Sunday, 4 November 2007

ETNOGRAFIA DE KURRAL, OU BESTIALIDADE KULTURRAL

"Ruy Morais e Castro e Jô comentam vida sexual de parte das mulheres angolanas"

Acabo de receber esta mensagem atraves de uma rede internacional de academicos especialistas em Africa:

"The video comes from one of the most famous Brazilian TV show (aired on June 18, 2007). One would expect rigid quality control of the invitees. Regretably, not in this case. What we see is the promotion of a book written by a Portuguese telling his "ethnographic reporting" of Angolan women - a reporting ridden with racist comments, lack of cultural sensitivity and even deep misunderstanding of the social phenomena in question. Nonetheless, it is treated as if the poor Portuguese man's book is a great contribution to anthropology of Angolan rural society. It is amazing that this sort of cultural distortion is still given privileged attention in the media."

Confesso que teria preferido nao o 'publicitar' aqui, mas pela relacao que essa questao tem com algumas das discussoes em que me tenho visto frequentemente envolvida numa certa "lusosfera", pareceu-me oportuno faze-lo. Evidentemente, o indignado autor do comentario acima nao sabe ate' que ponto, apesar das gargalhadas de fundo durante o show, este tipo de "etnografia" e' levado a serio, e ate' premiado (!), por alguns sectores no mundo lusofono...

O tipo de "cultural sensitivity" a que ele se refere e' tao familiar a alguns dos ditos "especialistas" nas varias culturas Africanas das ex-colonias Portuguesas, como as bestiais "interpretacoes etnograficas" da sexualidade das mulheres Angolanas apresentadas no dito show... trata-se apenas da "sabia" conviccao de que as Mulheres assim retratadas pelos seus "peritos olhares" lhes disseram, atraves de um qualquer "protocolo", que "a minha cultura e' a tua cultura", portanto "e porque ate' sabes mais sobre ela do que eu propria, vai mostra-la, explica-la, 'intelectualiza-la' aos olhos do mundo, porque eu nao sou capaz de o fazer, nao tenho voz, nao sou sujeito da minha propria cultura, sou um mero objecto... teu objecto"!

[Click na imagem para aceder ao video]
"Ruy Morais e Castro e Jô comentam vida sexual de parte das mulheres angolanas"

Acabo de receber esta mensagem atraves de uma rede internacional de academicos especialistas em Africa:

"The video comes from one of the most famous Brazilian TV show (aired on June 18, 2007). One would expect rigid quality control of the invitees. Regretably, not in this case. What we see is the promotion of a book written by a Portuguese telling his "ethnographic reporting" of Angolan women - a reporting ridden with racist comments, lack of cultural sensitivity and even deep misunderstanding of the social phenomena in question. Nonetheless, it is treated as if the poor Portuguese man's book is a great contribution to anthropology of Angolan rural society. It is amazing that this sort of cultural distortion is still given privileged attention in the media."

Confesso que teria preferido nao o 'publicitar' aqui, mas pela relacao que essa questao tem com algumas das discussoes em que me tenho visto frequentemente envolvida numa certa "lusosfera", pareceu-me oportuno faze-lo. Evidentemente, o indignado autor do comentario acima nao sabe ate' que ponto, apesar das gargalhadas de fundo durante o show, este tipo de "etnografia" e' levado a serio, e ate' premiado (!), por alguns sectores no mundo lusofono...

O tipo de "cultural sensitivity" a que ele se refere e' tao familiar a alguns dos ditos "especialistas" nas varias culturas Africanas das ex-colonias Portuguesas, como as bestiais "interpretacoes etnograficas" da sexualidade das mulheres Angolanas apresentadas no dito show... trata-se apenas da "sabia" conviccao de que as Mulheres assim retratadas pelos seus "peritos olhares" lhes disseram, atraves de um qualquer "protocolo", que "a minha cultura e' a tua cultura", portanto "e porque ate' sabes mais sobre ela do que eu propria, vai mostra-la, explica-la, 'intelectualiza-la' aos olhos do mundo, porque eu nao sou capaz de o fazer, nao tenho voz, nao sou sujeito da minha propria cultura, sou um mero objecto... teu objecto"!

