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Thursday, 2 December 2010

E POR FALAR EM CINEMA...




Numa altura em que o recem-criado Festival Internacional de Cinema (FIC) de Luanda se parece estar a sedimentar, veem-me a memoria os tempos (finais da decada de 70 e boa parte da de 80) em que Luanda se podia orgulhar de poder ver algum do melhor cinema do mundo.

Era-nos trazido pela Cinemateca la' da banda que regularmente apresentava ciclos de cinema (frances, alemao, espanhol, russo, italiano, enfim, um pouco de todo o mundo), com algumas sessoes precedidas ou seguidas de apresentacoes e discussao, sendo que alguns dos filmes tambem eram passados na TPA.

Pudemos assim tomar contacto com as tematicas, os realizadores e actores (nao que estes estivessem la’ fisicamente presentes, como agora parece ja’ vir acontecendo um pouco mais nesse tipo de eventos em Luanda...) que fizeram epoca, tanto na altura como em decadas passadas. Nomes como Bunuel, Wenders, Coppola, Polanski, Truffaut, Godard, entre muitos outros, enchiam-nos os olhos e as mentes de "outros mundos" e da vida “la’ fora” (... dois filmes que, por varias razoes, me marcaram particularmente naquela altura foram “Ana e as Suas Irmas”, de Woody Allen e “As Lagrimas Amargas de Petra Von Kant”, de Rainer Fassbinder).

Havia tambem regular e substantiva critica de cinema nas paginas do Vida e Cultura do “nosso Pravda” – claro que, em grande medida, era de teor ideologico, visando “guiar/condicionar” a “visao/opiniao” do espectador, mas a maravilha da setima arte e’ que a podemos ver sem qualquer “intermediacao” entre os nossos olhos e o screen, descontando a eventual censura previa, como e’ obvio...

E tudo se passava sem quaisquer fanfarras ou jamborees “inaugurais”... Talvez por isso, nunca vi nas sessoes daqueles ciclos de cinema certa(o)s “suma(o)s pontifices” que agora do FIC apenas nos dao conta da “vanity fair” que, a conta dele, protagonizam e que nada tem a ver com cinema...

O mesmo se poderia dizer, por exemplo, das “Makas a Quarta-Feira” na UEA naquela altura: eram abertas a tutti quanti, digo, a todo o mundo (eu so’ nao ia quando absolutamente impedida de o fazer, e isso muito antes de publicar o meu livro ou de fazer parte da UEA... e, ja' agora, isso sem qualquer relacao com um certo poeta errante, que tambem nunca me aconteceu ver na UEA...), mas nunca la’ vi tais “pontifices” (entre os quais se incluem neofitas vultas e intelectualoides a prova de bala e espinafre, kabungados, minions, epigonos e afins...). Por isso nunca a(o)s conheci! Por onde andariam? Nos “cavalos”? No lo creo, porque tanto os filmes como as makas eram a noite...

Anyway, este pretendia-se apenas um breve comentario a (des)proposito.



Mas, ja’ agora, sera’ de notar que tal como os habitos de leitura se devem criar desde cedo para se manterem e desenvolverem naturalmente ao longo da vida, o mesmo se passa com o (bom) cinema e, ja’ agora, com a (boa) musica.

No entanto, ficando-me apenas pelo cinema, levei o habito para Lisboa, onde, sempre que podia, ia ver pelo menos um filme por semana e fui tambem, ocasionalmente, a alguns ciclos de cinema especialisados. E isto lembra-me da forma como algumas pessoas (por sinal nao negras) minhas amigas viram “A Cor Purpura” do Spielberg (com base na obra de Alice Walker e onde se destacaram Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey): uma, que ja’ o tinha visto, aconselhou-me a levar “muitos lencos de papel” porque me “ia fartar de chorar”; outro, anos mais tarde, tentando “adivinhar” qual o filme que mais me tinha marcado/emocionado na vida, saiu-se “perfeitamente seguro” com esta: “A Cor Purpura”!


Bom, lamentei ter que desiludi-los porque, embora "A Cor Purpura" me tenha certamente emocionado e marcado bastante, o filme que realmente me fez chorar “baba e ranho” (... e me apanhou sem lencos de papel...) foi um filme relativamente obscuro que vi num dos ciclos de cinema de Lisboa, sobre a vida da escultora francesa Camille Claudel, irma do poeta Paul Claudel, e o seu relacionamento com o igualmente escultor (mas considerado um “monstro sagrado” relativamente a ela, que dir-se-ia passar, na mente de alguns, como uma “pobre e insignificante criatura rejeitada”) August Rodin ...

Porque?... Vejam-se os processos de negacao, supressao e apagamento a que aqui me referi...

Soube mais tarde que Isabelle Adjani (nomeada, tal como Whoopi Goldberg pelo seu papel em "A Cor Purpura", para o Oscar de Melhor Actriz e premiada com varios outros premios internacionais de cinema por aquele papel) ficou de tal modo afectada pela encarnacao e representacao da personagem de Camille, que teve que ser submetida a tratamento psicoterapico...

E um dos efeitos colaterais que esses dois filmes me deixaram foi que, durante muito tempo, por "mais bonzinho", ou "melhor", que fosse o papel que visse o Gerard Depardieu ou o Danny Glover desempenhar, eu pura e simplesmente nao os conseguia "chupar", mas... ja' passou.

E' assim (tambem) no (bom) cinema.





Numa altura em que o recem-criado Festival Internacional de Cinema (FIC) de Luanda se parece estar a sedimentar, veem-me a memoria os tempos (finais da decada de 70 e boa parte da de 80) em que Luanda se podia orgulhar de poder ver algum do melhor cinema do mundo.

Era-nos trazido pela Cinemateca la' da banda que regularmente apresentava ciclos de cinema (frances, alemao, espanhol, russo, italiano, enfim, um pouco de todo o mundo), com algumas sessoes precedidas ou seguidas de apresentacoes e discussao, sendo que alguns dos filmes tambem eram passados na TPA.

Pudemos assim tomar contacto com as tematicas, os realizadores e actores (nao que estes estivessem la’ fisicamente presentes, como agora parece ja’ vir acontecendo um pouco mais nesse tipo de eventos em Luanda...) que fizeram epoca, tanto na altura como em decadas passadas. Nomes como Bunuel, Wenders, Coppola, Polanski, Truffaut, Godard, entre muitos outros, enchiam-nos os olhos e as mentes de "outros mundos" e da vida “la’ fora” (... dois filmes que, por varias razoes, me marcaram particularmente naquela altura foram “Ana e as Suas Irmas”, de Woody Allen e “As Lagrimas Amargas de Petra Von Kant”, de Rainer Fassbinder).

Havia tambem regular e substantiva critica de cinema nas paginas do Vida e Cultura do “nosso Pravda” – claro que, em grande medida, era de teor ideologico, visando “guiar/condicionar” a “visao/opiniao” do espectador, mas a maravilha da setima arte e’ que a podemos ver sem qualquer “intermediacao” entre os nossos olhos e o screen, descontando a eventual censura previa, como e’ obvio...

E tudo se passava sem quaisquer fanfarras ou jamborees “inaugurais”... Talvez por isso, nunca vi nas sessoes daqueles ciclos de cinema certa(o)s “suma(o)s pontifices” que agora do FIC apenas nos dao conta da “vanity fair” que, a conta dele, protagonizam e que nada tem a ver com cinema...

