Thursday, 20 January 2011

A Tarefa de Substituir JES (I) [R]**





** [Postado inicialmente a 18/01/10; "repostado" a 28/08/10 e "re-repostado" hoje a proposito da materia a que podera' aceder clickando na imagem acima]


Por entre as euforias e desapontamentos do CAN, o ‘calcanhar de Aquiles’ de Cabinda, ou a tensao com os dois Congos, a (inevitavel, embora talvez insustentavel para alguns) tarefa nacional de substituir o Presidente Jose' Eduardo dos Santos parece estar na mente de muitos (senao todos) angolanos.

E nao e’ tarefa facil.

Desde logo porque o corrente embroglio politico-constitucional (aparentemente de sua inteira criacao) a torna mais complexa do que ja’ o seria por natureza. Mas, qualquer que seja o seu desfecho – aparentemente previsivel segundo as linhas da ja’ famigerada (consagrada?) 'proposta C' [*] – a tarefa apresenta-se incontornavel: JES nao pode, nem deve, perpectuar-se na Presidencia do pais Angola. Nao pode, simplesmente porque, tanto as leis da vida, quanto a ingente democratizacao da sociedade a todos os niveis, assim o exigem. Nao deve, claramente porque a preservacao do que havera’ de defensavel no seu longo mandato de tres decadas assim o reclama.

Tomemos, entao, “substituir JES” como uma tarefa a colocar na agenda nacional (tanto quanto possivel de consenso) para execucao num horizonte temporal curto, medio ou longo, mas previsivel e inevitavel. Tal agendamento passara’ necessariamente por pelo menos tres passos:

A. Uma tao rigorosa quanto possivel escrutinizacao do seu exercicio;
B. A consideracao das possiveis alternativas;
C. A avaliacao de tais alternativas contra o pano de fundo do pulsar politico, economico, social e cultural do pais real.

Porque, manifestamente, nao e’ tarefa facil, restringir-me-ei nesta abordagem inicial ao enunciado primeiro passo.

A. O Bom, o Mau e o Feio

Escrutinizar o mandato de JES, mesmo porque ele encompassa tres decadas marcadas por profundas mudancas no tecido socio-economico e politico do pais e no seu posicionamento estrategico internacional, nao pode ser, assim o exige um minimo de rigor analitico, um exercicio unidimensional.

Havera’, por conseguinte, que colocar na balanca os varios vectores da sua prestacao que, para facilidade de equacionamento e exposicao, sintetizaria nas populares (e reconheco que algo redutoras e caricaturizantes, sem contudo deixarem de ser uteis) categorias de “bom, mau e feio” (em Ingles, "the good, the bad and the ugly").

'O Bom'

Tenho para mim que, no balanco final, JES emergira’ na historia angolana do pos-independencia como um bom gestor de conflitos macro-sociais e, consequentemente, politicos.
Efectivamente, e apenas para mencionar o exemplo mais eloquoente, dificilmente se lhe retirara’ o merito de ter conseguido manter sob contencao e ate’ de o ter distendido quase ao ponto de esvaziamento, o barril de polvora socio-politico e racial herdado do 27 de Maio de 1977.
Igual merito lhe cabera’ na integracao politico-institucional e na acomodacao etnico-tribal do pos-guerra, bem como na gestao dos processos de pacificacao e de transicao democratica do pais.
Meritos, obviamente nao exclusivos nem totais (e alguns dos excluidos e rejeitados desses processos - certamente por nao terem qualquer vocacao para lamber botas de quem quer que seja... - aqui estao para o confirmar !), mas meritos de qualquer modo.

'O Mau'

Tendo sido, aparentemente, um bom gestor de conflitos ao nivel “macro”, JES tera’ sido, talvez em igual medida, um mau gestor de conflitos ao nivel “micro”. Nesta categoria inserem-se os conflitos de caracter particular e pessoal gerados pela sua gestao, como “chefe incontestavel”, de virtualmente todos os orgaos de decisao politico-institucional, do aparelho governativo e dos seus servidores e da regulacao do partido maioritario que dirige. E’ esta vertente do exercicio do seu poder que tende a atrair as cada vez mais insistentes e generalizadas acusacoes de “lambebotismo” e outros “ismos” menos abonatorios para a sua imagem. Mas, por entre tais acusacoes, talvez nao seja completamente despropositado colocar as seguintes questoes:

i) Seria de esperar outro comportamento numa sociedade ainda em transicao para uma democracia plena (tanto em termos representativos quanto participativos) e gerida durante quase todo o seu pos-independencia (antecedido, nunca sera’ demais lembra-lo, de um regime colonial-fascista de longa duracao) sob um sistema mono-partidario? E, nisso, por um partido unico gerido por um “centralismo democratico” que se consubstanciou num mecanismo de tomada de decisoes por um restrito “comite’ central” e um ainda mais restrito “bureau politico” sob o estrito comando do “chefe”, cabendo aos militantes intermedios e de base apenas a prerrogativa de votarem com a mao no ar (ou, mais recentemente, por “voto discreto”) nos seus espacados conclaves aos mais diversos niveis?

ii) Seria de esperar outro comportamento por entre um substracto ideologico balizado por “lideres imortais, intocaveis e incontestaveis”, nao apenas a nivel nacional, como a todos os outros niveis, sectores e instituicoes, incluindo o governo e os partidos politicos, passando pelos mundos empresarial, dos midia, das artes e das letras e pela propria academia?

iii) Seria de esperar outro comportamento no seio de uma cultura politica e de uma praxis social que ainda “nao se dao muito bem”, para dizer o minimo, com conceitos como "competicao honesta", “meritocracia” e “cultura do debate”?

Serao as possiveis respostas logicas a essas questoes ilibadoras da ma’ prestacao de JES nesse dominio? Nao necessariamente. Mas creio que poderao contribuir para uma melhor contextualizacao dessa mesma prestacao no espaco e tempo historico-politicos em que se desempenhou e para uma mais ampla, objectiva, realista e criteriosa avaliacao das alternativas possiveis.

'O Feio'

Nepotismo.
Enriquecimento ilicito.
Falta de transparencia governativa e de responsabilizacao e punicao dos (maus) gestores publicos.
Delapidacao praticamente generalizada do erario publico.
Hostilizacao, depauperamento, marginalizacao economica e exclusao social da maioria da populacao.

Assim se resumira’ essa vertente mais danosa do exercicio de JES, para a qual se poderao igualmente encontrar raizes culturais e sistemicas - mesmo que nao lhe possam ser inteira ou exclusivamente imputadas - mas que, inexoravelmente, tende a eclipsar completamente os seus lados mais defensaveis. E e’ essa vertente que exige que ele abandone o poder mais cedo do que tarde – iniciativas de ”tolerancia zero” [**], pecando por tardias para travar tal inevitabilidade, nao obstante.

=====

[*] Aparentemente, dois dias depois de isto escrito, o dito embroglio tera' sido assim resolvido.


[**] Dias depois, no seu acto de posse como Presidente da Terceira Republica resultante da "resolucao do embroglio constitucional", JES viria a 'acrescentar alguma carne ao esqueleto' da sua "tolerancia zero".




Posts relacionados:


Resultados das Legislativas...

"Esquerda Democratica"?


E Assim Comeca o Annus Angolensis

E Se Os Paises Africanos Fossem Os EUA?

A Tarefa de Substituir JES (II)








** [Postado inicialmente a 18/01/10; "repostado" a 28/08/10 e "re-repostado" hoje a proposito da materia a que podera' aceder clickando na imagem acima]


Por entre as euforias e desapontamentos do CAN, o ‘calcanhar de Aquiles’ de Cabinda, ou a tensao com os dois Congos, a (inevitavel, embora talvez insustentavel para alguns) tarefa nacional de substituir o Presidente Jose' Eduardo dos Santos parece estar na mente de muitos (senao todos) angolanos.

E nao e’ tarefa facil.

Desde logo porque o corrente embroglio politico-constitucional (aparentemente de sua inteira criacao) a torna mais complexa do que ja’ o seria por natureza. Mas, qualquer que seja o seu desfecho – aparentemente previsivel segundo as linhas da ja’ famigerada (consagrada?) 'proposta C' [*] – a tarefa apresenta-se incontornavel: JES nao pode, nem deve, perpectuar-se na Presidencia do pais Angola. Nao pode, simplesmente porque, tanto as leis da vida, quanto a ingente democratizacao da sociedade a todos os niveis, assim o exigem. Nao deve, claramente porque a preservacao do que havera’ de defensavel no seu longo mandato de tres decadas assim o reclama.

Tomemos, entao, “substituir JES” como uma tarefa a colocar na agenda nacional (tanto quanto possivel de consenso) para execucao num horizonte temporal curto, medio ou longo, mas previsivel e inevitavel. Tal agendamento passara’ necessariamente por pelo menos tres passos:

A. Uma tao rigorosa quanto possivel escrutinizacao do seu exercicio;
B. A consideracao das possiveis alternativas;
C. A avaliacao de tais alternativas contra o pano de fundo do pulsar politico, economico, social e cultural do pais real.

Porque, manifestamente, nao e’ tarefa facil, restringir-me-ei nesta abordagem inicial ao enunciado primeiro passo.

A. O Bom, o Mau e o Feio

Escrutinizar o mandato de JES, mesmo porque ele encompassa tres decadas marcadas por profundas mudancas no tecido socio-economico e politico do pais e no seu posicionamento estrategico internacional, nao pode ser, assim o exige um minimo de rigor analitico, um exercicio unidimensional.

Havera’, por conseguinte, que colocar na balanca os varios vectores da sua prestacao que, para facilidade de equacionamento e exposicao, sintetizaria nas populares (e reconheco que algo redutoras e caricaturizantes, sem contudo deixarem de ser uteis) categorias de “bom, mau e feio” (em Ingles, "the good, the bad and the ugly").

'O Bom'

Tenho para mim que, no balanco final, JES emergira’ na historia angolana do pos-independencia como um bom gestor de conflitos macro-sociais e, consequentemente, politicos.
Efectivamente, e apenas para mencionar o exemplo mais eloquoente, dificilmente se lhe retirara’ o merito de ter conseguido manter sob contencao e ate’ de o ter distendido quase ao ponto de esvaziamento, o barril de polvora socio-politico e racial herdado do 27 de Maio de 1977.
Igual merito lhe cabera’ na integracao politico-institucional e na acomodacao etnico-tribal do pos-guerra, bem como na gestao dos processos de pacificacao e de transicao democratica do pais.
Meritos, obviamente nao exclusivos nem totais (e alguns dos excluidos e rejeitados desses processos - certamente por nao terem qualquer vocacao para lamber botas de quem quer que seja... - aqui estao para o confirmar !), mas meritos de qualquer modo.

'O Mau'

Tendo sido, aparentemente, um bom gestor de conflitos ao nivel “macro”, JES tera’ sido, talvez em igual medida, um mau gestor de conflitos ao nivel “micro”. Nesta categoria inserem-se os conflitos de caracter particular e pessoal gerados pela sua gestao, como “chefe incontestavel”, de virtualmente todos os orgaos de decisao politico-institucional, do aparelho governativo e dos seus servidores e da regulacao do partido maioritario que dirige. E’ esta vertente do exercicio do seu poder que tende a atrair as cada vez mais insistentes e generalizadas acusacoes de “lambebotismo” e outros “ismos” menos abonatorios para a sua imagem. Mas, por entre tais acusacoes, talvez nao seja completamente despropositado colocar as seguintes questoes:

i) Seria de esperar outro comportamento numa sociedade ainda em transicao para uma democracia plena (tanto em termos representativos quanto participativos) e gerida durante quase todo o seu pos-independencia (antecedido, nunca sera’ demais lembra-lo, de um regime colonial-fascista de longa duracao) sob um sistema mono-partidario? E, nisso, por um partido unico gerido por um “centralismo democratico” que se consubstanciou num mecanismo de tomada de decisoes por um restrito “comite’ central” e um ainda mais restrito “bureau politico” sob o estrito comando do “chefe”, cabendo aos militantes intermedios e de base apenas a prerrogativa de votarem com a mao no ar (ou, mais recentemente, por “voto discreto”) nos seus espacados conclaves aos mais diversos niveis?

ii) Seria de esperar outro comportamento por entre um substracto ideologico balizado por “lideres imortais, intocaveis e incontestaveis”, nao apenas a nivel nacional, como a todos os outros niveis, sectores e instituicoes, incluindo o governo e os partidos politicos, passando pelos mundos empresarial, dos midia, das artes e das letras e pela propria academia?

iii) Seria de esperar outro comportamento no seio de uma cultura politica e de uma praxis social que ainda “nao se dao muito bem”, para dizer o minimo, com conceitos como "competicao honesta", “meritocracia” e “cultura do debate”?

