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Monday, 5 February 2007

TRAÇOS DE HERBERTO HELDER EM LUANDA

Nos anos 70 o Herberto vivia em Luanda e trabalhava na revista Noticia, trazido pelo João Fernandes, director e autor da crónica semanal "Chuva e Bom Tempo". Eu próprio, na época tinha uma crónica semanal, "A Descoberta da Ilha", título tirado de um poema do Brasileiro Jorge de Lima.
Conosco um poeta Açoreano, que consta dos anais dos surrealistas Portugueses, o José Sebag. Escrevia-se muito bom Português, naquele tempo no Noticia. E bebia-se melhor. Tinhamos uma sede devastadora.
O José Sebag não resisitiu. Morreu cedo.


Mas vou contar uma história dele:

- O Zé Sebag para ganhar uns tostões até discursos escreveria. Lembro-me de ele ter escrito uma reportagem na linguagem do fotógrafo que cobriu o acontecimento, óptimo fotografo mas incapaz de escrever a história. Ele contou a história ao Zé Sebag e pudemos ler a reportagem como se tivesse sido escrita pelo fotógrafo. Uma pequena maravilha.

- Tinha um gancho na Revista das Pescas, dirigida pela Maria Virginia Aguiar, que lhe entregou a Página literária. A certa altura já havia 2 meses de pagamento da colaboração em atraso e o Zé andava muito nervoso, como sempre sem cheta e cheio de sede.
A Maria Virginia sempre a correr, metida nas habituais complicações. O Zé desesperado.
Ela pede ao Zé Sebag que entregue no último dia, já na tipografia, a página literária pois ela lhe pagaria na próxima semana.

E a Revista das Pescas saiu com Página literária. Em letras garrafais o Zé Sebag tinha escrito: - Página literária ----- Uma Ova.
Fez um sucesso, como se pode imaginar.

O Herberto teve a sorte de encontrar uma Angolana - a Olga que o agarrou até hoje e o mantem no seu isolamento tão profíquo.

(José Alçada, a.k.a. N'Kissi Yangue")

Sobre o Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Helder

POESIA
BIOGRAFIA
Nos anos 70 o Herberto vivia em Luanda e trabalhava na revista Noticia, trazido pelo João Fernandes, director e autor da crónica semanal "Chuva e Bom Tempo". Eu próprio, na época tinha uma crónica semanal, "A Descoberta da Ilha", título tirado de um poema do Brasileiro Jorge de Lima.
Conosco um poeta Açoreano, que consta dos anais dos surrealistas Portugueses, o José Sebag. Escrevia-se muito bom Português, naquele tempo no Noticia. E bebia-se melhor. Tinhamos uma sede devastadora.
O José Sebag não resisitiu. Morreu cedo.


Mas vou contar uma história dele:

- O Zé Sebag para ganhar uns tostões até discursos escreveria. Lembro-me de ele ter escrito uma reportagem na linguagem do fotógrafo que cobriu o acontecimento, óptimo fotografo mas incapaz de escrever a história. Ele contou a história ao Zé Sebag e pudemos ler a reportagem como se tivesse sido escrita pelo fotógrafo. Uma pequena maravilha.

- Tinha um gancho na Revista das Pescas, dirigida pela Maria Virginia Aguiar, que lhe entregou a Página literária. A certa altura já havia 2 meses de pagamento da colaboração em atraso e o Zé andava muito nervoso, como sempre sem cheta e cheio de sede.
A Maria Virginia sempre a correr, metida nas habituais complicações. O Zé desesperado.
Ela pede ao Zé Sebag que entregue no último dia, já na tipografia, a página literária pois ela lhe pagaria na próxima semana.

E a Revista das Pescas saiu com Página literária. Em letras garrafais o Zé Sebag tinha escrito: - Página literária ----- Uma Ova.
Fez um sucesso, como se pode imaginar.

O Herberto teve a sorte de encontrar uma Angolana - a Olga que o agarrou até hoje e o mantem no seu isolamento tão profíquo.