O mesmo se poderia dizer, por exemplo, das “Makas a Quarta-Feira” na UEA naquela altura: eram abertas a tutti quanti, digo, a todo o mundo (eu so’ nao ia quando absolutamente impedida de o fazer, e isso muito antes de publicar o meu livro ou de fazer parte da UEA... e, ja' agora, isso sem qualquer relacao com um certo poeta errante, que tambem nunca me aconteceu ver na UEA...), mas nunca la’ vi tais “pontifices” (entre os quais se incluem neofitas vultas e intelectualoides a prova de bala e espinafre, kabungados, minions, epigonos e afins...). Por isso nunca a(o)s conheci! Por onde andariam? Nos “cavalos”? No lo creo, porque tanto os filmes como as makas eram a noite...

Anyway, este pretendia-se apenas um breve comentario a (des)proposito.



Mas, ja’ agora, sera’ de notar que tal como os habitos de leitura se devem criar desde cedo para se manterem e desenvolverem naturalmente ao longo da vida, o mesmo se passa com o (bom) cinema e, ja’ agora, com a (boa) musica.

No entanto, ficando-me apenas pelo cinema, levei o habito para Lisboa, onde, sempre que podia, ia ver pelo menos um filme por semana e fui tambem, ocasionalmente, a alguns ciclos de cinema especialisados. E isto lembra-me da forma como algumas pessoas (por sinal nao negras) minhas amigas viram “A Cor Purpura” do Spielberg (com base na obra de Alice Walker e onde se destacaram Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey): uma, que ja’ o tinha visto, aconselhou-me a levar “muitos lencos de papel” porque me “ia fartar de chorar”; outro, anos mais tarde, tentando “adivinhar” qual o filme que mais me tinha marcado/emocionado na vida, saiu-se “perfeitamente seguro” com esta: “A Cor Purpura”!


Bom, lamentei ter que desiludi-los porque, embora "A Cor Purpura" me tenha certamente emocionado e marcado bastante, o filme que realmente me fez chorar “baba e ranho” (... e me apanhou sem lencos de papel...) foi um filme relativamente obscuro que vi num dos ciclos de cinema de Lisboa, sobre a vida da escultora francesa Camille Claudel, irma do poeta Paul Claudel, e o seu relacionamento com o igualmente escultor (mas considerado um “monstro sagrado” relativamente a ela, que dir-se-ia passar, na mente de alguns, como uma “pobre e insignificante criatura rejeitada”) August Rodin ...

Porque?... Vejam-se os processos de negacao, supressao e apagamento a que aqui me referi...

Soube mais tarde que Isabelle Adjani (nomeada, tal como Whoopi Goldberg pelo seu papel em "A Cor Purpura", para o Oscar de Melhor Actriz e premiada com varios outros premios internacionais de cinema por aquele papel) ficou de tal modo afectada pela encarnacao e representacao da personagem de Camille, que teve que ser submetida a tratamento psicoterapico...

E um dos efeitos colaterais que esses dois filmes me deixaram foi que, durante muito tempo, por "mais bonzinho", ou "melhor", que fosse o papel que visse o Gerard Depardieu ou o Danny Glover desempenhar, eu pura e simplesmente nao os conseguia "chupar", mas... ja' passou.

E' assim (tambem) no (bom) cinema.


Saturday, 6 March 2010

Contract: Portugal's Exploitative Labor Practices in Africa


The 2010 Pan African Film Festival (PAFF) in Los Angeles featured the
world premier of Contract by Cape Verdean filmmaker Guenny K. Pires.
Contract is a documentary film that tells the story of thousands of
Cape Verdean contract workers who traveled to the Portuguese colony of
Sao Tome and Principe to work in the 19th and 20th Centuries. Cape
Verdeans, and workers from Portugal's other African colonies, were
forced or coerced into contracts obligating them to work on coffee and
cacao plantations on the islands of Sao Tome and Principe. After
decades of brutally hard labor, contract workers were often forced to
stay in Sao Tome and Principe, unable to secure passage home.

Many of the Cape Verdean contract workers featured in the film still
hold on to memories of home. Filmmaker Guenny Pires blends the stories
of Cape Verdean families affected by the contract labor system with
interviews with experts to tell this little known chapter in Africa's
history. The Cape Verdeans interviewed, including Pires' own uncle,
share that after decades in Sao Tome and Principe, many have
maintained their spiritual ties to their home. After marriages,
children, and new lives established in Sao Tome and Principe, many of
the Cape Verdean contract workers shown in the film expressed a strong
desire to return home.

At the heart of Contract is the family story of the filmmaker himself.
The film documents his journey to reunite his family after his uncle
left for Sao Tome and Principe decades earlier. The emotional journey
of Guenny Pires' family was the most salient aspect of the film. Pires
re-tells his uncle's departure for Sao Tome and Principe and the
eventual loss of contact between his uncle and his family. Pires'
speaks with various relatives and narrates the impact losing his uncle
had on the family. This deeply emotional journal to reunite the family
is one of the film's strengths.


Other aspects of the film are at times disjointed and difficult to
follow. The film often jumps from personal story to historical
documentary without warning. In addition, some of the experts
interviewed for the film gave information that was culturally
inaccurate and factually unclear. Portugal's colonial policies in
Africa have been researched by several scholars, scholars who could
have provided the insight needed to put the film in proper context.*

The film will likely inspire viewers to want to learn more about
Portugal's policy of bringing workers from its other African colonies
to Sao Tome and Principe. Portugal, one of the last European countries
to leave Africa did so in 1975, with no regard for the thousands of
workers stranded in Sao Tome and Principe. The film provided a great
opportunity to clearly outline the experiences of Cape Verdeans and
other Lusophone Africans in Sao Tome and Principe, but fell a bit
short of this.

This is one of Guenny Pires' first films and his passion for the fate
and lives of the Cape Verdeans in Sao Tome and Principe is clear. The
story of Pires' family is compelling and emotional. While Contract was
premiered at PAFF, Pires says that the film is a work in progress. The
film, even with issues of clarity and continuity, is one of the only
documentaries to deal with the exploitative experiences of contract
workers in Sao Tome and Principe.

[By Msia Kibona Clark @ AllAfrica.com]


*Reference to related work by one such scholar can be found here.


The 2010 Pan African Film Festival (PAFF) in Los Angeles featured the
world premier of Contract by Cape Verdean filmmaker Guenny K. Pires.
Contract is a documentary film that tells the story of thousands of
Cape Verdean contract workers who traveled to the Portuguese colony of
Sao Tome and Principe to work in the 19th and 20th Centuries. Cape
Verdeans, and workers from Portugal's other African colonies, were
forced or coerced into contracts obligating them to work on coffee and
cacao plantations on the islands of Sao Tome and Principe. After
decades of brutally hard labor, contract workers were often forced to
stay in Sao Tome and Principe, unable to secure passage home.

Many of the Cape Verdean contract workers featured in the film still
hold on to memories of home. Filmmaker Guenny Pires blends the stories
of Cape Verdean families affected by the contract labor system with
interviews with experts to tell this little known chapter in Africa's
history. The Cape Verdeans interviewed, including Pires' own uncle,
share that after decades in Sao Tome and Principe, many have
maintained their spiritual ties to their home. After marriages,
children, and new lives established in Sao Tome and Principe, many of
the Cape Verdean contract workers shown in the film expressed a strong
desire to return home.

At the heart of Contract is the family story of the filmmaker himself.
The film documents his journey to reunite his family after his uncle
left for Sao Tome and Principe decades earlier. The emotional journey
of Guenny Pires' family was the most salient aspect of the film. Pires
re-tells his uncle's departure for Sao Tome and Principe and the
eventual loss of contact between his uncle and his family. Pires'
speaks with various relatives and narrates the impact losing his uncle
had on the family. This deeply emotional journal to reunite the family
is one of the film's strengths.


