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Friday, 2 July 2010

Meio Ano Adentro no Annus Angolensis...


Ordem no circo musical da banda

Depois de termos aqui, muito recentemente, manifestado a nossa "intolerância" em relação ao kuduro, num apontamento dedicado ao sublime projecto Kapossoka, Ismael Mateus juntou-se a nós com o seu Voto na Matéria para colocar a necessária ordem no nosso circo musical. Fê-lo esta semana no SA de forma magistral. "Somos muito mais do que uns gritos ao microfone, uns acordes de sintetizador e uns coros desafinados. Valemos muito mais do que isso e temos mais riqueza cultural do que isso"- assim escreveu IM. Plenamente de acordo nesta discordância com a promoção do tal de kuduro como sendo a nossa nova bandeira. Não é nada disso, camaradas!

Reginaldo Silva, Aqui



Uma estranha obsessão oficial pelo kuduro

Temos assistido a manifestações particulares de apoio ao kuduro feitas por figuras do Estado e de grande representação politica nacional. Não há, obviamente, nada contra isso. Cada um gosta e ouve o que quiser. Temos, porém, já mais reservas quando começamos a ouvir tantas palavras oficiais de incentivo a esse género musical. A comissária de Angola na Expo Shangai, Albina Assis, fez um rasgado elogio ao kuduro como música angolana do momento, justificando a opção de o levado àquele palco de amostra da cultura angolana. O adido cultural de Angola no Brasil idem aspas ,falando do que realmente mais ‹‹se vende›› de música angolana naquele país. Temos também assistido a uma certa cumplicidade ‹‹oficial›› do ministério da Cultura, de críticos e sobretudo dos canais de televisão do Estado. (…) Mais do que os receios da entronizaçao do semba como símbolo único da música angolana, estamos hoje perante algo maior que é a vulgarização consumista da música angolana. Sentimos nas estaçoes públicas de rádio e de televisao e nos meios de decisao oficial uma tendência para o descompromisso com a cultura angolana, o que nos deixa verdadeiramente preocupados.

Ismael Mateus, in SA#373


Posts Relacionados:

Annus Angolensis

Coisas do Arco da Velha

Kuduro no FT

Angola: Tema para Debate

Casa da Musica

E, com a devida venia ao amigo Fernando Ribeiro de A Materia do Tempo:

Kuduro



Kamussekele [Dog Murras, feat. Bonga]

Ordem no circo musical da banda

Depois de termos aqui, muito recentemente, manifestado a nossa "intolerância" em relação ao kuduro, num apontamento dedicado ao sublime projecto Kapossoka, Ismael Mateus juntou-se a nós com o seu Voto na Matéria para colocar a necessária ordem no nosso circo musical. Fê-lo esta semana no SA de forma magistral. "Somos muito mais do que uns gritos ao microfone, uns acordes de sintetizador e uns coros desafinados. Valemos muito mais do que isso e temos mais riqueza cultural do que isso"- assim escreveu IM. Plenamente de acordo nesta discordância com a promoção do tal de kuduro como sendo a nossa nova bandeira. Não é nada disso, camaradas!

Reginaldo Silva, Aqui



Uma estranha obsessão oficial pelo kuduro

Temos assistido a manifestações particulares de apoio ao kuduro feitas por figuras do Estado e de grande representação politica nacional. Não há, obviamente, nada contra isso. Cada um gosta e ouve o que quiser. Temos, porém, já mais reservas quando começamos a ouvir tantas palavras oficiais de incentivo a esse género musical. A comissária de Angola na Expo Shangai, Albina Assis, fez um rasgado elogio ao kuduro como música angolana do momento, justificando a opção de o levado àquele palco de amostra da cultura angolana. O adido cultural de Angola no Brasil idem aspas ,falando do que realmente mais ‹‹se vende›› de música angolana naquele país. Temos também assistido a uma certa cumplicidade ‹‹oficial›› do ministério da Cultura, de críticos e sobretudo dos canais de televisão do Estado. (…) Mais do que os receios da entronizaçao do semba como símbolo único da música angolana, estamos hoje perante algo maior que é a vulgarização consumista da música angolana. Sentimos nas estaçoes públicas de rádio e de televisao e nos meios de decisao oficial uma tendência para o descompromisso com a cultura angolana, o que nos deixa verdadeiramente preocupados.