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16 comments:

Kim said...

Ah KOluki !!!

Não perca tempo com os "basbaques"
da lusoquadrado. Não se aprende rigorosamente nada, rien, zero, com estes bípedes.
Essa gente nem o trabalho do desprezo merecem.
Definitivamente é uma espécie em extinção.

Abraço

Kim

Denudado said...

Fiquei enojado e revoltado. As reacções que se podem ler na página do Youtube, onde esta entrevista também pode ser vista, mostram uma indignação idêntica à sua, Koluki. Nem todos os brasileiros são iguais ao Jô Soares, graças a Deus.

Permita-me que discorde de si, Koluki, mas eu acho que nunca ninguém iria premiar uma "etnografia" deste calibre no mundo lusófono. Nem pouco mais ou menos. Ainda por cima, o sujeitinho nem sequer é antropólogo ou etnólogo, mas sim taxista! Mas mesmo que (por absurdo) tivesse um "canudo" na área da Antropologia, ele não só não seria premiado, como não seria sequer levado a sério, pois seria confrontado com o muito que diversos e conceituadíssimos autores já publicaram sobre o tema dos penteados, nomeadamente Carlos Estermann.

O que se pode ver e ouvir neste video é, sim, uma opinião típica de um antigo colono em Angola que tenha cristalizado no 24 de Abril (muitos antigos colonos evoluiram, felizmente, e não podem ser aferidos por este mamífero), com todos os preconceitos e autoconvencimentos inerentes à arrogância de quem se julga superior aos antigos colonizados. A Koluki conhece esta fauna muito melhor do que eu e por isso abstenho-me de me alongar sobre o assunto.

Sobre o conteúdo da entrevista, que poderá causar alguma perturbação em algumas pessoas desconhecedoras das sociedades tradicionais angolanas, o que poderei dizer é que essas sociedades têm uma moral muito rigorosa, que está em completa oposição à ideia de deboche generalizado descrito pelo sujeitinho, com pedofilias à mistura. Basta lembrar que a prostituição não existia na África dita Negra antes da chegada do homem branco. Sobre o caso concreto dos penteados e dos seus significados entre as populações do sul de Angola, remeto para a obra do já referido Carlos Estermann.

Um grande abraço

Maria Muadié said...

Pôxa, que triste, perderam uma grande oportunidade de ficar calados.

VDV said...

Mas que nojo! Sem comentários…

Koluki said...

Comentarios de membros da network atraves da qual recebi a mensagem inicial

At least this program has gotten some outraged comment in the Brazilian press (there are 3 critiques here beginning on 24/10/07):

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/default.asp#1338

(…)

The clip is indeed disturbing, especially in the way it show a whole class
of people -- in this case, African women -- were so readily dehumanized. It
says a lot about Brazilian society.

I want to refer interested parties to an article that I wrote with Teresa
Meade almost 20 years ago that deals extensively with official racist policies
of the Brazilian government as it attempted to block African American
immigration to Brazil in the last century and sought to whiten or bleach
society by encouraging European immigration.

Gregory Alonso Pirio and Teresa Meade, "In Search of the Afro-American
'Eldorado': Attempts by North American Blacks to enter Brazil in the 1920s,"
Luso-Brazilian Review (Summer, 1988).

(…)

This clip was really disturbing to me, especially since, as a frequent
visitor to Brazil, and one who sometimes has waded into Brazilian racial
thinking in workshops and the like, I might have expected a different
reaction.

I think I can safely say, that had this show aired on Letterman (ie the
equivalent show in the US) the audience itself would have been gasping
rather than laughing at the representations, and that the host would
have been driven off the air and the show cancelled. Imus and "Dog"
Chapman did much less (and Chapman even in private) and suffered those
consequences.

In Brazil there is a great deal of formal adherence to the idea of
racial democracy, and I think most visitors would think that while this
is probably an exaggeration (especially if one looks at color and
distribution of wealth and decision making), there might also be
something to it. But the audience reaction tells a very different
story. It tells us that there wouldn't be a public reaction against the
show (as indeed there was not, as far as I know).