Other aspects of the film are at times disjointed and difficult to
follow. The film often jumps from personal story to historical
documentary without warning. In addition, some of the experts
interviewed for the film gave information that was culturally
inaccurate and factually unclear. Portugal's colonial policies in
Africa have been researched by several scholars, scholars who could
have provided the insight needed to put the film in proper context.*

The film will likely inspire viewers to want to learn more about
Portugal's policy of bringing workers from its other African colonies
to Sao Tome and Principe. Portugal, one of the last European countries
to leave Africa did so in 1975, with no regard for the thousands of
workers stranded in Sao Tome and Principe. The film provided a great
opportunity to clearly outline the experiences of Cape Verdeans and
other Lusophone Africans in Sao Tome and Principe, but fell a bit
short of this.

This is one of Guenny Pires' first films and his passion for the fate
and lives of the Cape Verdeans in Sao Tome and Principe is clear. The
story of Pires' family is compelling and emotional. While Contract was
premiered at PAFF, Pires says that the film is a work in progress. The
film, even with issues of clarity and continuity, is one of the only
documentaries to deal with the exploitative experiences of contract
workers in Sao Tome and Principe.

[By Msia Kibona Clark @ AllAfrica.com]


*Reference to related work by one such scholar can be found here.

Wednesday, 8 October 2008

WALTER SALLES ON BRAZIL, LIFE & LINHA DE PASSE

Did you know that at least 30% of Brazilian families are fatherless?
I didn’t until I heard it from Walter Salles yesterday, on a ‘Hardtalk’ interview he gave about Brazil, film, life and Linha de Passe.

You can access it here.

Did you know that at least 30% of Brazilian families are fatherless?
I didn’t until I heard it from Walter Salles yesterday, on a ‘Hardtalk’ interview he gave about Brazil, film, life and Linha de Passe.

You can access it here.

Monday, 22 September 2008

'LINHA DE PASSE'


Ontem voltamos ao Odeon de Camden para ver esse filme brasileiro que se estreou aqui em Londres este fim de semana. Ja’ la’ nao ia, ou a qualquer outra sala de cinema, desde “The Last King of Scotland”. Mas, ao contrario daquela vez, nao foi necessario comprar os bilhetes com muita antecedencia e os espectadores presentes nao terao ocupado mais do que 1% da capacidade da sala.
Cada vez tenho menos paciencia para a boa meia hora, ou mais, de publicidade e ‘trailers’ antes do inicio do filme propriamente dito, mas ocupamo-la com ‘small talk’ sobre a tempestade que vai pela economia em geral e pelos mercados financeiros em particular, local e globalmente. Nao, o membro da tribo que trabalha na City de Londres, num dos maiores bancos britanicos (ainda) nao perdeu o emprego, apesar dos milhares de despedimentos que se teem verificado nas ultimas semanas no sector bancario e um pouco por toda a economia deste pais. Parece que o sistema financeiro global ainda esta’ a balancar no ‘fio da navalha’, ou na ‘linha de passe’, entre a profunda recessao e aquela coisa que os economistas bem avisados evitam pronunciar, pelo menos publicamente, porque parece ter o dom de se revelar uma ‘self-fulfilling prophecy’: a pura Depressao.
A este proposito, lembro-me que quando a crise se comecou a acentuar no ano passado, lutei aqui com o dilema de falar em “fears of a recession” ou “of a depression”, acabando por optar pela segunda por me parecer retratar melhor a realidade (sendo que na altura a maior parte dos observadores e analistas economicos hesitavam sequer falar em "recessao"). E, desde entao, a economia mundial nao tem feito outra coisa senao passar a linha entre a recessao e a depressao, que apenas nao se revela (ainda) tao profunda quanto a dos anos 30 devido ao desenvolvimento, entretanto, de mecanismos mais sofisticados de ‘salvamento’ dos sistemas financeiros e a actual globalizacao da economia, que permite, por exemplo, que investidores do Japao e do UK se aprestem rapidamente a adquirir partes do Lehman Brothers, que o FED Americano no seu papel actual de 'salva-vidas' nao pode impedir que se afundasse, entre tantos outros naufragos a atender com uma 'boia de salvacao' que avalia em cerca de USD 700 bi que parece nao saber ainda muito bem onde ir buscar... Economia global essa, onde neste momento apenas os maiores exportadores liquidos de petroleo, Angola incluida, parecem andar em bons espiritos...

Mas, entretanto, o filme comecou e... nao acabou. E’, o filme nao teve fim, nao teve ‘the end’, nao teve ‘closure’ dos varios dramas sobre os quais se deteve. Ou melhor, teve-o, mas apenas implicitamente. O que talvez o tenha tornado mais interessante, mas tambem menos satisfatorio, pelo menos do meu ponto de vista, ou apenas da minha francamente ma’ disposicao de ontem (de facto, no regresso a casa acabei por ter que admitir que talvez me esteja a tornar rapidamente uma ‘grumpy old lady’...).
Enfim, pareceu-me mais um longo episodio de telenovela do que um filme propriamente dito, com varios ‘sketches’ a volta do quotidiano de uma familia composta por mae solteira, gravida de crianca de ‘pai desconhecido’, e seus quatro filhos de pais diferentes, nos arredores de Sao Paulo. Em linhas gerais, eu diria que e’ um filme sobre a ‘linha de passagem’ entre a pobreza absoluta e a relativa, entre a necessidade e a moralidade, entre a normalidade e a marginalidade, entre o sagrado e o profano e entre os sonhos possiveis e a realidade impossivel, com o futebol e as suas linhas de passe como ‘campo de fundo’. E sem ‘soundtrack’ (ou eu e’ que nao me dei conta dele?), o que tambem o torna interessante, mas tao cinzento quanto julgo ser Sao Paulo.
E mais nao digo, para nao estragar o apetite a quem ainda nao o viu e o queira ver. Apenas que e’ realizado por Walter Salles (“Estacao Central” e “Motorcycle Diaries”) e que a sua principal protagonista, Sandra Corveloni, ganhou pelo seu papel neste filme o premio de Melhor Actriz Feminina do ultimo festival de Cannes.

Ontem voltamos ao Odeon de Camden para ver esse filme brasileiro que se estreou aqui em Londres este fim de semana. Ja’ la’ nao ia, ou a qualquer outra sala de cinema, desde “
The Last King of Scotland”. Mas, ao contrario daquela vez, nao foi necessario comprar os bilhetes com muita antecedencia e os espectadores presentes nao terao ocupado mais do que 1% da capacidade da sala.
Cada vez tenho menos paciencia para a boa meia hora, ou mais, de publicidade e ‘trailers’ antes do inicio do filme propriamente dito, mas ocupamo-la com ‘small talk’ sobre a tempestade que vai pela economia em geral e pelos mercados financeiros em particular, local e globalmente. Nao, o membro da tribo que trabalha na City de Londres, num dos maiores bancos britanicos (ainda) nao perdeu o emprego, apesar dos milhares de despedimentos que se teem verificado nas ultimas semanas no sector bancario e um pouco por toda a economia deste pais. Parece que o sistema financeiro global ainda esta’ a balancar no ‘fio da navalha’, ou na ‘linha de passe’, entre a profunda recessao e aquela coisa que os economistas bem avisados evitam pronunciar, pelo menos publicamente, porque parece ter o dom de se revelar uma ‘self-fulfilling prophecy’: a pura Depressao.
A este proposito, lembro-me que quando a crise se comecou a acentuar no ano passado, lutei aqui com o dilema de falar em “fears of a recession” ou “of a depression”, acabando por optar pela segunda por me parecer retratar melhor a realidade (sendo que na altura a maior parte dos observadores e analistas economicos hesitavam sequer falar em "recessao"). E, desde entao, a economia mundial nao tem feito outra coisa senao passar a linha entre a recessao e a depressao, que apenas nao se revela (ainda) tao profunda quanto a dos anos 30 devido ao desenvolvimento, entretanto, de mecanismos mais sofisticados de ‘salvamento’ dos sistemas financeiros e a actual globalizacao da economia, que permite, por exemplo, que investidores do Japao e do UK se aprestem rapidamente a adquirir partes do Lehman Brothers, que o FED Americano no seu papel actual de 'salva-vidas' nao pode impedir que se afundasse, entre tantos outros naufragos a atender com uma 'boia de salvacao' que avalia em cerca de USD 700 bi que parece nao saber ainda muito bem onde ir buscar... Economia global essa, onde neste momento apenas os maiores exportadores liquidos de petroleo, Angola incluida, parecem andar em bons espiritos...