Ismael Mateus, in SA#373


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E, com a devida venia ao amigo Fernando Ribeiro de A Materia do Tempo:

Kuduro



Kamussekele [Dog Murras, feat. Bonga]

Sunday, 28 February 2010

Mais alguns passos adiante no Annus Angolensis...


Como uma verdadeira lufada de ar fresco para tanta asfixia intelectual e académica que vai grassando por estas bandas, passou por nós recentemente alguém vindo da prestigiada Universidade de Coimbra, de sua graça Costa Andrade- um nome que tem a particularidade de nos ser bastante “familiar”. Estranhamente "familiar".
(…)
O prof. Costa Andrade veio até nós com a sua bagagem a transbordar de conhecimentos numa área da ciência jurídica - a do direito relacionado com a liberdade de imprensa e a comunicação social- onde localmente o défice é verdadeiramente assustador, a levantar outras questões mais delicadas até no plano da própria honestidade intelectual.
O reparo nada simpático é naturalmente dirigido aos nossos juristas ou a uma parte deles que nos últimos tempos se têm pronunciado sobre a matéria, com um visão tão redutora do fenómeno, que os atira definitivamente para a prateleira dos “advogados do diabo”, onde de facto estão a prestar um bom serviço.
O recurso a esta expressão só aparentemente poderá ser considerada ofensiva, uma vez que é nossa intenção colocar, o mais fundo possível, o dedo numa ferida que tem a ver com o papel dos intelectuais na nossa sociedade.
Trata-se de uma ferida já crónica, um verdadeiro "mabute".
Depois de todas as lições que à esquerda e à direita a história foi generosa em dar-nos, a este respeito somos resolutamente partidários de uma postura assumidamente independente da parte dos intelectuais em qualquer sociedade e contexto político, o que não põe em causa as suas eventuais opções partidárias ou eleitorais. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Criticar o “camarada Presidente” já não pode ser mais uma heresia, nem motivo para prolongadas travessias no deserto. Desgraçadamente ainda é.
Depois de tudo aquilo que nos foi dado a ouvir da boca do Prof. Costa Andrade - para total conforto e integral satisfação das nossas preocupações- pouco haverá mais para acrescentar em termos académicos ao debate sobre a liberdade de imprensa e os seus limites. Os tão famosos limites que os nossos “advogados do diabo” querem hoje transformar no próprio fundamento de um direito constitucional que é a liberdade de imprensa.
Mais do que isso, conforme frisou Costa Andrade referindo-se à liberdade de imprensa, estamos diante de uma verdadeira instituição do estado democrático, que ultrapassa os jornalistas e as suas makas com os políticos e vice-versa, para se apresentar como um dos pilares da própria sociedade, sem o qual é impensável falar-se em democracia.
(…)
Puxando abertamente o “cacusso para o nosso carvão”, diríamos que a liberdade de imprensa é a única garantia que os cidadãos têm rapidamente à sua mão para “sobreviverem” individualmente, sobretudo quando os “poderes democráticos” começam a ter ataques de caspa, de tosse convulsa ou de nervos de galinha.
São sintomas que, diariamente, vamos observando por estas bandas onde, em abono da verdade, o “estado de sitio” é já uma realidade, que os diferentes porta-vozes do regime tentam pintar de amarelo e de outras cores mais simpáticas.
Algumas das liberdades fundamentais em Angola estão efectivamente suspensas, estando o seu exercício dependente agora do bom ou mau humor das autoridades administrativas, que vão assim permitindo algumas “manobras” da malta. Depois fazem discursos inflamados dizendo que só num país onde há liberdade de imprensa é que a mesma pode ser discutida tão abertamente. O sofisma chega a ser brilhante, mas já não convence ninguém. Em qualquer parte do mundo o problema do exercício das liberdades está na ausência do medo; medo este que, como se sabe, é neste momento o principal produto distribuído pelas diferentes agências governamentais que se ocupam da “aplicação” da lei.
Em Angola o medo de ir parar a uma cadeia imunda e infecta é tão grande, tão grande, que paralisa os mais corajosos, por isso é que a coragem neste país precisava de outros programas televisivos e radiofónicos mais abrangentes que nos falassem deste valor em todas as suas dimensões.