Serao as possiveis respostas logicas a essas questoes ilibadoras da ma’ prestacao de JES nesse dominio? Nao necessariamente. Mas creio que poderao contribuir para uma melhor contextualizacao dessa mesma prestacao no espaco e tempo historico-politicos em que se desempenhou e para uma mais ampla, objectiva, realista e criteriosa avaliacao das alternativas possiveis.

'O Feio'

Nepotismo.
Enriquecimento ilicito.
Falta de transparencia governativa e de responsabilizacao e punicao dos (maus) gestores publicos.
Delapidacao praticamente generalizada do erario publico.
Hostilizacao, depauperamento, marginalizacao economica e exclusao social da maioria da populacao.

Assim se resumira’ essa vertente mais danosa do exercicio de JES, para a qual se poderao igualmente encontrar raizes culturais e sistemicas - mesmo que nao lhe possam ser inteira ou exclusivamente imputadas - mas que, inexoravelmente, tende a eclipsar completamente os seus lados mais defensaveis. E e’ essa vertente que exige que ele abandone o poder mais cedo do que tarde – iniciativas de ”tolerancia zero” [**], pecando por tardias para travar tal inevitabilidade, nao obstante.

=====

[*] Aparentemente, dois dias depois de isto escrito, o dito embroglio tera' sido assim resolvido.


[**] Dias depois, no seu acto de posse como Presidente da Terceira Republica resultante da "resolucao do embroglio constitucional", JES viria a 'acrescentar alguma carne ao esqueleto' da sua "tolerancia zero".




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A Tarefa de Substituir JES (II)




Sunday, 16 January 2011

"A (radio)(bio) logi(c)a de uma (outra) Kampanha..." [Actualizado]



"O grande inimigo da verdade, muitas vezes não é a mentira - deliberada, compulsiva e desonesta - , mas o mito - persistente, persuasivo e irrealista. Acreditar em mitos dá o conforto da opinião sem o desconforto do pensamento." John F. Kennedy

e...


"Quando alguem expoe a visibilidade do mito acha-se ao servico de pretextos..."
Herberto Helder


"O problema nao e' fantasiar; o problema e' quando se comeca a acreditar na propria fantasia... e a agir em funcao dela." A.S.


"We cannot trample upon the humanity of others without devaluing our own. The Igbo, always practical, put it concretely in their proverb Onye ji onye n'ani ji onwe ya: "He who will hold another down in the mud must stay in the mud to keep him down."

[Chinua Achebe]

Ou, alternativamente, em Portugues: Yanick Ngombo, a.k.a. Afroman, membro da etnia Bakongo (tal como os Igbo, igualmente com um sentido bastante pratico das coisas mundanas, para que lhes sobre tempo suficiente para as coisas do espirito, como a metafisica ou a filosofia), diz numa das suas cancoes algo como isto: "... e' como o porco que arrasta o javali para uma luta na lama: os dois vao se sujar, mas o porco gosta porque assim ganha fama!



***


(...) "A 'chileshe' ke nao era a Ophra"



[imagem daqui]


"Kwale Ophra?"




"A 'barata' ke (nao) p(h)odia kompra um kubiko aki!"



"ou aki"



"Ai, e o kubiko dela aki" ke le kassumbularam kum ele 'atraves' do "koitado"? ... Ja' pra nao falar no outro no predio da Novembro/Sociborda k'ela perdeu kwando lhe raptaram no "inkrivel svengali"?..."





"Oh... (d)eskece! Isso seria fazer 'muito esforco', 'muito esforco mesmo', pra pobre e insignificante kriatura rejeitada (v)ir tirar 'a nossa prata da kaza o ke nao lhe pertence!...



... Ate' porke nao lhe recebeu de heranca dos seus ancestrais!"





... Ela ke venha maze' aki pra lhe p(h)odermos nos todos juntos mais o nosso Gugas e a nossa diva da pornografia nacional ate' lhe matarmos e lhe engolirmos no nosso multiplo orgasmo lugubre me'! Ke' pra num fika ai so' a sobra atoa nas Europas toda fresca a ver assim a sua odisseia mundiana encurtada em troca de efemeros prazeres e de alguns trocados, porke afinal prake ke servem os genitais e o utero?!..."




"e o resto..."




"e' estoria..."



"muito mal kontada!"


"(...)"

***


"O que custa nao e' cometer um erro, o que custa e' admiti-lo e corrigi-lo."

"Amigo do meu inimigo meu inimigo e' e com amigos como estes nao preciso de inimigos."


***
[Obs: Algumas - de facto, a maior parte - das imagens deste post foram "garimpadas" aqui.]



"O grande inimigo da verdade, muitas vezes não é a mentira - deliberada, compulsiva e desonesta - , mas o mito - persistente, persuasivo e irrealista. Acreditar em mitos dá o conforto da opinião sem o desconforto do pensamento." John F. Kennedy

e...


"Quando alguem expoe a visibilidade do mito acha-se ao servico de pretextos..."
Herberto Helder


"O problema nao e' fantasiar; o problema e' quando se comeca a acreditar na propria fantasia... e a agir em funcao dela." A.S.


"We cannot trample upon the humanity of others without devaluing our own. The Igbo, always practical, put it concretely in their proverb Onye ji onye n'ani ji onwe ya: "He who will hold another down in the mud must stay in the mud to keep him down."

[Chinua Achebe]

Ou, alternativamente, em Portugues: Yanick Ngombo, a.k.a. Afroman, membro da etnia Bakongo (tal como os Igbo, igualmente com um sentido bastante pratico das coisas mundanas, para que lhes sobre tempo suficiente para as coisas do espirito, como a metafisica ou a filosofia), diz numa das suas cancoes algo como isto: "... e' como o porco que arrasta o javali para uma luta na lama: os dois vao se sujar, mas o porco gosta porque assim ganha fama!



***


(...) "A 'chileshe' ke nao era a Ophra"



[imagem daqui]


"Kwale Ophra?"




"A 'barata' ke (nao) p(h)odia kompra um kubiko aki!"



"ou aki"



"Ai, e o kubiko dela aki" ke le kassumbularam kum ele 'atraves' do "koitado"? ... Ja' pra nao falar no outro no predio da Novembro/Sociborda k'ela perdeu kwando lhe raptaram no "inkrivel svengali"?..."





"Oh... (d)eskece! Isso seria fazer 'muito esforco', 'muito esforco mesmo', pra pobre e insignificante kriatura rejeitada (v)ir tirar 'a nossa prata da kaza o ke nao lhe pertence!...



... Ate' porke nao lhe recebeu de heranca dos seus ancestrais!"





... Ela ke venha maze' aki pra lhe p(h)odermos nos todos juntos mais o nosso Gugas e a nossa diva da pornografia nacional ate' lhe matarmos e lhe engolirmos no nosso multiplo orgasmo lugubre me'! Ke' pra num fika ai so' a sobra atoa nas Europas toda fresca a ver assim a sua odisseia mundiana encurtada em troca de efemeros prazeres e de alguns trocados, porke afinal prake ke servem os genitais e o utero?!..."




"e o resto..."




"e' estoria..."



"muito mal kontada!"


"(...)"

***


"O que custa nao e' cometer um erro, o que custa e' admiti-lo e corrigi-lo."

"Amigo do meu inimigo meu inimigo e' e com amigos como estes nao preciso de inimigos."


***
[Obs: Algumas - de facto, a maior parte - das imagens deste post foram "garimpadas" aqui.]

Saturday, 15 January 2011

Olhares Diversos (XXIII)




Sobre a Cultura Nacional

Angola: "Um só povo, uma só nação"?

O dia Nacional da Cultura é festejado, oficialmente, no Dundo, Lunda-Norte,[*] com diversas actividades culturais. No entanto, a alegria e o ânimo gerados com as festividades não se reflectem no debate quando se discute o que é a cultura angolana, unidade cultural ou até mesmo a identidade cultural angolana.

As controvérsias acontecem porque Angola é um país dividido, separado e diferente nas suas linhas culturais. E essas assimetrias expressam a sua multiplicidade étnica, racial e linguística.

São cerca de 16 milhões de habitantes que se comunicam em português (como língua nacional), e regionalmente em sete línguas diferentes, mais de 20 dialectos, e sete grupos etnolinguísticos. Todos eles diferentes nos hábitos e costumes, mas unidos pela história, pelo território e pelo pais que a todos se liga.

O padre Muanamossi Matumona é um jornalista e sociólogo que muitas vezes escreveu sobre cultura angolana. Um dos mais controversos que publicou foi sobre Unidade Cultural Angolana no ano de 1993. Um ano difícil para o país que continuava a lutar de armas na mão, depois de eleições problematicas. Uma guerra que para muitos era fruto até da intolerância cultural que se atribuía a umbundus (representados pela UNITA) e quimbundus ( do lado governamental, principalmente o MPLA.

Mas o filósofo Almerindo Jaka Jamba chama atenção a ideia que se tenta transmitir com o slogan “um povo e uma só nação”. O estudioso e professor universitário vai mais longe dizendo mesmo que apesar da independência politica e económica, o angolano precisa ainda de se encontrar como africano e a isso, diz o académico, corresponde uma dimensão estratégica.


[Continue lendo aqui]



* No entanto, de acordo com esta noticia, entre varias outras, o acto central teve lugar no Uige



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"Conferencia Internacional sobre Cultura Cokwe"

Festival Mondial des Arts Negres

E por falar em "Representacoes"




Sobre a Cultura Nacional

Angola: "Um só povo, uma só nação"?

O dia Nacional da Cultura é festejado, oficialmente, no Dundo, Lunda-Norte,[*] com diversas actividades culturais. No entanto, a alegria e o ânimo gerados com as festividades não se reflectem no debate quando se discute o que é a cultura angolana, unidade cultural ou até mesmo a identidade cultural angolana.

As controvérsias acontecem porque Angola é um país dividido, separado e diferente nas suas linhas culturais. E essas assimetrias expressam a sua multiplicidade étnica, racial e linguística.

São cerca de 16 milhões de habitantes que se comunicam em português (como língua nacional), e regionalmente em sete línguas diferentes, mais de 20 dialectos, e sete grupos etnolinguísticos. Todos eles diferentes nos hábitos e costumes, mas unidos pela história, pelo território e pelo pais que a todos se liga.

O padre Muanamossi Matumona é um jornalista e sociólogo que muitas vezes escreveu sobre cultura angolana. Um dos mais controversos que publicou foi sobre Unidade Cultural Angolana no ano de 1993. Um ano difícil para o país que continuava a lutar de armas na mão, depois de eleições problematicas. Uma guerra que para muitos era fruto até da intolerância cultural que se atribuía a umbundus (representados pela UNITA) e quimbundus ( do lado governamental, principalmente o MPLA.

Mas o filósofo Almerindo Jaka Jamba chama atenção a ideia que se tenta transmitir com o slogan “um povo e uma só nação”. O estudioso e professor universitário vai mais longe dizendo mesmo que apesar da independência politica e económica, o angolano precisa ainda de se encontrar como africano e a isso, diz o académico, corresponde uma dimensão estratégica.


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* No entanto, de acordo com esta noticia, entre varias outras, o acto central teve lugar no Uige



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Friday, 14 January 2011

Uma outra (red) accao




[Ou, a karapussa ke me serve...]


Com a Wiki, o jornalismo deixou o quarto (dopoder) para passar a ocupar a sala de visitas do mundo.

Quer se goste quer não do Julian Assanje, ele já entrou para a história contemporânea e vai lá ficar por mérito próprio com o seu "jornalismo científico".

