizerem, ou fazerem, todos “primos” uns dos outros, ou membros dos mesmos “circulos restritos”, assim constituindo a famosa "grande familia"…), como, em alguns casos, pelos seus “parceiros estrangeiros”, o que lhes permite escapar ao estado de statelessness em que vive a minha “geracao R”, dentro ou fora do “nosso pais”.

Decididamente, esta “geracao Y” nao e’, nem nunca foi, “rejeitada” ou “excluida”, mesmo no caso de alguns dos seus membros que, tendo episodicamente sofrido a “mao pesada” do estado, a ela conseguiram sobreviver: e’ apenas aquela geracao que sempre teve e continua a ter tudo, excepto o poder politico (e parece nao olhar a meios para o obter...), ou seja, so’ lhe falta um escalao para atingir o status de “geracao Z”: o zenite a partir do qual destronara' triunfalmente a “geracao A” e co-optara', ou eclipsara', a actual “geracao X”, muito provavelmente substituindo-a pelos seus proprios filhos, nos casos em que estes ainda nao fazem parte dela…

Mas, enquanto la’ nao chegam, vao falando em nome dos “excluidos” e, enquanto de “barriga cheia” e "nariz empinado", muito self-righteously, vivem de punho erguido e dedo em riste contra tudo e todos que lhes parecam constituir uma ameaca aquele seu desiderato, ou que, simplesmente, nao lhes demonstrem “o devido respeito”... Atitude, alias, pela qual alguns deles sao sobejamente conhecidos desde os longinquos, famigerados e malfadados tempos de todos os “PRECs”, apenas evidenciando que indeed, old habits die hard and old dogs can’t learn new tricks! Mas, ainda assim, desejo-lhes a todos boa sorte nessa sua gloriosa escalada em direccao a “sua (exclusiva) situacao”...

No entanto, o que essas geracoes teem de comum entre si, e que as diferencia marcadamente da minha “geracao R”, e’ que todas elas vivem, ou viveram a maior parte das suas vidas, sob a sombra do estado (ou de um dos pelo menos dois "partidos-estado") do “nosso pais”, isto e’, nunca foram obrigados a ser stateless, nem fazem a minima ideia do que isso significa em termos vivenciais e filosoficos, salvo talvez alguns dos que, porventura, tenham vivido involuntariamente exilados no periodo colonial-fascista (ou, como num caso concreto que tenho em mente, o de MPA, infelizmente ja' nao entre nos, o viveu tanto naquele periodo como no pos-independencia).

Nao sao, portanto, capazes de perceber que haja gente por esse mundo fora, incluindo de origem Angolana que, no periodo pos-independencia, nunca contou, ou nao contou durante grande parte das suas vidas, com o estado (e, portanto, com o partido da "situacao") a que eles, salvo rarissimas excepcoes, devem praticamente tudo o que sao e teem em Angola e no mundo. E muito menos que gente da minha “geracao R”, como me, myself and I (que, apesar de “menor”, “insignificante” e “rejeitada”, se orgulha de nunca ter "lambido botas" de ninguem e muito menos de alguma vez ter “debicado” em pratos de quem quer que seja e de, quanto muito, ter visto “muito boa gente” debicar no seu prato e depois ingrata, descarada, arrogante e despudoradamete cuspir nele “de cima”…), possa “pensar pela sua propria cabeca” e ter a dignidade de expressar imparcialmente opinioes, ou posicionar-se politica e culturalmente, segundo logicas absolutamente nao partidarias ou estatais e que, quando fala em "democracia", “sociedade civil”, “direitos humanos” ou “cidadania”, e’ exactamente disso, e apenas disso, que esta’ a falar!

Pois enquanto tentam todos e, sobretudo, todas, se o quiserem e/ou puderem fazer, perceber isso, a minha “geracao R”, dentro ou fora do “nosso pais”, continuara’ a existir… excluida e rejeitada. Mas, pelo menos no que depender de me, myself and I, sem que nos constituamos necessariamente em “oposicao” politica formal, continuaremos a lutar pelo nosso direito a cidadania plena na terra que nos viu nascer, a nos e a todos os nossos ancestrais (!), e para a qual demos, dentro e fora dela, os nossos contributos, mais ou menos modestos, e nunca deixaremos de nos expressar livre e descomprometidamente sobre as praticas sociais e politicas de todas as “geracoes” e “elites” ou “nao elites”, “novas” ou “velhas”, por mais vetustas, fajutas, enfatuadas ou despidas e agressivas ou armadas que se nos apresentem, em particular quando se atrevam a por em causa, directa ou indirectamente, aberta ou veladamente, esse nosso direito inalienavel.