Mas, entretanto, o filme comecou e... nao acabou. E’, o filme nao teve fim, nao teve ‘the end’, nao teve ‘closure’ dos varios dramas sobre os quais se deteve. Ou melhor, teve-o, mas apenas implicitamente. O que talvez o tenha tornado mais interessante, mas tambem menos satisfatorio, pelo menos do meu ponto de vista, ou apenas da minha francamente ma’ disposicao de ontem (de facto, no regresso a casa acabei por ter que admitir que talvez me esteja a tornar rapidamente uma ‘grumpy old lady’...).
Enfim, pareceu-me mais um longo episodio de telenovela do que um filme propriamente dito, com varios ‘sketches’ a volta do quotidiano de uma familia composta por mae solteira, gravida de crianca de ‘pai desconhecido’, e seus quatro filhos de pais diferentes, nos arredores de Sao Paulo. Em linhas gerais, eu diria que e’ um filme sobre a ‘linha de passagem’ entre a pobreza absoluta e a relativa, entre a necessidade e a moralidade, entre a normalidade e a marginalidade, entre o sagrado e o profano e entre os sonhos possiveis e a realidade impossivel, com o futebol e as suas linhas de passe como ‘campo de fundo’. E sem ‘soundtrack’ (ou eu e’ que nao me dei conta dele?), o que tambem o torna interessante, mas tao cinzento quanto julgo ser Sao Paulo.
E mais nao digo, para nao estragar o apetite a quem ainda nao o viu e o queira ver. Apenas que e’ realizado por Walter Salles (“Estacao Central” e “Motorcycle Diaries”) e que a sua principal protagonista, Sandra Corveloni, ganhou pelo seu papel neste filme o premio de Melhor Actriz Feminina do ultimo festival de Cannes.

Tuesday, 12 August 2008

ISAAC HAYES (R.I.P.)




Humanity got poorer


Soulsville - Isaac Hayes

[BIO AND OBITUARY]




Humanity got poorer


Soulsville - Isaac Hayes

[BIO AND OBITUARY]

Friday, 18 July 2008

ESCAPE FROM LUANDA


Once again, my good friend and ubber blogger Bill wakes me up for some great stuff I’ve been missing.
This time it's a documentary film about the musical passion and ambitions of a group of students of the Music School of Luanda, the capital of Angola.
Here are the links he sent to me and that I strongly encourage everybody to check:


Once again, my good friend and ubber blogger Bill wakes me up for some great stuff I’ve been missing.
This time it's a documentary film about the musical passion and ambitions of a group of students of the Music School of Luanda, the capital of Angola.
Here are the links he sent to me and that I strongly encourage everybody to check:

Monday, 24 March 2008

THE NO.1 LADIES' DETECTIVE AGENCY

… Over and done with. Watched the movie yesterday on TV, liked it, but it didn’t make me relieve the mystery and excitement of reading the book while living around the places where Mma Ramotswe unveiled the cases that came to her.
Well, Anthony Minghella himself said something to the effect that “a good book always survives its adaptation, however good the latter may be”…
But, by all means, do watch it if it comes your way and make your own judgment. The late film director and the all set of actors surely deserve it.
… Over and done with. Watched the movie yesterday on TV, liked it, but it didn’t make me relieve the mystery and excitement of reading the book while living around the places where Mma Ramotswe unveiled the cases that came to her.
Well, Anthony Minghella himself said something to the effect that “a good book always survives its adaptation, however good the latter may be”…
But, by all means, do watch it if it comes your way and make your own judgment. The late film director and the all set of actors surely deserve it.

Tuesday, 18 March 2008

ANTHONY MINGHELLA (R.I.P.)

A mere couple of days ago, I reported here how I was gobsmacked by finding out all about "The Nr 1 Ladies’ Detective Agency" being put on screen by Oscar-winning director Anthony Minghella.

That included seeing him that day on TV, in an interview recorded while he was still filming in Botswana, defending his movie and Alexander McCall Smith's book and explaining why in his view it should not be considered "patronising".

Today, the first news I got was that he died, aged only 54, in the aftermath of a surgical procedure he underwent a few days ago.

Just like that.

Now his film about Mma Ramotswe will go down in history as his last oeuvre. And I suspect I will always think of it as spooky.
A mere couple of days ago, I reported here how I was gobsmacked by finding out all about "The Nr 1 Ladies’ Detective Agency" being put on screen by Oscar-winning director Anthony Minghella.

That included seeing him that day on TV, in an interview recorded while he was still filming in Botswana, defending his movie and Alexander McCall Smith's book and explaining why in his view it should not be considered "patronising".

Today, the first news I got was that he died, aged only 54, in the aftermath of a surgical procedure he underwent a few days ago.

Just like that.

Now his film about Mma Ramotswe will go down in history as his last oeuvre. And I suspect I will always think of it as spooky.

Sunday, 16 March 2008

MMA RAMOTSWE ON SCREEN!

It came as a shock to get to know about it all at once yesterday: not only that there was the idea for a movie based on The No. 1 Ladies’ Detective Agency, but also that the movie is already done, ready and out, and that it is directed by Anthony Minghella, and… that it stars Jill Scott! But there is more: the film is already getting a hard time from critics calling it “patronising”… And all this I got to know only yesterday!
My, where have I been in the last few months? Well, not in Botswana, that’s for sure.

Anyway, of course I can only reserve any personal opinion on the movie for after I’ve seen it (it will be on BBC on March 24). What I cannot avoid to point out now are these two things: this exchange where I expressed my view on the book, and this comment where I mention how much Jill Scott’s “Beautifully Human” and, specially,
“Golden”, marked my wonderings on the roads of Botswana… Now, how did it happen that it's exactly Jill Scott that ends up playing Mma Ramotswe, that beautifully human woman? I’m really gobsmacked!

Ah, before I forget: just found out that Mma Ramotswe also has a blog!


Related Posts:

The No. 1 Ladies' Detective Agency

Anthony Minghella (R.I.P.)
It came as a shock to get to know about it all at once yesterday: not only that there was the idea for a movie based on The No. 1 Ladies’ Detective Agency, but also that the movie is already done, ready and out, and that it is directed by Anthony Minghella, and… that it stars Jill Scott! But there is more: the film is already getting a hard time from critics calling it “patronising”… And all this I got to know only yesterday!
My, where have I been in the last few months? Well, not in Botswana, that’s for sure.

Anyway, of course I can only reserve any personal opinion on the movie for after I’ve seen it (it will be on BBC on March 24). What I cannot avoid to point out now are these two things: this exchange where I expressed my view on the book, and this comment where I mention how much Jill Scott’s “Beautifully Human” and, specially,
“Golden”, marked my wonderings on the roads of Botswana… Now, how did it happen that it's exactly Jill Scott that ends up playing Mma Ramotswe, that beautifully human woman? I’m really gobsmacked!