{d'aki}


[Fasso minhas essas palavras... ressalvando "as aparencias que iludem... ou as iludencias que aparudem", of course...]

Thursday, 13 January 2011

Desculpe...


...Mas...


Os primeiros portugueses estabeleceram-se em Luanda, de fonte segura e indesmentível, em meados (Junho ou Julho) de 1576. Mas chegaram à Ilha do Cabo no dia 11 de Fevereiro de 1575. Esta deve ser a data que marca a transformação da pequena aldeia já existente, com algumas dezenas de habitantes, numa das mais belas cidades da costa ocidental de África.
O almirante Paulo Dias de Novais saiu de Lisboa meio ano antes, com a incumbência de fundar uma grande cidade na costa marítima, já que existiam relações diplomáticas privilegiadas com o Reino do Congo, no interior.
Paulo Dias de Novais aportou à Ilha de Luanda porque o rei do Congo se dizia proprietário desses domínios. Os Dembos, séculos mais tarde, provaram que essa "posse" não era pacífica e muito menos aceite. Mas vamos falar de Luanda, desde o seu nascimento como cidade, até aos anos 50 do século passado.

[Extracto daqui]


... apenas duas observacoes:


i. "Os primeiros portugueses estabeleceram-se em Luanda, de fonte segura e indesmentível, em meados (Junho ou Julho) de 1576." Se se trata de "fonte segura e indesmentivel" porque nao cita-la? E mesmo que nao o fosse, fontes, especialmente em Historia, devem sempre (que possivel) ser citadas e/ou referenciadas;

ii. "Paulo Dias de Novais aportou à Ilha de Luanda porque o rei do Congo se dizia proprietário desses domínios. Os Dembos, séculos mais tarde, provaram que essa "posse" não era pacífica e muito menos aceite." - "Seculos mais tarde"? Quando? Como? Porque? Creio que bastaria uma breve citacao ou referencia para se consubstanciar tal afirmacao sem ter que se sair, ou deixar de falar, de Luanda...

...Mas...


Os primeiros portugueses estabeleceram-se em Luanda, de fonte segura e indesmentível, em meados (Junho ou Julho) de 1576. Mas chegaram à Ilha do Cabo no dia 11 de Fevereiro de 1575. Esta deve ser a data que marca a transformação da pequena aldeia já existente, com algumas dezenas de habitantes, numa das mais belas cidades da costa ocidental de África.
O almirante Paulo Dias de Novais saiu de Lisboa meio ano antes, com a incumbência de fundar uma grande cidade na costa marítima, já que existiam relações diplomáticas privilegiadas com o Reino do Congo, no interior.
Paulo Dias de Novais aportou à Ilha de Luanda porque o rei do Congo se dizia proprietário desses domínios. Os Dembos, séculos mais tarde, provaram que essa "posse" não era pacífica e muito menos aceite. Mas vamos falar de Luanda, desde o seu nascimento como cidade, até aos anos 50 do século passado.

[Extracto
daqui]


... apenas duas observacoes:


i. "Os primeiros portugueses estabeleceram-se em Luanda, de fonte segura e indesmentível, em meados (Junho ou Julho) de 1576." Se se trata de "fonte segura e indesmentivel" porque nao cita-la? E mesmo que nao o fosse, fontes, especialmente em Historia, devem sempre (que possivel) ser citadas e/ou referenciadas;

ii. "Paulo Dias de Novais aportou à Ilha de Luanda porque o rei do Congo se dizia proprietário desses domínios. Os Dembos, séculos mais tarde, provaram que essa "posse" não era pacífica e muito menos aceite." - "Seculos mais tarde"? Quando? Como? Porque? Creio que bastaria uma breve citacao ou referencia para se consubstanciar tal afirmacao sem ter que se sair, ou deixar de falar, de Luanda...

Wednesday, 12 January 2011

Ganda Melao... sem sumo! [Actualizado]**



... Ou o insolito caso do "Melao Ausente"...*

... Or, a Mockery of Justice! **




Caros Amigos,

Antes de mais desejar um feliz ano novo e que 2011 seja melhor que 2010 uma vez que não foi um ano fácil para a maioria dos Angolanos.

Caríssimos escrevo esse mail no intuito de alertar-vos de algo que acredito tratar-se de um autentico assalto(quase a mão armada) não só aos nossos bolsos mas também a nossa capacidade intelectual, de perceber o que esta certo e errado, alias eu penso que esse facto passou os limites do bom senso, que por razões das dificuldades de toda ordem ainda existentes no nosso pais, por motivos que todos nos conhecemos as vezes acabamos por fechar os olhos a certos exageros, mas acho que esta na hora de dar um BASTA!!

Esta semana depois do descanso merecido para enfrentar mais um ano nesta nossa terra querida, fui tranquilamente fazer umas compras básicas a famosa CASA DOS FRESCOS, básicas porque acredito que até os mais abastados têm alguma dificuldade em fazer compras neste estabelecimento comercial, devido ao exagero nos preços praticados.

Como ia dizendo, passava eu pela zona dos frescos e não pude deixar de constatar esse facto, todos nos gostamos de uma fruta uns mais do que outros, mas todos temos uma fruta preferida, e todos nos sabemos o quanto são importantes para a nossa dieta alimentar diária, eu por exemplo adoro Melão, e ao ver um na prateleira fui inocentemente tentar colocar no meu cesto para comprar e obviamente depois degustar junto da minha família, se não tivesse provas penso que pouca gente acreditaria, não é que o inocente MELÃO custava nada mais nada menos que a quantia de 9.803.01kzs o equivalente em dólares ao cambio oficial (105.40usd).

Amigos acreditem que por alguns minutos parei e pensei que fosse um engano, chamei a funcionaria e ela disse que realmente aquele era o preço uma vez que se tratava de fruta importada.

Agora pergunto-me, será que nós os Angolanos somos assim tão ignorantes que não sabemos o quanto pode custar um melão no estrangeiro, ou será da triste fama que temos de sermos os ricos, milionários, temos que pagar assim tão caro por um melão, talvez o melão tenha vindo em 1ª classe no avião ou se calhar até veio de jacto privado, porque só assim pode se justificar que uma fruta que em qualquer supermercado no estrangeiro por mais caro que seja, não custa mais do que 10 euros e mesmo assim estou a ser generoso, alias sabemos nós que obviamente eles vão comprar a fornecedores que vendem a grosso, portanto com preços bastantes reduzidos. Mas que taxas são essas que a nossa alfândega esta a cobrar?? Que meio de transporte e este?? Que gasosa?? Não acredito que haja justificação.

Meus compatriotas acho que devemos ter um outro tipo de atitude com essa gente que se aproveita das nossas dificuldades para criar um "El dourado" nos seus países de origem, muito sinceramente não acredito que este dinheiro, que vale esse Melão de ouro e para beneficiar os nossos filhos, ou a nossa terra que tanto precisa. Isto é um autentico roubo.

Aonde estão as autoridades, Policia Económica, Inadec, será que não existe ninguém para ajudar a por esses ladrões na linha.

Daí o meu apelo a sociedade civil para deixarmos de frequentar esse tipo de lugares acho que só assim será possível conter essa onda de aproveitadores.

Por favor amigos espero as vossas contribuições, e que façam que este mail de a volta ao mundo para verem bem o quanto custa viver na nossa terra que tanto amamos.

Abraços,

CF




Privatizada
de economistas e banqueiros
quem te desiquilibrou a balança?

[Extracto daqui]







*A Casa dos Frescos deverá responder em tribunal pelo crime de especulação depois de uma equipa de inspecção da Polícia Económica ter apurado esta quarta-feira, 13, que os preços dos melões estão acima do normal. O responsável da loja, Rui Catalo, esteve ontem no sector de inspecção da Polícia Económica, onde foi informado sobre o processo em causa.

[aqui]





** Entretanto, a Policia Economica ficou com um "ganda melao" em resultado da accao que (in)tentou em tribunal contra os "supostos vendedores" de banha da cobra, digo, melao de ouro...

Confira aqui...



... Ou o insolito caso do "Melao Ausente"...*

... Or, a Mockery of Justice! **




Caros Amigos,

Antes de mais desejar um feliz ano novo e que 2011 seja melhor que 2010 uma vez que não foi um ano fácil para a maioria dos Angolanos.

Caríssimos escrevo esse mail no intuito de alertar-vos de algo que acredito tratar-se de um autentico assalto(quase a mão armada) não só aos nossos bolsos mas também a nossa capacidade intelectual, de perceber o que esta certo e errado, alias eu penso que esse facto passou os limites do bom senso, que por razões das dificuldades de toda ordem ainda existentes no nosso pais, por motivos que todos nos conhecemos as vezes acabamos por fechar os olhos a certos exageros, mas acho que esta na hora de dar um BASTA!!

Esta semana depois do descanso merecido para enfrentar mais um ano nesta nossa terra querida, fui tranquilamente fazer umas compras básicas a famosa CASA DOS FRESCOS, básicas porque acredito que até os mais abastados têm alguma dificuldade em fazer compras neste estabelecimento comercial, devido ao exagero nos preços praticados.

Como ia dizendo, passava eu pela zona dos frescos e não pude deixar de constatar esse facto, todos nos gostamos de uma fruta uns mais do que outros, mas todos temos uma fruta preferida, e todos nos sabemos o quanto são importantes para a nossa dieta alimentar diária, eu por exemplo adoro Melão, e ao ver um na prateleira fui inocentemente tentar colocar no meu cesto para comprar e obviamente depois degustar junto da minha família, se não tivesse provas penso que pouca gente acreditaria, não é que o inocente MELÃO custava nada mais nada menos que a quantia de 9.803.01kzs o equivalente em dólares ao cambio oficial (105.40usd).

Amigos acreditem que por alguns minutos parei e pensei que fosse um engano, chamei a funcionaria e ela disse que realmente aquele era o preço uma vez que se tratava de fruta importada.

Agora pergunto-me, será que nós os Angolanos somos assim tão ignorantes que não sabemos o quanto pode custar um melão no estrangeiro, ou será da triste fama que temos de sermos os ricos, milionários, temos que pagar assim tão caro por um melão, talvez o melão tenha vindo em 1ª classe no avião ou se calhar até veio de jacto privado, porque só assim pode se justificar que uma fruta que em qualquer supermercado no estrangeiro por mais caro que seja, não custa mais do que 10 euros e mesmo assim estou a ser generoso, alias sabemos nós que obviamente eles vão comprar a fornecedores que vendem a grosso, portanto com preços bastantes reduzidos. Mas que taxas são essas que a nossa alfândega esta a cobrar?? Que meio de transporte e este?? Que gasosa?? Não acredito que haja justificação.

Meus compatriotas acho que devemos ter um outro tipo de atitude com essa gente que se aproveita das nossas dificuldades para criar um "El dourado" nos seus países de origem, muito sinceramente não acredito que este dinheiro, que vale esse Melão de ouro e para beneficiar os nossos filhos, ou a nossa terra que tanto precisa. Isto é um autentico roubo.

Aonde estão as autoridades, Policia Económica, Inadec, será que não existe ninguém para ajudar a por esses ladrões na linha.

Daí o meu apelo a sociedade civil para deixarmos de frequentar esse tipo de lugares acho que só assim será possível conter essa onda de aproveitadores.

Por favor amigos espero as vossas contribuições, e que façam que este mail de a volta ao mundo para verem bem o quanto custa viver na nossa terra que tanto amamos.

Abraços,

CF




Privatizada
de economistas e banqueiros
quem te desiquilibrou a balança?

[Extracto daqui]







*A Casa dos Frescos deverá responder em tribunal pelo crime de especulação depois de uma equipa de inspecção da Polícia Económica ter apurado esta quarta-feira, 13, que os preços dos melões estão acima do normal. O responsável da loja, Rui Catalo, esteve ontem no sector de inspecção da Polícia Económica, onde foi informado sobre o processo em causa.

[aqui]





** Entretanto, a Policia Economica ficou com um "ganda melao" em resultado da accao que (in)tentou em tribunal contra os "supostos vendedores" de banha da cobra, digo, melao de ouro...