(José Alçada, a.k.a. N'Kissi Yangue")

Sobre o Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Helder

POESIA
BIOGRAFIA

Sunday, 4 February 2007

RIO CUBAL & SANGANO


A paragem no rio Cubal, para quem faz a estrada Luanda - Lobito é sempre obrigatória, para ver aquele canyon impressionante.

Desta vez apanhei os miudos com jangadas improvisadas trazendo bananas para vender aos passantes.

E no regresso uma foto da foz do Cubal e um pôr do Sol em Sangano.

Para fazer saudades.
"N'Kissi Yangue"

(Ver Slideshow Aqui)

A paragem no rio Cubal, para quem faz a estrada Luanda - Lobito é sempre obrigatória, para ver aquele canyon impressionante.

Desta vez apanhei os miudos com jangadas improvisadas trazendo bananas para vender aos passantes.

E no regresso uma foto da foz do Cubal e um pôr do Sol em Sangano.

Para fazer saudades.
"N'Kissi Yangue"

(Ver Slideshow Aqui)

Monday, 22 January 2007

ONZO YA N'ZAMBI



Neste fim de semana procurávamos as sepulturas cavadas na rocha onde os antigos chefes e sobas eram enterrados.
Queria também saber mais sobre as práticas funerárias e feiticistas ligadas aquele lugar. Na minha qualidade de N'Kissi Yangue ( O que nasce com feitiço ) trazida de Cabinda tenho direito a alguma informação, entre colegas de oficio.
Ao longe vi uma silhueta do que me pareceu ser uma enorme casa, num sitio impossível.
Perguntei e responderam-me que era "Onzo ya N'Zambi" - a Casa de Deus - La Maison de Dieu - The House of God.
Conforme nos fomos aproximando percebi tratar-se de uma formação rochosa, um capricho vulcânico, mas concordei com eles.
Era o sitio ideal e certamente a mão do homem nunca conseguiria fazer aquilo.

Vejam e digam o que vos parece.

(José Alçada)


(This post is reblogged by African Women Blogs)



Neste fim de semana procurávamos as sepulturas cavadas na rocha onde os antigos chefes e sobas eram enterrados.
Queria também saber mais sobre as práticas funerárias e feiticistas ligadas aquele lugar. Na minha qualidade de N'Kissi Yangue ( O que nasce com feitiço ) trazida de Cabinda tenho direito a alguma informação, entre colegas de oficio.
Ao longe vi uma silhueta do que me pareceu ser uma enorme casa, num sitio impossível.
Perguntei e responderam-me que era "Onzo ya N'Zambi" - a Casa de Deus - La Maison de Dieu - The House of God.
Conforme nos fomos aproximando percebi tratar-se de uma formação rochosa, um capricho vulcânico, mas concordei com eles.
Era o sitio ideal e certamente a mão do homem nunca conseguiria fazer aquilo.

Vejam e digam o que vos parece.

(José Alçada)


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Friday, 19 January 2007

KUNDERA, HOLLYWOOD & NOZ DE KABINDA...

Há 30 e muitos anos, em Paris, conheci a Irenka Dedicova, pintora, grande prémio de Praga, que me apresentava como o primo cigano que sabia ler as mãos. Na Insustentável Leveza do Ser a figura da Irenka é constante, aliás com grande fúria da mulher do Kundera. Divertimo-nos loucamente em Paris á base de noz de cola de Cabinda que na altura mascava para aguentar a pedalada. Saia de Angola, práticamente não dormia e compensava quando regressava. Anos mais tarde foi fazer uma exposição á Gulbenkian, em Lisboa e comprei-lhe um quadro que guardo com o maior carinho "L'autre coté". Foi contratada para ir a Hollywood dar apoio técnico ao filme "A Insustentável Leveza do Ser." O produtor era um Sam qualquer coisa o mesmo do "Voando sobre um Ninho de Cucos". Tiveram um caso, ele largou-a por uma jovem starlette, a Irenka regressa a Paris e suicida-se na noite de Natal. O meu quadro foi parar a casa do Servan-Schreiber do Grupo Expansion a quem telefonei pedindo a devolução. Convidou-me para jantar em casa dele. Arranquei para Paris, jantámos, ele contou histórias do tempo da Resistência, eu contei outras e voltei com o quadro debaixo do braço. Obrigou-me a escrever a história da minha zanga com a Irenka que durou mais de 10 anos: - uma cena de ciumes com um gato siamês que me deixou todo arranhado e ensanguentado ás 4 da manhã nas ruas de Paris. Ela assumiu a defesa do gato e eu fiquei furioso. A zanga acabou quando recebi uma foto autografada do gato pedindo desculpa.

