Friday, 12 November 2010

London Jazz Festival

This was supposed to be my London Jazz Festival 2010...


Hugh Masekela & The Mahotella Queens

...But: SOLD OUT!

[Parece incrivel, mas com tantas passagens e estadias na Africa do Sul e arredores, nunca tive uma oportunidade de ver este que e' um dos meus maiores idolos do Jazz Africano (depois do nosso eterno Manu Dibango) ao vivo... e, parece mentira, mas ainda nao foi desta!]




Sonny Rollins at 80

...But: SOLD OUT!

[Vi-o ao vivo ha' ja' alguns anos em Lisboa no Centro Cultural de Belem, numa noite absolutamente inesquecivel, com a Paula Tavares, a Luisa de Almeida, o Jean-Yves e a Zarito (esta, por quem tenho grande estima e que e' irma de um certo minion de triste memoria neste blog... Lembro-me de, por aqueles dias, enquanto tomavamos o pequeno almoco de domingo numa esplanada nos jardins de Belem, perante as minhas repetidas queixas sobre o comportamento - estupido, crapula e cabotino, para dizer o minimo - do seu irmao para comigo, ela me ter dito: "Porque que nao cortas com ele? Corta, Paula!"...

{Zarito e Jean-Yves no meu quintal de limoeiro, nespreira e roseiras-trepadeiras em Belem - algures na ponta final dos anos 80 ou no inicio dos 90 (a toalha de mesa ainda (r)existe after all these years...) - foto JEA}

... Pois, mas levou-me todos estes anos ate' ao ano passado - desde que, com a criacao deste blog, ele nao perdeu a primeira oportunidade para manifestar mais uma vez a sua pequenez incuravel, so' que desta vez atraves do tal de NJ de igualmente triste memoria neste blog - para que eu me decidisse definitivamente a acatar o sabio conselho da Zarito... O que tambem se deveu ao facto de nao ter tido qualquer contacto com ele durante estas ultimas quase duas decadas, excepto brevemente quando estive em Luanda em 2001, ocasiao que tambem nao me deixou particularmente boas memorias dele... (e, by the way, nessa ocasiao ainda tive a insensatez - na verdade na altura disse de mim para cumim: "isto e' perola para porco"... - de lhe oferecer como prenda de Natal um CD que e' uma verdadeira enciclopedia de vida, musica e cultura dos Khoisan, do que muito me haveria de arrepender porque nunca mais consegui encontrar e comprar outro para mim!...).
E' que, quando alguem, como eu, valoriza sobremaneira, ainda que frequentemente incompreendida, a amizade e a familia - por uma questao dos agora tao "badalados" valores e principios! -, esta' sujeito a engolir muitos sapos, porque familiares e amigos ha' que, perante a nossa aparentemente infinita compreensao e tolerancia, acabam por tornar-se absolutamente insuportaveis, ate' que... o "corte" se torna inevitavel!

Mas, nao pretendo, com esta triste recordacao, estragar completamente a memoria de uma noite inesquecivel ao som vibrante do Sonny Rollins com aqueles que naquela altura eram alguns dos meus amigos mais proximos em Lisboa. Portanto, que fique apenas registada a pena de nao o poder ver e ouvir mais uma vez nesta que talvez tenha sido a ultima oportunidade de o fazer - e' que ele esta' a celebrar os seus 80 anos...]




Herbie Hancock...

[Tambem o vi ao vivo em Lisboa no mesmo Coliseu em que vi o Miles Davis, com o meu filho, nos dois ultimos concertos que deu naquela cidade, em 1989 e 1991 (tendo sido este ultimo no mesmo ano em que, alguns meses mais tarde, ele deixaria este mundo e em que, como aqui se da' conta, se estaria a programar uma sua possivel ida a Angola: “Nós tínhamos combinado levá-lo a Angola, estávamos a tratar disso para 1992 porque tínhamos pessoas em Luanda que queriam. Era demais. Fantástico.”)

Gostava de ver Herbie mais uma vez (nao sei se ainda terei muitas oportunidades futuras para o fazer uma vez que ele tambem ja' esta' nos seus 70...), mas porque tinha em mente as 'prioridades' acima nao o pude, infelizmente, incluir no meu programa inicial... and now it's too late!
Mas ouvi-o ontem numa entrevista em directo para o programa Jazz on 3 da BBC Radio 3, que cobriu ao vivo o lancamento deste festival a partir do legendario Ronnie Scott's (tambem a celebrar os seus 50 anos): fiquei assim a saber que o Herbie, apesar da sua "idade avancada", continua "tao bem parecido, energetico e criativo como sempre" (segundo o entrevistador, obviamente...) , o que ele, por entre uma sonora gargalhada, atribui a "evitar o stress", e que a piece de resistance da sua participacao neste festival e' o seu Imagine Project, baseado na obra do John Lennon e em que ele integra piano snippets by Kongo traditional musicians - I can't wait to check it out on CD!]



So, I'm now looking forward to this one:

Terence Blanchard Band + Robert Glasper Trio


[Terence Blanchard: um nome incontornavel do Jazz Contemporaneo. Nunca o vi ao vivo e devo confessar que o meu maior interesse em ve-lo e ouvi-lo deve-se aos seus film scores para o Spike Lee e ao seu ultimo album, Choices, com a participacao do "meu amigo" Cornel West...

I can't wait to see him tomorrow in the same Barbican where I saw, over a decade ago, our eternal African Jazz legend, Manu Dibango, for the first time - the second was at the 2006 edition of the Cape Town International Jazz Festival pictured here]





THAT WAS GREAT!

After a sizzling warm-up at the FreeStage brought to us fresh from New Orleans by the Soul Rebels Brass Band, we had just about three hours of some of the best contemporary jazz - before us was what Terence Blanchard said is the future of jazz to his mind (although also adding something like "people speculate all the time about the future of jazz, but to me there's no point in that: the future of jazz will be what it's going to be"...): opening for him, The Robert Glasper Trio (Glasper – whose artistic world is said to be “where the iconic record label Blue Note gets back to the streets, marrying hip-hop with the free flow of a classic piano trio, merging jazz and contemporary sounds”, and who also served us Herbie Hancock's "I Have A Dream" and Nirvana's "Smells Like Teen Spirit" – on piano; Derrick Hodge on bass and Mark Colenburg on drums) and, then, alongside himself on trumpet and Bruce Wilson on tenor saxophone, the three young players on his own Quintet (Fabian Almazan on piano, Joshua Crumbly on bass and Kendrick Scott on drums).

[There was something funny in between the two group's performance: another drummer, Chris Dave, replaced Mark Colenburg and Terence Blanchard just came on the stage and started playing his thing unannounced with the Glasper's Trio for about 10-15 minutes until their time on stage was over... Many people became quite agitated thinking that it was all for the night and I started saying "these guys can only be joking!"... and they were: it was just the interval before the Blanchard real thing!]

Blanchard offered us parts of his most recent creation, ‘Choices’, where we could hear Cornel West’s voice talking about subjects such as political consciousness, music, love and humanity: from the hurricanes Katrina and Obama, through how Beethoven considered music to be deeper than philosophy, to the love that existed between Miles and Coltrane… in short, about the human condition.

Through and through (with a few jokes about some of his band members’ personal details in between: the pianist – "a very shy guy" from Cuba; the bassist – "a scared to death" recent graduate from the Juilliard (..."you know, there's some intelligent people up here... at least one of us!", he said...); the drummer – a record label owner from Texas "who makes no money with it"; the saxophonist “who came from where it all began: Toussaint, Arizona!” ... Well, this one led to a few other jokes about the first time we hear Arizona and Jazz on the same breath and the woman who approached him at the end of one concert to rebuke him for his 'downplaying' of jazz in Arizona and presenting herself as the president of the Toussaint Jazz Society, and then the pilot who one day popped into him and Herbie Hancock on a plane and introduced himself as the brother of the president of the Toussaint Jazz Society!...], the main man of the evening fulfilled the promise in the words he was presented to us:

“Terence Blanchard is one of the few contemporary horn players who can truly claim to inherit the legacy of jazz trumpet giants Miles Davis, Lee Morgan and Freddie Hubbard. Born in New Orleans, as a child he played alongside friend Wynton Marsalis in summer band camps – later in life Wynton was to recommend him to Art Blakey as his replacement in The Jazz Messengers, becoming its lead soloist and musical director. By the 1990s, Blanchard had become a leader in his own right and had embarked on a highly successful partnership with film maker Spike Lee, writing the scores for every one of his films since 1991, including Malcolm X, Clockers, and the Hurricane Katrina documentary When the Levees Broke for HBO.

His film credits are extensive with over 40 scores to his name. He maintains a regular studio presence, recording his own original music and has been nominated for 11 Grammys, winning four. He stretches himself stylistically, working with other musicians such as Stevie Wonder and Dr John. His last Concord album Choices is probably his most radical yet, with readings by philosopher Cornel West and vocals by neo-soul singer Bilal over a meld of speculative post-bop, experimental yet accessible song forms, and jazz-initiated atmospheres to create a compelling, instructive and uplifting work.”




OTHER FESTIVAL HIGHLIGHTS

Esperanza Spalding
The 26 years old rising star who counts Obama among her biggest fans...


Chucho Valdés & The Afro-Cuban Messengers + Ibrahim Maalouf


AfroCubism
Featuring Eliades Ochoa, Toumani Diabate, Bassekou Kouyate, Djelimady Tounkora, Kasse Mady Diabate.



Charles Lloyd Quartet + Winstone/Gesing/Venier

This was supposed to be my London Jazz Festival 2010...


Hugh Masekela & The Mahotella Queens

...But: SOLD OUT!

[Parece incrivel, mas com tantas passagens e estadias na Africa do Sul e arredores, nunca tive uma oportunidade de ver este que e' um dos meus maiores idolos do Jazz Africano (depois do nosso eterno Manu Dibango) ao vivo... e, parece mentira, mas ainda nao foi desta!]




Sonny Rollins at 80

...But: SOLD OUT!

[Vi-o ao vivo ha' ja' alguns anos em Lisboa no Centro Cultural de Belem, numa noite absolutamente inesquecivel, com a Paula Tavares, a Luisa de Almeida, o Jean-Yves e a Zarito (esta, por quem tenho grande estima e que e' irma de um certo minion de triste memoria neste blog... Lembro-me de, por aqueles dias, enquanto tomavamos o pequeno almoco de domingo numa esplanada nos jardins de Belem, perante as minhas repetidas queixas sobre o comportamento - estupido, crapula e cabotino, para dizer o minimo - do seu irmao para comigo, ela me ter dito: "Porque que nao cortas com ele? Corta, Paula!"...

{Zarito e Jean-Yves no meu quintal de limoeiro, nespreira e roseiras-trepadeiras em Belem - algures na ponta final dos anos 80 ou no inicio dos 90 (a toalha de mesa ainda (r)existe after all these years...) - foto JEA}

... Pois, mas levou-me todos estes anos ate' ao ano passado - desde que, com a criacao deste blog, ele nao perdeu a primeira oportunidade para manifestar mais uma vez a sua pequenez incuravel, so' que desta vez atraves do tal de NJ de igualmente triste memoria neste blog - para que eu me decidisse definitivamente a acatar o sabio conselho da Zarito... O que tambem se deveu ao facto de nao ter tido qualquer contacto com ele durante estas ultimas quase duas decadas, excepto brevemente quando estive em Luanda em 2001, ocasiao que tambem nao me deixou particularmente boas memorias dele... (e, by the way, nessa ocasiao ainda tive a insensatez - na verdade na altura disse de mim para cumim: "isto e' perola para porco"... - de lhe oferecer como prenda de Natal um CD que e' uma verdadeira enciclopedia de vida, musica e cultura dos Khoisan, do que muito me haveria de arrepender porque nunca mais consegui encontrar e comprar outro para mim!...).
E' que, quando alguem, como eu, valoriza sobremaneira, ainda que frequentemente incompreendida, a amizade e a familia - por uma questao dos agora tao "badalados" valores e principios! -, esta' sujeito a engolir muitos sapos, porque familiares e amigos ha' que, perante a nossa aparentemente infinita compreensao e tolerancia, acabam por tornar-se absolutamente insuportaveis, ate' que... o "corte" se torna inevitavel!

Mas, nao pretendo, com esta triste recordacao, estragar completamente a memoria de uma noite inesquecivel ao som vibrante do Sonny Rollins com aqueles que naquela altura eram alguns dos meus amigos mais proximos em Lisboa. Portanto, que fique apenas registada a pena de nao o poder ver e ouvir mais uma vez nesta que talvez tenha sido a ultima oportunidade de o fazer - e' que ele esta' a celebrar os seus 80 anos...]




Herbie Hancock...

[Tambem o vi ao vivo em Lisboa no mesmo Coliseu em que vi o Miles Davis, com o meu filho, nos dois ultimos concertos que deu naquela cidade, em 1989 e 1991 (tendo sido este ultimo no mesmo ano em que, alguns meses mais tarde, ele deixaria este mundo e em que, como aqui se da' conta, se estaria a programar uma sua possivel ida a Angola: “Nós tínhamos combinado levá-lo a Angola, estávamos a tratar disso para 1992 porque tínhamos pessoas em Luanda que queriam. Era demais. Fantástico.”)