Reginaldo Silva (aqui)



Notícias vindas de Portugal convidam-nos a reflectir sobre a concentração da mídia no nosso país. Nos últimos dias a sociedade portuguesa tem discutido um alegado plano governamental de compra de uma televisão privada através de uma empresa pública. A conclusão é a que todos já sabem: qualquer tutela de órgãos de comunicação, seja pública ou privada, tem o fim último de influenciar os conteúdos informativos.
(…)
Há, assim, muitos cruzamentos com Angola para não vermos semelhanças entre a estratégia de concentração desenvolvida tanto pela MediaNova como pela Score Media. A MediaNova detém a TV Zimbo, o jornal O País, a Rádio Mais, o Semanário Económico, a revista Chocolate, a revista Exame, uma agência de publicidade, Publivision, e ainda uma empresa de meios e a gráfica Damer. A Score Media, por sua vez, detém os semanários Sol que circula em Portugal, Angola e Moçambique, e Expansão, e a revista Estratégia. Diz-se que brevemente avançará para uma rádio e para um canal de TV. Qualquer destas empresas, que agora dominam a mídia angolana, estão afectos a pessoas ligadas ao poder político e económico. Os seus conteúdos e opções editoriais acabam por engrossar uma corrente de jornalismo light pró-governamental, há muito praticada pelos órgãos públicos. Trata-se, na verdade, da mesma corrente política, o mesmo modo de ver o país.
(…)
O lado perverso da concentração é que os grupos ganham poderes para alterar as regras da concorrência, moldar o mercado segundo as suas conveniências. De resto, foi o que aconteceu com a sobrevalorização dos salários dos jornalistas protagonizado primeiro pelos órgãos públicos e, depois, pela MediaNova. Se, por um lado, se pode alegar que se trata de uma mera operação comercial, por outro somos forçados a reflectir urgentemente sobre os perigos não só da concentração em si, mas da concentração na mídia num país diverso, pluriétnico, com grupos económicos emergentes e em reconciliação nacional. Nos países mais avançados é a imprensa pública que faz o contraponto, assegurando um serviço público isento, divulgador e potenciador da diversidade. No nosso caso, a prática demonstra que é exactamente o serviço público que menos abertura concede à opinião diferente e à divulgação de sensibilidades diferentes de um mesmo assunto. A concentração da mídia acarreta, no nosso caso, perigos muito maiores, susceptíveis de levar ao silenciamento de sensibilidades, manipulação da opinião pública, com títulos diferenciados a divulgarem uma mesma e única visão dos problemas e fenómenos da sociedade ou, ainda, a imposição de valores que sejam do interesse dos grupos dominantes. Temos, então, um problema de ordem estratégica que deve levar a nova ministra da Comunicação Social a agir rapidamente.
(…)
Sobretudo porque também há a suspeita de que a referida concentração da mídia estará a ser feita à custa de dinheiro que era suposto ser de todos os angolanos. ■

Ismael Mateus (in SA#356,p.17)



