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Wednesday, 25 July 2007

A “FUGA”, OU O INSONDAVEL MISTERIO DA NACIONALIDADE SURRIPIADA…(Parte 1)




« (...) Os países comunistas excomungavam a emigração, considerada a mais odiosa traição. Todos os que permanecessem no exterior eram condenados in absencia no seu país de origem e os seus compatriotas não se atreviam a ter qualquer contacto com eles. (…) Se um país não é independente e nem sequer o quer ser, quererá alguém ainda morrer por ele? « (Extractos de «Ignorancia», por Milan Kundera)

Uma vez que estou em mare’ de peneirar as “riquissimas experiencias” que venho colhendo com este blog, impoe-se que fale de mais uma. Concretamente, dessa inusitada (embora nao inedita, porque desde que retomei um contacto mais directo e frequente com Angola nos ultimos anos ela vem-se repetindo com igual frequencia) vaga de ataques a minha nacionalidade. Confesso que e’ uma dessas coisas que se me afigura tao absurda que, apesar da frequencia com que se manifesta, das mais diversas origens e direccoes, nao consigo racionalizar.

Fala-se, no ambito da psicanalise, de “inveja do penis” ou de “inveja dos seios” por parte de quem nao tem uma coisa ou outra. A primeira condicao talvez explique alguns dos comportamentos que referi no meu post sobre “mulheres…” (este). Quanto a segunda, nao sei, dentre os meus mais abnegados detractores, quem a tera’, mas sei certamente que eu nao a tenho em relacao a ninguem… E parece-me tambem que qualquer desses tipos de inveja se assemelha muito ao que me parece ser “inveja da nacionalidade”.

E isto porque dificilmente se encontrara’ neste momento nacionalidade mais cobicada em Africa, ou em varias outras partes do mundo, do que a Angolana. Por todas, mais do que sabidas, razoes atinentes a extensao territorial, as riquezas naturais, as aparentemente vertiginosas taxas de crescimento economico, ao bom clima e belezas paisagisticas, a dita baixa densidade populacional, as fragilidades e carencias (materiais, sociais, espirituais e psicologicas) de uma sociedade ainda confusamente a procura de si propria e de um “futuro brilhante” num pais que se tenta reinventar, depois do mais estrondoso falhanco de uma tentativa mal-parida de invencao… enfim, por todas as conhecidas razoes. Acontece, porem, que nem toda a gente que a cobica, merecida ou imerecidamente, a tem, mesmo que possa ostentar um qualquer forjado, ou comprado, B.I.. Dai a inveja de quem, obviamente, inquestionavelmente e sem qualquer necessidade de comprovativos, em forma de documentos, bandeiras, ou mascaras, a tem… dai a necessidade compulsiva por parte de muitos de, nao so’ a tentarem obter “by all means necessary”, mas tambem de negarem, invalidarem, enfim, roubarem a nacionalidade Angolana de quem legitimamente a possui…

Dai os ataques cegos, as falas de “fuga” do pais, curiosamente por parte de criaturas que fugiram de Angola antes ou por altura da independencia e que nunca mais la’ voltaram, ou que, tendo-se la’ mantido, viveram la’ sempre em ilhas insuladas de todos os ventos e tempestades que durante os ultimos 32 anos afectaram a esmagadora maioria dos Angolanos… Disso ja’ falei extensamente no meu post sobre a musica do Bonga (entretanto editado, apenas por razoes que teem a ver com o meu caracter…), mas como, desde entao, tais ataques voltaram e continuam a verificar-se diariamente, como que brotando de uma fonte absurdamente inesgotavel de obtusidade, vejo-me forcada a voltar disso falar. Nao porque me sinta sob qualquer obrigacao de “prestar contas” a quem quer que seja sobre o meu “paradeiro”, ou sobre os ques, porques e aondes da minha residencia, nao que tenha que pedir desculpas a ninguem por ser IRREMEDIAVELMENTE ANGOLANA… Apenas, e tao so, porque gostaria, muito honesta e sinceramente, que certas pessoas ganhassem um pouco (uma vez que o “full monty” em tais casos se demonstra manifestamente impossivel) de nocao de ridiculo e vergonha na cara.