Confira aqui...

Tuesday, 11 January 2011

Kundera's "Ignorance" [R]*



IGNORÂNCIA, OU A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO REGRESSO






- O que é que ainda estás aqui a fazer? Perguntou S. indignada.
- Mas tu não vês que eu tenho aqui o meu trabalho, o meu apartamento, a minha vida?, I. retorquiu.
- Meu Deus, I.! O que se está a passar no teu país é tão fascinante! Numa situação como aquela tudo se pode resolver!
- Mas S., não são só as questões práticas, o trabalho, o apartamento. Eu tenho estado aqui a viver há 20 anos. A minha vida está aqui!
- Será o teu grande regresso, respondeu S. depois de um grande silêncio. Repetidas, as palavras adquiriram um tal poder que, no fundo de si, I. via-as escritas em letras capitais: Grande Regresso. Abandonou a sua resistência e deixou-se cativar por imagens súbitamente emergindo de livros lidos há muito tempo, de filmes, da sua própria memória e talvez da sua memória ancestral: o lar que todos carregamos dentro de nós; Odysseus vislumbrando a sua ilha depois de anos de vagueação; o regresso, o regresso, a grande magia do regresso.

A palavra grega para regresso é nostos. Algos significa sofrimento. Portanto, nostalgia é o sofrimento causado por um insaciado desejo de regressar. Para expressar essa noção fundamental, a maior parte dos europeus utiliza a palavra derivada do grego (nostalgia) assim como outras palavras com raízes nos seus idiomas nacionais: anoranza, dizem os espanhóis; saudade, dizem os portugueses. Em cada língua estas palavras têm uma diferente nuance semântica. Frequentemente elas significam apenas a tristeza causada pela impossibilidade de regressar ao país a que se pertence: o anseio pela terra, pelo lar. O que em Inglês se chama “homesickness”. Em espanhol anoranza vem do verbo anorar (sentir nostalgia), que vem do catalão enyorar, por sua vez derivado da palavra latina ignorare. Sob essa luz etimológica, nostalgia parece algo assim como a dor da ignorância, do não saber. Tu estás longe e eu não sei o que é feito de ti. O meu país está longe e eu não sei o que por lá se passa.

(…) A alvorada da antiga cultura grega trouxe o nascimento da Odisseia, o épico fundador da nostalgia. Enfatizemos: Odysseus, o maior aventureiro de todos os tempos, é também o maior nostálgico. Ele partira (não muito contente) para a guerra de Tróia e por lá ficara durante 10 anos. Depois tentou regressar à sua Ithaca nativa, mas as intrigas dos deuses prolongaram-lhe a viagem, primeiro durante 3 anos encalacrado no meio dos mais inusitados acontecimentos, depois por mais 7 anos que passou como refém e amante de Calypso, que na sua paixão não o deixava sair da ilha. Muito diferente da vida de pobre emigrada que I. tem levado por já bastante tempo. Odysseus viveu a verdadeira dolce vita lá na terra de Calypso, uma vida fácil, uma vida de delícias. No entanto, entre a dolce vita num lugar estrangeiro e o arriscado regresso a casa, ele escolheu o regresso.


Desde as primeiras semanas depois de ter emigrado, I. começou a ter estranhos sonhos: ela está num avião que muda de direcção e aterra num aeroporto desconhecido; homens armados e de uniforme esperam-na; num suor frio, ela reconhece a polícia. Noutra ocasião, ela está a caminhar numa pequena cidade quando vê um estranho grupo de mulheres, cada uma com uma caneca de cerveja, correndo em direcção a ela, chamando-a na sua língua com uma falsa cordialidade e, aterrorizada, I. realiza que está na sua terra. Ela grita e acorda. Depois, durante uma conversa com um compatriota também emigrado, I. dá-se conta de que todos os emigrados tinham esses sonhos, todos, sem excepção; primeiro ela ficou comovida pela fraternidade nocturna de pessoas desconhecidas umas das outras, mas depois ficou um tanto irritada: como é possível que uma experiência tão privada como um sonho seja um acontecimento colectivo? O que é que, então, é unico à nossa alma? Mas chega de perguntas que não têm resposta!

Uma coisa era certa: em qualquer noite, milhares de emigrados sonhavam o mesmo sonho num sem número de variantes. O sonho-emigração: um dos fenómenos mais estranhos da segunda metade do século vinte. Esses sonhos-pesadelos pareciam-lhe tanto mais estranhos quanto o facto de que ela era assaltada simultâneamente por uma incontrolável nostalgia e outra experiência completamente oposta: paisagens da sua terra não paravam de passar pela sua mente durante o dia. Durante todo o dia essas fugidias imagens visitavam-na para atenuar o anseio pela sua terra perdida. O dia era iluminado pela beleza da terra abandonada, a noite pelo horror de a ela regressar. O dia mostrava-lhe o paraíso que perdera; a noite, o inferno de que fugira.

Leais à tradição da revolução francesa, os países comunistas excomungavam a emigração, considerada a mais odiosa traição. Todos os que permanecessem no exterior eram condenados in absencia no seu país de origem e os seus compatriotas não se atreviam a ter qualquer contacto com eles. J. relembrou-se de uma antiga idéia sua, que na altura ele próprio considerara blasfema: a aderência ao comunismo não tinha nada a ver com Marx e as suas teorias, mas simplesmente com o facto de que proporcionava às pessoas uma forma de satisfazerem as suas mais diversas necessidades psicológicas: a necessidade de parecer não-conformista, ou de obedecer, ou de punir os maus, ou de ser útil, ou de ter uma grande família à volta. A razão pela qual as pessoas estão agora a abandonar o comunismo não se deve às suas idéias terem mudado ou a terem sofrido um choque, mas ao facto de o credo comunista já não responder a nenhuma necessidade. Tornou-se tão inútil, que toda a gente o deixa fácilmente cair, sem sequer se dar conta.

(…) J. pergunta: - se um país não é independente e nem sequer o quer ser, quererá alguém ainda morrer por ele?

– Querer morrer não é bem o que eu desejo para os meus filhos, N. retorquiu.
– Ponho a pergunta de outro modo, voltou J.: haverá alguém que ainda ame esse país? N. exclamou: - como é que foste capaz de emigrar J.?! Tu és um patriota! Morrer pelo país, isso já acabou! Talvez para ti o tempo tenha parado durante a tua emigração. Mas eles, eles ja não pensam como tu, eles estão noutra!

I. lamenta que os seus compatriotas pensem que todos os emigrados saem em busca de uma vida fácil: não sabem como é duro lutar por um lugar ao sol num país estrangeiro; deixar o país com crianças; perder o marido; criar as crianças sem dinheiro... Mas M. adverte-a: não vale a pena dizer-lhes isso. Até há pouco tempo toda a gente discutia sobre quem tinha passado pior sob o antigo regime. Todos queriam ser reconhecidos como vítimas. Mas esses concursos de sofrimento já passaram de moda. Agora as pessoas gabam-se do seu sucesso, não do seu sofrimento. Portanto, se eles decidirem conceder-te algum respeito, não será pela vida dura que tiveste, mas porque terás arranjado um homem rico!

(…) I. sempre tomara como um dado que emigrar era uma desgraça. Mas agora ela interroga-se se isso não seria uma ilusão sugestionada pela forma como as pessoas avaliam um emigrado. Não estaria ela a interpretar a sua própria vida de acordo com as instruções operativas de outros? Ocorre-lhe que, embora lhe tenha sido imposta de fora e contra a sua vontade, a sua emigração era talvez, sem ela se ter apercebido, a melhor coisa que lhe tinha acontecido na vida. As implacáveis forças da história que tinham atacado a sua liberdade tinham-na, de facto, libertado.

Durante os 20 anos da ausência de Odysseus, o povo de Ithaca retivera muitas recordações dele, mas nunca sentira nostalgia por ele. Por seu lado, Odysseus sofria de nostalgia mas não se lembrava de quase nada. Podemos compreender esta curiosa contradição se realizarmos que para que a memória funcione bem precisa de constante prática: se as recordações não são evocadas repetidamente, em conversas com amigos, desaparecem. Quanto maior a nostalgia, mais vazia de recordações ela se torna. Durante 20 anos, Odysseus não pensara em mais nada senão no seu regresso. Mas uma vez regressado, espantou-se com a realização de que a sua vida, a verdadeira essência da sua vida, o seu centro, o seu tesouro, estava fora de Ithaca, nos 20 anos das suas deambulações.



Os parágrafos precedentes constituem uma ‘colagem’ de extractos de “Ignorance” (Faber & Faber, Londres, 2002), a última obra de Milan Kundera, que tomei a liberdade de traduzir da versão inglesa. Não lia Kundera há mais de dez anos, desde “A Insustentável Leveza do Ser” – quando havia mais tempo para leituras não acadêmicas; mais tempo para partilhar leituras com amigos. Tal como então, (re)descubro a extraordinária capacidade do Checo de nos surpreender com ficções que sub-repticiamente se insinuam nos nossos próprios factos. Como se ele tivesse seguido de perto o percurso das nossas pulsões, memórias, sonhos, desencantos. De alguns de nós. Ou será de todos nós? Haverá mesmo essa coisa chamada “memória colectiva”? Ignoro. Mas sei de quantas vezes uma certa ‘arrogância ignorante’ nos persegue com bizarras noções de poder ou “patriotismo”, mais não visando que expulsar-nos do nosso espaço de pertença natural; mais não visando, de facto, que dele se usurpar. Regressamos, então, ao centro de nós, onde nos redescobrimos, reinventamos ou perdemos, mas permanecemos irrevogávelmente iguais a nós próprios.


A.S. (Publicado em "Factos & Ficções", Semanário Angolense - Luanda, Dezembro, 2002)




*[First posted 12/01/07]



IGNORÂNCIA, OU A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO REGRESSO






- O que é que ainda estás aqui a fazer? Perguntou S. indignada.
- Mas tu não vês que eu tenho aqui o meu trabalho, o meu apartamento, a minha vida?, I. retorquiu.
- Meu Deus, I.! O que se está a passar no teu país é tão fascinante! Numa situação como aquela tudo se pode resolver!
- Mas S., não são só as questões práticas, o trabalho, o apartamento. Eu tenho estado aqui a viver há 20 anos. A minha vida está aqui!
- Será o teu grande regresso, respondeu S. depois de um grande silêncio. Repetidas, as palavras adquiriram um tal poder que, no fundo de si, I. via-as escritas em letras capitais: Grande Regresso. Abandonou a sua resistência e deixou-se cativar por imagens súbitamente emergindo de livros lidos há muito tempo, de filmes, da sua própria memória e talvez da sua memória ancestral: o lar que todos carregamos dentro de nós; Odysseus vislumbrando a sua ilha depois de anos de vagueação; o regresso, o regresso, a grande magia do regresso.

A palavra grega para regresso é nostos. Algos significa sofrimento. Portanto, nostalgia é o sofrimento causado por um insaciado desejo de regressar. Para expressar essa noção fundamental, a maior parte dos europeus utiliza a palavra derivada do grego (nostalgia) assim como outras palavras com raízes nos seus idiomas nacionais: anoranza, dizem os espanhóis; saudade, dizem os portugueses. Em cada língua estas palavras têm uma diferente nuance semântica. Frequentemente elas significam apenas a tristeza causada pela impossibilidade de regressar ao país a que se pertence: o anseio pela terra, pelo lar. O que em Inglês se chama “homesickness”. Em espanhol anoranza vem do verbo anorar (sentir nostalgia), que vem do catalão enyorar, por sua vez derivado da palavra latina ignorare. Sob essa luz etimológica, nostalgia parece algo assim como a dor da ignorância, do não saber. Tu estás longe e eu não sei o que é feito de ti. O meu país está longe e eu não sei o que por lá se passa.