Como uma verdadeira lufada de ar fresco para tanta asfixia intelectual e académica que vai grassando por estas bandas, passou por nós recentemente alguém vindo da prestigiada Universidade de Coimbra, de sua graça Costa Andrade- um nome que tem a particularidade de nos ser bastante “familiar”. Estranhamente "familiar".
(…)
O prof. Costa Andrade veio até nós com a sua bagagem a transbordar de conhecimentos numa área da ciência jurídica - a do direito relacionado com a liberdade de imprensa e a comunicação social- onde localmente o défice é verdadeiramente assustador, a levantar outras questões mais delicadas até no plano da própria honestidade intelectual.
O reparo nada simpático é naturalmente dirigido aos nossos juristas ou a uma parte deles que nos últimos tempos se têm pronunciado sobre a matéria, com um visão tão redutora do fenómeno, que os atira definitivamente para a prateleira dos “advogados do diabo”, onde de facto estão a prestar um bom serviço.
O recurso a esta expressão só aparentemente poderá ser considerada ofensiva, uma vez que é nossa intenção colocar, o mais fundo possível, o dedo numa ferida que tem a ver com o papel dos intelectuais na nossa sociedade.
Trata-se de uma ferida já crónica, um verdadeiro "mabute".
Depois de todas as lições que à esquerda e à direita a história foi generosa em dar-nos, a este respeito somos resolutamente partidários de uma postura assumidamente independente da parte dos intelectuais em qualquer sociedade e contexto político, o que não põe em causa as suas eventuais opções partidárias ou eleitorais. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Criticar o “camarada Presidente” já não pode ser mais uma heresia, nem motivo para prolongadas travessias no deserto. Desgraçadamente ainda é.
Depois de tudo aquilo que nos foi dado a ouvir da boca do Prof. Costa Andrade - para total conforto e integral satisfação das nossas preocupações- pouco haverá mais para acrescentar em termos académicos ao debate sobre a liberdade de imprensa e os seus limites. Os tão famosos limites que os nossos “advogados do diabo” querem hoje transformar no próprio fundamento de um direito constitucional que é a liberdade de imprensa.
Mais do que isso, conforme frisou Costa Andrade referindo-se à liberdade de imprensa, estamos diante de uma verdadeira instituição do estado democrático, que ultrapassa os jornalistas e as suas makas com os políticos e vice-versa, para se apresentar como um dos pilares da própria sociedade, sem o qual é impensável falar-se em democracia.
(…)
Puxando abertamente o “cacusso para o nosso carvão”, diríamos que a liberdade de imprensa é a única garantia que os cidadãos têm rapidamente à sua mão para “sobreviverem” individualmente, sobretudo quando os “poderes democráticos” começam a ter ataques de caspa, de tosse convulsa ou de nervos de galinha.
São sintomas que, diariamente, vamos observando por estas bandas onde, em abono da verdade, o “estado de sitio” é já uma realidade, que os diferentes porta-vozes do regime tentam pintar de amarelo e de outras cores mais simpáticas.
Algumas das liberdades fundamentais em Angola estão efectivamente suspensas, estando o seu exercício dependente agora do bom ou mau humor das autoridades administrativas, que vão assim permitindo algumas “manobras” da malta. Depois fazem discursos inflamados dizendo que só num país onde há liberdade de imprensa é que a mesma pode ser discutida tão abertamente. O sofisma chega a ser brilhante, mas já não convence ninguém. Em qualquer parte do mundo o problema do exercício das liberdades está na ausência do medo; medo este que, como se sabe, é neste momento o principal produto distribuído pelas diferentes agências governamentais que se ocupam da “aplicação” da lei.
Em Angola o medo de ir parar a uma cadeia imunda e infecta é tão grande, tão grande, que paralisa os mais corajosos, por isso é que a coragem neste país precisava de outros programas televisivos e radiofónicos mais abrangentes que nos falassem deste valor em todas as suas dimensões.

Reginaldo Silva (aqui)