Gostava de ver Herbie mais uma vez (nao sei se ainda terei muitas oportunidades futuras para o fazer uma vez que ele tambem ja' esta' nos seus 70...), mas porque tinha em mente as 'prioridades' acima nao o pude, infelizmente, incluir no meu programa inicial... and now it's too late!
Mas ouvi-o ontem numa entrevista em directo para o programa Jazz on 3 da BBC Radio 3, que cobriu ao vivo o lancamento deste festival a partir do legendario Ronnie Scott's (tambem a celebrar os seus 50 anos): fiquei assim a saber que o Herbie, apesar da sua "idade avancada", continua "tao bem parecido, energetico e criativo como sempre" (segundo o entrevistador, obviamente...) , o que ele, por entre uma sonora gargalhada, atribui a "evitar o stress", e que a piece de resistance da sua participacao neste festival e' o seu Imagine Project, baseado na obra do John Lennon e em que ele integra piano snippets by Kongo traditional musicians - I can't wait to check it out on CD!]



So, I'm now looking forward to this one:

Terence Blanchard Band + Robert Glasper Trio


[Terence Blanchard: um nome incontornavel do Jazz Contemporaneo. Nunca o vi ao vivo e devo confessar que o meu maior interesse em ve-lo e ouvi-lo deve-se aos seus film scores para o Spike Lee e ao seu ultimo album, Choices, com a participacao do "meu amigo" Cornel West...

I can't wait to see him tomorrow in the same Barbican where I saw, over a decade ago, our eternal African Jazz legend, Manu Dibango, for the first time - the second was at the 2006 edition of the Cape Town International Jazz Festival pictured here]





THAT WAS GREAT!

After a sizzling warm-up at the FreeStage brought to us fresh from New Orleans by the Soul Rebels Brass Band, we had just about three hours of some of the best contemporary jazz - before us was what Terence Blanchard said is the future of jazz to his mind (although also adding something like "people speculate all the time about the future of jazz, but to me there's no point in that: the future of jazz will be what it's going to be"...): opening for him, The Robert Glasper Trio (Glasper – whose artistic world is said to be “where the iconic record label Blue Note gets back to the streets, marrying hip-hop with the free flow of a classic piano trio, merging jazz and contemporary sounds”, and who also served us Herbie Hancock's "I Have A Dream" and Nirvana's "Smells Like Teen Spirit" – on piano; Derrick Hodge on bass and Mark Colenburg on drums) and, then, alongside himself on trumpet and Bruce Wilson on tenor saxophone, the three young players on his own Quintet (Fabian Almazan on piano, Joshua Crumbly on bass and Kendrick Scott on drums).

[There was something funny in between the two group's performance: another drummer, Chris Dave, replaced Mark Colenburg and Terence Blanchard just came on the stage and started playing his thing unannounced with the Glasper's Trio for about 10-15 minutes until their time on stage was over... Many people became quite agitated thinking that it was all for the night and I started saying "these guys can only be joking!"... and they were: it was just the interval before the Blanchard real thing!]

Blanchard offered us parts of his most recent creation, ‘Choices’, where we could hear Cornel West’s voice talking about subjects such as political consciousness, music, love and humanity: from the hurricanes Katrina and Obama, through how Beethoven considered music to be deeper than philosophy, to the love that existed between Miles and Coltrane… in short, about the human condition.

Through and through (with a few jokes about some of his band members’ personal details in between: the pianist – "a very shy guy" from Cuba; the bassist – "a scared to death" recent graduate from the Juilliard (..."you know, there's some intelligent people up here... at least one of us!", he said...); the drummer – a record label owner from Texas "who makes no money with it"; the saxophonist “who came from where it all began: Toussaint, Arizona!” ... Well, this one led to a few other jokes about the first time we hear Arizona and Jazz on the same breath and the woman who approached him at the end of one concert to rebuke him for his 'downplaying' of jazz in Arizona and presenting herself as the president of the Toussaint Jazz Society, and then the pilot who one day popped into him and Herbie Hancock on a plane and introduced himself as the brother of the president of the Toussaint Jazz Society!...], the main man of the evening fulfilled the promise in the words he was presented to us:

“Terence Blanchard is one of the few contemporary horn players who can truly claim to inherit the legacy of jazz trumpet giants Miles Davis, Lee Morgan and Freddie Hubbard. Born in New Orleans, as a child he played alongside friend Wynton Marsalis in summer band camps – later in life Wynton was to recommend him to Art Blakey as his replacement in The Jazz Messengers, becoming its lead soloist and musical director. By the 1990s, Blanchard had become a leader in his own right and had embarked on a highly successful partnership with film maker Spike Lee, writing the scores for every one of his films since 1991, including Malcolm X, Clockers, and the Hurricane Katrina documentary When the Levees Broke for HBO.

His film credits are extensive with over 40 scores to his name. He maintains a regular studio presence, recording his own original music and has been nominated for 11 Grammys, winning four. He stretches himself stylistically, working with other musicians such as Stevie Wonder and Dr John. His last Concord album Choices is probably his most radical yet, with readings by philosopher Cornel West and vocals by neo-soul singer Bilal over a meld of speculative post-bop, experimental yet accessible song forms, and jazz-initiated atmospheres to create a compelling, instructive and uplifting work.”




OTHER FESTIVAL HIGHLIGHTS

Esperanza Spalding
The 26 years old rising star who counts Obama among her biggest fans...


Chucho Valdés & The Afro-Cuban Messengers + Ibrahim Maalouf


AfroCubism
Featuring Eliades Ochoa, Toumani Diabate, Bassekou Kouyate, Djelimady Tounkora, Kasse Mady Diabate.



Charles Lloyd Quartet + Winstone/Gesing/Venier

Thursday, 11 November 2010

Angola: 35 años*



El 11 de Noviembre de 1975 Angola fue el último país del África continental en dejar de ser una colonia europea. Angola y los otros 4 Países Africanos de Lengua Oficial Portuguesa (PALOP) fueron las primeras y las últimas dependencias europeas en el mundo negro.
Angola se encuentra a alrededor de 5,000 kilómetros de distancia al sur de la península ibérica y al oeste del sur de América. Sin embargo, esta nación del África austral ha jugado un papel clave en la historia iberoamericana.

Una década antes de que Colón llegase al Caribe, el portugués Diogo Cao arribó al río Congo, el segundo más grande del África luego del Nilo, donde lograría ir creando una asociación entre Portugal y el poderoso reino de los Kongos que se extendía alrededor de los actuales territorios del norte de Angola, los mismos que inicialmente no fueron conquistados por los portugueses. Por el contrario, estos fueron cristianizados y se convirtieron en aliados de Lisboa en la zona.
Sin embargo, a fines del siglo XVI los portugueses fueron tratando de conquistarlos a ellos y a la de los "ngolas" para prevenir que ellos volviesen a coquetear con los holandeses y para centrarse en la trata de esclavos hacia Brasil y el Nuevo Mundo.
Angola se convirtió en un punto estratégico para los portugueses, quienes fueron los primeros europeos en establecer su comercio y sus dominios en el África negra y en el Océano Índico (el cual en los siglos XVI y XVII tenía al portugués como su lengua franca).
Angola fue uno de los principales proveedores de esclavos para re-popular al Nuevo Mundo.
Durante los tres siglos que duraron las colonias sur y centro americanas varios países latinoamericanos llegaron a tener más angolanos que gente nacida en España o Portugal. La herencia angolana en nuestras tierras es riquísima, aunque poco estudiada.

La historia del Brasil se haya muy entrelazada con la de Angola. Entre estas dos colonias portuguesas que se encontraban en lados opuestos del mar hubo un gran flujo. Hoy la mitad de los casi 200 millones de brasileros desciende de esclavos, gran parte de ellos provenientes de Angola y de los PALOP.
Las mismas tropas holandeses que guerreaban contra Portugal por el control del noreste brasilero igualmente lo hacían por las posesiones angolanas. Cuando en 1641-48 los neerlandeses capturaron Luanda, fue la aristocracia carioca, la cual fue tan afectada cuando de esta manera se paraba la llegada de esclavos que usaba para sus plantaciones y para intercambiarlos por plata hispano-americana, quien se encargó enteramente de organizar, financiar y liderar la "reconquista" portuguesa de Angola. Varios de los gobernadores de Angola partieron desde el Brasil.
Durante el periodo colonial Brasil y Angola se hayaron en mutua dependencia.En el siglo XVII unos 10,000 esclavos eran despachados desde Angola anualmente hacia Brasil y el Nuevo Mundo. En el siglo XVIII esta cifra subió a 18,500. Alencastro sostiene que la construcción del Brasil se dio en base a la destrucción de Angola, pues de 1701 a 1810 unos 2 millones de esclavos llegaron al Brasil, de los cuales la mayor parte zarpaban desde Angola. A mediados del siglo XVIII la mayor parte del comercio de esclavos desde Angola era pagada con exportaciones brasileras (como la chachaza y otros licores) y conducida por barcos negreros brasileros (los portugueses llegaron a ser apenas el 15% de ellos). Muchos de los esclavos que salieron desde Angola luego eran comerciados hacia el Caribe, la cuenca del Plata o los Andes.
En la fase final del imperio luso en Brasil (1808-1822) los cariocas fueron quienes administraron Angola y el resto de colonias portuguesas.


Hasta en Perú, que es el país americano que más lejos se haya de Angola por la vía marítima, la presencia angolana marcó mucho del carácter de dicho país. La mayor procesión católica que allí se hace (y posiblemente en todo el mundo) es una para rendir pleitesía al Cristo Moreno, el cual fue pintado por el esclavo angolano Pedro Dalcón. El mayor santo peruano (San Martín de Porras, cuyo nombre ha sido dado a una universidad, un distrito de la capital y un departamento del Perú) fue hijo de una panameña liberta descendiente de angolanos.
Cuando Lima era la capital de la mayor parte del subcontinente suramericano un significativo porcentaje de sus habitantes eran angolanos y africanos. A muchos barrios o poblaciones negras se les denominaba en el Perú virreinal como ‘angolas’. El nombre ‘Angola’ no solo se asocia a barriadas sino también a uno de los hoteles y centros de convención más exclusivos de Lima, los cuales han sido bautizados en honor a ‘María Angola’, la gran campana del Cuzco, considerada como una de las más monumentales y sonoras de Suramérica. El popular plato peruano del escabeche o el baile típico de la costa peruana Landó tienen raíces en Luanda, la capital angolana.

En los últimos años América Latina se ha preciado de haber electo presidentes de ascendencia japonesa (Fujimori), turco-árabe (Menem, Mahuad, Saca o Bucaram), búlgara (Dilma Rousseff), croata (Kirchner), francesa (Bachelet), etc. Sin embargo, no conozco de un solo presidente sur o centro americano que haya reivindicado sus ancestros angolanos.
Hoy en la Hispanoamérica que celebra los bicentenarios de sus independencias es bueno recordar que posiblemente su primer territorio que logró la independencia fue un área de Veracruz en México, la cual en 1570, hace más de 4 siglos, fue liderada por el esclavo liberado Gaspar Yanga, quien llegó allí vía Cabo Verde (el archipiélago afro-portugués), muy posiblemente desde una región del entorno kongo-angolano.

En Londres, la más cosmopolita ciudad del Viejo Mundo, uno puede encontrar comunidades de todos los países del planeta. Al ver uno como buscan socializar entre ellos los diferentes inmigrantes uno se puede ayudar a ver cuales los verdaderos nexos culturales e históricos entre los pueblos. En la capital británica, como se ve en la primera foto, es usual encontrar carteles donde se unen las banderas de Brasil, Angola y Portugal, como el que vemos en esta imagen tomada en la calle principal de Brixton al lado de La Mazorca y Chaney, el restaurante y discoteca hispanoamericanos más populares de dicho popular barrio londinense.
Esas 3 repúblicas colocadas en 3 distintos continentes tienen en común 5 siglos de intercambio, historia, cultura y lengua afines. En las 150 iglesias brasileras del Reino Unido se encuentran mucho más portugueses y angolanos que hispanoamericanos. La Asociación Brasilera del Reino Unido (ABRAS), la cual, con 14,000 afiliados es la mayor organización comunitaria brasileña en Europa (y posiblemente en la diáspora brasilera), tiene más asociados angolanos que la suma de todo el resto de sus miembros provenientes de toda Latinoamérica. Esta semana la profesora brasilera Else Vieira organiza el festival de cine por el 35 aniversario de la independencia luso-africana en la universidad Queens Mary.