(…) A alvorada da antiga cultura grega trouxe o nascimento da Odisseia, o épico fundador da nostalgia. Enfatizemos: Odysseus, o maior aventureiro de todos os tempos, é também o maior nostálgico. Ele partira (não muito contente) para a guerra de Tróia e por lá ficara durante 10 anos. Depois tentou regressar à sua Ithaca nativa, mas as intrigas dos deuses prolongaram-lhe a viagem, primeiro durante 3 anos encalacrado no meio dos mais inusitados acontecimentos, depois por mais 7 anos que passou como refém e amante de Calypso, que na sua paixão não o deixava sair da ilha. Muito diferente da vida de pobre emigrada que I. tem levado por já bastante tempo. Odysseus viveu a verdadeira dolce vita lá na terra de Calypso, uma vida fácil, uma vida de delícias. No entanto, entre a dolce vita num lugar estrangeiro e o arriscado regresso a casa, ele escolheu o regresso.


Desde as primeiras semanas depois de ter emigrado, I. começou a ter estranhos sonhos: ela está num avião que muda de direcção e aterra num aeroporto desconhecido; homens armados e de uniforme esperam-na; num suor frio, ela reconhece a polícia. Noutra ocasião, ela está a caminhar numa pequena cidade quando vê um estranho grupo de mulheres, cada uma com uma caneca de cerveja, correndo em direcção a ela, chamando-a na sua língua com uma falsa cordialidade e, aterrorizada, I. realiza que está na sua terra. Ela grita e acorda. Depois, durante uma conversa com um compatriota também emigrado, I. dá-se conta de que todos os emigrados tinham esses sonhos, todos, sem excepção; primeiro ela ficou comovida pela fraternidade nocturna de pessoas desconhecidas umas das outras, mas depois ficou um tanto irritada: como é possível que uma experiência tão privada como um sonho seja um acontecimento colectivo? O que é que, então, é unico à nossa alma? Mas chega de perguntas que não têm resposta!

Uma coisa era certa: em qualquer noite, milhares de emigrados sonhavam o mesmo sonho num sem número de variantes. O sonho-emigração: um dos fenómenos mais estranhos da segunda metade do século vinte. Esses sonhos-pesadelos pareciam-lhe tanto mais estranhos quanto o facto de que ela era assaltada simultâneamente por uma incontrolável nostalgia e outra experiência completamente oposta: paisagens da sua terra não paravam de passar pela sua mente durante o dia. Durante todo o dia essas fugidias imagens visitavam-na para atenuar o anseio pela sua terra perdida. O dia era iluminado pela beleza da terra abandonada, a noite pelo horror de a ela regressar. O dia mostrava-lhe o paraíso que perdera; a noite, o inferno de que fugira.

Leais à tradição da revolução francesa, os países comunistas excomungavam a emigração, considerada a mais odiosa traição. Todos os que permanecessem no exterior eram condenados in absencia no seu país de origem e os seus compatriotas não se atreviam a ter qualquer contacto com eles. J. relembrou-se de uma antiga idéia sua, que na altura ele próprio considerara blasfema: a aderência ao comunismo não tinha nada a ver com Marx e as suas teorias, mas simplesmente com o facto de que proporcionava às pessoas uma forma de satisfazerem as suas mais diversas necessidades psicológicas: a necessidade de parecer não-conformista, ou de obedecer, ou de punir os maus, ou de ser útil, ou de ter uma grande família à volta. A razão pela qual as pessoas estão agora a abandonar o comunismo não se deve às suas idéias terem mudado ou a terem sofrido um choque, mas ao facto de o credo comunista já não responder a nenhuma necessidade. Tornou-se tão inútil, que toda a gente o deixa fácilmente cair, sem sequer se dar conta.

(…) J. pergunta: - se um país não é independente e nem sequer o quer ser, quererá alguém ainda morrer por ele?

– Querer morrer não é bem o que eu desejo para os meus filhos, N. retorquiu.
– Ponho a pergunta de outro modo, voltou J.: haverá alguém que ainda ame esse país? N. exclamou: - como é que foste capaz de emigrar J.?! Tu és um patriota! Morrer pelo país, isso já acabou! Talvez para ti o tempo tenha parado durante a tua emigração. Mas eles, eles ja não pensam como tu, eles estão noutra!

I. lamenta que os seus compatriotas pensem que todos os emigrados saem em busca de uma vida fácil: não sabem como é duro lutar por um lugar ao sol num país estrangeiro; deixar o país com crianças; perder o marido; criar as crianças sem dinheiro... Mas M. adverte-a: não vale a pena dizer-lhes isso. Até há pouco tempo toda a gente discutia sobre quem tinha passado pior sob o antigo regime. Todos queriam ser reconhecidos como vítimas. Mas esses concursos de sofrimento já passaram de moda. Agora as pessoas gabam-se do seu sucesso, não do seu sofrimento. Portanto, se eles decidirem conceder-te algum respeito, não será pela vida dura que tiveste, mas porque terás arranjado um homem rico!

(…) I. sempre tomara como um dado que emigrar era uma desgraça. Mas agora ela interroga-se se isso não seria uma ilusão sugestionada pela forma como as pessoas avaliam um emigrado. Não estaria ela a interpretar a sua própria vida de acordo com as instruções operativas de outros? Ocorre-lhe que, embora lhe tenha sido imposta de fora e contra a sua vontade, a sua emigração era talvez, sem ela se ter apercebido, a melhor coisa que lhe tinha acontecido na vida. As implacáveis forças da história que tinham atacado a sua liberdade tinham-na, de facto, libertado.

Durante os 20 anos da ausência de Odysseus, o povo de Ithaca retivera muitas recordações dele, mas nunca sentira nostalgia por ele. Por seu lado, Odysseus sofria de nostalgia mas não se lembrava de quase nada. Podemos compreender esta curiosa contradição se realizarmos que para que a memória funcione bem precisa de constante prática: se as recordações não são evocadas repetidamente, em conversas com amigos, desaparecem. Quanto maior a nostalgia, mais vazia de recordações ela se torna. Durante 20 anos, Odysseus não pensara em mais nada senão no seu regresso. Mas uma vez regressado, espantou-se com a realização de que a sua vida, a verdadeira essência da sua vida, o seu centro, o seu tesouro, estava fora de Ithaca, nos 20 anos das suas deambulações.



Os parágrafos precedentes constituem uma ‘colagem’ de extractos de “Ignorance” (Faber & Faber, Londres, 2002), a última obra de Milan Kundera, que tomei a liberdade de traduzir da versão inglesa. Não lia Kundera há mais de dez anos, desde “A Insustentável Leveza do Ser” – quando havia mais tempo para leituras não acadêmicas; mais tempo para partilhar leituras com amigos. Tal como então, (re)descubro a extraordinária capacidade do Checo de nos surpreender com ficções que sub-repticiamente se insinuam nos nossos próprios factos. Como se ele tivesse seguido de perto o percurso das nossas pulsões, memórias, sonhos, desencantos. De alguns de nós. Ou será de todos nós? Haverá mesmo essa coisa chamada “memória colectiva”? Ignoro. Mas sei de quantas vezes uma certa ‘arrogância ignorante’ nos persegue com bizarras noções de poder ou “patriotismo”, mais não visando que expulsar-nos do nosso espaço de pertença natural; mais não visando, de facto, que dele se usurpar. Regressamos, então, ao centro de nós, onde nos redescobrimos, reinventamos ou perdemos, mas permanecemos irrevogávelmente iguais a nós próprios.


A.S. (Publicado em "Factos & Ficções", Semanário Angolense - Luanda, Dezembro, 2002)




*[First posted 12/01/07]

Sobre a Inveja e o Ódio (R)*



A INVEJA E O ÓDIO SEGUNDO SÃO TOMÁS DE AQUINO
A inveja (junto com a avareza) é um dos vícios capitais mais detestáveis. A inveja, in-vidia, invidentia, é não-ver, não querer ver o bem do outro.


AS METÁFORAS DA INVEJA

A inveja é podridão

1. A propósito de Prov 14, 30: "A inveja é a podridão dos ossos", comenta Gregório (Mor. 6, 7): "Pelo vício da inveja, desfazem-se aos olhos de Deus os bons atos das virtudes". (Malo, 10, 2 sc 1) "Sed contra. Est quod Gregorius dicit exponens id quod habetur Prov. XIV, 30: putredo ossium invidia. Per livoris (inquit) vitium ante dei oculos pereunt bene acta virtutum."

Roer-se de inveja

2. A inveja é comparada à traça, que rói ocultamente as vestes, pois dilacera o amor e, por isso, desfaz a unidade. (Cat. Aur. in Matt 6, 14) "Allegorice autem... tinea, quae vestes latenter rodit, invidia est, quae bonum studium lacerat, et per hoc compactionem unitatis dissipat."
3. Roído pela inveja (Super Ev Mt cp 6 lc 5) "Per invidiam corroduntur."

A inveja é tortuosa, como a cobra. A inveja é sombria e tenebrosa

4. Distorcer é entortar o que era reto. Daí que por cobra tortuosa se entendam aquelas criaturas cuja beleza se obscureceu pelo pecado e distorceram sua retidão, principalmente o diabo, por quem a inveja entrou no mundo. De sua tenebrosidade fala Jó : "Dorme em sombras; esconde-se entre as canas". (In II Sent.) "Distortum enim est quod rectitudine obliquatur. Et ideo per hunc colubrum tortuosum creaturae illae intelligi possunt quarum pulchritudo est per peccatum obscurata et rectitudo obliquata, et praecipue diabolum, cujus invidia mors intravit in orbem terrarum, Sap. 3, et de umbrositate ejus dicitur Job 40, 16: sub umbra dormit in secreto."

O fedor da inveja

5. Mas para outros é na verdade odor da morte que leva à morte, isto é, da inveja e maldade que ocasionalmente os conduzem (os invejosos) à morte eterna... "Sed aliis quidem est odor mortis in mortem, id est, invidiae et malitiae occasionaliter ducentis eos in mortem aeternam, illis scilicet qui invidebant... "


O espinho da inveja

6. Outros, porém, espicaçados pelo espinho da inveja... (Catena Aurea in Lucam cp 11 lc 4) "Alii vero paribus stimulati livoris aculeis."
7. Movidos pelo espinho da inveja. (Catena Aurea in Lc cp 7 lc 3) "Invidia stimulante... "


A inveja morde

8. Alguns estavam mordidos de inveja. (Catena Aurea in Mt cp 20 lc 1) "Hoc ut ostendat aliquos esse invidia morsos..."


A inveja é cega

9. Atingidos pela cegueira da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 21 lc 1) "Sed invidia caecatos scribas et pharisaeos..."

10. Porque estavam completamente dominados pela cegueira da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 27 lc 4) "Quia eos omnino invidia excaecaverat"


A inveja queima

11. Torturados de inveja, queimados de inveja. (Catena Aurea in Mt cp 21 lc 4) "...Invidia torquebantur. itaque non sufferentes in pectore suo invidiae stimulantis ardorem..."
12. A febre da inveja. (Super Ev Mt cp 8 lc 3) "Haec febricitabat, scilicet synagoga, febre scilicet invidiae."


A inveja envenena

13. O veneno da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 22 lc 5) "Ex hoc autem intelligimus venena invidiae superari posse, sed difficile quiescere."

O arroto da inveja

14. O arroto da inveja. (Sermones 2, ps 3) "Difficile est quod cor plenum invidia non eructet quandoque aliquid ex illo, quia ex abundantia cordis os loquitur."

A inveja avinagra

15. A inveja é representada pelo vinagre. (Super Ev. Io. cp 19, lc 5) "Mystice autem per haec tria signantur tria mala quae in iudaeis erant: scilicet invidia per acetum etc."

A inveja dói

16. Há certos pecados que são dores, como a acídia e a inveja. (In IV Sent. d 17, q 2, a 1, 5)"Sed quaedam peccata sunt dolores, sicut invidia et accidia."

Outros aspectos da inveja

17. Vejo, mas não invejo... (Catena Aurea in Io. cp9 lc 4) "Video, sed non invideo." (trocadilho de Santo Agostinho)

18. Não há nada mais vil do que a inveja. (Catena Aurea in Io. cp 4 lc 9) "Nihil enim livore et invidia deterius."

19. Freqüentemente os soberbos julgam os outros superiores em muitas coisas, sem no entanto deixarem de se considerar mais dignos delas, por causa dos bens em que os outros parecem superá-los, da própria soberba nasce um zelo de inveja. (In II Sent. d 21 q 2 a 1 r 1) "Unde superbi frequenter alios se superiores in multis aestimant, qui tamen multa sibi magis digna esse cogitant, propter alia bona in quibus alios excedere videntur: et ideo ex ipsa superbia invidiae zelus oritur."