Notícias vindas de Portugal convidam-nos a reflectir sobre a concentração da mídia no nosso país. Nos últimos dias a sociedade portuguesa tem discutido um alegado plano governamental de compra de uma televisão privada através de uma empresa pública. A conclusão é a que todos já sabem: qualquer tutela de órgãos de comunicação, seja pública ou privada, tem o fim último de influenciar os conteúdos informativos.
(…)
Há, assim, muitos cruzamentos com Angola para não vermos semelhanças entre a estratégia de concentração desenvolvida tanto pela MediaNova como pela Score Media. A MediaNova detém a TV Zimbo, o jornal O País, a Rádio Mais, o Semanário Económico, a revista Chocolate, a revista Exame, uma agência de publicidade, Publivision, e ainda uma empresa de meios e a gráfica Damer. A Score Media, por sua vez, detém os semanários Sol que circula em Portugal, Angola e Moçambique, e Expansão, e a revista Estratégia. Diz-se que brevemente avançará para uma rádio e para um canal de TV. Qualquer destas empresas, que agora dominam a mídia angolana, estão afectos a pessoas ligadas ao poder político e económico. Os seus conteúdos e opções editoriais acabam por engrossar uma corrente de jornalismo light pró-governamental, há muito praticada pelos órgãos públicos. Trata-se, na verdade, da mesma corrente política, o mesmo modo de ver o país.
(…)
O lado perverso da concentração é que os grupos ganham poderes para alterar as regras da concorrência, moldar o mercado segundo as suas conveniências. De resto, foi o que aconteceu com a sobrevalorização dos salários dos jornalistas protagonizado primeiro pelos órgãos públicos e, depois, pela MediaNova. Se, por um lado, se pode alegar que se trata de uma mera operação comercial, por outro somos forçados a reflectir urgentemente sobre os perigos não só da concentração em si, mas da concentração na mídia num país diverso, pluriétnico, com grupos económicos emergentes e em reconciliação nacional. Nos países mais avançados é a imprensa pública que faz o contraponto, assegurando um serviço público isento, divulgador e potenciador da diversidade. No nosso caso, a prática demonstra que é exactamente o serviço público que menos abertura concede à opinião diferente e à divulgação de sensibilidades diferentes de um mesmo assunto. A concentração da mídia acarreta, no nosso caso, perigos muito maiores, susceptíveis de levar ao silenciamento de sensibilidades, manipulação da opinião pública, com títulos diferenciados a divulgarem uma mesma e única visão dos problemas e fenómenos da sociedade ou, ainda, a imposição de valores que sejam do interesse dos grupos dominantes. Temos, então, um problema de ordem estratégica que deve levar a nova ministra da Comunicação Social a agir rapidamente.
(…)
Sobretudo porque também há a suspeita de que a referida concentração da mídia estará a ser feita à custa de dinheiro que era suposto ser de todos os angolanos. ■

Ismael Mateus (in SA#356,p.17)


Saturday, 20 February 2010

E assim continua o Annus Angolensis...


[Ismael Mateus - in SA #355, pg. 17]



Cansado de ver o meu grupo a ser vergonhosamente derrotado pelo Júri na secretaria, este ano nem vi o Unidos a desfilar na Marginal. Este ano, pelos vistos, foi o Júri que se cansou de combater o que há de melhor no Carnaval de Luanda e lá nos fez o "favor" de reconhecer o óbvio. E o óbvio é que o Unidos de Caxinde, com apenas cerca de 10 anos de existência, é mesmo o melhor, na tradição e na modernidade, quer o Júri queira, quer não. Este ano, pela 2ª vez, o Júri quis. Bem hajam!

{Reginaldo Silva - aqui}

[Ismael Mateus - in SA #355, pg. 17]



Cansado de ver o meu grupo a ser vergonhosamente derrotado pelo Júri na secretaria, este ano nem vi o Unidos a desfilar na Marginal. Este ano, pelos vistos, foi o Júri que se cansou de combater o que há de melhor no Carnaval de Luanda e lá nos fez o "favor" de reconhecer o óbvio. E o óbvio é que o Unidos de Caxinde, com apenas cerca de 10 anos de existência, é mesmo o melhor, na tradição e na modernidade, quer o Júri queira, quer não. Este ano, pela 2ª vez, o Júri quis. Bem hajam!

{Reginaldo Silva - aqui}

Sunday, 17 January 2010

E assim Começa o Annus Angolensis

Servimo-nos do extracto da crónica que Pepetela publicou no África 21 e que abaixo reproduzimos, com a devida vénia, para desejar as melhores entradas em 2010 a todos os invertebrados deste e de outros países.
Feliz Ano Novo a todos!