When Linda and I were in Brazil last June (ie just before the show
aired) there was a lot of angst about the racial quotas at the
universities. When the government decided that "Afro-descendents" would
receive a certain number of seats at prestigious public universities, it
seemed like all Brazilians decided they were black. Veja, the popular
magazine, ran a cover story in which two identical twins (of uncertain
ancestry, based on their physical appearance) had applied to two
different universities, one had been accepted as an Afro Descendent and
the other rejected. Indeed, one would have to admit that determining
who is black and who is not in Brazil would be an almost impossible
challenge. There were serious articles appearing in academic journals
about the possibility of applying DNA research to resolve the racial
identities of university applicants.

This dovetailed with the sensational research, published a few years
earlier that emerged when scientists at the University of Minas Gerais
tested the DNA of students, professors and other elite workers, who as
it happened hailed from all over Brazil. In Brazil, for census
purposes, the population is divided into three groups: brancos, pardos,
and negros (there may also be an indio for people from recognized
indigenous groups). Virtually all the sample people were from the
branco group, yet about one third of their mitochondrial DNA (which
traces female descent) led to African ancestors. Presumably all these
people, who are privileged within Brazilian society, would be able to
claim African ancestry.

I wonder how many of those Afro Descended brancos were chuckling at the
salacious and at times almost obscene (you certainly couldn't do all
that vagina stuff on US TV!) comments of the Portuguese expert.

(…)

I agree that the Angolan government should protest,
if they have not already done so. This would probably have not idea that
they have become the imperial and racist gaze of Mr. Ruy and the reporter.
No matter what people say about the multi-racial aspect of Brazil, this
shows that Africans and their descendants are socially stigmatized in
Brazil. Simply, racism exist in Brazil! Moreover, the African Union should
protest also. We as Africans should not put up with this stupid nonsense.
This continues a long legacy of racist portrayal of Africa that started with
Europeans explorers, among the very first the Portuguese ones.

(…)

Não poderia haver exemplo mais claro do preconceito que existe no Brasil a
respeito dos Africanos e seus descendentes. É claro que essa é uma entrevista
feita por um imbecil a um idiota. No entanto, esse programa foi assistido por
milhões de pessoas que não têm informação apurada e suficiente sobre a África
para formar uma opinião própria sobre o continente e seus habitantes.
Acredito que o Governo Angolano deveria tomar providências urgentes para obter o direito de resposta. Do mesmo modo, o Governo Angolano deveria procurar as
mulheres mostradas no vídeo e mover um processo por calúnia e difamação (além de outros que venham ao caso) contra o autor Ruy Morais, Jô Soares e a Rede Globo de Televisão.Dar voz a estas mulheres e às suas famílias seria a melhor maneira de mostrar ao Brasil e ao mundo que os africanos não aceitam mais ser tratados como "objeto" de estudos, "espécimes raros das raças não-civilizadas", para uso e deleite de "pesquisadores" europeus, norteamericanos, e suas contrapartes na América Latina, que com ou sem interesses ocultos, promovem uma visão racista da África, dos africanos e seus descendentes. De nossa parte, devemos prestar todo o nosso apoio e solidariedade às mulheres angolanas, que com coragem e determinação, enfrentaram séculos de tráfico de escravos, colonização, guerras e opressão.

Koluki said...

Kim: Obrigada pelo conselho, com o qual concordo inteiramente. Mas ha questoes perante as quais me e' impossivel ficar queda, muda e impassivel...
Um grande abraco!

Denudado Obrigada tambem pelo seu comentario. Uma das reaccoes que ele imediatamente me suscitou quando o li ontem (nao pude na altura responder) foi exactamente o que se diz em alguns dos comentarios que acabo de encontrar e aqui postei acima. E.g.: "(...)I think I can safely say, that had this show aired on Letterman (ie the equivalent show in the US) the audience itself would have been gasping rather than laughing at the representations, and that the host would have been driven off the air and the show cancelled. Imus and "Dog" Chapman did much less (and Chapman even in private) and suffered those consequences.", ou "(...)Dar voz a estas mulheres e às suas famílias seria a melhor maneira de mostrar ao Brasil e ao mundo que os africanos não aceitam mais ser tratados como "objeto" de estudos, "espécimes raros das raças não-civilizadas", para uso e deleite de "pesquisadores" europeus, norteamericanos, e suas contrapartes na América Latina, que com ou sem interesses ocultos, promovem uma visão racista da África, dos africanos e seus descendentes."