Angola es hoy uno de los países africanos más ricos en oro negro y en diamantes. Entre el 2004 y 2007 fue creciendo con una tasa anual promedio de un 15%, una de las cifras más altas del mundo.
De todos los 11 territorios africanos que tienen como lengua oficial al español o al portugués Angola es el que tiene a la mayor población que hable o entienda al menos una lengua ibérica.
Angola ha jugado un rol muy importante en la historia iberoamericana. Entre los siglos XVI y XIX proveyó de multitud de esclavos a las Américas, al punto que hoy debe haber más americano con ascendencia angolana que los 13 a 16 millones de angolanos.
En el siglo XX Angola jugó un rol importante en producir la instalación de la república de Portugal y luego en la caída de la dictadura fascista que ésta tuvo entre 1926 y 1974.
La primera monarquía europea que se expandió al sur de la línea ecuatorial fue la de Portugal. Angola fue una de sus primeras colonias y también uno de los factores que desencadenó su caída.
Tras que Lisboa perdió a su mayor dependencia (Brasil) uno de sus ejes consistió en tratar de unir a sus 2 territorios en el África austral: Angola (de cara al Atlántico sur) y Mozambique (de cara al Índico sur). Para tal efecto de delineó el ‘mapa rosado’ que mostraba las pretensiones de crear un corredor horizontal luso que vaya de oeste a este. Sin embargo, los británicos tenían su propia meta de unir a todas sus colonias desde El Cairo hasta El Cabo en un corredor vertical de norte a sur.

La monarquía de Portugal no se atrevió a desafiar a la corona inglesa, quien además de tener más poder había sido siempre su mayor aliada europea. Su capitulación en los 1890's dio paso a que los británicos estableciesen allí sus colonias de Rodesia (la del norte es hoy Zambia y la del sur es hoy Zimbabue).
Esta rendición generó tal resentimiento interno contra la familia real que terminó por producir un alzamiento hace 100 años. Este, el del 5 de Octubre de 1910, culminaría estableciendo la única república de las 4 entidades de la península ibérica (las otras 3, España, Andorra y Gibraltar, no eligen en comicios a su respectivo jefe de Estado).
El régimen más extenso que tuvo la nueva república portuguesa (la de la dictadura de medio siglo del fascista ‘Estado Novo’) también cayó ayudado por los sucesos en el África lusa. Las guerrillas en Angola y en los otros 4 PALOP fueron minando a la dictadura, la cual se desplomó en Abril 1974. Una de las primeras consecuencias de esa revolución de los clavele fue el que todas las 6 colonias portuguesas (fuera de Macao) se declarasen independientes en un lapso que fue hasta 1975.

Desde la independencia de 1975 hasta el acuerdo de paz del 2002 Angola sufrió la guerra civil más larga del África y una de las más sanguinarias de la II postguerra mundial. Esta produjo 100,000 mutilados, 500,000 muertos y 4 millones de desplazados, altas cifras para una población de 12 a 16 millones de habitantes.
Este conflicto llegó a internacionalizarse como parte de la guerra fría. El UNITA del sur de Angola y el FLNA del norte de Angola recibieron el apoyo de Zaire (liderado por el dictador Mobutu) y de Sudáfrica, mientras el gobierno del MPLA fue secundado por el de Cuba.
El Ché Guevara, antes de partir a Bolivia, había combatido en Zaire, cerca a Angola. La tesis de que Cuba debería irradiarse al África también había estado presente en las conferencias tri-continentales que el castrismo patrocinó en los 1960s.
Desde la segunda mitad de los 1970s la presencia de Cuba se haría muy grande en Angola. Castro envió allí a entre 40 y 50 mil soldados, mil tanques y 50 aviones suyos, para socorrer a los 200,000 combatientes del MPLA. Esta fue la mayor guerra que libró Fidel en el mundo y su éxito ayudó a consolidar el régimen ‘marxista-leninista’ de Angola y de otras partes del continente negro, así como ayudar a que su isla vaya minando el bloqueo de EEUU.


Angola nació así siendo parte de la mayor intervención militar hecha por un país latinoamericano fuera de su continente.
Unos 100,000 cubanos como uniformados, educadores, personal de salud o trabajadores llegaron a Angola, cuya lengua portuguesa es tan parecida a su castellano. La embajada cubana en Luanda ha llegado a ser la segunda de mayor importancia tras la de EEUU.
Hoy Brasil tiene una influencia cultural sobre Angola mayor a la que tiene sobre otros países latinoamericanos. Las novelas y series de TV, los filmes, la lengua y las artes marciales de la Capoeira es algo que une a Brasil con Angola, un país cuya lengua es tan diferente a la de su entorno de habla inglesa o francesa.
El Partido de los Trabajadores gobierna en Brasil y en Angola. Ambas formaciones usan la estrella como símbolo, nacieron como marxistas y han evolucionados hacia convertirse en formaciones de tipo socialdemócrata que aceptan el mercado, las grandes inversiones extranjeras y la democracia multipartidista.
Hoy una gran parte de la población de Portugal, así como de la diáspora portuguesa del mundo proviene de Angola, nación que ya sobrepasa en habitantes al de la misma Portugal.

La suerte de Angola e Iberoamérica está entrelazada. La América ibera tuvo desde sus inicios una masiva inmigración angolana, superior a la de cualquier pueblo europeo al este de los Pirineos. Los angolanos, al igual que otros esclavos, influyeron poderosamente en la cocina, la música, los bailes y la cultura americanas.
Las riquezas de Angola ayudaron a consolidar al imperio de los Braganza evitado que estos corriesen la misma suerte de la realeza de Madrid ante las revoluciones republicanas hispanoamericanas. Los sucesos de Angola ayudaron a producir la caída de la monarquía y luego del fascismo en Lisboa. La guerra angolana dio una gran catapulta a Castro, quien se valió de ella para afianzarse en el poder e ir generando una nueva diplomacia que haría que América Latina crease un bloque con Iberia en 1991 (la actual Comunidad Iberoamericana de Naciones) y luego una serie de organismos que tendiesen a mostrar más autonomía regional ante EEUU (como la comunidad de estados latinoamericanos y caribeños y las cumbres entre éstos y la Unión Europea).
Angola es hoy un socio comercial y cultural muy importante para Brasil en el África y para su estrategia de convertirse en una de las 5 grandes potencias para mediados de este siglo.


*Por Isaac Bigio - Artigo integral AQUI



El 11 de Noviembre de 1975 Angola fue el último país del África continental en dejar de ser una colonia europea. Angola y los otros 4 Países Africanos de Lengua Oficial Portuguesa (PALOP) fueron las primeras y las últimas dependencias europeas en el mundo negro.
Angola se encuentra a alrededor de 5,000 kilómetros de distancia al sur de la península ibérica y al oeste del sur de América. Sin embargo, esta nación del África austral ha jugado un papel clave en la historia iberoamericana.

Una década antes de que Colón llegase al Caribe, el portugués Diogo Cao arribó al río Congo, el segundo más grande del África luego del Nilo, donde lograría ir creando una asociación entre Portugal y el poderoso reino de los Kongos que se extendía alrededor de los actuales territorios del norte de Angola, los mismos que inicialmente no fueron conquistados por los portugueses. Por el contrario, estos fueron cristianizados y se convirtieron en aliados de Lisboa en la zona.
Sin embargo, a fines del siglo XVI los portugueses fueron tratando de conquistarlos a ellos y a la de los "ngolas" para prevenir que ellos volviesen a coquetear con los holandeses y para centrarse en la trata de esclavos hacia Brasil y el Nuevo Mundo.
Angola se convirtió en un punto estratégico para los portugueses, quienes fueron los primeros europeos en establecer su comercio y sus dominios en el África negra y en el Océano Índico (el cual en los siglos XVI y XVII tenía al portugués como su lengua franca).
Angola fue uno de los principales proveedores de esclavos para re-popular al Nuevo Mundo.
Durante los tres siglos que duraron las colonias sur y centro americanas varios países latinoamericanos llegaron a tener más angolanos que gente nacida en España o Portugal. La herencia angolana en nuestras tierras es riquísima, aunque poco estudiada.

La historia del Brasil se haya muy entrelazada con la de Angola. Entre estas dos colonias portuguesas que se encontraban en lados opuestos del mar hubo un gran flujo. Hoy la mitad de los casi 200 millones de brasileros desciende de esclavos, gran parte de ellos provenientes de Angola y de los PALOP.
Las mismas tropas holandeses que guerreaban contra Portugal por el control del noreste brasilero igualmente lo hacían por las posesiones angolanas. Cuando en 1641-48 los neerlandeses capturaron Luanda, fue la aristocracia carioca, la cual fue tan afectada cuando de esta manera se paraba la llegada de esclavos que usaba para sus plantaciones y para intercambiarlos por plata hispano-americana, quien se encargó enteramente de organizar, financiar y liderar la "reconquista" portuguesa de Angola. Varios de los gobernadores de Angola partieron desde el Brasil.
Durante el periodo colonial Brasil y Angola se hayaron en mutua dependencia.En el siglo XVII unos 10,000 esclavos eran despachados desde Angola anualmente hacia Brasil y el Nuevo Mundo. En el siglo XVIII esta cifra subió a 18,500. Alencastro sostiene que la construcción del Brasil se dio en base a la destrucción de Angola, pues de 1701 a 1810 unos 2 millones de esclavos llegaron al Brasil, de los cuales la mayor parte zarpaban desde Angola. A mediados del siglo XVIII la mayor parte del comercio de esclavos desde Angola era pagada con exportaciones brasileras (como la chachaza y otros licores) y conducida por barcos negreros brasileros (los portugueses llegaron a ser apenas el 15% de ellos). Muchos de los esclavos que salieron desde Angola luego eran comerciados hacia el Caribe, la cuenca del Plata o los Andes.
En la fase final del imperio luso en Brasil (1808-1822) los cariocas fueron quienes administraron Angola y el resto de colonias portuguesas.


Hasta en Perú, que es el país americano que más lejos se haya de Angola por la vía marítima, la presencia angolana marcó mucho del carácter de dicho país. La mayor procesión católica que allí se hace (y posiblemente en todo el mundo) es una para rendir pleitesía al Cristo Moreno, el cual fue pintado por el esclavo angolano Pedro Dalcón. El mayor santo peruano (San Martín de Porras, cuyo nombre ha sido dado a una universidad, un distrito de la capital y un departamento del Perú) fue hijo de una panameña liberta descendiente de angolanos.
Cuando Lima era la capital de la mayor parte del subcontinente suramericano un significativo porcentaje de sus habitantes eran angolanos y africanos. A muchos barrios o poblaciones negras se les denominaba en el Perú virreinal como ‘angolas’. El nombre ‘Angola’ no solo se asocia a barriadas sino también a uno de los hoteles y centros de convención más exclusivos de Lima, los cuales han sido bautizados en honor a ‘María Angola’, la gran campana del Cuzco, considerada como una de las más monumentales y sonoras de Suramérica. El popular plato peruano del escabeche o el baile típico de la costa peruana Landó tienen raíces en Luanda, la capital angolana.

En los últimos años América Latina se ha preciado de haber electo presidentes de ascendencia japonesa (Fujimori), turco-árabe (Menem, Mahuad, Saca o Bucaram), búlgara (Dilma Rousseff), croata (Kirchner), francesa (Bachelet), etc. Sin embargo, no conozco de un solo presidente sur o centro americano que haya reivindicado sus ancestros angolanos.
Hoy en la Hispanoamérica que celebra los bicentenarios de sus independencias es bueno recordar que posiblemente su primer territorio que logró la independencia fue un área de Veracruz en México, la cual en 1570, hace más de 4 siglos, fue liderada por el esclavo liberado Gaspar Yanga, quien llegó allí vía Cabo Verde (el archipiélago afro-portugués), muy posiblemente desde una región del entorno kongo-angolano.

En Londres, la más cosmopolita ciudad del Viejo Mundo, uno puede encontrar comunidades de todos los países del planeta. Al ver uno como buscan socializar entre ellos los diferentes inmigrantes uno se puede ayudar a ver cuales los verdaderos nexos culturales e históricos entre los pueblos. En la capital británica, como se ve en la primera foto, es usual encontrar carteles donde se unen las banderas de Brasil, Angola y Portugal, como el que vemos en esta imagen tomada en la calle principal de Brixton al lado de La Mazorca y Chaney, el restaurante y discoteca hispanoamericanos más populares de dicho popular barrio londinense.
Esas 3 repúblicas colocadas en 3 distintos continentes tienen en común 5 siglos de intercambio, historia, cultura y lengua afines. En las 150 iglesias brasileras del Reino Unido se encuentran mucho más portugueses y angolanos que hispanoamericanos. La Asociación Brasilera del Reino Unido (ABRAS), la cual, con 14,000 afiliados es la mayor organización comunitaria brasileña en Europa (y posiblemente en la diáspora brasilera), tiene más asociados angolanos que la suma de todo el resto de sus miembros provenientes de toda Latinoamérica. Esta semana la profesora brasilera Else Vieira organiza el festival de cine por el 35 aniversario de la independencia luso-africana en la universidad Queens Mary.