Ah, before I forget: just found out that Mma Ramotswe also has a blog!


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Friday, 23 November 2007

AFRICAN DIASPORA FILM FESTIVAL IN NEW YORK

The program for the 15th Annual African Diaspora Film Festival, which will take place in New York on November 23-December 9, 2007, has a special "Portugal and Africa Program," which includes old and new films about Lusophone African topics. The program lists many other interesting films, including some from Brazil.


_Cape Verde, My Love_ (2007, NY premiere), fiction - A film that takes a critical look at the lives of women in Cape Verde. Ana Ramos Lisboa, the director, will also participate on panels on Dec. 7 and 8..

_Escape from Luanda_ (2007, US premiere), documentary - profiles three students at the Music School in Luanda, culminating with their end of year concert.

_Nelio's Story_ (1997), fiction - the story of an orphan boy whose magical powers make him the leader of homeless boys in Maputo, based on Henning Mankell story.

_A River / Um Rio_ (2005, US premiere), fiction - based on a Mia Couto novel, about members of an extended family who gather to bury their patriarch, each person representing different aspects of recent Mozambican history.

_Tatana_ (2005), short fiction (12 minutes) - a grandmother appears after her death to help her grandson accept fate and death.

_Skin / Pele_ (2005, US premiere), fiction - set in 1970s Lisbon, about a mixed race young woman sorting out her identity.

For further information about venues and dates, as well as longer summaries of the film stories, see
http://www.nyadff.org/.


(By Kathleen Sheldon - H-Net)
The program for the 15th Annual African Diaspora Film Festival, which will take place in New York on November 23-December 9, 2007, has a special "Portugal and Africa Program," which includes old and new films about Lusophone African topics. The program lists many other interesting films, including some from Brazil.


_Cape Verde, My Love_ (2007, NY premiere), fiction - A film that takes a critical look at the lives of women in Cape Verde. Ana Ramos Lisboa, the director, will also participate on panels on Dec. 7 and 8..

_Escape from Luanda_ (2007, US premiere), documentary - profiles three students at the Music School in Luanda, culminating with their end of year concert.

_Nelio's Story_ (1997), fiction - the story of an orphan boy whose magical powers make him the leader of homeless boys in Maputo, based on Henning Mankell story.

_A River / Um Rio_ (2005, US premiere), fiction - based on a Mia Couto novel, about members of an extended family who gather to bury their patriarch, each person representing different aspects of recent Mozambican history.

_Tatana_ (2005), short fiction (12 minutes) - a grandmother appears after her death to help her grandson accept fate and death.

_Skin / Pele_ (2005, US premiere), fiction - set in 1970s Lisbon, about a mixed race young woman sorting out her identity.

For further information about venues and dates, as well as longer summaries of the film stories, see
http://www.nyadff.org/.


(By Kathleen Sheldon - H-Net)

Monday, 11 June 2007

AGORA LUANDA

Chega-me noticia de que o livro Agora Luanda, com fotografias de Ines Goncalves e Kiluanje Liberdade e textos de Jose Eduardo Agualusa e Delfim Sardo, recentemente publicado pela editora portuguesa Almedina, serviu de base a um documentario entitulado “Mae Ju” e a uma exposicao fotografica nas instalacoes do Centro Cutural Portugues de Luanda.



“Hoje, misturam-se pelas ruas de Luanda o umbundo oblongo dos ovimbundos. O lingala (língua que nasceu para ser cantada) e o francês arranhado dos regrês. O português afinado dos burgueses. O surdo português dos portugueses. O raro quimbundo das derradeiras bessanganas. A isso junte-se, com os novos tempos, uma pitada do mandarim elíptico dos chineses, um cheiro a especiarias do árabe solar dos libaneses; e ainda alguns vocábulos em hebreu ressuscitado, (...), colhidos sem pressa nas manhãs de domingo, em alguns dos mais sofisticados bares da Ilha. Mais o inglês, em tons sortidos, de ingleses, americanos e sul-africanos. O português feliz dos brasileiros. O espanhol encantado de um outro cubano que ficou para trás. E toda esta gente movendo-se pelos passeios, acotovelando-se nas esquinas, numa espécie de jogo universal da cabra-cega. Moços líricos. Moças tísicas. Empresas de esperança privada”, escreve Jose Eduardo Agualusa neste livro.

Chega-me noticia de que o livro Agora Luanda, com fotografias de Ines Goncalves e Kiluanje Liberdade e textos de Jose Eduardo Agualusa e Delfim Sardo, recentemente publicado pela editora portuguesa Almedina, serviu de base a um documentario entitulado “Mae Ju” e a uma exposicao fotografica nas instalacoes do Centro Cutural Portugues de Luanda.



“Hoje, misturam-se pelas ruas de Luanda o umbundo oblongo dos ovimbundos. O lingala (língua que nasceu para ser cantada) e o francês arranhado dos regrês. O português afinado dos burgueses. O surdo português dos portugueses. O raro quimbundo das derradeiras bessanganas. A isso junte-se, com os novos tempos, uma pitada do mandarim elíptico dos chineses, um cheiro a especiarias do árabe solar dos libaneses; e ainda alguns vocábulos em hebreu ressuscitado, (...), colhidos sem pressa nas manhãs de domingo, em alguns dos mais sofisticados bares da Ilha. Mais o inglês, em tons sortidos, de ingleses, americanos e sul-africanos. O português feliz dos brasileiros. O espanhol encantado de um outro cubano que ficou para trás. E toda esta gente movendo-se pelos passeios, acotovelando-se nas esquinas, numa espécie de jogo universal da cabra-cega. Moços líricos. Moças tísicas. Empresas de esperança privada”, escreve Jose Eduardo Agualusa neste livro.

Friday, 20 April 2007

JEAN-MICHEL BASQUIAT, OR… THOSE “SIX DEGREES OF SEPARATION”

“Every line means something”


There is that fine line between reality and fiction, truth and untruth, face and mask, genuine and fake, real and imagined which we all claim to know… and it seems to me that nowhere in life that line is more blurred than in art… fortunately, or unfortunately. In fact, there’s those ‘six degrees of separation’ which some claim to have we all in the planet at a short distance from each other through a chain of interconnections, but in reality always seem to keep us apart… as if at such a short distance we could all claim to ‘know’ each other, but never quite so… or maybe not! Whatever the case, I always think of these things when I think about Jean-Michel Basquiat. And, when I think about Basquiat, I always think of the strange, often devious, ways in which issues of identity, authenticity and the like are resolved, or unresolved, in (or through) art and in life in general…

“I cross out words so you will see them more – the fact that they are obscured makes you want to read them”
"The History of Black People"
In the words of Robert Knafo, one of his biographers, “In his short life (1960-1988), Jean-Michel Basquiat came to personify the art scene of the 80s, with its merging of youth culture, money, hype, excess, and self-destruction. And then there was the work, which the public image tended to overshadow: paintings and drawings that conjured up marginal urban black culture and black history, as well as the artist's own conflicted sense of identity. He was, all at once it seemed, the ultimate party animal, a wannabe street kid and graffitist hiding his black Brooklyn middle class roots, an advocate and interpreter of the marginal and dispossessed at the court of the mainstream, an angry black aspirant to the all-white art canon, a precocious talent, a creature of cynical marketing and a fraud, a proto-multiculturalist, an American original.”