Reginaldo Silva
[aqui]

“(…) estamos habituados a que não se respeite metodologias e acordos passados; o espantoso é que bastou o chefe dizer que talvez tivesse outra ideia para todos declararem que nunca estiveram de acordo com a proposta apresentada com fanfarra e fogo-de-artifício, para se arregimentarem militante e agressivamente atrás da palavra do chefe. E lá vimos os mesmos de sempre a argumentar convictamente sobre a perspicácia, a ousadia intelectual, a inovação, etc. (já se conhecem os encómios dos discursos de fim de ano ou de aniversário) …
O lambe-botismo de alguns políticos e comentadores raia a sem-vergonhice mesmo.
Estão lá só para cantar angélicas melodias aos ouvidos de quem manda e apanhar as migalhas.
O problema é que de tanto lamber botas, os responsáveis menores e intelectuais de plantão já têm a língua áspera como lixa.
De onde se conclui que o melhor militante é o que tem língua de gato. Por isso, a entrada para um próximo congresso será a aspereza da língua.”

[Pepetela in Africa21/Dezembro-Janeiro 2010]


A mudança de hábitos e de mentalidade de que todos falam implica enfrentar esse inimigo oculto que é o lambebotismo. Toda a máquina politica e administrativa
está infestada pelo lambebotismo. Tornou-se um meio de ascensão social. Suplanta a competência ou o saber cientifico. Todos os que procurem ser apenas competentes ou que sejam rigorosos tecnicamente não chegam a lado nenhum ou se alguma vez chegados ao topo vivem em permanente aviso de demissão. É igual ou pior que a prostituição de rua. Os que aparecem na imprensa são bastante conhecidos. Falta conhecer os graúdos. Aqueles que alimentam a máquina. Deveríamos fazer com que os seus filhos lhes perguntassem à mesa do jantar: ‹‹na minha escola dizem que o papá é um lambe-botas. O que é um lambe-botas?›› ou que os seus amigos e familiares se envergonhassem deles pela falta de caracter.


Ismael Mateus
[aqui]

Servimo-nos do extracto da crónica que Pepetela publicou no África 21 e que abaixo reproduzimos, com a devida vénia, para desejar as melhores entradas em 2010 a todos os invertebrados deste e de outros países.
Feliz Ano Novo a todos!


Reginaldo Silva
[
aqui]

“(…) estamos habituados a que não se respeite metodologias e acordos passados; o espantoso é que bastou o chefe dizer que talvez tivesse outra ideia para todos declararem que nunca estiveram de acordo com a proposta apresentada com fanfarra e fogo-de-artifício, para se arregimentarem militante e agressivamente atrás da palavra do chefe. E lá vimos os mesmos de sempre a argumentar convictamente sobre a perspicácia, a ousadia intelectual, a inovação, etc. (já se conhecem os encómios dos discursos de fim de ano ou de aniversário) …
O lambe-botismo de alguns políticos e comentadores raia a sem-vergonhice mesmo.
Estão lá só para cantar angélicas melodias aos ouvidos de quem manda e apanhar as migalhas.
O problema é que de tanto lamber botas, os responsáveis menores e intelectuais de plantão já têm a língua áspera como lixa.
De onde se conclui que o melhor militante é o que tem língua de gato. Por isso, a entrada para um próximo congresso será a aspereza da língua.”

[Pepetela in Africa21/Dezembro-Janeiro 2010]


A mudança de hábitos e de mentalidade de que todos falam implica enfrentar esse inimigo oculto que é o lambebotismo. Toda a máquina politica e administrativa
está infestada pelo lambebotismo. Tornou-se um meio de ascensão social. Suplanta a competência ou o saber cientifico. Todos os que procurem ser apenas competentes ou que sejam rigorosos tecnicamente não chegam a lado nenhum ou se alguma vez chegados ao topo vivem em permanente aviso de demissão. É igual ou pior que a prostituição de rua. Os que aparecem na imprensa são bastante conhecidos. Falta conhecer os graúdos. Aqueles que alimentam a máquina. Deveríamos fazer com que os seus filhos lhes perguntassem à mesa do jantar: ‹‹na minha escola dizem que o papá é um lambe-botas. O que é um lambe-botas?›› ou que os seus amigos e familiares se envergonhassem deles pela falta de caracter.


Ismael Mateus
[aqui]