Quando me refiro a 'premiacao' nao me estou a referir necessaria ou exclusivamente a "premios formais", embora o pudesse fazer... Refiro-me sobretudo a falta de capacidade de indignacao, ao silencio cumplice e, nao raramente, a aceitacao acritica de discursos ditos "etnograficos" e/ou "antropologicos", feitos em alguns casos por meros(as) amadore(a)s, por parte de pessoas ate' de um apreciavel nivel cultural.

Pior do que isso, falo da total falta de compreensao ate' do porque de certas criticas (incluindo, obviamente, as de minha autoria em pelo menos um caso bastante conhecido na 'lusosfera'...) e as reaccoes agressivas que posicoes como a minha suscitam em algumas pessoas dos tais sectores a que me refiro.

Evidentemente, como o demonstram as reaccoes no Youtube e algumas das que acabo de ver no link de um dos comentarios acima, a internet ja' vai permitindo (mas, note-se, sobretudo por causa do anonimato que facilita...) que algumas vozes indignadas se levantem, mas nao se ve ainda no "mundo lusofono" algo parecido com o que descreve o comentarista no primeiro extracto que aqui referencio.

Ora, sera' isto exclusivo do "mundo lusofono" (e nao me refiro exclusivamente a Portugal)? Nao necessariamente. Mas ha' que haver suficiente honestidade e humildade para reconhecer que ainda se esta' em geral nesse mundo bastante longe e ao largo da critica cientifica e politico-ideologica a que a Antropologia e a Etnografia e disciplinas correlatas foram e continuam a ser sujeitas "noutros mundos" - do que ja' aqui dei conta, nomeadamente atraves de algumas sugestoes de leitura que ja' por duas vezes, e em qualquer delas precisamente a proposito deste tipo de questoes, aqui postei.

O Denudado fala de um colono que cristalizou no 24/04/74, pois ha' que reconhecer que ha' muito boa gente que cristalizou nos relatos antropo-etnograficos feitos na primeira metade do seculo passado... e que os continuam a usar como referencia para os mais variados propositos sem qualquer avaliacao critica. Em alguns casos porque ainda veem esses trabalhos e essas disciplinas com uma reverencia que os tem como produtos de "olhares inocentes e benignos" para com "culturas em vias de extincao" que "precisam de ser salvas de si proprias", noutros por simples desplicencia e indulgencia 'auto-satisfatoria' por parte de quem, frequentemente em nome da "arte", se da' ao luxo caprichoso e capcioso de se tentar 'apropriar' dessas culturas sem quaisquer pudores ou escrupulos, em suma, sem qualquer SENSIBILIDADE CULTURAL e muito menos suficiente CONHECIMENTO CIENTIFICO.

Tudo isto, aliado a ignorancia da esmagadora maioria de 'consumidores' desses produtos, mesmo que, e por isso mesmo, se considerem "eruditamente cultos", conduz a 'premiacao' a que me referi.

Nao sabia que o sujeito era taxista e so' agora confirmei essa ideia atraves do mesmo link a que ja' me referi, onde se pode ver o titulo do livro (o que tb. nao e' confirmacao suficiente de que ele seja taxista...). De qualquer modo creio que ele tera' sido apresentado como "especialista" porque praticamente todos os comentaristas assim o entenderam.

Quanto a obra do Eastermann, posso dizer que ja' tive uma biblioteca notavel de Historia, Antropologia, Etnografia e Etnologia de Angola, que incluia essa e outras obras dele, mas que infelizmente "perdi" em Lisboa...

Um abraco!

Martha: Absolutamente de acordo!

VDV: Indeed, sem mais comentarios...

Maria Muadié said...