Toda esta confusão para estabelecer o ténue link entre o Kundera e Angola.

(José Alçada)
Há 30 e muitos anos, em Paris, conheci a Irenka Dedicova, pintora, grande prémio de Praga, que me apresentava como o primo cigano que sabia ler as mãos. Na Insustentável Leveza do Ser a figura da Irenka é constante, aliás com grande fúria da mulher do Kundera. Divertimo-nos loucamente em Paris á base de noz de cola de Cabinda que na altura mascava para aguentar a pedalada. Saia de Angola, práticamente não dormia e compensava quando regressava. Anos mais tarde foi fazer uma exposição á Gulbenkian, em Lisboa e comprei-lhe um quadro que guardo com o maior carinho "L'autre coté". Foi contratada para ir a Hollywood dar apoio técnico ao filme "A Insustentável Leveza do Ser." O produtor era um Sam qualquer coisa o mesmo do "Voando sobre um Ninho de Cucos". Tiveram um caso, ele largou-a por uma jovem starlette, a Irenka regressa a Paris e suicida-se na noite de Natal. O meu quadro foi parar a casa do Servan-Schreiber do Grupo Expansion a quem telefonei pedindo a devolução. Convidou-me para jantar em casa dele. Arranquei para Paris, jantámos, ele contou histórias do tempo da Resistência, eu contei outras e voltei com o quadro debaixo do braço. Obrigou-me a escrever a história da minha zanga com a Irenka que durou mais de 10 anos: - uma cena de ciumes com um gato siamês que me deixou todo arranhado e ensanguentado ás 4 da manhã nas ruas de Paris. Ela assumiu a defesa do gato e eu fiquei furioso. A zanga acabou quando recebi uma foto autografada do gato pedindo desculpa.

Toda esta confusão para estabelecer o ténue link entre o Kundera e Angola.

(José Alçada)

Tuesday, 9 January 2007

QUE INVEJA...

O rio Quilombo surpreende pela transparência das águas. Quando se bebe surpreende de novo pela sua qualidade e frescura. Com um guia local da povoação de Kazanga fomos procurar a nascente que nos garantiram ser na enorme rocha que se via ao longe - ZINZA a 1.454,3 metros de altitude. A enorme rocha vista de mais perto deixa ver, perto do cimo, uma caverna e dela sai um fio de água. Numa próxima expedição com equipamento alpinista poderemos ir lá ver que mais esconde. Histórias e lendas sobre os benefícios desta água justificariam o seu engarrafamento e exportação para todo o mundo. Vamos ver o que darão as análises das amostras recolhidas.



E temos então o Kwanza Sul e dentro deste distrito a mega cratera de há milhares de anos, cujo centro é a Kibala.Estamos entre os 1.300 e os 1.400 metros de altitude, ar fresco e puro de montanha. Zona de grandes combates durante a guerra civil, continua semi destruida. Vai agora receber no dia 15 - dia da cidade - a visita do Governador que inaugurará 2 equipamentos básicos: - 1 gerador que dará energia eléctrica á população e um busto do Agostinho Neto.
Mando fotos: A 1ª sobre o ensino profissional ("Kibala English Center"). A 2ª é uma série sobre a nossa ida ás nascentes do rio Kilombo, onde pensamos explorar água mineral de nascente, numa paisagem fabulosa e as rochas onde nasce a água e conseguimos as amostras para mandar analizar. A 3ª sobre as pedras que os colonialistas obrigavam os nativos a carregar ás costas, montanha acima, como castigo.
E assim se passou mais um fim de semana.
Só para vos fazer inveja....