Portanto, de geracoes… creio estarmos falados!

[Echoed here]

Friday, 26 October 2007

IN A STATELESSNESS STATE OF MIND…




… OU “A FUGA, OU O INSONDAVEL MISTERIO DA NACIONALIDADE SURRIPIADA (Parte 2)”

Following the news of the election of Mr. Lumengo, originally an Angolan, to the Swiss Parliament in the political environment in which it took place, and in the context of some agitation among the Angolan Diaspora over the denial to us of the right to vote in the upcoming Angolan general elections, expected to take place next year, I found it appropriate to bring to your attention the attached paper about the 2003 UN Report on “Denial of Citizenship and Statelessness” from the European Policy Centre.

The first time I came across that report, I was working for an organisation in Africa where at the time I was being made acutely aware, by some whom I’d always seen and related to as ‘fellow compatriots’ or just as ‘fellow Africans’, that in their books I was not as much the “bona fide regional citizen” as I might, could, should and was generally taken for. Ask me why and I’ll see if I can bring myself up to explain… because there’s an explanation… I then circulated the report to those same people, hoping that at least it would bring them to some reflection on their words and actions. Ask me if it was to any avail and I’ll say: no.

Nothing, however, would’ve prepared me for the many different versions of that same hostile attitude I was going to meet in the blogosphere, or more precisely the “lusosphere”… As a matter of fact, it has been not just about some questioning your “bona fide” status as an Angolan citizen, it’s also about naming you a “insignificant non-entity” (stateless therefore…), an outcast “capable of acts of terrorism” and a pariah who “fled with her parents in 1975 for not being capable to withstand your country’s independence”… ask me if there’s any substantiation to these dehumanising insults, claims and accusations – specially when coming, as they do, from people who do not know you personally and whom you’ve never met or ever talked to before – and I’ll simply say: no.

Never mind that the people making them are the very ones who precisely did that (i.e. fled the country, with or without their parents in 1974/75 for, as the word had it at the time, not bearing the thought of “being ruled by blacks” and never went back…) or those who, not having exactly physically fled the country, have always been spiritually absent from it, longing for the land of their ancestors somewhere in Southern Europe, or inventing “lands of their own” by attempting to appropriate themselves, through the most outrageous cultural vulturism, of at least one of the Angolan/African ancestral cultures, while reaping all the privileges awarded to them by state patronage… Never mind if they are citizens of the very countries in Europe, like Mr. Lumengo’s Switzerland, which have political parties constantly calling for the expulsion of African immigrants.

Never mind if the only, or the best, way they find to deal with their own insecurities over their own identity, or lack thereof, is to deprive you of yours… Never mind if the only way they find to assert their “right” over your ancestors’ land, culture and memory is to deny you any claim over, belonging to or even thought about it… or, as they often do, by trying, by all means necessary, to tarnish your personal reputation, mainly by incessantly calling you “racist” for the simple reason that you dare to react against their unprovoked racial, sexual (even if only “virtual”…) attacks and just about every other abuse known to humanity, and by throwing all sorts of stones and dirt at the memory of your ancestors! Never mind if their silly idea of concealing their glaring, deeply rooted, incurable racism is to, vainly, try to transfer and input it on you...

Never mind if all this destructive nonsense happens to you when the country in question has been devastated by war and political violence since independence, is currently experiencing the highest GDP growth rates in the world and is taken by just about everybody as “under-populated” and “under-developed”, thus calling in people from all corners of the earth (apparently provided that it’s not the “likes of you”…) and stating that it’s in dire need of qualified people to assist in its development… Never mind if the very State you are denied any bond to in this appalling way - based in what is generally understood as political and ethnic reasons but are in fact attacks based in sheer ignorance, irresponsibility, incompetence, carelessness, treachery, xenophobia, irrationality, insensitivity, unscrupulousness, opportunism, hypocrisy, amorality, greed, callousness, bigotry, spite, racism and hatred - is the one to which you’ve devoted the very best of your life and talent and is the one ultimately responsible for your very state of statelessness!