De resto, bem feitas as contas, na verdade nunca estive “fora” de Angola: se as minhas idas ao pais, anuais durante a primeira decada de residencia fora, menos frequentes, mas realizadas, durante a segunda decada e as sucessivas visitas que fiz, a intervalos de meses, nos ultimos cinco anos nao sao suficientes para o demonstrar, a minha participacao em diversas actividades e frequentes publicacoes sobre questoes Angolanas em varios “media outlets”, nacionais e internacionais, durante esse periodo de “ausencia”, para ja’ nao falar do permanente contacto com familiares e amigos na terra, atestam-no de forma inequivoca. Se, de todo esse tempo, algum periodo pode ser tido como de “ausencia total”, ele nao tera’ sido certamente maior do que o de qualquer das fulanas e sicranos que por ai andam a despejar bilis sobre a minha suposta “fuga” neste e noutros blogs… Direi apenas que e’, no minimo, aviltante, pretender-se ignorar, no meio de todos esses maus figados, que Angola nao foi um pais normal nos ultimos 30 anos… que, ‘a semelhanca de praticamente todos os paises Africanos, Angola tem contribuido com milhares, senao milhoes, dos seus nacionais para as vagas de emigracao para os paises vizinhos, a Europa, os EUA e um pouco para todo o mundo. Que tais ataques partam, via de regra, de nacionais, ou seus descendentes, de um pais, Portugal, conhecido historicamente como “pais de emigrantes” e que nunca teve uma guerra como a que Angola acaba de viver nas ultimas tres decadas, torna-o ainda mais aviltante e diz tudo sobre o (ou a falta de) caracter dos seus perpetradores e das suas verdadeiras motivacoes. E nao deixa de ser particularmente interessante que sejam os mesmos que recorrem bastamente ao “Angola da’ para todos” para justificarem os seus gritos de “todos para Angola e em forca”… Obviamente “todos” menos Angolanos como eu, que o unico crime que cometem e’ exporem objectivamente factos, historicos ou correntes, que essas criaturas nem sequer se atrevem a discutir ou contradizer, preferindo, muito vil e cobardemente, atacar a pessoa e as suas circunstancias, por manifestamente nao conseguirem “derrotar” as suas ideias! Mas… palavras para que, se o odio e a inveja, principalmente se acirrados pela cobica, sao cegos, como ja’ dizia S. Tomas de Aquino!

E, para finalizar, direi tambem isto: em termos legais, pelo menos ate’ 2012, vao ter que me “aturar” a falar e a comportar-me como ANGOLANA! Aqui e noutros espacos, reais ou virtuais – o que, na verdade, mais tem contribuido ultimamente para o acirrar de tais ataques: se outras provas nao bastassem, as doentias e vergonhosas reaccoes a minha recente entrevista ao blog Szavanna e, mais recentemente, ao meu post no GVO sobre o blog Serra da Chela, sao, quanto a isso, suficientemente elucidativas… Noutros termos, fiquem sabendo que a minha nacionalidade nao me foi “concedida” por nenhum Estado ou ser vivente: foi-o pelos meus ancestrais – todos enterrados em Angola! E, ja’ agora, mais direi: toda esta nefasta experiencia (com toda a sorte de sabotagens e hostilidades abertas ou veladas) apenas me tem demonstrado onde e’ que eu “NAO estaria” e o que “NAO teria sido” de mim, como mulher, como profissional e como ser humano, se nao tivesse encontrado a tempo este “safe heaven de Sua Magestade Britanica” – onde, que fique aqui registado, prefiro permanecer ate’ ao fim dos meus dias, do que regressar a uma Angola recolonizada ou neocolonizada!