Indeed, in his angry aspiration to that "all-white art canon” he met Andy Warhol, the ring-master of the so called 'Neo-Expressionist movement' and of clever, cynical marketing fakery - some, certainly Knafo, would call it fraud - to whom in their first encounter he sold a postcard for one dollar, and went on to date Madonna while keeping his “real life” heroes Malcolm X, Jimi Hendrix and Charlie Parker close to heart until he died of a drugs overdose aged 28. Born of a Haitian father and a Puerto-Rican mother, his art is perhaps the best, albeit most disturbing, expression of a misplaced Black/African identity in spite of Knafo's claim of him being “an American original”… or maybe not… or maybe yes... because that’s what makes for “American originality”: misplaced identities, isn't it? Anyway, I’m not an art critic and after all here’s what he thought of them: “I don’t think about art when I’m working. I try to think about life… I don’t listen to what art critics say. I don’t know anybody who needs a critic to find out what art is.”

I also always think of Basquiat when I think of that movie, made out of a stage play, “Six Degrees of Separation” (1993), featuring Will Smith (in what I think is his best role ever!), Donald Sutherland and (Sir) Ian McKellen among other fine actors such as Stockard Channing, who was nominated for a Golden Globe and an Oscar for her role in it. Why? I haven’t got the faintest idea! Having seen it twice, I don’t recall anything in it relating to Basquiat… but maybe he was just away from the plot by six degrees... because Paul (Smith) - while presenting himself as "the son" of Sidney Poitier (something also evocative of "Guess Who's Coming to Dinner"), whose father was in reality, as Basquiat's, of Haitian descent - plays the ultimate faker and double-crosser in his angry quest for an all-white cultural "background" and behavioural and literary canon... or just because Louisa (Channing) and Flanders (Sutherland) play rich NYC art dealers, while their South African business partner Miller (Mckellen) brings them all to his “reality” about race relations… or, probably, because Paul eventually dies, just as Basquiat very young but not of drugs, in prison, when he was finally taken back to the "reality" of his own social and racial condition, or, put shortly, when he was taken back to "where he came from"!... I don’t know. There’s a movie that’s really about him though, “Basquiat” (1996), starring David Bowie, Dennis Hopper and Benicio del Toro, which I haven’t seen yet.

You can find Basquiat works (mostly print copies) and memorabilia pretty much everywhere these days. And it can come cheap too, from as low as ₤3 to an average ₤30 per print, on eBay for instance, unless you are well off enough to get a signed copy at something like ₤1200… but it doesn’t seem really to go over ₤2000-₤3000 on average, so apparently you don’t need to be very rich to buy something signed Basquiat these days (of course I'm not talking about the really pricey originals here - most of them held in museums and not for sale anyway; or auctioned by big houses, where they can get to millions of pounds)*.
I’m not rich, old or new, so I got mine some 12 years ago (a print copy titled “1960”, which apparently is rare since I couldn’t find it anywhere on the web…) for ₤10 at the ever so popular Camden Market!
[See more about Basquiat here and here]
*E.g. his Untitled (1981) sold one month after this post was written by Sotheby's (New York) for $14,600,000 or his Grillo (1984) sold by Phillips de Pury & Company (London) yet a month later that same year for £4,948,000!
“Every line means something”


There is that fine line between reality and fiction, truth and untruth, face and mask, genuine and fake, real and imagined which we all claim to know… and it seems to me that nowhere in life that line is more blurred than in art… fortunately, or unfortunately. In fact, there’s those ‘six degrees of separation’ which some claim to have we all in the planet at a short distance from each other through a chain of interconnections, but in reality always seem to keep us apart… as if at such a short distance we could all claim to ‘know’ each other, but never quite so… or maybe not! Whatever the case, I always think of these things when I think about Jean-Michel Basquiat. And, when I think about Basquiat, I always think of the strange, often devious, ways in which issues of identity, authenticity and the like are resolved, or unresolved, in (or through) art and in life in general…

“I cross out words so you will see them more – the fact that they are obscured makes you want to read them”
"The History of Black People"
In the words of Robert Knafo, one of his biographers, “In his short life (1960-1988), Jean-Michel Basquiat came to personify the art scene of the 80s, with its merging of youth culture, money, hype, excess, and self-destruction. And then there was the work, which the public image tended to overshadow: paintings and drawings that conjured up marginal urban black culture and black history, as well as the artist's own conflicted sense of identity. He was, all at once it seemed, the ultimate party animal, a wannabe street kid and graffitist hiding his black Brooklyn middle class roots, an advocate and interpreter of the marginal and dispossessed at the court of the mainstream, an angry black aspirant to the all-white art canon, a precocious talent, a creature of cynical marketing and a fraud, a proto-multiculturalist, an American original.”


Indeed, in his angry aspiration to that "all-white art canon” he met Andy Warhol, the ring-master of the so called 'Neo-Expressionist movement' and of clever, cynical marketing fakery - some, certainly Knafo, would call it fraud - to whom in their first encounter he sold a postcard for one dollar, and went on to date Madonna while keeping his “real life” heroes Malcolm X, Jimi Hendrix and Charlie Parker close to heart until he died of a drugs overdose aged 28. Born of a Haitian father and a Puerto-Rican mother, his art is perhaps the best, albeit most disturbing, expression of a misplaced Black/African identity in spite of Knafo's claim of him being “an American original”… or maybe not… or maybe yes... because that’s what makes for “American originality”: misplaced identities, isn't it? Anyway, I’m not an art critic and after all here’s what he thought of them: “I don’t think about art when I’m working. I try to think about life… I don’t listen to what art critics say. I don’t know anybody who needs a critic to find out what art is.”

I also always think of Basquiat when I think of that movie, made out of a stage play, “Six Degrees of Separation” (1993), featuring Will Smith (in what I think is his best role ever!), Donald Sutherland and (Sir) Ian McKellen among other fine actors such as Stockard Channing, who was nominated for a Golden Globe and an Oscar for her role in it. Why? I haven’t got the faintest idea! Having seen it twice, I don’t recall anything in it relating to Basquiat… but maybe he was just away from the plot by six degrees... because Paul (Smith) - while presenting himself as "the son" of Sidney Poitier (something also evocative of "Guess Who's Coming to Dinner"), whose father was in reality, as Basquiat's, of Haitian descent - plays the ultimate faker and double-crosser in his angry quest for an all-white cultural "background" and behavioural and literary canon... or just because Louisa (Channing) and Flanders (Sutherland) play rich NYC art dealers, while their South African business partner Miller (Mckellen) brings them all to his “reality” about race relations… or, probably, because Paul eventually dies, just as Basquiat very young but not of drugs, in prison, when he was finally taken back to the "reality" of his own social and racial condition, or, put shortly, when he was taken back to "where he came from"!... I don’t know. There’s a movie that’s really about him though, “Basquiat” (1996), starring David Bowie, Dennis Hopper and Benicio del Toro, which I haven’t seen yet.

You can find Basquiat works (mostly print copies) and memorabilia pretty much everywhere these days. And it can come cheap too, from as low as ₤3 to an average ₤30 per print, on eBay for instance, unless you are well off enough to get a signed copy at something like ₤1200… but it doesn’t seem really to go over ₤2000-₤3000 on average, so apparently you don’t need to be very rich to buy something signed Basquiat these days (of course I'm not talking about the really pricey originals here - most of them held in museums and not for sale anyway; or auctioned by big houses, where they can get to millions of pounds)*.
I’m not rich, old or new, so I got mine some 12 years ago (a print copy titled “1960”, which apparently is rare since I couldn’t find it anywhere on the web…) for ₤10 at the ever so popular Camden Market!
[See more about Basquiat here and here]
*E.g. his Untitled (1981) sold one month after this post was written by Sotheby's (New York) for $14,600,000 or his Grillo (1984) sold by Phillips de Pury & Company (London) yet a month later that same year for £4,948,000!