Angola es hoy uno de los países africanos más ricos en oro negro y en diamantes. Entre el 2004 y 2007 fue creciendo con una tasa anual promedio de un 15%, una de las cifras más altas del mundo.
De todos los 11 territorios africanos que tienen como lengua oficial al español o al portugués Angola es el que tiene a la mayor población que hable o entienda al menos una lengua ibérica.
Angola ha jugado un rol muy importante en la historia iberoamericana. Entre los siglos XVI y XIX proveyó de multitud de esclavos a las Américas, al punto que hoy debe haber más americano con ascendencia angolana que los 13 a 16 millones de angolanos.
En el siglo XX Angola jugó un rol importante en producir la instalación de la república de Portugal y luego en la caída de la dictadura fascista que ésta tuvo entre 1926 y 1974.
La primera monarquía europea que se expandió al sur de la línea ecuatorial fue la de Portugal. Angola fue una de sus primeras colonias y también uno de los factores que desencadenó su caída.
Tras que Lisboa perdió a su mayor dependencia (Brasil) uno de sus ejes consistió en tratar de unir a sus 2 territorios en el África austral: Angola (de cara al Atlántico sur) y Mozambique (de cara al Índico sur). Para tal efecto de delineó el ‘mapa rosado’ que mostraba las pretensiones de crear un corredor horizontal luso que vaya de oeste a este. Sin embargo, los británicos tenían su propia meta de unir a todas sus colonias desde El Cairo hasta El Cabo en un corredor vertical de norte a sur.

La monarquía de Portugal no se atrevió a desafiar a la corona inglesa, quien además de tener más poder había sido siempre su mayor aliada europea. Su capitulación en los 1890's dio paso a que los británicos estableciesen allí sus colonias de Rodesia (la del norte es hoy Zambia y la del sur es hoy Zimbabue).
Esta rendición generó tal resentimiento interno contra la familia real que terminó por producir un alzamiento hace 100 años. Este, el del 5 de Octubre de 1910, culminaría estableciendo la única república de las 4 entidades de la península ibérica (las otras 3, España, Andorra y Gibraltar, no eligen en comicios a su respectivo jefe de Estado).
El régimen más extenso que tuvo la nueva república portuguesa (la de la dictadura de medio siglo del fascista ‘Estado Novo’) también cayó ayudado por los sucesos en el África lusa. Las guerrillas en Angola y en los otros 4 PALOP fueron minando a la dictadura, la cual se desplomó en Abril 1974. Una de las primeras consecuencias de esa revolución de los clavele fue el que todas las 6 colonias portuguesas (fuera de Macao) se declarasen independientes en un lapso que fue hasta 1975.

Desde la independencia de 1975 hasta el acuerdo de paz del 2002 Angola sufrió la guerra civil más larga del África y una de las más sanguinarias de la II postguerra mundial. Esta produjo 100,000 mutilados, 500,000 muertos y 4 millones de desplazados, altas cifras para una población de 12 a 16 millones de habitantes.
Este conflicto llegó a internacionalizarse como parte de la guerra fría. El UNITA del sur de Angola y el FLNA del norte de Angola recibieron el apoyo de Zaire (liderado por el dictador Mobutu) y de Sudáfrica, mientras el gobierno del MPLA fue secundado por el de Cuba.
El Ché Guevara, antes de partir a Bolivia, había combatido en Zaire, cerca a Angola. La tesis de que Cuba debería irradiarse al África también había estado presente en las conferencias tri-continentales que el castrismo patrocinó en los 1960s.
Desde la segunda mitad de los 1970s la presencia de Cuba se haría muy grande en Angola. Castro envió allí a entre 40 y 50 mil soldados, mil tanques y 50 aviones suyos, para socorrer a los 200,000 combatientes del MPLA. Esta fue la mayor guerra que libró Fidel en el mundo y su éxito ayudó a consolidar el régimen ‘marxista-leninista’ de Angola y de otras partes del continente negro, así como ayudar a que su isla vaya minando el bloqueo de EEUU.


Angola nació así siendo parte de la mayor intervención militar hecha por un país latinoamericano fuera de su continente.
Unos 100,000 cubanos como uniformados, educadores, personal de salud o trabajadores llegaron a Angola, cuya lengua portuguesa es tan parecida a su castellano. La embajada cubana en Luanda ha llegado a ser la segunda de mayor importancia tras la de EEUU.
Hoy Brasil tiene una influencia cultural sobre Angola mayor a la que tiene sobre otros países latinoamericanos. Las novelas y series de TV, los filmes, la lengua y las artes marciales de la Capoeira es algo que une a Brasil con Angola, un país cuya lengua es tan diferente a la de su entorno de habla inglesa o francesa.
El Partido de los Trabajadores gobierna en Brasil y en Angola. Ambas formaciones usan la estrella como símbolo, nacieron como marxistas y han evolucionados hacia convertirse en formaciones de tipo socialdemócrata que aceptan el mercado, las grandes inversiones extranjeras y la democracia multipartidista.
Hoy una gran parte de la población de Portugal, así como de la diáspora portuguesa del mundo proviene de Angola, nación que ya sobrepasa en habitantes al de la misma Portugal.

La suerte de Angola e Iberoamérica está entrelazada. La América ibera tuvo desde sus inicios una masiva inmigración angolana, superior a la de cualquier pueblo europeo al este de los Pirineos. Los angolanos, al igual que otros esclavos, influyeron poderosamente en la cocina, la música, los bailes y la cultura americanas.
Las riquezas de Angola ayudaron a consolidar al imperio de los Braganza evitado que estos corriesen la misma suerte de la realeza de Madrid ante las revoluciones republicanas hispanoamericanas. Los sucesos de Angola ayudaron a producir la caída de la monarquía y luego del fascismo en Lisboa. La guerra angolana dio una gran catapulta a Castro, quien se valió de ella para afianzarse en el poder e ir generando una nueva diplomacia que haría que América Latina crease un bloque con Iberia en 1991 (la actual Comunidad Iberoamericana de Naciones) y luego una serie de organismos que tendiesen a mostrar más autonomía regional ante EEUU (como la comunidad de estados latinoamericanos y caribeños y las cumbres entre éstos y la Unión Europea).
Angola es hoy un socio comercial y cultural muy importante para Brasil en el África y para su estrategia de convertirse en una de las 5 grandes potencias para mediados de este siglo.


*Por Isaac Bigio - Artigo integral AQUI

Tuesday, 9 November 2010

"Conferencia Internacional sobre Cultura Cokwe" ... [R]*




E, fundamentalmente, tenta compreender que uma coisa é o domínio técnico das formas de expressão cultural de um particular grupo etno-linguístico, que fazes bem em tentar incorporar na tua dança, outra coisa é tentares apropriar-te da identidade do teu objecto de estudo… porque é isso que, consciente ou inconscientemente andas a tentar fazer. Será isso éticamente aceitável? Culturalmente legítimo? Intelectualmente honesto?[K. - aqui]


Ninguém pode tudo na vida. E também ninguém sabe tudo, mas podemos fazer muito quando há solidariedade, interacção e entreajuda e, sobretudo, quando a pessoa em questão se sente entre os seus.
[JES -
aqui]

... Ou "o estado angolano tentando justificar (defender?) o seu 'mais alto galardao'"? ...

AQUI


E, ja' agora, outro take sobre a "Historia, Kultura (e Identidade) Tchokwe'"...

AKI





OU AINDA...


COMO FABRICAR UM MONSTRO 'POS-COLONIAL'...


{Ou, provavelmente, "O Charme (in)Discreto da ex-Burguesia Colonial" - lembram-se do filme do Bunuel?...}


1. Pegue-se numa lourinha da media-alta burguesia colonial. Coloque-se-a, aos oito anos de idade, na academia local de ballet classico, como e' de 'bom gosto e bom tom' fazer-se com as 'meninas bem' das sociedades coloniais, para que elas "nao fiquem atras" das suas congeneres da metropole.

2. Aproveite-se a debandada dos colonos por altura da independencia e coloque-se a lourinha, aos quinze anos de idade, como directora da mesma academia, onde ela, por falta de competicao, challenges, e muito menos criticas, de colegas ou professore/as mais velho/as e mais experientes, nao so' nao aprimora a sua formacao basica, tanto tecnica como conceptual, cultural, espiritual e etica, moral ou humanistica, nem sedimenta quaisquer valores ou principios e menos ainda qualquer sensibilidade ou maturidade socio-politica, como comeca a desenvolver todos os tiques ditatorias de "prima doninha" e "vaquinha sagrada", ate' que... um grupo de "ingratos" emite um abaixo-assinado acusando-a de "praticas social e racialmente discriminatorias".

3. Nao tardara' muito e a loura, guiada pelos "mais elevados espiritas pos-coloniais", decide trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara da Mwana P(h)wo... e o resto... e' 'historia'!

4. Ou seja, a blonde bombshell decide criar uma privada 'companhia de danca contemporanea' a partir das cinzas da publica academia em que fez das suas a seu bel prazer, companhia essa que, va-se la' saber como e/ou porque, viria a ficar "falecida" durante cerca de 10 anos, ate' que... a loura e' confrontada com o primeiro challenge da sua dolce vitta sob a forma de alguns serios questionamentos por parte de uma "pobre e insignificante criatura", contra a qual por isso move uma sordida campanha em alianca com outros tantos sordidos personagens, mas gracas a qual e ao blog dessa mesma criatura consegue "reunir forcas" - nao sem usar, mais uma vez, a muleta dos seus paternus guias - para sair do seu letargico longo dolce fare niente e la' consegue fazer renascer das cinzas, qual Fenix, a tal companhia que apenas 'inclui' black men e para a qual obtem de mao beijada um volume de patrocinios inaudito no pais...

5. Depois e' so' ve-la tornar-se, do dia para a noite, "monstro sagrado da danca patrimonial nacional" (palmas por favor !), portadora do "mais alto galardao do estado pos-colonial" e (calem-se todos porra!!!), "mae da danca contemporanea em Africa", "coreografa-em-chefe do CAN", "unico verdadeiro icone da danca em Angola, unico membro do Conselho Mundial da Danca e unico item que nao merece ser abortado e muito menos suicidado em grande estilo ou esquartejado a catanada" e "mais angolana do que a angolanidade"!!!

6. Mas nao e' tudo: a loura, tendo sido sempre uma estudante mediocre e sem nunca ter completado o ensino medio formal, entra por portas travessas para a universidade local onde desconsegue de fazer o curso atraves do qual pretendia obter creditos de "ser pensante" (e' que isto de ser bailarina classica europeia, apenas porque os pais assim o quizeram e puderam e ainda por cima loura, tem as suas coisas...).

7. Vai dai, abala para uma qualquer universidade na ex-metropole onde se torna "mestre" e "doutoranda" em qualquer coisa ligada a motricidade humana, mas que tambem lhe permite vir a reclamar (desastradamente, diga-se de passagem...) creditos como "coreografa", "antropologa" "historiadora", "economista" e "critica literaria"!

8. E o monstro fica pronto quando, depois de ter dito e feito todas as patetices, ordinarices, ignorancias e mentiras descaradas aqui registadas, comeca arrogantemente a auto-designar-se "Dra." sem o ser, a auto-proclamar-se "grande especialista da cultura cokwe" e a mandar bocas destas: "(...) a dança não é instintiva, não é apenas recreativa, mas é uma área do saber tão académica e tão rigorosa como qualquer outra..."! [O facto e' que, mesmo que tal statement possa ser de algum modo "substanciado" numa qualquer versao talvez do dominio do "fantastico" (... e, ainda assim, quanto muito, apenas no 'circulo restrito' da "danca classica europeia"... e com "muitas aspas" e reticencias...), ela sera' a ultima pessoa a poder demonstra-lo convincentemente, dado o seu background e a sua prestacao nos registos acima mencionados e linkados...]


E MAIS!!! PERMITE-SE PUBLICAR "TESTAMENTOS" COMO ESTE:


TESTAMENTO


… quero dançar, dançar sempre até me evaporar, até os meus pés e a minha alma se rasgarem em fragmentos que se espalharão pela terra de todas as vidas que vivi, de todas as vidas que pisei, de todas as vidas que construí e destruí. De todas as vidas que sonhei e nem conheci.

Que o céu me arranque os olhos castanhos e os faça azuis de mar e cinzentos de tempestade. Que os ogros me levem o coração inscrito de sinuosas cicatrizes. E que tu me guardes a pele transparente e inofensiva e dela faças uma janela para coar o sol. O meu sol.

E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre.

Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti:

a tua alma pura e frágil!..



[AQUI]


E PRONTO, COM SEXO, VENALIDADE E DECADENCIA q.b. A MISTURA - mais o "apoio incondicional" do regime e estruturas governamentais (nomeadamente o Ministerio da Cultura para o qual diz trabalhar ha' 33 anos...) "contra" os quais de vez em quando "manda umas bocas" para ingles ver e ouvir e para "conquistar a oposicao e, em particular, os intelectuais activistas do social" - AI' TEEM O PERFEITO MONSTRO 'POS-COLONIAL'... ABSOLUTAMENTE IRRESISTIVEL... ENJOY!