Texto e Fotos de José Luis Alçada

O rio Quilombo surpreende pela transparência das águas. Quando se bebe surpreende de novo pela sua qualidade e frescura. Com um guia local da povoação de Kazanga fomos procurar a nascente que nos garantiram ser na enorme rocha que se via ao longe - ZINZA a 1.454,3 metros de altitude. A enorme rocha vista de mais perto deixa ver, perto do cimo, uma caverna e dela sai um fio de água. Numa próxima expedição com equipamento alpinista poderemos ir lá ver que mais esconde. Histórias e lendas sobre os benefícios desta água justificariam o seu engarrafamento e exportação para todo o mundo. Vamos ver o que darão as análises das amostras recolhidas.



E temos então o Kwanza Sul e dentro deste distrito a mega cratera de há milhares de anos, cujo centro é a Kibala.Estamos entre os 1.300 e os 1.400 metros de altitude, ar fresco e puro de montanha. Zona de grandes combates durante a guerra civil, continua semi destruida. Vai agora receber no dia 15 - dia da cidade - a visita do Governador que inaugurará 2 equipamentos básicos: - 1 gerador que dará energia eléctrica á população e um busto do Agostinho Neto.
Mando fotos: A 1ª sobre o ensino profissional ("Kibala English Center"). A 2ª é uma série sobre a nossa ida ás nascentes do rio Kilombo, onde pensamos explorar água mineral de nascente, numa paisagem fabulosa e as rochas onde nasce a água e conseguimos as amostras para mandar analizar. A 3ª sobre as pedras que os colonialistas obrigavam os nativos a carregar ás costas, montanha acima, como castigo.
E assim se passou mais um fim de semana.
Só para vos fazer inveja....


Texto e Fotos de José Luis Alçada

Wednesday, 3 January 2007

FIM DE ANO NO LUENA...

O local óbvio para se passar o fim de ano e aguardar o próximo, em Angola, é o Moxico.

Porque o Moxico está a 3 fusos horários de Luanda. E quando os vaidosos de Luanda começam a festejar o novo ano já o Moxico leva 3 horas de avanço. Assim o enterrar das coisas para esquecer do ano que passou e todas as esperanças no futuro começam mais cedo no Moxico.

A convite de uma minha amiga, luena, filha de mãe luena e pai cubano morto na guerra, fui passar o fim de ano ao Luena. Onde convivi com gente que sobreviveu á longa guerra que acabou por ter o episódio definitivo exactamente no Moxico - Um bom exemplo é a mulher que encontrei no povo junto ao Lumege, com um olhar e uma cara por onde tudo passou.

E claro as crianças, que para terem futuro precisam de uma escola e um posto médico.



Ouvi histórias espantosas, as pequenas histórias que as pessoas recordam depois das guerras acabarem, de coragem, de sorte, de humor.

Um dia o caminho de ferro de Benguela vai voltar e as pessoas deixam de estar pendentes de abastecimentos que levam 15 dias de Luanda, por Saurimo até ao Luena ou da única companhia aérea que ainda resiste á pista estreita e esburacada.

E os espantosos por do sol, (…) e os rios cheios de jacarés que comem gente sem descriminação (há pouco tempo foi um brasileiro) e não tocam nos chineses que pescam de pés dentro de água (…) e se banham nus á noite em magotes. Á cautela nem os jacarés se metem com eles.

(…) Vi 2 ou 3 europeus e milhares de chineses. A próxima geração luena terá a sua quota parte de olhos em bico.

Texto e Fotos de José Alçada, Janeiro 2007

O local óbvio para se passar o fim de ano e aguardar o próximo, em Angola, é o Moxico.

Porque o Moxico está a 3 fusos horários de Luanda. E quando os vaidosos de Luanda começam a festejar o novo ano já o Moxico leva 3 horas de avanço. Assim o enterrar das coisas para esquecer do ano que passou e todas as esperanças no futuro começam mais cedo no Moxico.

A convite de uma minha amiga, luena, filha de mãe luena e pai cubano morto na guerra, fui passar o fim de ano ao Luena. Onde convivi com gente que sobreviveu á longa guerra que acabou por ter o episódio definitivo exactamente no Moxico - Um bom exemplo é a mulher que encontrei no povo junto ao Lumege, com um olhar e uma cara por onde tudo passou.