Entrega

Afundo os meus navios
Olhando o quanto sou fogueira de velas muitas.
Marca na testa é sinal de deusa Musa.
Limpo o chão da casa dos meus súditos,
Colho as ervas finas do dia,
Ancoro repolhos no molho branco,
E digo não, quando quero.
Ademais, quem disse que eu presto?
Protesto demais pra uma coisa fêmea,
Memória me diz:
Lugar de mulher é no silêncio,
Tormentas, é homem quem sofre.
Estou em cada comboio de gente que busca alento em lugar,
Arreio, em comarcas, o meu assombro
Dessa lida de malas abarrotadas de pedras.
Minha mãe nem sabe da mesma sina.
Vontade sinto de cortar caminhos
Por onde passa esse rio vermelho.
Cansei-me, há muito, de ser,
Só trago continuísmos de lesmas.
Recuso-me a dormir calada,
Alada, voaria até o sol para derreter-me as asas.

Rita Santana

AR said...

Bom, nem vale a pena eu dizer mais nada porque tudo que tinha atravessado na garganta já
foi dito e muito melhor do que eu diria… Beijos.

Diasporense said...

Apenas um olá para marcar a minha presença solidária para com TODAS AS MULHERES ANGOLANAS!

Diasporense

JUCA said...

Você tem toda a razão Koluki, isso aí é mesmo “etnografia de curral” porque foi apresentada por um Jô-mento!
Juca (DR)

AC said...

O que acho mais preocupante nessa estória toda é ver reações de pessoas de outras partes do mundo mas em Angola nem sequer se fala no caso. Será que o governo angolano tomará uma atitude como essa proposta nos comentários que a Koluki aí transcreveu? Sinceramente, duvido. Por outro lado acho que temos que adoptar medidas práticas para prevenir esse tipo de coisas em vez de reagirmos apenas quando acontecem.
Abraços a todos.

Koluki said...

AC o que me espantaria muito seria ver alguma reaccao publica, e muito menos “oficial”, em Angola. Certamente nao quando o “vulturismo cultural” e’ premiado como e’ no pais… Quanto a medidas praticas de prevencao, acho que e’ impossivel evitar-se que os Jos Soares deste mundo promovam esse tipo de bestialidade. O maximo que podemos esperar e desejar e’ que haja uma melhor preparacao etica e moral e educacao cultural a nivel nacional para que as pessoas estejam prontas a manifestar alguma capacidade de indignacao perante esse tipo de aberracoes, acontecam elas onde acontecerem e praticadas seja la’ por quem for.
Do governo angolano apenas esperaria que, em vez de continuar “inocentemente” a dar “cobertura” as arrogancias ignorantes de certos “vultos culturais”, comecasse realmente a preservar, promover e defender a cultura nacional nesse sentido. Por exemplo, comecando a atribuir “premios nacionais de cultura” tambem a grupos de danca de “mamas do Lwena” ou de qualquer outra parte do pais; ou criando “guidelines” apropriadas, a serem desenvolvidas por verdadeiros especialistas na materia, para a recolha sistematizada das linguas nacionais e da tradicao oral. Essa tarefa de recolha poderia ser entregue a grupos de jovens desempregados que o fariam preferencialmente junto dos seus grupos etno-linguisticos de origem.
Desse modo, nao so’ se promoveria o emprego produtivo, como poderiamos ver surgir, entre outros veiculos de divulgacao, websites para a promocao nacional e internacional das linguas e culturas angolanas que seriam apresentadas, mantidas e desenvolvidas pelos seus detentores, o que garantiria um minimo de qualidade aos produtos culturais assim produzidos, em vez dos penosos e deprimentes “exercicios de mimica” que vemos/ouvimos praticar por “procuracao” por “interpostas pessoas”, “porta-vozes” ou “agentes culturais”, que a essas mais do que condenaveis praticas se entregam numa tentativa va de encobrirem o seu mais do que evidente racismo…
Estas apenas algumas ideias simples e praticas que poderiam ajudar a fazer alguma diferenca significativa no actual estado de coisas em que se assiste a “apropriacao primitiva de cultura” (tal como de capital…), privatizacao e adulteracao mais aviltantes e degradantes das nossas culturas nacionais.

João Craveirinha said...