P.S.: Apenas algumas breves 'observacoes empiricas' (atrevidas) a esta materia:
i) A "interessante conversa sobre cultura e etnologia" com Mesquitela Lima a que me referia nesta memoria de morabezza, comecou num momento em que ele me atirou (morabezzamente) com este statement: "nos conhecemos melhor as vossas culturas do que voces proprios"!...

ii) Num pais como Angola, composto por um mosaico cultural que conta com pelo menos 10 grupos etnicos e respectivos sistemas e sub-sistemas etno-linguisticos e culturais, como explicar (compreender) o "lugar central" e ate' "matricial" que, aparentemente, nele e' atribuido a cultura Cokwe (Tchokwe)? Para o leigo, porem atento observador de cultural trends, como eu, ele tem pelo menos duas vertentes (hipoteses) explicativas fundamentais:

1. [Infrastrutura] - Os recursos financeiros e materiais que a toda poderosa Diamang (um verdadeiro "estado dentro do estado" no periodo colonial/ pre-economia petrolifera) pode dispender na investigacao, inventariacao, recolha, documentacao e arquivo daquela cultura nas suas varias vertentes - foi o que tornou possivel o estabelecimento, sob a direccao de Mesquitela Lima, do dedicado Museu do Dundo, que nao encontra replica na atencao (nao) dispensada as culturas de outros grupos etnicos do pais e a obra de Marie Louise Bastin ;

2. [Superstrutura] - A "gesta da Nacao Crioula", como fulcro cultural e intelectual do (ideologico) "projecto de engenharia social" para a criacao do "homem novo" que o MPLA vem (utopicamente) implementando, com maior ou menor sucesso, desde a independencia (replicando, em grande medida, a gesta cultural do "Portugal Imperial do Minho a Timor", com sede no eixo Sagres-Lisboa/Porto, na "Angola Pos-Colonial de Cabinda ao Cunene", com sede no eixo Dundo (Kabebe?) -Loanda/Benguela...). Projecto esse em que, ademais, no plano politico, os conceitos de Angolanidade, Cidadania e Patriotismo continuam a ser ideologicamente confundidos com a filiacao, adesao, ou comunhao de ideais, principios, programas e praticas ao/com o ate' recentemente unico e ate' agora partido maioritario - processo esse facilitado pela "acoplacao" e "acantonamento" dos outros dois maiores partidos tradicionais a forcas estrangeiras, nomeadamente aos "carcamanos sul-africanos" a Sul e aos "neo-authenticites apostolos de Mobutu" a Norte (... como se cubanos e sovieticos, entre outros, incluindo portugueses e chineses, nao fossem estrangeiros...):

- Essa gesta (utopica) tem a sua genese em Mwanapwo, os seus caboucos em Yaka , o seu apogeu em Lueji, o Nascimento de um Imperio e o seu extase na Gloriosa Familia, de Pepetela - 'o mais elevado dos espiritas', passando, embora um tanto ao largo e com outros referentes socio-culturais e geograficos (e.g. Luanda 'Ilha' Crioula de Mario Antonio), pela Nacao Crioula de Agualusa. Trata-se aqui de ficcao literaria, bem entendido, mas uma ficcao literaria que, neste contexto, "faz (pretende fazer?) as vezes" (ideologicamente) da Historia, da Sociologia, da Demografia, da Etnologia e da Antropologia - em suma, das Ciencias Sociais e Humanas...

- E esses vultos literarios, sao seguidos por um circulo restrito de poetas como Ana Paula Tavares [que, interessantemente, no seu A Cabeca de Salome', dedica uma cronica a Marie Louise Bastin, com um curioso "sincero pedido de perdao" (assumidamente por ter chegado tarde a taca do vinho lunda), que, pelo menos a mim, teve o condao de evocar a um certo nivel o statement de Mesquitela Lima acima referido... sendo que no mesmo livro, a autora (re?) cria uma fantastica carta de Dona Ana Joaquina - a escravocrata mestica - ao Muatianvua Noeji - senhor de todas as Lundas - em que estabelece uma ponte povoada de sonhos e pesadelos de escravos e pombeiros entre o palacio da primeira em Loanda - a cidade branca - e a mussumba do segundo em Kabebe - a cidade ideia...], bailarinas classicas europeias como Ana Clara Guerra Marques (a.k.a. P(h)wo, de Mwanapwo... "mera coincidencia"?!) e, entre outros, alguns artistas plasticos e musicos (embora estes apenas pontualmente e a titulo de curiosidade, ou apenas na intencao declarada) como Paulo Flores ou Tirso Amaral (e, certamente nao por acaso, excepto no caso deste, ja' falecido, os ultimos todos galardoados nos ultimos anos com o Premio Nacional de Cultura e Artes)...

E' a "Nacao Crioula" (Krioula? - ou, nas suas versoes mais hodiernas, a "(neofita) ideologia dos (pretensos) afectos" ou a "cultura africana contemporanea", ou pelo menos parte dela - onde o termo bantu passou a ser o insulto preferido de alguns e em que todos os caminhos parecem inevitavelmente ir dar a recolonizacao...) urdindo, fundindo, forjando, brandindo e esgrimindo, sob o olhar silencioso de Neto, em bom Portugues de Camoes (Kamoes?), ao sabor de bom vinho do Porto e ao som de Wagner, assepticamente, as suas "raizes mais profundas"! SARAVA'!!!

Is there more to it than just that, really?!
I wonder...


[Se Mesquitela Lima estivesse vivo, talvez me pudesse esclarecer melhor essas questoes e, muito especialmente, porque que o meu Kongo Blues e' considerado "tara tribal" e esse tipo de conferencias e respectivos produtos e sub-produtos culturais nao o e'... ]



*[First posted 02/10/10]




Ninguém pode tudo na vida. E também ninguém sabe tudo, mas podemos fazer muito quando há solidariedade, interacção e entreajuda e, sobretudo, quando a pessoa em questão se sente entre os seus.
[JES -
aqui]

... Ou "o estado angolano tentando justificar (defender?) o seu 'mais alto galardao'"? ...

AQUI


E, ja' agora, outro take sobre a "Historia, Kultura (e Identidade) Tchokwe'"...

AKI





OU AINDA...


COMO FABRICAR UM MONSTRO 'POS-COLONIAL'...


{Ou, provavelmente, "O Charme (in)Discreto da ex-Burguesia Colonial" - lembram-se do filme do Bunuel?...}


1. Pegue-se numa lourinha da media-alta burguesia colonial. Coloque-se-a, aos oito anos de idade, na academia local de ballet classico, como e' de 'bom gosto e bom tom' fazer-se com as 'meninas bem' das sociedades coloniais, para que elas "nao fiquem atras" das suas congeneres da metropole.

2. Aproveite-se a debandada dos colonos por altura da independencia e coloque-se a lourinha, aos quinze anos de idade, como directora da mesma academia, onde ela, por falta de competicao, challenges, e muito menos criticas, de colegas ou professore/as mais velho/as e mais experientes, nao so' nao aprimora a sua formacao basica, tanto tecnica como conceptual, cultural, espiritual e etica, moral ou humanistica, nem sedimenta quaisquer valores ou principios e menos ainda qualquer sensibilidade ou maturidade socio-politica, como comeca a desenvolver todos os tiques ditatorias de "prima doninha" e "vaquinha sagrada", ate' que... um grupo de "ingratos" emite um abaixo-assinado acusando-a de "praticas social e racialmente discriminatorias".

3. Nao tardara' muito e a loura, guiada pelos "mais elevados espiritas pos-coloniais", decide trocar as sapatilhas de ballet classico pela mascara da Mwana P(h)wo... e o resto... e' 'historia'!

4. Ou seja, a blonde bombshell decide criar uma privada 'companhia de danca contemporanea' a partir das cinzas da publica academia em que fez das suas a seu bel prazer, companhia essa que, va-se la' saber como e/ou porque, viria a ficar "falecida" durante cerca de 10 anos, ate' que... a loura e' confrontada com o primeiro challenge da sua dolce vitta sob a forma de alguns serios questionamentos por parte de uma "pobre e insignificante criatura", contra a qual por isso move uma sordida campanha em alianca com outros tantos sordidos personagens, mas gracas a qual e ao blog dessa mesma criatura consegue "reunir forcas" - nao sem usar, mais uma vez, a muleta dos seus paternus guias - para sair do seu letargico longo dolce fare niente e la' consegue fazer renascer das cinzas, qual Fenix, a tal companhia que apenas 'inclui' black men e para a qual obtem de mao beijada um volume de patrocinios inaudito no pais...

5. Depois e' so' ve-la tornar-se, do dia para a noite, "monstro sagrado da danca patrimonial nacional" (palmas por favor !), portadora do "mais alto galardao do estado pos-colonial" e (calem-se todos porra!!!), "mae da danca contemporanea em Africa", "coreografa-em-chefe do CAN", "unico verdadeiro icone da danca em Angola, unico membro do Conselho Mundial da Danca e unico item que nao merece ser abortado e muito menos suicidado em grande estilo ou esquartejado a catanada" e "mais angolana do que a angolanidade"!!!

6. Mas nao e' tudo: a loura, tendo sido sempre uma estudante mediocre e sem nunca ter completado o ensino medio formal, entra por portas travessas para a universidade local onde desconsegue de fazer o curso atraves do qual pretendia obter creditos de "ser pensante" (e' que isto de ser bailarina classica europeia, apenas porque os pais assim o quizeram e puderam e ainda por cima loura, tem as suas coisas...).

7. Vai dai, abala para uma qualquer universidade na ex-metropole onde se torna "mestre" e "doutoranda" em qualquer coisa ligada a motricidade humana, mas que tambem lhe permite vir a reclamar (desastradamente, diga-se de passagem...) creditos como "coreografa", "antropologa" "historiadora", "economista" e "critica literaria"!

8. E o monstro fica pronto quando, depois de ter dito e feito todas as patetices, ordinarices, ignorancias e mentiras descaradas aqui registadas, comeca arrogantemente a auto-designar-se "Dra." sem o ser, a auto-proclamar-se "grande especialista da cultura cokwe" e a mandar bocas destas: "(...) a dança não é instintiva, não é apenas recreativa, mas é uma área do saber tão académica e tão rigorosa como qualquer outra..."! [O facto e' que, mesmo que tal statement possa ser de algum modo "substanciado" numa qualquer versao talvez do dominio do "fantastico" (... e, ainda assim, quanto muito, apenas no 'circulo restrito' da "danca classica europeia"... e com "muitas aspas" e reticencias...), ela sera' a ultima pessoa a poder demonstra-lo convincentemente, dado o seu background e a sua prestacao nos registos acima mencionados e linkados...]


E MAIS!!! PERMITE-SE PUBLICAR "TESTAMENTOS" COMO ESTE:


TESTAMENTO


… quero dançar, dançar sempre até me evaporar, até os meus pés e a minha alma se rasgarem em fragmentos que se espalharão pela terra de todas as vidas que vivi, de todas as vidas que pisei, de todas as vidas que construí e destruí. De todas as vidas que sonhei e nem conheci.

Que o céu me arranque os olhos castanhos e os faça azuis de mar e cinzentos de tempestade. Que os ogros me levem o coração inscrito de sinuosas cicatrizes. E que tu me guardes a pele transparente e inofensiva e dela faças uma janela para coar o sol. O meu sol.

E que a raiva do meu corpo, te deite brutalmente sobre a areia de uma praia qualquer, onde te arrancarei a roupa e os complexos, onde te amputarei o génio e a identidade, onde te extirparei a serenidade e o sorriso, para te possuir, selvagem, extinguindo-me na vontade de te engolir para sempre.

Na intensidade de um orgasmo lúgubre, conseguirei então o que desejo, afinal, e que há de mais belo em ti:

a tua alma pura e frágil!..



[AQUI]


E PRONTO, COM SEXO, VENALIDADE E DECADENCIA q.b. A MISTURA - mais o "apoio incondicional" do regime e estruturas governamentais (nomeadamente o Ministerio da Cultura para o qual diz trabalhar ha' 33 anos...) "contra" os quais de vez em quando "manda umas bocas" para ingles ver e ouvir e para "conquistar a oposicao e, em particular, os intelectuais activistas do social" - AI' TEEM O PERFEITO MONSTRO 'POS-COLONIAL'... ABSOLUTAMENTE IRRESISTIVEL... ENJOY!