[P.S.: Para complementar (encerrar?) esta conversa, deixo aqui em anexo mais uma cronica por mim publicada no SA ha’ 5 anos]




« (...) Os países comunistas excomungavam a emigração, considerada a mais odiosa traição. Todos os que permanecessem no exterior eram condenados in absencia no seu país de origem e os seus compatriotas não se atreviam a ter qualquer contacto com eles. (…) Se um país não é independente e nem sequer o quer ser, quererá alguém ainda morrer por ele? « (Extractos de «Ignorancia», por Milan Kundera)

Uma vez que estou em mare’ de peneirar as “riquissimas experiencias” que venho colhendo com este blog, impoe-se que fale de mais uma. Concretamente, dessa inusitada (embora nao inedita, porque desde que retomei um contacto mais directo e frequente com Angola nos ultimos anos ela vem-se repetindo com igual frequencia) vaga de ataques a minha nacionalidade. Confesso que e’ uma dessas coisas que se me afigura tao absurda que, apesar da frequencia com que se manifesta, das mais diversas origens e direccoes, nao consigo racionalizar.

Fala-se, no ambito da psicanalise, de “inveja do penis” ou de “inveja dos seios” por parte de quem nao tem uma coisa ou outra. A primeira condicao talvez explique alguns dos comportamentos que referi no meu post sobre “mulheres…” (este). Quanto a segunda, nao sei, dentre os meus mais abnegados detractores, quem a tera’, mas sei certamente que eu nao a tenho em relacao a ninguem… E parece-me tambem que qualquer desses tipos de inveja se assemelha muito ao que me parece ser “inveja da nacionalidade”.

E isto porque dificilmente se encontrara’ neste momento nacionalidade mais cobicada em Africa, ou em varias outras partes do mundo, do que a Angolana. Por todas, mais do que sabidas, razoes atinentes a extensao territorial, as riquezas naturais, as aparentemente vertiginosas taxas de crescimento economico, ao bom clima e belezas paisagisticas, a dita baixa densidade populacional, as fragilidades e carencias (materiais, sociais, espirituais e psicologicas) de uma sociedade ainda confusamente a procura de si propria e de um “futuro brilhante” num pais que se tenta reinventar, depois do mais estrondoso falhanco de uma tentativa mal-parida de invencao… enfim, por todas as conhecidas razoes. Acontece, porem, que nem toda a gente que a cobica, merecida ou imerecidamente, a tem, mesmo que possa ostentar um qualquer forjado, ou comprado, B.I.. Dai a inveja de quem, obviamente, inquestionavelmente e sem qualquer necessidade de comprovativos, em forma de documentos, bandeiras, ou mascaras, a tem… dai a necessidade compulsiva por parte de muitos de, nao so’ a tentarem obter “by all means necessary”, mas tambem de negarem, invalidarem, enfim, roubarem a nacionalidade Angolana de quem legitimamente a possui…

Dai os ataques cegos, as falas de “fuga” do pais, curiosamente por parte de criaturas que fugiram de Angola antes ou por altura da independencia e que nunca mais la’ voltaram, ou que, tendo-se la’ mantido, viveram la’ sempre em ilhas insuladas de todos os ventos e tempestades que durante os ultimos 32 anos afectaram a esmagadora maioria dos Angolanos… Disso ja’ falei extensamente no meu post sobre a musica do Bonga (entretanto editado, apenas por razoes que teem a ver com o meu caracter…), mas como, desde entao, tais ataques voltaram e continuam a verificar-se diariamente, como que brotando de uma fonte absurdamente inesgotavel de obtusidade, vejo-me forcada a voltar disso falar. Nao porque me sinta sob qualquer obrigacao de “prestar contas” a quem quer que seja sobre o meu “paradeiro”, ou sobre os ques, porques e aondes da minha residencia, nao que tenha que pedir desculpas a ninguem por ser IRREMEDIAVELMENTE ANGOLANA… Apenas, e tao so, porque gostaria, muito honesta e sinceramente, que certas pessoas ganhassem um pouco (uma vez que o “full monty” em tais casos se demonstra manifestamente impossivel) de nocao de ridiculo e vergonha na cara.