20. (O ódio pode surgir também...) quando alguém por semelhança impede a fruição da realidade amada por alguém que a ama. E isto se dá em todas as coisas que não podem ser simultaneamente possuídas por vários, como é o caso das coisas materiais. Daí que quem ama o proveito ou o prazer de algo, impeça a fruição desse algo por outro que, tal como ele, quer se apropriar daquilo. Daí o ciúme, que não suporta participação no amado, e a inveja, que pensa que o bem do outro é obstáculo para seu próprio bem. (In II Sent. d 27, q 1, a 1, ad 3) "Secundo quando aliquis ex ipsa similitudine impedit amantem ab amati fruitione; et hoc invenitur in omnibus rebus quae non possunt simul a multis haberi, sicut sunt res temporales; unde qui amat lucrum de aliqua re, vel delectationem, impeditur a fruitione sui amati per alium, qui sibi vult similiter illud appropriare; et hinc oritur zelotypia, quae non patitur consortium in amato; et invidia, inquantum bonum alterius aestimatur impeditivum boni proprii."

21. Há certos pecados que se cometem por tristeza, como a acídia e a inveja. (In IV Sent. d 17, q 2, a 2, 1) "Sed quaedam peccata per tristitiam committuntur, sicut acidia et invidia."

22. (Nos condenados do inferno) Agiganta-se o ódio e a inveja, porque preferem ser mais torturados com muitos do que menos torturados sozinhos. (In IV Sent. d 50, q 2, a 1, ad3) " (...) Superexcrescet odium et invidia, quod eligerent torqueri magis cum multis quam minus soli."

23. Só a soberba e a inveja são pecados puramente espirituais, portanto do âmbito possível dos demônios. (I, 63, 2 ad 2) "Sola superbia et invidia sunt pure spiritualia peccata, quae daemonibus competere possunt."

24. Como a inveja se sente da glória de outrem enquanto ela diminui a glória desejada, apenas sentimos inveja daqueles a quem pretendemos igualar-nos ou a quem, em glória, nos preferimos; o que não se verifica quanto aos que estão de nós muito distantes. Com efeito, ninguém a não ser um louco, se empenha em se igualar ou superar em glória os que são muito maiores: não só o rei não inveja o plebeu; também o plebeu não inveja o rei. E, assim, um homem não inveja os que estão muito longe por lugar, tempo ou prestígio; mas os que estão perto - esses são os que incomodam - e aos quais ele quer se igualar ou superar. (II-II, 36, 1, ad 2) "Quia invidia est de gloria alterius inquantum diminuit gloriam quam quis appetit, consequens est ut ad illos tantum invidia habeatur quibus homo vult se aequare vel praeferre in gloria. Hoc autem non est respectu multum a se distantium, nullus enim, nisi insanus, studet se aequare vel praeferre in gloria his qui sunt multo eo maiores, puta plebeius homo regi; vel etiam rex plebeio, quem multum excedit. Et ideo his qui multum distant vel loco vel tempore vel statu homo non invidet, sed his qui sunt propinqui, quibus se nititur aequare vel praeferre."

25. Ninguém inveja o que é possuído comumente por muitos: ninguém inveja, por exemplo, que outro possa conhecer a verdade, o que é possível para todos, mas talvez a excelência desse conhecimento. (I-II, 28, 4 ad 2) "Non autem proprie ex his quae integre possunt a multis possideri, nullus enim invidet alteri de cognitione veritatis, quae a multis integre cognosci potest; sed forte de excellentia circa cognitionem huius."

26. É freqüente que homens que exercem o mesmo ofício se comportem insidiosa e invejosamente entre si. É como diz o provérbio: "oleiro inveja oleiro" e não carpinteiro. (Super Ev. Io cp 3, lc 4) "Nam communiter videmus hic, homines eiusdem artis insidiose et invide se habere ad invicem. Figulus figulo invidet, non autem fabro."

27. Como os soberbos freqüentemente julgam os outros superiores a si em muitas coisas (...) da própria soberba nasce a inveja (In II Sent. d 21, q 2, a 1, ad 1) "Unde superbi frequenter alios se superiores in multis aestimant (...) et ideo ex ipsa superbia invidiae zelus oritur. "

28. Pois diz Gregório: "Quando a podridão da inveja corrompe o coração já vencido, os próprios sinais exteriores indicam quão gravemente o desvario instiga o ânimo: o rosto empalidece, os olhos se abatem, a mente se inflama, os membros esfriam, a imaginação se enraivece e os dentes rangem". (II-II, 36 , 2, 4) "Dicit enim Gregorius, V Moral., cum devictum cor livoris putredo corruperit, ipsa quoque exteriora indicant quam graviter animum vesania instigat, color quippe pallore afficitur, oculi deprimuntur, mens accenditur, membra frigescunt, fit in cogitatione rabies, in dentibus stridor."

29. Há pecados que se cometem não para ganhar algo, mas só para destruir, como é o caso do homicídio, da inveja e outros que tais (In II Sent. d 35, q. 1, a5 ex). "Aliquod enim peccatum est quod est ad corrumpendum, et non ad aliquid acquirendum, ut patet in homicidio et invidia, et hujusmodi. "

30. Da inveja nasce o ódio (II-II, 34, 6, c) "Ex invidia oritur odium."

31. A ira pode ser boa ou má; ao contrário da inveja, que basta nomeá-la, e já soa como algo mau. (II-II, 158, 1 , c) "Et ideo invidia, mox nominata, sonat aliquid mali, ut Philosophus dicit, in II Ethic.. hoc autem non convenit irae, quae est appetitus vindictae, potest enim vindicta et bene et male appeti."

32. A inveja, em geral, procede da soberba. Com efeito, a tristeza pelo bem alheio dá-se no homem porque aparece como obstáculo à própria excelência. (De Malo 8, 1, ad 5) "Invidia, ut in pluribus, ex superbia oritur; propter hoc enim homo maxime tristatur de bono alterius, quia est propriae excellentiae impeditivum."

33. Os pusilânimes são propensos à inveja pois, como se diz no livro de Jó, a inveja mata os pequenos. E isto com razão, pois o medíocre acha que a prosperidade de outro impede a sua: o que é próprio de almas pequenas. (In Iob cp 5) "Quidam vero sunt pusillanimes et hi proni sunt ad invidiam, unde subdit et parvulum occidit invidia, et hoc rationabiliter dicitur: invidia enim nihil aliud est quam tristitia de prosperitate alicuius inquantum prosperitas illius aestimatur propriae prosperitatis impeditiva; hoc autem ad parvitatem animi pertinet."

34. Fugir dos olhos do invejoso, evitar que seu olhar caia sobre nossas acções. (Super Ev. Io. cp 5, lc 2) "Ut declinemus et fugiamus oculos invidorum ab omnibus operibus nostris."

35. A inveja como espírito de competição. (Super I Ad Cor. cp14 lc 1) "Et ex hoc consurgit aemulatio, quae est invidia."

36. Quem odeia, olha com olhos maus e invejosos a quem odeia (Catena Aurea in Mc cp 7 lc 2) "Nam qui odit, oculum malum et invidum habet ad eum quem odit."



*(First posted February 2007)


A INVEJA E O ÓDIO SEGUNDO SÃO TOMÁS DE AQUINO
A inveja (junto com a avareza) é um dos vícios capitais mais detestáveis. A inveja, in-vidia, invidentia, é não-ver, não querer ver o bem do outro.


AS METÁFORAS DA INVEJA

A inveja é podridão

1. A propósito de Prov 14, 30: "A inveja é a podridão dos ossos", comenta Gregório (Mor. 6, 7): "Pelo vício da inveja, desfazem-se aos olhos de Deus os bons atos das virtudes". (Malo, 10, 2 sc 1) "Sed contra. Est quod Gregorius dicit exponens id quod habetur Prov. XIV, 30: putredo ossium invidia. Per livoris (inquit) vitium ante dei oculos pereunt bene acta virtutum."

Roer-se de inveja

2. A inveja é comparada à traça, que rói ocultamente as vestes, pois dilacera o amor e, por isso, desfaz a unidade. (Cat. Aur. in Matt 6, 14) "Allegorice autem... tinea, quae vestes latenter rodit, invidia est, quae bonum studium lacerat, et per hoc compactionem unitatis dissipat."
3. Roído pela inveja (Super Ev Mt cp 6 lc 5) "Per invidiam corroduntur."

A inveja é tortuosa, como a cobra. A inveja é sombria e tenebrosa

4. Distorcer é entortar o que era reto. Daí que por cobra tortuosa se entendam aquelas criaturas cuja beleza se obscureceu pelo pecado e distorceram sua retidão, principalmente o diabo, por quem a inveja entrou no mundo. De sua tenebrosidade fala Jó : "Dorme em sombras; esconde-se entre as canas". (In II Sent.) "Distortum enim est quod rectitudine obliquatur. Et ideo per hunc colubrum tortuosum creaturae illae intelligi possunt quarum pulchritudo est per peccatum obscurata et rectitudo obliquata, et praecipue diabolum, cujus invidia mors intravit in orbem terrarum, Sap. 3, et de umbrositate ejus dicitur Job 40, 16: sub umbra dormit in secreto."

O fedor da inveja

5. Mas para outros é na verdade odor da morte que leva à morte, isto é, da inveja e maldade que ocasionalmente os conduzem (os invejosos) à morte eterna... "Sed aliis quidem est odor mortis in mortem, id est, invidiae et malitiae occasionaliter ducentis eos in mortem aeternam, illis scilicet qui invidebant... "


O espinho da inveja

6. Outros, porém, espicaçados pelo espinho da inveja... (Catena Aurea in Lucam cp 11 lc 4) "Alii vero paribus stimulati livoris aculeis."
7. Movidos pelo espinho da inveja. (Catena Aurea in Lc cp 7 lc 3) "Invidia stimulante... "


A inveja morde

8. Alguns estavam mordidos de inveja. (Catena Aurea in Mt cp 20 lc 1) "Hoc ut ostendat aliquos esse invidia morsos..."


A inveja é cega

9. Atingidos pela cegueira da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 21 lc 1) "Sed invidia caecatos scribas et pharisaeos..."

10. Porque estavam completamente dominados pela cegueira da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 27 lc 4) "Quia eos omnino invidia excaecaverat"


A inveja queima

11. Torturados de inveja, queimados de inveja. (Catena Aurea in Mt cp 21 lc 4) "...Invidia torquebantur. itaque non sufferentes in pectore suo invidiae stimulantis ardorem..."
12. A febre da inveja. (Super Ev Mt cp 8 lc 3) "Haec febricitabat, scilicet synagoga, febre scilicet invidiae."


A inveja envenena

13. O veneno da inveja. (Catena Aurea in Mt cp 22 lc 5) "Ex hoc autem intelligimus venena invidiae superari posse, sed difficile quiescere."

O arroto da inveja

14. O arroto da inveja. (Sermones 2, ps 3) "Difficile est quod cor plenum invidia non eructet quandoque aliquid ex illo, quia ex abundantia cordis os loquitur."

A inveja avinagra

15. A inveja é representada pelo vinagre. (Super Ev. Io. cp 19, lc 5) "Mystice autem per haec tria signantur tria mala quae in iudaeis erant: scilicet invidia per acetum etc."

A inveja dói

16. Há certos pecados que são dores, como a acídia e a inveja. (In IV Sent. d 17, q 2, a 1, 5)"Sed quaedam peccata sunt dolores, sicut invidia et accidia."