P.S.: Apenas algumas breves 'observacoes empiricas' (atrevidas) a esta materia:
i) A "interessante conversa sobre cultura e etnologia" com Mesquitela Lima a que me referia nesta memoria de morabezza, comecou num momento em que ele me atirou (morabezzamente) com este statement: "nos conhecemos melhor as vossas culturas do que voces proprios"!...

ii) Num pais como Angola, composto por um mosaico cultural que conta com pelo menos 10 grupos etnicos e respectivos sistemas e sub-sistemas etno-linguisticos e culturais, como explicar (compreender) o "lugar central" e ate' "matricial" que, aparentemente, nele e' atribuido a cultura Cokwe (Tchokwe)? Para o leigo, porem atento observador de cultural trends, como eu, ele tem pelo menos duas vertentes (hipoteses) explicativas fundamentais:

1. [Infrastrutura] - Os recursos financeiros e materiais que a toda poderosa Diamang (um verdadeiro "estado dentro do estado" no periodo colonial/ pre-economia petrolifera) pode dispender na investigacao, inventariacao, recolha, documentacao e arquivo daquela cultura nas suas varias vertentes - foi o que tornou possivel o estabelecimento, sob a direccao de Mesquitela Lima, do dedicado Museu do Dundo, que nao encontra replica na atencao (nao) dispensada as culturas de outros grupos etnicos do pais e a obra de Marie Louise Bastin ;

2. [Superstrutura] - A "gesta da Nacao Crioula", como fulcro cultural e intelectual do (ideologico) "projecto de engenharia social" para a criacao do "homem novo" que o MPLA vem (utopicamente) implementando, com maior ou menor sucesso, desde a independencia (replicando, em grande medida, a gesta cultural do "Portugal Imperial do Minho a Timor", com sede no eixo Sagres-Lisboa/Porto, na "Angola Pos-Colonial de Cabinda ao Cunene", com sede no eixo Dundo (Kabebe?) -Loanda/Benguela...). Projecto esse em que, ademais, no plano politico, os conceitos de Angolanidade, Cidadania e Patriotismo continuam a ser ideologicamente confundidos com a filiacao, adesao, ou comunhao de ideais, principios, programas e praticas ao/com o ate' recentemente unico e ate' agora partido maioritario - processo esse facilitado pela "acoplacao" e "acantonamento" dos outros dois maiores partidos tradicionais a forcas estrangeiras, nomeadamente aos "carcamanos sul-africanos" a Sul e aos "neo-authenticites apostolos de Mobutu" a Norte (... como se cubanos e sovieticos, entre outros, incluindo portugueses e chineses, nao fossem estrangeiros...):

- Essa gesta (utopica) tem a sua genese em Mwanapwo, os seus caboucos em Yaka , o seu apogeu em Lueji, o Nascimento de um Imperio e o seu extase na Gloriosa Familia, de Pepetela - 'o mais elevado dos espiritas', passando, embora um tanto ao largo e com outros referentes socio-culturais e geograficos (e.g. Luanda 'Ilha' Crioula de Mario Antonio), pela Nacao Crioula de Agualusa. Trata-se aqui de ficcao literaria, bem entendido, mas uma ficcao literaria que, neste contexto, "faz (pretende fazer?) as vezes" (ideologicamente) da Historia, da Sociologia, da Demografia, da Etnologia e da Antropologia - em suma, das Ciencias Sociais e Humanas...

- E esses vultos literarios, sao seguidos por um circulo restrito de poetas como Ana Paula Tavares [que, interessantemente, no seu A Cabeca de Salome', dedica uma cronica a Marie Louise Bastin, com um curioso "sincero pedido de perdao" (assumidamente por ter chegado tarde a taca do vinho lunda), que, pelo menos a mim, teve o condao de evocar a um certo nivel o statement de Mesquitela Lima acima referido... sendo que no mesmo livro, a autora (re?) cria uma fantastica carta de Dona Ana Joaquina - a escravocrata mestica - ao Muatianvua Noeji - senhor de todas as Lundas - em que estabelece uma ponte povoada de sonhos e pesadelos de escravos e pombeiros entre o palacio da primeira em Loanda - a cidade branca - e a mussumba do segundo em Kabebe - a cidade ideia...], bailarinas classicas europeias como Ana Clara Guerra Marques (a.k.a. P(h)wo, de Mwanapwo... "mera coincidencia"?!) e, entre outros, alguns artistas plasticos e musicos (embora estes apenas pontualmente e a titulo de curiosidade, ou apenas na intencao declarada) como Paulo Flores ou Tirso Amaral (e, certamente nao por acaso, excepto no caso deste, ja' falecido, os ultimos todos galardoados nos ultimos anos com o Premio Nacional de Cultura e Artes)...

E' a "Nacao Crioula" (Krioula? - ou, nas suas versoes mais hodiernas, a "(neofita) ideologia dos (pretensos) afectos" ou a "cultura africana contemporanea", ou pelo menos parte dela - onde o termo bantu passou a ser o insulto preferido de alguns e em que todos os caminhos parecem inevitavelmente ir dar a recolonizacao...) urdindo, fundindo, forjando, brandindo e esgrimindo, sob o olhar silencioso de Neto, em bom Portugues de Camoes (Kamoes?), ao sabor de bom vinho do Porto e ao som de Wagner, assepticamente, as suas "raizes mais profundas"! SARAVA'!!!

Is there more to it than just that, really?!
I wonder...


[Se Mesquitela Lima estivesse vivo, talvez me pudesse esclarecer melhor essas questoes e, muito especialmente, porque que o meu Kongo Blues e' considerado "tara tribal" e esse tipo de conferencias e respectivos produtos e sub-produtos culturais nao o e'... ]



*[First posted 02/10/10]


Monday, 8 November 2010

Obrigada Agry!


Pela solidariedade (amplamente retribuida) aqui.

Pela solidariedade (amplamente retribuida) aqui.

Friday, 5 November 2010

Presencing practices

This is an event organised by Rainer von-Leoprechting – one of my great and cherished German friends mentioned in one of my comments to this post, and some of whose wonderful postcards are featured here.


Unfortunately, today is the last day of the event - I do apologise for not having posted it earlier, as Rainer sent the announcement to me well in advance, but somehow I confused the starting date with the closing date…

In any case, this serves mainly as a presentation of the Presencing Institute’s work, worth exploring either in situ or online.


Time: November 2, 2010 at 6pm to November 5, 2010 at 5pm
Location: Bregenzer
Salon
Organized By: Rainer v. Leoprechting


Event Description:
In early November we offer a variety of presencing practices in Bregenz.

Insights in the process of development towards wisdom in adults - how
you can listen to the development in others (based on Robert Kegan and Otto
Laske).

Systemic constellations: Lend your sensations to represent
salient elements of a system in response to a burning issue - letting go of
beliefs, letting come of solutions in all our senses and dimensions

Pro
Action Café: Project owners of diverse kinds gather and explore their projects
together: what is the deeper quest behind? What is missing? What are the elegant
next steps?
A short collective process in U-shape to energise practical
communities.

Ursula Hillbrand, Lena ter Woort and Rainer v. Leoprechting
will host a series of different workshops in German:

2 November
(evening): Vortrag und Mini-Workshop: Professionelles Arbeiten aus der Krise
heraus
3 November (day): Seminar “Proaktives Zuhören auf professionelle
Entwicklung”
4 November (evening): Pro Action Café
5 November (day):
“Wir in unserer Welt”: Workshop mit systemischen Aufstellungen






Ja’ nao via o Rainer, (um dos meus bons amigos alemaes que, explicitamente, mencionava aqui e nos comentarios a este post e a este e, implicitamente, aqui), ha’ uma boa meia duzia de anos, desde que estive em Bruxelas pela ultima vez.

Durante aquela minha breve estada, em servico, na 'capital europeia', ele, a mulher e as duas filhas proporcionaram-me alguns momentos bastante agradaveis, tanto em sua casa (espectacularmente por ela transformada e personalizada, com um in-built garden out of this world que julgo merecer algum premio de arquitectura, enfim, algo que realmente so' visto!...), como em alguns dos melhores lugares que Bruxelas tem a oferecer aos seus visitantes: e.g., para alem das obrigatorias historical landmarks e museus, um restaurante tradicional em que degustamos o prato tipico local (uma boa panelada de ferro de moules cooked on beer e frites), ou um dos mais trendy espacos culturais da cidade, em que vimos e fruimos exibicoes e performances de alguma da mais representativa arte contemporanea europeia e mundial disponivel na cidade.

Voltamos a encontrar-nos ha’ alguns dias em Londres (a ultima vez que nos encontraramos nesta cidade fora algumas semanas depois de eu aqui ter chegado em 1995, numa altura em que ainda andava em "recuperacao de sentidos"...), apenas por um par de horas a uma mesa do Café’ Le Pain Quotidien na brand new (pelo menos para mim…) station Saint Pancras International, antes da partida dele de regresso a Bruxelas. Foi interessante registar o modo como ele me disse "you look good!"... O mesmo tipo de reaccao ao ver-me que o Luis teve quando nos encontramos ha' alguns meses depois de algum tempo sem nos vermos, tendo este sido um pouco mais expansivo: "Estas optima! Fantastica! Pensei que ia encontrar uma mulher deprimida e ate' um pouco degradada, mas... you look amazing!"... Bom, apenas um (dois) reflexos do que certas campanhas podem fazer a imagem de uma mulher na imaginacao de quem le este blog...

Por entre fortes, demorados e comovidos abracos, tomamos o pouco tempo que tinhamos disponivel to catch up on our lives, cujas circunstancias mudaram significativamente desde o nosso ultimo encontro – ciclos de vida: algo que o Rainer, economista e filosofo de formacao e profissao, se vem especializando em gerir atraves do seu trabalho extra-profissional com o Presencing Institute, do qual a materia principal deste post e’ apenas uma amostra.

O Paulinho juntou-se a nos a dada altura, tendo-lhe o Rainer dito de como estava impressionado com a cada vez maior semelhanca fisionomica dele com o seu falecido pai – foi em casa deste em Luanda que o Rainer ficou hospedado, enquanto meu amigo, durante a sua primeira e unica visita a Angola, ja’ la’ vai uma boa vintena de anos; tal como era em nossa casa em Lisboa que o Tirso ficava hospedado quando la' ia durante aquele periodo… apenas um pouco daquilo a que aqui me referia quando dizia que “casos ha' em que relacoes (de papel passado ou nao) de facto se desenvolveram fora daquilo que a "sociedade" tem como "norma padrao"... Casos ha' em que, apesar de algumas aparencias ou especulacoes em contrario, relacoes saudaveis existiram e, apesar da separacao e distanciamento entre os pais da crianca, se mantiveram na base da amizade, do bem-querer e do respeito mutuo...”.

Enfim, tudo isto talvez para dizer apenas que sao assim as amizades de vida e os (verdadeiros) afectos!

This is an event organised by Rainer von-Leoprechting – one of my great and cherished German friends mentioned in one of my comments to this post, and some of whose wonderful postcards are featured here.


Unfortunately, today is the last day of the event - I do apologise for not having posted it earlier, as Rainer sent the announcement to me well in advance, but somehow I confused the starting date with the closing date…

In any case, this serves mainly as a presentation of the Presencing Institute’s work, worth exploring either in situ or online.


Time: November 2, 2010 at 6pm to November 5, 2010 at 5pm
Location: Bregenzer
Salon
Organized By: Rainer v. Leoprechting


Event Description:
In early November we offer a variety of presencing practices in Bregenz.

Insights in the process of development towards wisdom in adults - how
you can listen to the development in others (based on Robert Kegan and Otto
Laske).

Systemic constellations: Lend your sensations to represent
salient elements of a system in response to a burning issue - letting go of
beliefs, letting come of solutions in all our senses and dimensions

Pro
Action Café: Project owners of diverse kinds gather and explore their projects
together: what is the deeper quest behind? What is missing? What are the elegant
next steps?
A short collective process in U-shape to energise practical
communities.

Ursula Hillbrand, Lena ter Woort and Rainer v. Leoprechting
will host a series of different workshops in German:

2 November
(evening): Vortrag und Mini-Workshop: Professionelles Arbeiten aus der Krise
heraus
3 November (day): Seminar “Proaktives Zuhören auf professionelle
Entwicklung”
4 November (evening): Pro Action Café
5 November (day):
“Wir in unserer Welt”: Workshop mit systemischen Aufstellungen






Ja’ nao via o Rainer, (um dos meus bons amigos alemaes que, explicitamente, mencionava aqui e nos comentarios a este post e a este e, implicitamente, aqui), ha’ uma boa meia duzia de anos, desde que estive em Bruxelas pela ultima vez.

Durante aquela minha breve estada, em servico, na 'capital europeia', ele, a mulher e as duas filhas proporcionaram-me alguns momentos bastante agradaveis, tanto em sua casa (espectacularmente por ela transformada e personalizada, com um in-built garden out of this world que julgo merecer algum premio de arquitectura, enfim, algo que realmente so' visto!...), como em alguns dos melhores lugares que Bruxelas tem a oferecer aos seus visitantes: e.g., para alem das obrigatorias historical landmarks e museus, um restaurante tradicional em que degustamos o prato tipico local (uma boa panelada de ferro de moules cooked on beer e frites), ou um dos mais trendy espacos culturais da cidade, em que vimos e fruimos exibicoes e performances de alguma da mais representativa arte contemporanea europeia e mundial disponivel na cidade.

Voltamos a encontrar-nos ha’ alguns dias em Londres (a ultima vez que nos encontraramos nesta cidade fora algumas semanas depois de eu aqui ter chegado em 1995, numa altura em que ainda andava em "recuperacao de sentidos"...), apenas por um par de horas a uma mesa do Café’ Le Pain Quotidien na brand new (pelo menos para mim…) station Saint Pancras International, antes da partida dele de regresso a Bruxelas. Foi interessante registar o modo como ele me disse "you look good!"... O mesmo tipo de reaccao ao ver-me que o Luis teve quando nos encontramos ha' alguns meses depois de algum tempo sem nos vermos, tendo este sido um pouco mais expansivo: "Estas optima! Fantastica! Pensei que ia encontrar uma mulher deprimida e ate' um pouco degradada, mas... you look amazing!"... Bom, apenas um (dois) reflexos do que certas campanhas podem fazer a imagem de uma mulher na imaginacao de quem le este blog...