Monday, 26 February 2007

OSCARS: THEY WON

THE KING AND THE QUEEN: DESERVEDLY.



THE KING AND THE QUEEN: DESERVEDLY.



Monday, 12 February 2007

"THE LAST KING OF SCOTLAND"

Ontem, finalmente, conseguimos ver “The Last King of Scotland”, no Odeon de Camden, depois de termos “batido com o nariz na porta” no Sabado, porque as sessoes estavam esgotadas. Com o advento dos ‘multimedia’, cada vez menos gente vai ao cinema e ninguem espera encontrar filme algum, seja em que dia ou horas for, completamente esgotado. Mas isso tem estado a acontecer sucessivamente com este filme aqui em Londres. Conseguimos os bilhetes, mas os melhores lugares que conseguimos foram na primeira fila, isto e’, na pior fila para se ver um filme.

Ja’ vi melhores filmes sobre Africa e os Africanos, ja’ vi melhores filmes sobre a politica, a ditadura e os ditadores em Africa, ja’ vi melhores filmes sobre as relacoes amorosas, ou simplesmente sexuais, entre Europeus e Africanas… mas nao vi filmes muito melhores sobre a relacao entre dois seres humanos de caracteristicas tao diametralmente opostas, sob todos os pontos de vista, como a relacao entre Idi Amin (Forest Whitaker) e o seu “medico e conselheiro privado”, Nicholas Garrigan (James McAvoy), embora baseada numa estoria completamente ficcionada. Relacao ainda mais valorizada pelas eximias representacoes dos dois actores.

E apenas isso, quanto a mim, impede que ”The Last King of Scotland” resvale para a longa serie de filmes sobre Africa que pouco mais conseguem ser do que colagens, mais ou menos bem conseguidas cinematograficamente, de cliches e estereotipos baseados em personagens ou episodios historicos. Isso e o facto de, tendo visitado o Uganda ha cerca de um ano atras, visita durante a qual fiz uma longa viagem de autocarro pelo interior do pais, ter reconhecido nas paisagens e habitats naturais, humanos e animais mostrados no filme (incluindo a enorme “ave de rapina”, cujo nome desconheco, que vi, repetidamente em varios locais, pela primeira e unica vez no Uganda), o “pais real” retratado, o que e’ sempre reconfortante perante a quantidade de filmes sobre pais A filmados em pais B, ou estudio C, quantas vezes em continentes completamente diferentes.


De volta a casa, a noticia: Forest Whitaker tinha acabado de ganhar o Bafta para melhor actor do ano, o que o coloca numa posicao mais proxima de concretizar a expectativa assim expressa ha' dias por um apresentador da ex-Jazz FM (agora ‘downgraded’ para Smooth FM, mas que continua a ser a minha radio preferida, a excepcao das Quartas e Sabados quando vira uma radio quase exclusivamente de futebol e com relatos quase exclusivamente dos jogos do Chelsea…): “if there’s any justice in the world, which rarely is, Whitaker should win the Oscar”. Com ele no podium de ‘bests’, a minha favorita British Dame, Helen Mirren, que ganhou o Bafta para melhor actriz pela sua representacao de Elizabeth II em “The Queen”. Parecem estar encontrados, merecidamente, o Rei e a Rainha dos Oscars deste ano…

Apenas uma nota ‘a margem: um dos episodios historicos mais dramaticos, nem sequer tocados superficialmente neste filme (para la’ do poder das imagens e do "assustado" conselho alegadamente dado por Garrigan a Amin: "pare com isso, senao a economia vai ficar de joelhos"), e’ a expulsao de cerca de 50,000 Indianos do Uganda, ordenada por Idi Amin em 1972. O episodio e’ apresentado sem qualquer contextualizacao historica, como se fosse um dado adquirido que todos os espectadores, independentemente das suas posicoes politicas ou ideologicas, estariam a par do seu ‘background’ ou ‘further developments'. Isto fez-me lembrar da explicacao que um colega Ugandes, aquando da minha visita ao seu pais, me deu para o total dominio do comercio (predominantemente de quinquilharias de pouco ou nenhum valor utilitario), mesmo nas mais reconditas zonas rurais do pais, por Indianos: “nao era o caso de as comunidades locais nao terem capacidade para se dedicarem ao comercio de produtos importados, ou dos seus proprios produtos, para aliviarem os seus proprios niveis de pobreza, mas o regresso em massa, em condicoes priviligiadas, dos Indianos ao pais (que para la' comecaram a emigrar inicialmente, sob patrocinio Britanico, quando tanto a India como o Uganda eram colonias do UK), tinha sido parte de um ‘deal’ entre o actual presidente Museveni e as instituicoes de Bretton Woods, como condicao para a concessao de ajuda financeira por parte destas ao pais”… Ainda mais 'a margem, lembro-me de, aquando da “Maka na Sanzala Global” por causa dos ataques racistas contra a actriz Indiana Shilpa Shetty no programa Big Brother UK, ter lido em alguns sites de opiniao comentarios, principalmente por Ugandeses e Kenianos, que afirmavam nao nutrir qualquer simpatia pela situacao da Shilpa por causa do racismo que os Indianos praticam contra os negros nos seus proprios paises…


Curiosamente, hoje Shilpa voltou as primeiras paginas dos tabloides Londrinos depois de alguns dias de ausencia, desta vez ela propria acusada de racismo por ter apresentado e participado num ‘sketch’ do seu show numa cadeia televisiva Indiana que recriava os “minstreis” (actores pintados de preto dizendo piadas supostamente hilariantes, mas consideradas profundamente ofensivas pelas comunidades negras). Ora, este tipo de shows e imagens (tradicionalmente parte dos tristemente celebres “Minstrel Shows” no Ocidente) foram banidos da TV Britanica em 1978, depois de grandes controversias e manifestacoes de repudio no UK, por finalmente terem sido oficialmente classificados como “obscenamente racistas”… O que me leva de volta ao “Last King of Scotland” porque nao pude deixar de reparar na quantidade de ‘black make-up’ que lhe foi aplicado para tornar Whitaker tao “preto” como Idi Amin… O que me transporta a um outro filme que vale a pena ver: “Bamboozled”, de Spike Lee, uma brilhante satira sobre os “Minstrel Shows” nos EUA.


P.S.: O “Grazing in the Grass” do Bra Masekela pareceu-me um pouco deslocado no filme, mas como boa musica vai sempre bem com quaisquer imagens, soube-me bem ouvi-lo.

Ontem, finalmente, conseguimos ver “The Last King of Scotland”, no Odeon de Camden, depois de termos “batido com o nariz na porta” no Sabado, porque as sessoes estavam esgotadas. Com o advento dos ‘multimedia’, cada vez menos gente vai ao cinema e ninguem espera encontrar filme algum, seja em que dia ou horas for, completamente esgotado. Mas isso tem estado a acontecer sucessivamente com este filme aqui em Londres. Conseguimos os bilhetes, mas os melhores lugares que conseguimos foram na primeira fila, isto e’, na pior fila para se ver um filme.

Ja’ vi melhores filmes sobre Africa e os Africanos, ja’ vi melhores filmes sobre a politica, a ditadura e os ditadores em Africa, ja’ vi melhores filmes sobre as relacoes amorosas, ou simplesmente sexuais, entre Europeus e Africanas… mas nao vi filmes muito melhores sobre a relacao entre dois seres humanos de caracteristicas tao diametralmente opostas, sob todos os pontos de vista, como a relacao entre Idi Amin (Forest Whitaker) e o seu “medico e conselheiro privado”, Nicholas Garrigan (James McAvoy), embora baseada numa estoria completamente ficcionada. Relacao ainda mais valorizada pelas eximias representacoes dos dois actores.