O fantasma do me-satanhoco do Gobineau assombra o espectro televisivo no Brasil

O Retorno dos estereótipos ultrapassados de Gobineau do século XIX em força no século XXI já não me admira nada pois até um James Watson (cientista do ADN) repete os mesmos disparates anti-científicos do Conde de Gobineau. Sem dúvida é o resultado das novas guerras da Globalização em que “The Other” será sempre o non-white e o elo fraco da cadeia civilizacional para os ditos cujos superiores somente pelo elemento superficial da cor da pele e dos condicionalismos históricos para uns e avanços para outros.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1307829

Parece-me que no Brasil o gato se consome como lebre. Isto porque na realidade existe um total desconhecimento do próprio passado africano do Brasil com circa 70% de sangue afro-negróide (além do europeu e do ameríndio) e se calhar algum “one drop rule” a aplicar-se parte no Brasil se revelaria muito desse sangue afro e mesmo ser encontrado nos srs do vídeo do talk show da Globo, jocosamente se arvorando em superiores. Bem que o Jô Soares, na sua ignorância, tentou disfarçar a beleza desta ou daquela mulher com paternalismo de anfitrião.

A utilização errada e deturpação dos estudos naturalistas do século XIX, de Darwin, sobre a evolução das espécies seria o argumento para ligação do negro ao macaco em genealogia – nuns pseudos estudos etnográficos e antropológicos em que o negro estaria um pouco acima desse macaco - chimp. Esta ligação colocou sempre o branco de fora …E as anedotas racistas perduram ainda hoje com muito negro burro a rir-se das piadas contra si mesmo. Dá para entender? Somente o Franz Fanon para explicar melhor com o seu trabalho “PEAU NOIRE MASQUE BLANC” or "Black Skin, White Mask" (Pele negra, mascara branca) sobre a alienação cultural do negro espezinhado e despojado de sua identidade cultural e ainda agradece: obrigado patrão por rirmos juntos… dito hoje de outra forma esse black não se assumindo nessa pele noir para não ser visto pelos brancos como um dito racista negro ou anti-main stream…da globalização.

Enfim tudo volta ao início. Temas que na década de 1960 tanto lutamos para esclarecer os nossos irmãos menos esclarecidos.

Link da Universidade de Haravard sobre Fanon:

http://lms01.harvard.edu/F/8VF3H71UIFR9S8RKPN7I1MMI4CX9M47T6YYYCDPI355DD2S7T6-05699?func=find-b&find_code=SYS&request=007424478

Mas continuemos e vejamos este bem estruturado excerto
De Eneida de Fátima Miranda do Brasil

…“O moderno racismo europeu encontrou fundamento teórico na obra do conde de Gobineau, Essai sur l'inégalité des races humaines (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas) publicada em meados do século XIX. Nela, o autor francês sustentou que a civilização européia fora criação da raça ariana, uma minoria seleta da qual descendiam as aristocracias de toda a Europa e cujos integrantes eram os senhores "naturais" do resto da população. Outro paladino do racismo foi Houston Stewart Chamberlain, que, embora inglês de nascimento, tornou-se conhecido como "antropólogo do kaiser". Publicou na Alemanha, em 1899, Die Grundlagen des neunzehnten Jahrhunderts (Os fundamentos do século XIX), obra em que retomou o mito da raça ariana e identificou-a com o povo alemão. Outros autores, como Alfred Rosenberg, também contribuíram para criar a ideologia racista. Esta, convertida em programa político pelo nazismo,”

…retirado daqui: http://www.coladaweb.com/sociologia/racismo.htm

Por hoje é tudo princesa Koluki

João Craveirinha

Koluki said...
This comment has been removed by the author.
Veronica Benesi said...

Koluki,
Tenho lido seus posts mei que "do mais recente para o primeiro", e vim parar aqui, em nov de 2007.
Eu quase não vejo TV e, muito menos, o programa em questão.
Como brasileira, sinto-me envergonhada...
Meu Carinho todo especial às mulheres retratadas pelo tal Sr. Ruy... de quê mesmo, hein?
Abraço apertado da,
Veronica

Koluki said...

Querida Veronica,

Infelizmente este tipo de mal-entendidos derivados de preconceitos e ignorancias de seculos ainda vao acontecendo nos nossos dias.
Mas o que e' preciso e' estarmos atentos, principalmente nos mulheres, e nao nos calarmos perante isso.
Um abraco apertado tambem para si.