Por entre fortes, demorados e comovidos abracos, tomamos o pouco tempo que tinhamos disponivel to catch up on our lives, cujas circunstancias mudaram significativamente desde o nosso ultimo encontro – ciclos de vida: algo que o Rainer, economista e filosofo de formacao e profissao, se vem especializando em gerir atraves do seu trabalho extra-profissional com o Presencing Institute, do qual a materia principal deste post e’ apenas uma amostra.

O Paulinho juntou-se a nos a dada altura, tendo-lhe o Rainer dito de como estava impressionado com a cada vez maior semelhanca fisionomica dele com o seu falecido pai – foi em casa deste em Luanda que o Rainer ficou hospedado, enquanto meu amigo, durante a sua primeira e unica visita a Angola, ja’ la’ vai uma boa vintena de anos; tal como era em nossa casa em Lisboa que o Tirso ficava hospedado quando la' ia durante aquele periodo… apenas um pouco daquilo a que aqui me referia quando dizia que “casos ha' em que relacoes (de papel passado ou nao) de facto se desenvolveram fora daquilo que a "sociedade" tem como "norma padrao"... Casos ha' em que, apesar de algumas aparencias ou especulacoes em contrario, relacoes saudaveis existiram e, apesar da separacao e distanciamento entre os pais da crianca, se mantiveram na base da amizade, do bem-querer e do respeito mutuo...”.

Enfim, tudo isto talvez para dizer apenas que sao assim as amizades de vida e os (verdadeiros) afectos!

Parafraseando



"O Charme (in)Discreto dos (Pretensos) Afectos Pos-Coloniais"

Basta apenas dizer que as negras angolanas sempre foram concebidas, sob o regime colonial, como "escravas sexuais" para servir os portugueses, seus filhos e descendentes. Portanto, nao se espantem agora, sob o regime pos-colonial, se uma negra angolana que tenha tido o azar de cometer o crime de lesa-patria de "se meter" com, ou de "cair (como gazela) nas garras" de algum deles seja concebida como uma "prostituta" e o(s) seu(s) filho(s) como "bastardos"...

Sempre foi assim!

{Mas como, entretanto, sob o regime da neofita ideologia dos (pretensos) afectos pos-coloniais, a "Nacao Crioula" precisa de se reproduzir a todo o custo e a qualquer preco, os seus esbirros - negros e brancos, homens e mulheres - nao param de perseguir e de tentar destruir 'by all means necessary' qualquer "preta" que se recuse a fazer subservientemente tal papel e a prestar-lhes tais servicos...}




"O Charme (in)Discreto dos (Pretensos) Afectos Pos-Coloniais"

Basta apenas dizer que as negras angolanas sempre foram concebidas, sob o regime colonial, como "escravas sexuais" para servir os portugueses, seus filhos e descendentes. Portanto, nao se espantem agora, sob o regime pos-colonial, se uma negra angolana que tenha tido o azar de cometer o crime de lesa-patria de "se meter" com, ou de "cair (como gazela) nas garras" de algum deles seja concebida como uma "prostituta" e o(s) seu(s) filho(s) como "bastardos"...

Sempre foi assim!

{Mas como, entretanto, sob o regime da neofita ideologia dos (pretensos) afectos pos-coloniais, a "Nacao Crioula" precisa de se reproduzir a todo o custo e a qualquer preco,
os seus esbirros - negros e brancos, homens e mulheres - nao param de perseguir e de tentar destruir 'by all means necessary' qualquer "preta" que se recuse a fazer subservientemente tal papel e a prestar-lhes tais servicos...}

E assim termina o annus angolensis.

Just Poetry XXX

CANÇÃO DA LUNA


Cobriste-me de espuma
e traçaste para mim uma linha
na bruma
não sei para me defenderes de quê
mas preferia que me cantasses
a canção da Luna:
não te negues
que os chuis já só correm em estafetas
testemunhadas pelos ex-casse-têtes
e os cães de polícias passaram
a apanha-bolas nos estádios de futebol
e
cada soldado tem apenas
a honrosa e paternal missão
de velar por um ninho de pássaros.

Mas volta aqui e poisa a mão,
talvez me convença assim
de que chorar já
não vale um sopro
e me disponha a esperar pelo dia
em que me posses trazer
em primeira mão
a notícia do fim da CORRIDA.


A.S. in S.O.S.

Wednesday, 3 November 2010

Africa - 50 years of music

“Africa 50 years of music” has to be the largest collection of music from across the continent with 18 CDs, 185 tracks by 183 artists from 39 countries. The collection is organised chronologically into six regions.

With so many tracks, the collection goes beyond the usual suspects : Miriam Makeba, Fela Kuti, Youssou N Dour, Franco, Cheb Khaled, Cesaria Evora, Mulatu Astatke, Salif Keita, Manu Dibango and Oum Kalsoum – and mostly recorded between 1960 and 2009.

A good review from All About Jazz which includes a complete track list and another from The Observer.


[Cross-posted, with thanks, from Black Looks]
“Africa 50 years of music” has to be the largest collection of music from across the continent with 18 CDs, 185 tracks by 183 artists from 39 countries. The collection is organised chronologically into six regions.

With so many tracks, the collection goes beyond the usual suspects : Miriam Makeba, Fela Kuti, Youssou N Dour, Franco, Cheb Khaled, Cesaria Evora, Mulatu Astatke, Salif Keita, Manu Dibango and Oum Kalsoum – and mostly recorded between 1960 and 2009.

A good review from All About Jazz which includes a complete track list and another from The Observer.


[Cross-posted, with thanks, from Black Looks]

Tuesday, 2 November 2010

Black History Month





October has just passed and with it Black History Month in Britain. Numerous events took place in London and other places where Black and African history and heritage throughout the world are celebrated during the month. I have attended three of such events at one of my local libraries:



- A talk by Daniel Kaluuya, a British born Ugandan who is an up and coming actor and writer best known for playing Posh Kenneth in the E4 teen-drama Skins. Daniel also had huge success earlier this year as Leon in Roy Williams’ Sucker Punch at the Royal Court Theatre.

I regret arriving late to Daniel's talk and having to leave early but got the impression that he is a promising talent whose career is worth following.



- A lecture by Sly Quarcoopome, a Ghanaian, poet and lecturer in Criminal Law/Psychology and Criminology, who read his poetry on the trials and tribulations of African consciousness.

Sly dedicated a special reflection on the experience of his home country, Ghana, Africa's first independent nation and the fate of its first leader, the Osagyefo Kwame Nkrumah, the author of Consciencism, with his democratic election and then overthrow by a CIA-sponsored coup d'etat. An experience replicated elsewhere on the continent throughout the 60's, which Sly, who presented himself as "an aspiring poet", put into these verses:


African Holocaust

From centuries of Slavery to Colonialism
From Stealing of
Gold to Diamonds
From Massacres to Genocides
From Imperialism to Modern Day Slavery
From Single Party to Multi-party Systems
From Divide & Rule to CIA & MI5 Coup-de-tats
From Dictatorships to Tribalism
From Corruption to Nepotism
From Religious Strives to North & South Divide
From Democracy to Dem-All-Crazy!!!


He also talked extensively about Africa's plight - from the continent's 'discovery' to what he termed 'modern day slavery' of Africans, both at home and in the diaspora, as well as the downtrodden of all nations and origins, with an emphasis on the differential impacts of the current economic crisis in society, especially in Britain. All this he conveyed in this poem inspired on Bob Marley's song of the same title, which was in turn inspired on a speech by Haile Selassie:


WAR!!!

Until the philosophy
This labels some
First World
And others, Third World
There's gonna be WAR!

Until the political tendencies
To name some nations
Under-developing
And others
Developed
There's gonna be WAR!

Until the shenanigans
That some are civilised
Due to richness
And others
Uncivilised n Barbaric
Due to poverty
There's gonna be WAR!

Until all legitimate
Freedom Fighters
Dis-labelled as Terrirists
There's gonna be WAR!

War in the North
War down South
War left side - East
War right side - West
War all over the bleeding place!

War down Wall Street
War up Capitol Hill
War down Parliament Square
War around the White House
War even in the shooters alley
War all over the bloody place.



Sly also had a word on women's discrimination throughout Africa. One particular statement he made that comes to mind was that "if a man is a wife abuser and keeps a lodger, sooner or later that lodger will also start abusing that woman and when a woman is abused in all likelihood she will also become an abuser, particularly towards her children, spawning a vicious cycle of crime and violence in society."

That is something one can observe in societies like the Angolan where, even recently, at least eight women were reported as victims of rape every day in the capital city, Luanda, while child abuse, including sexual, is rampant throughout the country and specially in provinces like Huila. And this sort of violence against women and children is then aped by foreigners in the country – something that my own recent experience in the lusosphere and with some Angolan media circles, even if not direct or physical, can serve as an example…

At the end of his well structured and presented lecture, I intervened just to add some cases to those Sly had mentioned, namely the equally CIA-sponsored overthrow of Lumumba in the Congo Zaire (now DRC) and the recent death (killing!) of Jimmy Mubenga. I also called attention to the need, especially in this year of celebration of the 'African Jubilee', to widen the scope of our reflections and discussions from what others have inflicted upon Africa and Africans throughout History to what we Africans have been inflicting upon ourselves and on the land of our ancestors. In this regard, I gave the specific exemple of the May 27th 1977 'holocaust' in Angola which left thousands of people dead, disappeared, emprisoned, mentally handicapped or psychologically disturbed...
Another example that can be given in that vein is the pogrom known as the Sexta Feira Sangrenta against the Bakongo in Luanda, on January 22nd 1993.




- A presentation by Chinwe Azubuike, a female contemporary voice from Africa, born in Lagos, Nigeria, who describes herself as a spokeswoman for Nigeria’s deprived class.

This last one was that which touched me the most, not least because it was protagonised by a woman. Throughout the presentation of her campaign denouncing violence against women, specifically against widows in Nigeria, and the performance of some of her poems, I was moved almost to tears at times.

There I was sitting in front of this short, slim, yet strong young lady who, with her short-cut hair - which reminded me of exactly how I used to wear mine (... for that I would either go to a barber's shop or cut it myself, and sometimes my late partner, who also liked it very much that way, would cut it for me...) when I was about her age and had also just published my humble first, and so far only, book of poems - holding all my attention and emotions, between the gravity and tension of the subjects she is dealing with and the distension and pleasure of a frank smile conveying to her audience the idea that suffering and healing are facts of life: the first being inflicted upon us by others (and sometimes by ourselves), the second being brought about by our conscious decision to stop both the causes and the consequences of that suffering.


Fears Of A Celibate Woman


The selfish lust of man
Has
earned him my doubt and distrust.

With this vast body of desires,
I
feel forsaken

Who is fit to uncross my twisted legs
And throw them
wide apart?
For my core is burning

Oh! You knight in shining Armour,
Come and prove me wrong.



She followed the paused, pulsating, reflexive (and reflective) reading of each poem (just as I would read my own) by a short explanation - something that I never did with mine, either verbally or in writing (except of late with some I've published on this blog), because it is my belief that poetry either succeeds at being self-explanatory or is ineffective. She also somehow concurred to this assertion by saying after the first reading that it "probably wasn't fair to do that as the author should just leave it to the audience to make sense of the poem." However, in doing so, she was also implicitly acknowledging something that I have experienced myself: the risk of our poems' intended message being lost in "the senses" (translation ... transliteration... prejudgements... prejudices... meaning... projection ... association... appropriation...) the audience, or the reader (not to mention the, often reckless, critics...), may discretionarily attach to them - but then, that's the gamble inherent to poetry writing, especially that of the symbolic kind, isn't it?


To The Memories Of Homage


I still remember the duty your
lips pay
left and right as you walk
down the aisle of people back in
motherland

The responses of women
with wrappers wrapped high above
their breasts
busy, bustling with wares to be assembled for an early sale
in the glowing warmth of the morning sun
They never forget to respond~
with the chewing sticks stuck in their mouths
They never forget to call
out your name
even before a salute leaps out of your lips

I still
remember the sequential interference
of greetings that stops you in your
track
to enquire the fate of your house-hold
and livestock if you
possess any
At times irritating, but all in good faith
by well meaning
hearts and acts of brotherliness

I remember the rebukes your
unintentional mind attracts
from those who surpass your age when morals
evade you
The slogan says ‘it is not love’
yet we engaged in it without
ceasing
it gave and earned us respect

So whenever I see familiar
faces here
who avert their eyes,
I wonder what they think salutation
depicts.



Well, at the end I took the opportunity to thank Chinwe for her beautifully crafted poems and to briefly say how much the underlying themes of both her poetry (e.g. the loss of her father, celibacy, or the sense of solitude and isolation in the diaspora with that permanent longing for echoes of the motherland in each of our smiles lost in those on the streets or at bus stops we momentarily think might be one of our own but really don't want to know us - yet, I've also experienced this is my own homecountry!) and her campaign (the ritual - both symbolic and physical - humiliation, moral degradation, prosecution and stigmatisation of widows in Nigeria) were so close, directly or indirectly, to some of my own life experiences.