Outros aspectos da inveja

17. Vejo, mas não invejo... (Catena Aurea in Io. cp9 lc 4) "Video, sed non invideo." (trocadilho de Santo Agostinho)

18. Não há nada mais vil do que a inveja. (Catena Aurea in Io. cp 4 lc 9) "Nihil enim livore et invidia deterius."

19. Freqüentemente os soberbos julgam os outros superiores em muitas coisas, sem no entanto deixarem de se considerar mais dignos delas, por causa dos bens em que os outros parecem superá-los, da própria soberba nasce um zelo de inveja. (In II Sent. d 21 q 2 a 1 r 1) "Unde superbi frequenter alios se superiores in multis aestimant, qui tamen multa sibi magis digna esse cogitant, propter alia bona in quibus alios excedere videntur: et ideo ex ipsa superbia invidiae zelus oritur."

20. (O ódio pode surgir também...) quando alguém por semelhança impede a fruição da realidade amada por alguém que a ama. E isto se dá em todas as coisas que não podem ser simultaneamente possuídas por vários, como é o caso das coisas materiais. Daí que quem ama o proveito ou o prazer de algo, impeça a fruição desse algo por outro que, tal como ele, quer se apropriar daquilo. Daí o ciúme, que não suporta participação no amado, e a inveja, que pensa que o bem do outro é obstáculo para seu próprio bem. (In II Sent. d 27, q 1, a 1, ad 3) "Secundo quando aliquis ex ipsa similitudine impedit amantem ab amati fruitione; et hoc invenitur in omnibus rebus quae non possunt simul a multis haberi, sicut sunt res temporales; unde qui amat lucrum de aliqua re, vel delectationem, impeditur a fruitione sui amati per alium, qui sibi vult similiter illud appropriare; et hinc oritur zelotypia, quae non patitur consortium in amato; et invidia, inquantum bonum alterius aestimatur impeditivum boni proprii."

21. Há certos pecados que se cometem por tristeza, como a acídia e a inveja. (In IV Sent. d 17, q 2, a 2, 1) "Sed quaedam peccata per tristitiam committuntur, sicut acidia et invidia."

22. (Nos condenados do inferno) Agiganta-se o ódio e a inveja, porque preferem ser mais torturados com muitos do que menos torturados sozinhos. (In IV Sent. d 50, q 2, a 1, ad3) " (...) Superexcrescet odium et invidia, quod eligerent torqueri magis cum multis quam minus soli."

23. Só a soberba e a inveja são pecados puramente espirituais, portanto do âmbito possível dos demônios. (I, 63, 2 ad 2) "Sola superbia et invidia sunt pure spiritualia peccata, quae daemonibus competere possunt."

24. Como a inveja se sente da glória de outrem enquanto ela diminui a glória desejada, apenas sentimos inveja daqueles a quem pretendemos igualar-nos ou a quem, em glória, nos preferimos; o que não se verifica quanto aos que estão de nós muito distantes. Com efeito, ninguém a não ser um louco, se empenha em se igualar ou superar em glória os que são muito maiores: não só o rei não inveja o plebeu; também o plebeu não inveja o rei. E, assim, um homem não inveja os que estão muito longe por lugar, tempo ou prestígio; mas os que estão perto - esses são os que incomodam - e aos quais ele quer se igualar ou superar. (II-II, 36, 1, ad 2) "Quia invidia est de gloria alterius inquantum diminuit gloriam quam quis appetit, consequens est ut ad illos tantum invidia habeatur quibus homo vult se aequare vel praeferre in gloria. Hoc autem non est respectu multum a se distantium, nullus enim, nisi insanus, studet se aequare vel praeferre in gloria his qui sunt multo eo maiores, puta plebeius homo regi; vel etiam rex plebeio, quem multum excedit. Et ideo his qui multum distant vel loco vel tempore vel statu homo non invidet, sed his qui sunt propinqui, quibus se nititur aequare vel praeferre."

25. Ninguém inveja o que é possuído comumente por muitos: ninguém inveja, por exemplo, que outro possa conhecer a verdade, o que é possível para todos, mas talvez a excelência desse conhecimento. (I-II, 28, 4 ad 2) "Non autem proprie ex his quae integre possunt a multis possideri, nullus enim invidet alteri de cognitione veritatis, quae a multis integre cognosci potest; sed forte de excellentia circa cognitionem huius."

26. É freqüente que homens que exercem o mesmo ofício se comportem insidiosa e invejosamente entre si. É como diz o provérbio: "oleiro inveja oleiro" e não carpinteiro. (Super Ev. Io cp 3, lc 4) "Nam communiter videmus hic, homines eiusdem artis insidiose et invide se habere ad invicem. Figulus figulo invidet, non autem fabro."

27. Como os soberbos freqüentemente julgam os outros superiores a si em muitas coisas (...) da própria soberba nasce a inveja (In II Sent. d 21, q 2, a 1, ad 1) "Unde superbi frequenter alios se superiores in multis aestimant (...) et ideo ex ipsa superbia invidiae zelus oritur. "

28. Pois diz Gregório: "Quando a podridão da inveja corrompe o coração já vencido, os próprios sinais exteriores indicam quão gravemente o desvario instiga o ânimo: o rosto empalidece, os olhos se abatem, a mente se inflama, os membros esfriam, a imaginação se enraivece e os dentes rangem". (II-II, 36 , 2, 4) "Dicit enim Gregorius, V Moral., cum devictum cor livoris putredo corruperit, ipsa quoque exteriora indicant quam graviter animum vesania instigat, color quippe pallore afficitur, oculi deprimuntur, mens accenditur, membra frigescunt, fit in cogitatione rabies, in dentibus stridor."

29. Há pecados que se cometem não para ganhar algo, mas só para destruir, como é o caso do homicídio, da inveja e outros que tais (In II Sent. d 35, q. 1, a5 ex). "Aliquod enim peccatum est quod est ad corrumpendum, et non ad aliquid acquirendum, ut patet in homicidio et invidia, et hujusmodi. "

30. Da inveja nasce o ódio (II-II, 34, 6, c) "Ex invidia oritur odium."

31. A ira pode ser boa ou má; ao contrário da inveja, que basta nomeá-la, e já soa como algo mau. (II-II, 158, 1 , c) "Et ideo invidia, mox nominata, sonat aliquid mali, ut Philosophus dicit, in II Ethic.. hoc autem non convenit irae, quae est appetitus vindictae, potest enim vindicta et bene et male appeti."

32. A inveja, em geral, procede da soberba. Com efeito, a tristeza pelo bem alheio dá-se no homem porque aparece como obstáculo à própria excelência. (De Malo 8, 1, ad 5) "Invidia, ut in pluribus, ex superbia oritur; propter hoc enim homo maxime tristatur de bono alterius, quia est propriae excellentiae impeditivum."

33. Os pusilânimes são propensos à inveja pois, como se diz no livro de Jó, a inveja mata os pequenos. E isto com razão, pois o medíocre acha que a prosperidade de outro impede a sua: o que é próprio de almas pequenas. (In Iob cp 5) "Quidam vero sunt pusillanimes et hi proni sunt ad invidiam, unde subdit et parvulum occidit invidia, et hoc rationabiliter dicitur: invidia enim nihil aliud est quam tristitia de prosperitate alicuius inquantum prosperitas illius aestimatur propriae prosperitatis impeditiva; hoc autem ad parvitatem animi pertinet."

34. Fugir dos olhos do invejoso, evitar que seu olhar caia sobre nossas acções. (Super Ev. Io. cp 5, lc 2) "Ut declinemus et fugiamus oculos invidorum ab omnibus operibus nostris."

35. A inveja como espírito de competição. (Super I Ad Cor. cp14 lc 1) "Et ex hoc consurgit aemulatio, quae est invidia."

36. Quem odeia, olha com olhos maus e invejosos a quem odeia (Catena Aurea in Mc cp 7 lc 2) "Nam qui odit, oculum malum et invidum habet ad eum quem odit."



*(First posted February 2007)

Monday, 10 January 2011

De "assassinos a sangue frio"...



... "conflitos de personalidade", "esquizofrenias"...



Tenho, verdadeiramente, saudades do David Mestre, cujo nome verdadeiro era
Filipe Mota Veiga* e cuja vida tinha começado muito mal: aos cinco anos viu o pai
matar a mãe.
(...)
O David Mestre era um excesivo em muitos capítulos da
sua vida e ligava pouco à sua própria saúde.
(...)
Tinha feito um
bypass, mas, a seguir continuou com a mesma vida de excessos.


... e... "anjos bons"


A imagem mostra a Terezinha por detrás do David - sempre a
tomar conta dele



[Extractos e imagem daqui]


* O nome completo era Luis Filipe Guimaraes da Motta Veiga


N.B.: ... et pourtant, eu e' que "o matei"!





ADENDA


E ja' agora...





E este? Quem foi que "o matou"? Tambem fui eu???!!!!


Posts (nao) relacionados:


O (IN)CRIVEL SVENGALI

"Parafraseando"

Um Filme de Terror

Uma Estorieta Infantil




... "conflitos de personalidade", "esquizofrenias"...



Tenho, verdadeiramente, saudades do David Mestre, cujo nome verdadeiro era
Filipe Mota Veiga* e cuja vida tinha começado muito mal: aos cinco anos viu o pai
matar a mãe.
(...)
O David Mestre era um excesivo em muitos capítulos da
sua vida e ligava pouco à sua própria saúde.
(...)
Tinha feito um
bypass, mas, a seguir continuou com a mesma vida de excessos.


... e... "anjos bons"


A imagem mostra a Terezinha por detrás do David - sempre a
tomar conta dele



[Extractos e imagem daqui]


* O nome completo era Luis Filipe Guimaraes da Motta Veiga


N.B.: ... et pourtant, eu e' que "o matei"!





ADENDA


E ja' agora...





E este? Quem foi que "o matou"? Tambem fui eu???!!!!


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O (IN)CRIVEL SVENGALI

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Um Filme de Terror

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Wednesday, 5 January 2011

Malangatana (R.I.P.)





O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente

[David Mestre]



O sol nascendo a oriente


[A.S.]




O Sol Nasce A Oriente

(de um quadro de Malangatana)

Povo, de ti canto o movimento
teu nome, canção feita de fronteiras
lua nova, javite ou lança
tua hora, quissange em trança

Do longo longe do tempo
arde minha flecha, meu lamento
minha bandeira de outro vento
aurora urdida nos lábios de Zumbi

De ti guardo o gesto
as conversas leves das árvores
a fala sabia das aves
o dialeto novo do silêncio
e as pedras, as palavras do medo
os olhos falantes da mata
quando a onça posta a sua arte
nos fita, guardada em sua mágoa.

De ti amo a denuncia felina
das tuas mãos quebradas ao presente
a dança prometida do sol
nascer um dia a Oriente

[David Mestre]



O sol nascendo a oriente


[A.S.]

Monday, 3 January 2011

Thought for the year {Updated}*




(...) Resulta que a dita “ideologia dos (pretensos) afectos” apenas tem conseguido criar, alimentar e reproduzir “ogros”, ou seja, monstros, vultos e esquizofrenicos (...) mais suas infaliveis coortes de sycophantas, sedentos de poder absoluto e dominacao exclusiva das parangonas e determinados a destroçar a catanada todos os sonhos que desconseguem usar, abusar e desusar…


[Extracto daqui]






P.S.: Apenas para fazer notar (especialmente a certas, oficial e incorrigivelmente, karrassas psicopatas vultas racistas desavergonhadas que nao teem, nem nunca tiveram, nada de melhor para fazer nas suas vazias, pateticas, doentias, superficiais, ociosas e perdularias vidas, a nao ser provokar makas de sanzala kom kem nao devem so' pra levarem kibeto que as deixa sem saber de que terra sao!) que este thought for the year constitui a ultima "migalha" do que quer que seja que possa ter algo vagamente relacionado com elas - para variar porque se trata de um thought, coisa que manifesta e definitivamente "nao cabe na cabecinha de abobora oca" de tais karrassas -, porque a partir deste ano que comeca e para todo o sempre, eu, aqui neste blog ou em qualquer outro lugar, nao lhes dedicarei a minima atencao ou um segundo do meu precioso tempo (quanto mais nao seja porque ja' lhes dei de borla mais do que o suficiente: desde aulas, explicacoes, instrucao, esclarecimentos, ideias, conhecimento, analise, investigacao, informacao, comunicacao, fontes de copianco e mimetismo... ate' a inspiracao e ngunza para ressuscitarem as suas "companhias de danca premiadas", apesar de mortas ha' mais de 10 anos, o que lhes permitiu aparecer em todas as parangonas da noite para o dia... e depois ve-las kuspir neste prato em ke debikaram!), porque... nao passam disso mesmo: "ogros"”, ou seja, monstros, vultos e esquizofrenicos! E ademas, ha' muito ke ja' estao todos kompletamente desmaskarados!!!