This paper deals with the very root causes of “Denial of Citizenship and Statelessness”. I sincerely hope you’ll devote to it the very best of your attention.

Thanks in advance!



… OU “A FUGA, OU O INSONDAVEL MISTERIO DA NACIONALIDADE SURRIPIADA (Parte 2)”

Following the news of the election of Mr. Lumengo, originally an Angolan, to the Swiss Parliament in the political environment in which it took place, and in the context of some agitation among the Angolan Diaspora over the denial to us of the right to vote in the upcoming Angolan general elections, expected to take place next year, I found it appropriate to bring to your attention the attached paper about the 2003 UN Report on “Denial of Citizenship and Statelessness” from the European Policy Centre.

The first time I came across that report, I was working for an organisation in Africa where at the time I was being made acutely aware, by some whom I’d always seen and related to as ‘fellow compatriots’ or just as ‘fellow Africans’, that in their books I was not as much the “bona fide regional citizen” as I might, could, should and was generally taken for. Ask me why and I’ll see if I can bring myself up to explain… because there’s an explanation… I then circulated the report to those same people, hoping that at least it would bring them to some reflection on their words and actions. Ask me if it was to any avail and I’ll say: no.

Nothing, however, would’ve prepared me for the many different versions of that same hostile attitude I was going to meet in the blogosphere, or more precisely the “lusosphere”… As a matter of fact, it has been not just about some questioning your “bona fide” status as an Angolan citizen, it’s also about naming you a “insignificant non-entity” (stateless therefore…), an outcast “capable of acts of terrorism” and a pariah who “fled with her parents in 1975 for not being capable to withstand your country’s independence”… ask me if there’s any substantiation to these dehumanising insults, claims and accusations – specially when coming, as they do, from people who do not know you personally and whom you’ve never met or ever talked to before – and I’ll simply say: no.

Never mind that the people making them are the very ones who precisely did that (i.e. fled the country, with or without their parents in 1974/75 for, as the word had it at the time, not bearing the thought of “being ruled by blacks” and never went back…) or those who, not having exactly physically fled the country, have always been spiritually absent from it, longing for the land of their ancestors somewhere in Southern Europe, or inventing “lands of their own” by attempting to appropriate themselves, through the most outrageous cultural vulturism, of at least one of the Angolan/African ancestral cultures, while reaping all the privileges awarded to them by state patronage… Never mind if they are citizens of the very countries in Europe, like Mr. Lumengo’s Switzerland, which have political parties constantly calling for the expulsion of African immigrants.

Never mind if the only, or the best, way they find to deal with their own insecurities over their own identity, or lack thereof, is to deprive you of yours… Never mind if the only way they find to assert their “right” over your ancestors’ land, culture and memory is to deny you any claim over, belonging to or even thought about it… or, as they often do, by trying, by all means necessary, to tarnish your personal reputation, mainly by incessantly calling you “racist” for the simple reason that you dare to react against their unprovoked racial, sexual (even if only “virtual”…) attacks and just about every other abuse known to humanity, and by throwing all sorts of stones and dirt at the memory of your ancestors! Never mind if their silly idea of concealing their glaring, deeply rooted, incurable racism is to, vainly, try to transfer and input it on you...

Never mind if all this destructive nonsense happens to you when the country in question has been devastated by war and political violence since independence, is currently experiencing the highest GDP growth rates in the world and is taken by just about everybody as “under-populated” and “under-developed”, thus calling in people from all corners of the earth (apparently provided that it’s not the “likes of you”…) and stating that it’s in dire need of qualified people to assist in its development… Never mind if the very State you are denied any bond to in this appalling way - based in what is generally understood as political and ethnic reasons but are in fact attacks based in sheer ignorance, irresponsibility, incompetence, carelessness, treachery, xenophobia, irrationality, insensitivity, unscrupulousness, opportunism, hypocrisy, amorality, greed, callousness, bigotry, spite, racism and hatred - is the one to which you’ve devoted the very best of your life and talent and is the one ultimately responsible for your very state of statelessness!

This paper deals with the very root causes of “Denial of Citizenship and Statelessness”. I sincerely hope you’ll devote to it the very best of your attention.

Thanks in advance!