E claro as crianças, que para terem futuro precisam de uma escola e um posto médico.



Ouvi histórias espantosas, as pequenas histórias que as pessoas recordam depois das guerras acabarem, de coragem, de sorte, de humor.

Um dia o caminho de ferro de Benguela vai voltar e as pessoas deixam de estar pendentes de abastecimentos que levam 15 dias de Luanda, por Saurimo até ao Luena ou da única companhia aérea que ainda resiste á pista estreita e esburacada.

E os espantosos por do sol, (…) e os rios cheios de jacarés que comem gente sem descriminação (há pouco tempo foi um brasileiro) e não tocam nos chineses que pescam de pés dentro de água (…) e se banham nus á noite em magotes. Á cautela nem os jacarés se metem com eles.

(…) Vi 2 ou 3 europeus e milhares de chineses. A próxima geração luena terá a sua quota parte de olhos em bico.

Texto e Fotos de José Alçada, Janeiro 2007

Friday, 29 December 2006

GRANDE PREMIO DE ESCULTURA ENSARTE 2006

"NOVA ESCULTURA ANGOLANA" DE MAYEMBE (SOYO)
(FOTOS DE JOSÉ ALÇADA)

Segundo o juri do premio, "A escultura do artista João Domingos Mabuaka "Mayembe", elaborada em talha sobre madeira, vale pela sincronização de um imaginável movimento giratório em espiral, cuja sustentação física do corpo volúmico levou o artista ao domínio do exercício de cálculo, apontando caminhos para uma estatueta moderna. A obra, entitulada "Vuata N`Kampa ku Makaya Katekela", representa uma figura humana que reflecte o mundo actual girando em torno do vento da globalização, sendo necessário conservar e preservar as identidades culturais de cada povo."


ADENDA:

O Mayembe, natural do Soyo, que no ano passado ganhou o 1º Prémio da ENSA, esculpe sempre em madeira Agora prepara uma exposição individual para Julho, para a qual está a fazer peças em madeira e bronze. Precisou de dinheiro, por causa da empresa que lhe está a fazer as partes em bronze e veio vender-me uma escultura mediante a promessa de a emprestar para a exposição. É em pau preto e conforme o ângulo em que se olha vê-se um corpo feminino, um corpo masculino, uma mulher a parir, etc. A base são folhas de Welwitschia Mirabilis, que fazem as respectivas pernas e sexos. O titulo - O Sonho da Welwitschia. (José Alçada, a.k.a. “N'kissi Yangue”, 04.02.07).

(Ver Slideshow Aqui)
"NOVA ESCULTURA ANGOLANA" DE MAYEMBE (SOYO)
(FOTOS DE JOSÉ ALÇADA)

Segundo o juri do premio, "A escultura do artista João Domingos Mabuaka "Mayembe", elaborada em talha sobre madeira, vale pela sincronização de um imaginável movimento giratório em espiral, cuja sustentação física do corpo volúmico levou o artista ao domínio do exercício de cálculo, apontando caminhos para uma estatueta moderna. A obra, entitulada "Vuata N`Kampa ku Makaya Katekela", representa uma figura humana que reflecte o mundo actual girando em torno do vento da globalização, sendo necessário conservar e preservar as identidades culturais de cada povo."


ADENDA:

O Mayembe, natural do Soyo, que no ano passado ganhou o 1º Prémio da ENSA, esculpe sempre em madeira Agora prepara uma exposição individual para Julho, para a qual está a fazer peças em madeira e bronze. Precisou de dinheiro, por causa da empresa que lhe está a fazer as partes em bronze e veio vender-me uma escultura mediante a promessa de a emprestar para a exposição. É em pau preto e conforme o ângulo em que se olha vê-se um corpo feminino, um corpo masculino, uma mulher a parir, etc. A base são folhas de Welwitschia Mirabilis, que fazem as respectivas pernas e sexos. O titulo - O Sonho da Welwitschia. (José Alçada, a.k.a. “N'kissi Yangue”, 04.02.07).

(Ver Slideshow Aqui)