E apenas isso, quanto a mim, impede que ”The Last King of Scotland” resvale para a longa serie de filmes sobre Africa que pouco mais conseguem ser do que colagens, mais ou menos bem conseguidas cinematograficamente, de cliches e estereotipos baseados em personagens ou episodios historicos. Isso e o facto de, tendo visitado o Uganda ha cerca de um ano atras, visita durante a qual fiz uma longa viagem de autocarro pelo interior do pais, ter reconhecido nas paisagens e habitats naturais, humanos e animais mostrados no filme (incluindo a enorme “ave de rapina”, cujo nome desconheco, que vi, repetidamente em varios locais, pela primeira e unica vez no Uganda), o “pais real” retratado, o que e’ sempre reconfortante perante a quantidade de filmes sobre pais A filmados em pais B, ou estudio C, quantas vezes em continentes completamente diferentes.


De volta a casa, a noticia: Forest Whitaker tinha acabado de ganhar o Bafta para melhor actor do ano, o que o coloca numa posicao mais proxima de concretizar a expectativa assim expressa ha' dias por um apresentador da ex-Jazz FM (agora ‘downgraded’ para Smooth FM, mas que continua a ser a minha radio preferida, a excepcao das Quartas e Sabados quando vira uma radio quase exclusivamente de futebol e com relatos quase exclusivamente dos jogos do Chelsea…): “if there’s any justice in the world, which rarely is, Whitaker should win the Oscar”. Com ele no podium de ‘bests’, a minha favorita British Dame, Helen Mirren, que ganhou o Bafta para melhor actriz pela sua representacao de Elizabeth II em “The Queen”. Parecem estar encontrados, merecidamente, o Rei e a Rainha dos Oscars deste ano…

Apenas uma nota ‘a margem: um dos episodios historicos mais dramaticos, nem sequer tocados superficialmente neste filme (para la’ do poder das imagens e do "assustado" conselho alegadamente dado por Garrigan a Amin: "pare com isso, senao a economia vai ficar de joelhos"), e’ a expulsao de cerca de 50,000 Indianos do Uganda, ordenada por Idi Amin em 1972. O episodio e’ apresentado sem qualquer contextualizacao historica, como se fosse um dado adquirido que todos os espectadores, independentemente das suas posicoes politicas ou ideologicas, estariam a par do seu ‘background’ ou ‘further developments'. Isto fez-me lembrar da explicacao que um colega Ugandes, aquando da minha visita ao seu pais, me deu para o total dominio do comercio (predominantemente de quinquilharias de pouco ou nenhum valor utilitario), mesmo nas mais reconditas zonas rurais do pais, por Indianos: “nao era o caso de as comunidades locais nao terem capacidade para se dedicarem ao comercio de produtos importados, ou dos seus proprios produtos, para aliviarem os seus proprios niveis de pobreza, mas o regresso em massa, em condicoes priviligiadas, dos Indianos ao pais (que para la' comecaram a emigrar inicialmente, sob patrocinio Britanico, quando tanto a India como o Uganda eram colonias do UK), tinha sido parte de um ‘deal’ entre o actual presidente Museveni e as instituicoes de Bretton Woods, como condicao para a concessao de ajuda financeira por parte destas ao pais”… Ainda mais 'a margem, lembro-me de, aquando da “Maka na Sanzala Global” por causa dos ataques racistas contra a actriz Indiana Shilpa Shetty no programa Big Brother UK, ter lido em alguns sites de opiniao comentarios, principalmente por Ugandeses e Kenianos, que afirmavam nao nutrir qualquer simpatia pela situacao da Shilpa por causa do racismo que os Indianos praticam contra os negros nos seus proprios paises…


Curiosamente, hoje Shilpa voltou as primeiras paginas dos tabloides Londrinos depois de alguns dias de ausencia, desta vez ela propria acusada de racismo por ter apresentado e participado num ‘sketch’ do seu show numa cadeia televisiva Indiana que recriava os “minstreis” (actores pintados de preto dizendo piadas supostamente hilariantes, mas consideradas profundamente ofensivas pelas comunidades negras). Ora, este tipo de shows e imagens (tradicionalmente parte dos tristemente celebres “Minstrel Shows” no Ocidente) foram banidos da TV Britanica em 1978, depois de grandes controversias e manifestacoes de repudio no UK, por finalmente terem sido oficialmente classificados como “obscenamente racistas”… O que me leva de volta ao “Last King of Scotland” porque nao pude deixar de reparar na quantidade de ‘black make-up’ que lhe foi aplicado para tornar Whitaker tao “preto” como Idi Amin… O que me transporta a um outro filme que vale a pena ver: “Bamboozled”, de Spike Lee, uma brilhante satira sobre os “Minstrel Shows” nos EUA.


P.S.: O “Grazing in the Grass” do Bra Masekela pareceu-me um pouco deslocado no filme, mas como boa musica vai sempre bem com quaisquer imagens, soube-me bem ouvi-lo.

Thursday, 8 February 2007

WHOOPI'S AFRICAN ORIGINS TRACED BACK TO GUINE-BISSAU

Acabei de ver/ouvir esta noticia numa cadeia de televisao Americana:

Atraves de testes de DNA, as origens Africanas de Whoopi Goldberg foram tracadas a Guine-Bissau. Ao tomar conhecimento dessa descoberta, o governo Guineense tera' enviado uma carta a Whoopi convidando-a a visitar o pais... (o comentador chama a atencao para a forma incorrecta como o nome da "nova filha da Guine Bissau" e' escrito na carta e para "o facto de que, no fundo, o que o governo Guineense pretende e' atrair turistas ao pais"...).

Em resposta, os representantes da Whoopi afirmaram que tal carta nunca foi recebida pela destinataria... que esta evita ao maximo viajar de aviao e que nao tem quaisquer intencoes de viajar no futuro proximo... (o comentador acrescenta que, imediatamente apos a descoberta, os filmes da Whoopi comecaram a ser intensamente divulgados no pais, embora com legendas "lost in translation" e que, apesar de o pais nao ter quaisquer recursos naturais, ao governo de Bissau nao falta optimismo, pelo que continua a acreditar que Whoopi visitara' o pais brevemente e que, atras dela, irao os turistas...).

Ca' estaremos para aplaudir!
Acabei de ver/ouvir esta noticia numa cadeia de televisao Americana:

Atraves de testes de DNA, as origens Africanas de Whoopi Goldberg foram tracadas a Guine-Bissau. Ao tomar conhecimento dessa descoberta, o governo Guineense tera' enviado uma carta a Whoopi convidando-a a visitar o pais... (o comentador chama a atencao para a forma incorrecta como o nome da "nova filha da Guine Bissau" e' escrito na carta e para "o facto de que, no fundo, o que o governo Guineense pretende e' atrair turistas ao pais"...).

Em resposta, os representantes da Whoopi afirmaram que tal carta nunca foi recebida pela destinataria... que esta evita ao maximo viajar de aviao e que nao tem quaisquer intencoes de viajar no futuro proximo... (o comentador acrescenta que, imediatamente apos a descoberta, os filmes da Whoopi comecaram a ser intensamente divulgados no pais, embora com legendas "lost in translation" e que, apesar de o pais nao ter quaisquer recursos naturais, ao governo de Bissau nao falta optimismo, pelo que continua a acreditar que Whoopi visitara' o pais brevemente e que, atras dela, irao os turistas...).

Ca' estaremos para aplaudir!