I also shared with her and the rest of the audience the trials of widows in Southern Africa (particularly those in countries most affected by the HIV/AIDS pandemic in the region) which are very similar to those she described as happening in Nigeria, albeit for seemingly different reasons and in differing cultural settings, and how, for example, the passing of the 2005 Family Law in Mozambique (see details here and here) was a significant landmark in addressing some of these issues and their root causes.

But throughout, perhaps the only thing I really wanted to tell her but didn't muster to was something along the lines "do you know that there are women who are deprived even of the right to widowhood?"



- While looking up on the net for some more information about Chinwe, who also forms part of Exiled Writers Ink, a collective of artists and writers, I found out that she was featured earlier this year at my good friend and fellow blogger Sokari's Black Looks;

- I also visited the website of one of the organisations to which her campaign is linked, which also works with partners and associations of widows in countries where widowhood is a problem in terms of human rights abuses, discrimination, marginalisation, poverty and violence, such as Nigeria, Kenya, Rwanda, Angola, The Democratic Republic of the Congo and Uganda, Widows For Peace Through Democracy - where I came across an organisation which might be worth exploring just for its name: The Organisation of Strong Women who Live Alone .






October has just passed and with it Black History Month in Britain. Numerous events took place in London and other places where Black and African history and heritage throughout the world are celebrated during the month. I have attended three of such events at one of my local libraries:



- A talk by Daniel Kaluuya, a British born Ugandan who is an up and coming actor and writer best known for playing Posh Kenneth in the E4 teen-drama Skins. Daniel also had huge success earlier this year as Leon in Roy Williams’ Sucker Punch at the Royal Court Theatre.

I regret arriving late to Daniel's talk and having to leave early but got the impression that he is a promising talent whose career is worth following.



- A lecture by Sly Quarcoopome, a Ghanaian, poet and lecturer in Criminal Law/Psychology and Criminology, who read his poetry on the trials and tribulations of African consciousness.

Sly dedicated a special reflection on the experience of his home country, Ghana, Africa's first independent nation and the fate of its first leader, the Osagyefo Kwame Nkrumah, the author of Consciencism, with his democratic election and then overthrow by a CIA-sponsored coup d'etat. An experience replicated elsewhere on the continent throughout the 60's, which Sly, who presented himself as "an aspiring poet", put into these verses:


African Holocaust

From centuries of Slavery to Colonialism
From Stealing of
Gold to Diamonds
From Massacres to Genocides
From Imperialism to Modern Day Slavery
From Single Party to Multi-party Systems
From Divide & Rule to CIA & MI5 Coup-de-tats
From Dictatorships to Tribalism
From Corruption to Nepotism
From Religious Strives to North & South Divide
From Democracy to Dem-All-Crazy!!!


He also talked extensively about Africa's plight - from the continent's 'discovery' to what he termed 'modern day slavery' of Africans, both at home and in the diaspora, as well as the downtrodden of all nations and origins, with an emphasis on the differential impacts of the current economic crisis in society, especially in Britain. All this he conveyed in this poem inspired on Bob Marley's song of the same title, which was in turn inspired on a speech by Haile Selassie:


WAR!!!

Until the philosophy
This labels some
First World
And others, Third World
There's gonna be WAR!

Until the political tendencies
To name some nations
Under-developing
And others
Developed
There's gonna be WAR!

Until the shenanigans
That some are civilised
Due to richness
And others
Uncivilised n Barbaric
Due to poverty
There's gonna be WAR!

Until all legitimate
Freedom Fighters
Dis-labelled as Terrirists
There's gonna be WAR!

War in the North
War down South
War left side - East
War right side - West
War all over the bleeding place!

War down Wall Street
War up Capitol Hill
War down Parliament Square
War around the White House
War even in the shooters alley
War all over the bloody place.



Sly also had a word on women's discrimination throughout Africa. One particular statement he made that comes to mind was that "if a man is a wife abuser and keeps a lodger, sooner or later that lodger will also start abusing that woman and when a woman is abused in all likelihood she will also become an abuser, particularly towards her children, spawning a vicious cycle of crime and violence in society."

That is something one can observe in societies like the Angolan where, even recently, at least eight women were reported as victims of rape every day in the capital city, Luanda, while child abuse, including sexual, is rampant throughout the country and specially in provinces like Huila. And this sort of violence against women and children is then aped by foreigners in the country – something that my own recent experience in the lusosphere and with some Angolan media circles, even if not direct or physical, can serve as an example…

At the end of his well structured and presented lecture, I intervened just to add some cases to those Sly had mentioned, namely the equally CIA-sponsored overthrow of Lumumba in the Congo Zaire (now DRC) and the recent death (killing!) of Jimmy Mubenga. I also called attention to the need, especially in this year of celebration of the 'African Jubilee', to widen the scope of our reflections and discussions from what others have inflicted upon Africa and Africans throughout History to what we Africans have been inflicting upon ourselves and on the land of our ancestors. In this regard, I gave the specific exemple of the May 27th 1977 'holocaust' in Angola which left thousands of people dead, disappeared, emprisoned, mentally handicapped or psychologically disturbed...
Another example that can be given in that vein is the pogrom known as the Sexta Feira Sangrenta against the Bakongo in Luanda, on January 22nd 1993.




- A presentation by Chinwe Azubuike, a female contemporary voice from Africa, born in Lagos, Nigeria, who describes herself as a spokeswoman for Nigeria’s deprived class.

This last one was that which touched me the most, not least because it was protagonised by a woman. Throughout the presentation of her campaign denouncing violence against women, specifically against widows in Nigeria, and the performance of some of her poems, I was moved almost to tears at times.

There I was sitting in front of this short, slim, yet strong young lady who, with her short-cut hair - which reminded me of exactly how I used to wear mine (... for that I would either go to a barber's shop or cut it myself, and sometimes my late partner, who also liked it very much that way, would cut it for me...) when I was about her age and had also just published my humble first, and so far only, book of poems - holding all my attention and emotions, between the gravity and tension of the subjects she is dealing with and the distension and pleasure of a frank smile conveying to her audience the idea that suffering and healing are facts of life: the first being inflicted upon us by others (and sometimes by ourselves), the second being brought about by our conscious decision to stop both the causes and the consequences of that suffering.


Fears Of A Celibate Woman


The selfish lust of man
Has
earned him my doubt and distrust.

With this vast body of desires,
I
feel forsaken

Who is fit to uncross my twisted legs
And throw them
wide apart?
For my core is burning

Oh! You knight in shining Armour,
Come and prove me wrong.



She followed the paused, pulsating, reflexive (and reflective) reading of each poem (just as I would read my own) by a short explanation - something that I never did with mine, either verbally or in writing (except of late with some I've published on this blog), because it is my belief that poetry either succeeds at being self-explanatory or is ineffective. She also somehow concurred to this assertion by saying after the first reading that it "probably wasn't fair to do that as the author should just leave it to the audience to make sense of the poem." However, in doing so, she was also implicitly acknowledging something that I have experienced myself: the risk of our poems' intended message being lost in "the senses" (translation ... transliteration... prejudgements... prejudices... meaning... projection ... association... appropriation...) the audience, or the reader (not to mention the, often reckless, critics...), may discretionarily attach to them - but then, that's the gamble inherent to poetry writing, especially that of the symbolic kind, isn't it?


To The Memories Of Homage


I still remember the duty your
lips pay
left and right as you walk
down the aisle of people back in
motherland

The responses of women
with wrappers wrapped high above
their breasts
busy, bustling with wares to be assembled for an early sale
in the glowing warmth of the morning sun
They never forget to respond~
with the chewing sticks stuck in their mouths
They never forget to call
out your name
even before a salute leaps out of your lips

I still
remember the sequential interference
of greetings that stops you in your
track
to enquire the fate of your house-hold
and livestock if you
possess any
At times irritating, but all in good faith
by well meaning
hearts and acts of brotherliness

I remember the rebukes your
unintentional mind attracts
from those who surpass your age when morals
evade you
The slogan says ‘it is not love’
yet we engaged in it without
ceasing
it gave and earned us respect

So whenever I see familiar
faces here
who avert their eyes,
I wonder what they think salutation
depicts.



Well, at the end I took the opportunity to thank Chinwe for her beautifully crafted poems and to briefly say how much the underlying themes of both her poetry (e.g. the loss of her father, celibacy, or the sense of solitude and isolation in the diaspora with that permanent longing for echoes of the motherland in each of our smiles lost in those on the streets or at bus stops we momentarily think might be one of our own but really don't want to know us - yet, I've also experienced this is my own homecountry!) and her campaign (the ritual - both symbolic and physical - humiliation, moral degradation, prosecution and stigmatisation of widows in Nigeria) were so close, directly or indirectly, to some of my own life experiences.

I also shared with her and the rest of the audience the trials of widows in Southern Africa (particularly those in countries most affected by the HIV/AIDS pandemic in the region) which are very similar to those she described as happening in Nigeria, albeit for seemingly different reasons and in differing cultural settings, and how, for example, the passing of the 2005 Family Law in Mozambique (see details here and here) was a significant landmark in addressing some of these issues and their root causes.

But throughout, perhaps the only thing I really wanted to tell her but didn't muster to was something along the lines "do you know that there are women who are deprived even of the right to widowhood?"



- While looking up on the net for some more information about Chinwe, who also forms part of Exiled Writers Ink, a collective of artists and writers, I found out that she was featured earlier this year at my good friend and fellow blogger Sokari's Black Looks;

- I also visited the website of one of the organisations to which her campaign is linked, which also works with partners and associations of widows in countries where widowhood is a problem in terms of human rights abuses, discrimination, marginalisation, poverty and violence, such as Nigeria, Kenya, Rwanda, Angola, The Democratic Republic of the Congo and Uganda, Widows For Peace Through Democracy - where I came across an organisation which might be worth exploring just for its name: The Organisation of Strong Women who Live Alone .


Monday, 1 November 2010

Parabens Kota Bonga!


Premio Nacional de Cultura & Artes 2010


[Venda Poro - Angola 74]


[Diarabi w/ Manu Dibango - feat. Toure' Kunda]


Post relacionado:

Bonga - Cancoes da Diaspora Angolana


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Prémio Nacional de Cultura e Artes/2010

Para a disciplina de Literatura, o júri atribuiu o prémio, a título póstumo, a Ruy Duarte de Carvalho, pela dimensão antropológica das suas obras, com destaque para o traço pastoril do povo Kuvale.


Na categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, o troféu vai para Virgílio Coelho, pela sua obra “Em busca de Kábásá: Estudos e reflexão sobre o reino do Ndongo e os Túmúndógós, os génios da Natureza e o Kilamba”.


No sector das Artes Plásticas, o vencedor foi Mateus José Bartolomeu “Mestre Makiese”, devido ao elevado e genuíno valor artístico das suas peças, apresentadas e preservadas ao longo dos mais de quarenta anos de carreira.


O Núcleo de Artes Pitabel arrebatou o troféu correspondente a modalidade de Teatro, pela encenação da peça “As trilogias de Missosso”, baseado no livro do escritor angolano Óscar Ribas, através da qual se observa a valorização da literatura angolana e a sua adaptação em palco.


Na disciplina de Música o júri atribuiu o prémio a Barceló de Carvalho “Bonga” pelos longos e intensos anos de carreira artística, permanentemente consagrados à defesa, promoção e divulgação da alma rítmica da música nacional, no país e no estrangeiro.


Para a categoria de Dança, o troféu foi conquistado pelo grupo Ntunga Nzola, da província de Cabinda, pelo trabalho desenvolvido em prol da preservação das danças tradicionais locais, transmitindo o seu estilo kintweni “de geração a geração”, contribuindo na conservação do património imaterial das danças tradicionais angolanas.


[Fonte: ANGOP]
Para a disciplina de Literatura, o júri atribuiu o prémio, a título póstumo, a Ruy Duarte de Carvalho, pela dimensão antropológica das suas obras, com destaque para o traço pastoril do povo Kuvale.


Na categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, o troféu vai para Virgílio Coelho, pela sua obra “Em busca de Kábásá: Estudos e reflexão sobre o reino do Ndongo e os Túmúndógós, os génios da Natureza e o Kilamba”.


No sector das Artes Plásticas, o vencedor foi Mateus José Bartolomeu “Mestre Makiese”, devido ao elevado e genuíno valor artístico das suas peças, apresentadas e preservadas ao longo dos mais de quarenta anos de carreira.


O Núcleo de Artes Pitabel arrebatou o troféu correspondente a modalidade de Teatro, pela encenação da peça “As trilogias de Missosso”, baseado no livro do escritor angolano Óscar Ribas, através da qual se observa a valorização da literatura angolana e a sua adaptação em palco.


Na disciplina de Música o júri atribuiu o prémio a Barceló de Carvalho “Bonga” pelos longos e intensos anos de carreira artística, permanentemente consagrados à defesa, promoção e divulgação da alma rítmica da música nacional, no país e no estrangeiro.


Para a categoria de Dança, o troféu foi conquistado pelo grupo Ntunga Nzola, da província de Cabinda, pelo trabalho desenvolvido em prol da preservação das danças tradicionais locais, transmitindo o seu estilo kintweni “de geração a geração”, contribuindo na conservação do património imaterial das danças tradicionais angolanas.


[Fonte: ANGOP]