Portanto:

ENOUGH IS ENOUGH!

Se acabo' la dibersion, Fidel Comandante mandou a parar!!

... e... Vade Retro Satanas!!!

Porque, vulta (cujo unico "especialismo" e' tentar pratikar o gamasutra no ke nao te pertence...), nunca me conseguiras roubar a IDENTIDADE E MUITO MENOS A ALMA (...jamais, jamais du tout!), por muito que estrebuches no teu estertor de morte fora do serio por, para alem de tudo o resto, jamais teres tido entrada no circulo restrito da UEA - como, alias, finalmente (!) tiveste que assumir... E' que na altura em que fui convidada a para la' entrar, nao eram la' admitidas cabecinhas de abobora oca e muito menos blonde jokes, quanto mais burrikitas komo tu:

La burrikita komo tu, tururu

ke no sabe ni la u, tururu

la burrikita komo tu, tururu

yo se mas ke tu!

(...)

a...e.i.o.u!!!

[so... I'm done with you!!!]


E de eskebra...


Mulher de escorpião
Comigo não!
É Abelha Mestra
É a Viúva Negra
Só vai de vedete
Nunca de extra.
Cria o chamado conflito
de personalidades.
É mãe tirana
Mulher tirana
Irmã tirana
Filha tirana
Neta tirana
tirana tirana.
Agora, de cama diz
que é boa paca.

Vinícius de Moraes



*Just...


for the sake...







...or the sex of it...


Enjoy!


{... Koz it's tennis with "karrapatos"...}

{ want more? here...}

You don't argue with stupidity less still with irrationality.







(...) Resulta que a dita “ideologia dos (pretensos) afectos” apenas tem conseguido criar, alimentar e reproduzir “ogros”, ou seja, monstros, vultos e esquizofrenicos (...) mais suas infaliveis coortes de sycophantas, sedentos de poder absoluto e dominacao exclusiva das parangonas e determinados a destroçar a catanada todos os sonhos que desconseguem usar, abusar e desusar…


[Extracto
daqui]






P.S.: Apenas para fazer notar (especialmente a certas, oficial e incorrigivelmente, karrassas psicopatas vultas racistas desavergonhadas que nao teem, nem nunca tiveram, nada de melhor para fazer nas suas vazias, pateticas, doentias, superficiais, ociosas e perdularias vidas, a nao ser provokar makas de sanzala kom kem nao devem so' pra levarem kibeto que as deixa sem saber de que terra sao!) que este thought for the year constitui a ultima "migalha" do que quer que seja que possa ter algo vagamente relacionado com elas - para variar porque se trata de um thought, coisa que manifesta e definitivamente "nao cabe na cabecinha de abobora oca" de tais karrassas -, porque a partir deste ano que comeca e para todo o sempre, eu, aqui neste blog ou em qualquer outro lugar, nao lhes dedicarei a minima atencao ou um segundo do meu precioso tempo (quanto mais nao seja porque ja' lhes dei de borla mais do que o suficiente: desde aulas, explicacoes, instrucao, esclarecimentos, ideias, conhecimento, analise, investigacao, informacao, comunicacao, fontes de copianco e mimetismo... ate' a inspiracao e ngunza para ressuscitarem as suas "companhias de danca premiadas", apesar de mortas ha' mais de 10 anos, o que lhes permitiu aparecer em todas as parangonas da noite para o dia... e depois ve-las kuspir neste prato em ke debikaram!), porque... nao passam disso mesmo: "ogros"”, ou seja, monstros, vultos e esquizofrenicos! E ademas, ha' muito ke ja' estao todos kompletamente desmaskarados!!!

Portanto:

ENOUGH IS ENOUGH!

Se acabo' la dibersion, Fidel Comandante mandou a parar!!

... e... Vade Retro Satanas!!!

Porque, vulta (cujo unico "especialismo" e' tentar pratikar o gamasutra no ke nao te pertence...), nunca me conseguiras roubar a IDENTIDADE E MUITO MENOS A ALMA (...jamais, jamais du tout!), por muito que estrebuches no teu estertor de morte fora do serio por, para alem de tudo o resto, jamais teres tido entrada no circulo restrito da UEA - como, alias, finalmente (!) tiveste que assumir... E' que na altura em que fui convidada a para la' entrar, nao eram la' admitidas cabecinhas de abobora oca e muito menos blonde jokes, quanto mais burrikitas komo tu:

La burrikita komo tu, tururu

ke no sabe ni la u, tururu

la burrikita komo tu, tururu

yo se mas ke tu!

(...)

a...e.i.o.u!!!

[so... I'm done with you!!!]


E de eskebra...


Mulher de escorpião
Comigo não!
É Abelha Mestra
É a Viúva Negra
Só vai de vedete
Nunca de extra.
Cria o chamado conflito
de personalidades.
É mãe tirana
Mulher tirana
Irmã tirana
Filha tirana
Neta tirana
tirana tirana.
Agora, de cama diz
que é boa paca.

Vinícius de Moraes



*Just...


for the sake...







...or the sex of it...


Enjoy!


{... Koz it's tennis with "karrapatos"...}

{ want more? here...}

You don't argue with stupidity less still with irrationality.




Just Poetry (xxxvii)


Terra Franca (Recidivus)
Descoberta
de gazelas e fumeiros
quem te feriu de lança?
Violada
de degredados e aljubeiros
quem te cortou a trança?
Batida
de escravos e pombeiros
quem te pagou a fiança?
Abluída
de padres e kimbandeiros
quem te açaimou a esperança?
Dominada
de kuribekas e patrulheiros
quem te atempestou a bonança?
Espartida
de indígenas e agrilhoeiros
quem te roubou a pujança?
Disputada
de fascistas e guerrilheiros
quem te acoimou a vingança?
Truncada
de epígonos e prisioneiros
quem te expungiu a matança?
Exaurida
de kamangas e petroleiros
quem te colheu a abastança?
Traficada
de kilapiés e caloteiros
quem te abusou a confiança?
Zurzida
de kamartelos e trungungueiros
quem te partiu a achegança?
Brandida
de zungueiras e roboteiros
quem te alongou a andança
Separada
de expatriados e ngundeiros
quem te quebrou a aliança?
Privatizada
de economistas e banqueiros
quem te desiquilibrou a balança?
Cerceada
de advogados e engenheiros
quem te travou a mudança?
Redescoberta
de krioulos e empreiteiros
quem te recebeu de herança?
 A Ngola?
A.S.



Glossário:


Pombeiro: comerciante/intermediário no tráfico de escravos

Kuribeka: "Maçonaria Angolana" (aparentemente em plena operação em Angola e Portugal nos dias que correm... Sobre a sua história - ou, pelo menos, uma versão dela - encontre detalhes aqui)

Kimbandeiro (ou Kimbanda): Feiticeiro ou curandeiro tradicional

Kilapié: Traficâncias várias/ negócios escuros e resultantes dividas/pendentes

Zungueira: vendedora de rua (ambulante)

Roboteiro: vendedor de rua, especialmente junto aos semaforos ('robots') das vias publicas

Trungungueiro: Aquele que persegue/atinge os seus objectivos por via do poder e da força (física ou outra)

Kamanga: diamantes (em especial o seu tráfico)

Ngundeiro: Exilado ou refugiado angolano na Europa, especialmente no Reino Unido

Krioulo: ?

Terra Franca (Recidivus)
Descoberta
de gazelas e fumeiros
quem te feriu de lança?
Violada
de degredados e aljubeiros
quem te cortou a trança?
Batida
de escravos e pombeiros
quem te pagou a fiança?
Abluída
de padres e kimbandeiros
quem te açaimou a esperança?
Dominada
de kuribekas e patrulheiros
quem te atempestou a bonança?
Espartida
de indígenas e agrilhoeiros
quem te roubou a pujança?
Disputada
de fascistas e guerrilheiros
quem te acoimou a vingança?
Truncada
de epígonos e prisioneiros
quem te expungiu a matança?
Exaurida
de kamangas e petroleiros
quem te colheu a abastança?
Traficada
de kilapiés e caloteiros
quem te abusou a confiança?
Zurzida
de kamartelos e trungungueiros
quem te partiu a achegança?
Brandida
de zungueiras e roboteiros
quem te alongou a andança
Separada
de expatriados e ngundeiros
quem te quebrou a aliança?
Privatizada
de economistas e banqueiros
quem te desiquilibrou a balança?
Cerceada
de advogados e engenheiros
quem te travou a mudança?
Redescoberta
de krioulos e empreiteiros
quem te recebeu de herança?
 A Ngola?
A.S.



Glossário:


Pombeiro: comerciante/intermediário no tráfico de escravos

Kuribeka: "Maçonaria Angolana" (aparentemente em plena operação em Angola e Portugal nos dias que correm... Sobre a sua história - ou, pelo menos, uma versão dela - encontre detalhes
aqui)

Kimbandeiro (ou Kimbanda): Feiticeiro ou curandeiro tradicional

Kilapié: Traficâncias várias/ negócios escuros e resultantes dividas/pendentes

Zungueira: vendedora de rua (ambulante)

Roboteiro: vendedor de rua, especialmente junto aos semaforos ('robots') das vias publicas

Trungungueiro: Aquele que persegue/atinge os seus objectivos por via do poder e da força (física ou outra)

Kamanga: diamantes (em especial o seu tráfico)

Ngundeiro: Exilado ou refugiado angolano na Europa, especialmente no Reino Unido

Krioulo: ?

Sunday, 2 January 2011

Bêó...


Desta lista de "figuras do ano", chamou-me particularmente a atencao, com agrado e interesse (cujas razoes podem ser encontradas aqui), esta mencao:


IMPRENSA Jornal Bêó Ritmos do coração

A Imprensa angolana já teve, ao longo da sua história, momentos de grande esplendor mas também muitos baixos. No tempo em que vivemos, a situação não é das melhores mas começam a surgir sinais de que é possível retomar o rumo de um jornalismo com rigor, isenção e responsabilidade. Por isso, saudamos o aparecimento do Jornal Bêó, projecto liderado pelo repórter Paulo Mateta. O jornalismo tem uma vertente regional que não pode ser desprezada. E o Bairro Operário, pelo que significa sob o ponto de vista cultural e histórico, merece um jornal.



Enquanto procurava o jornal, ou outras mencoes a ele na net (sem qualquer sucesso nesse aspecto), encontrei essas fotos do B.O. e arredores aqui, onde tambem encontrei a foto abaixo... que me trouxe outras recordacoes de corridas atras do "carro do fumo" em tempos mais recuados da ndenguice la' para as bandas da Vila Alice...




Desta lista de "figuras do ano", chamou-me particularmente a atencao, com agrado e interesse (cujas razoes podem ser encontradas aqui), esta mencao:


IMPRENSA Jornal Bêó Ritmos do coração

A Imprensa angolana já teve, ao longo da sua história, momentos de grande esplendor mas também muitos baixos. No tempo em que vivemos, a situação não é das melhores mas começam a surgir sinais de que é possível retomar o rumo de um jornalismo com rigor, isenção e responsabilidade. Por isso, saudamos o aparecimento do Jornal Bêó, projecto liderado pelo repórter Paulo Mateta. O jornalismo tem uma vertente regional que não pode ser desprezada. E o Bairro Operário, pelo que significa sob o ponto de vista cultural e histórico, merece um jornal.



Enquanto procurava o jornal, ou outras mencoes a ele na net (sem qualquer sucesso nesse aspecto), encontrei essas fotos do B.O. e arredores aqui, onde tambem encontrei a foto abaixo... que me trouxe outras recordacoes de corridas atras do "carro do fumo" em tempos mais recuados da ndenguice la' para as bandas da Vila Alice...