De resto, bem feitas as contas, na verdade nunca estive “fora” de Angola: se as minhas idas ao pais, anuais durante a primeira decada de residencia fora, menos frequentes, mas realizadas, durante a segunda decada e as sucessivas visitas que fiz, a intervalos de meses, nos ultimos cinco anos nao sao suficientes para o demonstrar, a minha participacao em diversas actividades e frequentes publicacoes sobre questoes Angolanas em varios “media outlets”, nacionais e internacionais, durante esse periodo de “ausencia”, para ja’ nao falar do permanente contacto com familiares e amigos na terra, atestam-no de forma inequivoca. Se, de todo esse tempo, algum periodo pode ser tido como de “ausencia total”, ele nao tera’ sido certamente maior do que o de qualquer das fulanas e sicranos que por ai andam a despejar bilis sobre a minha suposta “fuga” neste e noutros blogs… Direi apenas que e’, no minimo, aviltante, pretender-se ignorar, no meio de todos esses maus figados, que Angola nao foi um pais normal nos ultimos 30 anos… que, ‘a semelhanca de praticamente todos os paises Africanos, Angola tem contribuido com milhares, senao milhoes, dos seus nacionais para as vagas de emigracao para os paises vizinhos, a Europa, os EUA e um pouco para todo o mundo. Que tais ataques partam, via de regra, de nacionais, ou seus descendentes, de um pais, Portugal, conhecido historicamente como “pais de emigrantes” e que nunca teve uma guerra como a que Angola acaba de viver nas ultimas tres decadas, torna-o ainda mais aviltante e diz tudo sobre o (ou a falta de) caracter dos seus perpetradores e das suas verdadeiras motivacoes. E nao deixa de ser particularmente interessante que sejam os mesmos que recorrem bastamente ao “Angola da’ para todos” para justificarem os seus gritos de “todos para Angola e em forca”… Obviamente “todos” menos Angolanos como eu, que o unico crime que cometem e’ exporem objectivamente factos, historicos ou correntes, que essas criaturas nem sequer se atrevem a discutir ou contradizer, preferindo, muito vil e cobardemente, atacar a pessoa e as suas circunstancias, por manifestamente nao conseguirem “derrotar” as suas ideias! Mas… palavras para que, se o odio e a inveja, principalmente se acirrados pela cobica, sao cegos, como ja’ dizia S. Tomas de Aquino!

E, para finalizar, direi tambem isto: em termos legais, pelo menos ate’ 2012, vao ter que me “aturar” a falar e a comportar-me como ANGOLANA! Aqui e noutros espacos, reais ou virtuais – o que, na verdade, mais tem contribuido ultimamente para o acirrar de tais ataques: se outras provas nao bastassem, as doentias e vergonhosas reaccoes a minha recente entrevista ao blog Szavanna e, mais recentemente, ao meu post no GVO sobre o blog Serra da Chela, sao, quanto a isso, suficientemente elucidativas… Noutros termos, fiquem sabendo que a minha nacionalidade nao me foi “concedida” por nenhum Estado ou ser vivente: foi-o pelos meus ancestrais – todos enterrados em Angola! E, ja’ agora, mais direi: toda esta nefasta experiencia (com toda a sorte de sabotagens e hostilidades abertas ou veladas) apenas me tem demonstrado onde e’ que eu “NAO estaria” e o que “NAO teria sido” de mim, como mulher, como profissional e como ser humano, se nao tivesse encontrado a tempo este “safe heaven de Sua Magestade Britanica” – onde, que fique aqui registado, prefiro permanecer ate’ ao fim dos meus dias, do que regressar a uma Angola recolonizada ou neocolonizada!



[P.S.: Para complementar (encerrar?) esta conversa, deixo aqui em anexo mais uma cronica por mim publicada no SA ha’ 5 anos]